segunda-feira, 15 de julho de 2019

Superman: Dark Knight over Metropolis



Algumas histórias em que Batman e Superman se cruzaram em Metropolis, a maior parte delas num longo arco detalhando um combate contra uma máfia criminosa que ameaça a cidade. A história mais interessante é Skeeter, com argumento de John Byrne e ilustração de Art Adams. Numa cidadezinha do interior profundo do sul dos Estados Unidos, os dois personagens icónicos da DC envolvem-se num misterioso surto de vampirismo, aparentemente ligado a uma jovem adolescente. Que, na verdade, é uma vampira centenária, imortalizada como adolescente. Uma aventura em que, por pouco, o grande Super-homem quase se transforma em vampiro. Há também, criada por John Byrne, uma curiosa história que parece replicar a origem do Quarteto Fantástico da Marvel no universo DC, mas com tudo a correr mal aos personagens.

domingo, 14 de julho de 2019

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Heavy Metal magazine's 1979 H.P. Lovecraft special: Moebius a ilustrar Lovecraft? Esta, e outros docinhos para os fãs dos mythos, neste post do 70s Sci-Fi Art.

Africa’s Lost Kingdoms: O contraste entre a visão tradicional europeia de África com um continente de selvagens, e a realidade dos diversos reinos, civilizações e unidades políticas que existiram até ao colonialismo.

Ai-Da the robot artist's first exhibition has us asking: What even is art?: Um robot de aspeto humanóide que pinta telas? Apesar do meu gosto, e respeito, pelas experiências de criação de arte usando Inteligência Artificial, robots e algoritmos, pela maneira como isto está montado suspeito de gimmick fácil para atrair atenção, com uma base tecnológica elementar. Um bocadinho como o Sophia, que é essencialmente um boneco animatrónico, e os jornalistas clueless que escrevem artigos sobre ela ser um robot inteligente.

How the world fell in love with manga: O autor do artigo revela surpresa pela forma como o mangá se afirmou como media de relevância cultural. Suspeito que não tenha estado atento aos gostos que os mais jovens evidenciam. Há tempos, em conversa com um dos líderes do Rubberchicken, ele observou que o que via nos alunos dele era o predomínio da cultura japonesa alimentada pelos mangá seinen e shonen. E, nos meus, que são bem mais novos, aparece o mesmo padrão. As novas gerações mostram-se influenciadas pelo Japão, em contraste com os fãs mais maduros do continuum pop Marvel/DC dos comics. São movimentos naturais. Recordo-me quando era adolescente, me sentia frustrado por os comics serem menorizados, enquanto o gosto cultural se focalizava na bande dessiné franco-belga, agora praticamente esquecida por cá. Quanto ao mangá, quer sejam fãs irredutíveis de BD ou comics, deixem-se de paroquialismos e partam à descoberta desta forma nipónica de contar histórias, que tem autores e obras absolutamente geniais.

AMBER LUMP HOLDS SURPRISING 100M-YEAR-OLD CREATURE: Do fascínio do passado profundo, preservado no âmbar.

Twenty-one years of using insect resistant (GM) maize in Spain and Portugal: farm-level economic and environmental contributions: Interessante. O uso de plantações genéticamente modificadas na península ibérica teve dois grandes impactos: melhoria dos rendimentos dos agricultores, devido ao aumento da produção, e diminuição do impacto ambiental, porque estas culturas requerem menos pesticidas dos que as tradicionais. Um bom argumento para usar nas eternas discussões com os naturalistas orgânicos, que não se apercebem que a razão pela qual a humanidade se escapou aos ciclos de fome e escassez de alimentos se deve precisamente àquilo que mais atacam, a agricultura industrial e científica. É essa abundância que lhes permite os recursos para poderem alimentar-se de leite de amêndoas e saladas de bulgur temperadas com especiarias orgânicas. Mais intrigante é o desmontar do impacto ambiental negativo das culturas geneticamente modificadas. Faz sentido. Afinal, estas plantas foram modificadas precisamente para serem mais resistentes a pragas e insetos.

Somebody’s Watching You: The Surveillance of Self-Driving Cars: Não é nenhuma novidade. Os meios digitais trouxeram-nos uma sociedade panopticon embebida nas próprias bases técnicas da tecnologia. Os sensores que comunicam entre si e nos permitem a inteligação digital são perfeitos dispositivos de hipervigilância minuciosa. E no futuro dos veículos autónomos e internet das coisas, esta tendência só irá aumentar.

10 Tourist Sights Around The World On Instagram Versus Reality: Um aviso aos turistas incautos que se guiam nas suas visitas pelas glórias visuais das redes sociais. Aquelas imagens de sonho que perseguem? Dificilmente as vão conseguir. Em vez do silêncio idílico da paisagem de sonho, levam com os empurrões dos magotes de turistas que também vieram em busca daquele momento perfeito que viram nas redes sociais. Aqui, falando como alguém que gosta de fotografia, só posso recomendar que não vão atrás da imagem icónica, e se tiverem paciência, muita paciência, conseguem fazer fotos interessantes mesmo nos locais mais entupidos. Há sempre ângulos que evitam as multidões, ou raros momentos em que os espaços se esvaziam.

Why We Write About This Thing Called the Future: Um ponto de vista intrigante. De onde partiu a nossa saudável obsessão com o futuro? Para este articulista, o Iluminismo, com as suas ideias de progresso social e científico, foi o responsável por nos mudar o ponto de vista, nos levar a imaginar e antecipar futuros possíveis.


Chaohuan: Intrigante. Novas palavras para um novo tempo.

One Day, All of This Will Be Embarrassing: É normal. Depois do entusiasmo com as partilhas em redes sociais e oversharing associado, as normas sociais evoluem. As partilhas não restritas começam a ser mal vistas, e isso nota-se logo na atitude dos mais novos face ao que partilham nas redes.


Embraer’s new EmbraerX eVTOL concept is accessible, autonomous and courteous: Mais um conceito que se junta ao de aeronaves pessoais autónomas. Mas, ao contrário da Airbus, Boeing, Lillium e outras, este projeto da Embraer parece mesmo ser um conceito, e ainda nenhuma aeronave tangível.

Turn-of-the-Century Thinkers Weren’t Sure If Women Could Vote and Be Mothers at the Same Time: São-nos absurdos, hoje, artigos como este que, em 1900, defendia que as mulheres não deviam ter direito ao voto porque já estavam demasiado ocupadas com tarefas domésticas e maternidade, e terem se de preocupar com leis e política seria uma sobrecarga para elas. Pessoalmente, não leio estes artigos com um olhar do tipo olhem só o quanto progredimos. Vejo-o por um outro prisma: dentro de cem anos, quais das nossas normas sociais aceites, pressupostos sobre os quais construímos a nossa visão do mundo, se terão tornado absurdos e obsoletos?


Space Robot Roll Call: Por onde é que andamos no sistema solar? Este gráfico mostra as correntes missões de sondas em missões científicas, quer em órbita ou na superfície de planetas, quer a caminho.


Caption Spotlight (12 Jun 2019): Dune Footprints in Hellas: Para arquivo nas categorias o universo é estranho e isto anda tudo ligado. Esta imagem de uma duna marciana captada pelo Mars Reconnaissance Orbiter faz-me lembrar qualquer coisa. Talvez... to boldly go where no martian has ever gone before?

Tehran’s Desert Ghost Towers look like a Zombie Movie Waiting to Happen: Sintomas de futuros em descarralimento. A confluência da pressão demográfica, especulação financeira e urbanística, e condições reais em terrenos isolados em zonas desérticas dá nisto. Cidades enormes, construídas e equipadas para o futuro, mas sem habitantes. Como templos desertos às ilusões da arquitetura.


The Cold War Bunkers of Albania: Já que falamos em ilusões da arquitetura... sob a ditadura de Enver Hoxha, a Albânia tornou-se um estado isolado e paranóico. Obcecado com o risco de invasões dos antigos aliados soviéticos, ou ocidentais, que nunca aconteceram, o ditador transformou a paisagem do país mandando construir milhares de bunkers, linhas de defesa contra invasores que nunca se deram ao trabalho de aparecer. Estes monumentos à inutilidade são hoje ruínas de cimento em desagregação.

The information arms race can’t be won, but we have to keep fighting: Já tínhamos notado. A informação, ou melhor, a desinformação, é a grande arma deste princípio de século XXI. Fake news, apelo a enviesamentos, trolls digitais, bots, tudo vale para otimizar a desinformação usando os canais digitais.

The Surprising Ways Art Has Advanced Astronomy: As relações surpreendentes entre arte e astronomia. Dois campos que nos legam imagens de tirar o fôlego.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Midnight Radio


Iolanda Zanfardino (2o19). Midnight Radio. Lion Forge.

Definitivamente, um livro millenial. Um termo que geralmente é usado de forma pejorativa por parte de uma geração para a qual é inconcebível que os seus sucessores pensem, ajam e tenham valores diferentes das gerações predecessoras. No entanto, aqui o termo cai que nem uma luva. As histórias não interconectadas deste Midnight Radio exprimem a afirmação de valores, e a busca por uma definição de vida, de toda uma nova geração.  São histórias simples, mas de tensão, entre famílias, entre valores tradicionais de autoridade e emprego, entre fazer o que é socialmente imposto e o que o indivíduo sente como o correto. Um pormenor curioso e interessante: as histórias têm todas uma paleta monocromática, variando a cor de acordo com cada personagem. Midnight Radio é um livro que representa as novas histórias que têm significado para uma nova geração.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Dylan Dog: Inferni; Dal Profondo


Tiziano Sclavi, Carlo Ambrosini (1990). Dylan Dog #46: Inferni. Milão: Sergio Bonelli Editore.

O inferno é um lugar de trevas e ranger de dentes... ou esse pode ser um dos muitos infernos possíveis. Tantos quanto a diversidade da alma humana, e o que leva uma alma a ir para um ou outro inferno é, talvez, um processo aleatório. Alguns infernos poderão mesmo ser paraísos. Mas aquele com que Dylan Dog se cruza nesta aventura, definitivamente não o é. Este inferno é, passe a expressão, um inferno de burocracia, uma eternidade de preenchimento e carimbar de formulários. E se um desses documentos tiver um erro, a vida real pode levar voltas estranhas. Nesta aventura, a credibilidade de Dylan é posta em causa quando, ao tentar ajudar uma amiga em luto pela morte do marido, uma troca burocrática nos infernos o faz pensar que esta terá tido culpas na morte do esposo. É uma excelente história de Tiziano Sclavi, com o seu surrealismo negro em estado de fino humor puro.


Tiziano Sclavi, Corrado Roi (1988). Dylan Dog #20: Dal Profondo. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Uma divertida colisão entre inspirações em Psycho e Swamp Thing, com toques de drama de terror vitoriano. Um hotel inglês, tutelado por um certo e fiel à sua mamã Norman Bates, é palco de bizarros assassinatos. Tentáculos de matéria saem dos canos e desmembram vítimas incautas na casa de banho. Ao investigar a verdade, Dylan deparar-se-á com uma história de abandono infantil nos esgotos, criaturas misteriosas, herdeiros decadentes e psicóticos de velhas famílias, e até um monstro ingénuo que está apaixonado por uma serial killer. O tom de exagero nesta aventura do Old Boy é mantido em tom elevado com toques agudos de sangue.

domingo, 7 de julho de 2019

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Willem de Kooning: Acrobat with a Paint Brush: Recordar um dos nomes maiores do abstracionismo e expressionismo abstrato, cuja obra ainda hoje nos causa um impacto sensorial fortíssimo.

Doctor Manhattan Just Redefined Superman in Doomsday Clock: Ainda não consegui perceber se Doomsday Clock, o arco narrativo que está a interligar o mundo ficcional de Watchmen com a continuidade regular do universo DC, é interessante. Em parte, isso deve-se ao pedantismo de Geoff Johns em mimetizar o trabalho de Alan Moore, imitando-lhe as técnicas narrativas. Chega ao ponto de usar um ilustrador cujo estilo é muito similar ao de Dave Gibbons. Já o twist parece ser uma piscadela de olhos à própria DC: tudo gira à volta do Super-Homem.

‘Robots’ Are Not 'Coming for Your Job'—Management Is: Certeiro. O grande impulso da automação vem da gestão, como forma de aumentar lucros e racionalizar processos produtivos. Não são os robots que vão substituir os humanos, são os gestores  que estão mortinhos por reduzir os custos com força laboral. E este é um dos grande problemas que a automação está a colocar à sociedade. Neste cruzamento entre tecnologia e neoliberalismo, a lógica da automação é descartar o ser humano dos processos económicos.

The guy who made a tool to track women in porn videos is sorry: Isto é muito, muito creepy. E sintomático de comportamentos obsessivos de sanidade mental altamente discutível. É elevar a fasquia do stalking a um nível inesperado.



Lego is celebrating the 50th anniversary of Apollo 11 with a new lunar lander set: Acho que falo por todos os potenciais leitores destas Capturas na Rede: shut up and take our money?

“Strato-Goose”? Stratolaunch to Discontinue Operations After Single Flight.: Bem, pelo menos conseguiram meter o Stratolaunch a voar. No fundo, esta notícia sublinha os riscos de se ter o desenvolvimento de tecnologias e exploração espacial muito dependentes do carisma de um punhado de milionários. Após a morte de Paul Allen, seu fundador e um dos donos da Microsoft, a empresa não demorou muito a extinguir-se. Agora pensem. O que aconteceria aos fantásticos esforços da Space X se Elon Musk morrer repentinamente? Ou aos da mais discreta Blue Origin se Bezos se esfumasse?

Let Your Robot Take the Final: E se usássemos algoritmos de aprendizagem individualizada (não é uma ideia nova, já desde os anos 60 que se fala disso), que refletem percursos formativos, e fizessem exames por nós? A ideia é gira, mas dispara ao lado. A grande questão é se, na era da Inteligência Artificial e quando sabemos que o conhecimento só gera valor quando aplicado, em que as capacidades criativas e de socialização são as que nos distinguem dos algoritmos, vale mesmo a pena continuar a insistir neste sistema de avaliação por exames, que avalia apenas a prestação por memorização num dado momento.

Nothing Prepares You for Visiting Omaha Beach: Uma visão mais crítica sobre a II Guerra aponta que o que realmente levou à derrota da Alemanha nazi foi a brutal frente leste e o rolo compressor em que se tornou o Exército Vermelho. Também podemos apontar que as primeiras invasões anfíbias dos Aliados ocorreram mais a sul, na Itália. Mas, de facto, a simbologia do dia D é enorme, e apontar para visões alternativas não diminui em nada o seu simbolismo. Estamos próximos do 6 de junho, quando se irão comemorar os 75 anos sobre este ponto fulcral da II Guerra, e cabe a Trump a homenagem aos caídos, e aos sobreviventes. Não consigo pensar em pessoa menos apropriada para o fazer.


Space Ship Designer - 1: Robert McCall é mais conhecido pelas ilustrações que fez para a NASA, mas no tempo livre também gostava de desenhar naves  de pura sci-fi.

Rare footage of the "uncontacted" tribe that killed the missionary who illegally went to their island to preach: Conseguem imaginar uma vida sem espaços urbanos, cuidados de saúde, tecnologia avançadas e todas as amenidades que passámos a considerar como elementares? Para algumas raras, muito raras, tribos no Amazonas e Papua, o contacto com o mundo moderno é muito ténue. E, nas áreas ameaçadas pela agricultura intensiva, exploração mineira ou madeireira, não é um contacto positivo. Ainda temos este caso muito especial das ilhas Andaman, um arquipélago indiano no oceano índico. Uma das suas ilhas é lar de uma tribo isolada e especialmente aguerrida, que recusa de forma agressiva qualquer contacto com o exterior. O governo indiano optou por uma postura de não intervenção e criou o equivalente à prime directive de Star Trek. A área está interdita, e as tentativas de contacto com esta tribo são punidas. Isto, claro, se sobreviverem à tentativa. De vez em quando, sai mais uma notícia de pescadores perdidos ou missionários em missão evangelizadora mortos por se terem aproximado demais da ilha. Esta tribo não desconhece o mundo exterior. Apenas recusa-se a interagir com ele, algo que os antropólogos que a estudam, à distância, atribuem à memória de contactos violentos com outras tribos, no passado.

It’s 2059, and the Rich Kids Are Still Winning: Entre o conto de FC e o relatório frio. Ted Chiang assina para o New York Times este texto futurista, numa secção do jornal dedicada à antecipação. E fá-lo no seu habitual estilo meticuloso e seco. Neste conto, Chiang leva-nos a meditar sobre as promessas, e os perigos de aprofundamento do fosso de desigualdades, das terapias de melhoramento humano através da manipulação genética.

La patente del PageRank de Google ha expirado hoy: Se estão com vontade de criar a vossa própria google, vão gostar de saber que a patente do algoritmo PageRank original expirou. Claro que a google hoje usa versões bem mais sofisticadas deste algoritmo, mas pelo menos, sempre dá para olhar para aquele momento em que a forma como a internet era usada se alterou defintivamente.

DEEP-SEA DIVERS AND INDUSTRIAL ESPIONAGE: ON THE FRONT LINES OF THE NEXT COLD WAR: Não vivemos num mundo inocente. E, por vezes, o incrível acontece. Como nesta história em que uma empresa de hardware viu os seus dispositivos mais recentes copiados por uma concorrente chinesa. As suspeitas de fuga de informação não deram em nada, naturalmente... porque o que os chineses fizeram foi contratar mergulhadores para roubar um dos dispsitivos. Esta, e outras, mostram que a questão da Huawei não é preto e branco.

Revista H-alt #08: Este é um dos projetos mais interessantes na banda desenhada portuguesa. A H-alt é uma revista especializada em dar espaço aos novos autores, e cada número conta sempre com boas surpresas. Pode ser lida online gratuitamente, a versão em papel custa dez euros e costuma estar à venda em eventos ou livrarias independentes.

Amazon says it has deployed more than 200,000 robotic drives globally: É impossível não notar que esta empresa está na vanguarda da automação, pelas melhores e piores razões. No lado negativo destacam-se as suas práticas laborais, conhecidas pela forma opressiva como gerem os seus funcionários. No positivo, a substituição da mão de obra em trabalhos repetitivos e mecanizados.

On YouTube’s Digital Playground, an Open Gate for Pedophiles: A ironia disto é que os algoritmos de recomendação estão apenas a fazer aquilo para que estão programados: otimizar o tempo de estadia no site, oferecendo sugestões que mantenham desperta a atenção dos utilizadores. Se os começa a levar para campos eticamente discutíveis, é apenas a conclusão lógica da otimização. Isto só me faz lembrar a clássica parábola da Inteligência Artificial criada para produzir clipes da forma mais eficiente possível, que acaba a exterminar a humanidade para otimizar ao máximo a sua produção.


First Buck Rogers Film: Para aqueles que acham que a Ficção Científica tem de ser sempre futurista e preditiva, artefactos como este parecem provar que o género envelhece mal. No entanto, este tipo de estéticas mostra outra coisa. Recordam-nos como do passado viam os futuros possíveis, prováveis ou improváveis. E mostra-nos, também, que as nossas visões contemporâneas, que consideramos tão à frente e interessantes, também se irão tornar, no futuro, algo que oscila entre o kitsch e o deliciosamente retro.

Not iPod, iPAQ: Nos anos 90, quando os PCs desktop dominavam e falar-se de computação móvel parecia um sonho futurista, já existiam dispositivos que permitiam ter o computador na palma da mão. Variavam de capacidades entre os simples PDAs com sistema operativo básico, aos mais avançados da Palm. O Tedium recorda-nos um destes precursores dos tablets e smartphones: o iPAQ, um pequeno computador de bolso capaz de competir com os dispositivos Palm OS, que à altura dominavam o mercado. Tudo mudou no início do século XXI, com a óbvia convergência entre telemóveis e computadores de bolso, e especialmente a partir do momento em que Apple lançou o iPhone.

ARPANET, Part 2: The Packet: Um mergulho na história da Internet, que nos fala das decisões que levaram à adoção do encaminhamento por pacotes, que é a base das comunicações online.

THE CATCH-22 THAT BROKE THE INTERNET: Esta semana, o meu lado de administrador de sistemas foi surpreendido com mensagens da Google a reportar falhas de serviço generalizadas. Não são incomuns, mas costumam ser rapidamente resolvidas. Mas não esta. Passou quase um dia até a situação estar estabilizada. Este artigo da Wired detalha o que aconteceu: uma manutenção de rotina que entre erros, bugs e políticas automatizadas de salvaguarda de tráfego em redes (ironicamente, que serviam para evitar este tipo de situações), quase paralisou a maior parte dos serviços Google. E, com isso, parte da internet. É bom que estas coisas aconteçam, para nos recordar a complexidade da infraestrutura técnica que sustenta os serviços digitais de que dependemos.


Esta inquietante imagen es lo que experimenta una red neuronal mientras 'agoniza' y va olvidando cómo es un rostro humano: Uma experiência intrigante. Depois de treinar uma rede neuronal para gerar imagens realistas de um rosto humano, a investigadora começou a desligar os nós da rede um por um, e documentou o resultado. Que é este, uma sucessão de imagens bizarras e para nós perturbadoras de um rosto progressivamente desconstruído à medida que a rede neuronal perde capacidades. No vídeo que acompanha a notícia, a banda sonora poderia ser a canção Daisy Bell... Não perceberam esta? Revejam 2001 de Stanley Kubrick. Na cena em que o astronauta Dave Bowman desliga o computador HAL-9000, este canta essa canção numa forma progressivamente rudimentar à medida em que lhe são desligadas as funções. Uma cena curiosamente tocante, e provavelmente, uma homenagem de Kubrick à história da computação. Em 1961, uma equipa de engenheiros da IBM programou um computador da série 7094 para cantar, tornando-se a primeira máquina da história a reproduzir som desta forma. A música? Daisy Bell.

NASA opening International Space Station to tourists: E já não era sem tempo.

MAKER MEDIA CEASES OPERATIONS: Preocupante. Para além da óbvia má notícia sobre a empresa, esta pode ter repercussões globais. O futuro das Maker Faire fica em risco. Apesar de serem eventos tendencialmente gratuitos, organizados por voluntários, abertos a todos, as Maker Faire dependem da marca, que é detida por esta empresa editorial. Várias coisas podem acontecer. O fim das Faire como imagem global unificada; o uso não licenciado da marca e respetivo logótipo (aquele adorável robot vermelho); a transformação da Make numa entidade sem fins lucrativos; ou a continuidade destes eventos, perdendo a identidade Maker Faire. Quanto aos movimentos maker, à comunidade, esses vieram para ficar, mas sem Faire, a visibilidade pública dos projetos e o desafio educacional STEM, os grandes motivadores destes eventos, perdem muito.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

The Authority by Ed Brubaker & Dustin Nguyen


Ed Brubaker, Dustin Nguyen (2019). The Authority by Ed Brubaker & Dustin Nguyen. Nova Iorque: DC Comics.

Se se tem o poder absoluto, a tentação de dominar pode sobrepor-se a tudo o resto. Se estamos a falar de seres com poderes, porque não utilizá-los para implantar uma utopia planetária, sob ameaça da força? Poderemos distinguir o autoritarismo benévolo do malévolo? Fundamentalmente, é tudo autoritário. Nesta série de doze edições que Ed Brubaker escreveu para The Authority, a super-equipa de personagens da Wildstorm que agora fazem parte da continuidade da DC, é essa a questão que a inicia. Mas depressa se desvanece numa trama bastante banal, onde velhos inimigos e conspirações bizantinas separam os personagens, para depois de peripécias que envolvem as nada inesperadas super-lutas entre si, se reunirem e derrotarem o vilão. Está bem escrito, e a Wildstorm sempre permitia algumas liberdades mais violentas, ou de humor mais negro, que nos comics mais mainstream ficam ausentes. Mas o que começa por ser uma intrigante abordagem ao corpus dos super-heróis, um e se assente na premissa porque é que os seres superpoderosos não usam as suas capacidades para dominar o planeta, em vez de se sujeitarem aos ditames de humanos que, perante eles, são meras formigas, resvala para o habitual neste género de banda desenhada.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Anna Mercury


Warren Ellis, Facundo Percio (2005). Anna Mercury. Rantoul: Avatar Press.

Este livro recorda-me porque é que gosto tanto de Warren Ellis. É o seu futurismo deliciosamente weird e visceral, disfarçado sob a capa da ação pura. Anna Mercury é um delírio, um mundo ficcional onde por acidente, um cruzador se manifesta num mundo paralelo e influencia-os para o militarismo extremo. Os agentes da "nossa" terra sentem responsabilidade para com os habitantes da terra paralela, e tentam mitigar os efeitos desta mescla de culto de carga com nazismo. Com algumas condicionantes, especificamente porque a ponte entre universos se aguenta durante pouco tempo, com consequências fatalmente explosivas quando a ponte se fecha. Só agentes especialmente mentalmente instáveis conseguem operar nestes mundos paralelos, e nenhum o faz com mais elegância do que Anna Mercury. FC deliciosamente weird, e aventura pura, são as marcas de sempre deste argumentista.

domingo, 30 de junho de 2019

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Bringing New Life to Frank Lloyd Wright’s Lost Designs: A arquitetura não construída, ou perdida, de Frank Lloyd Wright ganha vida através do poder da modelação 3D.

There Is Too Much Stuff: Os problemas da infinda variedade de produtos essencialmente iguais uns aos outros. Crises do late stage capitalism, e um sentimento de falsas escolhas, com o cérebro sobrecarregado de opções em excesso.

Learning At 300 Baud: O Tedium recorda um dos primeiros serviços de ensino à distância em e-learning, que vinha com aquilo a que chamavam de knowledge modem. Isso mesmo, um simples modem. No entanto, estava-se nos primeiros anos da massificação da internet.

Lenovo’s algorithm tracks smartphone habits to notify when to charge its battery. It even wakes you up to recharge, if asleep: Não sei porquê, mas ao ler sobre esta patente da Lenovo que faz de tudo para recordar o utilizador que o dispositivo tem de estar alimentado, só pensei na Audrey, a planta carnívora do clássico Little Shop of Horrors, e o seu lendário grito feed me, feed me!



It's Full of Stars: Ui, tanta aeronave experimental numa só foto.

The Books of College Libraries Are Turning Into Wallpaper: Antes que comecem os resmungos sobre o fim iminente dos livros, sacrificados ao altar dos ecrãs, leiam o texto e notem que é mais sobre o papel da biblioteca como arquivo de conhecimento do que local de leitura. Livros estarem a ser levados das estantes acessíveis para arquivo não significa o declínio da biblioteca, antes a sua revitalização, com o digital a desempenhar um papel importante. E notem este facto curioso: a maior parte das obras disponíveis nas bibliotecas raramente são acedidas, e isso faz todo o sentido, só quando um investigador necessita é que as consulta.

Before Netscape: The forgotten Web browsers of the early 1990s: Hoje, a coisa está resolvida entre os que usam Chrome ou Firefox (e a malta dos macs, que por inerência só conhece Safari). Mas, nos primeiros anos da internet, houve diversos browsers até o Netscape Navigator se ter tornado o primeiro navegador standard. Este artigo da Ars Technica recorda-nos isso.

Somehow I Became Respectable: Há que adorar a lucidez e eterno espírito enfant terrible de John Waters. A respeitabilidade da transgressão é paradoxal, mas aceita-a com bom espírito. E sublinha o papel de ousar pensar diferente: "First of all, accept that something is wrong with you. It’s a good start. Something has always been wrong with me, too. We’re in a club of sorts, the lunatic fringe who are proud to band together. There’s a joyous road to ruin out there, and if you let me be your garbage guru, I’ll teach you how to succeed in insanity and take control of your low self-esteem. Personality disorders are a terrible thing to waste".



HUMANIZING INDUSTRIAL ROBOTS BY STICKING A JIBO ON TOP: É giro (piada não intencional) ver em destaque no Hackaday este projeto da portuguesa Artica.cc, que procura humanizar um braço-robot industrial utilizando a antropormifização de um robot Jibo. O processo é mais complexo do que simplesmente colar um Jibo nos braços industriais, claro, e é aí que reside o interesse deste projeto para os hackers e makers.

‘Wow, What Is That?’ Navy Pilots Report Unexplained Flying Objects: Sem querer entrar em teorias da conspiração ou alucinações do tipo eles estão entre nós, não deixa de ser intrigante que a marinha americana tenha dado linhas-guia ao seus pilotos sobre identificação de OVNIS. Que, note-se, não têm necessariamente de ser naves alienígenas pilotadas por greys ou little green men. Agora, será este um momento the truth is out there? Por aqui não se cai em teorias da conspiração, apenas curiosidade científica sobre que fenómenos, naturais ou não, estão por detrás destes avistamentos.


Here Are Some Of The Coolest Paint Jobs We Have Seen At NATO Tiger Meet This Year: Um docinho visual para os fãs de aviação. Como sempre, as aeronaves que participam no Tiger Meet. o encontro anual de esquadrilhas das forças aéreas europeias e americanas que têm como símbolo o tigre, distinguem-se pelos esquemas de pintura. E, este ano, o Tiger Meet tem mais uma distinção. Depois de oito anos sem participar (porque, austeridade), os F-16 portugueses da Esquadra 301 Jaguares vieram para casa com os troféus Silver e Tiger Spirit. Note-se, estes galardões são atribuídos não pela estética das aeronaves, mas pelas capacidades técnicas e operacionais dos seus pilotos. A Força Aérea Portuguesa está de parabéns, e para o ano, o Tiger Meet será em Beja. Isto é uma notícia perfeita para os airplane spotters portugueses.

The best coding kits for kids: Há aqui algumas excelentes soluções para atividades de programação tangível para crianças, entre os kits Little Bits aos Lego. E já se começa a olhar para os BBC Micro:Bit, que têm um enorme potencial.

More Than a Decade Ago, Checkmate Gave Readers a Brilliant Fusion of Politics and Superheroes: Recordo que a primeira série deste título me impressionou, nos idos dos anos 90. Passada dentro do mundo dos super-heróis, mas em tom noir e a puxar à espionagem e operações secretas, fugindo aos estereótipos habituais dos personagens super-poderosos. A começar pelo facto de nenhum dos operativos da organização Checkmate ter algum poder.

First You Make the Maps: E, depois, vem o território. Uma delícia visual para os que gostam de mapas, esta curta história da evolução do mapeamento do planeta, da era medieval até à era moderna.

Tributação da impressão 3D: Tanta coisa errada neste artigo, felizmente de opinião, que nem sei por onde começar. Só me recorda aquela vez em que a junta de freguesia da Ericeira foi multada pelas Finanças. Porquê? Investiu em viaturas a biocombustíveis e aproveitava óleo reciclado para o combustível. Como diminuiu os gastos com combustíveis fósseis, foi multada por lesar o estado nos valores correspondentes ao imposto de combustível. Há sempre uma alminha cinzentona que olha para tecnologias inovadoras e vê ali um perigo para as finanças tradicionais. Note-se que os materiais e equipamentos de impressão 3D são sujeitos a IVA, e os rendimentos obtidos são tributados em IRS e IRC. Fico especialmente boquiaberto com o argumento que o fim da deslocalização da produção para outros países é um risco para os impostos... porque diminui a receita das taxas aduaneiras. Uma das maiores valências da impressão 3D é mesmo essa, o travar a fuga da produção para países de mão de obra barata. Pelos vistos, para este fiscalista, fixar capacidade produtiva em Portugal é mau para a Autoridade Tributária, ir comprar à China é melhor. Pessoalmente, nunca tinha visto as coisas sob este prisma. Nunca tinha percebido que a impressão 3D é pura pirataria tributária. Afinal, sempre que imprimo um objeto, ao invés de o comprar, estou a lesar o estado nos impostos.

AUTOMATE THE FREIGHT: AMAZON’S ROBOTIC PACKAGING LINES: As tecnologias que permitem à Amazon automatizar o mais possível a gestão de armazéns. Este artigo olha para as máquinas de embalamento que produzem embalagens à medida dos bens na linha de envio, poupando materiais e acelerando o processo de transferência do armazém para o envio.

Facial recognition is coming to US schools, starting in New York: Daquelas ideias muito, muito duvidosas. Esta intrusão de hipervigilância no espaço escolar está a ser introduzida com os argumentos do costume, os do reforço da segurança das crianças face a predadores sexuais ou tiroteios. Mas se invertemos a lógica, teremos uma geração para quem estar sempre debaixo de olho de algoritmos de reconhecimento facial, que aprende a gerir os seus comportamentos para não ultrapassar os parâmetros, é o normal.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Ángulo muerto


Junji Ito, et al (2018). Ángulo muerto: Antología de cómic de terror. Barcelona: ECC Ediciones.

Confesso-me fã do horror japonês. A mistura de temas ocidentais, nas estruturas narrativas de histórias de assombrações, com as mitologias nipónicas resultam em histórias de uma sensibilidade muito diferente às da tradição europeia. Gosto especialmente dos caráteres aleatório e interminável do terror japonês. Não há exorcismos ou redenções, e as maldições acontecem por acaso. Esta antologia reúne nomes que já conheço e sou fã, como Junji Ito e Hideshi Hino. É sempre um prazer rever os seus estilos gráficos e narrativos. Os restantes são-me desconhecidos, e fiquei bem surpreendido com os trabalhos de Yousuke Takahashi, Amagappa Shoujogun ou Kanako Inuki, que vou manter para referência, caso encontre obras ou antologias suas.

Blancanieves: Cabe a Junji Ito arrancar esta antologia, com uma história levemente inspirada no clássico tradicional. Quão levemente? Ito transforma a rapariga na filha da madrasta, e substitui os anões por espíritos que assombram as masmorras onde a mãe encerrou a jovem. Sendo um conto de horror, a cegueira por se manter a mulher mais bela de acordo com as palavras de um espelho leva a mãe a matar a filha várias vezes, com ajuda do marido. Um tipo de conto curto clássico de Ito, com a sua habitual elegância gráfica a tornar mais leve o seu forte caráter mórbido.

Un Cuento que Finaliza en el Prólogo: Fique surpreendido pelo estilo gráfico de Yousuke Takahashi, num registo mais expressivo do que o habitual rigor estilístico do mangá. A história tem um forte sentido de humor. Um jovem recebe de uma rapariga o dom de ver espíritos, antes desta morrer. Ela quer que ele siga os seus passos, continue a sua missão, mas o rapaz não está nada para aí virado.

Medicina Espiritual: Talvez o que me tenha impressionado menos pelo seu grafismo, por vezes expressionista, por vezes surreal, mas essencialmente grotesco, no mau sentido. A história de Kanako Inuki também é bastante banal. Um médico num consultório vai atendendo pacientes muito bizarros, até a última lhe revelar que está morto, recusa-se a aceitar a sua condição de fantasma e está a atrair as restantes assombrações do cemitério.

El Ratón de Biblioteca: Esta história de Amagappa Shoujogun é uma excelente surpresa. Graficamente muito bem conseguida, num traço clássico e rigoroso. A narrativa leva-nos a uma biblioteca assombrada por um espírito que só se deixa entrever através das estantes, e ao qual nunca se conseguiu ver o rosto. A curiosidade romântica de uma jovem bibliotecária leva-a a conceber uma artimanha para, finalmente, o ver de frente, mas o que descobrirá é horrendo e terá consequências esventradoras.

Una Leyenda del Circo: De Hideshi Hino esperamos o grotesco, e não desilude. A história é grand guignol, com um circo de freaks que oculta demónios, e a separação de duas monstruosidades ligadas entre si. Para além da bizarria narrativa, vale pelo traço grotesco e vincado em contrastes absolutos do preto e branco deste mangaká.

Un Libro de Ilustraciones Repulsivas: A história de Michiru Noroi é um tipo de narrativa bastante convencional, sobre um objeto assombrado que desperta naqueles que o tocam pesadelos, e os levam à loucura e a destinos sangrentos. O traço tem alguns deliciosos momentos de grotesco.

Mujeres en la Oscuridad: Kanako Inuki encontra o horror nas vidas das donas de casa desocupadas, em três pequenas histórias de isolamento. Na primeira, uma mulher que suspeita que o marido a trai alimenta-o com sanguessugas. Na segunda, a curiosidade em espreitar o lixo dos vizinhos leva a uma descoberta macabra. Para finalizar, uma mulher solitária recebe chamadas da vizinha que mora no apartamento ao lado do seu, até descobrir que esta se havia suicidado poucos dias antes de se ter mudado.

El Pájaro Enjaulado: Esta história de Not Osada roça o incompreensível. Não se percebe se envolve bruxarias ou mulheres que julgam que vão crescer asas nos seus ombros. Visualmente, é interessante.

He Empezado El Tejón: Sonhos, infidelidades e pesadelos cruzam-se nesta história de Yousuke Takahashi, onde um homem enfadado com a vida que leva se cruza com uma súcubo.

domingo, 23 de junho de 2019

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The Barbican dives deep into artificial intelligence with More Than Human exhibition: Colocar esta na lista de exposições que esperemos que o MAAT cá traga, já que com a minha profissão ir a Londres não é fácil (os professores têm horários muito estritos a cumprir, não podemos tirar uns dias de férias quando precisamos, ou os voos estão mais em conta). Misto de arte com pedagogia, a exposição AI: More Than Human vai olhar para os impactos da robótica e inteligência artificial na sociedade. Pelas fotos, de uma forma muito sensorial e deslumbrante.

Machines Like Me: Ian McEwan conseguiu atrair a ira da comunidade de fãs e escritores de Ficção Científica ao recusar ser associado ao género com o seu último romance, sobre um andróide inteligente criado por Alan Turing (claramente, insere-se no policial ou romance cor de rosa... ironia, claro). Patetices snobistas de escritor mainstream à parte, o romance dá o mote a uma excelente conversa entre McEwan, John Brockman, Neil Gershenfeld, Stephen Wolfram, Adam Gopnick e Rodney Brooks. Ou seja, pessoas que percebem mesmo de robótica, entre a técnica e o lado social. A conversa é leve, vale mais pelos comentários dos peritos do que pelos insights algo banais de McEwan. E, pelo meio, damos com esta pérola de pensamento: "I wanted to give a quote from that profound philosophical thinker Stormy Daniels. She has a wonderful quote where someone asked whether her breasts were real or not, and she said, "Well, honey, they’re definitely not imaginary." That’s a fairly profound observation in the sense that many things that we’re thinking about are the result of this much more general human capacity, which is this capacity to have things that are initially imaginary, the things that are initially just representations, then actually realize them in the world". Piadas à parte (e esta é excelente), mostra bem que o real não é só aquilo que é natural, é também o que concebemos e construímos.


A tarefa corre mal, perdemos a paciência, atiramos tudo ao ar e ainda tropeçamos? Quem nunca? Ok, mas isto é um robot...

A journey to the Disappointment Islands: Um relato fascinante de viagem à pura aventura a um destino paradisíaco isolado. Estes atóis remotos da Polinésia Francesa estão intocados pelo turismo de massas, são tão longínquos da própria zona a que pertencem que as carreiras aéreas são irregulares. Um viajante, e o espírito de pura hospitalidade no meio do vasto oceano Pacífico.

A Panorama of Genre Events in Portugal: Se há quem conheça bem os poucos mas energéticos eventos ligados à cultura geek portuguesa, é Rogério Ribeiro. Propõe-se analisar para o portal em inglês de FC e F portuguesa o historial dos festivais, eventos e tertúlias que reúnem fãs e criadores.

Lunacy: how science fiction is powering the new moon rush: O papel da ficção científica nesta segunda corrida à Lua, que esperamos traga resultados mais permanentes do que a primeira. O artigo é sensato e não se reduz ao ponto de vista da FC enquanto preditora de futuros (o argumento pró-FC favorito de quem não percebe nada do género). Antes, recorda um conjunto de obras que estimulam a imaginação e nos ajudam a olhar de forma mais assertiva para a possibilidade de estabelecer presença humana no solo lunar.

Social Media Are Ruining Political Discourse: Sim, mais um artigo sobre a iminente catástrofe via redes sociais. Mas este levanta algumas questões intrigantes. As redes, bem como outros produtos digitais, estruturam-se segundo a psicologia do fluxo de Csikszentmihalyi (se conseguirem pronunciar este nome sem se engasgarem, parabéns). Fluxo é aquele estado fluído, bem conhecido das pessoas mais criativas, em que nos encontramos quando estamos profundamente envolvidos com uma tarefa. O problema das redes é que o estado de fluxo que induzem é superficial, desenhado para que o utilizador continue a fazer scroll constante, em busca de novidades (e, de caminho, recebendo anúncios que são o ganha-pão destas empresas). É terreno fértil para os enviesamentos, banalidades e propaganda deliberada. Não é preciso ser verdade, ou sequer uma ideia articulada, o que interessa é implantar o vírus na mente do utilizador.

Here are the winners of the 2019 Nebula Awards: Se estão à procura do melhor que se editou em ficção científica neste ano, não vão mais longe, o essencial está nesta lista. Pessoalmente, fiquei muito intrigado com a premissa do romance vencedor de Mary Robinette Kowal: uma corrida espacial global, motivada por um cataclismo provocado por asteróide que atingiu os Estados Unidos nos anos 50? Hora de ir à caça no Bookdepository.

Teacher suspended after her pupils criticise Italian far-right law: Itália, WTF? Um grupo de alunos apresenta um trabalho em que compara as políticas do degradante Salvini às de Mussolini (francamente, os italianos deveriam ter vergonha de ter um racista misógino como ministro do interior). A professora foi suspensa pelo ministério da educação italiano, para ser investigada com a acusação de não ter orientado corretamente os seus alunos. Aparentemente, na nova Itália populista, deixar que os alunos expressem a sua opinião é ser mau professor, eles têm de ser "orientados" em certas direções. É um pequeno pormenor numa profissão e país complexos, mas aponta para o verdadeiro perigo dos populistas, neofascistas e outros escroques da sua igualha: Salvinis, Venturas, Farages, Trumps, LePens e tantos outros podem ser perigosos e intragáveis, mas o verdadeiro perigo vem das pessoas cinzentas que, em lugares burocráticos de poder intermédio, se sentem inspiradas para agir contra as liberdades.

'Providence': H.P. Lovecraft y Alan Moore se encuentran en el núcleo de un cómic aterrador, obsceno y lleno de tentáculos: É, de facto, uma das obras de maior fôlego de Moore nos últimos anos. Uma profunda desconstrução do mythos lovecraftiano, passando pelas obras acessórias de Chambers e dos seguidores do bardo de Providence. Uma revisão da obra de Lovecraft que, de forma enciclopédica, sublinha a sua violência visceral e negritude cósmica. Um livro que gostaria muito de ver editado em Portugal.


Tintin – A Aventura na Lua – O Conhecimento Científico e a Banda Desenhada: Uma análise da verossimilhança da Viagem à Lua concebida por Hergé, face à realidade das missões lunares.

Scientists Discover Atomic-Forged Glass on Hiroshima's Beaches: Olá, Antropocénico. Mais de cinquenta anos depois do violento dealbar da era atómica, ainda são encontrados indícios na areia das praias japonesas.

Do Blockchain a caminho do Hashgraph: A verdadeira utilidade das tecnologias blockchain não está na geração de criptomoedas, mas na capacidade desta tecnologia de registar transações, o que lhe confere aplicabilidades revolucionárias na indústria e serviços.

New York Has a Supervillain Pulling Emergency Brakes and Destroying Subway Commutes: Para a categoria coisas muito, muito estranhas. Alguém que se compraz em, no metro de Nova Iorque, sabotar as carruagens e provocar paragens e atrasos no serviço. Nas profundezas dos túneis do metro, coisas estranhas se passam...

Do spoilers actually ruin stories?: Sempre suspeitei que o fator contar spoilers faz-me perder o prazer da história depende muito da capacidade cognitiva e erudição do leitor. Pessoalmente, spoilers não me chateiam nada, o que conta é a leitura, o progresso narrativo, a solidez do mundo ficcional. E no cinema a mesma coisa. Se se está a ver um filme só pela curiosidade de como termina, isso quer dizer que nem estamos a apreciar o filme, nem a história, se calhar, é grande coisa.


The Italian Computer: Olivetti's ELEA 9003 Was a Study in Elegant, Ergonomic Design: Retro-computação cheia de estilo, a Olivetti, que nos primórdios da era da computação se estava a posicionar para ser um potencial gigante, foi a primeira empresa a entender que o computador não é só uma máquina, o interface com o humano é fundamental. No entanto, o artigo da IEEE Spectrum não se foca no design precursor da empresa, mas sim no porquê dela não se ter tornado um gigante europeu da computação. Em suma, devido aos falecimentos prematuros do engenheiro brilhante que liderava o departamento de computação, e do principal gestor que, nos anos 50, via o futuro na tecnologia digital. Mostra bem que os projetos bem sucedidos não dependem tanto da capacidade tecnológica ou know how técnico, que o fator diferenciador são as personalidades de quem os lidera.

The Invisible City Beneath Paris: A imperdível leitura longa da semana. Se, como eu, são fascinados pelo mundo da exploração urbana, vão ficar encantados com este relato de um escritor que se junta a um grupo de catáfilos para uma viagem ao longo das lendárias catacumbas de Paris. A literal cidade sob a cidade, geografias subterrâneas de espelho, zonas temporárias autónomas com os seus códigos de conduta de evolução orgânica, os estranhos e deslumbrantes panoramas que se escondem sob as ruas parisienses. Mas, ainda não clicaram na hiperligação para ler o artigo?

Amazon wants to 3D-scan volunteers’ bodies for a $25 gift card: Dado que a Amazon tem práticas laborais que ultrapassam as piores distopias cyberpunk, ficaria desconfiado das suas boas intenções. Especialmente nesta recolha de dados biométricos em larga escala. Para que servirá? Claramente, para treinar algoritmos de inteligência artificial. Resta saber se serão usados para afinar o Alexa, ou sistemas de segurança baseados em reconhecimento biométrico automatizado (para que servem? Pensem em videovigilância, policiamento automatizado, controle de entradas em edifícios, ou aplicações mais arrepiantes nas mãos de estados ou pessoas sem escrúpulos éticos). Provavelmente, ambas, e de certeza outras aplicações que não conhecemos.

HUAWEI’S ANDROID AND WINDOWS ALTERNATIVES ARE DESTINED FOR FAILURE: Qual será o real impacto do fim da relação entre a Google e outros gigantes tecnológicos americanos com a Huawei, imposta pela administração Trump? No mercado chinês, poucos, apesar de algumas questões ligadas ao hardware. No mercado global? Por muito bons que sejam os seus dispositivos, se não fizerem parte do ecossistema Google (mesmo que usem a versão aberta do Android), ninguém os vai utilizar se não tiverem acesso à loja de aplicações e aos serviços Google que se tornaram essenciais. Não há aqui novidade, outros já o tentaram. Recordam-se da Blackberry, do Symbian da Nokia, Tizen da Samsung, do... Windows Phone? Apesar da postura agressiva da Huawei perante este banimento, afirmando que criou o seu próprio sistema operativo e por isso não será afetada pela perda de acesso à Google, mal disfarça a realidade do forte golpe que a empresa sofreu. As aspirações globais que tinha, terminaram.

CubeSat, o pequeno satélite que está a revolucionar o sector espacial: Pequenos, baratos e multifuncionais. Os CubeSats são uma revolução na economia espacial.


Novidade: A Viagem da Virgem: Isto promete. BD portuguesa criada e ilustrada por alguns dos seus maiores autores. Argumento de Pepedelrey, desenhos de Jorge Coelho, Rui Gamito e Rui Lacas. É muito star power da banda desenhada nacional. Ainda por cima, dedicados a essa raridade que é a Ficção Científica. Confesso que estou curioso.

AFTER 15 YEARS, THE PIRATE BAY STILL CAN’T BE KILLED: Processos judiciais, a ira dos executivos das indústrias de propriedade intelectual, takedowns a seguir a takedowns, mas mesmo assim, o velhinho TPB continua ativo. Tudo graças a uma comunidade de libertários anónimos que consegue estar sempre vários passos à frente de governos e indústrias.


Syd Mead - Original Artwork 18.5.19: Um designer gráfico está numa sala de reuniões da Volvo, olha para os desenhos na parede, e pergunta porque é que são tão parecidos com o estilo de Syd Mead. A reposta é incrível: são, de facto, trabalho do mais influente ilustrador e concept designer futurista do século XX, que desenhou alguns conceitos de camiões para a empresa sueca. Desenhos que ficaram esquecidos, a decorar uma humilde sala de reuniões.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Cosmic Ghost Rider: Baby Thanos Must Die


Donny Cates, Dylan Burnett (2019). Cosmic Ghost Rider: Baby Thanos Must Die. Nova Iorque: Marvel Comics.

Já tenho lido alguns comics bizarros, mas este bate-os aos pontos. Meter The Punisher como Ghost Rider já é uma mistura inesperada. Fazê-lo com um toque cósmico, com intervenção Asgardiana e arauto de Galactus, eleva a fasquia. O toque final desta loucura de premissa é colocar o homem numa missão: viajar no tempo e aniquilar Thanos no berço, evitando muitos dos dramas do universo Marvel. Mas nem o endurecido Punisher/Ghost Rider consegue matar um bebé, e vem daí outra solução. Decide educá-lo numa via de justiça e não violência. Algo um pouco difícil quando é sucessivamente atacado por vagas de Cables vindos do futuro, mas que acaba por dar frutos inesperados. Thanos crescerá, não se tornará um ditador cósmico que esmaga civilizações, antes, constrói um paraíso de justiça e tranquilidade... exceto para aqueles que não seguem o credo, ou seja, a larga maioria, que sobrevive em verdadeiras distopias. Os comics têm muito disto, de baralhar e tornar a dar, variando as premissas dos personagens para tentar atrair a atenção de públicos calejado. O que distingue este é a forma hilariante e bizarra como o faz.

terça-feira, 18 de junho de 2019

H-alt: Mar de Aral


É bom saborear este regresso de José Carlos Fernandes. Está de volta o seu suave onirismo, o fascínio retro com geografias distantes cujos nomes evocam exotismo. Este é um livro para ler bem devagar, saciando a sede causada pelo longo hiato de trabalhos deste autor. Recensão completa na revista H-alt: Mar de Aral.

domingo, 16 de junho de 2019

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Ilustradores em atividade: Pensem rapidamente. Qual é a série de ficção científica com maior número de livros publicados, entre romances, banda desenhada e jogos de computador? Se pensaram Star Wars... enganaram-se. A série alemã Perry Rhodan está em publicação contínua desde os anos 60 do século XX. Os seus episódios quinzenais das aventuras do astronauta germano-americano que se vê transportado para o centro de um império galáctico decadente (e a partir daí, as coisas começam a ficar bizarras) já contam com mais de quatro mil novas edições. Some-se a isso as edições paralelas dedicadas a personagens da série, reedições atualizadas que recontam algumas das principais aventuras do personagem, banda desenhada e outros media, digamos que não há biblioteca que aguente. E porque é que nunca ouviram falar dela, perguntam-se? A série nunca teve grande projeção fora da Alemanha. O uberfan Forrest J. Ackerman conseguiu publicar nos Estados Unidos uns meros cento e cinquenta livros, mas não pegou. Há algumas edições francesas (se tiverem sorte, nos alfarrabistas de Lisboa dão com elas), e uma pequena comunidade brasileira dedicada. Para ser justo, todas as novelizações, tie-ins, e comics que formam todo o cânone Star Wars que a Disney quer apagar do histórico ficam num não muito distante segundo lugar, face a Perry Rhodan.

The Many, Many Theories About Leonardo da Vinci: Ao comemorarmos o 500.º aniversário de DaVinci, podemos refletir sobre o seu legado... ou olhar para a míriade de teorias bizarras sobre as suas obras mais icónicas. Pessoalmente, desconhecia que havia todo um grupo de académicos que se dedicam a procurar a possível paisagem que inspirou o fundo da Gioconda. Quando ao resto, sobre códigos secretos e mensagens ocultas, chamemos-lhe o efeito Dan Brown.


Certeiro. Estes personagens ultra-violentos não foram criados para fazer a apologia do autoritarismo, antes, levar a ideia ao absurdo, colocando-a a nu. Mas grande parte dos fãs prefere levar isto no sentido literal, revelando o seu desejo interior de autoritarismo violentos. Algo que é preocupante, na era das fake news, enviesamentos digitais e políticos populistas que puxam precisamente pelo argumento desta pretensa necessidade de autoridade absoluta em nome de uma pretensa segurança. Pessoalmente, sou fã de Judge Dredd, e sempre apreciei a ironia subversiva de um personagem que mistura o fascismo com ficção científica pós-apocalíptica. A personificação da frase If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face — forever de George Orwell, com extrema ironia. Mas nem todos os seus argumentistas a compreendem, e certamente que grande paete do público também não.

15 Fabulous Vintage Snapshots Of Robots: Uma forma diferente de ver o nosso fascínio com a robótica. Não pelo lado high tech, mas com a candura quase infantil dos brinquedos ou disfarces. Uma vénia retro aos nossos futuros overlords.

The surprising history of the word ‘dude’: Que o sinónimo de supra-relaxado venha de um termo para distinguir dandys especialmente amantes da elegância é estranho. Mais estranho ainda é descobrir que silhueta vem do apelido de um ministro francês que, nos tempos áureos da corte faustosa e endividada, se atreveu a taxar luxos excessivos, e com isso levou à adoção de uma prática de retrato em que em vez de um retrato completo o artista desenhava o contorno do rosto. Estas, e outras curiosidades linguísticas.

The AI Supply Chain Runs on Ignorance: Estão a ver a frase se o serviço é gratuito, nós somos o produto? No caso da Inteligência Artificial, isso também se aplica. Sempre que partilhamos fotos em serviços online, ou usamos serviços que dependem de interação humano/digital (estou a pensar em Alexa e similares) estamos a gerar o volume de dados que os algoritmos precisam para aprender. O lado menos visível é quem tem de categorizar e etiquetar esses dados, para os tornar inteligíveis para as máquinas. Uma tarefa entregue a exércitos de trabalhadores em países de mão de obra de baixo custo. Fica ainda no ar que potenciais usos se dão a esta tecnologia. As empresas de IA procuram mercados, e sem nos apercebermos, as nossas alegres fotos pessoais podem estar a ser usadas para treinar algoritmos de visão computacional e reconhecimento facial para uso militar. Se, à partida, soubéssemos isto, se calhar não usaríamos o serviço.

All of Marvel's X-Men Comics Are Ending So Jonathan Hickman's New 'X-Universe' Can Begin: Ok, deveremos ficar preocupados? Ou será que é desta que os X-Men, que têm sido das personagens Marvel mais deixadas ao abandono na confluência entre os comics e o universo cinemático, vão ser revitalizados? Saber que é Hickman à frente deste esforço não é tranquilizador, este argumentista segue muito para o pomposo e hierático.

'Hellboy': guía de lectura para navegar en el mundo de nazis, ranas y monstruos de Mike Mignola: Se só conhecem Hellboy pelos filmes, estão a perder, e muito. O trabalho de Mignola nesta personagem é notável, o seu traço peculiar assenta-lhe como uma luva. Pessoalmente, destacaria toda a série desde o seu início ao espetacular Hellboy in Hell, que a encerra (contrariando a tendência de manter estes personagens indefinidamente ativos, para maximizar lucros). Só deixaria de fora as séries dedicadas ao B.P.R.D., um spinoff do comic principal sobre as aventuras da agência secreta à qual pertence Hellboy, mas que são bastante banais.

London police arrest man who covered face during public facial recognition trials: Isto é profundamente orwelliano. Ser preso por ser apanhado por sistemas de reconhecimento facial é uma coisa. Outra, é ser detido por se estar a passar num local onde a polícia está a testar estes sistemas, e se recusar a ser identificado por eles.

Manatee orgy causes traffic jam in Florida: Sim, é verdade, tentamos ser sérios nestas partilhas de leituras. Mas agora vão lá ler o artigo. Vá, nós aguardamos. E então, o puto de nove anos que vive dentro de vós não começou aos saltos?

Space Genius Ted Cruz Is Super Worried About Space Pirates Stealing our Space Booty: A política americana pode ser muito bizarra, às vezes perigosamente. Mas este argumento a favor da militarização do espaço, vindo da boca de Ted Cruz, toca no fundo de the stupid, it burns. Talvez tenha lido Captain Harlock sem perceber que é uma história de ficção científica?

DEVIANTART IS GROWING UP WITH ITS BIGGEST REDESIGN EVER: Não é nenhum exagero observar que sem a DeviantArt, talvez não faria o que faço hoje em termos de educação com modelação e impressão 3D. Foi a explorar e partilhar nesse site que, há anos atrás, encontrei inspiração e dicas de aplicações que me permitiram ser autoditata nestas tecnologias, e perceber como as levar para a sala de aula. Mais do que um site de partilha de imagens, esta é uma comunidade que antecedeu em muito as redes sociais, e se mantém hoje ainda vibrante por uma razão: é um ponto de encontro daqueles que gostam de praticar arte. Sem algoritmos, pouca ou nenhuma publicidade, sem constantes barragens de spam mental. É curioso vê-la ganhar novo fôlego no momento em que os utilizadores das redes sociais começam a dar sinais de fadiga da tirania dos algoritmos, dos fluxos constantes de conteúdo duvidoso, dos comportamentos questionáveis que a forma como estas redes estão estruturadas estimulam.

Creepshow Surpresa...aterrorizadora!: É, deveras, uma surpresa, esta edição portuguesa. Chegou-nos este clássico dos comics, vénia aos ainda mais clássicos títulos dos anos 50 que despertaram a ira da Warren Commission e levaram à adoção pela indústria do Comics Code. Para os que não estejam muito dentro da história deste género, na américa dos anos 50 do século XX houve um pânico moral provocado pela reação política e social aos conteúdos dos comics, especialmente no que toca aos de terror, que chocavam leitores pela sua violência macabra. Os argumentos deste tipo de pânicos são sempre os mesmos, uma visão redutora que postula, sem quaisquer provas, que a exposição a este tipo de conteúdos irá distorcer a moral dos jovens (tal e qual como quando se fala de videojogos, telemóveis ou internet, certo? Plus ça change...). O resultado foi a adoção de linhas-guia por parte dos criadores, o que na verdade se traduziu numa limitação conceptual. Não por acaso, o género super-heróis só cresceu a partir do momento em que os títulos que afrontavam o gosto moral começaram a desaparecer. A dualidade bem/mal primitiva que lhes é subjacente assentava como uma luva no simplismo das regras da Comics Code Authority. Mas este Creepshow não nos traz essas histórias ofensivas. Esta é uma adapatação de um filme clássico dos anos 80, com histórias de Stephen King (já devem ter ouvido falar dele, parece que escreveu um ou dois livros de terror bem sucedidos) ilustradas por Bernie Wrightson. Para encontrar os horrores originais, vão ter de ir à caça de títulos como Creepy, Eerie, Vault of Horror, Weird Science, Weird Fantasy, Aces High, entre outras. Vale muito a pena descobrir estes títulos, quer pelos argumentos, quer pela ilustração.

Los mejores 13 sitios que visitar en España si te consideras geek, nerd y amante de la ciencia: Algumas sugestões de visita geek, mesmo aqui ao lado. Pessoalmente, só lhes juntaria a estátua a Verne em Vigo, e, claro, o quarteirão friki de Barcelona. No espaço de três ou quatro ruas, dezenas de pequenas lojas especializadas em figuras, comics, vídeo e cultura geek, ancoradas pela Norma Comics e a lendária livraria Gigamesh.

The global internet is disintegrating. What comes next?: Esta tendência balcanizante na internet é, para mim, que defendo os seus princípios-base de abertura e acesso equalitário, muito preocupante. Não por acaso, as pressões para fechar as fronteiras do mundo digital vêm de estados autoritários ou culturas retrógradas. Mas as tentativas de fragmentação da rede não se ficam por aqui. Muito de parte neste artigo ficou o papel das stacks, as grandes empresas da internet, exímias em fechar os seus utilizadores em verdadeiras gaiolas douradas. Colocando a questão noutros termos: navegar no facebook (ou twitter, ou outras redes sociais) não é a mesma coisa que usar livremente a internet.


Federated Learning: Há pouco tempo, a Google surpreendeu ao anunciar um foco reforçado na privacidade, mesmo naqueles serviços, como os Mapas, que dependem muito da partilha de localização. Uma viragem que me deixou curioso. Não é segredo nenhum que a Google depende da agregação de dados dos utilizadores para afinar os seus algoritmos e treinar aplicações de Inteligência Artificial. É pela mesma razão que o Facebook passa a vida a dizer que irá reforçar a privacidade dos seus utilizadores, sem nunca implementar mais do que pálidas e ineficazes alterações. Então, se a Google diminui a quantidade de dados que recolhe, como é que sustenta e renova os seus algoritmos? A resposta pode estar aqui: um sistema que inverte o processo de aprendizagem automática. Em vez de entregar os dados aos algoritmos, descarrega-se uma instância no dispositivo de cada utilizador, para que o algoritmo seja treinado nos seus dados mas sem que estes sejam transmitidos à Google. Tudo o que o sistema central recebe é o resultado do treino. Tudo de forma encriptada.

A Nazi Controversy Deep in the Solar System: Não, não são míticas bases perdidas, ou haunebus à deriva pelo sistema solar. A controvérsia tem a ver com a denominação de Ultima Thule. Um termo linguístico que designa os confins para lá do mundo conhecido, mas que também foi apropriado pelos misticistas nazis.

What Happens When You Always Wear Headphones: É muito intrigante, e talvez apoquentadora, esta tendência do uso de auscultadores não para ouvir, mas para manter bolhas de isolamento e silêncio. Será uma reação contra a constante sobrecarga de estímulos que sentimos no dia a dia?

Kill Decision: Poderá automatizar a decisão de empregar força letal ter um impacto positivo na diminuição da violência institucionalizada? É um argumento tortuoso, mas assenta na premissa que a discussão sobre deixar estas decisões automatizadas nos sistemas de combate nos leve a refletir sobre a desumanização da violência.





Topps space cards from 1958, when the future was glorious: A nostalgia gráfica dos sonhos antigos de exploração espacial.

Comics in Portugal – An Academic Approach: Esboços para uma história da banda desenhada portuguesa, por Marco Silva.