Quarta-feira, 7 de Março de 2012
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Vuzz
Philippe Druillet (1985). Vuzz. Paris: Dargaud
Visceral e surreal, esta fantasia violenta de Philippe Druillet está firmemente ancorada na iconografia da banda desenhada dos anos 60 e 70 do século XX. Num traço elegante e psicadélico, o autor mostra-nos o périplo de um anti-herói por entre um desolado mundo fantástico. A ler, para ficar a conhecer uma referência clássica da bande dessinée.
Segunda-feira, 5 de Março de 2012
Domingo, 4 de Março de 2012
Universidade Católica - Cursos de Formação
A Universidade Católica Portuguesa lançou cursos de formação na área das Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. A lista completa de ofertas pode ser consultada na página da Escola de Pós-Graduação. A meu cargo está o curso de Formação Avançada em Introdução ao 3D Genérico onde serão utilizados alguns programas de modelação e animação 3D e VRML/X3D para criação de mundos virtuais em contexto educativo, mostrando como fazer de forma simples, incentivando a criatividade pessoal. É uma formação introdutória, destinada a todos os que gostariam de ter uma iniciação ao 3D e mundos virtuais. As inscrições podem ser efectuadas online. Para os que pensarem que é muito difícil... vou fazer aquilo que faço com crianças do 1º e 2º ciclos e que podem consultar no 3D Alpha.
Eagle II
A brincar com o modelo em VRML do Eagle que fiz para o mundo virtual Moon Films. A versão VRML é diferente, mantida na paleta de cores e sem texturas gráficas. E o Bryce vai servindo para criar umas imagens bonitinhas, cheias dos brilhos e reflexos que o VRML/X3D não permite.
Versão dois, em resposta a um desafio via facebook: porque não colocar uma imagem de fundo? E porque não construir um fundo, respondi...?
Versão 3. Cuidado, as naves começam a multiplicar-se. Aqui as luzes atmosféricas levariam a renderização para a órbita das doze horas, por isso limitei-me a luzes esféricas.
Sábado, 3 de Março de 2012
Inexistência do local
Para quem não viaja, a literatura de viagens pode-se tornar uma forma estranha de ficção. Para aqueles que ficam em terra porque o dinheiro não chega para os quilómetros que se deseja fazer, ou falta de inclinação para fazer as malas e ir até aos recantos mais recônditos do globo. Afinal, como saber se o Japão percepcionado por Pico Iyer, o Chile percorrido por Luís Sepulveda, a América de Stephen Fry ou a vastidão da Patagónia descrita por Bruce Chatwin são locais reais, ou fragmentos da imaginação dos escritores? Sem lá ir, sem sentir o vento frio e a arquitectura das regiões distantes, nada nos garante que as palavras dos autores descrevam sítios tão imaginários como as féericas cidades invisíveis de Ítalo Calvino. Certo, estou a exagerar. Mas não resisti a este pensamento tido ao ler as primeiras páginas de Hav por Jan Morris, um guia de viagem a um local inexistente que aquando da sua publicação levou a solicitações sobre agências de viagens por parte de turistas aventurosos que gostariam de conhecer a cidade-estado presa à costa turca por um istmo montanhoso...
Não consigo deixar de pensar que todas as viagens literárias são no fundo périplos à volta do nosso quarto, como observaria De Maistre. O mundo é um local real, e podemos sempre pontapear pedras como o bispo de Berkeley para o demonstrar, mas a percepção que temos do mundo reside apenas dentro do nosso espaço mental. Uma duplicidade tão humana que pode tornar inexistente um local real.
Não consigo deixar de pensar que todas as viagens literárias são no fundo périplos à volta do nosso quarto, como observaria De Maistre. O mundo é um local real, e podemos sempre pontapear pedras como o bispo de Berkeley para o demonstrar, mas a percepção que temos do mundo reside apenas dentro do nosso espaço mental. Uma duplicidade tão humana que pode tornar inexistente um local real.
Sexta-feira, 2 de Março de 2012
Comics
From Hell: Alan Moore canaliza a dèrive de Iain Sinclair num capítulo onde a colisão entre arquitectura e misticismo é revelada pelas divagações de William Gull. O traço expressionista de Eddie Campbell dá alguma crueza ao ar misticista.
Clive Barker's Hellraiser #11: a Boom! Studios repescou o clássico Hellraiser mas inverteu os papéis. Digamos que a Kristin é agora a Pinhead. De caminho, uma reflexão sobre estados de alma. Sempre sem remorsos, mas há dias fáceis e outros nem por isso.
Green Wake #10: lamentavelmemte, apesar das excelentes críticas, este comic termina por falta de vendas. É pena. Green Wake era um comic surral, obscuro, misterioso, com um grafismo de excelência e uma longa meditação sobre o poder dos sonhos. O final parece apressado, com a revelação do mistério por detrás de Green Wake... que afinal se mostra pouco bombástico. Um inferno diferente. Para a memória (e para a estante quando sair o TPB) fica um dos comics mais interessantes do último ano.
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Shutterbug Follies
Jason Little (2002). Shutterbug Follies. Nova Iorque: Doubleday.
Se o enredo desta obra não é particularmente fascinante, andando às voltas com um certo voyeurismo, crimes e lojas de revelação fotográfica, é na ilustração que Shutterbug Follies encanta. Desenhado num misto de linha clara de Hergé com o urbanismo de Daniel Clowes ou Adrian Tomine, esta obra agarra pela sua qualidade estética. Tem alguns momentos de brilhantismo, ao colocar-nos na posição de espectadores ávidos que contemplam a intimidade humana registada nas banais fotografias pessoais.
Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Eagle
Não satisfeito com alguns pormenores, refiz o cockpit do Eagle embora sem os detalhes completos. Afinal, isto é uma experiência...
O objectivo deste projecto é o de criar um modelo em X3D para um mundo virtual. A seguir há que criar a base e integrar com os modelos já existentes. Mas não resisto a uma exportação em DXF para tratamento no Bryce. Em VRML gosto de deixar as coisas simples e trabalhar com as paletas de cores existentes, apesar de um pouco limitadas, e fugir a imagens de textura. Quanto menos ficheiros dependentes melhor. O Bryce dá aquele deleite de um certo hiper-realismo digital. E nesta renderização é que se começa a ver onde é que eu amarfanhei o modelo...
Ciência à bomba
- Ó stor, posso pôr aqui uns canhões?
- Mas estás a modelar um barco de pesquisa científica. Agora a ciência faz-se à bomba, com explosões?!?
- Pronto stor, não ponho... diz o aluno com um ar um pouco triste.
A progredir nos peixes pelágicos. Nesta fase, alguns alunos estão a modelar em DogaL3 objectos específicos para a animação - barcos e ROVs e outros a preparar o cenário para a animação 3D. Sem canhões. Por muito que reclamem...
Camera Obscura
Lavie Tidhar (2011). Camera Obscura. Nottingham: Angry Robot Books.
Situado no mesmo universo imaginário que o fantástico voo de imaginação que foi The Bookman, Camera Obscura regressa aos temas de intriga conspiratória e mistério de ficção científica de sabor retro que Lavie Tidhar recria com mestria. Desta vez, o palco muda para Paris, cidade-luz e capital da república dos autómatos onde uma bela agente secreta ao serviço de uma sociedade secreta se vê envolvida na busca de um artefacto que todos crêem ser de grande poder, mas que afinal é uma sonda possibilitadora de abertura de buracos no espaço-tempo de onde pode sair uma invasão de alienígenas futuristas.
Este intrigante e divertido romance não se esgota nestas linhas. A personagem principal tem de se mover entre intrigas internacionais, agentes secretos, operacionais quase super-humanos contaminados por uma substância capaz de dar vida aos mortos, grupos chineses mestre em artes marciais, autómatos que prolongam a vida de personagens influentes (o marquês de Sade está particularmente bem conseguido) e um verdadeiro desfile de personagens inspiradas na literatura de época. Tudo no cenário steampunk que Tidhar criou para esta série. Pura aventura, robots mecânicos, intrigas internacionais numa história alternativa, e um enigmático disco voador no final do livro a deixar um prenúncio do que virá a seguir. Se The Bookman foi um fantástico voo de imaginação cheio de ideias fascinantes, Camera Obscura consolida o universo criado pelo autor. E o que se seguirá?
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Eagle WIP II
Praticamente pronto. Falta-me rever o cockpit, onde me enganei nas janelas e ainda gostaria de o deixar mais pormenorizado. O modelo está bastante fiel à imagem de referência que arranjei. Só as treliças e estrutura exterior é que estão amarfanhadas. Isto de reposicionar objectos com precisão nas coordenadas XYZ é duro.
Muito detalhada, mas com alguma falta de pontos de vista que me dificultou o trabalho. De qualquer forma, a ideia era tentar criar um modelo para um dos meus mundos virtuais e melhorar a proficiência na criação de objectos 3D. Utilizei apenas o Vivaty Studio, para me obrigar a treinar construção de objectos complexos com extrusões, revoluções e operações booleanas.
Uma das coisas boas do VRML é a leveza dos ficheiros. O ficheiro Vivaty tem cerca de 3 Mb. Exportado como X3D, com compressão, todo o modelo pesa uns meros 253 kb. Leram bem. Kb. VRML não comprimido, 1.9 mb. E DXF para importação para outros programas, 18 mb (o que não surpreende pela quantidade de objectos que compõem o modelo). Como teste, fica uma renderização em Bryce, sem tratamento das meshes nem aplicação de texturas, para antever como ficará em imagem ou animação 3D. Quanto ao VRML... resta-me modelar o centro de comando da base Alpha. Será o centro do mundo virtual Moon Films.
Two-Step
Warren Ellis, Amanda Conner (2011). Two-Step. La Jolla: Wildstorm.
Numa Londres futurista de sanidade duvidosa um assassino zen e uma camgirl em busca de sensações fortes para a sua audiência envolvem-se com um gang violento por causa de um pénis gigante. Exacto. Leram bem. Pelo meio temos bizarrias à solta, um assassino profissional que se excita sexualmente com automóveis e momentos de filosofia ao puxar de um gatilho. Warren Ellis à solta, a divertir-se num ritmo pop sublinhado pelas cores vibrantes do estilo gráfico da ilustradora Amanda Conner.
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Branco menos branco não há
E no capítulo de hoje de momentos and now, for something completely different, estes três guaches de cor branca de uma marca que se encontra nos hipermercados, que alguns dos meus alunos têm o azar de estar a usar. O quê, não conseguem ver o branco? Pois, nós também não. Abre-se o tubo de branco e sai de lá cinzento, sabe-se lá por quê. As diversas marcas de tintas têm sempre diferenças nos pigmentos utilizados que se traduzem em pequenas diferenças nas cores pintadas. E as marcas francesas no mercado português utilizam o círculo de processo, ao invés do CMYK, que é o que ensinamos, mas daí não vem mal ao mundo e os alunos sempre ficam a saber mais qualquer coisinha. Agora, pegar em tubos brancos e sair de lá cinzento... só para tirar teimas, experimentei tubos de três alunos. De lá de dentro saiu este branco surreal.
Shivering Sands
Warren Ellis (2009). Shivering Sands. International Electrophonic Unit.
Mais conhecido pelo seu trabalho como argumentista de banda desenhada, Warren Ellis é um escritor e personalidade da internet com um dedo firmemente assente no pulso da sociedade contemporânea. Shivering Sands é uma obra atípica. Durante anos, Ellis escreveu ruminâncias que espalhou em diferentes locais na internet. Este livro é uma colectânea de alguns dos seus apontamentos, colagem díspare de ideias, resmungos, visões sobre a cultura popular, impactos mediáticos, futurismo agressivo e puros voos de sanidade duvidosa. Enfim, para quem conhece a sua obra, puro Ellis, não destilado e servido sem gelo.
O que torna a obra deste autor intrigante é a sua capacidade de digerir e incorporar na ficção as ideias mais vanguardistas da cultura e ciência em utopias distópicas pouco simpáticas. Ellis começa este livro dizendo que a sua fonte de inspiração é um fluxo constante de informação, que coalesce na sua mente e explode literalmente para as páginas que escreve. Ler Shivering Sands é ser atingido por uma explosão cerebral que liberta sobre o leitor uma violenta tempestade de ideias.
Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
Eagle WIP
Entre outros projectos de 3D na internet que tenho entre mãos (em breve novidades e um concurso) dediquei-me a reformular o mundo Moon Films, que criei para testar uma técnica de incorporar vídeo em janelas nos mundos em VRML/X3D desenvolvida pelo Dr. Vítor Cardoso. E é uma boa desculpa para modelar foguetões e naves espaciais, e entreter-me com retro-futurismos e filmes clássicos sobre viagens à lua. Prometo que arranjarei forma de meter no meio de luminárias como o Tintin, os projectos de Von Braun e o foguetão Friede coisas um pouquinho mais esotéricas, como Luciano de Samosata, Cyrano de Bergerac (modelar cisnes, eis um desafio) e, claro, Randolph Carter.
O desafio agora é recriar um módulo Eagle, da saudosa série Espaço: 1999 que segui religiosamente na minha infância. Quando em conversas de café se entra em reminiscências sobre a televisão da infância da geração a que pertenço, costumo ficar com uma expressão neutra, e confesso que todas as referências dadas não significam nada... porque, francamente, apenas as séries Ulisses 31, Galactica e Espaço: 1999 mereciam a minha paixão.
Havia formas mais simples de fazer a coisa. Podia ter montado algumas partes no DogaL3 e o restante no Vivaty Studio. Para me desafiar, decidi modelar tudo no Vivaty. E está a ser mais complexo do que pensava. Um cubo truncado, tão fácil de criar em Google Sketchup, quase estoirou os meus neurónios no Vivaty. Particularmente quando pensei que essa é uma forma pré-definida no DogaL3. Mas o exercício e esforço fazem bem às minhas capacidades auto-didactas de modelador 3D. Não fica perfeito, mas o próximo modelo que criar já incorpora as lições que aprendi e ficará melhor.
Uma lição que já aprendi é a de em modelos complexos, separar o trabalho em módulos e ficheiros individuais. Mais vale ter bastantes ficheiros com componentes que depois se mesclam no modelo final do que um ficheiro gigantesco que se torna difícil de gerir.
(WIP, já agora, é Work In Progress.)
De todas as naves imaginadas pela ficção científica, sempre achei os módulos Eagle como plausíveis, pela sua estrutura modular segura por treliças e modos de propulsão. E as treliças serão o próximo passo no desafio de recriar em VRML um Eagle. Por enquanto, só o exterior, mas quem sabe, um destes dias perco de vez o siso e começo a recriar um Eagle com o interior acessível.
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