sábado, 25 de junho de 2022

quinta-feira, 23 de junho de 2022

H-alt: Na Prisão


Desenhado com um estilo gráfico muito pessoal, Na Prisão lê-se como um exorcizar acrítico de memórias e experiências. Registo gráfico autobiográfico, procura serenidade e não a crítica profunda. Mostra-nos que, para muitos, e talvez também para o autor, a opressão do cárcere é uma libertação do fardo do ser. Resenha completa em H-alt: Na Prisão.

terça-feira, 21 de junho de 2022

H-alt: CoBrA: Operação Goa


Através do ângulo da espionagem, este Operação Goa faz regressar à memória um episódio algo esquecido da história portuguesa do século XX. Um excelente trabalho narrativo, bem acompanhado a nível gráfico, uma das boas propostas de leitura do panorama de banda desenhada portuguesa deste ano. Resenha completa em H-alt: CoBrA: Operação Goa.


domingo, 19 de junho de 2022

URL

Esta semana, destacamos o novo Doctor Who, lançamentos de mangá e a recuperação psicológica pós-bom livro. Recorda-se o Clippy, robots artísticos e criatividade baseada em inteligência artificial. Ainda se fala do novo xadrez global, e das bombas de carbono criadas pela indústria petrolífera. 

Ficção Científica e Cultura Pop

70s-pop-80s:Artist: Kazuo Kamimura: O título diz tudo.

4820) "Deus ex Machina": Um olhar erudito para este artifício literário, entre o estereótipo e os desvios.

TOP GUN: MAVERICK, Lady Gaga e o SR-72: Com a estreia por perto, começa a promoção ao novo TopGun. Um filme que até é capaz de se safar bem nos cinemas. O azar dos atrasos nas filmagens induzidos pela pandemia é capaz de ser compensado com um sucesso comercial porque, com a guerra ucraniana, o militarismo voltou a estar na moda. Não espero muito do filme, mas o meu lado de puto de 9 anos interior apaixonado por aviões vai-me obrigar a ir ao cinema, só para ver os F-18s. 

Doctor Who: BBC Introduces Our Next Doctor, Ncuti Gatwa: Já temos o décimo quarto Doctor, e... bem, digamos que o coro de fãs rabiosos que já não lidavam bem com o último Doctor ter sido uma mulher, irá mesmo espumar com a "decadência e rendição ao wokismo" da série. Eu, por mim, só pergunto: Doctor Who é um alienigena que se mimetiza para ajudar uma Humanidade que ama. Porque é que tem de se resumir ao estereótipo do quirky british man? Esta série sempre foi progressista na sua visão, não surpreende esta abertura à diversidade, que, claro, também reflete a evolução dos espectadores e da sociedade em geral. O progressismo também é um mercado a explorar. Por mim, o que interessa é que Doctor Who seja sempre irreverente, quirky, inventivo, e resolva as crises com a sua chave de parafusos sónica.

We Do Talk About John Bruno's Debut Graphic Novel, Navigator: Um livro escrito e ilustrado por um artista de efeitos visuais que trabalhou nalguns dos filmes mais visualmente apelativos dos últimos anos. Pode ser interessante, ou pode não passar de um exercício de estilo.

BBC Reveals Secret "Woke Agenda" with Latest Doctor Who Casting: O Bleeding Cool, brilhante, a gozar com todos os "eu não sou racista mas.." que estão enfurecidos com o tom de pele do novo Doctor (pobres coitados, nem sabem se hão de exultar por já não ser uma mulher, ou derreter-se de fúria). Sim, há discriminação woke em Doctor Who. Para saber qual, terão de ler o artigo...

George Perez, Who Helped Define The Wonder Woman We Know Today, Has Died At 67: Quando comecei a ler comics, fiquei surpreendido com algo de inesperado - a invasão da estética da antiguidade clássica em Wonder Woman. Culpa deste criador, um dos grandes nomes dos comics do século XX.

Various – Thai Beat A Go-Go Volume 1 (Wild And Rockin’ 60’s Sounds From The Land Of Smile!) Garage Beat, Novelty, Luk Thung, Rock & Roll, Funk Music Album Compilation: Sons retro? Mas claro, estas compilações psicadélicas são sempre um delírio. A tocar em alto volume.

How To Recover Post-Great Book: Compreendo o drama, também passo pelo mesmo, quando um livro me agarra ou toca em especial. O remédio? Ler mais livros.

The Best History Books: the 2022 Wolfson Prize Shortlist, recommended by Carole Hillenbrand: Uma interessante lista de excelentes propostas de livros de história. Confesso que o God me deixou curioso, pela forma como parece desmontar os mitos cristãos.

Ilha dos Gatos, de Tokushige Kawakatsu: Ainda com poucos detalhes, mas as propostas da Sendai são sempre inesperadas.

Top Gun: Maverick Review: A High Flying Great Time At The Movies: Suspeito que será um belo filme para desligar o céu, e desfrutar dos aviõezinhos. Cérebro, não céu.

Tecnologia

Bob Larkin: Space opera pura.

Cathode Ray Context: Uma tecnologia hoje relegada para a retro computação, mas que foi essencial para a imagem nos ecrãs, e também com outras aplicações.

Mysterious armed robot tank spotted in Israel: Alguém disse tanques robóticos autónomos? Em Israel, estão a ser desenvolvidos.

Cómo funciona una sencilla sumadora mecánica del siglo XIX, antepasada de las calculadoras portátiles, vista por rayos X: Vá, um docinho visual para os fãs de engenhocas mecânicas. Uma calculadora mecânica a funcionar, vista ao raio-x.

Qué fue de Clippy, el célebre asistente de Microsoft que terminó defenestrado para volver 20 años después: Suspeito que a revalorização recente do Clippy se deva a uma certa nostalgia irónica do passado digital. Talvez, perante a incapacidade de distinguir se o que nos ajuda é artificial ou humano, este regresso a um ícone de ajuda pateta que funcionava mal nos alivie da pressão da inteligência artificial.

El repentino entusiasmo por una sociedad sin efectivo ni cartera física: la meta del geek y el acomodado, un drama para el pobre: Os prós e os contras de uma sociedade sem dinheiro físico, recordando que há pessoas que não têm condições para ter contas bancárias, que a tecnologia avaria (e as notas em papel não), dos riscos de hipervigilância, uma vez que todas as transações digitais são registadas. E, num pormenor curioso, que a experiência sueca de digitalizar ao máximo a sua economia foi revertida, porque a falta de dinheiro físico fez com que, de facto, o estado sueco perdesse um elemento de soberania e controle público sobre a economia.

The Dutch Tax Authority Was Felled by AI—What Comes Next?: Sabemos que o enviesamento de algoritmos é um dos graves problemas da Inteligência Artificial. Este exemplo é exemplar, as autoridades de finanças holandesas demitiram-se, na sequência de um escândalo que trouxe à luz desigualdades induzidas por erro algorítmico na atribuição de subsídios.

Metadados, a lei que nem sabias que existia e uma questão de privacidade: Uma excelente análise à decisão do Tribunal Constitucional em chumbar a lei dos metadados, a partir das denúncias da D3.

How A Smartphone is Made, in Eight “Easy” Blocks: Um olhar para os componentes essenciais de um telemóvel.

Is AI-generated art really creative? It depends on the presentation: Por esta altura, apenas os mais deslumbrados e tecno-optimistas é que ainda acreditam que os algoritmos são criativos (ajuda um óbvio desconhecimento dos conceitos de criativade e expressão artística). O que não quer dizer que não sejam tremendas ferramentas criativas.

A Popular Face Swap App Is Advertising Deepfakes on Porn Sites: Bem, na verdade não é nada de inesperado. As apps que nos permitem criar deepfakes com as fotos e vídeos que quiseremos têm este potencial, que pode levar a muitas situações complicadas. 

Newly-developed lensless camera uses neural network and transformer to produce sharper images faster: A malta já se queixa que as fotos dos mais recentes iPhones são estranhas, porque o resultado é determinado pelos algoritmos. Esta técnica é um passo mais adiante - é o algoritmo de visão computacional que determina o conteúdo da imagem que vê. Há aqui um lado poético, surreal, de visões artificiais que não correspondem ao real, mas sim à interpretação que o algoritmo faz do real.

Throwback: Creative Robotics: Quem disse que os robots industriais não conseguem ser elegantes e graciosos? 

This is the first image of the black hole at the center of our galaxy: Fascinante, contemplar o centro massivo da nossa galáxia. Ciência, no seu mais espantoso.

Google Maps is turning the world into one huge SimCity model: Se isto vos parece magia... uma palavrinha: fotogrametria, alicerçada na enorme base de dados de imagens de satélite e outros dados recolhidos pela Google. É o ingrediente secreto desta tridimensionalização do Maps.

Robots and Humans Make Murals Together: Das possibilidades artísticas da robótica e prototipagem rápida, associadas à criatividade humana.

Modernidade

If magazine, May-June 1970, cover by Jack Gaugh: Algo ominoso.

The best books on NATO, recommended by Mark Webber: Cinco livros para conhecer a história da NATO, a sua importância e significância contemporânea.

When did the Medieval Period End?: Marcar com rigor o fim da idade média é algo curiosamente controverso. Depende da nacionalidade do historiador, da perspetiva com que analisa o mundo.

What Did Medieval Peasants Know?: Desafiar a visão da idade média como um tempo primitivo e obscurantista. Foi complexo, culturalmente rico, e muito turbolento.

Tour Persian Persepolis: Uma nova exposição virtual permite-nos mergulhar na antiga Pérsia, nis seus vestígios arquitetónicos e culturais.

O Massacre de Nanquim: Recordar uma das maiores atrocidades da II Guerra, o massacre selvagem dos habitantes da cidade de Nanquim às mãos das tropas japonesas. Onde, numa curiosa inversão da história, o cónsul da Alemanha nazi na cidade se tornou uma força salvadora, ao garantir refúgio para chineses no consulado e escola alemã da cidade. Um momento incómodo da história, que colide com a imagem do Japão no pós-guerra.

The World Order Reset: Via John Naughton, cujo Memex é uma leitura obrigatória, este muito longo artigo sobre o corrente estado das coisas. Da inesperada fragilidade do imperialimo russo e as suas consequências, ao balde de água fria sobre uma China que esperava uma europa e américa mais decadentes e desunidas, ao ressurgimento da NATO, União Europeia e Estados Unidos face à depredação russa, ao surgir de um mito nacionalista ucraniano forjado no campo de batalha (que, se vos parece coisa típica das patetices dos extremistas de direito, basta olhar para a forma como nos vemos face aos espanhóis para perceber que é, realmente, assim que criam unidades e nações), ao uso de snações e sistema financeiro global como arma, até à fragilidade deste suposto momento de vitória ocidental. É uma leitura longa, que não nos oferece conclusões fáceis, dá imenso que pensar.

Soft Scenes of a Rough Life of Labor: Uma visão de aparente bucolismo, sobre a brutalidade do trabalho precário.

EXTREMACH LOOP EM TALAVERA: Um pouco de eye candy aeronáutico, registo de spotters que visitaram a base espanhola de Talavera.

Man Swims Through Ocean Garbage Patch for Months, Finds Amazing Life: O que não significa que este seja um ecossistema benévolo. Aliás, arrepia a descrição do mergulho em zonas onde o plástico se acumula abaixo da superfície.

U.S. Congressman Proposes Bill To Strip Disney Of Long-Held Copyrights: Comecei a ler isto com uma certa esperança de que se moviam forças políticas para reformar as políticas de direitos de autor mais a favor da cultura livre e aberta. O efeito Disney, a extensão sobre extensão de direitos muito para lá da morte do criador original, tem mantido o rato Mickey sob a sua alçada mas garantido imensos trabalhos esquecidos, orfãos, e um empobrecimento generalizado da cultura (notem, não sou anti-direitos de autor, mas sejamos razoáveis, fazem algum sentido após o falecimento dos seus detentores?). Mas não, a iniciativa vem de um daqueles políticos americanos perfeitamente doidos, que quer cercear os direitos de autor da Disney para travar o que apelida de agenda woke da empresa. Arre que é burro.

INDEX: “Uma bienal ligada à arte e tecnologia promove uma problematização desta área”: Braga é um local interessante no que toca à arte digital, o projeto GNRation tem propostas fantástica. Agora teremos esta bienal, e para enorme azar, não a posso visitar.

Neoliberalism Has Poisoned Our Minds, Study Finds: Daquelas análises que não surpreendem, chama-se a perda progressiva de sensibilidade. 

Revealed: the ‘carbon bombs’ set to trigger catastrophic climate breakdown: Se há artigo a ler, é este. Uma análise implacável, que desmonta a falácia dos discursos ambientalistas de políticos e empresas energéticas. Enquanto publicamente falam do seu compromisso com tecnologias verdes e sustentabilidade, em privado aprovam investimentos massivos na extração de combustíveis fósseis, e gozam dos lucros inflacionados pela situação em que vivemos (a invasão da Ucrânia tem sido um verdadeiro brinde para as petrolíferas). Entretanto, aquecimento global? Alterações climáticas e suas consequências? Que se lixe, certo?

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Eyes of the Void


Adrian Tchaikovsky (2022). Eyes of the Void. Nova Iorque: Orbit.

Efeitos da maldição das trilogias, leio recorrentemente nas análises à literatura de ficção científica contemporânea. Os editores gostam de livros nesse formato, o público talvez não, mas vai seguindo os seus autores favoritos. O resultado são histórias que seriam excelentes em livro único, autocontido, a arrastarem-se em vários volumes. Com a maldição especial do segundo livro da trilogia, que costuma ser o mais mal amado: não pode ser suficientemente bom para eclipsar o antecedente e o sucessor, mas também não pode deixar os leitores perderem a curiosidade com o rumo da narrativa.

Eyes of the Void sofre destes males todos. A história lá avança, em direções interessantes. Temos a progressiva ameaça dos Arquitectos, cada vez mais destruidores de mundos. Temos o falhanço das tecnologias que pareciam ter sido bem sucedidas a travar esta ameaça, os vestígios arqueológicos da civilização galáctica extinta que poderá ter criado a infraestrutura necessária para viagens translumínicas deixaram de ser eficientes. A humanidade está à beira de uma rutura, com alguns setores poderosos a conspirar para causar uma guerra, e com isso transformar a humanidade de colónias planetárias numa espécie à deriva pelo espaço em naves-mundo. E, no meio disto, as personagens de sempre, constantemente envolvidas em aventuras. Uma das quais irá revelar a natureza da ameaça,  o seu ponto de origem.

Se o livro desbrava terreno, perde-se imenso em inúmeras peripécias de ação que se percebe terem sido expressamente criadas para encher páginas. Não que o livro não funcione, mas o seu saldo final é menos sumarento do que o volume promete. No entanto, Tchaikovsky é um dos melhores praticantes contemporâneos de Space Opera, mesmo quando está a escrever a metro. Eyes of the Void é claramente uma ponte entre o primeiro e o último livro da trilogia, apontando para um final complexo e explosivo.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Insight


Bruno Soares (2022). Insight. Oeiras: Divergência. 

Bruno Martins Soares é um dos nossos melhores praticantes da arte de contar uma boa história. Daquelas que se lê não pela profundidade literária, mas pelo prazer de ser conduzido ao longo de uma narrativa bem urdida. Literatura também é isto, mergulhar numa história bem tecida, onde toda a linguagem está otimizada para agarrar o leitor. Insight, a sua mais recente edição por cá, mostra muito bem essa capacidade, com uma história inesperada, bem ritmada e surpreendente.

Tudo começa numa pacata cidadezinha americana, onde a felicidade de um casal é abalada pela morte da mulher. Uma morte que se parece refletir em especial no jovem filho do casal, assumindo contornos de mistério e sobrenatural com o aparecimento de estranhas pessoas e visões da mulher que, apesar de morta, parece comunicar por linhas de código e jogos de palavras. À medida que os eventos misteriosos se adensam, acabamos por perceber que... ok, paro aqui, se continuar revelo um major spoiler desta história, que vale mesmo a pena ser lido e descoberto. Digamos que quando estiverem a ler o livro e chegarem a esta parte, vão ficar surpreendidos, com uma viragem totalmente inesperada, que troca as voltas ao leitor.

Se a elegância escorreita de uma história bem montada já é em si sedutora, a facilidade com que o autor nos troca as voltas e torna o livro ainda mais divertido. O cérebro fica boa parte da leitura a imaginar caminhos possíveis no sobrenatural, e de um capítulo ao outro é forçado a olhar para a ficção científica de uma forma inesperada, mas que faz todo o sentido. Insight é uma excelente e divertida leitura, bem urdida, que se lê sem se ser capaz de parar.

domingo, 12 de junho de 2022

URL

Esta semana, olha-se para música de videojogos retro, da monotonia nostálgica da cultura pop, e do desaparecimento de Neal Adams. Fala-se dos primórdios do CGI, da aposta europeia no Mastodon e técnicas de visualização de chips em 3D. Ainda se reflere sobre a obra de Almada Negreiros, inesperados efeitos secundários do aquecimento global, e dos abusos da História. Outras leituras vos aguardam, nos links da semana. 

Ficção Científica e Cultura Popular

1974 Dean Ellis cover art for Larry Niven’s A Hole in Space: Estética clássica.

4818) A solidão dos fantasmas: Um olhar para a ficção gótica de Karen Blixen, com uma visão curiosa sobre sexualidade e espiritualidade.

Various – Electronic Toys (A Retrospective Of 70’s Synthesizer Music) Video-Games Synth-Pop Music Album Compilation: Uma compilação de sonoridades inesperadas, vindas das estéticas dos jogos de computador clássicos.

La «paradoja de las predicciones del futuro», en la que el propio Arthur C. Clarke cayó al vaticinar su lista allá por 1964: Talvez o problema seja insistir em predizer o futuro, em vez de apenas extrapolar e antever tendências. Os oráculos raramente se cumprem.

Comic Book Industry Legend Neal Adams Died, Aged 80: Perdemos um dos grandes artistas dos comics do século XX, notável pela enorme elegância do seu traço.

BANG!31: A mais recente edição da semestral, e gratuita, revista portuguesa dedicada ao fantástico já se encontra nas livrarias FNAC de todo o país.

Quando os marcianos vieram, de Edmund Cooper: O Sci-Fi tropical recorda-nos um autor clássico, algo esquecido nos dias de hoje.

Co.Br.A. Operação Goa: Pela crítica do Pedro Cleto, suspeito que terei mesmo de colocar este livro na minha lista de leituras. Por ser banda desenhada portuguesa, que gosto de apoiar, mas também pelo tema, um lado algo esquecido da história portuguesa.

Did von Braun prophesize Elon Musk colonizing Mars?: A resposta é não, não profetizou. No entanto, é uma daquelas coincidências inesperadas que no romance do cientista, o líder marciano se chame Elon.  Na verdade, Project Mars: A Technical Tale é uma exploração das ideias de Von Braun nos domínios da exploração espacial, sob a forma de romance. Como obra literária, é atroz (vão por mim, que li o livro e sei o que sofri); em termos de ideário, idem, aspas, mas não se espera do criador das V2 e Saturno 5 elegância literária. Em termos de projeto, de especulação sobre a exploraçáo espacial, é um trabalho maravilhoso onde o homem que foi um dos pais da astronáutica a sonhar.

David Lynch’s Unfathomable Masterpiece: Um olhar para um dos filmes mais bizarros de Lynch (o que, dado o autor, é dizer muito), agora remasterizado e a regressar aos cinemas.

Star Trek's Iconic 1964 Pilot 'The Cage' Gets a Hologram Recreation: To boldly go where no hologram as gone, before.

Pop Culture Has Become an Oligopoly: Se são daqueles que sentem que a cultura pop está presa num ciclo de nostalgia e reciclagem de ideias antigos, não é uma sensação - é uma tendência. Olhar para a cultura pop de hoje é algo deprimente, surpreende-me ver tanta gente animada ocm os novos Star Trek, ou os inúmeros spinoffs de Star Wars (e é melhor nem falar na estranha moda dos filmes de super-heróis). Estamos a falar de filmes e séries que se sustentam em bases criativas com mais de meia década. Esta é uma tendência pervasiva em toda a cultura pop, instigada pelo lado económico. E que sufoca a possibilidade de novidades, de novas ideias que representem para os dias de hoje o que Star Wars e Star Trek representaram nos dias em que foram uma pedrada no charco criativo da cultura pop. É o que esta cultura de reciclagem corporativa nos retira, o espaço para pedradas no charco.

Tecnologia

Shusei Nagaoka: Utopias

Hiding a photo inside another photo: Uma curta, e bem explicada, explicação da tecnica de estenografia, que permite criptografar uma imagem dentro do código de outra imagem.

Qué fue de las PDA Palm, el eslabón perdido de los smartphones que brilló en los años 90: Fui utilizador entusiasta destes PDAs, uma das primeiras plataformas acessíveis de computação móvel, que nos finais dos anos 90 permitiam fazer o tipo de coisas que hoje se tornaram rotina nos smartphones.

Early CGI Was Horrifying: De facto, sob o ponto de vista estético, grande parte dos filmes experimentais gerados em 3D eram horríveis. Em parte, pelas limitações de uma técnica a ser, literalmente, inventada a cada filme, dentro do hardware pouco potente da época. Mas também por serem criados por investigadores e não animadores, o que explica algumas escolhas profundamente bizarras.

Los 159 mejores cursos gratis online de las diez mejores universidades del mundo en 2022: Muitos destes cursos, em MOOC de acesso gratuito, permitem aprender conceitos fundamentais de tecnologia.

The X-Ray Tech That Reveals Chip Designs: Para analisar o bom funcionamento dos chips, estes investigadores estão a desenvolver técnicas de raios X que permitem uma visão tridimensional do microscópico interior dos circuitos integrados.

"¿Has probado a reiniciar?": la solución mágica de los informáticos no es un mito y hay una explicación técnica: Afinal, o desliga e volta a ligar tem a sua razão de ser. Não resolve (obviamente) erros de hardware, mas ao limpar a memória, resolve os erros acumulados.

How To Find Out Where an Image Came From Using Online Tools: Um conjunto de ferramentas de pesquisa inversa de imagens, muito útil para perceber a origem de uma dada imagem. Especialmente em contextos de redes sociais, onde perfis falsos que se apropriam de imagens legítimas abundam.

Apple Releases Self Repair Kit: Não resisto à piada. iRepair? Se bem que este pivot da Apple no sentido da possibilidade de reparações independentes me parece prenda envenenada, reparar dispositivos com o nível de integração de um iPhone não está ao alcance de muitos.

So long, Wordle—Knotwords is my new daily word-game obsession: Confesso que ainda não me cansei do Wordle (na sua versão portuguesa), mas cometi o erro de investigar o Knotworlds. E fiquei logo agarrado.

Europe Starts Its Own Social Networks: Provavelmente não irão levar muito a sério esta iniciativa, mas é muito simbóloca e significativa. A Comissão Europeia decidiu apostar no mastodon, a rede social federativa, criando a sua própria instância. Faz todo o sentido, não basta legislar e arengar contra as redes sociais comerciais. Há que mostrar alternativas.

El archivo «security.txt» ya es oficialmente el RFC 9116; proporciona información sobre seguridad y vulnerabilidades en los sitios web: Uma proposta interessante, agora normativo, que torna legível a máquinas os dados públicos de segurança dos sites.

For Once, The Long Arm Of John Deere Presses The Right Button: O pulso rijo que as empresas que manufaturam alfaias agrícolas mecanizadas exercem sobre os seus veículos tem sido um enorme ponto de polémica. Especialmente no que toca ao direito a reparar, com as empresas a proibir intervenções externas ou a processar aqueles que, pensando que por terem adquirido as máquinas poderiam fazer delas o que quisessem, violavam os ditames empresariais. Mas, como até um relógio avariado está certo de vez quando, desta vez a capacidade de desabilitação remota do hardware veio a calhar, para castigar saqueadores russos que roubaram material agrícola à Ucrânia.

Scientists Say There’s an ‘Anti-Universe’ Running Backward in Time: Física. Não há volta a dar. Consegue ser mais estranha, na forma como analisa as possibilidades do real, que a ficção científica mais arrojada.

A visit to the human factory: As possibilidades e avanços tecnológicos que sustentam os robots humanóides.

Modernidade


Noriyoshi Ohrai: Recordar que o dia 4 de maio já passou.

Da Troika à República dos Airbnbs: Que modelo de desenvolvimento sustentável queremos para Portugal? Uma sucessão de modas económicas frágeis perante as conjunturas internacionais, enquanto os nossos profissionais bem treinados trabalham fora do país, ou um país com bases sólidas que permitam projetos a longo prazo?

JUSTLX, uma das maiores feiras de arte contemporânea, regressa a Lisboa em maio: Confesso que fiquei curioso, e com vontade de visitar, para conhecer obras e tendências.

Em Alcântara, esconde-se uma estação de comboios que nunca chegou a abrir: Mistérios, segredos ou acasos do urbanismo lisboeta. É curioso que a razão pela qual esta estação não utilizada existe é muito boa. Aquando da construção da linha de caminho de ferro, foi projetada e construída sabendo que, se mais tarde fosse necessária, seria mais simples abrir do que construir de raiz.

Advisor to Ukraine’s President Says Russia Is Preparing a ‘Zerg Rush’: Que, se olharem para a história russa, tem sido essencialmente o seu grande trunfo militar, o afogar o inimigo com multidões de carne para canhão. Funcionou na II Guerra...

‘Brexit ruined my business almost overnight’: UK dealer says his income has plummeted by 60% since Britain left the EU: No shit, sherlock? Parece que afinal, reerguer barreiras dificulta a vida à maioria das pessoas.

Boeing and Saab unveil first T-7A Red Hawk Advanced Trainer jet to be delivered to US Air Force: Diga-se que o novo avião de treino americano é uma aeronave muito elegante. 

Ver de verdade: a representação visual da Liberdade: Um ensaio sobre as iconografias da liberdade, a evolução das imagens e símbolos que associamos a estes ideais.

Putin Isn’t the Only Autocrat Misusing History: Como observa bem o artigo, o orwellianismo de quem controla o passado, controla o futuro, continua bem vivo. É um dos elementos que caracteriza os autoritarismos no palco global, como forma de legitimar regimes repressivos em narrativas de proteção da nação. Uma tática bem antiga, ainda muito usada.

‘Stop Spreading Fake News: The Ghost Of Kyiv Is A Legend’, Ukrainian Military Says: A lenda do ás ucraniano que nos primeiros dias de guerra abateu, sozinho, uma verdadeira frota de aviões russos é apenas isso, uma lenda. O tipo de mitos que surgem nos campos de batalha.

Como Compreendemos o que Lemos: Uma análise aos mecanismos que permitem ao cérebro fazer algo cuja complexidade nem nos apercebemos - descodificar os símbolos gráficos das letras, interpretar palavras e significados.

7 Puzzles That Perplexed People for Centuries: Quebra-cabeças intemporais.

Extreme Drought Will Turn Up Previously Submerged Dead Bodies in Nevada, Cops Say: Resultado: os próximos grandes defensores do ambientalismo serão os mafiosos, que isto do aquecimento global secar os rios onde despejam os corpos das suas vítimas, é algo incómodo. É daqueles pormenores que, se inventado, iria parecer um exagero.

US pushing Portugal to cede some M113 APCs to Ukraine: O apoio português à Ucrânia, pelos vistos, vai ser reforçado.

Painés polémicos de Almada e desenho de Pardal Monteiro: os tesouros de Lisboa fechados nas gares de Alcântara: Uma visita que nos dá um vislumbre dos painéis de Almada Negreiros na Gare Marítima de Alcântara, uma das preciosidades da arte moderna portuguesa, e encerrado num local praticamente inacessível ao público.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

We Shall Sing a Song Into the Deep


Andrew Stuart (2021). We Shall Sing a Song Into the Deep. Nova Iorque: TOR.

Este curto livro foi uma das melhores surpresas que li este ano, até agora. A descrição no BoingBoing, que me intrigou, assenta-lhe como uma luva: imaginem um cruzamento entre A Canticle for Leibowitz e Hunt for the Red October, e têm a premissa, o misto claustrofóbico de paranoia submarina e religiosidade lunática que alimenta este livro. Que, apesar de curto em páginas, está na medida certa, consegue conjurar um sólido mundo ficcional, invocar personagens complexas, agarrar o leitor com uma narrativa pós-apocalíptica ritmada e inesperada. 

Imaginem um submarino nuclear que sobreviveu a uma guerra atómica, navegando submerso sob os oceanos. Imaginem que a tripulação adotou o estilo de vida de um mosteiro. Os marinheiros comportam-se como monges, a tripulação inclui meninos castrados cujas vozes em coro ressoam nas profundezas com hinos religiosos, os vistos como impuros, pecadores, ou castrados cuja voz se torna masculina são relegados para o lugar dos esquecidos, onde lhes espera a morte a médio prazo como tratadores de um reator nuclear. Uma tripulação que se vai renovando com raides à superfície, raptando crianças que, enclausuradas no mundo estanque do submarino, sofrem uma verdadeira lavagem cerebral para se tornarem crentes na missão do submarino. Este ainda dispõe de uma ogiva nuclear, e a missão do seu capitão, inculcada em todos com o rigor religioso de uma ordem fanática, é aguardar pelo momento certo para o disparar, e com isso dar origem ao Juízo Final.

Esta tremenda premissa adensa-se quando, no desenrolar da história, percebemos que o autor não nos coloca num futuro, mas sim no passado, nos anos 80, vinte anos após uma guerra nuclear. Guerra essa que foi despoletada pela conspiração ensandecida da tripulação original deste mesmo submarino, encabeçada por um capelão que disparou os mísseis nucleares em direção à Rússia, como forma de provocar um apocalipse. Todos atingem o seu alvo, menos um, que avariou. E o resto sucede-se como dominós em queda, um ataque devastador é respondido por outro ataque, até à destruição dos americanos, russos e europeus. Resta o resto do mundo, que vinte anos depois do cataclisma, se encontra também em guerra, contra uma China hegemónica que quer conquistar as terras não contaminadas pela radiação. Entretanto, este submarino e os seus zelotas ocultam-se sobre os oceanos, pilhando para repor tripulantes e manter a tecnologia decrépita, procurando reparar e lançar o seu último míssil atómico, para finalizar a missão de destruição global que a sua crença religiosa lançou.

O progressivo desvendar deste estranho mundo é-nos dado pelo olhar de uma adolescente, a única rapariga a bordo do submarino. Salva pelo capitão pela sua voz angelical, oculta a sua feminilidade no meio dos marinheiros-monge. E, há medida que vai descobrindo o estranho mundo do submarino, vai começando a questionar as ideias em que lhe dizem que tem de acreditar. A chegada de um elemento externo, uma técnica raptada num raide à superfície que é a única capaz de reparar o tal míssil avariado, vai catalisar as dúvidas da jovem, e despoletar um final muito inesperado.

Leitura rápida, com uma das mais interessantes premissas de ficção científica que li recentemente. Não nos brinda com finais felizes, e é daqueles livros que persiste na memória pelas associações que invoca, a riqueza do mundo ficcional que sugere permite isso.

terça-feira, 7 de junho de 2022

The Architecture of Intelligence


Derrick de Kerchkove (2001). The Architecture of Intelligence. Basileia: Birkhauser.

Encontrado algo por acaso num alfarrabista, este livro foi uma autêntica lufada de tecno-otimismo passado. Ou melhor, uma recordação de um ideário luminoso, lida nos dias em que a utopia de liberdade digital degenerou numa distopia repressiva e capitalista. Recordo Derrick de Kerchkove como um pretendente à herança intelectual de McLuhan, a levar o legado do pensador canadiano para a era digital. Não por acaso, Kerchkove foi diretor do programa McLuhan de cultura e tecnologia, como discípulo fiel que tentou levar mais longe as suas ideias.

Cruzei-me pela primeira vez com este autor com A Pele da Cultura, essencialmente uma visão mcluhanista da cibercultura na viragem para o século XX. Kerchkove imita bem o estilo do seu mestre, escrevendo em frases sintéticas mas bombásticas, condensando as suas ideias em frases curtas, procurando provocar e estimular com o que escreve. E o seu ideário é paradigmático do deslumbramento dos anos 90 com o ciberespaço, com as possibilidades libertárias da internet, da tecnologia como forma de melhorar os indivíduos e o mundo. Em essência, visões utópicas que sustentaram o tecnosolucionismo e o otimismo silicon valley. 

Infelizmente, essas promessas libertárias e de futuro so bright we have to get shades esfumaram-se na cibercultura de hoje, dominada pelo desdém pela privacidade individual, pelos abuso de dados individuais agregados para gerar lucro, pelas gaiolas douradas das redes sociais, pelo enviesamento de discursos públicos alimentados por algoritmos que visam apenas gerar atenção, e com isso lucro. É quase tocante, ler sobre as visões belas de espaços virtuais que empoderariam o individuo, nos dias de hoje.

As visões utópicas de desbravamento de novos espaços tecnológicos, onde o social, o indivíduo e a tecnologia se conjugariam em novas geografias, em fluxos entre o físico e o virtual, entre novas perceções e formas de pensar, são neste livro aplicadas à arquitetura. Fiel a si próprio, Kerckhove dilui constantemente as fronteiras entre o físico e o virtual, estando especialmente deslumbrado pela realidade virtual, essa eterna promessa falhada. Oh, what sweet summer child.

Confesso que tenho um fraquinho por estas visões. São utopias que nos mostram o caminho que, no ocidente, o capitalismo, e nas zonas autoritárias do planeta os regimes políticos, impediram o mundo digital de seguir. Recordam-nos que as coisas poderiam ser diferentes, que o mundo digital se baseou numa visão otimista que assenta num profundo humanismo. Uma visão que, vemos com amargura, foi depressa distorcida por razões economicistas, e nos legaram o corrente estado da tecnologia, feito de dependências e não de interdependências, de onde o humanismo parece afastado e impera a necessidade do lucro cego, ou da opressão ao individuo.

sábado, 4 de junho de 2022

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Esta semana, fala-se de livros no TikTok, cinematografia de Terry Gilliam, e um spoof genial ao grimdark dos filmes da DC. Olha-se para a programação na educaçáo, mísseis hipersónicos ou Turing como filósofo da inteligência artificial. Reflete-se sobre memórias do 25 de abril, arte digital generativa, e a deriva dos continentes. Algumas das muitas leituras recolhidas nos links da semana. 

Ficção Científica e Cultura Pop

1976 Dean Ellis cover art for The Starmen of Llyrdis: Urbanismos de futurismo exótico.

Colecção Clássica Marvel: Até está a valer a pena pegar nos livros desta coleção, que reedita com enorme respeito pelos originais as histórias clássicas dos personagens icónicos da editora.

'Morbius' ha sido un fracaso. El pato lo van a pagar las películas de vampiros, no las de superhéroes: Confesso que vi o filme. E, contras as expetativas, gostei. Jared Leto consegue não ser totalmente insuportável (e o facto de não se ir com a cara do ator até ajuda no retrato de um anti-herói), Matt Smith libertou o lado histriónico que lhe era tão carinhoso em Doctor Who numa atuação assumidamente over the top. Mas, a maior surpresa é que apesar de algumas atualizações, a história está fiel aos comics originais. Confesso, isso eu não esperava, as adaptações de comics ao cinema costumam deixar os personagens originais irreconhecíveis (pior exemplo recente: Shang Chi, que passou de gritty clonde musculado de Bruce Lee a um nerd anafado).

BookTok Is Driving A Rise In Book Purchasing At Stores And Shops Across The World: Confesso que aprecio, e já lá encontrei boas leituras. Porque o livro é essencialmente isto. Também é um negócio, mas um para o qual a melhor promoção não é a sugestão algorítmica ou o marketing puro, mas o simples passa a palavra entre comunidades de leitores.

4816) Os delírios barrocos de Terry Gilliam: Uma interessante observação - Gilliam é um daqueles cineastas em que o que realmente interessa nos seus filmes são as peripécias e percursos, e não a história em si. Ou seja, é a viagem, e não o destino.

THE BATMAN, but with Goofy Batman: Um excelente antídoto à entediante estétia grimdark dos filmes da DC - o mais recente Batman, retocado com o estilo kitsch da lendária série televisiva dos anos 60.

Las ciudades del futuro vistas desde el pasado: Um recordar, sempre interessante para quem aprecia o retrofuturismo, das visões do que seria o urbanismo futuro.

Martin Scorsese’s Film Foundation Launches Free Virtual Screening Room for Restorations: Dedo no ar quem, como eu, tem acesso a canais de cinema por cabo, mas não perde tempo a vê-los, porque o cinema verdadeiramente interessante, clássico e não só, raramente quebra a dieta de entediantes sucessos ou pastelões comerciais?

CoBrA: Operação Goa: Confesso que um livro de criadores de BD portugueses que olha para os dias do fim do império em Goa me parece deveras curioso.

Honest Trailer for epic failure "Moonfall": Vá, este filme não é verdadeiramente mau. É completamente absurdo, e excelente para umas boas gargalhadas. É completamente over the top ao longo de toda a metragem, e é daqueles raros filmes que assume ser um filme parvo. Ou seja, até vale a pena ver, mas deixem de lado pretensões a ver uma obra equilibrada de ficção científica, que este filme nisso é uma sucessão de descarrilamentos de progressiva absurdidade.

Loads of New Ideas: Boa oportunidade de mergulhar no retrato de uma era, a das revistas de ficção científica dos anos 90.

4817) Quatro voltas por cima: Deliciosas histórias microcurtas do fantástico brasileiro.

3ª edição do Barreiro IlustraBD: Um mês de exposições e eventos dedicados à Banda Desenhada, no Barreiro.

Tecnologia

Lawrence Of Arabia: Desert Fighter and Woman Hater: Há que apreciar o sexismo, misoginia, sexualização do exótico e laivos de superioridade branca nestas capas pulp.

Art and Computation: Analisar e descobrir a arte computacional.

European Union limits targeted advertising and content algorithms under new law: A UE está a enfrentar diretamente algumas das formas estruturais dos negócios digitais, focando-se naquelas que têm sido vistas como tendo consequências mais perniciosas. Conseguiremos criar na Europa um espaço digital aberto, seguro, livre do pior do rastreamento algorítmico, ou será esta legislação ignorada no espaço global?

Inventing Postscript, the Tech That Took the Pain out of Printing: Um olhar para a origem de uma linguagem de programação (eu pensava que era um protocolo, é por estas coisas que é bom não travar a curiosidade) que tornou as impressoras mais fiáveis na impressão de páginas com fontes e imagens e alta qualidade. 

A new vision of artificial intelligence for the people: Utilizar a Inteligência Artificial para preservar a cultura e língua de uma minoria indígena. Uma história que nos mostra que os algoritmos não têm de ser exclusivamente utilizados para recolha e tratamento de dados com valor financeiro.

The collected Art Bits from HyperCard: Para os fãs de retrocomputação, um arquivo de arte digital usado no clássico ambiente Hypercard.

El proceso de ensamblado de la estación espacial china en un vídeo: Um vislumbre raro sobre os projetos de construção da estação espacial chinesa.

Facebook Employees Say Mark Zuckerberg Is Weirdly Obsessed With the Metaverse: E suspeito que toda a obsessáo, todo o dinheiro que irá enterrar no metaverso, dará os mesmos frutos que as versões anteriores de realidade virtual e mundos virtuais deram - nunca passar de produtos de nicho.

AI’s first philosopher: Turing foi muito mais do que um daqueles cujo trabalho ajudou ao nascer da era digital, com o seu pioneirismo na computação. Também estudou a fundo os potenciais e problemas  do que se viria a tornar a inteligência artificial.

Y2K NOSTALGIA AT ITS FINEST: A LOVE LETTER TO KEYBOARD PHONES: Confesso que também sempre achei a forma dos telemóveis com teclado físico QWERTY sedutora, mas os poucos que tive revelaram-se pouco práticos, com teclas minúsculas que não se ajustavam aos dedos.

DIY Digital Archaeology: Methods for Visualizing Small Objects, Artifacts: Metodologias para afinar técnicas de fotogrametria.

CAD In Blender Is Here: Há alguma coisa que não se consiga fazer com o Blender, esse software que é ao mesmo tempo um pináculo do 3D e do software livre? Agora chega o CAD ao pacote de ferramentas.

"Programación debería ser en España una asignatura troncal como inglés o historia": Hadi Partovi, fundador de Code.org: Retiro duas coisas deste artigo - o óbvio atraso espanhol em introduzir programação no currículo escolar (se bem que, por cá, estes aspetos fazem formalmente parte do currículo mas a sua implementação é díspare); e o facto dos esforços estarem demasiado dependentes da Code.org, uma organização americana que, apesar da excelente diversidade de recursos que coloca à disposição de forma gratuita, tem uma abordagem algo redutora.

Here’s why we’re about to see an explosion of hyperreal artificial humans online: Resumindo, porque facilita imenso o trabalho nalgumas indústrias, onde ficará mais barato programar um bot do que contratar um ator.

World’s Richest Man Gets What He Wanted: O título do artigo diz tudo, porque é mesmo isto, alguém com os recursos para fazer o que lhe apetece. Suspeito que se o twitter já era um poço de virulência, irá piorar.

The latest version of color E Ink brings us closer to the perfect tablet: Estes ecrãs nunca terão o brilho e as capacidades dos LEDs e AMOLEDs, mas têm durabilidade, e consumos muito baixos de energia. Perfeitos para o seu nicho, o da leitura digital.

30,000 New Users Signed Up for Mastodon After Elon Musk Bought Twitter: Oh, bolas. O Mastodon até é um sítio agradável, pacífico, longe das curadorias algorítmicas das redes sociais comerciais.

Cultural Heritage: Broadening the Horizon Virtually: Duas notas. O poder das iconografias clássicas, cujo fascínio é ampliado pela lente da tecnologia, e a imersividade como experiência estética erudita e popular.

Returning the Gaze – Perpetual (male)surveillance: Um projeto intrigante, entre a tecnologia, a sociologia, e a escultura virtual.

Inworld shows off impressive AI-powered character generation and interaction: Tornando os NPCs inteligentes.

The Internet is Made of Demons: Os demónios da internet, são os demónios de sempre das sociedades. Conformismo, excesso de atenção sobre quem mais ruído causa, câmaras de eco, modas fugazes e seguidores acríticos.

How hypersonic missiles work and the unique threats they pose – an aerospace engineer explains: Uma análise às tecnologias que sustentam os mísseis hipersónicos, e os problemas diplomáticos causados por armas demasiado rápidas para os processos de decisão internacionais.

Modernidade

Art History Memes To Pontificate Upon And Guffaw At Heartily: Ah, memes da arte antiga.

If we can farm metal from plants, what else can we learn from life on Earth? | James Bridle: Um olhar para o estudo dos padrões naturais, da forma como animais e plantas reagem, por vezes de formas e em áreas muito inesperadas.

Why the Russian People Go Along With Putin’s War: Serão os russos, os cidadãos, cúmplices da tirania e da guerra? A resposta é complexa. Num país sem media independente, onde a informação veículada pelo estado é a que entra na casa da esmagadora maioria das pessoas, à partida estes processos de decisão estão condicionados. Junte-se a isso o ser um regime opressivo, que criminaliza a dissidência, e muitos que noutros contextos políticos, manifestariam abertamente a sua discordância, sentem-se obrigados a erguer uma máscara pública de apoio ao regime, por temerem as consequências de dizer o que realmente pensam.

La semana laboral de cuatro días sigue ganando adeptos en Europa. En Lituania, eso sí, sólo para funcionarios: Suspeito que quando por cá, esta discussão ganhar espaço, se irão suceder os discursos de catástrofe económica e queda a pique da produtividade. Se até para aumentar uns míseros punhados de euros no salário mínimo já levanta um coro de catástrofe para as empresas, imaginem com a redução da semana de trabalho para quatro dias.

Pluralistic: 22 Apr 2022: Uma belíssima análise sobre o real poder que as redes sociais têm de nos mudar as percepções e influenciar as nossas ideias - muito menos do que apregoam. O que não significa que os extremismos ideológicos, as bolhas de informação, e a sensação de estupidificação dos discursos mediáticos náo sejam um problema grave. Mas talvez as redes sociais estejam a por a nu algo que sempre esteve presente nos comportamentos humanos.

WHY THE PAST 10 YEARS OF AMERICAN LIFE HAVE BEEN UNIQUELY STUPID: Um olhar para a realidade americana, do extremar de discursos e auto-censura daqueles que se sentem desconfortáveis perante as perseguições em redes sociais, mas que também representa tendências que se encontram na europa.

Macron Won. And So Did the Far Right: Se se pensar que podemos respirar de alívio com o resultado das recentes eleições francesas, nem por isso. Note-se que a extrema direita continua a subir. E que mesmo que mantenha o padrão de derrotas eleitorais, não precisa realmente disso para triunfar, porque já está a condicionar o discurso político.

Grandes Alfacinhas: a Celeste dos Cravos: Uma história que nos mostra qual a origem dos cravos, esse elemento tão simbólico do 25 de Abril.

In Inadvertently Cyberpunk News, Florida Is Dissolving Disney’s Private Government: Fiquemo-nos por nem sequer sabia que a Disneyworld funcionava com um governo à parte. Lendo o artigo, faz todo o sentido, aboli-lo é absurdo, e não, não é um microestado independente, apenas um território gerido por uma empresa como  uma municipalidade.

The Experimental Laboratory of Artist-Inventor Carl Cheng: Usar a arte para refletir sobre a forma como as tecnologias nos transformam.

Bienal de Cerveira expõe obras criadas com computadores e algoritmos: Lentamente, o panorama artístico português abre-se mais à arte digital. A venerável Bienal de Cerveira arrisca nesta edição trazer aos visitantes obras longe dos meios tradicionais.

Meet Vera Molnár, the 98-Year-Old Generative Art Pioneer Who Is Enjoying New Relevance at the Venice Biennale: Um reconhecimento justo, para uma artista pioneira da arte algorítmica.

‘That’s it? It’s over? I was 30. What a brutal business’: pop stars on life after the spotlight moves on: E, depois do sucesso fulgurante, o que é que acontece? Para alguns, o alívio. Para a maioria, os dramas da adaptação a uma vida mais banal, longe da ribalta, longe da fama e reconhecimento.

Top 10 Criminally Overlooked Aircraft at RAF Museum London: Alguns ícones da história da aviação.

See What Your Neighborhood Looked Like Millions of Years Ago: Uma ferramenta fascinante, que nos mostra por onde é que a nossa localização geográfica andou durante as eras geológicas da deriva dos continentes.

A Museum in Bangalore Has Launched a Free Online Encyclopedia Covering 10,000 Years of Indian Art History: Esquecemos que a história da arte não se resume à Europa. É interessante descobrir este recurso, que nos orienta pela longa história da arte indiana.

The shipwrecks rewriting history: Uma das maiores batalhas navais da antiguidade no mediterrâneo, redescoberta através dos vestígios submersos dos navios.

“Se há impacto que esta guerra vai ter, será em duas áreas: energia e defesa”: É um pouco observar o óbvio, mas a verdade é que esta guerra colocou a nu duas das grandes fragilidades europeias - a falta de coerência nas políticas de defesa, e a excessiva dependência energética do exterior.

Lost+Found

 





quinta-feira, 2 de junho de 2022

Scacco a Diabolik


Angela e Luciana Giussani (2021). Scacco a Diabolik. Mondadori.

Quatro histórias onde o jogo de Xadrez desempenha um papel. Em parte, pelo eterno jogo travado entre o anti-herói deste fumetti de giallo e o inspetor que nunca desiste de o perseguir. E, também, o xadrez enquanto mcguffin das aventuras criminais de Diabolik. Confesso que apesar de achar sedutor o lado retro de Diabolik, não consigo tornar-me fã. O anti-herói criminoso, implacável mas justo, acompanhado nas perigosas aventuras pela sua eterna Eva, é interessante, mas as suas histórias parecem congeladas no tempo, estagnadas. Este livro mostra isso, republica aventuras dos anos 60, 90 e já no século XXI, e nada muda, a estrutura, o estilo visual, o tipo de argumento. 

terça-feira, 31 de maio de 2022

In fondo al tuo cuore


Maurizio de Giovanni, Paolo Terracciano, Alessandro Nespolino, Giovanni Preziosi, Daniele Bigliardo (2022). Le stagioni del commissario Ricciardi vol. 7: In fondo al tuo cuore. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Um regresso ao mundo do comissário Ricciardi, esse curioso cruzamento de policial procedimental com nostalgia dos anos 30. Nesta história, os males de amor, as escolhas que se fazem entre paixão e ambição são o grande tema, quer da narrativa principal, quer das paralelas. A investigação é despoletada pela morte de um médico da universidade, defenestrado. Na dissecação da vida da vítima que se segue, alinham-se os suspeitos, desde o namorado da jovem prostituta que mantinha como amante, a um antigo rival que quer proteger o filho, até um jovem pai que gritou por vingança por o parto ter resultado na morte da mulher. Nenhum destes será o assassino. Típico nesta série, as pistas são nos dadas logo no início, mas só farão sentido no final da história. Em paralelo, seguimos as desventuras amorosas do trágico Ricciardi (entende o seu dom de ver aparições dos mortos com violência como uma maldição, com que não quer sobrecarregar nenhuma mulher), ou do seu fiel agente Raffaele, algo desconfiado das andanças da esposa. Uma das personagens secundárias da série irá falecer, terminando esta história num tom triste.

Em parte, a arte do fumetti é a do enchimento, há que encher as páginas, e as histórias arrastam-se. É um padrão no género. Aqui, há que assinalar o excelente uso do policial enquanto estrutura narrativa. Sabemos o que esperar da história, percebemos a sua estrutura, e deixamo-nos levar enquanto todas as peças se encaixam metodicamente. A ilustração sublinha o lado de nostalgia de época da série, com uns aguarelados sépia a colorir o formalismo clássico do traço.