Domingo, Maio 11, 2008

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Luz fria do pôr-do-sol numa tarde de tempestade primaveril.

Leituras

Los Angeles Times | In Russia, nostalgia for Soviet era As recentes comemorações da vitória russa na II guerra mundial ressuscitaram o velho hábito soviético das paradas na praça vermelha com tanques e mísseis nucleares. Uns vêem nesta parada um reforço militarista do papel geopolítico da nova Rússia. Outros, uma certa nostalgia pelos tempos do auge do imperium soviético.

BBC | Why the future is in your hands Cada vez mais o telemóvel se está a impor como o futuro da computação. O conceito de telemóvel evoluiu de aparelho de telefone móvel para máquina multimedia de acesso à web, gestão de ficheiros e plataforma de jogos. Os próximos passos dependem de redes ubíquas de acesso à rede, aplicações de cloud computing, e desenvolvimento de telemóveis mais capazes do termos de processamento e autonomia.

BBC | Great tits cope well with warming Grande título... Mas não é o que pensam. Trata-se antes da adaptação de uma espécie de aves inglesa às alterações climatéricas. E ainda dizem que a língua portuguesa é traiçoeira... alguém se divertiu muito com este título. Só para referência, great tit significa Chapim Real em português...

Low Tech Magazine | Computing without electricity É sempre uma delícia ler o blog de Kris de Decker. O blog de um ludita que usa a internet para arengar sobre os malefícios da tecnologia moderna, baseando-se nas tecnologias de séculos passados. Vale pela profundidade com que recorda dead media e tecnologias obsoletas. Desta vez, um interessante post sobre computação mecânica.

Sábado, Maio 10, 2008

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Subúrbios de Lisboa.

Nuvens informacionais

Por vezes, particularmente quando estou preso no trânsito, tento imaginar o mundo como se visto através de um dispositivo de realidade aumenta - possivelmente uns óculos, ou lentes de contacto que sobrepusessem sobre a visão natural do mundo uma visão informacional, de dados puros e, ou, de dados formatados para optimizar o acesso à informação.

Olhando para as pessoas que passam, não me é difícil imaginar uma núvem de dados informacionais à sua volta, irradiando de um núcleo centrado na pessoa. Dados dos mais variados géneros: dados financeiros, médicos, respectivos aos equipamentos e vestuários, comunicações mediadas por interfaces tecnológicos, pesquisas na web, conteúdos produzidos (blogs, fotografias digitais, entre outros), biológicos, preferências pessoais, crenças, tendências. Enfim, todo aquele microcosmo de bits que nos define, enquanto pessoas e indivíduos.

Esta visão do indivíduo mediado pela tecnologia pode revoltar os amantes de definições mais tradicionalistas de indivíduo. Mas não temam. A tecnologia é uma extensão das nossas capacidades. Não nos desumaniza, pelo contrário, potencia a nossa humanidade. Um exemplo acabado disso é o telemóvel, tecnologia de enorme sucesso que serve principalmente para a mais humana das actividades: tagarelar.

Talvez, num futuro próximo, graças aos avanços na portabilidade computacional (quando os gadgets digitais deixarem de ser gadgets), com ubiquidade de acesso às redes (condição essencial, a rede é o lugar) e técnicas de cloud computing seja possível visualizar, acompanhando-nos permanentemente, dados que centrados na nossa pessoa correntemente se encontram disperso por míriades de bases de dados.

And now, for something completely different, o artigo da Wikipédia sobre Nanotecnologia contém esta pérola literária: There are traditional techniques developed during 20th century in Interface and Colloid Science for characterizing nanomaterials. Fascinante, esta ideia de técnicas tradicionais, clássicas e velhinhas, desenvolvidas nos tempos idos do longínquo século XX, para compreender e manupular a nanotecnologia, a tendência mais bleeding edge do progresso tecnológico.

Sexta-feira, Maio 09, 2008

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Forever doesn't mean forever anymore
I said forever
But it doesn't look like I'm gonna be around much anymore

(Elvis Costello, Riot Act)

Leituras

Business Week | The (virtual) global office As grandes empresas estão a encontrar um novo uso para os mundos virtuais, tradicionalmente considerados jogos: interligar e socializar os seus funcionários, cada vez mais dispersos pelo mundo na nova economia globalizada.

Technology Review | Building the zero-emissions city Nos Emirados Àrabes Unidos enriquecidos pelos lucros do petróleo, constroi-se uma experiência urbana que limita ao máximo as emissões de CO2. Uma mini-cidade ecológica, com capacidade para 50000 pessoas, construída no meio do deserto com os lucros provenientes da venda do ouro negro, responsável pelo aumento das emissões de CO2 e consequente aquecimento global. Há aqui um elemento de ironia. Pelo menos investe-se em tecnologias limpas, ao contrário do Dubai, que investe em ilhas artificiais, ideia que faz todo o sentido se equacionada com a previsível subida do nível médio das àguas.

BBC | Fake media file snare pc users Vírus à solta ou vingança das editoras contra os piratas? Está a circular pelas redes P2P um ficheiro multimédia que se apresenta como filme ou música mas que depois de descarregado pede a instalação de um codec que é um ficheiro de malware, infectando o computador.

Celsias | A backgrounder on the food crisis: misery is profitable Por detrás da corrente crise alimentar está a rapacidade do mercado livre. Durante décadas, os governos dos países pobres foram forçados a liberalizar os seus mercados, imposições do FMI e Banco Mundial como condições para empréstimos e ajuda internacional. Com os mercados locais inundados de importações baratas, os produtores locais foram aniquilados. Com o aumento dos preços das importações e sem produtores locais para suprir as necessidades do mercado, as populações não têm dinheiro para adquirir géneros alimentares. As grandes empresas agrícolas lucram cada vez mais, graças às suas políticas restritivas, patentes sobre sementes e apelos ao cultivo de alimentos transgénicos como forma de aumentar a produtividade alimentar. Campos agrícolas destinam-se agora à produção de biocombustíveis, diminuindo a produção mundial de alimentos. O aumento dos preços do combustível encarece os produtos, acabando com as importações baratas de géneros alimentícios. Estaremos realmente a viver uma crise alimentar? Ou estaremos a viver uma crise económica, uma crise real motivada pela aplicação de teorias económicas cada vez mais desajustadas da realidade global? No papel, a desregulamentação, o mercado livre e a liberalização funcionam na perfeição. Na realidade, estas ideias traduzem-se na rapacidade da especulação bancária e financeira, no aniquilar de pequenos produtores considerados não competitivos mas que são o tecido económicos das regiões, e o mercado livre assemelha-se cada vez mais a uma desculpa para legitimar a ganância de alguns.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

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Leituras

Kevin Kelly | The cell phone platform Piscando um olho de inveja a Jan Chipchase, Kevin Kelly apercebe-se do poder do telemóvel enquanto plataforma de computação. Algo de inesperado, para quem concebe o poder da internet a partir do computador ou PDA.

BBC | Building digital life-lines O telemóvel como elemento essencial para a recuperação após desastres naturais. Ao permitir abrir linhas de comunicação entre sobreviventes e os seus familiares, o telemóvel torna-se uma verdadeira linha de vida.

CNET | Imagining the tech world in 2050 Alguns dos maiores especialistas mundiais em tecnologia imaginam as maravilhas tecnológicas que estão a caminho. A questão que se pode colocar é se, perante o aquecimento global e os possíveis colapsos económicos, a sociedade humana conseguirá aproveitar as futuras tecnologias.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Leituras

Washington Post | Disruptions in oil supply may extend price rise Uma conjugação perigosa. Tensões com o Irão, problemas na Nigéria, consumo de petróleo em alta e a rapacidade dos investidores, que vêem nos altos preços uma forma de garantirem ganhos rápidos. A desejável transição para economias pós-petróleo, motivada pelos problemas ambientais, está a ter ímpeto pelas piores razões.

Globe and Mail | Future of newspapers is free Algo impensável há poucos anos, fenómeno recente que se está a impor. Será que a gratuitidade do jornal, assente no custear de despesas pela publicidade, se tornará na viabilidade futura deste meio de comunicação?

Reuters | Greed behind food price rises O disparo nos preços dos bens alimentares básicos tem origem na conjuntura económica mundial, mas está a ser agravada pela especulação pura. A mão invisível do mercado é particularmente eficaz para agravar as desigualdades económicas.

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Oito da manhã. Entrar no carro, rodar a chave. Carro não pega. Verificar fusíveis e bateria. Tudo em bom estado. Coçar a cabeça e ligar a um amigo a pedir ajuda. Chamada terminada, carro dá sinal de vida e arranca.

Meio dia. Aula acabada mais cedo porque um aluno causou problemas que tive de ir desmontar. Uma hora a acalmar os ânimos e a tranquilizar os restantes alunos.

E o dia ainda vai a meio...

Terça-feira, Maio 06, 2008

Aproxima-se...



O Gizmodo noticiou hoje que o iPhone vai agraciar mais dez países, cortesia da Vodafone. Portugal é um deles, o que significa que o fabuloso interface táctil vai chegar ao mercado português. Para além do design de fazer crescer àgua na boca, o iPhone também trabalha em redes WiFi (melhor do que o meu N80, aposto). Se for mais barato do que o N800, significa que vai chegar a Portugal uma bela plataforma portátil de navegação na internet.

Gizmodo: Ten more countries to be blessed with iPhone.

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Hip.

Leituras

Adobe | The fake-space race A virtualidade e os sistemas de realidade virtual como forma de viajar sem movimento. Viagens no mundo virtual, que nos custam como alternativa ao mundo real, sensorial.

New Yorker | The countertraffickers Reportagem no mundo do tráfico de seres humanos, centrada num dos principais países fornecedores de mão de obra para a tenebrosa indústria sexual, a Moldávia. Relato daqueles que não poupam esforços para tentar salvar seres humanos desta insidiosa versão moderna do esclavagismo.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

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As Minas de Salomão



H. Ridder Haggard (2008). As Minas de Salomão. Lisboa: QuidNovi

As Minas de Salomão

A nossa concepção contemporânea de aventura envolve a deslocação às zonas mais remotas do planeta, normalmente ajaezados com toneladas de equipamentos que nunca nos deixam muito longe das redes electrónicas e localizações por GPS. O sentido de aventura está vivo, mas seguro. Um acidente num local remoto do planeta não implica a morte do aventureiro, mas sim uma rápida missão de salvamento. No início deste século XXI, já não restam recantos no planeta por esquadrinhar. Não há àreas brancas no mapa. Os satélites, as câmaras, a multidão de exploradores que documentou cada recanto do planeta destruiu para sempre a sensação de estar a pôr os pés num local totalmente inexplorado. Pelo menos na Terra.

Tempos houve em que não era assim. Tempos houve em que os mapas, quando os havia, apresentavam enormes lacunas, terras desconhecidas, que estimulavam a imaginação. Que gentes, que maravilhas, que aventuras se poderiam viver naquelas terras que os mapas cobriam com um véu de mistério?

No século XIX, Àfrica era esse continente mítico, bem explorado na sua orla durante séculos por uma mistura de aventureiros que inclui oficiais egípcios dos tempos dos faraós, aventureiros fenícios, comerciantes àrabes e indianos, exploradores portugueses e colonialistas europeus. Mas o seu interior permanecia inexplorado, desconhecido. In darkest Africa era uma expressão que denotava os mistérios que se escondiam nas profundezas do continente negro, embora com um natural, para a época, desdém pelos africanos, algo que hoje consideramos racismo. Darkest Africa tem várias conotações.

Durante a segunda metade do século XIX, os interesses geopolíticos das potências europeias viraram-se para àfrica. A exploração tornou-se uma forma de conquista, e o continente depressa foi atravessado em múltiplas direcções por legiões de aventureiros que documentaram as terras e as gentes do coração de àfrica. Foi uma época de maravilhas, em que os relatos de Serpa Pinto, Caillè ou Stanley levantavam o véu de mistério sobre o continente, relatando périplos arriscados por entre selvas e savanas.

É este o fascínio que encontramos em As Minas de Salomão, escrito em 1886 por H. Ridder Haggard, autor britânico especializado em histórias de aventura e descoberta. Esta obra clássica contém todos os elementos de uma empolgante história de aventuras em Àfrica, com o estabelecimento de uma irmandade de exploradores (tema recorrente nestes géneros de ficção), a promessa de riquezas incomensuráveis, o contacto com as tribos exóticas, um certo toque de white man's burden de levar a civilização aos selvagens, estranhos ritos e costumes por entre as trevas da savana, e até o sobre-utilizado "milagre" do apagar do sol, quando um eclipse previsto pela ciência europeia espanta os negros selvagens, salvando os heróis de destinos piores do que a morte. Tudo contado pelo punho de um dos heróis ficcionais do século XIX, Alan Quartermain, explorador inglês em terras de Àfrica que H. Ridder Haggard fez viver em muitas aventuras. Ou Alão Quartelmar, na clássica tradução portuguesa de Eça de Queirós.

As Minas de Salomão transportam-nos para um tempo que já não é o nosso, um tempo em que tudo parecia possível, em que as aventuras exóticas aconteciam nos jornais. Uma obra clássica, a reler sempre. As gestas e as desventuras dos tempos de antanho ainda têm o poder de mesmerizar a nossa consciência contemporânea.

(O texto integral, da tradução portuguesa de Eça de Qeirós, encontra-se aqui: As Minas de Salomão.)

Domingo, Maio 04, 2008

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Cumprir o dever, estimular a economia, comparecer na catedral.

Leituras

BBC | Electronics "missing link" found Cientistas foram capazes de criar um tipo de componente electrónico até agora apenas previsto teoricamente. Os memoresistores têm a capacidade de "recordarem" a carga que por eles passa após serem desligados. A promessa destes componentes está em computadores que arrancam instantâneamente, portáteis que não perdem as sessões mesmo que a bateria se descarregue ou telemóveis que ficam semanas entre carregamentos de bateria.

Wahington Post | Slay the pesky ATM fees Por cá não temos que pagar taxas para utilizar o sistema Multibanco, embora regularmente as entidades bancárias, procurando mais uma fonte de lucro, reclamem que estas taxas são necessárias para sustentar o sistema. O caso americano surge como um exemplo do que nos poderia acontecer, caso as entidades bancárias (tão exímias a ir-nos ao bolso) levem a sua avante: as taxas de transação via multibanco podem chegar aos $5 por transacção... imagine que levanta 10€ e pelo privilégio tem de pagar 5€. Aquilo que os bancos não referem é que o uso do sistema multibanco é uma forma de poupar em custos de pessoal - ao levantar dinheiro na caixa mutibanco ao invés da agência, ao efectuar operações bancárias através do multibanco, não utilizamos funcionários do banco.

Mother Jones | Contractors gone wild Redes de prostituição, roubo descarado de material militar, desvio de provisões às tropas em combate, saque: são estas algumas das aventuras dos funcionários das empresas contratadas para trabalhos no Iraque. A corrupção é generalizada e impune. Normalmente, apenas os que se opõem a esta forma de trabalhar são castigados com afastamento ou despedimento.

Sábado, Maio 03, 2008

Nem...



Porque não sabem que comanda a vida.

Vamos jogar...?



Jogar... de graça?

Os jogos de computador são uma das maiores fontes de divertimento da actualidade. Os jogos, como indústria, movem milhões de euros, baseados na proliferação de jogos para todos os gostos e públicos-alvo. Neste universo encontramos de tudo, desde jogos moralmente questionáveis como o Grand Theft Auto, verdadeiros mundos virtuais como o Second Life (acessível apenas a maiores de doze anos), jogos educativos, jogos destinados ao público infantil, jogos massivos de estratégia, infinitas variações de jogos clássicos... listar todas as variedades seria um trabalho sem fim.

Jogar é um passatempo caro. Os jogos estão sempre na crista da onda da tecnologia digital, exigindo sempre os melhores recursos na busca de ambientes cada vez mais realistas (hiperreais, na verdade). As plataformas - PSP, PlayStation, XBox, Gameboy e um PC bem "artilhado" não são baratas, e os jogos originais têm preços elevados. Como fugir a estes gastos?

Normalmente, pirateia-se o jogo. Esta alternativa é errada: piratear é, para todos os efeitos, roubar. Embora os jogos sejam muito caros, a verdade é que movem enormes equipes de programadores, designers e artistas que devem ser justamente recompensados pelo seu trabalho. Piratear é uma solução éticamente irresponsável.

A solução ética passa pelo universo do Open Source, o software livre. Este tipo de software é publicado na internet, livre para todos. E, claro, os programadores que desenvolvem software livre também já olharam para os jogos.

Nesta página - Top 25 Linux Games encontram-se os melhores jogos livres publicados para linux. Têm em comum ser gratuitos, existirem em versões Windows, e surpreendem pelo seu grafismo e complexidade, que estão ao nível dos jogos comerciais. De todos os jogos, destaco alguns já experimentados: o TORCS - The Open Source Racing Car Simulator, cheio de pistas desafiantes e carros de sonho para experimentar; o Mania Drive, um jogo de corridas surpreendente que só peca por o carro ser um Clio e não um XAD, com uma física realista e banda sonora "a abrir"; e o AlienArena, jogo estilo Quake com cenários fantásticos e uma jogabilidade surpreendente. Todos estes jogos são gratuitos, e estão à distância de um download.

Experimentem estes jogos, e descubram como podem jogar sem gastar dinheiro... e sem piratear jogos comerciais. Se quiserem descobrir mais jogos gratuitos, a wikipédia tem uma lista de jogos open-source.

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Meme

O meu enérgico colega e amigo José Vaz deixou no blog do Centro de Recursos Poeta José Fanha um belíssimo desafio em jeito de meme: referir cinco autores, ou livros, da nossa preferência, e um autor ou tomo que mereça apodrecer, bafiento, na prateleira.

Gostei do meme. Cá vão as minhas escolhas:
1 - Snow Crash - O ciberespaço, conceptualizado por Neal Stephenson num dos mais divertidos romances de FC cyberpunk. Depois da leitura deste livro, o Second Life soa a plágio e nunca mais olhamos para os Heróis Protagonistas com os mesmos olhos.
2 - A Galáxia Internet - O segundo volume da espantosa triologia de Manuel Castells sobre a internet e sociedade dá-nos as boas-vindas ao admirável mundo novo da sociedade em rede.
3 - Ulisses - Minuciosa descrição de um singelo dia na vida do senhor Leopold Bloom... um cânone fundamental do alto modernismo, pela mão de James Joyce.
4 - Ficções - o mergulho no irreal e surreal invocado pelas palavras oníricas do argentino Jorge Luís Borges. Desperta sonhos e fiapos de pensamentos dispersos.
5 - Cosmos - Talvez já não seja o mais actual dos livros de divulgação científica, mas foi um livro que me apaixonou pela ciência. Graças a este livro, e à série televisiva em que foi baseado, Carl Sagan tornou-se uma das principais influências do meu desenvolvimento pessoal. É uma obra que vou relendo, para não perder o espírito de fascínio pelas maravilhas da ciência.

6,7, e etc... enfim, a lista nunca mais acabaria...

Para apodrecer na estante? Cá por mim prefiro a mais ecológica solução de deixar o tomo no ponto verde. E aqui concordo com o indomável professor Vaz: O Código DaVinci, livro que me fez pensar "que grande treta" em quase todos os parágrafos.

Agora tranquilizem-se, não vou deixar aqui uma lista de blogs para passar a mensagem. Mas vão dizendo, caso aceitem o desafio, quais os vossos livros determinantes... e aquele que nem para servir de base à chávena de café querem.

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Espaço negativo. Vazio de um parque de estacionamento apinhado de automóveis. Espaço negativo, não espaço, espaço transiente da vida quotidiana. Espaços que se olham mas não se vêem, realmente.

Leituras

Tomgram | Chalmers Johnson, Teaching Imperialism 101 A RAND corporation, caricaturada por Kubrick no filme Dr. Strangelove, é um dos mais influentes think tanks norte-americanos, responsável pelas teorias que ditaram a guerra fria, técnicas de guerra nuclear, dominância global do império americano e conceptualização de uma rede de comunicações resistente a ataques nucleares, que mais tarde se desenvolveu na internet.

Globe and Mail | Creeping use of emoticons has me feeling :-( Praga linguística, aniquilador da gramática ou nova etapa na evolução das línguas? O uso de abreviaturas de escrita sms ou online está a alastrar para o mundo não virtual, facto que preocupa professores e linguistas. Estará a elegância da escrita a desaparecer nesta sociedade que vive a contra-relógio?

BBC | Luminaries look to the future web Faz quinze anos que os responsáveis do Cern libertaram a web, autorizando o seu uso gratuito. Quinze anos depois, qual o seu impacto? Com uma rede cada vez mais móvel, semântica e distribuída (cloud computing), qual será o seu futuro?

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Ora bolas!

Acabei de descobrir que hoje, para além do 1º de Maio, também é a quinta feira da espiga. Lá se foi o feriado municipal... ora ora...

Tempo



Porque hoje é um bom dia para recordar Elois e Morlocks

Quarta-feira, Abril 30, 2008

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Espaço negativo. Vivemos mas não recordamos.

Leituras

Washington Post | When Young Teachers Go Wild on the Web O que me assusta nestas notícias sobre o uso que entidades empregadoras dão aos perfis pessoais e personas on-line é a noção que o valor de um profissional é medido não pelo seu desempenho profissional mas pelas suas posturas na sua vida privada. O mundo online permite aos departamentos de recursos humanos com base no que fazem no tempo que teoricamente nada tem a ter com o seu trabalho. Se a discriminação por razões políticas ou religiosas ainda é proibida, não há nada que proiba está discriminação baseada em estilos de vida, que revela uma sanha em modelar o espírito humano às necessidades da cupidez económica.

O Maio de 68 não está a fazer anos? É bom relembrar, nesta época em que os valores humanistas estão sob assalto em toda a linha.

Los Angeles Times | An Iranian's vision of Jesus' life stirs debate A vida de Jesus... Vista por um realizador muçulmano do Irão, que pretende explicar o engano aos cristãos e contar a verdadeira história de Cristo, o profeta do islão.

Finantial Times | Gulf investor warns of EU over-regulation Um gestor de fundos do Dubai deixou o recado que a regulação dos mercados financeiros europeus torna-os pouco atractivos para investimentos. Mas após os escândalos e a crise financeira provocada pela especulação selvagem nos mercados bolsistas, ainda há quem dê ouvidos aos amantes do lucro selvagem?

Worldchanging | Measuring Genuine Progress Qual a verdadeira medida do progresso da sociedade humana? A fria estatística do lucro económico, que tantas vezes disfarça desigualdades sob uma capa de sucessos dourados, ou medidas que meçam o real progresso humano em termos de combate às assimetrias, felicidade, ambiente e também economia?

Terça-feira, Abril 29, 2008

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Starmakers are we.

Leituras

BBC | The mobile future is calling Cada vez mais a computação se desloca da secretária para o ambiente. A tendência está na computação móvel, disponibilizando os recursos informáticos em qualquer local, acessíveis via telemóvel ou PDA. O futuro está na mobilidade.

Washington Post | Where every meal is a sacrifice A crise alimentar que se avizinha já se faz sentir nos países mais pobres do planeta, onde o preço dos bens de primeira necessidade disparou, tornando grande parte da população incapaz de pagar até os mais básicos alimentos. O que para nós é mais um inconveniente, para outros é uma questão de vida ou morte.

Satanic Mills



Those...

Segunda-feira, Abril 28, 2008

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Sail the high seas!

Leituras

Kevin Kelly | The bottom is not enough O modelo wiki, open-source, em que cada utilizador é um criador de conteúdos é a grande moda do momento. Mas será desejável a democratização total dos processos de criação de conteúdos? Sim, claro. O modelo wiki é revolucionário, na medida em que transforma a relação entre produtores e consumidores de informação. De qualquer forma, o modelo wiki é enriquecido pela presença de editores, que eliminam arestas, dão coerência às produções e apontam direcções de desenvolvimento.

TSF | Ericeira multada por lesar o estado Que a estupidez em portugal atinge níveis incomensuráveis já todos sabemos. Esta notícia apenas reforça a idiotice que grassa pelas instituições estatais. O mesmo estado que incentiva a produção de energias alternativas e que afirma o seu compromisso com as questões ambientais multa entidades (e privados) que passaram a utilizar combustíveis alternativos sob pretexto que o abandono de combustíveis fósseis lesa o estado no imposto sobre os combustíveis. Desta vez, a vítima foi a junta de freguesia da Ericeira, que já há alguns anos que tem um louvável projecto de reciclagem de óleos domésticos e industriais que alimenta uma frota de veículos a biodiesel. Claro, tudo o que se diz sobre o ambiente não passam de palavras vãs - como se nota pela falta de incentivos à aquisição de veículos menos poluentes (se gastam menos combustível, o estado arrecada menos imposto), a menos que se queira considerar a artimanha financeira que é o novo imposto sobre automóveis, que na prática nada altera, um incentivo. Agora, esta injustiça é gritante, e revela o desprezo governamental pelos princípios mais elementares do desenvolvimento sustentável. Entre o fisco e o ambiente, decididamente é o fisco o mais importante.

Finantial Times | Olympics chief tells west not to hector China Não melindremos os responsáveis chineses com conversas sobre inutilidades como direitos humanos, parece ser a posição do presidente do COI. Estes jogos olímpicos de Pequim fazem recordar outros jogos olímpicos, que tiveram como anfitriã a mais negra das ditaduras que manchou a história europeia. Pequim, 2008 está a ficar para a história como uma nova Berlim, 1936.

Domingo, Abril 27, 2008

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Hip Cat?

Notas sobre Mumford

Wikipedia | Lewis Mumford
Lewis Mumford
Technics and Civilization

Lewis Mumford foi um intelectual norte-americano, autor de obras influentes que reflectem um pensamento versátil sobre o conceito de tecnologia.

Mumford apresentava uma saudável desconfiança face ao papel da tecnologia, fugindo à fé cega no progresso tecnológico e advogando um equilíbrio entre o progresso e o humanismo, particularmente nas suas ideias sobre um urbanismo orgânico equilibrando as relações entre o homem e o espaço. Na nossa era contemporânea, que tem de fazer face às ameaças e desafios provocados pelas alterações climatéricas, estas ideias de Mumford são preciosas para ajudar a repensar a ligação do homem e do planeta com a indústria, o espaço urbano e a sociedade.

Como metáfora para compreender a cidade e a civilização Mumford utilizou a máquina, descrevendo as cidades e sociedades como megamáquinas, alimentadas pelas suas instituições e pelo labor do seus habitantes e cidadãos. É uma metáfora que nos parece datada, por agora concebermos as sociedades como sistemas sujeitos a forças e fluxos que as modelam, mas uma metáfora que espelha o auge da era industrial, época em que Mumford viveu e trabalhou.

Muitas ideias de Mumford continuam hoje actuais. O uso de símbolos como elemento definidor do conceito de humanidade, ao invés do uso de ferramentas, reflecte-se na emergente sociedade do conhecimento, em rede, onde os símbolos e a sua manipulação são um conceito fundamental e em que o virtual e o intangível (a informação codificada em bits) assume preponderância sobre o real e o manufacturado. O seu conceito abrangente de técnica, envolvendo tecnologia, arte, capacidades humanas, a conjugação entre o social e o tecnológico é um pensamento humanista que nos pode levar a reflectir sobre o papel da tecnologia no desenvolvimento humano.

Sábado, Abril 26, 2008

Vinte e cinco



Um QR com toque revolucionário. Legível via telemóvel ;-)

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A estética cortante berrante e gritante dos não-espaços do dia a dia urbano. Os espaços mais comuns da nossa rotina - a estrada engarrafada, a cabine de portagem, o acesso rodoviário, a bomba de combustível, o parque de estacionamento, o nó de acesso e confluência de fluxo de trânsito. Espaços negativos.

Leituras

Reuters | US arms sales to OPEC at risk over oil Se não baixarem os preços do petróleo, os países do médio oriente que se adornam com sistemas de mísseis, aviões de combate e outros armamentos avançados podem ver limites impostos às compras de armamento americano. É o tipo de notícia que nos faz matutar na pura idiotice a que chega a geopolítica global: em vez de enfrentar o problema do consumo de combustíveis fósseis, ameaça-se os produtores de petróleo de lhes tirar os brinquedos letais.

BBC | Italy's Padre Pio goes on display O momento necrófilo da manhã: em respeito à memória deste santo católico, o seu cadáver vai ser exibido dentro de um caixão de vidro numa igreja do sul de Itália. Uma notícia que nos traz um ar refrescante de medievalismo.

Technology Review | Una Laptop por niño O projecto OLPC vai ser testado em grande escala no Peru, país onde a pobreza é tão avassaladora que as crianças dos bairros de lata urbanos são consideradas demasiado favorecidas para poderem receber um dos famosos computadores a 100$.

The Atlantic Monthly | Global warming: who loses - and who wins? O aquecimento global e os desastres climatéricos como oportunidades de negócio. Enquanto as zonas equatoriais sofrem os efeitos devastadores de secas e destruição ambiental, as zonas mais a norte, agora cobertas de gelo, poderão ser os novos motores económicos do planeta. Sim, a destruição ambiental pode ser uma excelente oportunidade de negócio: aposte em terrenos no norte gelado, aposte em terrenos montanhosos, e veja os seus lucros crescer quando a subida do nível das àguas tornar as terras altas em terrenos altamente apetecíveis pelos imobiliários. Ou então aposte na compra de recursos aquíferos em países ameaçados pela seca, e lucre cobrando o que quer para acalmar a sede dos pobres desgraçados que procuram desesperadamente uma gota do precioso líquido. Ou aposte em armas: com o aquecimento global, são de esperar conflitos pelo controle das terras do agora norte gelado ou da antártida, bem como guerras locais pelo controlo de cada vez mais escassos recursos naturais. A humanidade, e o planeta, podem estar em risco de colapso. Mas não há razão para não enriquecer enquanto a nossa civlização se desmorona.

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Vinte e Seis

Nestas coisas do 25 de Abril há sempre quem olhe para nós com aquele olhar de conhecedor, e reflicta, em voz grave, que é amante das comemorações do 24 de Abril. Eram velhos mas bons tempos, dizem, em que não se assistia à rebaldaria de hoje em dia. Eram outros tempos. Por outro lado, há os fanáticos do 25, que frisam sempre o grande marco na luta revolucionária pela liberdade que se viveu neste dia tão especial. O viva é palavra que nunca anda longe do seu vocabulário.

Viva?

Mas eu vivo. Não interessam os regressos ao passado autoritário, ao passado de miséria e obscurantismo. E os revivalismos revolucionários também pouco longe nos levam. Recordemos esse dia tão especial que se viveu há mais de trinta anos. Foi, e será, um ponto de viragem na história e nos destinos do noss país. Olhemos para trás, mas não passemos a vida a olhar para o retrovisor. Particularmente nestes tempos difíceis, olhemos em frente: comemoremos o 26 de abril. Recordemos o passado para dele lhe retirarmos as lições para pôr mãos à obra e construir o nosso futuro.

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A angústia do condutor no momento do engarrafamento.

Quinta-feira, Abril 24, 2008

Desabafo.

Prometo, em jeito de diário cuja leitura só interessa a quem o escreve, que um dia registo aqui impressões sobre o momento complexo que estou a atravessar, por um lado estimulante e fascinante (a aventura de um mestrado), por outro desanimador e difícil (colapsos familiares). De qualquer forma, uma coisa é certa: perdi as minhas ilusões sobre este país. Este é um país proibitivo para pessoas honestas, que tentam levar a sua vida. Vivemos subjugados por uma classe política inepta para tudo menos controlar um aparelho de estado perfeitamente ineficaz para apoiar os seus cidadãos, que crê piamente numa retórica de estatística que mal disfarça um país de realidades sociais destroçadas. Safam-se os corruptos, protegidos por um sistema judicial paralisado e por um sistema económico desajustado da realidade económica da maioria da população. Em suma, um país impossível. Bem vindos a portugal. Agora, fujam.

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