quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

...



Ali para os lados da Avessada.

North 40



Wildstorm | North 40

É uma mistura pouco provável de lugares comuns. Temos, para começar, uma cidadezinha isolada no meio das planícies americanas. Um velho xerife durão capaz de pôr ordem em tudo só com o olhar. Um liceu completo com uma biblioteca bem rechada de livros ocultistas. E, claro, um encantamento mal pensado que liberta um enorme mal na cidade. Daqui, o caminho normalmente segue para o monstro individual que assola os inquietos habitantes. Mas isso seria simples. Ao invés, todos os habitantes se metamorfoseiam em criaturas monstruosas. Só para animar a coisa, surgem zombies. Uma família de degenarados anda à caça do xerife. Os incautos encantadores transformam-se em semi-divindades. Há quem se vire para os exorcismos, surgem profetas visionários. Alguns recebem misteriosos poderes, e uma mulher misteriosa detém a chave de todos os segredos. Falta alguma coisa? Não aparecem assassinos slasher ou de motosserra em punho, mas um grupo de habitantes perto de um lago vai-se transformando em homens-peixe e procuram acordar uma antiga divindade cefalópode. A cidade está isolada do resto do mundo por um misterioso campo de forças que impede a saída e altera subtilmente os mapas à sua volta.

O divertido é que North 40 pega em todos estes elementos e mesmo assim mantém coerência. Sem recorrer a ironias óbvias ou a pretensiosismos, homenageia quase todos os elementos do horror na ficção literária e cinematográfica. É um dos melhores comics do género a surgir nos últimos tempos.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

...



Vrml no Vivaty Studio.

Leituras

Singularity Hub | Google Goggles Lets Your Phone Turn Photos Into Information (Video) Ainda em arranque, mas promissor: a Google está a lançar um serviço que vai permitir pesquisar informação a partir de imagens. Aponta-se a câmara do telemóvel e os algoritmos mágicos da Google identificam os objectos e pesquisam informação relevante.

Boing Boing | Germany pays to fix Microsoft users' computers Se viver na alemanha as preocupações com questões menores como verificar o estado do anti-vírus, manter uma firewall ou prestar atenção onde se clica e ao que se instala não são realmente preocupações. Se o pc (a correr windows) começar a tossir gravemente e a emitir vapores esverdeados, basta uma chamada para o centro de apoio aos problemas do windows financiado pelo governo alemão. É uma história quase tão estranha como a do outro país europeu que pagou à microsoft para convencer quinhentos mil futuros adultos a utilizar o windows.

Gizmodo | Target Makes Cashiering More Tolerable By Turning It Into a Game É o tipo de notícia que me faz tremer com o potencial orwelliano da tecnologia digital: uma empresa retalhista americana criou um curioso sistema para controlar a eficácia dos funcionários de caixa - um jogo em que obtém mais pontos quem for mais rápido a atender os clientes. O problema é que nos jogos de computador, quando se perde pode-se recomeçar. Neste jogo, perder pode equivaler a um despedimento...

Gizmodo | It's Time To Make Phone OSes Work On Any Phone Bem visto. Porque é que não posso instalar o iPhone OS num nokia, ou ter um htc hero a correr maemo? Ou talvez android num xperia? Talvez porque as empresas que manufactura telemóveis e smartphones não querem cometer o mesmo erro que a indústria de computadores cometeu: se os telemóveis e smartphones fossem intercambiáveis, lá se iam as largas margens de lucro.

Grinding | The Venn Diagram of Art and Science Para quem tem dúvidas da relação profunda entre arte e ciência na era do triunfo da tecnologia (e toda a reflexão que lhe está associada), consulte este diagrama.

Gizmodo | Pixel Qi Magic Screens Coming in Multitouch Tablets in 2010 O que é que a Pixel Qi tem de especial? Criada a partir do projecto OLPC, criou uma revolução nos ecrãs para computadores portáteis desenvolvendo uma tecnologia de ecrãs barata que consome pouco e permite o santo graal destes ecrãs - ser visível com qualidade em luz solar directa.

Gizmodo | A Glorious Beginning Só para recordar os primeiros momentos de um pouco ergonómico tijolo que viria a evoluir até se tornar um mini-computador - o telemóvel.

Ars Technica | Weird Science fails to locate a porn-free control group São azares que acontecem. Um grupo de investigadores procurou estabelecer um grupo de controlo composto por homens no escalão etário dos vinte anos que nunca tivesse tomado contacto com pornografia... e obviamente falhou.

Ars Technica | Aliens vs. Predator in Australia: dev refuses to censor É sempre interessante ler sobre tentativas de censurar media na era da internet. Certamente que o jogo considerado ofensivo pelas autoridades australianas não chegará a ser vendido na austrália. Mas tenho a certeza que as crianças e adolescentes que as autoridades pretendem proteger com a proibição da comercialização do jogo estarão apenas a uns cliques da versão crackada do jogo... e com o incentivo adicional de ir ver porque é que o jogo foi proibido. A menos que se aja como os chineses, com a sua internet totalmente controlada, a censura na era do online em que as fronteiras se dissolvem em cliques não passa de declaração de intenções.

Infra Net Lab | Global Food Networks: Countries Buying Countries É por estas que a conferência de copenhaga não nos levará longe. Infelizmente. Enquanto se discutem propostas cuja implementação é fortemente duvidosa, graças aos grupos de pressão e à dialéctica distorcida, alguns países já agem de forma a tirar o melhor partido do aquecimento global. E não, não falo de guerras obsoletas no brevemente esquecido médio oriente. São acções como a dos canadianos e russos, que intensificam esforços de exploração e reivindicação de direitos territoriais no cada vez mais aprazível pólo norte (pescas, exploração de recursos e a famosa passagem do noroeste, finalmente desimpedida de gelo durante todo o ano) ou as dos países que negoceiam compras de terras em áfrica para alimentar as suas populações num cenário futuro de problemas ambientais.

Flightglobal | DARPA re-thinks aircraft acquisition and operations with Vulture Não estou particularmente interessado nas políticas de aquisição de aeronaves, mas a aeronave em questão é interessante: promete tempos de voo que se podem estender aos cinco anos.

Singularity Hub | Brain-equivalent processing power by 2019, says IBM Em 2019 será possível construir um super-computador com capacidade equivalente à de um cérebro humano. E se as IAs se desenvolverem nessa direcção, a coisa poderá ser interessante.

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Apropriadamente apelidada de Enterprise



CNN | Branson opens doors to spaceship
Hyperbola | All the pictures: Virgin Galactic's SpaceShipTwo "Enterprise

Não se pode dizer que servirá to boldly go where no man has ever gone before, mas promete uns bons voos suborbitais a quem for capaz de pagar os $200.000 de cada bilhete. Apesar de não passar de um brinquedo para ricos, não deixa de ser mais um passo em direcção ao espaço. Lentamente, a exploração espacial desenvolve-se. Estamos muito longe das utopias de Von Braun ou O'Neill e das visões da ficção científica. Mas todos os passinhos nos levam um pouco mais próximo do destino distante.

Hack/Slash



O que gosto no Hack/Slash é que é um comic bem escrito mas que não se leva a sério. Remistura os elementos clássicos das histórias de terror e brinca com os clichés dos comcis. Tem uma linha de continuidade mas destaca-se pelo grafismo: cada novo arco de histórias envolve um novo ilustrador. Normalmente, cada nova edição tem um estilo diferente. A coerência da série é dada pelas personagens e linha de continuidade. O estilo é deliberadamente variável. As aventuras de Cassie, a sensual caçadora gótica de slashers, acompanhada do seu fiel amigo deformado e restante elenco - a eventual namorada, o misterioso slasher bondoso, o casal de ex-vítimas de slashers com o seu cão que é na verdade uma forma de vida alienígena enviada à terra para aniquilar Cassie, contam sempre com um estilo próprio muito interessante (embora pessoalmente seja fã das edições ilustrada por Bryan Baugh). A última edição brinca com o estilo de comics pré-adolescentes e chega ao ponto de imitar a impressão em quadricromia de baixa qualidade. Quanto à história, imaginem uma colisão sangrenta entre Riverdale e Innsmouth (ou, para clarificar, Archie e Cthulhu em cartoon de quatro cores). Hack/Slash é escrito por Tim Seeley.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Galactica



Nostalgia trip. Para ajudar a curar o mal estar e a tosse...

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Leituras

Next Nature | Scientists ‘grow’ pork Lembram-se daquelas lendas urbanas que circulavam há uns anos sobre a carne artificial criada em laboratório que supostamente consumíamos no McDonalds? Começa a ser possível fazer crescer tecido muscular de forma artificial. Sem grande supresa, este estudo da Universidade de Eindhoven é apoiado por uma empresa de salsichas.

Boing Boing | Somali pirate stock-market: "we've made piracy a community activity." Primeiro, Golfo de Aden. E a seguir... NYSE ou City de Londres. Uma ideia de empreendedorismo brilhante: os piratas somalis criaram uma bolsa que ajuda a financiar ataques de pirataria. Funciona da mesma forma que uma bolsa tradicional - os investidores investem, a "empresa" equipa-se para o trabalho, há retorno do investimento, são pagos dividendos...

Boing Boing | Spanish activists issue manifesto on the rights of Internet users A Espanha parece estar a tornar-se o próximo país (depois dos Estados Unidos e França, com Inglaterra a ameaçar) a adoptar legislação de propriedade intelectual digital criada à medida da vontade da indústria dos direitos de autor.

Next Big Future | Italy, Belgium, Germany and the Netherland Also Have Nuclear Weapons Uma ideia a reter quando falamos de proliferação nuclear. Mas não imaginem um berlusconi de dedinho no botão vermelho prontinho para lançar uns mísseis. Tratam-se de bombas tácticas aerotransportadas, propriedade americana, armazenadas em solo europeu e emprestadas às forças aéreas destes países.

iO9 | Seafaring "Space Station" Could Ride the Oceans Adoro conceitos como os deste Sea Orbiter. São utópicos, raramente passam do papel (desculpem, da renderização virtual) mas têm o poder de despertar sonhos.

Gizmodo | ASCII Art, Circa 1934 Se o desenhar em ASCII já é um exemplo de suma paciência, imaginem fazê-lo numa máquina de escrever. Mas sim, alguém o fez. Nos anos 30.

Gizmodo | Solar Impulse Plane Flies For First Time in Switzerland Primeiro voo de uma aeronave alimentada por energia eléctrica criada por paineis solares nas asas.

Boing Boing | Brazil lawmaker moves to outlaw "offensive video games" Há sempre alguns políticos idiotas dispostos a ganhar protagonismo à custa da proposta de medidas cretinas. Mais específicamente, a proposta pretende proibir jogos que ofendam costumes, tradições, crenças, religiões e símbolos. Seria interessante: estou mesmo a ver um grupo de ateus (ou de satânicos) a querer proibir jogos de inspiração cristã; ou pacifistas a solicitar a proibição de jogos promotores do militarismo como o xadrês. Não por acaso, o boing boing classificou esta notícia na categoria slippery slope.

Gizmodo | I'm so Passé That I Don't Know 95% of These Social Networking Sites A reter deste gráfico: a grande explosão das redes sociais deu-se em 2003/2004, apesar de só agora chegarem ao mainstream; a fragmentação recente, com redes sociais de nicho que exploram contextos isolados ou comunidades linguísticas.

Gizmodo | USAF Confirms New Secret Stealth Plane Os rumores - e fotografias de uma nova areonave secreta já circulavam pela internet, e agora a USAF veio a público com o RQ-170 Sentinel, um UAV similar ao B2.

Kottke | 15 failed predictions about the future 15 previsões falhadas. Epic Fails.

Bibliodyssey | The Seven Liberal Arts Teorias pedagógicas medievais, ou antes, as artes a aprender no antigo currículo do trivium e quadrivium.

BOing Boing | Woman jailed, charged with felony camcordering after recording 4 mins of sister's birthday party in a movie theater Do departamento de abusos cretinos da propriedade intelectual: imagine que filma uns familiares ou amigos num cinema num momento especial - como cantar os parabéns a um aniversariante, e acaba detido por infracção aos direitos de autor, acusado de pirataria porque a sua câmara captou uns segundos do filme a ser mostrado. Only in america? Deixem os defensores da indústria dos direitos de autor à solta e vejam se tal não poderá acontecer na europa. Veja-se a infame lei Hadopi francesa, ou as propostas britânicas.

(No que toca a câmaras nos espaços públicos, sempre me irritou que em determinados espaços estes se reservem o direito de captar imagens "para nossa protecção" sem o meu consentimento, mas me proíbam de captar imagens com a minha máquina/telemóvel.)

Boing Boing | Web design project from hell immortalized in cautionary webcomic É um dos problemas do digital: com a facilidade de utilização do software gráfico, todos pensam que são designers e artistas, e que são capazes de fazer melhor do que os profissionais da àrea. Interessante webcomic.

Boing Boing | Book about extreme fashion subculture in The Congo Curiosa subcultura saída dos bairros de lata africanos: homens que vivem abaixo do nível de pobreza mas vestem-se com roupas de luxo.

iO9 | The First Space Butterfly Takes a Test Flight Uma borboleta que voa... no espaço (aliás, numa experiência na ISS).

Gizmodo | Yeah, TV Executives Are Terrified of Streaming Video A internet está a transformar sectores inteiros da economia, e os velhos dinossauros gostariam de regressar aos bons velhos tempos em que dominavam a paisagem mediática. A frase que uma executiva de um canal de televisão usou para proibir a filha de não colocar um televisor no quarto é fascinante.

Gizmodo | Apple Sued For iPhone Patent Infringement, Again Quem me dera ter tido esta ideia há uns anos atrás: patentear a descrição vaga de um dispositivo de captura e armazenamento de imagens recorrendo a um ccd, uma lente e a equipamento de armazenamento de dados. Passados alguns anos, processar por infracção de direitos de autor empresas que manufacturam hardware que inclua câmaras digitais. Como a Sony, a Samsung, a Canon ou a Nikon. É a estratégia da ST. Clair Intellectual Property Consultants, empresa cujo plano de negócios envolve patentear conceitos elementares da tecnologia e depois processar quem os utiliza. Caso típico de abuso do conceito de propriedade intelectual, permitida pelos quadros legais. Cá por mim acho que vou patentear o conceito de objecto de uso lúdico cujos pontos na superfície se encontram equidistantes de um centro e começar a processar fabricantes de bolas e berlindes.

One Laptop Per Child News | Apple Tablet To Use OLPC Screen Technology?! Já se percebeu que o OLPC como projecto está a ser um falhanço, mas as tecnologias desenvolvidas para o projecto estão a revolucionar a informática de consumo. Primeiro foram os netbooks. Agora são os ecrãs que a PixelQi desenvolveu para o OLPC (e continua a desenvolver como empresa). A notícia relata outro pormenor curioso: parece que Steve Jobs ofereceu o Mac OSX como sistema operativo dos OLPCs, percebendo, e muito bem, que cem mil ou quinhentas mil crianças a utilizar o seu sistema num computador de baixo custo poderiam crescer para se tornar fieis consumidores dos seus produtos. Liguem os pontos: pensam sinceramente que o interesse da Microsoft Portugal no Magalhães é benemérito, para melhorar a educação em portugal? Quinhentas mil crianças a utilizar o windows desde os seis anos serão quinhentos mil clientes futuros.

Embeber Flash

Flash Code

Mesmo sem trabalhar com o Flash CS3, podemos utilizar aplicações que criem ficheiros em flash - como o iSpring, plugin para o PowerPoint, ou o Pencil, para criar animações. Depois, para colocar o ficheiro na internet e ser visto automaticamente ao carregar a página, necessitamos de utilizar códigos que permitam embeber o nosso recurso flash num post num blog ou etiqueta do moodle. Cliquem para descarregar.

Embeber um recurso Flash
Código para adicionar a um blog/etiqueta moodle/bloco html

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Inside Arte e Ciência



Leonel Moura, coord. (2009). Inside Arte e Ciência. Lisboa: LxXL.

LxXL | Inside Arte e Ciência
Inside Arte e Ciência


Esta exposição decorreu na Cordoaria e foi certamente uma novidade no panorama artístico português: uma exposição que reuniu trabalhos de artistas cujas linguagens plásticas se afastam radicalmente das técnicas tradicionais, reflectindo sobre e utilizando a ciência enquanto linguagem plástica. A recolha das obras expostas, conjugada com ensaios e trajectos de visita, proposta pelo catálogo da exposição é uma obra de leitura interessante, que traça um panorama de movimento de ponta na arte contemporânea.

O livro arranca com três visões introdutórias que abrem o campo de abrangência dos trabalhos apresentados. Carlos Fernandes explora uma visão histórica das intersecções entre arte e ciência, que hoje se fundem nos novos panoramas artísticos, no ensaio Consiliência. Leonel Moura analisa as novas perspectivas da arte em simbiose com os vários campos de estudo científico, em particular no digital e nas biociências em Vida 2.0: o novo paradigma da arte. Henrique Garcia Pereira fala da progressiva integração entre campos de conhecimento, objectos, corpo e mente, analisando esse novo conceito que é a hibridização no texto A Arte como uma nova filosofia natural: o explodir das fronteiras. Um suporte téorico fortíssimo é dado pelo ensaio de Daniel Dennett, Teoria dos Sistemas Intencionais, que explora a capacidade de retirarmos sentido do comportamento aparentemente aleatório de elementos complexos.

A recolha artística traça uma visão abrangente de novos campos de expressão artística que questionam a nossa percepção e relação com as descobertas cientificas, e utilizam os materiais e linguagem da ciência como estética própria. Engloba visões sobre vida artificial gerada em laboratório e gerada em suporte digital, ética da experimentação científica, reinterpretação de imagens recorrendo a algoritmos de formigueiro, instalações que buscam sentido ecológico, escultura micromilimétrica através de fotolitografia, robótica, hibridação genética inter-espécies, representação de sistema complexos, recolha de performances de modificação corporal recorrendo quer a cirurgia plástica quer ao implante de sistemas artificiais no corpo, exploração dos limites éticos da genética. Dos trabalhos, salientaria a série de fotografias de Catherine Chalmers de ratos de laboratório genéticamente modificados, que colocam a nú o impacto ético da experimentação que produz pequenos horrores vivos, necessários para o progresso do conhecimento. As flores fractais, instalação que reúne a realidade virtual com inteligência artificial de Miguel Chevalier, exploram a simulação do real através do artificial. FLW, de Ken Goldberg, é uma forma intrigante de escultura, recriando um modelo à escala do ícone arquitectónico que é a Fallingwater House de Frank Lloyd Wright num chip de silício através da fotolitografia, gravando um modelo tridimensional na superfície microscópica de um chip. Talvez o mais inquietante dos projectos apresentados é a História Natural do Enigma de Eduardo Kac, essencialmente uma planta híbrida cuja sequência genética foi modificada com a introdução de genes humanos (do próprio artista) no código genético da planta. Curioso é o projecto Porcos Alados de Oron Catts e Ionat Zurr, a reconstrução de tecidos artificiais a partir de células com formas específicas. Para lá destes projectos, são apresentados trabalhos de Leonel Moura, Orlan, Stelarc e Marta de Menezes, entre outros artistas.

Em comum a todos os trabalhos está a utilização da ciência como linguagem, por vezes de forma literal, em que o resultado da experiência científica é um trabalho artístico; o cruzamento de ideários, e a procura de novas fronteiras misturando metodologias e questionando os limites do humano.

O catálogo encerra com depoimentos de cientistas e intelectuais que exploraram a exposição como um percurso sobre áreas específicas do saber. Física de partículas, robótica e sistemas inteligentes, novos interfaces ou biociências são os temas principais, com destaque para o trans-humanismo ciber-genético postulado por Natasha Vita-More (onde genética e cibernética seriam combinadas para modificar o ser humano, ultrapassando os seus limites naturais).

Vivemos numa era de maravilhas científicas e tecnológicas, talvez uma era de ouro da ciência em que cada dia nos trás novas descobertas, algumas fascinantes, outras úteis, e muitas controversas pelas suas implicações potenciais. Neste mundo contemporâneo, pós -ismos sociais e políticos que tornearam a intervenção crítica dos artistas, a exploração dos limites do que nos parece sem limite tornou-se um novo campo viável de abordagem estética, recorrendo a novas formas de expressão e definição de conceitos que desafiam os limites das convenções artísticas, mesmo considerando as de ponta. A exposição já terminou, mas fica o catálogo e o website para explorar estas novas interacções artísticas.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Aplicações Gráficas Online

Sumopaint É uma espécie de photoshop/paint.net online. Corre em flash, e grava imagens para uma galeria online ou para o computador.

Photoshop Isso mesmo. É o Photoshop - aliás, algumas das suas funcionalidades, online. Também disponível para iPhones e Androids.

Evolver Um criador de avatares 3D. Cria a partir da manipulação de partes do corpo e exporta para uma grande gama de formatos. Infelizmente alguns são pagos (3DS, Maya).

Aviary A mais ambiciosa das webapps gráficas. Pretende ser um estúdio digital com edição de imagem, desenho vectorial, som e vídeo online.

Avatar Studio Para quem quiser experimentar a criação de avatares em 3D, este programa é o melhor. Muito simples de utilizar, com uma enorme gama de personalização de elementos e possibilidade de animação. Exporta para VRML. Descarregar o Avatar Studio, e um player de VRML: BS Contact.

Ocean



IGN | Ocean

Warren Ellis é um confesso apaixonado pela exploração espacial. Isso nota-se nos seus enredos, que tratam com muito carinho a exploração espacial - mesmo que a história que conta tenha contornos catastróficos ou maquiavélicos. Basta ler o magistral Orbiter, ode à exploração da última fronteira, ou Planetary, que termina precisamente a abrir novas fronteiras.

Ocean é pura ficção científica com o habitual toque escatológico de Ellis. Num futuro próximo, com a humanidade a espalhar-se pelo sistema solar, uma equipe de cientistas a orbitar Europa descobre um insondável mistério submerso no vasto oceano da lua de Júpiter: sarcófagos de seres humanóides, milhões de anos mais antigos do que a humanidade. Junto dos sarcófagos, armas de poder incomensurável. Cabe a um inspector de desarmamento das Nações Unidas sondar o mistério, levar a melhor sobre os interesses económicos que pretendem apoderar-se do poderio militar alienígena, e salvar a humanidade com um acto de xenocídio.

A série vale particularmente pelos detalhes; a visualização de um mundo futuro, futurista mas não desfasada da evolução urbana, similar à visão de Blade Runner mas sem os contornos distópicos; os discos-voadores que trasnferem passageiros entre órbitas, visões verosímeis de futuras estações espaciais. E outros pormenores, reveladores da visão abrangente que Ellis tem da tecnologia: a noção de humanos corporativos - a obrigatoriedade de funcionários de grandes empresas reprimirem tecnologicamente a sua personalidade, agindo de acordo com directivas instaladas no cérebro durante a duração do contrato.

Sem ser um dos trabalhos mais escatológicos ou futuristas de Ellis, Ocean não desilude. Ficção Científica pura, entretem com alguns conceitos interessantes e um argumento inesperado.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Cthulhu fhtagn

Já me ia esquecendo. Hoje é um dos dias de Cthulhu, a simpática divindade cefalópode. Hora de envergar a sotaina preta e ir à beira mar incantar Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn, a ver se ele acorda e traz na sua majestade o regresso dos Anciãos. Espero é que a chuva não me manche os pergaminhos traduzidos pelo àrabe louco. Só resta escolher um humano para o sacrifício. Há voluntários?

Almoço



Pequenos e bonitos animaizinhos a alimentarem-se de um menos pequeno mas também bonito animal. Estrelas do mar e outras criaturas bonitinhas dos fundos submersos a viver a sua vida... em time lapse, que aceleram os movimentos. O resultado? Nunca mais serei capaz de olhar para uma estrela do mar da mesma forma...

Vícios

Comics a registar:

Supergod Warren Ellis desconstroi um dos elementos fundamentais dos comics, o mito do super-herói. Nesta promissora série os super-seres são geneticamente construídos por cientistas mas encarnam metáforas religiosas. E como deuses, agem de acordo com os seus desejos, mesmo que isso implique a destruição do planeta.

North 40 Esta série é descrita como um cruzamento entre Lovecraft e Stephen King. Junte-se uns zombies e cinema de terrror de série B e temos uma boa ideia do que é este comic. Incantações, monstros, mutações, cthulhus e psicóticos à solta numa cidadezinha perdida no mapa.


Galactica 1980 É totalmente previsível e escrita muito à pressa, mas vale pelo suspense cósmico com que cada número termina. A serie coloca a Galactica a chegar à Terra nos anos 80. As inconsistências sucedem-se e a história tem uma profundidade milimétrica. O primeiro número termina com um ataque nuclear norte-americano à nave espacial. O segundo número termina com mísseis soviéticos e chineses no ar, uma invasão dos colonos da Galactica e a aproximação de uma frota de Cylons. O terceiro número resolve em três penadas o problema da aniquilação nuclear e estabelece a paz entre galácticos e terrestres, mas acaba com uma invasão frontal dos Cylons. E a seguir... bem, o final é previsível. Os cylons serão derrotados, e os viajantes da Galactica a) ficarão na Terra, b) regressarão ao espaço para novas aventuras, c) as duas primeiras opções, d) aparece a frota imperial comandada por Darth Vader em pessoa, e) quase me apetecia pôr os Skrulls à perna mas esses personagens são propriedade da Marvel Comics.

Existence 2.0 É uma história com mais volutas do que uma coluna coríntia. Esperem o inesperado e os volte-faces mais imprevisíveis. Gira à volta de um cientista obscuro que se dedica à ciência sem limites éticos, trabalhando para quem melhor pagar - desde agências governamentais a mafiosos e grupos terroristas. O seu erro? Ter aperfeiçoado o crime perfeito: uma técnica de transferência mental.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Desafios

Na terça-feira passada fizeram-me uma proposta interessante. O meu orientador sugeriu-me ir apresentar parte do trabalho que estou a desenvolver na sala de aula a um grupo dos seus alunos. Sugestões do orientador são ordens, e por isso vi-me à frente de um grupo de alunos de informática a apresenntar o trabalho feito com os alunos no Avatar Studio. Eu, mero professor de EVT e desenrascador digital. Frente a alunos capazes de me derreter com uma simples pergunta. Enfim... meia bola e força.

Ao contextualizar o trabalho que estou a fazer com os alunos, um dos assistentes revelou-se surpreendido. Também trabalha numa escola (fiquei sem perceber se era professor, mas não quis aprofundar), referiu que conhecia muitos professores de EVT e nenhum fazia nada semelhante, uma vez que 3D não fazia parte do programa, e a abordagem às TIC só estava prevista para os nonos anos. Antes de começara a minha apresentação sobre o Avatar Studio confrontei esta questão. Mostra bem algumas das problemáticas e pré-conceitos que se colocam quando se trabalha com crianças e ferramentas digitais.

A primeira questão tem a ver com a estanquicidade dos conceitos. As TIC são na verdade transversais a todos os currículos disciplinares, quando utilizadas como ferramenta. E são currículo, quando são desenvolvidas em àrea própria. Têm um carácter híbrido, ausente da maior parte dos conhecimentos previstos nos currículos (apesar das boas intenções de interdisciplinaridade). Ao trabalhar 3D com os alunos, não estou a trabalhar este conceito como um contéudo estanque, mas sim como um meio de expressão que pretence chegar a um objectivo bem definido: concretizar um trabalho, para o qual concorrem diferentes saberes que necessitam da aprendizagem de vários conteúdos. 3D não é um conteúdo, mas perspectiva é, e manipular objectos em 3D facilita e muito a compreensão dos princípios elementares da perspectiva. Este é um dos eixos do meu trabalho: utilizar o digital como ferramenta de expressão, e não como uma finalidade de aprendizagem. O mais importante não é que os alunos aprendam a dominar o computador e a aplicação (embora esse seja o caminho necessário). O importante é que os alunos aprendam novos saberes que os levem a concretizar um trabalho específico.

Outra questão prende-se com a utilização dos meios digitais por parte dos professores de EVT. Boa parte utilizam-nos, inclusive ferramentas avançadas de desenho vectorial, animação, edição e imagem e 3D, mas não transferem esse uso pessoal para a sala de aula. O porquê intriga-me. Talvez por uma visão tradicionalista da disciplina, dos seus meios de expressão, e talvez por uma visão tradicionalista dos contextos artísticos que valoriza alguns meios tradicionais de expressão. A pintura a óleo é nobre, a arte digital é... incompreendida. Não que o computador não seja utilizado na sala de aula, mas é-o como suporte a apresentações, ferramenta de pesquisa e edição de texto. Surpreende-me que um professor seja capaz de utilizar uma ferramenta de desenho vectorial mas não lhe ocorra trabalhar essa ferramenta com os alunos. Por outro lado, um número significativo de professores da disciplina não utiliza o computador de forma pessoal ou apenas o utiliza para utilizações simples - elaboração de textos e navegação. Também não é fácil integrar o computador como ferramenta de trabalho numa sala de aulas. O primeiro factor é o material em si. Normalmente não se dispõe de um computador por aluno, ou sequer de um para dois alunos. Trabalhar com o computador pode obrigar a deslocações a salas específicas, descontextualizadas da área disciplinar. Apresenta problemas logísticos de gestão de espaços, comportamentos e trabalhos.

A utilização do computador é hoje estimulada em todos os níveis de ensino. Mas a exploração de ferramentas mais avançadas é rara. Normalmente o computador é utilizado como ferramenta de pesquisa, produção de texto e apresentação. É um uso que se adapta bem aos currículos existentes, concebidos antes da revolução digital. Substitui as horas passadas na biblioteca, a máquina de escrever e o acetato. A utilização mais criativa e avançada é normalmente reservada a contextos próprios, isolando-a como algo à parte, aparentemente inacessível e incompreensível. Mas porquê? Porque não experimentar utilizações diferentes, noutros contextos? Basta olhar para o trabalho desenvolvido por Minsky e Papert para perceber que utilizações ditas avançadas - recriar, construir, programar, podem ser realizadas com crianças. Obriga é a alterar a pedagogia, a metodologia de trabalho subjacente. Aqui, a disciplina de EVT apresenta-se como um campo fecundo. Nós, professores, de EVT, orgulhamo-nos do carácter experimental e criativo da disciplina, o que a adequa a utilizações construtivas do computador. No entanto, ao pensar na utilização do computador a maioria rejeita-o ou resvala para o uso clássico, que eu não resisto a apelidar de limitado. Outra coisa que pretendo demonstrar com o meu trabalho é que é possível integrar o computador na aula de EVT, utilizando as aplicações que permitem uma utilização expressiva em contexto de trabalho na disciplina, não como elemento isolado mas como meio de expressão a que se recorre para concretizar um trabalho pictórico (fico-me pelo pictórico por enquanto... quem sabe dentro de uns aninhos não estou a experimentar a obra verdadeiramente tridimensional, com robótica ou rapid prototiping).

Não sou o único professor a integrar ferramentas digitais desta forma na sala de aula. E não é fácil. Já o faço há pelo menos sete ou oito anos e senti na pele as barreiras, as dificuldades e os caminhos de sucesso. Recordo-me quando há uns anos disse a uma amiga, designer gráfica, que utilizava o photoshop com os alunos. Ela olhou-me como se eu fosse louco e referiu que era uma ferramenta muito complexa. Pois, pois é. Mas o meu objectivo não era que os alunos de dez e onze anos aprendessem as nuances do programa. Bastava que experimentassem algumas possibilidades gráficas. Entretanto deixei-me do Photoshop. A única forma de o utilizar com os alunos não era legal e nos últimos anos tenho-me preocupado com a ética digital (ajudado pelo refinamento do software aberto). Outra dificuldade que senti foi a de espaços e materiais. Nos primeiros tempos, tinha de retirar os alunos do espaço físico da aula, dividindo a turma se necessário, para os colocar na sala de informática ou biblioteca/centro de recursos. Tempo de deslocação que era tempo perdido, e a descontextualização preocupava-me. O que me abriu novas possibilidades foi o projecto, de há quatro anos, de equipar as escolas com um número reduzido de computadores portáteis (que ainda sobrevivem, a custo). Consegui começar a utilizar o computador na sala de aula, e com isso consegui manter os contextos. Permitiu a rotação de trabalhos, permitiu a multidisciplinaridade, permitiu que o computador não fosse visto como algo isolado, mas sim como mais uma ferramenta. Por outro lado, colocou (e coloca) problemas de logística e gestão que não são fáceis de resolver.

Quanto à ideia que há momentos próprios para se aprender determinados conteúdos, sou totalmente contra. A missão da escola pública vai mais além do que dotar a generalidade da população de conhecimentos elementares; pode, e deve, incluir a disseminação do património cultural. Não falar de um assunto só porque não faz parte do âmbito da minha disciplina é algo que não me passa pela cabeça (e gostaria eu de ter mais tempo para falar de outras coisas com os alunos). Quando era director de turma havia aulas de formação cívica que as destinava ao cinema, mostrando excertos de obras como 2001, Metropolis ou... Frankenstein. Excertos porque não havia tempo de ver o filme por completo, embora por vezes os alunos mo pedissem. A ideia era a de divulgar aquilo que poucos conheceriam, e nos contextos culturais e sociais onde se inseriam possivelmente não chegariam a conhecer. Corri o risco de um certo elitismo, mas e porque não? Não pode a escola abordar uma cultura mais erudita? É o mesmo raciocínio que aplico à utilização do computador. Interessa-me que os alunos desenvolvam a expressão criativa. Utilizar o vídeo, o desenho digital e o 3D são novas ferramentas que permitem atingir esse objectivo. Tintas, pinceis e lápis são muito interessantes, e estas novas ferramentas também. Estou a tentar demonstrar que podem coexistir, e a criar metodologias que permitam a outros professores da disciplina perderem o medo, ou o pendor para o traducional, e arriscar a utilização destas ferramentas. Não quero com isto fazer uma apologia do abandono das técnicas tradicionais; mau serviço prestaria aos alunos se por aí fosse. Uma educação global envolve o conhecimento da tradição e do moderno, são no fundo indissociáveis.

Onde Vivem os Monstros



Maurice Sendak (2009). Onde Vivem os Monstros. Matosinhos: Kalandraka

Kalandraka | Onde Vivem os Monstros
Wikipedia | Where The Wild Things Are
Warner | Where The Wild Things Are


Já está disponível a tradução portuguesa do curioso livro infantil Where The Wild Things Are. Chegou ao mercado português através da Kalandraka, editora de referência no panorama da edição de literatura infantil em portugal (qualquer obra editada por esta editora é de certeza de elevada qualidade, bem escrita e ilustrada, de um bom gosto irrepreensível).

Superficialmente, é uma história sobre um rapaz que depois de uma birra e respectivo castigo mergulha num mundo interior onde os ódios se materializam num fascínio pela capacidade de fazer mal, simbolizado pelas simpáticas criaturas que, no fundo, não deixam de ser monstros. Mas no final, é o humanismo dos afectos que captura a alma do jovem herói.

Podemos ler muitos subtextos nesta obra aparentemente simples, mas para uma pessoa visual como eu o que se destaca é o suarrealismo das ilustrações, reminiscentes da pintura ingénua de Henri Rousseau e a puxar um bocadinho a Edward Gorey. A repelência agradável dos monstros, a construção de um mundo vegetal coerente, enfim, todo o estilismo do livro mergulham-nos num mundo fantástico do qual só nos é revelado um pequeno vislumbre.

E Sendak desenhou os monstros mais simpáticos de sempre. Peludos, cornudos, dentados e carinhosos. Ponto.

Este lançamento vem aproveitar o renascer da atenção sobre esta obra já clássica da literatura infantil graças à sua adaptação cinematográfica. No entanto intriga-me. Como é que expandiram um conto curtíssimo para o enredo de uma longa metragem? Queimado como estou com o cinema made in hollywood, aposto em reviravoltas delicodoces e motivações saídas da psicologia mais banal. Mas pelo que vi nos trailers os monstros continuam simpáticos.

P.S.: e porque não? Aqui fica a ligação para a adaptação animada do livro, criada em 1973: Where The Wild Things Are.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Oishinbo



Tetsu Kariya, Akira Hanasaki (2005). Oishinbo vol 5: Fish, Sushi & Sashimi. São Francisco: Viz Media

Viz Media | Oishinbo
Wikipedia | Oishinbo

Quando tentamos caracterizar o manga deparamo-nos com a barreira da diversidade. Os autores e editores concentram-se na exploração de nichos. Há mangas para todos os gostos e vícios, para todos os nichos de mercado imagináveis. Este Oishinbo aponta para os amantes da culinária.

O manga anda à volta das aventuras culinárias do jovem jornalista Yamaoka Shiro, de impecável palato e desafiador das tradições epicuristas nipónicas. Cada história gira à volta de um prato, com um panorama geral de um concurso entre dois jornais rivais que publicam o guia dos melhores e mais refinados pratos da culinária nipónica. A rivalidade estende-se ao plano pessoal - o degustador rival é o àcido pai de Yamaoka, cujas relações são no mínimo explosivas. Ao lado de Yamaoka está sempre Kurita Yuko, que entre pratos acaba por levar o jornalista iconoclasta ao altar.

As histórias são uma elegia da boa culinária, apologia dos sabores delicados e do refinamento da arte de cozinhar. Perfeição e tradição são os temas recorrentes, com ênfase nas sensações que a boa comida desperta nos degustadores. Mais do que arte pela arte, é arte dedicada ao prazer dos sentidos. Ler as pranchas de Oishinbo desperta o apetite e dá vontade de degustar um bom sushi.

O gosto pelo prazer da cozinha é algo que não nos é estranho. Pense-se das descrições do banquete de Trimalquião do Satyricon, na beleza simples do conto A Festa de Babette ou os exageros barrocos das receiras de Brillat-Savarin ou do filme The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover. Este manga simples mas apetitoso vem-se juntar às obras que elogiam o prazer de bem cozinhar.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Fronteiras

Neste natal surgiram nas televisões dois anuncios na televisão que sublinham como as fronteiras entre o real e o virtual, sempre algo ténues no espírito humano (Moura, 2009), se estão a fundir. Sentimos que as fronteiras entre os espaços reais e virtuais se esboroam, potenciadas pela tecnologia digital, e estes dois anúncios reflectem esse sentimento.



Eye Pet: este é um daqueles brinquedos que vai despertar resmungos sobre a desumanização das crianças. Um animal de estimação que "vive" dentro do televisor (na prática, dentro da memória de processamento da playstation) e que permite interacção através de objectos reais que se estendem ao espaço virtual. É uma pura aplicação de realidade aumentada, em que as acções do mundo real se estendem ao espaço virtual. No vídeo fiquei particularmente curioso com a capacidade de desenhar uma forma num papel, fazer a leitura com a câmara e poder transformar a forma rabiscada num objecto 3D manipulável. Não interpretaríamos a criatura virtual como um ser vivo, mas o potencial de interagir com o virtual utilizando os nossos gestos habituais em vez de objectos de interface é muito promissor. Imagine-se: escrever num dcoumento sem utilizar um teclado, manipular um ficheiro utilizando os gestos manuais e não o rato/touchpad.



Mais interessante é a publicidade ao Wii Sports Resort, pelo conceito em que se baseia. O olhar do espectador é levando em círculos, alternando entre espaço virtual e espaço real. As cenas estão construídas de forma a que o espaço real pareça uma extensão do espaço virtual e vice-versa; um constante ciclo entre imaginário e realidade física com a máquina como interface de fronteira a servir de ponte entre as duas realidades. O que é real, o que não o é? Serão os bonequinhos coloridos os seres reais e nós a mera projecção das suas fantasias?

A ancoragem do espírito humano no real é discutível. Se fossemos realmente fãs do real, toda a construção de espaços imaginários que constitui o espólio da cultura humana - mitos, ficção, literatura, arte, música, não seria possível. A génese da realidade virtual está no nosso cérebro, na nossa capacidade de imaginar objectos, acontecimentos e espaços que não existem ou não aconteceram senão no espaço exíguo das nossas sinapses. A tecnologia digital está apenas a acelarar e a ampliar o espectro do possível dentro da fronteira entre o real e imaginário, e a fazer o impensável para outras tecnologias que representam e representaram, durante milénios, o virtual, como a linguagem oral e escrita, ou a linguagem plástica. Observar a capacidade de falar, escrever e representar graficamente como tecnologias parece contra-senso, mas não o é na medida em que permitem representar o virtual, o imaginário nas nossas mentes. O digital apenas trouxe a capacidade de interagir com os espaços virtuais. Escrevo "apenas" para olhar para lá do deslumbramento com o digital e recordar que um livro, um quadro ou um mito também nos mergulham num espaço virtual. Temos é de o reconstruir na nossa mente. O digital tira-nos essa reconstrução, mas amplia a capacidade de interacção e criação.

(As referências vão para os ensaios A Arte como uma nova filosofia natural: o explodir de novas fronteiras de Henrique Garcia Pereira, referindo "a hibridização do vivo com o artificial acaba com uma série de antigos dualismos, em especial a separação mente-corpo, que é uma herança de Descartes e que foi mantida viva durante séculos, para serivr de suporte intelectual ao capitalismo industrial." (p:50), e Vida 2.0: o novo paradigma da arte de Leonel Moura, que reflecte "a realidade virtual vem demonstrar que o nosso cérebro não faz distinção entre o mundo físico e o imaginado. Coisa que já sabíamos a partir dos sonhos, mas que adquire uma outra dimensão, fenomenológica, já que agora temos estes outros sonhos perfeitamente acordados." (p:44). Inspirado pela conversa que tive com o Dr. Vítor Cardoso sobre as tecnologias que já permitem este resvalar entre real e virtual, alguns aspectos metafísicos desta evolução e o potencial das crianças de hoje serem adultos que amanhã se moverão entre espaços reais e virtuais sem fronteiras. E uma boa dose de inconsciente colectivo: anda uma pessoa a pensar nestas coisas do virtual, 3D e mundos virtuais e caem no sapatinho de natal televisivo dois anúncios deste calibre. Nota-se bem que anda aí qualquer coisa no ar.)

sábado, 28 de Novembro de 2009

Ataque de Pânico



Última hora! Robots gigantes arrasam Montevideo! Na verdade, uma fantástica curta-metragem que mescla imagem real com 3D e efeitos especiais muito verosímeis. Um belíssimo exemplo de criatividade cinemática digital vindo do Uruguai.

Leituras

iO9 | Is This The Beginnings Of The First Megacity? Arcosanti, a primeira arcologia do planeta, é a concretização do sonho do arquitecto italiano Paolo Soleri, e está-se a construir nas planícies remotas do deserto do arizona.

iO9 | Superheroes Confront Their Most Terrifying Foe: Old Age Nos comics o que normalmente envelhece são os seus criadores. As personagens mantém-se eternamente jovens, sempre no pico do seu vigor. Este projecto de instalação olha com alguma ironia para o que seriam os super-heróis caso envelhecessem como todos nós.

Pink Tentacle | Photos: International Robot Exhibition 2009 Apenas os japoneses teriam a lata de criar robots industriais com um simpático aspecto humanóide. Até um robot de carga sorri para os utilizadores.

Gizmodo | Places Where the Internet Actually Happens (In Real Life) As âncoras reais dos espaços virtuais: um ensaio fotográfico na Wired sobre os locais que albergam a internet - os data centers, server farms, centros de ancoragem cablagem de fibra óptica submarina.

Discover | First Collisions in the LHC! O Large Hadron Collider está a funcionar e a fazer colidir feixes de partículas. Até agora não há notícias de buracos negros na fronteira franco-suiça (tinha que escrever isto... já perdeu a piada, eu sei).

WebUrbanist | 15 Fantastic New Futuristic Tech & Gadget Designs Conceitos já a concretizar-se em laboratórios, e um a chegar ao mercado: interfaces cérebro-máquina, telemóveis hiperminiaturizados, ecrãs implantáveis na retina, electricidade sem fios ou próteses mecânicas controladas pelos nervos. Por isso é que a ficção científica perde o interesse - já a estamos a viver.

iO9 | Photographer Documents Melting Icecaps, Celebrates Our Cyborg Evolution A beleza surreal das calotas polares a derreter e a nova natureza biomecânica em fotografias interessantes.

Kottke | Scenes from a contest A imagem da onda salta à vista. O artigo remete para os excelente ensaios fotográficos do Boston Globe, desta vez com exemplos de um recente concurso da National Geographic para fotógrafos amadores.

iO9 | ImagineFX Names The 50 Best Living SF/F Artists Uma lista dos cinquenta melhores ilustradores de ficção científica. Os suspeitos do costume estão por lá.

Ars Technica | Microsoft targets 2012 for Windows 8 Com o 7 fresquinho nas prateleiras, já se trabalha no 8. Será o conceito de obsolescência planeada aplicado aos sistemas operativos?

Make: | BlueSMiRF found in credit card sniffer O movimento de hardware opensource tem dados excepcionais frutos recentemente. Mas o que chega aos media mainstream são histórias de horror sobre a utilização de hardware originalmente desenhado como ferramenta educacional criativa para utilizações ilegais. Até se percebe. Cada criança que brincar com hardware opensource é menos uma criança que consome produtos pré-formatados. Isso sim, um crime que deveria ser punido por lei... (:-))

iO9 | IBM Recreate Cat's Brain Inside Computer Com 144 terabytes de memória e algumas centenas de milhar de processadores, investigadores da IBM conseguiram simular o cérebro de um gato.

Gizmodo | Your Move, Captain Sullenberger Se comandantes de aeronaves há que conseguem aterrar aviões no meio de um rio, este conseguiu algo mais interessante: aterrar a aeronave num campo de lava.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Expressão Digital



Ontem, dia do departamento de expressões. Os professores do departamento organizaram ateliers onde os alunos puderam experimentar diferentes técnicas de expressão artística, do origami à estampagem, passando pela reciclagem de materiais e pintura. No meu caso, optei por um atelier de pintura digital.

Para variar...



Montei um quadro interactivo eBeam - uma tecnologia elegante que com um projector, um equipamento específico e uma superfície minimamente apropriada permite transformar qualquer superfície num quadro interactivo. Utilizando a caneta, os alunos puderam controlar as aplicações no computador.

Experimentaram o CB Model Pro (beta), uma promissora aplicação de 3D desenvolvida pela Dassault Sistèmes (3Dvia, Catia) que permite modelação orgânica de objectos 3D. Tal como o ZBrush, mas a custo zero (e sem as toneladas de opções do ZBrush). Também utilizaram o clássico Art Rage, cuja simulação da textura e propriedades das tintas e pinceis nunca cessa de deliciar alunos e professores.



Este foi um dos resultados, criado por um grupo de alunos do 5º ano. As fotos foram editadas por razões de confidencialidade.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

...



Toque de cinzento em mar alteroso.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Avatar Studio



Apresentação sobre o Avatar Studio mostrada a alunos de informática da Universidade Lusíada, a pedido do meu orientador de tese. Correu bem e... foi interessante.

...



Toque de sol.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Aprendizagens

E agora não resisto à piada assassina (que ficava melhor no post anterior mas não quis que a minha má fama piorasse). Se os responsáveis do ministério da educação conseguiram corrigir os problemas da primeira fase do projecto magalhães, quer dizer que aprenderam alguma coisa, o que os coloca ao nível das... bactérias (que sim, demonstraram capacidade de aprendizagem, de acordo com os sábios ao nível genético).

Pois, eu sei, o meu sentido de humor inexistente. Podem sempre ver piadas mais divertidas neste vídeo: 'A Virus Walks Into a Bar...' and Other Science Jokes - Brian Malow. Confesso que desatei à gargalhada com a anedota "o gato de Schrödinger entra num bar... ou não entra". Ou das comparações entre os vírus (biológicos) e as OPAs hostis. Yes, i'm that much of a nerd.

Regresso

Depois de uns meses de incerteza, parece que o Magalhães está de volta, de acordo com as declarações da ministra da educação numa conferência na Gulbenkian esta manhã. Fico sempre contente por ouvir estas notícias na comunicação social antes de me chegar alguma coisa pelos canais oficiais - é que depois a resposta às torrentes de perguntas de alunos e professores não fica fácil. Mas menos mal. O programa continua, o que é bom. Fiquei curioso com duas informações. Primeiro, se as inscrições abrem já esta semana, isso quer dizer que o processo já não sobrecarrega os professores titulares de turma (quem teve de fazer o trabalho de inscrição da primeira fase, algo sempre bom de pedir a profissionais já sobrecarregados)? Isso seria bom, mais um passo em frente na correcção dos problemas que surgiram na primeira fase do projecto. Outra informação é a abertura de um concurso público para a aquisição do lote de computadores para a continuação do projecto. Isso quer dizer que a JPSá Couto vai perder o docinho que lhe foi dado pelo anterior governo? Qual será o modelo da máquina a entregar? O Classmate? O Magalhães 2.0 que a JPSá Couto anda já a alardear como a nova máquina do eEscolinhas? Poderá haver alterações ao hardware proposto, com outras propostas a concurso? Ou será um daqueles concursos públicos lançados mas feitos à medida de um candidato?

E já agora, como é em termos de sistema operativo? Mantém o XP, avançam para o 7, ou apostam de vez no Caixa Mágica? Os próximos meses o dirão. Entretanto, o portal das escolas já avançou com alguma coisa, colocando uma pequena notícia lacónica que remete para as fichas de inscrição e nada mais.

De qualquer forma, para que este projecto funcione faltam ainda dois pilares que não vejo abordados: a criação de redes locais sem fios nas escolas do 1º ciclo (não é boa ideia pedagógica e económica deixar os alunos à solta com placas 3G) e a formação de professores. Não se pode esperar que profissionais que foram formados dentro de metodologias estabelecidas antes da explosão do computador como ferramenta agora começem a inovar por decreto. Já mexo com a introdução de TIs na sala de aula há uns sete anos e não é fácil encontrar metodologias, estruturar actividades e gerir tempos. E o que é realmente quase impossível é integrar o computador com os currículos existentes, pelo menos de uma forma que vá mais além do que ferramenta de apresentação e criação de textos.

Google Sketchup: Criar uma Casa

Google Sketchup: criar uma casa simples

Como criar uma casa muito simples utilizando as ferramentas rectângulo, linha, extrusão e mover no Google Sketchup.

domingo, 22 de Novembro de 2009

2010

A ler a edição especial The World in 2010 do Economist. Previsivelmente deprimente, mas também tratam-se de economistas... as coisas nunca estão bem, mesmo quando estão, e só estão mesmo bem quando os indicadores batem certo mas a vida das pessoas nem por isso. Caso típico: o destaque dado à Gronelândia, de onde se esperam grandes crescimentos. Graças ao aquecimento global, os glaciares a derreter são perfeitos para projectos hidroeléctricos e a diminiução dos gelos abre as portas à prospecção petrolífera. E o frio que vai fazendo é perfeito para instalar data centers e server farms.

Pois é, o ambiente pode ir para o galheiro e a espécie humana caminhar em percursos suicidários, mas o crescimento económico está assegurado.

De qualquer maneira o panorama também tem visões interessantes, em particular na astronáutica e tecnologias de ponta. Mas ainda não cheguei lá... ainda faltam algumas páginas.

Guia de Iniciação Rápida

Tutorial Quadro Interactivo Promethean

Algumas informações para começar a trabalhar com os quadros interactivos Promethean ActivBoard e a aplicação ActivInspire.

sábado, 21 de Novembro de 2009

Leituras

Boing Boing | The Green Flash of the Sun É raro, mas acontece: o famoso raio verde que se vê ao pôr-do-sol.

Boing Boing | Apple patents anti-user attention-complianceware Excelente ideia, para quem quer viver à custa de sacar os mais ínfimos tostões aos utilizadores. A Apple patentetou um sistema que impede um utilizador de utilizar o seu equipamento sem ter de ver um anúncio ou outra opção escolhida pelo vendedor do equipamento.

Bibliodyssey | The Theatre of Cruelty Recordar um pouco a admirável tradição histórica europeia das torturas públicas.

iO9 | In an Alternate Universe, Inglouirous Basterds is Already a Comic Ainda não vi o filme; será que leio o comic primeiro?

iO9 | The 15 Dumbest Superhero Retcons Of All Time É uma das mais persistentes características dos comics. Sempre que é preciso redefinir ou recuperar uma personagem, lá vêem alterações à retro continuidade. E por vezes a coisa não faz mesmo sentido.

Boing Boing | Pirate Bay logo trademarked Pura notícia WTF: uma empresa sueca patenteou o logotipo do Pirate Bay, site que se bem se recordam lista torrentes que violam a legislação sobre direitos de autor...

iO9 | A Step-By-Step Guide to Making Your Own Disaster Movie Depois deste tutorial, só me faltam uns pequenos detalhes como actores, adereços e efeitos especiais para fazer o meu filme-catástrofe (ou então, umas horinhas bem passadas no bryce...)

XKCD | Academia vs Business No meu caso, sinto-me particularmente em sintonia com o while you're fixing stuff, can you get outlook to sync with our new phones. Ou, mais especificamente, como restaurar a vista de documentos anteriores no Word de um computador que vem com trancas e bloqueios em tudo o que é opção...

Boing Boing | Labels may be losing money, but artists are making more than ever Mais uma acha para a guerra dos direitos de autor. A pirataria está fora de controlo, mas os dados estatísticos apontam para um crescimento das receitas dos músicos (vindas de concertos) e uma queda das receitas das editoras (que se interessam por impingir cds ao mercado).

Boing Boing | This Video From the Tip Top of the Burj Dubai Makes Me Sick to My Stomach Ai. Quando estive na torre Eiffel, tive de me obrigar cobardemente a dar uns tímidos passinhos até me conseguir aproximar das barreiras. Agora no topo do Burj Dubai.. ai ai ai ai ai ai ai...

BLDGBLG | THE CITY AND ITS FLOODED DOUBLE O sempre excelente BLDGBLG mostra-nos visões das urbes futuras semi-submersas pelo aquecimento global.

Gizmodo | Becoming a Sexual Cyborg (NSFW) Para os fãs de tecnologias auxiliares a algumas actividades desenvolvidas na cama, é já quase possível tornar-se um cyborg... e com os equipamentos certos no sítio certo, fazer alguns exercícios à distâncias, via internet.

Read Write Web | Live Blog: The Google Chrome OS Press Event O Chrome OS está aí e... bem, primeiro experimentar, e depois opinar (assim que arranjar uns minutos para o meter no virtual box). De qualquer forma, a primeira impressão é... um sistema operativo que se assemelha a um browser? Dependente da cloud? Talvez seja um pouco prematuro.

Boing Boing | Strange sightings of futuristic rocketmen and flying platforms Ideia intrigante do dia: haverá por aí viajantes no tempo equipados com tecnologias aeronáuticas retrofuturistas? O link do boing boing leva ao Fortean Times, sempre fonte de umas boas gargalhadas.

Boing Boing | Animated video for Flairs' "Trucker's Delight" (NSFW) NSFW? Totalmente. Nem percebo como o Youtube, tão restritivo com os conteúdos, ainda não eliminou este vídeo. E ainda bem. O grafismo é brilhante e a escatologia delirante.

iO9 | Rare Dune Concept Art From One Of Space Opera's Greatest Visionaries Graças aos deuses pela Internet. De vez em quando surgem vislumbres da concept art desenvolvida para esse filme lendário que nunca foi filmado como devia ter sido: o Dune, na visão original de Alejandro Jodorowski. Desta vez são conceitos de Chris Foss para as naves espaciais do filme.

iO9 | Cheesiest And Most Inappropriate Book Covers Of All Time Porque, enfim, o meu mundo tornou-se mais interessante com a visão de duendes verdes de olhar assassino, chicote empunhado e insígnias nazis nos fatos.

Boing Boing | 3D scanning with a plain webcam E se dúvidas têm que a tecnologia mais quente do momento é a Web 3d, vejam este projecto: digitalizar para visualização 3D objectos utilizando uma singela webcam (comum em qualquer portátil nos dias de hoje).

XKCD | Prudence C.S. Lewis encontra-se com a robótica avançada neste revisitar nerd de Narnia.

2001: A Who Odyssey



A perfeição: remix de dois clássicos da Ficção Científica, o assombroso 2001 e o clássico Dr. Who. Belíssima animação criada no LightWave. E não digo mais nada. Vão ver... e se quiserem façam uma lista das referências cruzadas.

...

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

...

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

...

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Glossário 3D/VRML

VRML - Virtual Reality Modeling Language (Linguagem para Modelagem de Realidade Virtual). Formato de ficheiro para realidade virtual. Também designa outros tipos de ficheiros. Formato original - wrl97, já em desuso. Cria um ficheiro de texto que descreve formas tridimensionais e as suas propriedades de cor, textura, espaço, luz e movimento. É traduzido através de plugins para vrml.

X3D - formato de ficheiro vrml mais recente e avançado.

Avatar - representação gráfica de um utilizador em realidade virtual. Pode ser em 2D ou 3D.

Perspectiva - Projecção na superfície bidimensional de um fenómeno tridimensional. Representa o objecto criando ilusão de volume. O Bryce permite trabalhar em perspectiva paralela, oblíqua e aérea. Manipulando os controlos de câmara, podemos observar os objectos e cenas em múltiplas perspectivas

Pontos de Vista - Na modelação 3D o posicionamento dos objectos é muito importante. Uma posição que nos parece correcta pode ser incorrecta ao modificar a perspectiva. Podemos trabalhar com cinco pontos de vista que permitem ver um objeto dos lados, de frente, de trás, de cima e de baixo para nos certificarmos que está correctamente posicionado no espaço e em relação a outros objectos.

Câmara - A Cãmara permite controlar com precisão aquilo que será visto na imagem final. Quando trabalhamos em animação, aquilo que é visto no filme é o ponto de vista da câmara. Para criar imagens panorâmicas obtemos melhores resultados se utilizarmos a câmara como ponto de vista para criar a imagem final.

Primitivos - Formas geométricas elementares cuja combinação permite criar objectos tridimensionais. Podem ser utilizadas por si ou combinadas através de operações de modelação booleana.

Formas primitivas: Esfera, Toro, Cilindro, Cubo, Pirâmide, Cone.

Planos - Superfícies bidimensionais que se estendem até ao infinito. Facilitam a criação de ambientes. O Bryce trabalha com três tipos de plano - de água, simulando superfícies aquáticas; de terra, simulando superfícies terrestres; de nevoeiro, simulando névoa e nebolusidade. O plano de nevoeiro pode ser trabalhado em volume. Os planos conjugam-se com as texturas para obter os efeitos pretendidos.

Wireframe - 3D exige muito dos recursos do computador. Apresentar todas as texturas, efeitos e iluminação em tempo real tornaria o trabalho muito lento. Para isso, o ecrã apresenta a estrutura de arame do modelo e só no processo de renderização final é que vemos o resultado da conjugação de todos os elementos.

Renderização - É o processo de transformação dos modelos em estrutura de arame em imagem ou vídeo. A renderização calcula o resultado da reflexão, refracção e absorção de milhares de raios de luz levando em conta materiais e condições de ambiente. Dependendo da complexidade da cena, pode ser um processo lento.

Texturas - As texturas permitem modelar os objectos 3D com elevados níveis de realismo. Podem ser cores ou imagens. O Bryce permite manipular as propriedades das texturas para que o resultado obtido seja realista.

Ambiente - O realismo das imagens 3D é obtido pela conjugação da luz com as texturas e materiais. O ambiente - qualidade e cor da luz, névoa, posição do sol ou da lua, intensidade da iluminação e outros efeitos ambientais, pode ser manipulado nos controlos avançads do Bryce.

...



As estrelinhas no céu não são estáticas. Vão caindo. Maravilhas do vrml.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Vrml ao vivo



Filmado no telemóvel, com edição mínima (montagem dos clips e pronto). Capturas de trabalho dos meus alunos no Avatar Studio (a animação de avatares) e no Vivaty Studio. Objectivo final: crial modelos em vrml para colocar online.

...

Virtual Worlds, Collaboratively Built

Philip Rosedale (2009). Virtual Worlds, Collaboratively Built. Journal of Virtual Worlds Research. Vol. 2, Nº 3. Austin: Virtual Worlds Research Consortium

Virtual Worlds, Collaboratively Built

Potencial dos mundos virtuais com impacto profundo no mundo real, transformando a vida das pessoas tal como o emergir da WWW. Necessidade de standards abertos na criação de mundos virtuais, similares aos que construíram a internet. O desenvolvimento de tecnologias proprietárias pode limitar o desenvolvimento dos mundos virtuais. Espera-se que se tornem estáveis, confiáveis e seguros.

Análise do second life e seu impacto sobre os seus utilizadores: comunidade, comunicação, novo recurso financeiro – leva a mais responsabilidade na sua disseminação de forma aberta.

Abertura da tecnologia também ajuda ao desenvolvimento, com a colaboração dos utilizadores, não se limitando à visão dos programadores. Caminho de desenvolvimento que envolve interconexões e abertura tecnológica, alimentando um crescimento explosivo com participação directa dos utilizadores.

O desenvolvimento de mundos virtuais será um paradigma melhor desenvolvido se investigadores e criadores colaborarem, desenvolvendo métodos de trabalho colaborativos e criando padrões de base que permitam novas direcções de desenvolvimento. Termina sublinhado a importância da investigação, código e padrões abertos.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

VRML

Confesso que me apaixonei pelo vrml. Não é a tecnologia de ambientes virtuais com mais hype - isso fica para os 3Ds e os scripts do Second Life, e também me parece não ser tão abrangente em termos de potencial de interacção como outras tecnologias de realidade virtual - como o Croquet, a plataforma Olive da Forterra ou o Open Sim. Mas... qualquer uma destas tecnologias requer cliente próprio para suportar o ambiente virtual e um potente tráfego de dados (já para não dizer um potente computador). O VRML... basta um browser e um plugin. Normalmente é no plugin que falha - ao contrário de tecnologias que se tornaram indispensáveis à web (como o Java ou o Flash), os plugins vrml não estão muito disseminados. Há uma forte comunidade de criadores de ambientes em vrml e de programadores que desenvolvem plataformas de interacção que utilizam o vrml, mas não parece haver grande investimento por parte das criadoras de plugins em disseminar a tecnologia de forma abrangente. Falta um esforço similar ao que implementou o flash como um standard de facto na web. Também não ajuda a incompatibilidade dos plugins existentes no mercado com outros browsers que não o Internet Explorer.

Apesar disto, vale a pena investir no vrml. É uma tecnologia de fácil acesso - boa parte dos modeladores 3D permite criar conteúdos em vrml, é relativamente fácil assemblar modelos 3D em ambientes virtuais. É leve - a menos que se exagere na contagem de polígonos dos modelos 3d, um mundo virtual pode não chegar a 500k (particularmente se codificado em X3D, o mais recente standard VRML, e zipado, deixando ao plugin o trabalho de o expandir após descarregar). Ao invés, o Second Life exige um tráfego de dados que se mede às dezenas de Mb. E é aberto. Curiosamente, os criadores do Second Life também defendem standards abertos, como observa Philip Rosedale do Linden Labs, the overall scale and impact of the virtual world suggests at a high level that the best outcome is to be very open, with respect both to software code and the numerous standards that connect it. Its similarity to the web is undeniable, and the web was built on open standards by a large number of different people, companies, and countries.

Refilices

- Nunca percebi o fetiche pelas lareiras em apartamentos. São um must e uma mais valia, diz-se. E pior: são utilizadas. O que significa que mal chega o frio algumas zonas habitacionais ficam empestadas de um horrendo cheiro a fumo. E se tiver sorte, quem vive nos últimos andares ainda fica com as varandas cobertas de fuligem, e se vento houver a divisão da casa que tem lareira tem de ser hermeticamente selada por causa do fumo que retorna na chaminé. Coisas de português. Com tantas formas eficazes de aquecer a casa, gosta-se mesmo é de queimar troncos de árvore e lançar fuligem e co2 para a atmosfera em nome do gosto por ver a chamas a crepitar.

- Parabéns pela simpatia e preocupação com a minha saúde da funcionária da papelaria que fica na esplanada dos Navegantes aqui na Ericeira. Vendem tabaco apenas em máquinas - o que obriga a trocos, e quando lá vou recusam rigorosamente atender-me. Eu até percebo que não lucrem muito com a coisa, mas podia ter sido... enfim, profissional. Tudo bem. Não tinha grandes razões para ser cliente (a selecção de leituras disponíveis é bastante banal) e agora deixei mesmo de o ser.

- Metro de Lisboa. Lembro-me de tempos em que era simples andar de metro. Não me refiro à expansão - tão necessária, das linhas, mas ao simples acto de entrar e sair de uma estação. Quando se está com alguma pressa, faz mesmo jeito ficar parado naquelas portinholas a raspar o cartão pelos leitores. Nunca abre à primeira... nem á segunda, talvez à terceira. Pensava eu que a ideia de um transporte é tornar rápido o tempo de deslocação. Mas aquele sistema de bilhetes do metro de Lisboa consegue o oposto. A minha sensação favorita é estar no meio de um maralhal de saída em hora de ponta a polir o leitor à espera que a porta abra. De qualquer maneira já aprendi a minha lição: idas a Lisboa por mais do que algumas horas? Estacionar o carro no parque de estacionamento do Campo Grande (um parque baratinho da CML onde uma manhã fica por dois euros e como o parque de veículos rebocados da PSP fica mesmo em cima ainda oferece algumas garantias de segurança) e apanhar o metro. Mas sem pressas nas entradas e saídas.

?

Então e as imagens? Onde é que elas andam? Pois, é o que dá perder a password de acesso ao hosting e ter nos contactos um email bastante desactualizado...

Quando tiver um bocadinho de pachorra dedico-me a repor as coisas. Mas agora vou digerir o Art in the Age of Technoscience.

Bolas...

Porreiro. Dia livre e pespegam-me com uma reunião da rede de bibliotecas escolares em Lisboa. Até pode ser interessante, mas depois de vir em primeira/segunda desde a Venda do Pinheiro até Entrecampos e ficar entalado à saída do metro a boa vontade está em baixo...

...



Marés vivas...

domingo, 15 de Novembro de 2009

...



Ainda falta, eu sei. Estou a experimentar umas coisas em vrml para depois aplicar com os alunos e... criar uns postais virtuais. A ver se corre bem.

...



Ainda falta, eu sei. Estou a experimentar umas coisas em vrml para depois aplicar com os alunos e... criar uns postais virtuais. A ver se corre bem.

Fantasia: Sagração da Primavera

Parte 1: Génesis



Parte 2: Evolução



Parte 3: Extinção



Em vez de um filme, três. Ou antes, três excertos de um filme animado dos anos 40, Fantasia. Fruto da colaboração entre os animadores dos estúdios Disney e a Orquestra de Filadélfia conduzida por Leopold Stokowsky, este filme é um dos pontos altos da história dos filmes de animação. O filme visualiza em animação algumas das mais famosas peças de música clássica. A sua imagem mais conhecida é a do rato Mickey como aprendiz de feiticeiro. Nestes excertos, assistimos à visualização das origens da vida na Terra imaginadas pelos animadores da Disney, acompanhados pela Sagração da Primavera de Igor Stravinsky.

sábado, 14 de Novembro de 2009

...



Experiência de modelação com operações booleanas e conversão de primitivos para superfícies poligonais no Vivaty Studio. Para quem não sofrer de deficiência de vrml fica aqui o ficheiro para visualizar e manipular em 3D: Car.x3d. O x3d é o formato mais recente de ficheiro VRML e pode ser visualizado com qualquer plugin vrml. Recomendo o BS Contact.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Dai-nos a Paz



Um pouco de absoluta perfeição: oração Dona Nobis Pacem da Missa em Si Menor composta por Johann Sebastian Bach.

...



Maré... de azar? (porque hoje é sexta-feira... treze...)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Nomes Infelizes

Uma coisa gira com o caso Face Oculta, para lá da sucataria, são os nomes. Depois do nome inspirado do processo, temos um Vara - que irá à vara do tribunal, e um Contradanças, que com o nome do processo dava um belo título para um album de uma banda. Mas o meu favorito é o do número dois do sucateiro: Namércio. Ora eis um nome que marca uma infância e traumatiza um adulto...

...



Igreja de Santa Maria do Castelo, Torres Vedras.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Leituras

io9 | The Man Who Put 70s Rock In Space Also Did Star Trek Posters Uma recordação bem retro de capas futuristas de LPs criadas a aerógrafo.

Gizmodo | Oh Sh*t: New Viruses Download Child Porn Onto Your Computer Na verdade já não é novidade. Algum do malware que anda por aí tem precisamente esta função - armazenar ficheiros ilegais nos discos rígido de utilizadores incautos sem o conhecimento destes, distribuindo-os online sempre que o computador está ligado à internet.

io9 | The Nazi UFO-Fighting Soviet Megaplane That Never Was Saidinho dos arquivos de e se...?

The Onion I Alternate-Universe Sci-Fi Channel Show Asks What Would Happen If Germany Lost War Brilhante, este spoof do website de humor a imaginar um documentário que imagina o que aconteceria se a alemanha nazi tivesse perdido a IIª Guerra mundial. Uma hilariante vinheta de história alternativa.

Gizmodo | The History of Computing Video Shows Why We Are Doomed Sabemos que no futuro o computador será ainda mais prevalente; tudo para aí aponta. Mas qual será o nível? Talvez ao ponto de a computação se tornar num novo ecossistema.

WebUrbanist | Brutal Torture: 16 Twisted Techniques & Historic Devices Só para recordar a inefável capacidade humana para criar instrumentos capazes de provocar sofrimentos horripilantes em seres humanos.

The DEW Line | VIDEO: Japan TV profiles Shinshin stealth fighter Um vislumbre de um projecto de aeronave stealth totalmente concebida no Japão.

Skytopia | The unravelling of the real 3D mandelbrot O fractal de Mandelbrot fascina-nos há gerações com a sua eterna aproximação ao infinito. A partir do gráfico de uma fórmula matemática simples conseguimos atingir níveis sempre mais profundos e vislumbrar estruturas feéricas. E transformar o gráfico bidimensional de mandelbrot numa estrutura tridimensional gera imagens assombrosas.

...



Misericórdia...

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Luzinhas

Curioso efeito esta noite ali para os lados do Casal do Carido: a iluminação pública acende-se, começa a piscar, estabiliza. Apaga-se, reacende-se piscando e estabiliza novamente. Será um teste a uma forma inovadora de criar iluminações de natal?

...



Torres Vedras.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

...



Misericórdia...