Um meme, lançado pelo SF Signal: indicar os filmes já vistos desta lista de 50 filmes distópicos. Qual destes 50 filmes já vi? Uma pista: estão a negrito.
1 Metropolis (1927) A grande referência.
2 A Clockwork Orange (1971) Um filme de Kubrick que nos atinge como um murro no estômago.
3 Brazil (1985)
4 Wings of Desire (1987) Wim Wenders no seu mais poético
5 Blade Runner (1982) Outra grande referência, um dos melhores filmes de FC de todos os tempos.
6 Children of Men (2006)
7 The Matrix (1999) Vale mais pelo conceito do que pelo filme, mas enfim...
8 Mad Max 2: The Road Warrior (1981)
9 Minority Report (2002) FC, P.K. Dick e Spielberg numa fase tenebrosa.
10 Delicatessen (1991) Fabulosa comédia negra. Literalmente de rebolar a rir...
11 Sleeper (1973)
12 The Trial (1962)
13 Alphaville (1965) Quem diria, Jean Luc Goddard a realizar um filme a rondar a FC...
14 Twelve Monkeys (1995) Terry Gilliam e os seus delírios...
15 Serenity (2005)
16 Pleasantville (1998)
17 Ghost in the Shell (1995)
18 Battle Royale (2000)
19 RoboCop (1987) Um dos filmes da minha infância...
20 Akira (1988)
21 The City of Lost Children (1995)
22Planet of the Apes (1968) Clássico, clássico...
23 V for Vendetta (2005) O comic de Alan Moore é vastamente superior ao filme.
Metropolis (2001)
24 Gattaca (1997) Um filme que dá que pensar...
25 Fahrenheit 451 (1966) Truffaut a adaptar uma das mais clássicas obras de Ray Bradbury. Imperdível.
26 On The Beach (1959)
27 Mad Max (1979) Outro dos filmes da minha infância.
28 Total Recall (1990) Um verdadeiro desperdício de celulóide.
29 Dark City (1998)
30 War Of the Worlds (1953) Um fabuloso clássico!
31 District 13 (2004)
32 They Live (1988) John Carpenter a assinar um subversivo ataque ao capitalismo puro.
33 THX 1138 (1971) George Lucas experimental, antes das idiotices (divertidas, enfim) de Star Wars
34 Escape from New York (1981) O melhor dos filmes pós-apocalípticos, sob o olhar de Carpenter.
35 A Scanner Darkly (2006)
36 Silent Running (1972)
37 Artificial Intelligence: AI (2001) Mesmo assim, gostaria de ver o filme totalmente realizado por Kubrick.
38 Nineteen Eighty-Four (1984) Grande visualização de uma grande obra literária.
39 A Boy and His Dog (1975)
40 Soylent Green (1973) Ou, qual o destino final da nossa carcassa humana?
41 I Robot (2004) Grandes efeitos especiais não fazem um bom filme...
42 Logan's Run (1976) Mais um clássico de distopia.
43 Strange Days (1995)
44 Idiocracy (2006)
45 Death Race 2000 (1975)
46 Rollerball (1975)
47 Starship Troopers (1997) O militarismo fascizante de Heinlein levado ao absurdo.
48 One Point O (2004)
49 Equilibrium (2002)
domingo, 30 de setembro de 2007
...

Ao contrário do que possa parecer, eu ainda desenho com materiais mais tradicionais. Muitas vezes em apoio ao trabalho digital - rabisco a ideia, fotografo-a ou digitalizo-a (fotografar é mais rápido) e depois trabalho em vectores (leia-se Corel Draw versão 11 e chega, mas um dia destes experimento o Corel X3). Se tiver tempo - e tive algum, na sessão de apresentação do mestrado que estou a frequentar - completo o rabisco com os meus velhos truques de caneta preta.
Mundos Sem Fim

Clifford D. Simak, Mundos Sem Fim, Livros do Brasil, colecção Argonauta, 1988
Wikipedia | Cliffod D. Simak
Apesar de estar já um pouco esquecido, Cifford Simak é um dos grandes mestres da golden age da FC. Sem ter atingido o estatuto de um Asimov, Simak legou uma obra coerente, preocupada com a correcção científica - sem a qual a FC seria, apenas, ficção fantástica, embora com um estilo mais bucólico e pastoral do que o ambiente hipertecnológico que é imagem de marca da FC.
Mundos Sem Fim, Worlds Whitout End no seu original, colige três contos de Simak, Mundos Sem Fim, O Van Gogh do Espaço e O Ciclo Total. Obras dos anos 50, encaixam bem na estética da FC da época. São contos de leitura rápida, que esboçam eficientemente mundos fantásticos e procuram surpreender o leitor com visões utópicas de sociedades futuras.
Em Mundos Sem Fim, o conto que dá o título à obra, o que surpreende é a estranha previsão do poder da realidade virtual, descrita décadas antes de sequer se ter começado a pensar em virtualizações. Simak descreve no conto uma sociedade homogénea, num futuro longíquo em que nações e governos se desfizeram, passando a sociedade a ser administrada como um sistema por guildas responsáveis pelos serviços sociais - educação, saúde, informação e entretenimeto, e, muito em especial, os sonhos - uma tecnologia de suspensão de vida que permitiria uma interrupção na vida, durante a qual se vivia um sonho, para se ser acordado séculos depois. No conto, Simak descreve uma estranha conspiração em que os sonhos - na práctica, realidades virtuais - eram manipulados como forma de antevisão do futuro.
O Van Gogh do Espaço é um conto intimista em que o protagonista chega ao fim de uma longa viagem num planeta esquecido nos confins do universo. O motivo que leva o protagonista a atravessar o universo é a busca de conhecimento sobre um artista muito especial, o maior artista da sua época, que morrera nesse planeta esquecido. Mas mais do que descobrir a vida do artista, o protagonista acaba por descobrir a mais clássica das verdades - que as viagens são antes de tudo viagens de auto-descoberta.
O Ciclo Total é o mais intrigante dos contos de Mundos Sem Fim. Seguimos aqui a deriva de um historiador, anacronismo numa nova sociedade. Neste conto, Simak, de modo muito esboçado, mas por isso mesmo a despertar mais a curiosidade, traça em linhas gerais uma hipotética futura sociedade baseada no nomadismo. O medo da guerra nuclear levou a sociedade à descentralização radical - a atomização dos centros industriais eliminava-os como alvos, mas a longo prazo as consequências levaram a uma alteração social radical, com o desaprecimento da ideia de propriedade imobiliária e a desagregação da sociedade em bandos nómadas especializados, sem que no entanto a sociedade se desagrege realmente. O protagonista desta história, historiador agarrado aos velhos modelos, é forçado a adaptar-se a esta nova sociedade, e acaba por descobrir o seu real potencial.
Mundos Sem Fim é FC clássica no seu melhor. Sem ser uma obra espantosa, abre campos de imaginação fascinantes e descreve possíveis mundos futuros sem cair na prelecção utópica. Embora o tom dos contos não seja especialmente grandiloquente, há que admirar a facilidade como em poucas palavras são descritos novos mundos. Algumas das ideias estão necessáriamente datadas, uma vez que a FC está sempre interligada com as épocas de que é contemporânea, mas esta leitura interessa para lá de contextualizações e caracterizações de FC de época.
Leituras
BBC | Biofuel trial flight for 747 Os biocombustíveis estão na moda. Agora testa-se a aplicação destes combustíveis processados a partir culturas agrícolas ao grande poluidor mundial, a indústria aeronáutica. O objectivo é ao mesmo tempo diminuir o impacto ambiental das aeronaves - algo que já está a ser conseguido com as novas gerações de motores, mais eficientes e económicas no uso de combustível, e melhorar resultados financeiros num ambiente económico de altos preços de combustível e baixos preços de bilhetes. A grande preocupação com os biocombustíveis são as pressões que vão colocar sobre os sistemas agrícolas. Com parte da àrea arável a ser cultivada com sorgo e colza, as plantas principalmente utilizadas na produção de biocombustíveis, teme-se reduções no cultivo de alimentos essenciais, especialmente nos países mais pobres. Isso já está a acontecer, com o milho, cuja procura já está a ultrapassar a oferta nos mercados mundiais.
Guardian | Thanks a million, Ayn Rand, for setting the greedy free Por detrás da corrente filosofia económica sobre a qual assenta a constante privatização do sector público, a desregulação das leis económicas (ou pior, deixar a regulação da economia nas mãos dos agentes económicos, o que se assemelha a deixar as raposas a gerir os galinheiros) e a globalização da economia centrada em grandes conglomerados transnacionais que se deslocam ao sabor da mão de obra barata, está a ideia de que a ganância individual é socialmente positiva. Esta ideia, popularizada pela romancista Ayn Rand em obras como Atlas Shrugged (e glosada por Oliver Stone em Wall Street defende a supremacia da chamada trickle down economics - a ideia de que a ganância dos indivíduos os leva a produzir e acumular riqueza para si próprios, mas que essa riqueza acaba por necessáriamente se espalhar no ecossistema económico. Ideia com muita lógica, mas que aplicada aos sistemas económicos leva-os à difícil situação em que agora nos encontramos - economias locais ameaçadas pelas deslocalizações feitas em direcção a mão de obra mais barata, economias nacionais à mercê de flutuações dos mercados financeiros, mercados financeiros apoiados fortemente no consumo individual de indivíduos que vêem os seus rendimentos cada vez mais instáveis, reformas económicas em países mais desfavorecidos que deixam no seu rasto milhões de pessoas empobrecidas.
Guardian | The Burma road to ruin Um retrato da Birmânia, empobrecida por décadas de um regime militar que mergulhou o país num profundio atraso, aprisionou dissidentes, obrigou os mais capazes a emigrar e vende os seus recursos naturais ao desbarato para assegurar a sobrevivência do regime.
Reuters | U.S. carries out successful missile defense test O famoso, caro e controverso sistema de defesa antimíssil americano deu mais um passo com um teste em que um míssil interceptor abateu uma ogiva desarmada. O objectivo foi conseguido: abater um alvo em pleno voo.
Guardian | Thanks a million, Ayn Rand, for setting the greedy free Por detrás da corrente filosofia económica sobre a qual assenta a constante privatização do sector público, a desregulação das leis económicas (ou pior, deixar a regulação da economia nas mãos dos agentes económicos, o que se assemelha a deixar as raposas a gerir os galinheiros) e a globalização da economia centrada em grandes conglomerados transnacionais que se deslocam ao sabor da mão de obra barata, está a ideia de que a ganância individual é socialmente positiva. Esta ideia, popularizada pela romancista Ayn Rand em obras como Atlas Shrugged (e glosada por Oliver Stone em Wall Street defende a supremacia da chamada trickle down economics - a ideia de que a ganância dos indivíduos os leva a produzir e acumular riqueza para si próprios, mas que essa riqueza acaba por necessáriamente se espalhar no ecossistema económico. Ideia com muita lógica, mas que aplicada aos sistemas económicos leva-os à difícil situação em que agora nos encontramos - economias locais ameaçadas pelas deslocalizações feitas em direcção a mão de obra mais barata, economias nacionais à mercê de flutuações dos mercados financeiros, mercados financeiros apoiados fortemente no consumo individual de indivíduos que vêem os seus rendimentos cada vez mais instáveis, reformas económicas em países mais desfavorecidos que deixam no seu rasto milhões de pessoas empobrecidas.
Guardian | The Burma road to ruin Um retrato da Birmânia, empobrecida por décadas de um regime militar que mergulhou o país num profundio atraso, aprisionou dissidentes, obrigou os mais capazes a emigrar e vende os seus recursos naturais ao desbarato para assegurar a sobrevivência do regime.
Reuters | U.S. carries out successful missile defense test O famoso, caro e controverso sistema de defesa antimíssil americano deu mais um passo com um teste em que um míssil interceptor abateu uma ogiva desarmada. O objectivo foi conseguido: abater um alvo em pleno voo.
sábado, 29 de setembro de 2007
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Leituras
BBC | Switch off for traditional light bulbs A extinção das veneráveis lâmpadas de filamento. Até 2011, o Reino Unido quer eliminar as lâmpadas de filamento do mercado e das casas, colocando em prática um plano faseado que implica o fim da venda destas lâmpadas. As poupanças energéticas são assinaláveis. A lâmpada de filamento de tungsténio, já centenária, pertence definitivamente ao grupo das tecnologias que já ultrapassaram a sua utilidade.
BBC | Town tries cybercar concept Uma cidade inglesa está a testar um sistema automático de transporte automóvel. A ideia não é criar carros-robots que se conduzam a si próprios (esse velho sonho) mas sim criar uma solução local que permita libertar o centro da cidade de veículos, através de uma rede de automóveis que se move ao longo de trajectos pré-definidos.
Guardian | Only Burma's neighbours can stop its dictators beating up the Buddha Por muitas boas intenções que a Europa e os EUA possam ter em relação às manifestações pró-democracia na Birmânia, a verdade é que apenas dois países podem exercer influência real sobre o país dos generais - a Índia e a China, países que o anquilosado regime que alterou o nome do país para Myanmar está já há muito habituado a manobrar com contratos de exploração de recursos naturais para assegurar a sobrevivência do regime. No entanto, não se espera que a China intervenha com maiores pressões do que segurar a trela dos generais para que estes não provoquem banhos de sangue, o que seria má publicidade para a zona asiática nas vésperas dos jogos olímpicos em Pequim. Se a China já concluiu que o regime birmanês já deu o que tinha a dar, é também verdade que a ideia de uma transição de poder baseada em revoltas populares pró-democráticas não é algo que agrade muito aos líderes do regime chinês. Os chineses podem querer seguir o exemplo...
Guardian | Three Gorges Dam risk to the environment, says China A barragem das Três Gargantas, obra de mega-engenharia que criou a maior represa do mundo no rio amarelo, é um perigo ecológico que requer uma gestão cuidada para não agravar problemas ambientais. Esta declaração, por si, não é novidade. A novidade está na declaração ter sido feita por responsáveis do governo chinês, que geralmente não dá grande importância a argumentos ambientalistas. Mais um sinal inequívoco que os governos estão a (muiiito) lentamente acordar para os problemas ambientais. Até já a administração do supremo idiota Bush já dá sinais de acordar para os problemas ambientais...
BBC | Town tries cybercar concept Uma cidade inglesa está a testar um sistema automático de transporte automóvel. A ideia não é criar carros-robots que se conduzam a si próprios (esse velho sonho) mas sim criar uma solução local que permita libertar o centro da cidade de veículos, através de uma rede de automóveis que se move ao longo de trajectos pré-definidos.
Guardian | Only Burma's neighbours can stop its dictators beating up the Buddha Por muitas boas intenções que a Europa e os EUA possam ter em relação às manifestações pró-democracia na Birmânia, a verdade é que apenas dois países podem exercer influência real sobre o país dos generais - a Índia e a China, países que o anquilosado regime que alterou o nome do país para Myanmar está já há muito habituado a manobrar com contratos de exploração de recursos naturais para assegurar a sobrevivência do regime. No entanto, não se espera que a China intervenha com maiores pressões do que segurar a trela dos generais para que estes não provoquem banhos de sangue, o que seria má publicidade para a zona asiática nas vésperas dos jogos olímpicos em Pequim. Se a China já concluiu que o regime birmanês já deu o que tinha a dar, é também verdade que a ideia de uma transição de poder baseada em revoltas populares pró-democráticas não é algo que agrade muito aos líderes do regime chinês. Os chineses podem querer seguir o exemplo...
Guardian | Three Gorges Dam risk to the environment, says China A barragem das Três Gargantas, obra de mega-engenharia que criou a maior represa do mundo no rio amarelo, é um perigo ecológico que requer uma gestão cuidada para não agravar problemas ambientais. Esta declaração, por si, não é novidade. A novidade está na declaração ter sido feita por responsáveis do governo chinês, que geralmente não dá grande importância a argumentos ambientalistas. Mais um sinal inequívoco que os governos estão a (muiiito) lentamente acordar para os problemas ambientais. Até já a administração do supremo idiota Bush já dá sinais de acordar para os problemas ambientais...
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Tecnologias Inteligentes
Algumas ideias a desenvolver sobre Tecnologias de Informação (desculpem, mas recuso-me a utilizar o amaricado acrónimo TIC) na sala de aula.
- Manipular o computador, manipular o software, são coisas que se aprendem. Perder o medo de manipular o computador é um passo essencial que muitos docentes ainda temem dar. Talvez mais fundamental seja perceber para quê utilizar a tecnologia. Substituir o quadro de ardósia por um quadro electrónico onde se projectam apresentações em powerpoint é repetir o velho modelo. Não é nada que não seria feito, talvez mais eficientemente, com giz e ardósia. na minha humilde opinião, o grande potencial das TI está na produção e interligação de informação. Mais fundamental do que utilizar a tecnologia, parece-me ser criar com a tecnologia. Utilizar as TI como forma de apresentação de conteúdos, por interessante que pareça, é um pouco redutor. As TI, especialmente na forma web 2.0, permitem ir mais além, permitem que o aluno se torne actuante em vez de mero espectador ou manipulador de objectos num ecrã. Modelos como os wikis, os blogs e os sites sociais oferecem aqui importantes pistas sobre como será possível aplicar as TI na sala de aula.
- Antes de se inundar as escolas de computadores, talvez seja necessário dedicar uns momentos a pensar - ou a repensar - a arquitectura do parque informático escolar. Em vez de máquinas potentes, mas de rápido envelhecimento, talvez uma arquitectura baseada em servidores potentes e terminais baratos e modulares, assente sobre uma rede ethernet/wifi robusta, pervasiva e invisível do ponto de vista do utilizador. Para a minha aula, Wacom Cintiqs para todos os alunos era uma boa ideia...
- Não ter medo de libertar as ferramentas na sala de aula. Aqui, falo da minha experiência própria, que desde há um ano que faço coexistir no mesmo espaço os materiais artísticos mais tradicionais com software gráfico e 3D (tudo open source, claro). Integrado na sala, o computador tornou-se não um fim em si mesmo, mas sim mais um suporte de expressão plástica. Os alunos depressa passaram tratar nos mesmos termos ideias como técnicas de pintura com tintas e manipulação de nós em desenho vectorial. Mas esta, é a minha experiência, e ainda não consigo colocar-me na mente, no modo de pensamento, de um docente de uma àrea mais teórica.
Escrevo isto nos momentos iniciais de uma badalada iniciativa governamental de colocar uma multidão de computadores portáteis nas mãos de professores e alunos. A princípio até concordei com a ideia, até ver as capacidades reais das máquinas disponibilizadas. Alguém está a fazer rios de dinheiro com este plano tecnológico - empresas de hardware que se estão a livrar de máquinas semi-obsoletas - máquinas com 1 ghz de ram, literalmente às carradas, e fornecedores de acesso que convertem utilizadores potenciais em utilizadores fieis de um acesso estreito (384 kbps) à tão apregoada banda larga. Tudo isto por um preço total - os 150€ mais a fidelização por três anos dá um custo total de cerca de 700€ - um pouco acima do preço de máquinas de gama média, já com 2Ghz de ram, que estão a aparecer no mercado (talvez em reacção ao plano tecnológico). Mais uma vez, o brilhantismo luso contra-ataca: uma ideia louvável vai descambar debaixo de um amontoado de tecnologia obsoleta e de acessos àquem das espectativas. Não teria sido mais simples reslover a coisa com um sistema de vouchers que permitisse aos utilizadores escolhas mais abrangentes, em vez desta oferta maoista do género tabula rasa, ou reais incentivos fiscais à aquisição de material tecnológico? Não. Isso não iria dar nenhum dinheiro a ganhar àqueles que vivem à custa de sugar os recursos do país.
- Manipular o computador, manipular o software, são coisas que se aprendem. Perder o medo de manipular o computador é um passo essencial que muitos docentes ainda temem dar. Talvez mais fundamental seja perceber para quê utilizar a tecnologia. Substituir o quadro de ardósia por um quadro electrónico onde se projectam apresentações em powerpoint é repetir o velho modelo. Não é nada que não seria feito, talvez mais eficientemente, com giz e ardósia. na minha humilde opinião, o grande potencial das TI está na produção e interligação de informação. Mais fundamental do que utilizar a tecnologia, parece-me ser criar com a tecnologia. Utilizar as TI como forma de apresentação de conteúdos, por interessante que pareça, é um pouco redutor. As TI, especialmente na forma web 2.0, permitem ir mais além, permitem que o aluno se torne actuante em vez de mero espectador ou manipulador de objectos num ecrã. Modelos como os wikis, os blogs e os sites sociais oferecem aqui importantes pistas sobre como será possível aplicar as TI na sala de aula.
- Antes de se inundar as escolas de computadores, talvez seja necessário dedicar uns momentos a pensar - ou a repensar - a arquitectura do parque informático escolar. Em vez de máquinas potentes, mas de rápido envelhecimento, talvez uma arquitectura baseada em servidores potentes e terminais baratos e modulares, assente sobre uma rede ethernet/wifi robusta, pervasiva e invisível do ponto de vista do utilizador. Para a minha aula, Wacom Cintiqs para todos os alunos era uma boa ideia...
- Não ter medo de libertar as ferramentas na sala de aula. Aqui, falo da minha experiência própria, que desde há um ano que faço coexistir no mesmo espaço os materiais artísticos mais tradicionais com software gráfico e 3D (tudo open source, claro). Integrado na sala, o computador tornou-se não um fim em si mesmo, mas sim mais um suporte de expressão plástica. Os alunos depressa passaram tratar nos mesmos termos ideias como técnicas de pintura com tintas e manipulação de nós em desenho vectorial. Mas esta, é a minha experiência, e ainda não consigo colocar-me na mente, no modo de pensamento, de um docente de uma àrea mais teórica.
Escrevo isto nos momentos iniciais de uma badalada iniciativa governamental de colocar uma multidão de computadores portáteis nas mãos de professores e alunos. A princípio até concordei com a ideia, até ver as capacidades reais das máquinas disponibilizadas. Alguém está a fazer rios de dinheiro com este plano tecnológico - empresas de hardware que se estão a livrar de máquinas semi-obsoletas - máquinas com 1 ghz de ram, literalmente às carradas, e fornecedores de acesso que convertem utilizadores potenciais em utilizadores fieis de um acesso estreito (384 kbps) à tão apregoada banda larga. Tudo isto por um preço total - os 150€ mais a fidelização por três anos dá um custo total de cerca de 700€ - um pouco acima do preço de máquinas de gama média, já com 2Ghz de ram, que estão a aparecer no mercado (talvez em reacção ao plano tecnológico). Mais uma vez, o brilhantismo luso contra-ataca: uma ideia louvável vai descambar debaixo de um amontoado de tecnologia obsoleta e de acessos àquem das espectativas. Não teria sido mais simples reslover a coisa com um sistema de vouchers que permitisse aos utilizadores escolhas mais abrangentes, em vez desta oferta maoista do género tabula rasa, ou reais incentivos fiscais à aquisição de material tecnológico? Não. Isso não iria dar nenhum dinheiro a ganhar àqueles que vivem à custa de sugar os recursos do país.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Ficções Científicas e Fantásticas

Edições Chimpanzé Intelectual
Portugal é um país inclemente para os fãs de Ficção Científica. Com um panorama editorial de edições de obras traduzidas quase inexistente, salvo honrosas excepções, e um núcleo importante de bons autores nacionais de FC que vai publicando quando tem raras oportunidades, resta ao amante da literatura que ousa pensar em frente limitar-se às edições estrangeiras, à importação de livros e correr para as livrarias sempre que surge algo de novo editado por editoras nacionais. O que, como bem sabemos, é raro.
Antologias de contos de FC são obras perfeitamente banais em mercados onde a FC assume importância. Banais, não pelos conteúdos, mas sim pela quantidade de obras disponíveis, uma vez que estas assumem muitas vezes o papel de divulgadoras de novos autores. Muitas destas antologias reunem obras de autores mais consagrados com contos de autores desconhecidos. Mas isso é noutros lados. Cá pelos nossos lados, sempre que alguma coisa é lançada até se lançam foguetes. Mas deixemo-nos de lamúrias.
Editada no natal passado por uma pequena editora, a Chimpanzé Intelectual, a antologia Ficções Científicas e Fantásticas reúne contos de FC e Fantástico de autores portugueses, provando, mais uma vez, que existe uma vibrante comunidade de autores que se dedicam, estóicamente, à FC como forma literária. Fiel ao espírito das antologias, esta reúne contos de autores consagrados de FC e Fantástico com contos de outros autores, geralmente mais ligados às andanças de literaturas mais convencionais mas que para esta antologia deram uma mãozinha ou desencantaram experiências do fundo da gaveta.
Entre os autores que dedicam a sua carreira à literatura fantástica, destacam-se as excelentes contribuições de David Soares, o escatológico Allan Poe dos tempos contemporâneos portugueses, de Luís Filipe Silva, cuja prosa concisa nunca deixa de me surpreender pela clareza que dá às suas obras, e João Barreiros, possivelmente o grande mestre da FC portuguesa, com os seus habituais maquiavelismos imaginativos. Autores menos conhecidos, como Miguel Vale de Almeida e Miguel Neto, mostram novas promessas da literatura fantástica nacional, talvez ainda a precisar de alguns acertos, mas a abrir o apetite para novas experiências. Nas contribuições de autores ligados a outros géneros literários, nota-se um certo espírito leve, de falta de seriedade, uma abordagem light à literatura fantástica, que se nota nos contos de Rui Zink e Clara Pinto Correia, e que é perfeitamente assumida no puro nonsense de Manuel João Vieira. Surpreende a contribuição de Luísa Costa Gomes, uma autora que eu imaginava a anos-luz (trocadilho propositado) das literaturas fantásticas, com um conto assumido como uma juvenilia, o que caracteriza bem a percepção cultural sobre a literatura fantástica.
É, talvez, mal nacional, este desinteresse pelo que ultrapassa a normalidade, pelo que nos faz pensar em frente, pelo que nos desperta a luxúria pelo futuro, que para passar do imaginário ao real só necessita da nossa vontade. É um estado de alma nacional, e não creio que chuvas de computadores ou programas governamentais de intervenção o possam, algum dia, mudar. Registos como o Ficções Científicas e Fantásticas ou outras obras semelhantes afirmam que em portugal ainda há vontade de fazer qualquer coisa diferente.

Ficções Científicas e Fantásticas foi recentemente reeditado e vendido em conjunto com o jornal Público.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Leituras
BBC | Space bugs become more dangerous Estudos levados a cabo em órbita demonstraram que bactérias e outros micro-organismos aumentam a sua virulência quando expostos à microgravidade. Claramente, o espaço não é o local indicado para curar constipações.
BBC | Germany to build maglev railway Enquanto por cá andamos a planear planos para comboios de alta velocidade com paragem em todas as estações e apeadeiros, os alemães já estão a pensar no próximo passo - a construção de vias férras de levitação magnética, onde são atingidas velocidades de 500 km/h. A primeira linha comercial europeia - e a segunda em todo o mundo, sendo a primeira a que liga Shangai ao seu aeroporto - irá ligar a cidade de Munique ao aeroporto da cidade. Detecta-se aqui algum padrão que interliga maglevs com aeronaves?
Reuters | Why are US kids obese? Just look around them: study A obesidade infantil atinge níveis epidémicos nos EUA, graças a um conjunto de factores que, isolados, pouco parecem significar mas quando conjugados originam uma situação verdadeiramente catastrófica. A ligação entre publicidade agressiva, escolhas de gestão escolar, localizações de restaurantes de fast food e afluência económica, com as famílias mais pobres a socorrerem-se mais da comida rápida, contribuem para o carácter epidémico da má dieta das crianças americanas. Em que é que este mau exemplo nos afecta? Note-se, por exemplo, na localização do restaurante McDonalds em Torres Vedras - precisamente ao lado de uma escola de ciclo e perto de um liceu, ou nos cafés e casas de sanduiches que abrem perto das escolas portuguesas. Embora as refeições nos refeitórios das escolas portuguesas sejam controladas por nutricionistas, não é anormal que os bares das mesmas escolas vendam produtos como cachorros e batatas-fritas, que muitos alunos preferem à refeição mais nutritiva (mas, convenhamos, insípida) oferecida na cantina.
TSF | Famílias portuguesas têm de aprender a poupar Ou, no caso, a reaprender. Gerações anteriores eram notórias pela sua capacidade de poupança, de amealhar os raros tostões. A nossa recente afluência deixou-nos com péssimos hábitos de poupança, com a quase criminosa facilidade de concessão de crédito ao consumo a estimular o endividamento sobre a poupança. Se alguma virtude há nestes dias de taxas de juro em crescimento aparentemente imparável, está no sublinhar da insustentabilidade de situações de dívida contínua e na necessidade de melhor gestão financeira pessoal. Torna-se cada vez mais distinguir o que é importante do que é acessório.
BBC | Germany to build maglev railway Enquanto por cá andamos a planear planos para comboios de alta velocidade com paragem em todas as estações e apeadeiros, os alemães já estão a pensar no próximo passo - a construção de vias férras de levitação magnética, onde são atingidas velocidades de 500 km/h. A primeira linha comercial europeia - e a segunda em todo o mundo, sendo a primeira a que liga Shangai ao seu aeroporto - irá ligar a cidade de Munique ao aeroporto da cidade. Detecta-se aqui algum padrão que interliga maglevs com aeronaves?
Reuters | Why are US kids obese? Just look around them: study A obesidade infantil atinge níveis epidémicos nos EUA, graças a um conjunto de factores que, isolados, pouco parecem significar mas quando conjugados originam uma situação verdadeiramente catastrófica. A ligação entre publicidade agressiva, escolhas de gestão escolar, localizações de restaurantes de fast food e afluência económica, com as famílias mais pobres a socorrerem-se mais da comida rápida, contribuem para o carácter epidémico da má dieta das crianças americanas. Em que é que este mau exemplo nos afecta? Note-se, por exemplo, na localização do restaurante McDonalds em Torres Vedras - precisamente ao lado de uma escola de ciclo e perto de um liceu, ou nos cafés e casas de sanduiches que abrem perto das escolas portuguesas. Embora as refeições nos refeitórios das escolas portuguesas sejam controladas por nutricionistas, não é anormal que os bares das mesmas escolas vendam produtos como cachorros e batatas-fritas, que muitos alunos preferem à refeição mais nutritiva (mas, convenhamos, insípida) oferecida na cantina.
TSF | Famílias portuguesas têm de aprender a poupar Ou, no caso, a reaprender. Gerações anteriores eram notórias pela sua capacidade de poupança, de amealhar os raros tostões. A nossa recente afluência deixou-nos com péssimos hábitos de poupança, com a quase criminosa facilidade de concessão de crédito ao consumo a estimular o endividamento sobre a poupança. Se alguma virtude há nestes dias de taxas de juro em crescimento aparentemente imparável, está no sublinhar da insustentabilidade de situações de dívida contínua e na necessidade de melhor gestão financeira pessoal. Torna-se cada vez mais distinguir o que é importante do que é acessório.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Leituras
BBC | $100 laptop to sell to public Será desta? O projecto OLPC está a encontrar algumas dificuldades. Primeiro, os custos finais da máquina, que Negroponte e a equipe do MIT queriam abaixo de 100 dólares, estão ainda muito próximos dos 200 dólares. Para ajudar, muitos dos governos interessados no projecto não estão a avançar com encomendas, facto ao qual não serão certamente alheias as pressões das empresas de telecomunições e fabricantes tradicionais de computadores, para os quais o OLPC é mais do que um desafio - é uma ameaça a todo um paradigma de computação. De qualquer forma, o OLPC vai para venda no site do projecto, pelo dobro do preço - com o entendimento que cada OLPC adquirido no site implica o envio de outro OLPC para uma criança de um país do terceiro mundo.
A minha opinião? Atente-se na badalada inciativa governamental de ligar o país à força, com o programa e-oportunidades - o tal dos portáteis e banda larga a preços reduzidos. O que é que realmente é oferecido? Um pc portátil, de preço inferior aos do mercado mas de características igualmente inferiores, e um acesso à banda larga de 384 kbps (é mais banda larguita do que banda larga, não é bem auto-estrada da informação, é mais caminho de cabras). Parece bem? Até nem parece mal, se descontarmos que com um projecto baseado no OLPC o custo total da máquina é igual ao custo subsidiado dos famosos portáteis do governo (mais ou menos 150€) e o acesso à banda larga resolve-se com WiFi, sendo que cada OLPC pode funcionar como repetidor/hotspot wifi. Claro, o OLPC vem com Linux instalado, e quereremos realmente a população portuguesa a perceber que há algo mais, melhor e mais interessante, do que o oferecido pelo domínio Windows? Interessará realmente, na sociedade de informaçao, informar sobre tudo?
Guardian | Burmese junta threatens protest crackdown A revolução budista? A Birmânia (ou Myanmar, para os generais) vide há décadas debaixo do jugo de uma ditadura militar que está de facto a arrastar o país para a idade média. Agora, protestos levados a cabo por monges budistas contra os aumentos de preços e a pobreza estão a engrossar, a tornar-se protestos generalizados. Estranhamente, os generais da junta de governo da Birmânia parecem relutantes em lançar o exército contra os manifestantes, ao contrário do que fez em momentos anteriores. Fala-se que a China, dificilmente considerada um país paladino dos direitos humanos e democracia, está a exercer pressão sobre os generais para que estes não restaurem a ordem na ponta da baioneta.
Stephen Fry | Device and Desires Ah, a luxúria dos smartphones e dos pda's. Stephen Fry, realizador de cinema, pode-se dar ao luxo de experimentar o que lhe apetece. É algo com que o comum dos mortais viciados em tecnoluxúria apenas pode sonhar...
A minha opinião? Atente-se na badalada inciativa governamental de ligar o país à força, com o programa e-oportunidades - o tal dos portáteis e banda larga a preços reduzidos. O que é que realmente é oferecido? Um pc portátil, de preço inferior aos do mercado mas de características igualmente inferiores, e um acesso à banda larga de 384 kbps (é mais banda larguita do que banda larga, não é bem auto-estrada da informação, é mais caminho de cabras). Parece bem? Até nem parece mal, se descontarmos que com um projecto baseado no OLPC o custo total da máquina é igual ao custo subsidiado dos famosos portáteis do governo (mais ou menos 150€) e o acesso à banda larga resolve-se com WiFi, sendo que cada OLPC pode funcionar como repetidor/hotspot wifi. Claro, o OLPC vem com Linux instalado, e quereremos realmente a população portuguesa a perceber que há algo mais, melhor e mais interessante, do que o oferecido pelo domínio Windows? Interessará realmente, na sociedade de informaçao, informar sobre tudo?
Guardian | Burmese junta threatens protest crackdown A revolução budista? A Birmânia (ou Myanmar, para os generais) vide há décadas debaixo do jugo de uma ditadura militar que está de facto a arrastar o país para a idade média. Agora, protestos levados a cabo por monges budistas contra os aumentos de preços e a pobreza estão a engrossar, a tornar-se protestos generalizados. Estranhamente, os generais da junta de governo da Birmânia parecem relutantes em lançar o exército contra os manifestantes, ao contrário do que fez em momentos anteriores. Fala-se que a China, dificilmente considerada um país paladino dos direitos humanos e democracia, está a exercer pressão sobre os generais para que estes não restaurem a ordem na ponta da baioneta.
Stephen Fry | Device and Desires Ah, a luxúria dos smartphones e dos pda's. Stephen Fry, realizador de cinema, pode-se dar ao luxo de experimentar o que lhe apetece. É algo com que o comum dos mortais viciados em tecnoluxúria apenas pode sonhar...
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Leituras
Guardian | Iraq's hired hands under fire as the pot of gold starts to run low O Iraque da ocupação americana, insurgência e guerra civil não declarada é terreno fértil para as empresas de segurança privada, que no Iraque descobriram um novo mercado como verdadeiros exércitos privados, sob controle de quem pagar a conta. Das muitas firmas a operar no Iraque, destaca-se a norte-americana Blackwater, que assegura serviços de segurança à embaixada americana e que pretende estender o seu mercado à intervenção humanitária (tipo capacetes azuis privados com dentes afiados). Notória pela agressividade das suas intervenções, a Blackwater recebeu recentemente ordem de expulsão do governo iraquiano, após uma intervenção de aparente defesa de um comboio de veículos diplomáticos que deixou dezenas de civis iraquianos mortos, estando também envolvida num escândalo de tráfico de armas. Mas para as outras empresas do género a operar no Iraque o panorama não é animador - os biliões de dólares americanos para a reconstrução iraquiana estão a secar e não se antevê grande liberalidade de futuros gastos, o que coloca um travão aos chorudos contratos destas empresas de segurança privada que mais se assemelham a pequenos exércitos e que em muitos casos operam com uma impunidade que os exércitos regulares não dispõem.
TIME | Little Green Schoolhouse Nos EUA, a renovação do parque escolar está a dar uma grande oportunidade à arquitectura ecológica, com escolas a serem construídas com materiais reciclados, paineis fotovoltaicos e aerogeradores para produção de energia e sistemas biológicos de tratamento de esgotos. Um exemplo a acompanhar.
TIME | Little Green Schoolhouse Nos EUA, a renovação do parque escolar está a dar uma grande oportunidade à arquitectura ecológica, com escolas a serem construídas com materiais reciclados, paineis fotovoltaicos e aerogeradores para produção de energia e sistemas biológicos de tratamento de esgotos. Um exemplo a acompanhar.
domingo, 23 de setembro de 2007
Leituras
BBC | UK has plutonium for 17000 bombs O Reino Unido tem armazanedos, sob a forma de resíduos nucleares, plutónio suficiente para armar 17 mil bombas nucleares. Parece que Washington, no caso da emergência de um hipotético califado islamo-saxão, já tem planos de invasão.
Guardian | The flip side of a miracle O fenómeno da imigração, paradigma social contemporâneo alicerçado nos movimentos populacionais entre regiões desfavorecidas e regiões económicamente pujantes, revela o que há de melhor e de pior na humanidade. Entre o melhor, temos a coragem dos imigrantes, capazes de tudo em busca de uma vida melhor. Há que admirar a coragem desesperada daqueles que atravessam países e desertos, se fazem ao mar em frágeis barcos, atravessam quilómetros e quilómetros de terras estranhas em busca de uma vida melhor. Chegados ao destino, o pior da humanidade revela-se, com a exploração desumana e sistemática destes que são considerados pessoas de segunda nos países de acolhimento.
Guardian | Free data sharing is here to stay E qual é a novidade num artigo de Cory Doctorow a defender a primazia da partilha de informação online? Radicalismos à parte, é certo que o homem tem alguma razão. A internet veio modificar radicalmente os mecanismos económicos de troca de informações, com algumas consequências desastrosas (caso da indústria musical, sériamente danificada pela partilha online de ficheiros - e ainda bem, tendo em conta a falta de qualidade dos seus sucessos financeiros) mas também com consequências inesperadas. Resta agora encontrar uma forma de... fazer dinheiro a partir do que é gratuito.
Lifeboat Fundation | Top Ten Transhumanist Technologies (Ou TTTT, para encurtar.) Deliciosa, esta projecção de futuras tecnologias que se lê com o mesmo fascínio com que se lêem velhas previsões futurológicas de eras anteriores que prometiam carros movidos a energia nuclear, colónias lunares nos anos 80, manufactura industrial em órbita, robots ajudantes no lar ou jetpacks pessoais. Como todas as futurologias datadas, esta está alicerçada na projecção futura de tecnologias que já existem, hoje em dia. Neste top ten encontramos os suspeitos do costume nas futurologias cyberpunk: criogenia como forma de preservação post-mortem que assegure uma futura ressurreição; a emergência da realidade virtual como um ambiente social; terapias genéticas como panaceia universal para os males que afligem a saúde humana; colonização do espaço, com as habituais previsões de que a cintura de asteróides, se devidamente o'neillizada, poderia albergar triliões de pessoas; as próteses cibernéticas como forma de aumentar as capacidades humanas; robots autónomos auto-replicantes, máquinas capazes de construirem novas máquinas; manufactura molecular, alicerçada nesse graal contemporâneo que é a nanotecnologia (sem esquecer os pesadelos com a gosma cinzenta gerada por nanomáquinas ensandecidas); megaengenharia, capaz de intervir ao nível do sistema solar; digitalização da mente humana, um dos velhos sonhos de libertar a mente dos grilhões da carne; e, para finalizar, a eterna promessa de inteligências artificiais puras. Não há aqui muitas novidades; encanta o puro optimismo e a esperança num futuro melhor.
Guardian | The flip side of a miracle O fenómeno da imigração, paradigma social contemporâneo alicerçado nos movimentos populacionais entre regiões desfavorecidas e regiões económicamente pujantes, revela o que há de melhor e de pior na humanidade. Entre o melhor, temos a coragem dos imigrantes, capazes de tudo em busca de uma vida melhor. Há que admirar a coragem desesperada daqueles que atravessam países e desertos, se fazem ao mar em frágeis barcos, atravessam quilómetros e quilómetros de terras estranhas em busca de uma vida melhor. Chegados ao destino, o pior da humanidade revela-se, com a exploração desumana e sistemática destes que são considerados pessoas de segunda nos países de acolhimento.
Guardian | Free data sharing is here to stay E qual é a novidade num artigo de Cory Doctorow a defender a primazia da partilha de informação online? Radicalismos à parte, é certo que o homem tem alguma razão. A internet veio modificar radicalmente os mecanismos económicos de troca de informações, com algumas consequências desastrosas (caso da indústria musical, sériamente danificada pela partilha online de ficheiros - e ainda bem, tendo em conta a falta de qualidade dos seus sucessos financeiros) mas também com consequências inesperadas. Resta agora encontrar uma forma de... fazer dinheiro a partir do que é gratuito.
Lifeboat Fundation | Top Ten Transhumanist Technologies (Ou TTTT, para encurtar.) Deliciosa, esta projecção de futuras tecnologias que se lê com o mesmo fascínio com que se lêem velhas previsões futurológicas de eras anteriores que prometiam carros movidos a energia nuclear, colónias lunares nos anos 80, manufactura industrial em órbita, robots ajudantes no lar ou jetpacks pessoais. Como todas as futurologias datadas, esta está alicerçada na projecção futura de tecnologias que já existem, hoje em dia. Neste top ten encontramos os suspeitos do costume nas futurologias cyberpunk: criogenia como forma de preservação post-mortem que assegure uma futura ressurreição; a emergência da realidade virtual como um ambiente social; terapias genéticas como panaceia universal para os males que afligem a saúde humana; colonização do espaço, com as habituais previsões de que a cintura de asteróides, se devidamente o'neillizada, poderia albergar triliões de pessoas; as próteses cibernéticas como forma de aumentar as capacidades humanas; robots autónomos auto-replicantes, máquinas capazes de construirem novas máquinas; manufactura molecular, alicerçada nesse graal contemporâneo que é a nanotecnologia (sem esquecer os pesadelos com a gosma cinzenta gerada por nanomáquinas ensandecidas); megaengenharia, capaz de intervir ao nível do sistema solar; digitalização da mente humana, um dos velhos sonhos de libertar a mente dos grilhões da carne; e, para finalizar, a eterna promessa de inteligências artificiais puras. Não há aqui muitas novidades; encanta o puro optimismo e a esperança num futuro melhor.
sábado, 22 de setembro de 2007
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V, livro labírintico que está a mesmerizar a minha mente. Há quem veja na imagem outras coisas para além do triângulo invertido. Mentes perversas e depravadas, digo eu, que a coisa não passa de planos de nevoeiro oblíquos e um foco luminoso interceptados por um plano espelhado. Sim, Bryce 3D.
Dia de dados lançados, com um salto à UCP, para iniciar uma nova etapa académica.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Ballard
My neighbour's cats are enormously affectionate, and in the summer leap up on to my desk and then churn up all my papers into a huge whirlwind. They are my fiercest critics.
E por falar em Ballard (esta coisa da sincronicidade jungiana às vezes bate certo), um texto delicioso de Ballard em que ele descreve o seu antro de criação literária num artigo do Guardian dedicado aos escritórios dos escritores. Descoberto via Boing Boing três minutos depois do meu primeiro post do dia, sobre um livro de Ballard do qual se pode dizer que teve azar com os gatos...
E por falar em Ballard (esta coisa da sincronicidade jungiana às vezes bate certo), um texto delicioso de Ballard em que ele descreve o seu antro de criação literária num artigo do Guardian dedicado aos escritórios dos escritores. Descoberto via Boing Boing três minutos depois do meu primeiro post do dia, sobre um livro de Ballard do qual se pode dizer que teve azar com os gatos...
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Experiência de composição. Acreditem ou não, baseei-me numa fotografia tirada para os lados da Malveira. A ideia era tentar tornar a paisagem real não através dos efeitos 3D dos materiais mas através da composição; perceber como se estruturam as formas no espaço 3D. Mais um exercício de revisão, antes de começar a ensinar artes digitais aos alunos.
Dez, menos um
O meu amigo Anastácio desafou-me aqui há uns tempos, através de uma daquelas correntes de posts em blogs, a deslindar uma lista dos dez livros que menos me influenciaram. Os dez livros menos importantes da minha vida, dez obras perfeitamente dispensáveis, dez tomos que seriam mais úteis para acender a lareira do que para enriquecer (ou henriquecer?) o espírito.
A tarefa não é fácil, especialmente para quem reverencia a literatura, na sua extraordinária e vibrante multiplicidade de formas. Não é que não hajam maus livros, mesmo levando em conta a ideia de Henry Miller de que no meio de centenas de páginas de pura merda se poderia sempre encontrar uma frase que redimiria uma obra, um escritor. Não é que não nos cruzemos, ao longo das nossas leituras, com livros que nos passam ao lado, com livros que nos desiludem. Mas a mim parecem-me tão poucos...
Tenho dado voltas aos miolos em busca de obras perfeitamente inúteis para a minha vida. Até agora só me consegui lembrar de um livro, The Unlimited Dream Company uma obra desconexa e incerta de J. G. Ballard. Um livro que me desiludiu, de um dos meus autores favoritos.
Quando tiver pronta a lista dos dez digo qualquer coisa sobre os livros. Até lá, silênzio lá...
A tarefa não é fácil, especialmente para quem reverencia a literatura, na sua extraordinária e vibrante multiplicidade de formas. Não é que não hajam maus livros, mesmo levando em conta a ideia de Henry Miller de que no meio de centenas de páginas de pura merda se poderia sempre encontrar uma frase que redimiria uma obra, um escritor. Não é que não nos cruzemos, ao longo das nossas leituras, com livros que nos passam ao lado, com livros que nos desiludem. Mas a mim parecem-me tão poucos...
Tenho dado voltas aos miolos em busca de obras perfeitamente inúteis para a minha vida. Até agora só me consegui lembrar de um livro, The Unlimited Dream Company uma obra desconexa e incerta de J. G. Ballard. Um livro que me desiludiu, de um dos meus autores favoritos.
Quando tiver pronta a lista dos dez digo qualquer coisa sobre os livros. Até lá, silênzio lá...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Leituras
BBC | EU monies should fund Galileo O sistema GPS europeu Galileu parece morto à nascensa, com o falhanço dos necessários dinheiros privados que financiariam o sistema, no que se queria como um perfeito exemplo de parcerias entre sector público e sector privado. Com a notória falta de interesse demonstrada pelo sector privado, ao qual não interessam razões geoestratégicas, resta à comissão europeia financiar o projecto, ou guardar o projecto bem no fundo de uma gaveta.
BBC | Virtual worlds opened to all A Metaplace está a tentar mudar o paradigma dos mundos virtuais, ao tentar permitir a intercambialidade entre ambientes e a criação de mundos em qualquer plataforma.
Guardian | US central bank slashes interest rates Uma reacção óbvia à crise financeira dos mercados e ao muito real perigo do rebentar da bolha de crédito imobiliário é o de aliviar a pressão sobre quem está endividado. Talvez o Banco Central Europeu se decida a dar uma folgazinha aos cidadãos europeus...
BBC | Virtual worlds opened to all A Metaplace está a tentar mudar o paradigma dos mundos virtuais, ao tentar permitir a intercambialidade entre ambientes e a criação de mundos em qualquer plataforma.
Guardian | US central bank slashes interest rates Uma reacção óbvia à crise financeira dos mercados e ao muito real perigo do rebentar da bolha de crédito imobiliário é o de aliviar a pressão sobre quem está endividado. Talvez o Banco Central Europeu se decida a dar uma folgazinha aos cidadãos europeus...
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
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Leituras
Cory Doctorow | Scroogled A Google é o gigante indiscutível do mundo digital e domina claramente a vida na internet. Alojados nos servidores da Google encontram-se preferências de pesquisa, dados de emails, documentos e perfis de gps que poderiam ser pesquisados para traçar perfis individuais de utilizadores. Sabemos que isso já acontece, para o chamado targeted advertising. Mas a premissa de Doctorow neste curioso conto de FC está no que aconteceria se houvesse uma ligação mais estreita entre a Google e o poder político... a brincar, a brincar, vão dizendo algumas coisas preocupantes.
BBC | Chernobyl to be covered in steel A cobertura de betão sob o qual estão enterrados os reactores nucleares da malfadada central de Chernobyl vai ser substituida por uma nova cobertura em aço, projectada por uma empresa francesa com fundos internacionais de projectos de controle da energia nuclear.
BBC | O2 wins iPhone contract in the UK E o iPhone aproxima-se perigosamente da Europa. O telemóvel/pda da Apple, elegante e de design apaixonante mas tecnicamente inferior e fortemente condicionado em termos de potêncial de utilização vai ser comercializado no Reino Unido.
Guardian | Russia warns against military action in Iran Há meses atrás falava-se que os analistas geopolíticos previam um ataque americano ao Irão por alturas do final deste ano, um último gesto, ao feito de fait accompli, mais um legado sangrento da administração Bush antes do fim do mandato. Recentemente, as declarações que podem ser interpretadas como um aviso da real possibilidade de uma intervenção militar começam a suceder-se. Até a França, normalmente circunspecta no que respeita ao médio oriente, já tem responsáveis diplomáticos a avisar de que o pior, a guerra, pode acontecer. Estaremos a viver um processo semelhante ao processo fraudulento de marketing político que justificou a intervenção no Iraque?
BBC | Chernobyl to be covered in steel A cobertura de betão sob o qual estão enterrados os reactores nucleares da malfadada central de Chernobyl vai ser substituida por uma nova cobertura em aço, projectada por uma empresa francesa com fundos internacionais de projectos de controle da energia nuclear.
BBC | O2 wins iPhone contract in the UK E o iPhone aproxima-se perigosamente da Europa. O telemóvel/pda da Apple, elegante e de design apaixonante mas tecnicamente inferior e fortemente condicionado em termos de potêncial de utilização vai ser comercializado no Reino Unido.
Guardian | Russia warns against military action in Iran Há meses atrás falava-se que os analistas geopolíticos previam um ataque americano ao Irão por alturas do final deste ano, um último gesto, ao feito de fait accompli, mais um legado sangrento da administração Bush antes do fim do mandato. Recentemente, as declarações que podem ser interpretadas como um aviso da real possibilidade de uma intervenção militar começam a suceder-se. Até a França, normalmente circunspecta no que respeita ao médio oriente, já tem responsáveis diplomáticos a avisar de que o pior, a guerra, pode acontecer. Estaremos a viver um processo semelhante ao processo fraudulento de marketing político que justificou a intervenção no Iraque?
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Serviço Público
No serão de domingo vi pela primeira vez a RTP a prestar um verdadeiro serviço público, um que não relega a cultura para um canal secundário e deixe transparecer a ideia de que serviço público no maior canal português, pago com dinheiro dos impostos, se resume a concursos e jogos de futebol. Estou a falar do belíssimo concerto de verão da RTP, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, transmitido em directo da Casa da Música para todo o país via, pasme-se, a RTP-1.
O próprio concerto foi um serviço público, com um programa pensado não em função de élites conhedoras mas sim em função do grande público, em geral ignorante das nuances e da vitalidade da música clássica. A escolha favoreceu peças curtas, vibrantes, que agarravam o ouvido. Do concerto destacaria a interpretação apaixonante do segundo andamento da Sinfonia Alentejana de Luís de Freitas Branco (sim, existe uma sinfonia dedicada ao Alentejo, e não é nenhuma piada, garanto que a melodia captura na perfeição o espírito e a paisagem que tornam o Alentejo naquela zona tão especial do nosso país) e a vibrante interpretação da Rhapsody in Blue de Gershwin, com António Rosado brilhante ao piano e a orquestra a vibrar com esta sinfonia única, onde o jazz se cruza descaradamente com a música erudita.
(Aqui confesso que até a minha cadela gostou - o que é um elogio, uma vez que arrebita as orelhas mal aquele trompete sensual que dá o mote à Rhapsody in Blue começa a ondear, e acaba sempre a tentar um dueto a meio da sinfonia, acompanhando os clarinetes a ganir.)
Certamente que não faltarão aqueles que se irritaram ao ligar a televisão na noite de domingo e em vez da habitual dieta de concursos deram com "aquela seca" da música clássica. Cá por mim, expresso os meus parabéns: foi um momento, raro, de verdadeiro serviço público, que enriqueceu quem, por acaso ou por conhecimento, ouviu os acordes do concerto.
O próprio concerto foi um serviço público, com um programa pensado não em função de élites conhedoras mas sim em função do grande público, em geral ignorante das nuances e da vitalidade da música clássica. A escolha favoreceu peças curtas, vibrantes, que agarravam o ouvido. Do concerto destacaria a interpretação apaixonante do segundo andamento da Sinfonia Alentejana de Luís de Freitas Branco (sim, existe uma sinfonia dedicada ao Alentejo, e não é nenhuma piada, garanto que a melodia captura na perfeição o espírito e a paisagem que tornam o Alentejo naquela zona tão especial do nosso país) e a vibrante interpretação da Rhapsody in Blue de Gershwin, com António Rosado brilhante ao piano e a orquestra a vibrar com esta sinfonia única, onde o jazz se cruza descaradamente com a música erudita.
(Aqui confesso que até a minha cadela gostou - o que é um elogio, uma vez que arrebita as orelhas mal aquele trompete sensual que dá o mote à Rhapsody in Blue começa a ondear, e acaba sempre a tentar um dueto a meio da sinfonia, acompanhando os clarinetes a ganir.)
Certamente que não faltarão aqueles que se irritaram ao ligar a televisão na noite de domingo e em vez da habitual dieta de concursos deram com "aquela seca" da música clássica. Cá por mim, expresso os meus parabéns: foi um momento, raro, de verdadeiro serviço público, que enriqueceu quem, por acaso ou por conhecimento, ouviu os acordes do concerto.
Leituras
BBC | Warming opens northwest passage A passagem do noroeste foi um mítico graal dos navegadores, interessados numa rota circumpolar directa entre o Atlântico e o Pacífico. Durante séculos, os exploradores e comerciantes sempre esbarraram com os gelos permanentes da calota polar, até agora, em que o degelo, consequência do aquecimento global, abriu de vez a passagem do Noroeste à navegação. O governo canadiano já fez saber que irá fazer valer os seus direitos territoriais.
BBC | Net gains for tiny pacific nation O minúsculo atol de Tokelau, um arquipélago soberano do pacífico sul, conseguiu aumentar o PIB em mais dez por cento graças a um esquema verdadeiramente cibernético: uma empresa holandesa regista sites web sob o domínio de Tokelau, .tk, e paga uma percentagem sobre os seus lucros ao governo das ilhas.
BBC | Net gains for tiny pacific nation O minúsculo atol de Tokelau, um arquipélago soberano do pacífico sul, conseguiu aumentar o PIB em mais dez por cento graças a um esquema verdadeiramente cibernético: uma empresa holandesa regista sites web sob o domínio de Tokelau, .tk, e paga uma percentagem sobre os seus lucros ao governo das ilhas.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
A Mãe

Maxim Gorki, A Mãe, Edições Ráduga, 1987
Maxim Gorky
Wikipedia | Maxim Gorky
Há sonhos que se recusam a morrer. Felizmente. O sonho da igualdade, da justiça, do construir uma sociedade mais justa para todos é um desses sonhos. Um sonho com muitas facetas, uma ideia de um mundo que se recusa a desaparecer, apesar de todos os ódios que despontam, de ter sido apropriada por regimes e religiões. É uma ideia prevalente, um padrão comum a todas as ideologias, religiões e sonhos de futuro desta humanidade fragmentada e indecisa.
Em A Mãe, Maxim Gorki escreve uma poética elegia aqueles que ultrapassam os seus limites, os seres anónios mas de grande coragem que não cruzam os braços e se dedicam a lutar contra as injustiças da ordem instuída. Gorki, socialista convicto na Rússia czarista, escreve com a profunda consciência social de alguém que sente as injustiças à sua volta e acredita numa ideologia capaz de mudar o mundo. Nesta obra, a literatura está perigosamente entretecida com a propaganda política, e tal é intencional. A prosa talentosa de Gorki e um certo sentido de puro messianismo salvam esta obra do esquecimento por entre as pilhas de livros destinados à propaganda pura.
É de notar que Gorki escreveu com um profundo sentido político, escreveu para propagandear a sua ideologia, mas fê-lo antes da ideologia se ter tornado regime político, regime que comprovou, mais uma vez, o velho adágio da corrupção do poder, e que se tornou tão desumano e mais sangrento do que o anterior regime. Gorki escreveu as suas mais influentes obras antes de 1917 - A Mãe foi escrita em 1904, curiosamente nos EUA, onde Gorki se havia deslocado em busca de apoios e dinheiro para a revolução que fervia em surdina na Rússia czarista. Se A Mãe datasse dos anos 30 ou 40, certamente que se saberia ser o perfeito produto de propaganda, ideia devidamente definida pelos parâmetros da pureza ideológica e atentamente observada pelo olhar vigilante do comissário político. Tantas outras foram escritas foram escritas assim, nos tempos soviéticos, que após encorajarem a liberdade artística depressa a encurralaram no espartilho do realismo socialista, convencendo os artistas a aderir utilizando, literalmente, a ponta da baioneta. Se após 1917 a vanguarda russa explodiu num fervilhar ainda hoje influente - atente-se à estética do construtivismo, assim que os sovietes consolidaram o poder, e muito em especial nos tempos estalinistas, o espartilho foi aplicado, e toda a arte tinha de se conformar a apregoar as glórias do proletariado, a injustiça do capital e as gloriosas conquistas do socialismo de sabor imperial da nova Rússia vermelha.
Como o mais influente dos escritores socialistas pré-soviéticos, Gorki acabou por se tornar o marco a partir do qual o realismo socialista se torneou, e A Mãe a obra-mestra, o modelo a partir da qual os bons escritores, conscientes da sua consciência social (e também conscientes das câmaras de tortura, dos gulags e dos pelotões de fuzilamento). Mas não se entenda Gorki como um conivente colaborador com os horrores do regime soviético. O que salvou Gorki do destino de tantos outros artistas, escritores e intelectuais aniquilados nas purgas políticas foi o seu estatuto como ideólogo messiânico do socialismo. Pessoalmente, creio que deve ter sido amargo para um homem como Gorki assistir ao transformar de um sonho no pior dos pesadelos.
A pureza do sonho pervade A Mãe. A estória da Mãe, mulher que sofreu a brutalidade da vida sem esperança do trabalho sem sentido, que renasce a partir do idealismo puro do filho, e que se torna, assim, uma mãe para toda uma célula activistas, é uma história universal que ultrapassa ideologias. Gorki atribui um carácter messiânico, uma luta de mártires, à luta pela revolução. O paralelo com o cristianismo puro é óbvio, e Gorki vai aludindo ao cristianismo, ao sublinhar a devoção da Mãe por Jesus, mostrando um parelelismo idealista com os ideais puros da cristandade com os ideais do socialismo puro.
O regime caiu, o socialismo no cano da espingarda ficou relegado para o arquivo de erros sangrentos da história. Mas seria uma pena que o ideal, o ideal de um mundo mais justo, o ideal da justa recompensa para quem trabalha, se desvanecesse, confundido com as injustiças de um regime erguido em nome do ideal mas que depressa o subverteu debaixo de mais uma tirania. Talvez por isto, talvez pelos tempos em que ainda vivemos, em que os ideais de justiça social parecem cada vez mais longínquos, A Mãe ainda é uma obra pertinente, que nos recorda, talvez com um excessivo fervor, do valor da coragem e da nobreza da luta pela justiça.
domingo, 16 de setembro de 2007
Maré
Já olharam com atenção para uma praia na maré baixa? Como por milagre, o mar recua, levantando um véu sobre intricados recantos e paisagens invisíveis. A absurda fractalidade da erosão marítima revela buracos tenebrosos e piscinas naturais, que à primeira vista parece desertos mas que olhares mais atentos revelam estruturas intricadas fervilhantes de vida. Ali, aos nossos pés, revelada por breves instantes graças aos caprichos gravitacionais lunares, está um mundo verdadeiramente alienígena, onde seres multicoloridos vivem por entre estruturas submersas.
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O Ictiocentauro chegou ao fim lógico. A cena original dos mosaicos de Conímbriga está aqui recriada, sem três detalhes: a textura dos mosaicos, as linhas de contorno fortes (obrigatórias à luz da técnica do mosaico) e a substituição de um pendor pela ponta de uma lança. O esquema de cores, a puxar para os castanhos, foi o sinal de que não me consegui libertar da paleta original do mosaico, em tons de branco, castanho e vermelho escuro.
Leituras
Guardian | Articles of faith Censura académica? Dois intelectuais norte-americanos escreveram um ensaio, depois transformado em livro, sobre a excessiva influência de intelectuais pró-israelitas na definição da política externa americana. A obra não é uma daquelas coisas ridiculas e radicais, como as dos supremacistas brancos (um elegante eufemismo para racismo) ou os dos revisionistas que negam o holocausto (apesar de todas as provas em contrário). Analisa antes a política externa americana face a Israel e à Palestina, os apoios militares e financeiros a Israel, e a ideia de que os americanos são aliados incondicionais de Israel, quase como se Israel fosse um estado americano encravado nas arábias. São coisas óbvias, especialmente para o resto do mundo, que assistiu atónito ao devastar do Líbano por tropas israelitas com o consentimento tácito dos EUA, ou já se habituou às constantes derrocadas do processo de paz israelo-palestiniano. Os académicos depressa se tornaram célebres, pelas piores razões: foram imediatamente comparados a nazis, racistas e anti-semitas, e tiveram a honra de ver o seu livro refutado através de um outro livro, que conseguiu a proeza de ter sido publicado antes da publicação da obra controversa. Os académicos queixam-se também de pressões profissionais e de uma virtual ostracização.
Bem, mas já se sabe... quem não alinha pela linha do pensamento dominante sofre as consequências...
BBC | Scientists warn of 'vocal terror' A evolução dos sistemas informáticos está a levar ao desenvolvimento de simulações cada vez mais perfeitas da voz humana. Num futuro próximo, não é de descartar a hipótese da exploração desta tecnologia com motivos obscuros, quer seja através de fraude - receber um telefonema do banco, com a voz do gestor de conta, a pedir dados, que na realidade é uma voz gerada por computador, controlado por criminosos - quer seja através de insidiosas formas de terrorismo - o nosso mundo é por nós percepcionado através dos media, e com estas tecnologias torna-se perigosamente simples manipular percepções. Imagine-se a voz de Bush a confessar a sua conversão ao islão, ou Bin Laden em reminiscências de festas em bordeis envoltos em fumos de haxixe...
BBC | Online worlds to be AI incubators Os mmporgs podem transformar-se em escolas virtuais para programas de inteligência artificial, que aí aprenderiam a interagir e a imitar os seres humanos.
Bem, mas já se sabe... quem não alinha pela linha do pensamento dominante sofre as consequências...
BBC | Scientists warn of 'vocal terror' A evolução dos sistemas informáticos está a levar ao desenvolvimento de simulações cada vez mais perfeitas da voz humana. Num futuro próximo, não é de descartar a hipótese da exploração desta tecnologia com motivos obscuros, quer seja através de fraude - receber um telefonema do banco, com a voz do gestor de conta, a pedir dados, que na realidade é uma voz gerada por computador, controlado por criminosos - quer seja através de insidiosas formas de terrorismo - o nosso mundo é por nós percepcionado através dos media, e com estas tecnologias torna-se perigosamente simples manipular percepções. Imagine-se a voz de Bush a confessar a sua conversão ao islão, ou Bin Laden em reminiscências de festas em bordeis envoltos em fumos de haxixe...
BBC | Online worlds to be AI incubators Os mmporgs podem transformar-se em escolas virtuais para programas de inteligência artificial, que aí aprenderiam a interagir e a imitar os seres humanos.
sábado, 15 de setembro de 2007
Next Big Thing
The next big thing in computers will be personal fabrication: allowing anyone to make fully functioning systems -- with print semiconductors for logic, inks for displays, three-dimensional mechanical structures, motors, sensors, and actuators. Post-digital literacy now includes 3D machining and microcontroller programming. For a few thousand dollars, a little tabletop milling machine can measure its position down to microns, so you can fabricate the structures of modern technology, such as circuit boards.
Isto de acordo com o artigo de Neil Gershenfeld intitulado Personal Fabrication, originalmente publicado na Edge em 2003 e retransmitido no no site de Ray Kurzweil. Já há uns tempos que se fala em impressoras 3D, que se estão a banalizar nos gabinetes de design. Será que num futuro próximo, tal como hoje em dia a impressora 2D caseira é imprescindível para imprimir documentos e imagens, teremos impressoras 3D caseiras, capazes de imprimir objectos, bastando adquirir os planos através da net ou, talvez, elaborar o projecto do objecto em CAD intuitivo no computador pessoal? Talvez
Num aparte, não cesso de me maravilhar com as nossas modernas impressoras, que fazem e segundos aquilo que um impressor experiente demoraria semanas a fazer nos velhos tempos de Gutenberg.
Estas previsões são extrapolações directas. Se a ficção científica me ensinou alguma coisa é que prever o futuro é coisa espinhosa. A extrapolação directa não resulta; as evoluções futuras são sempre feitas por algo inesperado, algo que possivelmente já anda aí pelos laboratórios mas que é totalmente inesperado em termos intelectuais. Coisas como a internet, ou os ubíquos telemóveis, passaram completamente ao lado dos melhores autores de FC, tidos como oráculos modernos do futuro que se avizinhava. Outras coisas nem por isso, como a abertura do espaço exterior à exploração comercial, em negócios de biliões. Aqui o Arthur C. Clarke teve razão com aquela história dos satélites artificiais em órbita, e só faltam as empresas de recolha de hélio-3 no regolito lunar para alimentar centrais de fusão nuclear na Terra.
Num outro registo do inesperado, que comprova que são nas reviravoltas da tecnologia que estão as revoluções em potência, uma empresa sueca está a desenvolver um sistema móvel verdadeiramente inovador. Telemóveis a funcionar em rede P2P, reencaminhando chamadas sem necessidade de ligação à célula da rede. Uma ideia óbvia, se nos recordarmos que um telemóvel é, essencialmente, um emissor/receptor de rádio.
Links para excitar o intelecto:
Kurzweil AI, o provocador site onde Ray Kurzweil, guru do mundo da alta tecnologia e amigos como o biólogo James Gardner, a transhumanista Natasha Vita-Moore e muitos outros pontuam sobre as meta-ideias que dão forma ao nosso mundo dependente da ciência e tecnologia.
Edge, onde John Brockman, mentor da terceira cultura (uma ponte entre o discurso académico e a ciência), dá voz a alguns dos mais influentes cientistas da actualidade.
Isto de acordo com o artigo de Neil Gershenfeld intitulado Personal Fabrication, originalmente publicado na Edge em 2003 e retransmitido no no site de Ray Kurzweil. Já há uns tempos que se fala em impressoras 3D, que se estão a banalizar nos gabinetes de design. Será que num futuro próximo, tal como hoje em dia a impressora 2D caseira é imprescindível para imprimir documentos e imagens, teremos impressoras 3D caseiras, capazes de imprimir objectos, bastando adquirir os planos através da net ou, talvez, elaborar o projecto do objecto em CAD intuitivo no computador pessoal? Talvez
Num aparte, não cesso de me maravilhar com as nossas modernas impressoras, que fazem e segundos aquilo que um impressor experiente demoraria semanas a fazer nos velhos tempos de Gutenberg.
Estas previsões são extrapolações directas. Se a ficção científica me ensinou alguma coisa é que prever o futuro é coisa espinhosa. A extrapolação directa não resulta; as evoluções futuras são sempre feitas por algo inesperado, algo que possivelmente já anda aí pelos laboratórios mas que é totalmente inesperado em termos intelectuais. Coisas como a internet, ou os ubíquos telemóveis, passaram completamente ao lado dos melhores autores de FC, tidos como oráculos modernos do futuro que se avizinhava. Outras coisas nem por isso, como a abertura do espaço exterior à exploração comercial, em negócios de biliões. Aqui o Arthur C. Clarke teve razão com aquela história dos satélites artificiais em órbita, e só faltam as empresas de recolha de hélio-3 no regolito lunar para alimentar centrais de fusão nuclear na Terra.
Num outro registo do inesperado, que comprova que são nas reviravoltas da tecnologia que estão as revoluções em potência, uma empresa sueca está a desenvolver um sistema móvel verdadeiramente inovador. Telemóveis a funcionar em rede P2P, reencaminhando chamadas sem necessidade de ligação à célula da rede. Uma ideia óbvia, se nos recordarmos que um telemóvel é, essencialmente, um emissor/receptor de rádio.
Links para excitar o intelecto:
Kurzweil AI, o provocador site onde Ray Kurzweil, guru do mundo da alta tecnologia e amigos como o biólogo James Gardner, a transhumanista Natasha Vita-Moore e muitos outros pontuam sobre as meta-ideias que dão forma ao nosso mundo dependente da ciência e tecnologia.
Edge, onde John Brockman, mentor da terceira cultura (uma ponte entre o discurso académico e a ciência), dá voz a alguns dos mais influentes cientistas da actualidade.
Sem gota
É impressão minha ou a àgua escasseia na Ericeira? Não a do mar, que essa abunda, azul sobre o horizonte, mas a canalizada, que esta manhã se revelou um bocadinho elusiva. As torneiras estão literalmente secas. Poderiam, ao menos, ter avisado, colocado de sobreaviso que hoje iria faltar àgua. Se com tanta amabilidade nos avisam das contas a pagar poderiam avisar sempre a àgua fosse cortada.
Leituras
BBC | Google backs private Moon landing Seguindo o exemplo do vibrante X-Prize, que criou uma dinâmica muito própria, com dezenas de equipes a concorrerem numa verdadeira corrida em direcção ao espaço sub-orbital, a Google decidiu patrocinar um prémio, em conjunto com a fundação X-Prize, que atribui 30 milhões de dólares à primeira missão privada a pousar um robot em solo lunar. Iniciativas como esta são mais do que fogo de vista; são sinais de que algo mexe na exploração do espaço, e de que são possiveis formas de exploração económica rentável do espaço.
BBC | Mirror particles form new matter Após cinquenta anos de pesquisa, uma teoria torna-se realidade no laboratório, com a criação de um elemento - o Di-Positronium (grande nome!), formado a partir da união de electrões com as suas anti-partículas, os positrões.
Guardian | Wake up, the invisible front line runs right through your back yard A guerra contra o terrorismo fundamentalista é global, mas o principal campo de batalha é a Europa, continente com uma assinalável população muçulmana que convém integrar plenamente nas sociedades europeias, sob pena de deixar os jovens muçulmanos enfeitiçados pelo discurso fundamentalista e assim alvos fáceis para manipulação por parte de organizações terroristas. O artigo de Timothy Garton Ash termina com uma mensagem por demais incisiva: A continent that has rid itself of the horrors of imperialism, fascism and communism will see off this lesser menace too. But it will take many years and we had better shape up to it.
Reuters | Many of Earth's "vital signs" in bad shape: report Os indicadores globais de poluição, uso dos recursos naturais e consequências do aquecimento global registam um retrato cada vez mais agravado do mau estado de saúde do nosso planeta. Apenas o indicador de crescimento da utilização de energia eólica surge como um sinal animador (se bem que a energia eólica não é uma panaceia que resolve os problemas energéticos mundiais).
BBC | Mirror particles form new matter Após cinquenta anos de pesquisa, uma teoria torna-se realidade no laboratório, com a criação de um elemento - o Di-Positronium (grande nome!), formado a partir da união de electrões com as suas anti-partículas, os positrões.
Guardian | Wake up, the invisible front line runs right through your back yard A guerra contra o terrorismo fundamentalista é global, mas o principal campo de batalha é a Europa, continente com uma assinalável população muçulmana que convém integrar plenamente nas sociedades europeias, sob pena de deixar os jovens muçulmanos enfeitiçados pelo discurso fundamentalista e assim alvos fáceis para manipulação por parte de organizações terroristas. O artigo de Timothy Garton Ash termina com uma mensagem por demais incisiva: A continent that has rid itself of the horrors of imperialism, fascism and communism will see off this lesser menace too. But it will take many years and we had better shape up to it.
Reuters | Many of Earth's "vital signs" in bad shape: report Os indicadores globais de poluição, uso dos recursos naturais e consequências do aquecimento global registam um retrato cada vez mais agravado do mau estado de saúde do nosso planeta. Apenas o indicador de crescimento da utilização de energia eólica surge como um sinal animador (se bem que a energia eólica não é uma panaceia que resolve os problemas energéticos mundiais).
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
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Vai subir?
Confesso um certo nervosismo. Hoje é dia oficial de arranque do ano lectivo na minha escola, e estou a preparar-me mentalmente para receber os alunos e encarregados de educação da minha novíssima direcção de turma- uma turminha muito especial de sexto ano, uma surpresa no sapatinho que me tem valido alguns olhares de condolência. Mas esses resungos ficam para outras ocasiões.
Eterno director de turma que sou, já devia estar mais do que habituado, calejado e vacinado com estas reuniões que, francamente, detesto - é, para mim, o pior aspecto de uma direcção de turma. Prefiro largamente receber os encarregados de educação um a um. Mas enfim, trabalho é trabalho, e siga.
Noutro registo, uma questão para leitores mais cultos ou mais... avantajados em anos do que eu. Sabem alguma coisa sobre um album de 1974 da banda do casaco com um título às voltas com "vendido no país dos bonifrates" e pérolas linguísticas nas canções como "Henriquecer ou ser Henrique, eis a questão"?
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
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Imagem fixada digitalmente em Mafra, naquela casa semi-arruinada entre os correios e o cmefd. Tive sorte, mas tive de manipular um bocadinho a imagem ao photoshop. Um monstruoso suv impediu-me de estar perpendicular à forma quando fiz a foto. Parece que todos os espaços livres são imediatamente ocupados por automóveis.
Longo dia hoje, passado nas instalações do CCEMS na Batalha, quase com vista para o mosteiro que representa um dos apogeus do gótico flamejante em portugal. Não tive oportunidade de fotografar, com grande pena minha. Dia todo passado frente a ecrãs, a configurar e, para todos os efeitos, a lançar a minha escola na web 2.0 com o site moodle. Já está disponível o site do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro, ainda em versão muito 0.1. De qualquer maneira, desenganem-se aqueles que irão visitar o site à espera de encontrar muitas coisinhas engraçadas. O paradigma é o de criar um instrumento de trabalho que permita, numa primeira fase, aos professores, e em fases posteriores, aos alunos, uma drástica diminuição no consumo de papel e um ritmo de trabalho online. Os alunos estão relegados para segundo plano porque apesar de o moodle ser uma ferramenta de gestão educativa, não é suficientemente web 2.0 para permitir um verdadeiro ambiente dinâmico de aprendizagem (imaginem uma aula-wiki, em constante actualização por alunos e professores).
Enfim, versão 0.1. Muito trabalho pela frente...
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Leituras
Sky News | Congo: More Than 100 Die From Ebola O nosso vírus altamente mortífero favorito está de volta, com uma virulenta epidemia a grassar em zonas remotas do Congo.
TSF | Comissário europeu quer bloquear pesquisas na net Num acesso de particular brilhantismo, o comissário europeu Franco Frattini, responsável pela comissão de justiça e segurança, quer combater o terrorismo e as organizações de extrema direita restringindo o uso da internet na União Europeia. O comissário gostaria de ver obrigatória a imposição de filtros que bloqueassem o acesso dos utilizadores europeus a sites que contivessem palavras "proibidas" - palavras como genocídio, o que, por exemplo, bloquearia o acesso a sites sobre o colapso da Jugoeslávia (ainda se recordam desse país) ou a sites sobre o Holocausto. É de louvar, o excepcional brilhantismo e o talento para propôr a restrição da liberdade de expressão em nome da segurança. Uma ideia que parece retirada do manual de instruções de segurança interna de um qualquer regime totalitário (como a China, que bloqueia activamente a internet).
Guardian | The erasing of Iraq Lembram-se da teoria do shock and awe, a blitzkrieg moderna, desenhada para fazer colapsar as mais impressionantes maquinarias militares? Naomi Klein analisa o aniquilar do Iraque, cuja sociedade, cultura, economia e herança cultural foram arrasados após a intervenção americana à luz das terapias de choque.
Correio da Manhã | Segurança: Privados na PSP e GNR Já se sabe que o grande objectivo inconfessável deste inefável governo socrático é o de desmantelar a administração pública, sob a justificação da eficiência, para entregar à iniciativa privada a resolução de necessidades até agora asseguradas por serviços públicos. Acontece na saúde, onde a tão badalada racionalização da rede levou ao encerramento de hospitais e centros de saúde considerados como "desnecessários" tendo, logo de seguida, aberto clínicas privadas nas localidades onde os centros públicos fecharam; acontece na educação, onde o esforço de renovação da rede escolar ou o tão necessário reforço da rede de creches está a privilegiar o paradigma dos colégios semiprivados, o que está, de facto, a criar um sistema de ensino de dois tipos, em que os "bons" meninos ficam no colégio e os "maus" são encaminhados para a rede pública, com a perfeita conivência dos pais e encarregados de educação, que iludidos pela fama da ideia de colégio admitem a imposição de regras às crianças que não admitem quando as mesmas frequentam a escola pública (para mim, um dos mais bizarros paradoxos); e agora o próximo alvo é a segurança, com planos governamentais para entregar funções até agora da competência das polícias a empresas de segurança privadas - um pouco como já acontece em Lisboa, onde foram entregues a uma entidade privada competências pertecentes à polícia para que a entidade privada proteja melhor os seus interesses.
TSF | Comissário europeu quer bloquear pesquisas na net Num acesso de particular brilhantismo, o comissário europeu Franco Frattini, responsável pela comissão de justiça e segurança, quer combater o terrorismo e as organizações de extrema direita restringindo o uso da internet na União Europeia. O comissário gostaria de ver obrigatória a imposição de filtros que bloqueassem o acesso dos utilizadores europeus a sites que contivessem palavras "proibidas" - palavras como genocídio, o que, por exemplo, bloquearia o acesso a sites sobre o colapso da Jugoeslávia (ainda se recordam desse país) ou a sites sobre o Holocausto. É de louvar, o excepcional brilhantismo e o talento para propôr a restrição da liberdade de expressão em nome da segurança. Uma ideia que parece retirada do manual de instruções de segurança interna de um qualquer regime totalitário (como a China, que bloqueia activamente a internet).
Guardian | The erasing of Iraq Lembram-se da teoria do shock and awe, a blitzkrieg moderna, desenhada para fazer colapsar as mais impressionantes maquinarias militares? Naomi Klein analisa o aniquilar do Iraque, cuja sociedade, cultura, economia e herança cultural foram arrasados após a intervenção americana à luz das terapias de choque.
Correio da Manhã | Segurança: Privados na PSP e GNR Já se sabe que o grande objectivo inconfessável deste inefável governo socrático é o de desmantelar a administração pública, sob a justificação da eficiência, para entregar à iniciativa privada a resolução de necessidades até agora asseguradas por serviços públicos. Acontece na saúde, onde a tão badalada racionalização da rede levou ao encerramento de hospitais e centros de saúde considerados como "desnecessários" tendo, logo de seguida, aberto clínicas privadas nas localidades onde os centros públicos fecharam; acontece na educação, onde o esforço de renovação da rede escolar ou o tão necessário reforço da rede de creches está a privilegiar o paradigma dos colégios semiprivados, o que está, de facto, a criar um sistema de ensino de dois tipos, em que os "bons" meninos ficam no colégio e os "maus" são encaminhados para a rede pública, com a perfeita conivência dos pais e encarregados de educação, que iludidos pela fama da ideia de colégio admitem a imposição de regras às crianças que não admitem quando as mesmas frequentam a escola pública (para mim, um dos mais bizarros paradoxos); e agora o próximo alvo é a segurança, com planos governamentais para entregar funções até agora da competência das polícias a empresas de segurança privadas - um pouco como já acontece em Lisboa, onde foram entregues a uma entidade privada competências pertecentes à polícia para que a entidade privada proteja melhor os seus interesses.
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
Desvanecer
O meu amigo Manuel lançou o desafio de enumerar 10 livros que nada fizeram para marcar a minha vida. À partida, parecia fácil. Afinal, os psicólogos bem nos avisam de que o mais fácil é encontrar e apontar defeitos, o difícil é apontar virtudes. Mas quanto aos livros, o caso muda de figura. Está muito difícil encontrar livros que tenha lido e que de nenhuma forma me tenham marcado. O contrário é muito fácil.
Talvez, penso com um ar de desespero, a dificuldade esteja na impressão desvanecida que esses livros deixaram. Se uma obra não marca, é então facilmente esquecida.
Talvez, penso com um ar de desespero, a dificuldade esteja na impressão desvanecida que esses livros deixaram. Se uma obra não marca, é então facilmente esquecida.
Leituras
Sky News | White House Fears of Nuclear Terror Threat É sempre bom reforçar a ideia, especialmente no aniversário do 11 de setembro. Os falcões da casa branca, responsáveis pelo aventureirismo catastrófico iraquiano, já fizeram saber que temem que a Al Qaeda adquira armas nucleares, caso o Paquistão caia nas mãos de governantes islamistas (ou seja, que termine a ditadura de Musharraf, oficial das forças armadas que governa o país em pura autocracia e se safa com isso precisamente por se ter alinhado ao lado dos EUA após o 11 de setembro).
Guardian | Greens need to grasp the nettle: aren't there just too many people? Uma verdade inconveniente: há muito que podeos fazer para combater os efeitos do aqueciemento global, há muito que podemos fazer para prevenir a poluição, o esgotamento dos recursos naturais. Mas... a principal pressão sobre o planeta está no crescimento populacional explosivo. Afinal, quanto mais pessoas existirem, mais recursos naturais são necessários.
BBC | Solar plane flies into the night O Zephyr, protótipo de UAV da Quinetiq (a versão britânica da DARPA), bateu um recorde aeronáutico, não oficialmente, ao voar mais de 54 horas continuamente. O curioso é que o Zephyr é movido a energia solar.
Guardian | Greens need to grasp the nettle: aren't there just too many people? Uma verdade inconveniente: há muito que podeos fazer para combater os efeitos do aqueciemento global, há muito que podemos fazer para prevenir a poluição, o esgotamento dos recursos naturais. Mas... a principal pressão sobre o planeta está no crescimento populacional explosivo. Afinal, quanto mais pessoas existirem, mais recursos naturais são necessários.
BBC | Solar plane flies into the night O Zephyr, protótipo de UAV da Quinetiq (a versão britânica da DARPA), bateu um recorde aeronáutico, não oficialmente, ao voar mais de 54 horas continuamente. O curioso é que o Zephyr é movido a energia solar.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
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Leituras
BBC | US backing for two-tier internet O Departamento de Justiça norte-americano veio-se colocar ao lado dos grandes ISPs na defesa de uma internet com vários níveis e correspondentes diferentes tarifas. Esta ideia viola um dos princípios básicos da internet - o da neutralidade, que não faz distinção entre pacotes de dados. Do lado deste princípio encontram-se instituições e gigantes da informática como a Google e a Microsoft. A favor da abolição deste princípio estão grandes ISPs que já fizeram saber que o aumento do tráfego de video online ameaça a estrutura da internet.
Guardian | The shock doctrine Naomi Klein, autora do livro No Logo, que desvenda as práticas brutais das grandes marcas de consumo, analisa a estranha ligação entre o catastrofismo e o neoliberalismo. Klein analisa quatro exemplos, aparentemente desconexos mas com um factor comum - a China após o massacre de Tiananmen, a reestruturação económica do Chile após o golpe de estado que colocou Pinochet no poder, Nova Orleães no rescaldo do furacão Katrina e mudanças conceptuais na américa pós 11 de setembro. O factor comum está na manipulação do medo como forma de impôr mudanças indesejadas. Os tanques do Exército Popular enviaram uma forte mensagem ao povo chinês que permitiu ao governo dar carta branca ao particularmente selvagem estilo de capitalismo que está na base da pujança económica chinesa, e que é visto com alguma inveja pelas empresas obrigadas a cumprirem legislações sociais noutras partes do mundo. Após a chegada ao poder de Pinochet, com o reinado de terror que se seguiu, nenhum chileno se opôs às completas reformas económicas levadas a cabo pelos economistas da Chicago School of Economics, influenciados por Milton Friedman, que privatizaram tudo o que se mexia, com os óbvios resultados de empobrecimento geral e enriquecimento obsceno de elites. O Chile foi o primeiro país a privatizar o sistema de reformas, com resultados desastrosos: cinco anos depois da privatização, o estado foi forçado a cobrir o buraco financeiro criado pelos maus investimentos das empresas de poupança-reforma que, literalmente, vaporizaram os fundos de reforma chilenos. O furacão Katrina criou uma oportunidade única em Nova Orleães: livrar a cidade da população negra e pobre, através da não reconstrução de habitações sociais, criando um paraíso para a especulação imobiliária. Finalmente, a economia americana após o 11 de setembro viveu um boom motivado pelas despesas na defesa interna, sistemas de vigilância e equipamento militar para as intervenções americanas. O padrão repete-se: o aproveitar do medo pós-catastrófico para aproveitar novas oportunidades de negócio, muitas vezes a custo do bem público. Outros exemplos sucedem-se: a reconstrução do Sri Lanka após a destruição causada pelo tsunami, aproveitada pelas empresas de turismo para encherem a costa do país de empreendimentos turistas em detrimento das comunidades autóctones.
Guardian | The shock doctrine Naomi Klein, autora do livro No Logo, que desvenda as práticas brutais das grandes marcas de consumo, analisa a estranha ligação entre o catastrofismo e o neoliberalismo. Klein analisa quatro exemplos, aparentemente desconexos mas com um factor comum - a China após o massacre de Tiananmen, a reestruturação económica do Chile após o golpe de estado que colocou Pinochet no poder, Nova Orleães no rescaldo do furacão Katrina e mudanças conceptuais na américa pós 11 de setembro. O factor comum está na manipulação do medo como forma de impôr mudanças indesejadas. Os tanques do Exército Popular enviaram uma forte mensagem ao povo chinês que permitiu ao governo dar carta branca ao particularmente selvagem estilo de capitalismo que está na base da pujança económica chinesa, e que é visto com alguma inveja pelas empresas obrigadas a cumprirem legislações sociais noutras partes do mundo. Após a chegada ao poder de Pinochet, com o reinado de terror que se seguiu, nenhum chileno se opôs às completas reformas económicas levadas a cabo pelos economistas da Chicago School of Economics, influenciados por Milton Friedman, que privatizaram tudo o que se mexia, com os óbvios resultados de empobrecimento geral e enriquecimento obsceno de elites. O Chile foi o primeiro país a privatizar o sistema de reformas, com resultados desastrosos: cinco anos depois da privatização, o estado foi forçado a cobrir o buraco financeiro criado pelos maus investimentos das empresas de poupança-reforma que, literalmente, vaporizaram os fundos de reforma chilenos. O furacão Katrina criou uma oportunidade única em Nova Orleães: livrar a cidade da população negra e pobre, através da não reconstrução de habitações sociais, criando um paraíso para a especulação imobiliária. Finalmente, a economia americana após o 11 de setembro viveu um boom motivado pelas despesas na defesa interna, sistemas de vigilância e equipamento militar para as intervenções americanas. O padrão repete-se: o aproveitar do medo pós-catastrófico para aproveitar novas oportunidades de negócio, muitas vezes a custo do bem público. Outros exemplos sucedem-se: a reconstrução do Sri Lanka após a destruição causada pelo tsunami, aproveitada pelas empresas de turismo para encherem a costa do país de empreendimentos turistas em detrimento das comunidades autóctones.
domingo, 9 de setembro de 2007
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Próximo projecto: um De Havilland Tiger Moth, nas cores da FAP. Vamos é ver se tenho tempo para isto... enfim, o tempo arranja-se ou inventa-se.
Leituras
Northrop Grumman unveils new ... er ... comic book? A Northrop-Grumman, gigante da aeronáutica militar, quer convencer que o futuro dos sistemas aéreos está nos UCAVs... e publica um comic a mostrar como funciona um ataque coordenado entre forças especiais e aviões robotizados.
Worth 1000 | Fun with Propaganda O Worth 1000 convidou os suspeitos do costume (phanáticos do photoshop) a remisturarem posters de propaganda. Os resultados variam entre o genial e o absurdo.
Vernacular Web 2 Olia Lialina, designer e artista digital, analisa a linguagem visual por detrás da web 2.0.
The Manipulation of Human Behavior Está online um velho compêndio psicológico dos anos 60 em que vários especialistas detalham quais as mais eficientes formas de manipulação do comportamento humano. Uma leitura a experimentar, talvez me dê umas boas dicas para as minhas aulas...
Worth 1000 | Fun with Propaganda O Worth 1000 convidou os suspeitos do costume (phanáticos do photoshop) a remisturarem posters de propaganda. Os resultados variam entre o genial e o absurdo.
Vernacular Web 2 Olia Lialina, designer e artista digital, analisa a linguagem visual por detrás da web 2.0.
The Manipulation of Human Behavior Está online um velho compêndio psicológico dos anos 60 em que vários especialistas detalham quais as mais eficientes formas de manipulação do comportamento humano. Uma leitura a experimentar, talvez me dê umas boas dicas para as minhas aulas...
sábado, 8 de setembro de 2007
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Linhas convergentes, ontem ao fim da tarde.
O regresso ao trabalho está a mostrar-se mais atribulado do que julgava. Não me estou a queixar. Se quis as responsabilidades, tenho mais é que me mostrar à altura. Ainda por cima sendo responsabilidades à medida das minhas capacidades, contrariando o habitual na profissão docente em que assumem a igualdade dos professores perante qualquer tarefa... sem levar em conta as suas reais capacidades. É um pouco como pedir a um mecânico que aconselhe tratamentos médicos... felizmente, um vício que começa a desaparecer.
Cada macaco no seu galho. Isto não é desigualdade, é antes reconhecer o papel de cada um.
Falta de coerência. Os miolos ainda não estão a funcionar a 100%. Os problemas, como sempre, estão a 200%. Aliás, a 400%.
Se...
If . . .
If you can keep your head when all about you,
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good or talk too wise:
If you can dream and not make dreams your master;
If you can think and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear the words you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings -- nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -- which is more -- you'll be a man, my son!
If, de Rudyard Kipling, um poema que nos aponta o verdadeiro significado da honra, da vontade, do brio e da preserverança. E embora termine com as palavras you'll be a man, my son, a verdade é que o sexo é uma questão menor. Estas verdades não discriminam, são universais.
If you can keep your head when all about you,
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good or talk too wise:
If you can dream and not make dreams your master;
If you can think and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear the words you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings -- nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -- which is more -- you'll be a man, my son!
If, de Rudyard Kipling, um poema que nos aponta o verdadeiro significado da honra, da vontade, do brio e da preserverança. E embora termine com as palavras you'll be a man, my son, a verdade é que o sexo é uma questão menor. Estas verdades não discriminam, são universais.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
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quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Nessun Dorma
Acabei de saber a triste notícia de que o tenor Luciano Pavarotti faleceu após uma longa batalha contra o cancro. Uma notícia triste. A sua voz perdurará, registada para a posteridade em intepretações arrebatadoras. Dilegua notte, tramontatte stelleae. O homem desapareceu, a voz perdura.
...

Não sei se esta criatura é um Sátiro (mas que eu saiba os sátiros não têm caudas de peixe) ou um Tritão (que, que eu saiba, não têm patas de cavalo...)
Vectorizado a partir de um pátio romano ladrilhado de Conímbriga. As cores são brincadeira minha. Ontem aquela cauda verde pareceu-me boa ideia, hoje já nem por isso... claramente, um (W)ork (I)n (P)rogress.
Leituras
BBC | Congo rebels seize gorilla park Parque natural, campo de batalha: o parque nacional congolês de Virunga, cenário de Gorilas na Bruma e casa para cerca de metade da população restante desta espécie em sério risco de extinção foi ocupado por forças rebeldes tutsis que entraram no Congo em busca de rebeldes hutus. Forças do governo congolês tentam recuperar o controle do parque. Teme-se pelo destino da população de gorilas do parque. África. Um sítio complexo.
BBC | China denies Pentagon cyber-raid Alegadamente, hackers militares chineses penetraram nos sistemas electrónicos do pentágono. O governo chinês nega, claro. Mas ciberataques destes, tal como o polémico teste de um míssil anti-satélite, são uma forma óbvia dos chineses testarem as suas capacidades de guerra high-tech - cyberwar, network-centric warfare, infowar, é só escolher a expressão favorita. São as versões high-tech dos joguinhos de gato e do rato que as grandes potências sempre se comprazeram em jogar entre si, o great game das diplomacias e das trevas. Nos velhos tempos da guerra fria, eram os jogos de espionagem que contavam; a internet apenas veio abrir um novo campo para o velho jogo.
Guardian | Kings of the coal habit A medida fundamental para minorarmos e revertermos o impacto do aquecimento global está na diminuição da dependência dos combustíveis fósseis. Com as cada vez mais inegáveis e evidentes consequências do aquecimento global, torna-se imperioso largar a dependência dos combustíveis fósseis. Essa decisão está largamente nas mãos dos países da APEC, cinco dos quais, como a Rússia, que ressurgiu dos escombros pós-soviéticos como uma potência apoiada em largas reservas petrolíferas, ou o Canadá, detentor do último recurso petrolífero explorável, areias betuminosas, são grandes produtores de combustíveis fósseis, sem esquecer a Índia e a China, que alimentam o seu rápido crescimento económico à força da queima de carvão. Colocando a coisa de uma forma grandiloquente, está nas mãos destes países o destino da humanidade.
BBC | China denies Pentagon cyber-raid Alegadamente, hackers militares chineses penetraram nos sistemas electrónicos do pentágono. O governo chinês nega, claro. Mas ciberataques destes, tal como o polémico teste de um míssil anti-satélite, são uma forma óbvia dos chineses testarem as suas capacidades de guerra high-tech - cyberwar, network-centric warfare, infowar, é só escolher a expressão favorita. São as versões high-tech dos joguinhos de gato e do rato que as grandes potências sempre se comprazeram em jogar entre si, o great game das diplomacias e das trevas. Nos velhos tempos da guerra fria, eram os jogos de espionagem que contavam; a internet apenas veio abrir um novo campo para o velho jogo.
Guardian | Kings of the coal habit A medida fundamental para minorarmos e revertermos o impacto do aquecimento global está na diminuição da dependência dos combustíveis fósseis. Com as cada vez mais inegáveis e evidentes consequências do aquecimento global, torna-se imperioso largar a dependência dos combustíveis fósseis. Essa decisão está largamente nas mãos dos países da APEC, cinco dos quais, como a Rússia, que ressurgiu dos escombros pós-soviéticos como uma potência apoiada em largas reservas petrolíferas, ou o Canadá, detentor do último recurso petrolífero explorável, areias betuminosas, são grandes produtores de combustíveis fósseis, sem esquecer a Índia e a China, que alimentam o seu rápido crescimento económico à força da queima de carvão. Colocando a coisa de uma forma grandiloquente, está nas mãos destes países o destino da humanidade.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
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BBC | Gadgets 'ruin' film, claims Scott Ridley Scott, realizador de filmes como O Gladiador, Blade Runner ou Alien queixa-se dos efeitos perniciosos do pequeno ecrã no cinema (e também da diluição intelectual estultificante que caracterizam a quase totalidade dos filmes em cartaz, mas isso são outros resmungos). O grande ecrã adapta-se mal aos ecrãs minúsculos dos telemóveis, pdas e consolas móveis. Apesar disso, ver cinema nestas maquinetas é a nova moda. No entanto, imaginem ver os detalhes de obras como 2001 ou Prospero's Books de Greenaway num ecrã minusculo. É como comer um cozido à portuguesa numa sandes. Ver opera na televisão. Reduzir uma sinfonia a um toque de telemóvel. O cinema evoluiu com uma estética adaptada ao grande ecrã; o pequeno ecrã desenvolverá a sua estética, se calhar mais próxima de Dziga Vertov do que da estética cinematográfica convencional.
Guardian | Chávez pours millions more into pioneering music scheme Há 32 anos, um músico e economista venezuelano começou a dar aulas gratuitas de música a crianças de zonas desfavorecidas. O resultado é a Orquestra Juvenil Simon Bolivar, referência na música clássica recentemente aplaudida nos veneráveis Proms, os concertos Promenade, que há 104 anos animam o verão londrino.
Por falar em Proms, este ano a Los Angeles Symphony Orchestra, em digressão pela europa (portugal não incluído, creio), ofereceu uma interpretação exuberante, de tirar o fôlego, da Quinta Sinfonia de Shostakovich que simplesmente arrasou o Royal Albert Hall com tanto aplauso. A Abertura Festiva foi omitida, o que se compreende - é uma peça intencionalmente kitsch, escrita para agradar a Estaline, que tem pouco a ver com a grandiosidade tenebrosa da Quinta Sinfonia de Shostakovich.
Guardian | Chávez pours millions more into pioneering music scheme Há 32 anos, um músico e economista venezuelano começou a dar aulas gratuitas de música a crianças de zonas desfavorecidas. O resultado é a Orquestra Juvenil Simon Bolivar, referência na música clássica recentemente aplaudida nos veneráveis Proms, os concertos Promenade, que há 104 anos animam o verão londrino.
Por falar em Proms, este ano a Los Angeles Symphony Orchestra, em digressão pela europa (portugal não incluído, creio), ofereceu uma interpretação exuberante, de tirar o fôlego, da Quinta Sinfonia de Shostakovich que simplesmente arrasou o Royal Albert Hall com tanto aplauso. A Abertura Festiva foi omitida, o que se compreende - é uma peça intencionalmente kitsch, escrita para agradar a Estaline, que tem pouco a ver com a grandiosidade tenebrosa da Quinta Sinfonia de Shostakovich.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
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TIME | Is Panama the Americas' Hong Kong? Menos de dez anos após a devolução do território do canal do Panamá à soberania panamiana, o país capitaliza o canal investindo fortemente no seu alargamento, permitindo a passagem dos gigantescos navios de transporte de contentores, transformando os antigos campos militares americanos em centros financeiros.
Guardian | Skyscraper may see St Petersburg lose world heritage status Não é só em portugal que se fazem atropelos ao património cultural. A cidade de S. Petersburgo está em risco de perder o estatuto de património mundial se um projecto de construção de um arranha-céus em pleno centro histórico for em frente.
Guardian | Insulting and dangerous Uma das maiores economias mundiais, grande centro de manufactura, país com mais de vinte milhões de habitantes, não pertence à ONU. Trata-se de Taiwan, refúgio dos nacionalistas chineses do kuomintang após 1949, território reivindicado pela república popular da China, que impôs o isolamento diplomático de Taiwan como condição para ingressar na ONU.
Correio da Manhã | Governo só quer admitir professores brilhantes As novas regras de acesso à carreira docente tocam as raias do ridículo, com a obrigatoriedade de exames após a frequência de um curso - específico - de formação de professores com grau de mestrado, que à partida já inclui exames... sob o pretexto da excelência, controla-se o acesso a uma profissão onde a oferta supera as necessidades do sistema. O mais óbvio, o controlar da excessiva proliferação de cursos de formação de professores, não é feito. Isso iria levantar a ira dos caciques locais, que vêem nos estudantes uma forma de revitalizarem as economias locais, não obstante esses estudantes estarem a ser formados para o desemprego. É este o país que temos, onde os males se tratam pelo caule e não pela raiz. Isto, no ano em que a conjugação de dilatação dos horários lectivos, diminuição do número de alunos (excepto nas zonas exurbanas), plurianualidade das colocações (que reduziu drásticamente o número de vagas), alteração da composição das turmas e a pressão acumulada sobre o sistema por fornadas consecutivas de jovens professores formados por um sistema de ensino superior que não reconhece as reais necessidades do terreno, deixaram 45000 docentes sem colocação. Há exércitos menores...
Guardian | Skyscraper may see St Petersburg lose world heritage status Não é só em portugal que se fazem atropelos ao património cultural. A cidade de S. Petersburgo está em risco de perder o estatuto de património mundial se um projecto de construção de um arranha-céus em pleno centro histórico for em frente.
Guardian | Insulting and dangerous Uma das maiores economias mundiais, grande centro de manufactura, país com mais de vinte milhões de habitantes, não pertence à ONU. Trata-se de Taiwan, refúgio dos nacionalistas chineses do kuomintang após 1949, território reivindicado pela república popular da China, que impôs o isolamento diplomático de Taiwan como condição para ingressar na ONU.
Correio da Manhã | Governo só quer admitir professores brilhantes As novas regras de acesso à carreira docente tocam as raias do ridículo, com a obrigatoriedade de exames após a frequência de um curso - específico - de formação de professores com grau de mestrado, que à partida já inclui exames... sob o pretexto da excelência, controla-se o acesso a uma profissão onde a oferta supera as necessidades do sistema. O mais óbvio, o controlar da excessiva proliferação de cursos de formação de professores, não é feito. Isso iria levantar a ira dos caciques locais, que vêem nos estudantes uma forma de revitalizarem as economias locais, não obstante esses estudantes estarem a ser formados para o desemprego. É este o país que temos, onde os males se tratam pelo caule e não pela raiz. Isto, no ano em que a conjugação de dilatação dos horários lectivos, diminuição do número de alunos (excepto nas zonas exurbanas), plurianualidade das colocações (que reduziu drásticamente o número de vagas), alteração da composição das turmas e a pressão acumulada sobre o sistema por fornadas consecutivas de jovens professores formados por um sistema de ensino superior que não reconhece as reais necessidades do terreno, deixaram 45000 docentes sem colocação. Há exércitos menores...
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