domingo, 16 de fevereiro de 2020

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Ficção Científica


Jean-Claude Mézières: Recordar a espectacularidade gráfica de Valérian.

Filmes de Cordel: Todos temos aqueles momentos em que precisamos de desligar o cérebro, e de facto, estes filmes bubblegum são toda uma estética de iconografias descartáveis.


Jim Burns: Passa-se ali qualquer coisa, mas não percebo bem o quê.

How modern tech has powered our favorite superheroes through the years: Uma belíssima ligação entre ciência e tecnologia das épocas, e os super-heróis. O trabalho dos criadores e argumentistas destes personagens espelha as tecnologias revolucionárias da sua época. Um caso curioso: o Super-Homem originalmente não voava, as primeiras histórias em que voa coincidem com os primeiros voos de aviões a jato. Outro ponto curioso: qual é o herói mais high tech? Iron Man ou Batman? Há aqui motivo para discussão a chegar a vias de facto entre fãs.


NASA's Moon Habitat of the Future From 1989: E, no entanto, continuamos sem lá regressar.

The post-post-apocalyptic subgenre: Não, não é uma gralha. É uma análise a ficções passadas em futuros pós-apocalípticos, não no imediato, mas em cenários reconstruídos.


Syd Mead: Dos veículos. Não por acaso, Mead trabalhou para a indústria automóvel.


This Russian arthouse remake of The Simpsons is the most depressing thing you’ll see today: Oh my, definitivamente deprimente. Citando um personagem dos Simpsons, it's funny, because it's true.

Tecnologia


Space Photos of the Week: Postcards From a Martian Winter: A Martian winter wonderland.

Why we need to blow a Raspberry at big tech…: Esperem, é possível ter nas mãos um computador potente por menos de 100 euros? Sim, o Raspberry Pi é uma máquina de muito baixo custo e que serve para a maior parte daquilo que a maioria das pessoas usa o computador. Pensado como uma máquina para educação, requer alguma montagem, usa Linux. Mas não se limita às salas de aula, tem um importante mercado secundário como computador dedicado em serviços de controlador de dispositivos, como painéis de informação públicos, ou domótica. Só o Pi mais recente custa cerca de 40€, o que nem sequer chega perto do preço de uma máquina Windows, barebones para Linux ou a estratosfera dos sobrevalorizados Mac.

Even the Lumberjacks Were Going to be Automatic in the Future: Dá todo um outro sentido à lumberjack song dos Monty Python… mas na verdade, foi mesmo assim que evoluiu a indústria da madeira, que não fugiu à mecanização.

Boeing’s Autonomous Fighter Jet Will Fly Over the Australian Outback: Uma notícia intrigante vinda da Austrália. A área remota de Woomera está a ser usada pela Boeing para testar tecnologias de aeronaves de combate autónomas. Um projeto conjunto com a RAAF, que se destina a estudar as capacidades operacionais deste conceito, e talvez se traduza numa aeronave de combate autónoma operacional.

A Brief Literary History of Robots: Via o Close Encounters, atualmente um dos mais interessantes grupos do Facebook, uma curta história dos robôs - e andróides, na literatura de ficção científica. É curioso perceber que a palavra Robot surgiu um pouco por acaso.

Yes, An AI-Generated Blog Can Rank — And That’s Scary: Não há grande surpresa aqui. Conteúdo automatizado, optimizado para os algoritmos de agregação de conteúdos. Não varia muito do modelo de publicação digital, onde a escrita tem de ser pensada e adaptada a regras de otimização algorítmica (estas Capturas não são excepção). O que assusta é pensar em quem, para além dos motores de pesquisa, eventualmente lerá este tipo de conteúdos.

This is What Online Classes Were Supposed to Look Like in the 1930s: Umas das coisas que se aprende com olhar crítico é que as tecnologias inovadoras de hoje tiveram os seus análogos no passado. A ideia de ensino à distância em suporte eletrónico não é nova.

How The 2010s Killed The Celebrity Gossip Machine: Uma espécie de vídeo killed the radio star, versão Internet. A indústria dos paparazzi desapareceu, não porque tenhamos deixado de nos interessar pelas coscuvilhices das celebridades, mas porque estas passaram a usar em peso as redes sociais, para fazerem elas próprias o tipo de divulgação que antes era apanágio dos paparazzi. Hoje, o Dolce Vita seria a Anita Ekberg a tirar selfies dentro da fonte de Trevi, com a zona fechada para garantir que os turistas não interfeririam, autorizações para a celebridade colocar o pé dentro da fonte, e um pobre Mastroianni a pensar que a vida era bem mais interessante na Roma dos anos 50.

An elegy for cash: the technology we might never replace: Se o dinheiro digital está cada vez mais pervasivo, com  países a fazer transições naturais ou planeadas para dinheiro eletrónico, algo se perde com  o fim do papel moeda. A Noruega está tão habituada a sistemas de e-pagamento que os comerciantes já começam a não aceitar notas e moedas, e a China é um case study neste campo, com o governo a olhar para o que as suas empresas já fazem e a planear uma moeda digital oficial. Nisto, no entanto, perde-se o anonimato e privacidade do dinheiro tradicional. No eletrónico, todas as transações estão registadas e ligadas a cada utilizador. Algo que, em termos de privacidade pessoal, é catastrófico.

Inside the Fakes Factory: My Chat With a Viral Image Creator: Intrigante registo das ideias de um criador que se dedica a criar imagens intencionalmente falsas de paisagens e monumentos, que são muitas vezes partilhadas como reais por aqueles cujo sentido crítico é inexistente. Não é bem fake news ou falsa propaganda, é mais uma observação de como é fácil deixarmo-nos enganar pelas imagens.

How Smartphone Cameras Changed the Way We Document Our Lives: Daqueles artigos que leio e sinto um forte sentimento de I can relate. Também dou muito uso à lente do telemóvel. Sabendo que não é das melhores para fotografia pura, mas isso é outro desafio, o ser capaz de conseguir uma boa imagem a partir das limitações do dispositivo. Tal como o articulista, aprecio a facilidade de uso, discrição e disponibilidade. Aqueles momentos fugidios que nos encantam no dia a dia passam a fazer parte dos arquivos digitais, em que externalizámos a memória.

The internet’s last great myth is finally dead: A internet tornou-se tão parte das nossas vidas que deixou de fazer sentido em falar de ciberespaço como algo separado da vida real. Do físico ao virtual, num fluxo contínuo.

This 1924 Illustration Nails the Real Future of Drone Warfare: Não é assim tão grande façanha, usar meios remotamente controlados no combate é uma ideia bem antiga.

GALINA BALASHOVA, Space architect extraordinaire: Perfil de uma arquitecta russa que trabalhou na concepção das estações espaciais soviéticas.

MEMORIES OF THE MOON AGE A Lunar love affair: Do fascínio com as viagens à lua, de Kepler às missões Apollo.

The Futuristic Electronic Teacher Console (1967): Que se danem os quadros interativos, HMDs de realidade virtual, tablets, micro:bits, impressoras 3D ou robots. Isto, sim, é o futuro da tecnologia na educação. Com uma secretária destas, os meus alunos vão aprender mais e melhor, potenciando todas as suas capacidades. Até tem gira-discos!

If Machines Want to Make Art, Will Humans Understand It?: Parte daqui uma exploração dos campos da arte digital, com um curioso ponto de vista sobre a real autoria de obras produzidas por robots e algoritmos, que são, fundamentalmente, expressão de quem os programa, por muito aleatório e inesperado que seja o resultado.

Friend of a Friend: The Facebook That Could Have Been: Desconhecia esta, um protocolo pré-redes sociais para definir amizades na Internet. O problema? Dependia do esforço de cada utilizador em criar uma página. Algo que, honestamente, a maior parte das pessoas não está para se dar ao trabalho. É esse o grande trunfo das plataformas digitais, criam um espaço de edição simplificada. O resto são algoritmos e aproveitamentos capitalistas da informação individual.

Disinformation For Hire: How A New Breed Of PR Firms Is Selling Lies Online: Fake news como produto comercial, a prática da venda de desinformação a quem pagar, sejam políticos ou empresas. O dano que isso faz à informação necessária à formação de opinião pública é indescritível. 

NASA’s X-59 Supersonic Jet Cleared for Final Assembly: Dizem que é parecido com o avião do livro O Segredo do Espadão de E. P. Jacobs, mas a inspiração é mais do Douglas X-3 Stiletto, uma das lendárias aeronaves da série X, usadas para desenvolver a tecnologia aeronáutica. 

Modernidade


How Europe Learned to Draw: Uma galeria de imagens interessantes, saídas de antigos manuais sobre como desenhar. 

A Japanese Cafe Is Hosting Playdates, Parties for Robot Dogs: Não surpreende. Parte do fascínio dos robots passa pela forma como lhes atribuímos traços de personalidade, mesmo sabendo que são objetos inanimados cujo movimento nos dá uma ilusão de potencial vida. 

How Yellow Lost Its Good Reputation: Michel Pastoreau é um cronista da história das cores, entre significados culturais, desenvolvimentos estéticos e tecnológicos. O seu mais recente livro é sobre o amarelo. 

The Special Ops Who Rescue Special Ops: Um perfil operacional de uma unidade de operações especiais americana, especializada em missões de salvamento nas condições de combate ou em paz mais arriscadas. São a elite que vai salvar os guerreiros de elite. 

Napoleon’s vision for a new imperial Rome: Quando Napoleão conquistou Roma, declarou-a cidade imperial, estimulou o estudo arqueológico e recuperação dos monumentos romanos. E planeou uma nova cidadela imperial, para ser recebido condignamente na cidade que preserva a tradição do império romano. Infelizmente, foi derrotado e os planos para esta Roma não passaram do papel. Um docinho para amantes da especulação histórica e arquitecturas utópicas. 

The gig economy is being fuelled by exploitation, not innovation: Não é novidade. A economia das plataformas digitais de serviços é exploração laboral pura propiciada por algoritmos e interpretação da figura do trabalhador como empresário que vende os seus serviços. É hiperprecarização, desdém pelas leis laborais, baixos rendimentos, sem horários, e sujeição do trabalhador a regras arbitrárias e injustas. Em suma, um retorno às condições de trabalho revoltantes de que pensávamos ter-nos livrado no século XX. 


Shocking Images Show What It Is Like To Fly In Skies Turned Red By Deadly Australian Bushfires: Só há uma palavra adequada a isto, mas não a posso escrever, é um daqueles palavrões fortes. 

How Long Will Australia Be Livable?:E chegámos aqui, ao ponto em que questionamos a habitabilidade de toda uma zona do planeta. Bem vindos ao novo normal. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Frontlines: Measures of Absolution, Lucky Thirteen.


Marko Kloos (2013). Measures of Absolution. Frostbite Publishing.

Antes de direcionar a série Frontlines para uma história de combate a invasões alienígenas, Kloos focava-se nas tensões internas do seu mundo ficcional. A Terra está em paz, mas a competição militar entre as grandes potências passa-se nos planetas e luas colonizadas. E, em casa, reina a desigualdade. A maioria da população vive em ghettos gigantescos, dependente de sistemas sociais. Locais onde a única saída possível é ir alistar-se nos exércitos, alimentando a máquina militar. Locais onde a tensão é constante, bem como intervenções militares para controle de população. É aqui que mergulhamos nesta história, acompanhando uma líder de pelotão que, ao ser enviada para controlar motins, descobre que está na verdade a combater uma força mais organizada do que lhe foi informado. O cenário elaborado serve essencialmente para o tipo de ficção em que Kloos se especializou, ação militarista futurista.


Marko Kloos (2013). Lucky Thirteen. Frostbite Publishing.

História curta passada no universo de FC militarista Frontlines de Marko Kloos. Uma nave de combate, que tem a malfadada associação com o número 13, revela-se mais resiliente do esquadrão. Como se fizesse tudo para proteger os seus tripulantes. Kloos, como sempre, não perde muito tempo com emoções e leva-nos diretamente a uma história onde o foco é o hardware militar futurista, cheia de ação.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Novelas Submarinas



Fernando Branco (1936). Novelas Submarinas. Lisboa: Livraria Sá da Costa.

Cruzei-me com este livro num daqueles alfarrabistas pop-up do metro, e não lhe resisti. Tenho uma certa vertente de curiosidade por histórias militares, especialmente aquelas que vêm de outras fontes que não as oficiais. E como resistir àquela capa, especialmente ao aeroplano tão mal desenhado?

É preciso ter algum cuidado ao mergulhar em livros destes. Não foram escritos a pensar na sensibilidade da nossa época, traduzem os modos de pensar de outros tempos. Há um lado profundamente militarista e patriótico, daquela antiga forma histriónica, na forma como estas histórias estão contadas. Algo sublinhado pela exuberância de pontos de exclamação, e pelas frase cheias de expressões a apelar à pátria, abnegação, dureza e sacrifício. Faz parte, não se leva a mal, dá algum colorido à leitura.

Que, em si, é mais interessante do que aparentaria. Talvez pelo sentido de realismo, de se sentir que são histórias vividas pelo autor, antigo comandante de submarinos, ou contadas pelos camaradas de armas e antigos inimigos. Não por acaso, as mais curiosas são aquelas em que se percebe, pelos detalhes, que o autor as viveu mesmo. Não esperem enormes gestas d combate, trata-se de uma visita a um teatro em Perpignan onde a tripulação de um submarino português fica algo chateada por a peça não incluir a nossa bandeira entre as dos aliados, e resolve a questão oferecendo-a, e outra história em que se conta o que aconteceu no dia em que o armistício foi declarado, vivido pela tripulação de um submarino português a defender um porto.

Há histórias de combate, temperadas pela experiência do escritor, mas claramente baseadas em relatos lidos ou ouvidos. E, num livro que toca na I guerra e combates navais, não podia faltar um recordar do combate entre o navio português Augusto Castilho e um submarino alemão, que se saldou pela salvação do alvo original e perda do navio português. Como é de esperar, é um texto em que o nível de linguagem patriótica está para lá do exagero, curiosamente não se sente como propagandista. Talvez porque o livro não o seja, seja apenas um recolher de memórias de um marinheiro, na prosa em que aprecia. Não deixa de ser um curioso retrato de um aspeto da I guerra mundial, e vale a leitura por isso.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Operation Overlord


Michaël Le Galli, Bruno Falba, Davide Fabbri (2019). Operation Overlord. Londres: Rebbelion.

Quatro histórias sobre o Dia D, onde acompanhamos personagens que são mergulhadas nos momentos-chave da operação. Pára-quedistas que saltam sobre a Normandia na madrugada do Dia D, soldados que desembarcam nas primeiras levas a atingir as praias. Que vêem os seus companheiros a morrer debaixo do fogo inimigo, pensando sempre que foi por um acaso que foram estes e não eles. No meio do panorama geral, as pequenas histórias de cada soldado, mostrando que os grandes momentos históricos também são feitos das histórias das pequenas pessoas.

A série é fiel e com rigor histórico, representando bem o sucedido no dia D. Não há patriotismos exacerbados ou foco em feitos grandiosos. O estilo gráfico é competente, sem ser espetacular, mas faz o serviço. Uma série fiel à história, que nos mergulha num dos momentos pivot da II Guerra.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

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Ficção Científica



Jim Burns, “Nomad Industrial Complex”: Burning chrome?

Fallece el visionario Syd Mead, el influyente diseñador conceptual de películas como 'Aliens' o 'Blade Runner': Mead foi muito mais do que isto. Designer influente, com uma visão muito marcante das estéticas do futuro. O cinema trouxe-o às massas, mas os conhecedores de ficção científica percebem o profundo impacto da sua obra. Junta-se a Bonestell como um artista que influenciou as estéticas do fuutismo.


Celebrating the Art of Vaughan Oliver #ArtTuesday: Isto faz esta edição das Capturas soar a especial obituarios, mas infelizmente, sic transit mundi. Este é provavelmente um daqueles artistas visuais que todos conhecem o trabalho (ou, pelo menos, aqueles para quem a música não se esgota nos artistas comerciais) mas não sabem quem era.


nelc: Andrey Sokolov, Space Settlement: Se prestarem atenção, há um engarrafamento de Space Shuttles.

Happy Public Domain Day 2020!: Pelo menos, nas obras abrangidas pela legislação americana. Tudo o que foi publicado em 1924 é agora domínio público. Alguns exemplos: a fabulosa Rhapsody in Blue de Gershwin, ou o livro A Passagem para a Índia de E. M. Forster.


Douglas Chaffee’s cover for the January 1969 issue of ‘Worlds Of: Das capas das influentes revistas de ficção científica.

Can monoculture survive the algorithm? And should it?: Da visão de uma cultura popular comum à fragmentação trazida pelas plataformas. Lamenta-se o aparente fim de uma apreciação cultural comum, mas não se nota que a curadoria algorítmica está a trazer uma nova cultura que todos vêem. Mas sobre isto das culturas partilhadas alegremente por todos, essa visão bucólica dos bons velhos tempos, é mais isto: "Monoculture is a Pleasantville image of a lost togetherness that was maybe just an illusion in the first place, or a byproduct of socioeconomic hegemony. It wasn’t that everyone wanted to watch primetime Seinfeld, but that’s what was on, and it became universal by default". A grande diferença hoje é que há muito mais para ver, não só conteúdos como canais de distribuição. O que se torna comum não é o que está a dar, mas o que causa impacto, e o corolário disso são programas pensados para causarem impacto memético nas redes sociais. Um passar do tempo que se via só o que está a dar para o vemos porque o meme viral despertou a atenção.


70sscifiart:“I’ve been trying to get rid of wheels since 1963”: Escrevo estas linhas poucas horas depois de saber do falecimento de Syd Mead. Perdemos um gigante, ficamos com a obra, da qual as estéticas inesquecíveis de Tron ou Blade Runner são a ponta do iceberg. Mead fica para sempre sinónimo de futurismo estético.


White Squadron Space Adventures: visual FC muito clássico, sem identificação de autor.

How Oxford – And JRR Tolkien, And CS Lewis – Turned English Curriculum To The Past And Kept English Fantasy There As Well: Porque é que que a fantasia tem uma estética tão saudosa do medievalismo? Culpa do gosto marcado dos Inklings pela literatura desses tempos. A sua influência estética e iconográfica ainda hoje é dominante na literatura fantástica, de Harry Potter (sim, antes de ser filme, foi uma série de livros) a A Song of Fire and Ice (aka Game of Thrones para os tvheads entre vós).


Illustrations from the Soviet Children’s Book Your Name? Robot, Created by Tarkovsky Art Director Mikhail Romadin (1979): Imagens cuja estética me deixam indeciso entre o interessante e o bizarro. Até porque há um pouco de ambos, neste livro infantil soviético sobre robots.



Photo: Sem autor creditado, sem se perceber de onde vem, mas nem por isso menos interessante.

Before Home Video, Science-Fiction Fans Worked Harder to Keep Fandom Alive: As agruras de se fazer parte do Fandom nos tempos em que a acessibilidade do audiovisual era limitada. Muita atenção à programação televisiva, e truques como gravar o áudio dos programas, ou fotografar o ecrã do televisor. Coisas de fãs, que mais tarde permitiram reconstituir episódios perdidos de séries que se tornaram de culto.

Dementia 21. Shintaro Kago (Fantagraphics): Não é um autor para estômagos fracos, como observa Pedro Moura, é um dos mangaka que se insere profundamente na categoria do weird shit. Este livro parece um  pouco afastado dos excessos mais exóticos do autor.

Ahora que Netflix, Amazon y HBO apuestan por ciencia ficción y fantasía, estos son los libros y sagas que darían para una gran serie: Todos os fãs profundos de cultura geek têm um livro, ou série literária, que gostariam de ver adaptada a série televisiva. Bem adaptada, entenda-se, porque se há uma coisa que durante muito tempo caracterizou a televisão (e cinema) de ficção científica e fantástico foi a forma como usava o género para criar produtos audiovisuais mesmo muito fraquinhos. Hoje, na era das séries televisivas complexas e com altos valores de produção, é algo que não acontece. E… qual seria o meu livro ou série literária meritória de adaptação televisiva? Boa pergunta. Vou só ali à biblioteca pensar nisso. Eventualmente, emergirei de lá com  uma resposta. Mas é melhor esperarem sentados, a coisa vai demorar.

The Surprise and Wonder of Early Animation: A New Yorker a fazer arqueologia do cinema de animação, recordando-nos que no YouTube se podem encontrar filmes clássicos dos primórdios deste género.

Herzog’s Eerie Prose Script for Nosferatu the Vampyre: Se o filme original é uma obra prima do cinema, levando o expressionismo alemão do período entre guerras aos limites do horror, a vénia tardia de Herzog não lhe fica atrás. Filme sombrio e obsessivo, usa as estruturas do horror para explorar traumas doentios. Agora aparece esta versão do guião escrito por Herzog, em modo de romance e não de tradicional guião cinematográfico.


‘Saturn Ring and Space Shuttle’ by April Lawton: Podemos sempre sonhar.

Tecnologia


Electric Cars Threaten the Heart of Germany’s Economy: Quando a economia industrial de um país é fortemente dependente do motor a combustão, a transição para veículos elétricos pode significar uma razia. Não só nos grandes fabricantes, mas no ecossistema de pequenas e médias empresas altamente especializadas que constroem componentes para automóveis. Passa daí para os empregos, e toda a economia sofre. E se este artigo parecer algo distante da nossa realidade, note-se que um valor muito significativo do nosso PIB vem da indústria automóvel. Vamos sentir estes impactos.

The Crazy Story of How Soviet Russia Bugged an American Embassy’s Typewriters: Hacking analógico genial e elegante dos tempos pré-digitais da Guerra Fria. Modificar de forma quase imperceptível os mecanismos de máquinas de escrever para keylogging permitiu aos soviéticos espiar as comunicações da embaixada americana em Moscovo, e foi quase impossível descobrir o como.

Así usamos el tablet: desde los que lo tienen metido en el cajón hasta los que lo han usado para sustituir al portátil: Para lá dos números, há uma clivagem enorme na forma como se usam tablets. Para a maioria, serve para aceder a redes e consumir conteúdos. Ou seja, nada que um telemóvel não sirva, só no vídeo é que o ecrã maior apresenta vantagens. Mas há um nicho de pessoas com profissões criativas, para as quais a portabilidade do tablet o transformou em ferramenta de produtividade. Para quê arrastar portáteis no dia a dia, se um tablet cabe em qualquer mala e é leve? Talvez o caso de uso mais intrigante seja o de um editor de vídeo que usa o seu iPad para trabalhar com  vídeo. Arquitetos, jornalistas, pessoas que criam percebem o real potencial destes dispositivos que estão entre o smartphone e o computador. I can relate. Escrevi estas notas num tablet.

Inter-Networking: Mais um brilhante ensaio sobre a proto-história da Internet, desta vez focado nas discussões e tecnologias que deram origem ao protocolo TCP-IP. Um pormenor interessante, detalha um pouco o desenvolvimento da rede francesa Cyclades, uma das redes precursoras da Internet.

The 2010s were supposed to bring the ebook revolution. It never quite came.: Não que os livros eletrónicos sejam um caso de falhanço. Mas não substituíram o livro físico, apesar de todos os esforços nesse sentido. Parece que, afinal, a sensação de fisicalidade do livro enquanto objeto é importante, mesmo na era digital. Os ebooks são pertinentes e um nicho importante, mas as visões catastróficas de bibliotecas inteiras transformadas num único dispositivo não se concretizaram.

Too Much Combustion, Too Little Fire: É sempre interessante ler as esparsas publicações do Low Tech, um blog dedicado a procurar soluções de baixa, ou sem, tecnologia. Para além da ironia de o ler num suporte eminentemente tecnológico, nem sempre pode ser lido. Se estiver nublado em Barcelona, onde vive o seu autor, não há energia vinda do painel solar para alimentar o servidor que aloja este blogue. Piadas à parte, o importante neste projeto é a forma como nos obriga a pensar a relação de simbiose que temos com as tecnologias. Recorda-nos que nem sempre foi assim, e que apesar da ubiquidade das infraestruturas, estamos sempre a um passo de ficar sem a energia que alimenta os dispositivos dos quais dependemos.

Subterranean Uses for LIDAR: Cave Surveys: Não, o LIDAR não serve só para passar multas na auto-estrada. Neste artigo do Hackaday, uma demonstração como usar um LIDAR diy para mapear zonas subterrâneas. Um projeto giro para espeleólogos ou urban explorers. Até porque conjugando várias capturas, conseguem uma nuvem de pontos que mapeia o espaço em 3D.

The Thermodynamics Behind the Mac Pro, the Hypercar of Computers: Seja-se fã ou não da Apple, há que reconhecer o cuidado que a empresa tem na engenharia das suas máquinas. Algo tão aparentemente não fundamental como o ruído causado pelos sistemas de dissipação de calor é estudado ao extremo, em busca da máxima eficácia.

A Self-Driving DeLorean Is Taught How to Drift: Yay, já podemos ter um Fast and Furious: Artificial Intelligence Drift, se essa for a vossa cena.

Sky shepherds: the farmers using drones to watch their flocks by flight: Cão-pastor, mais uma profissão ameaçada pela robótica. Na verdade, parte do artigo fala da forma como estes animais depressa se habituaram a colaborar com drones no arrebanhar dos rebanhos. Mais uma nota da forma como as tecnologias encontram usos não programados, ou como disse William Gibson, the street finds a way.

The Architects of Our Digital Hellscape Are Very Sorry: Sim, terrivelmente entristecidos pelas consequências das plataformas digitais que montaram. Estão sempre a chorar no caminho para o banco, para depositar os milhares de milhões que lucram com este estado das coisas.

Robôs domésticos, de socorro ou médicos. A realidade já esteve mais longe da ficção: Uma visão de futuro próximo, alicerçada na investigação em robótica que se faz hoje.

Video games: scourge or savior?: Três artigos antigos da MIT Technology Review, que mostram bem a forma polarizada como olhamos para os jogos de computador.

“They’re abysmal students”: Are cell phones destroying the college classroom?: Geralmente abordo esta questão pelo ângulo do potencial do telemóvel como ferramenta educativa, mas aqui há outros fatores a ter em conta. Não é muito surpreendente saber que alunos de cursos superiores passam as aulas a prestar mais atenção aos seus dispositivos do que à aula em si. A falha aqui é mais de ética, ou em bom rigor, de auto-controlo. Não nos podemos esquecer que os telemóveis são concebidos intencionalmente como elementos que nos captam a atenção, e estamos todos vulneráveis a isso. Especialmente se formos estudantes entediados numa aula. Recordo o meu próprio padrão de distratividade, com e sem tecnologias, como aluno dos vários graus superiores que frequentei, e diria que o padrão recai muito sobre a aula e o professor. Aqueles que eu sabia que a competência era duvidosa, e tão ineficazes nas suas aulas que, francamente, ler a bibliografia de base não só bastava como era mais interessante, eram exatamente aqueles cujas aulas passei a desenhar (só mais tarde rendido às distrações da Internet). Mas mesmo numa aula interessante, a tentação de fazer uma pausa mental verificando mensagens e redes sociais é grande. Nas aulas que frequentei mais recentemente, senti-me na necessidade de me recusar a ceder a esta tentação. Tive de me forçar a não ligar dispositivos móveis, ou a abrir separadores em navegadores quando a trabalhar no computador em aula. Mesmo com os professores menos interessantes. Parte do problema está aqui, nesta necessidade adquirida de estar sempre curioso com  o que se passa nas redes. É fácil resumir esta questão ao argumento "são alunos baldas e mal educados". A resposta mais otimista, mudar estratégias para aulas mais práticas, também não responde a tudo. Por vezes, a entediante prelecção pode ser a melhor introdução a um tema, e temos de saber focar a nossa atenção. A nossa incapacidade de auto-controlo no uso de dispositivos móveis tem sido muito bem explorada pelos designers de interface a trabalhar para maximizar a atenção dada a conteúdos digitais. Não há o contrário, um despertar para as problemáticas de adição que isto nos traz, sem ser de um ponto de vista moralista totalmente ineficaz e contraproducente. Uso responsável de dispositivos móveis não é, como na imagem que ilustra o artigo, deixá-los em cacifos, mas sim perceber que esta desatenção é uma consequência intencional da forma como as aplicações estão desenhadas, e aprender a lidar com isso. Posto isto, é de notar que antes de haver telemóveis e Internet, já havia estudantes desatentos. Muito desenhei eu em muitas aulas que nada tinham a ver com desenho…

This timeless piece of “body art” of people having sex in an MRI turns 20: Se estão em busca de imagens estimulantes da imaginação ou outras sensações, estas não são as imagens que procuraram. São significativas por mostrarem a fisiologia do ato sexual, o que realmente se passa nos corpos. Curiosamente, algo que Da Vinci já tinha feito com os seus desenhos anatómicos.

Ya hay universidades que saben que no vas mucho a clase o a la biblioteca y no están en China, sino en EE.UU.: O rastreamento em tempo real dos alunos como ponto positivo no ensino superior. Combinando sensores e aplicações, regista-se a assiduidade dos alunos, com métricas transparentes e acessíveis a todos. O objetivo é o de condicionar comportamentos, levando a que os alunos não faltem a aulas através da exposição pública dos seus comportamentos. Até há um lado gamificado, com pontos pela assiduidade. É sempre interessante notar que aplicações tecnológicas que, se introduzidos noutros contextos, consideraríamos graves atentados à liberdade e privacidade individual e coletiva, são considerados muito positivos quando aplicados à educação.

Modernidade

What John Dos Passos’s “1919” Got Right About 2019: Um discurso fragmentado, feito de recortes fluídos de informação. Um elemento narrativo intersticial da grande narrativa que é a trilogia USA, capturou nos anos vinte aquilo a que hoje nos habituámos nos fluxos de informação digital.

'No Way In or Out': Australians Are Fleeing to the Beach to Escape Deadly Wildfires: Repitam comigo: o aquecimento global é real. Se há zonas cujo clima natural as torna propensas a fogos de verão, a instabilidade introduzida pelas alterações climáticas transforma-os em verdadeiras catástrofes. A Austrália mostra algo que, por cá, também já aconteceu. E vai piorar.

What U.S. Intelligence Thought 2020 Would Look Like: Predições. Acertam-se algumas, falham se outras. Mas há tendências que se podem observar e registar.

The Rise of the Architectural Cult: Dá para perceber que nem o autor do livro nem o crítico gostam de arquitectura moderna, e grande parte do texto é uma procura de argumentos para justificar o que é obviamente uma reação visceral. Mas não estão errados nalgumas críticas que fazem ao alto modernismo, especialmente na sua fácil replicabilidade, que se traduz numa monotonia do cimento armado, ou na falta de atenção às culturas locais trazida por um estilo internacional. De resto, isto foi escrito por pessoas para as quais o desejável seria que a inovação estética nas artes tivesse congelado no final do século XIX.

A medical insight in Michelangelo's David, 'hiding in plain sight': Não, não tem a ver com a zona genital, seus marotos. Nesta sua obra-prima, Miguel  ngelo retratou David com uma jugular proeminente, algo que só acontece quando se está em estado de excitação física. Isto é não só conhecer a anatomia, mas saber que anatomia caracteriza uma determinada pose.

Out of Left Fields: Dutch Land Art Installation Cuts Area Airplane Noise in Half: Intrigante. Um cruzamento entre arte, arquitectura, urbanismo e ambientalismo, num projeto que reduziu o impacto sonoro de um aeroporto, criando em simultâneo uma área pública para desfrute de todos.

How Culture Was Used As A Weapon During The Cold War: Não se vence uma guerra apenas com poder militar. Bem, nos bons velhos tempos em que exterminar populações inteiras era visto como uma ação de excelência, aí sim, bastava passar a fio de espada quem discordasse dos vencedores. Felizmente, evoluímos. A terceira grande guerra do século XX foi, acima de tudo, um combate ideológico. Teve pontos quentes por afinidade, em conflitos regionais onde as grandes potências se defrontaram subtilmente, mas nunca descarrilou num cenário de guerra total, que culminaria no pesadelo da guerra termonuclear global. Os combates diretos passaram-se noutros campos, e é bem conhecido, se bem que pouco analisado, a importância dada à literatura em ambos os blocos. Escritores e obras que tiveram destaque e promoção pela forma como as suas palavras eram armas no combate de ideias. Em tempo de guerra não se limpam armas, e em tempo de guerra fria não se limpa a tinta da pena.

What’s Funny Changes. And So Does Comedy: O humor é essencialmente algo específico a épocas. O que nos faz rir agora não o fará aos nossos sucessores, tal como olhamos com arrepios incrédulos e sensação de horror perante o humor do passado. É normal, faz parte da forma como vivemos o nosso tempo. O que parece não mudar é a profunda alergia que fundamentalistas de qualquer religião têm à liberdade de expressão, sempre que esta exprime algo que não gostam.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Batman: Herança Maldita


Grant Morrison, Neil Gaiman, Andy Kubert (2013). Batman: Herança Maldita. Levoir.

Duas histórias, duas visões diferentes do cavaleiro das trevas. Na primeira, assinada por Grant Morrison, Batman fica a conhecer o seu filho Damian, fruto de uma ligação perigosa com Talia, filha de um dos seus mais perniciosos inimigos. Talia tem um plano muito elaborado para tentar constituir família com Batman, que envolve o rapto da esposa do primeiro ministro britânico, um exército de homens-morcego ninja, e uma invasão de Gibraltar. De Morrison sabemos que podemos esperar estranheza, e esta história não desilude. Especialmente numa das cenas chave, um combate passado numa galeria de arte pop, onde é notório que Morrison se está a divertir com piadas conceptuais.

Neil Gaiman coloca-nos num velório. Noite profunda nas vielas do crime, e os personagens de Batman, os seus amigos e inimigos, juntam-se para velar o corpo do homem morcego. E todos contam a história da sua morte, que muda de acordo com cada personagem. Gaiman diverte-se a desconstruir a iconografia clássica de Batman, numa história de recorte fantástico.

O elo comum a estas histórias é o ilustrador. O traço de Andy Kubert explode nas páginas, com trabalho cuidado de cor que confere uma enorme espetacularidade. Só pelo lado visual já vale a pena pegar nesta edição. Na história de Morrison o estilo é mais escuro e agressivo, já com Gaiman o trabalho gráfico remete para um estilo retro.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

H-alt: Andrómeda



Para quem já conhecia este livro, das apresentações do autor ou das edições via Indiegogo, não há aqui grandes surpresas. Não é o meu caso, cuja curiosidade ficou desperta no AmadoraBD, e para quem esta leitura foi, atrevo-me a qualificar, avassaladora. Mais do que o classicismo da história, é o traço fabuloso do autor que torna este um dos melhores, livros de Banda Desenhada que li nos últimos tempos. Recensão completa na H-alt: Andrómeda.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

The Wildstorm Vol. 1


Warren Ellis, Jon Davis-Hunt (2017). The Wildstorm Vol. 1. Nova Iorque: DC Comics.

Dar a Warren Ellis a tarefa de reviver a série Wild Storm é abrir a porta a uma transformação profunda do original. Ellis aproveita as bases narrativas para explorar as suas obsessões com vanguardas tecnológicas, organizações secretas quase soberanas e conspirações invisíveis que. por detrás da superfície, modelam o mundo. É nessa direção que conduz The Wild Storm, uma metódica exploração das rivalidades entre duas agências secretas ocultas, uma que controla o planeta, e outra que olha para o espaço. E, pelo meio, a interferência de um visionário empresarial cuja empresa se distingue por colocar no mercado tecnologias que estão um pouco mais à frente do que o esperado, e que na realidade é um alienígena que pretende eliminar as organizações secretas e ajudar a humanidade a transcender os seus limites. Pelo meio, uma engenheira que desenvolve tecnologias que a transformam num cyborg, vê-se envolvida nestas lutas que se passam para além do limiar das perceções condicionadas pelos media. E ainda, vislumbres de uma personagem que se parece mover livremente pelos mundos real e digital. O universo Wildstorm reinventado, dos Wild CATS a The Authority, num reboot discreto para a DC comics, e uma das melhores séries recentes desta editora.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

URL

Ficção Científica


Jack Kirby: Numa visão apocalíptica.

See Elias Chatzoudis Use Copic Markers on Red Sonja: Age Of Chaos #1: Se os meios digitais se tornaram a principal ferramenta de desenho para comics, formas mais tradicionais não deixam de ter o seu lugar, como mostra o trabalho de ilustração de capas para Red Sonja usando marcadores.


Here’s easily the highest quality scan I’ve seen of Alex Ebel’s 1974 paperback cover: Uma capa marcante para A Mão Esquerda da Escuridão, esse livro marcante de Ursula K. Le Guin.

"É místico" ou "Quando as duas sequelas dos Watchmen acabaram na mesma semana!": Ou então, apenas coincidência. Não vi ainda a série Watchmen, mas segui atentamente Doomsday Clock, e fiquei surpreendido pelo seu final. O que prometia ser uma tentativa de integrar algumas das personagens do universo Watchmen (em si, reescritas por Alan Moore de personagens da Charlton Comics adquiridas pela DC) na continuidade DC acabou por se revelar uma elegia ao Super-Homem. De facto, o capítulo final é essencialmente uma desculpa para meter em pé uma daquelas two-page spreads de super-heróis à pancada com super-vilões. Daquelas em que todos, até os mais refundidos, aparecem. Salva-se o trabalho gráfico de Gary Frank, que emulou na perfeição o estilo de Dave Gibbons, desenhador do Watchmen original.


O tio e a génese da arte de Regina Pessoa: Um olhar clínico por Nelson Zagalo à estética da curta, mas muito significativa, obra da animadora Regina Pessoa. Quatro obras em vinte anos, todas excecionais exemplos do melhor que se faz na animação, e o seu mais recente, "O Tio Tomás: A Contabilidade dos Dias", está na shortlist de nomeação para os óscares. O filme é soberbo, e pode ser visto online, graças à National Film Board do Canadá.

End of an era for book publisher Penguin: Aquele momento em que nos apercebemos que a Penguin, a quintessencial editora britânica, é agora uma editora totalmente alemã. O mesmo padrão se aplica às restantes casas editoriais tradicionais inglesas, agora subsidiárias de editoras alemãs ou francesas. Entre o detalhar dos jogos financeiros, algumas histórias curiosas. O que tornou a Penguin numa força cultural foi a vontade do seu editor em acreditar que havia mercado para literatura a preços acessíveis. Algo em que os seus concorrentes não acreditaram, mas felizmente vingou, criando um boom editorial e, talvez o mais importante, editando livros baratos (mas de alta qualidade literária) para as massas. Uma pequena ironia: não deixei de sorrir ao ler o desprezo que George Orwell tinha pela Penguin. É que a minha edição de Animal Farm é... isso, adivinharam, um paperpack Penguin.


Tim White: Megacidades bucólicas.

21 referencias, guiños y easter-eggs escondidos en 'Star Wars: El ascenso de Skywalker' para exprimirla al máximo: Ainda não vi o mais recente Star Wars quando escrevo estas linhas, e sou o tipo de cinéfilo que não se chateia com spoilers. Aliás, até acho essa questão muito estúpida. O que faz um filme, ou um livro ou série, não é meramente a história que é contada. É isso, e tudo resto, técnica narrativa, gramática visual, capacidade poética. É por isso que revemos filmes mesmo depois das suas histórias nos terem sido reveladas. E por muito boa que seja a história, se tudo o resto falhar (má direção de atores, incapacidade do realizador de usar a gramática visual do cinema, maus efeitos visuais), não são as vontades de ver como a história termina que salvam o filme. Fundamentalmente, a questão dos spoilers é um falso problema vindo do marketing excessivo do cinema, que entre outras virtudes amargas nos tem trazido o ressuscitar de velhas sagas, por serem máquinas de lucro fácil. Star Wars é dos melhores exemplos disso. Posto isto, estes easter eggs são fantásticos, e o artigo está cheio de Spoilers. E vale bem a pena ser lido.


Vincent Di Fate: Ah, guerra no espaço!

Science Fiction’s Wonderful Mistakes: Um excelente desmistificar das falácias conceptuais associadas à ficção científica, das quais o seu suposto carácter preditiva é o mais óbvio. Seguido de um elogio ao experimentalismo narrativo e temático dos autores dos anos 60 e 70.

Marvel Comics #1000: Rever a edição milenar da Marvel, que recordou a longa história dos seus personagens numa edição em que cada prancha contou com o trabalho de uma equipa dedicada de argumentista, ilustrador e colorista.

How Kendall Jenner Became the Patron Saint of Alternative Literature: Esperem, o quê? Li bem, uma personalidade de reality shows a servir de veículo de promoção literária? Suspeito que os seguidores dela apenas comprem livros para serem vistos com eles, e não realmente lê-los. Se bem que, em bom rigor, vender livros é o que alimenta os editores.


comicbookcollecting:Sentinel … Official Handbook of the Marvel…: As máquinas capazes de travar os alunos do professor Xavier.

Will The Joker Do For Bruce Wayne What Brian Bendis Did For Superman? (Batman #85 Spoilers): A temporada de Tom King à frente de Batman foi magistral, marcante e genial pela forma discreta como redefiniu o personagem. Sempre com uma capacidade narrativa com uma assertividade e ritmo incrível. Agora que terminou, as rédeas da série passam para James Tynion IV, que depois de algumas intrigantes séries na Image começou a escrever para as majors. E começa em força, com o regresso de um personagem marcante eliminado por Scott Snyder na sua temporada. Estou curioso para ver como The Joker regressa ao universo DC.

Tecnologia


John Berkey: Aquilo, não é uma lua? 

The Birth of the Modern Robot: Um olhar sobre a origem dos robots.

Finland is making its online AI crash course free to the world: Querem aprender mais, ou descobrir os potenciais e vertentes da Inteligência Artificial? Cortesia da Finlândia, há um curso online gratuito para isso.

When Robots Can Decide Whether You Live or Die: Conversa sobre a ética de capacitar robots autónomos militares com a capacidade de reagir automaticamente a alvos humanos. Será boa ideia automatizar a decisão de abater combatentes inimigos por armas autónomas? Suspeito que esta decisão já tenha sido tomada nos laboratórios de investigação militar. 

Can the Internet Survive Climate Change?: É sempre bom recordar que o mundo digital depende de energia, e isso tem custos e riscos. O crescente uso de energia dos data centers, serviços cloud, streaming e servidores web é, em si, um factor causador de problemas ambientais. Por outro lado, a infraestrutura digital é vulnerável às disrupções crescentes trazidas pelas alterações climáticas. Como mitigar esse problema? Um passo seria diminuir a pegada de carbono das páginas web. 

Madrid prohibirá los móviles en el colegio a partir del curso 2020-2021: À primeira vista, pareceu-me uma daquelas medidas tipo enfiar a cabeça na areia, relegando a Escola firmemente para o passado e demintindo-a de qualquer interferência da tecnologia dos dias de hoje. Após leitura, percebi que se trata de uma simples medida de proibição de uso indiscriminado de telemóveis em sala de aula, excetuando usos educacionais, não uma proibição tout court que obriga as crianças a largar os seus dispositivos à entrada da escola. Na verdade, uma situação que faz sentido, criando uma estrutura legal para gestão dos problemas que possam surgir em usos indevidos do telemóvel. Não é diferente do que temos por cá. Não é que o telemóvel não tenha de todo lugar na sala de aula, bem pelo contrário (existem inúmeras aplicações pedagógicas, da pesquisa de conteúdos à modelação 3D), mas é preciso gerir a forma como se usa. Posições de negação completa são um contra-senso, que traem visões exclusivamente instrucionistas da educação, e recusa em explorar diferentas vertentes de aprender e ensinar.

Robot Educativi: gli insegnanti non servono più?: Ignorem o título provocador, porque na verdade o artiga mostra de forma sintética como robots potenciam diversos aspetos da aprendizagem, entre competências técnicas, científicas e cognitivas. Mas sem professores para lançarem desafios e acompanhar aprendizagens, nada feito.

Twitter bans animated PNG files after online attackers targeted users with epilepsy: Se existir uma brecha de segurança, alguém a vai explorar, como mostra esta história sobre um incrivelmente específico ciberataque. Usar imagens em PNG animadas concebidas para causar ataques em pessoas com fotossensibilidade, partilhadas com seguidores de uma associação de epiléticos.

Christmas Carols for Artificial Intelligences: Treina-se um algoritmo com canções de natal, e ele sai-se com isto: "On Christmas Day,/A true and holy Deity,/Went down to earth,/With human flesh for sacrifice". Ainda fica mais estranha.

TO MAKE ROBOTS PERFORM BETTER, MAKE THEM CONSTANTLY FEAR DEATH: Essencialmente, introduzir mecanismos de reconhecimento de consequências permite melhorar a performance de robots.

Rethinking privacy in the age of psychological targeting: É, em essência, o modelo de negócio das redes sociais. Recolher dados pessoais, traçar perfis de utilizadores, agregar esse mar de dados em padrões, usados para publicidade eficaz. É usar dados para assentar a publicidade em perfis psicológicos, e de formas que são invasivas da privacidade pessoal.

2019 was the year we got serious about walking on the moon again: Será desta? Confesso que não estou muito esperançado, sempre se tem falado muito deste tipo de projetos, mas nunca passam disso.

Chinese Farmers: Criminals Are Using Drones to Infect Our Pigs: Intrigante. Usar drones para lançar elementos contaminados sobre explorações pecuárias, e posteriormente vender a carne contaminada. Novas tecnologias, novas formas de se ser criminoso.

The dream of a global internet is edging towards destruction: Cinco modelos do que é a Internet, a emergir globalmente e a criar clivagens cada vez mais profundas. O libertário sem restrições de Silicon Valley, o protetor excessivo da propriedade intelectual do sistema legal americano, a visão europeia de liberdade mas com legislação protetora de privacidade e outras garantias, o controle total de informação e hipervigilância chinês, e o parasitismo russo que se aproveita do fluxo livre de informação para espalhar desinformação e hackear sociedades. Se a Internet foi concebida como um modelo aberto, começa a estar de facto balcanizada. Na Europa, sentimos isso quando clicamos num site que não está para ser dar ao trabalho de respeitar o RGPD e usa geolocalização para nos bloquear o acesso. Em zonas do mundo onde reina o autoritarismo das ditaduras, vive-se mesmo com uma Internet limitada. O caso chinês é o grande exemplo disso. O sonho bem intencionado dos criadores da Web não está a sobreviver ao contacto com as forças políticas e económicas tradicionais.

Finding a good read among billions of choices: Como decidir o que ler no meio do dilúvio de informação? Este algoritmo de Inteligência Artificial está a ser treinado para ajudar a recomendar leituras. Não por categorias, como os que alimentam os sistemas de recomendação das lojas online, mas por conteúdo. 

Modernidade

2,700-year-old tablet depicts epilepsy ‘demon’: O demónio assírio da epilepsia, registado numa tabuinha de barro recém-descoberta. 

The last days of Homo erectus: Fósseis encontrados na ilha de Java apontam para os últimos vestígios deste ramo extinto dos hominídios.

On This Day in 1964, the Legendary Lockheed SR-71 Blackbird Flew For the First Time: O aniversário de uma das mais extraordinárias aeronaves que já voaram.

The Long, Dark History of Russia’s Murder, Inc.: Uma história dos mortíferos serviços secretos russos, ainda hoje notórios por não hesitarem em usar os métodos clássicos de assassinato público para eliminar aqueles que estão no lado errado de Putin. Há que apreciar a história de um núcleo de assassinos russos sediado nos Alpes franceses, cuja base de operações lhes permite atuar em toda a Europa. Parece enredo de filme de espionagem, mas é a realidade negra da política interna e externa russa.


Every Sample from Paul’s Boutique by the Beastie Boys: Um trabalho brilhante de arquivismo musical. E não surpreende, a estética dos Beastie Boys era mesmo uma de samplagem e remistura de inúmeras frases musicais criadas por diferentes músicos. Pura colagem musical, reflexo sonoro de uma estética visual do modernismo. E, como observa o Jason Kottke, algo impossível de fazer nos dias de hoje, pelo interminável labirinto de direitos de autor que estes criadores teriam de navegar para poder usar de forma autorizada os inúmeros samples.

Paradox-Free Time Travel Possible With Many Parallel Universes: Os paradoxos trazidos pela hipótese de viagens no tempo são algo capaz de dar nós nos cérebros. Mas parece haver uma fuga, que envolve universos paralelos.

POPE VS. POPE: HOW FRANCIS AND BENEDICT’S SIMMERING CONFLICT COULD SPLIT THE CATHOLIC CHURCH: Duas visões em conflito, um cisma mal disfarçado na igreja. O conservadorismo rígido do antigo Papa, que após abdicar não se resignou ao anonimato, e na visão liberal e progressista do novo Papa. Uma visão aberta que irrita muitos setores da Igreja, habituados ao conforto das suas velhas maneiras. Tem o seu quê de guerra civil entre religiosos.

Remix: Um projeto artístico que ousa repensar a arquitectura urbana. Infelizmente, estes projetos raramente passam do conceito.

Sky Pirates: Uma história bizarra da I Guerra, quando um Zeppelin capturou um barco no mar do Norte. O único momento na história militar em que um veículo aéreo capturou um naval.

A Spooky Tour Inside an Abandoned ‘Westworld’ Style Wild West Animatronic Theme Park in Japan: O intrínseco arrepiante dos parques de diversões abandonados, com robôs à mistura.

Common Misconceptions People Hate Hearing Repeated As Fact: Comecemos com Einstein, na verdade, foi um brilhante aluno a matemática. A partir daí é sempre a decair. Algumas daquelas histórias que toda a gente acha que são verdadeiras, mas não são.

Capturing the Architect of the Holocaust: É sempre importante recordar a história da captura de criminosos de guerra nazis, revendo um período muito negro da história mundial.