domingo, 24 de março de 2019

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Kitbull | Pixar SparkShorts: Gato conhece cão e... bem, o melhor é mesmo ver esta curta. Daquelas que depois de a ver, só dá vontade de ir fazer muitas festas à minha grande cadela.

Cameras that understand: portrait mode and Google Lens: E por máquinas fotográficas que compreendem, o autor quer mesmo dizer isso. A ubiquidade da fotografia com smartphones tem como consequência o ser cada vez mais um artefato de software e não de hardware, com a perfeição visual a ser cada vez mais automatizada. E que uso será dado a esta combinação de fotografia e computação? Pensem no uso da lente como forma de externalizar a memória.

Playing Games with Life: Analisar o clássico SimCity, mostrando que a sua estrutura de jogo e as escolhas a que que os jogadores são levados partem, essencialmente, de pressupostos ideológicos e de ver o humano como elemento descartável de um sistema.

O Chef Punk: Não sendo grande apreciador de canais de culinária, nunca vi mais do que de raspão alguns dos programas de Anthony Bourdain. Mas não deixei de achar interessante a forma fora da caixa com que encarava as artes culinárias.

From Bismarck to Hitler, how German rulers rewrote history: Porque as fake news não nasceram com a internet. Apropriar-se da história, enviesar pontos de vista, criar falsos mitos, é uma técnica de legitimação de poder tão velha quanto a humanidade.

Germany Is Testing the Limits of Democracy: Quando a tolerância se torna um dos problemas da democracia. É paradoxal, mas num regime que defende a liberdade, existe a necessidade de criar limites quanto o exercer dessa liberdade ameaça a estrutura da democracia, como no caso dos extremismos ideológicos políticos ou religiosos. E se há país onde essa necessidade tem uma forte carga é na Alemanha, com a memória de um passado nazi que todos queremos que nunca mais se repita.

In Los Angeles, Climate-Change Gentrification Is Already Happening: Ou como o desastre global é o lucro de alguns. Num mundo que sente progressivamente os efeitos das alterações climáticas, uma forma de lhes responder é fugir para zonas onde os efeitos se fazem sentir em menor grau. O resultado? Quem tem dinheiro, muda-se e gentrifica comunidades. Bem vindos à era do capitalismo de desastre.

Are Robots Competing for Your Job?: Há que admirar o tom tranquilizante do título. E tem razão. Se, de facto, robótica, automação e inteligência artificial são forças transformativas rápidas, que estão a alterar os panoramas económicos e laborais, por outro lado as mudanças são mais graduais do que as visões de deslumbre/pânico dos futuristas. Há coisas que são notórias. Muitos empregos de hoje estão a ser adaptados para robótica e automação; a tecnologia ainda não está tão desenvolvida quando se imagina (mas lá chegará); o mundo laboral está a sofrer transformações profundas, e as suas consequências não são lineares. Este é um dos mais equilibrados artigos que li sobre este tema.

Here's What's Happening in the Undeclared War Between India and Pakistan: Caças Mirage e Mig.21 versus F-16, em combate dos céus de Cachemira? Parece um filme dos anos 80. Mas infelizmente é uma muito real tensão entre a Índia e o Paquistão, que espero que quando estas linhas forem publicadas não se tenha tornado algo realmente sério, e seja apenas uma nota de rodapé esquecida.

Ten big global challenges technology could solve: Dez desafios complexos, do tratamento para a senilidade ao retirar carbono da atmosfera, que a tecnologia poderá resolver.



Massive Russian Cargo Ship With a Drunk Captain Plows Right Into Korean Bridge: Pronto, eu sei, isto não é o tipo de tema erudito e intrigante que gosto de partilhar nestes URL, mas... conhecem a metáfora do não conseguir desviar os olhos de um descarrilamento a baixa velocidade? Isto é a mesma coisa, mas com barcos, pontes e um comandante de navio algo embriagado. Isto é o exato oposto de a coisa passou-se tão rápido que não houve tempo para reagir.

The Orville Season 2 Has Been All About the Characters, and the Show's Never Been Better: Sem dúvida. Recordo quando a série começou, ter visto os primeiros episódios e pensar que era uma patetice, uma comédia Seth McFarlane a gozar com Star Trek. Tipo Family Guy in Space. Mas depressa mostrou ser muito mais que isso, tornando-se uma das mais sólidas propostas de ficção científica televisiva. Consegue sê-lo fugindo àquela estética de exacerbar o dramatismo que caracteriza as séries de TV contemporâneas. E também não se esquece de manter fidelidade à FC, respeitando e muito o género. The Orville uma vénia quer a Star Trek, quer à FC clássica.


Skin in the game: do we need to take down nudes – or look at them harder?: Pois, isto realmente de ir ver mamocas penduradas nos museus na era do #metoo tem o seu quê de revolta cultural contra-contemporânea. Ou não, não podemos simplesmente descartar toda uma tradição artística por causa de excessos culturais (e note-se, considero o #metoo fundamental para evoluirmos em termos sociais, quebrando a objetificação do feminino, e o abuso de relações de poder para obter favores sexuais, são comportamentos cavernículas e está mais que na hora de nos livrarmos disso). O nu na arte é algo de profundamente humano, entre a sexualidade e o humanismo, e não está isento de dominância masculina, mas não é de descartar e esconder nos esconsos dos museus: the sheer variety of reasons for portraying the human body naked, and the complexity of the visual traditions artists were drawing on. E só porque sim, tomem lá mamocas. Pintadas por Ticiano, e se a vossa sensibilidade achar que isto é coisa de bolinha vermelha, ainda têm imenso que aprender...

The NASA Decision Russia Didn’t Like: Pois, realmente é chato. Quando a SpaceX concretizar o primeiro voo tripulado da sua cápsula, os EUA deixam de estar dependentes dos russos para ir até à ISS. É capaz de fazer mossa no orçamento espacial russo.

sábado, 23 de março de 2019

sexta-feira, 22 de março de 2019

H-alt: Angola Janga


Ler Angola Janga é levar um tremendo murro no estômago. Algo que não surpreende. Este livro foi concebido para o ser, bem sei. Mas porque é que um discreto leitor português tem de se sentir incomodado com uma banda desenhada que olha para a história brasileira? É que não é só o Brasil que está em análise. Há muito do passado português, das histórias convenientemente esquecidas da colonização do Brasil, nesta obra. Recensão completa na H-alt: Angola Janga.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Romance de Amadis


Afonso Lopes Vieira (1998). Romance de Amadis. Lisboa: Ulmeiro.

Vou contabilizar este como o meu primeiro encontro com um romance de cavalaria medieval. E, de caminho, contar mais um livro Leiturtuga. Finalizada a leitura, confesso ter ficado curioso quanto à sua origem. Os prefácios desta edição da Ulmeiro, atribuem-na a um trovador português, provavelmente aquele que passou ao papel uma versão coerente de histórias dispersas sobre as aventuras do cavaleiro Amadis. Esta edição, organizada nos anos 20 do século XX, é em si uma versão reduzida, organizada pelo poeta Afonso Vieira como uma espécie de reivindicação nacionalista da autoria portuguesa da gesta. Para além de me levar a conhecer o texto, abriu o apetite para a edição em dois volumes que a Imaginauta se prepara para editar, que ao contrário desta, não faz cortes ao texto original.

Quanto às histórias em si, são narrativas de aventura medieva que descrevem as gestas de Amadis. Não são muito elaboradas, e nelas o herói sempre triunfa, embora não seja imune aos perigos. Talvez o maior seja o seu amor, correspondido, pela bela princesa Oriana. Uma paixão que encontrará vários obstáculos, desde mal-entendidos à vontade do seu pai em casá-la com um príncipe romano. É assim que termina esta edição, com um corajoso resgate em que Amadis e os seus amigos derrotam em alto mar os romanos, recuperando a princesa que ama.

Talvez o pormenor mais inesperado neste texto, para mim, foi a leveza com que fala de amores num sentido curiosamente pouco eufemístico. Dada a época em que foi escrito, esperava algo mais moralista. E se as referências à religião e temência à deus são constantes no texto, a moral faz pausas nas relações entre homens e mulheres. Prova disso é a própria origem de Amadis, abandonado quando bebé por ser filho fora do casamento, fruto dos amores entre uma princesa e um cavaleiro. Um elemento muito patente nas histórias de Amadis e Oriana. Quando este a salva das garras de um temível feiticeiro, há um momento em que repousam, cansados, num prado, e ela deita-se donzela mas levanta-se dona (se não perceberam esta, acho que nem com um desenho lá vão). Mais à frente, os dois enamorados vivem juntos num castelo. Esperava um moralismo mais convencional num texto vindo da época medieval.

domingo, 17 de março de 2019

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Images From Antarctica: É demasiado estranho eu ser tão fascinado pelas paisagens das vastidões geladas? Confesso que a visão de um glaciar me aquece o coração, enquanto que o olhar idílico da praia com coqueiros me deixa indiferente.

The Internet Was Built on the Free Labor of Open Source Developers. Is That Sustainable?:  É uma questão de resposta complexa. Por um lado, é lógico que o trabalho intenso de quem contribui para a comunidade seja compensado, e que os projetos sejam sustentáveis. Por outro, não podemos deixar o desenvolvimento das tecnologias de base da internet nas mãos dos ecossistemas fechados das empresas.

29 novelas gráficas de los últimos nueve años con las que reengancharte a leer cómics: Há aqui sugestões muito boas a seguir. Especialmente Junji Ito. É algo deprimente que o nosso mercado, apesar de estar a crescer, empalidece quando passamos a primeira fronteira...

Is a Tech-Based Social Credit Score a Good Idea?: Mas é preciso perguntar? Pior, o artigo da ReadWriteWeb defende a utilização de sistemas de vigilância para reunir dados, traçar perfis individuais e com isso criar punições ou incentivos. Uma ideia inqualificável no contexto das democracias liberais, vendida através do argumento da aceitabilidade social. Suspeito que das duas, uma: ou o autor do texto não conhece a história do século XX, ou conhece-a, mas tem um fétiche com camisas castanhas e botas cardadas.

Seis Livros Para Descobrir a Inteligência Artificial: A Inteligência Artificial está na ordem do dia. É uma tecnologia complexa, que já faz sentir os seus efeitos na sociedade contemporânea. Combinada com robótica e automação, tem o potencial de transformar o mundo em que vivemos. Quais serão os futuros possíveis? Que impactos terá no nosso futuro? Para ajudar à reflexão, sugerimos alguns livros que abordam as técnicas e problemáticas da Inteligência Artificial.

AIRBUS TO HALT PRODUCTION OF THE A380; GOODBYE TO AN ENGINEERING TRIUMPH: Não é o fim de uma era porque o A380 nunca chegou a ser assim tão marcante. Para a histórica, fica um daqueles momentos em que um triunfo tecnológico falha, não por questões inerentes à tecnologia e engenharia, mas por não funcionar do ponto de vista económico.


On a Remote Volcanic Island, American Soldiers are Worshipped like Gods: Recordar os cultos de carga. Quando os soldados americanos chegaram às ilhas remotas do pacífico sul durante a II Guerra, foram vistos como verdadeiros mensageiros dos deuses, trazendo consigo comida, medicamentos e utensílios. Quando partiram, os indígenas passaram a venerá-los como deuses, construindo elaborados mitos e rituais, aguardando por um regresso que nunca acontecerá.

The Secret History of Women in Coding: Se hoje temos de investir em iniciativas que tornem as profissões STEM mais acessíveis às mulheres, nem sempre foi assim. A história da computação mostra que nem sempre a programação foi exclusiva de um clube de salsichas. Este artigo celebra a enorme contribuição das mulheres para a informática, e olha para aquelas que hoje desafiam falsos estereótipos, envolvendo-se na cultura maker.

Academics Confirm Major Predictive Policing Algorithm is Fundamentally Flawed: Quando se fala do enviesamento algorítmico na inteligência artificial, o PredPol é o exemplo constante. Este software de predição de incidência de crime analisa, a partir dos dados disponibilizados, o histórico de incidência de crimes em áreas geográficas e recomenda a alocação de recursos com base nos padrões que deteta. Uma boa ideia no papel, mas que não leva em conta enviesamentos sociais, com crimes a serem reportados mais em zonas empobrecidas, ou, no caso americano, com questões étnicas à mistura. Pior, o algoritmo auto-reforça os enviesamentos. Detetando uma área com elevado nível de criminalidade, sugere o reforço de recursos, o que leva à deteção e reporte de mais crimes, o que.. leva ao reforço de recursos.

Vision system for autonomous vehicles watches not just where pedestrians walk, but how: Intrigante. Para melhorar os algoritmos de condução autónoma, este sistema treina-os não só a detetar transeuntes, como a analisar a forma como andam, para perceber que tipo de comportamento estão a ter. Um sistema para automóveis autónomos que tem imenso potencial em aplicações de vigilância.

Los países más automatizados con robots del mundo: España ocupa el puesto #11, por encima de la media: Portugal nem entra na lista. Podia refilar que, como sempre, estamos a perder o comboio. Mas suspeito que a realidade não seja bem essa, e que há setores da indústria por cá cada vez mais robotizados. No entanto, de acordo com o resumo do relatório que inspirou este artigo, em 2018, sales of Robot installations in all other Western European countries rose, except in Austria and Portugal.

Welcome to the cyber world: The real-world tech behind Alita: Battle Angel: Ao escrever esta nota, ainda não vi o filme, mas espero tê-lo já visto quando este post sair. Por isso, o único comentário que deixo é que a boa FC tem sempre raízes no real, por especulativa que seja (e por isso é que é errado considerar Star Wars como ficção científica).


Terraforming Fantasies: Os artistas a debater o antropoceno, com o discurso artístico cada vez mais atento ao impacto da tecnologia na sociedade.

Why We Should Think Twice About Colonizing Space: Uma razão fascinante para pensar a colonização do espaço. Se a humanidade se espalhar pelas estrelas, irá ter consequências evolutivas. A adaptação a habitats orbitais ou a planetas irá trazer transformações físicas e culturais. O resultado? Não uma humanidade diversa mas fundamentalmente homogénea, mas uma diversidade de humanidades que poderão perder a ligação entre si. Intrigante.

Os Nossos Robots, e Nós: Registo da visita à provocadora exposição Hello, Robot, no MAAT. Por entre as maquinarias da arqueologia industrial da antiga central elétrica a carvão, podemos encontrar os mais variados tipos de robots. Com a exposição Hello Robot: Design Between Human and Machine, somos desafiados a descobrir o estado da arte desta tecnologia. Mas, também, a refletir sobre os seus impactos sociais e culturais. Este evento convida-nos a descobrir projetos artísticos e máquinas com que já interagimos no nosso dia a dia. Recorda-nos que o futuro sonhado pela Ficção Científica já é o novo normal dos dias de hoje.

Paradoxo e Refúgio dos Super-heróis: Dou por mim a concordar com este artigo. Também me tornei fã de super-heróis na adolescência, mas honestamente nunca abandonei esse gosto. Mas não tenho quaisquer ilusões sobre a superficialidade do género, e os poucos comics que vou seguindo são aqueles que me despertam a curiosidade pela formas inventivas como os argumentistas dão a volta ao que Zagalo identifica e muito bem como a principal característica do género: a imutabilidade, perenidade dos seus personagens. Para mim, os comics de super-heróis são um divertimento para relaxar o cérebro (e admirar a técnica quando o argumento e/ou a ilustração são bons). Mais intrigante é o paralelo histórico que Zagalo traça entre as épocas em que o género super-heróis teve o interesse do público. Ganharam tração na época conturbada entre e pós II Guerra, e voltaram a despertar o interesse nesta época contemporânea cheia de incertezas. A razão está na imutabilidade fundamental dos personagens, que interpretados com símbolos de estabilidade num mundo instável.


Atomic Alchemy: Photographs of Nuclear Landscapes in the American West: Arqueologia atómica, um toque do que Paul Virilio chamava de bunker architecture, os traços radioativos dos primórdios da era do átomo.

Is the Insect Apocalypse Really Upon Us?: Tem sido apontado como um dos sinais do iminente apocalipse ecológico, no entanto a ciência por detrás destas afirmações não está assim tão bem sustentada como deveria.

Do We Write Differently on a Screen?: Há aqui uma tremenda nostalgia pelos bons velhos tempos do manuscrito e datilografia. E se bem que há razão naquilo que o autor aponta, os ecrãs trazem consigo dispersão na diversidade de janelas, não me é difícil imaginar este texto escrito no futuro. Por um envelhecido escritor da geração millenial, a falar com nostalgia dos bons velhos tempos que passava a editar textos no processador, enquanto dava uns saltos às redes sociais e feeds em modo multitarefa, enquanto expressa as suas reservas sobre as consequências do tipo de media ainda por inventar que os miúdos desse tempo futuro utilizarão para escrever.

What AI Fails To Understand – For Now: Essencialmente, o significado dos dados com que lida. As ferramentas de IA mais avançadas são, essencialmente, estatística aplicada a reconhecimento de padrões. Surpreendem-nos pelo que conseguem atingir, e estão a tornar-se um dos pilares da vida digital, mas não são seres pensantes, com intuição e experiência. Nem é suposto. A visão de IA como ser artificial é, de certa forma, distrativa sobre os seus reais potenciais e aplicações.

How The Internet Can Harm Us, And What Can We Do About It?: É sempre interessante ler estes micro-briefins do EPRS, que se dedica a coligir pesquisas para dar aos eurodeputados, e estes serem capazes de tomar decisões informadas. Pelo que se tem notado, boa parte deles deve enviar as mensagens do EPRS para o caixote de lixo. Neste, traçam-se alguns dos perigos individuais e sociais que a internet nos traz, e formas de atuar para os minorar. Se são daqueles que começam logo a rolar os olhos quando lêem a expressão "perigos da internet" (eu também já fui assim), lembrem-se, já se percebeu que a net não é inocente, que não são só coisas boas. Defender a liberdade digital também passa por reconhecer as suas áreas problemáticas, e construir estratégias para lidar com elas. Senão, fica fácil impor às populações medidas fascistas tipo artigo 13 como se fossem coisa boa, porque o uso cego do argumento perigos da internet abre a porta a muita medida restritiva das liberdades.

INFOPORN: 100 YEARS OF SCI-FI, EXPLORED: Usar IA para analisar o corpus literário de Ficção Científica para detetar padrões e similaridades temáticas entre obras, construir estruturas de recomendação e estabelecer padrões temáticos é talvez a coisa mais science fiction condition que um data scientist pode fazer.

Apresentação da colecção Batman 80 Anos: Texto de João Lameiras sobre Batman, a personagem, e as escolhas para a próxima coleção temática de comics da Levoir.

RELIVE THE DOT MATRIX GLORY DAYS WITH YOUR 3D PRINTER: Outra forma de desenho computacional. Tirar o extrusor a uma impressora 3D, colocar uma caneta e programá-la para desenhar.

The Rise of Computational Propaganda: Um registo da importância crescente dos bots programados para disseminar propaganda nas redes sociais.

NÃO ESTAMOS SÓS: Fiquei surpreendido quando este blog torreense me apareceu nos feeds. Já nem me lembrava que o seguia, e francamente não me recordo do porquê de o seguir (talvez, alguns posts antigos sobre a arquitetura de Torres Vedras). Por curiosidade, fui ler o post, e por pouco ia-me engasgando com gargalhadas, mas depois lembrei-me de algo importante. Um post num blog a registar uma troca de comentários num blog parece algo pateta... até que me lembrei que a verdadeira força da internet está aqui: unir pessoas com interesses muito específicos, que de outra forma dificilmente se cruzariam. Mesmo que sejam fãs de poesia levemente awkward.

Watch and See: The Medium Really Is the Message: Um estudo encontra uma interessante ligação entre as biografias de pessoas que deixaram marca no mundo ao longo das épocas, e os meios de comunicação dominante da época. Uma interessante visão sobre um dos conceitos chave de McLuhan, a ideia que as transformações sociais e culturais resultantes da utilização de novos meios de comunicação são mais fortes do que o que realmente é disseminado por esses meios.

EXCERPT: ‘AI AESTHETICS’ BY LEV MANOVICH: Excerto do mais recente livro de Lev Manovich, com algumas visões interessantes sobre arte e inteligência artificial, especialmente na forma como já hoje determina a nossa cultura visual: "Today AI gives us the option to automate our aesthetic choices (via recommendation engines), assists in certain areas of aesthetic production such as consumer photography, and automates other cultural experiences (for example, automatically selecting ads we see online)". 

sexta-feira, 15 de março de 2019

Excalibur: O Anel Mágico



Jorge Magalhães, Augusto Trigo (1989). Excalibur: O Anel Mágico. Lisboa: Meribérica/Liber,

Um achado curioso naquelas lojas pop-up tipo alfarrabista que podemos encontrar nas principais estações de metro. A história, com argumento de Jorge Magalhães, não é especialmente interessante, tem algumas incongruências e uma linha narrativa pouco coerente. Acompanhamos as aventuras de um escudeiro do Rei Artur que, após a queda de Camelot, vagueia pelo mundo. Nesta, um apelo de Lancelot leva-o de regresso à Bretanha, onde é capturado por um feiticeiro, protegido por uma mulher que é mais do que o que afirma ser, e ainda há um misterioso cavaleiro negro cujo papel não é claro. A história não tem uma conclusão, mas também não parece ser parte de uma série.

A inspiração nos mitos arturianos e no clássico Príncipe Valente é óbvia, e é aqui que as coisas se tornam interessantes. O estilo gráfico do ilustrador  Augusto Trigo é fantástico. Clássico, nitidamente inspirado em Hal Foster, e com vinhetas de cair o queixo. Uma pérola visual da BD portuguesa dos anos 80, dos tempos em que a Meribérica-Líber imperava. Confesso que não tenho qualquer memória de infância, na altura em que foi editado, ainda era bastante pequeno...

quarta-feira, 13 de março de 2019

The Ghost of Gaudi


El Torres,  Jesús Alonso Iglesias (2017).  The Ghost of Gaudi. Lion Forge.

Percebe-se logo nas primeiras vinhetas que a história de caça a um assassino em série é uma mera desculpa para o verdadeiro propósito dos autores: mostrar-nos, num traço colorido e elogioso, o impacto da arquitetura de Gaudi na cidade de Barcelona. Os autores são claramente apaixonados pelo trabalho do arquiteto catalão, isso nota-se na forma como a sua obra é retratada ao longo do livro. E, pelo meio, uma história de policial procedimental pura, com a caça a um assassino que mata, com requintes ocultistas, aqueles que considera estarem a desonrar a herança de Gaudi. O fantasma do arquiteto surge neste livro em duas vertentes, como um elemento narrativo da história policial, mas essencialmente como a força benévola que nos legou uma iconografia arquitetónica única. Por divertida que seja a história, é este lado de homenagem a uma figura da história da arte global o que subsiste quando viramos a última página e terminamos a leitura.

domingo, 10 de março de 2019

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Dublin Apocalypse goes online: Um mimo visual, este medievo livro do apocalipse irlandês. E, pergunta que suspeito que uma pesquisa google me responderia, mas agora não tenho tempo para isso: está o nosso Apocalipse de Lorvão digitalizado e disponível online? Lorvão é um local muito interessante. Edit: sim, existe, em JPG ou TIFF na página da Torre do Tombo.

Mediocratopia: 1: Venkatesh Rao nem sempre é uma leitura fácil. Ok, é verdade. Raramente é uma leitura fácil. Mas de vez em quando sai-se com um conceito daqueles que nos faz parar para pensar. Se acharem que a ideia de mediacratopia é tipo uma crítica à mediocridade, leiam e pensem novamente; "Mediocrity is the courage to be ordinary". Rao vê a coisa de outro ponto de vista, a mediocridade como uma vontade de ser, apenas normal, enquanto o sucesso e excelência é algo que é perseguido por sociopatas, capazes de pôr tudo de lado para prosseguirem com os seus objetivos. Ou colocando a questão noutra perspetiva: porque é que no mundo laboral se está a instalar a ideia que para ser ser bom trabalhador, é preciso ir além do esperado, trabalhar mais horas? Qual é o mal de, simplesmente, cumprir o horário desempenhando as suas funções?

The Millennial Era of Climate Politics Has Arrived: E já não era sem tempo. Porque são estas as gerações que terão de viver com a merda que os nossos antecessores, que ainda estão ativos na vida política, fizeram com o constante ignorar das questões ambientais e subordinação ao capitalismo selvagem. A geração que tem hoje 50-60-70 anos e toma decisões políticas irá estar confortavelmente sepultada quando os padrões climáticos se desregularem por completo, a subida do nível das águas do mar alagar as cidades costeiras, as crises financeiras constantes se tornarem o novo normal ou a ideia de ganhar dinheiro a trabalhar para ter uma vida estável for uma distante memória do passado. Não somos nós que seremos capazes de enfrentar estes desafios, por fundamentalmente, as suas piores consequência estão-nos distantes.

Germany just deleted Facebook: Não no sentido de eliminar ou impedir o acesso. Mas de uma forma mais eficaz: à luz do RGPD, o modelo de negócio da rede social implica violações constantes à privacidade e dados pessoais.

Why Is Medicine So Expensive?: O artigo elenca inúmeras razões, mas todas se destilam numa - ganância. Se é legítimo defender a sustentabilidade da indústria, que tem de custear o desenvolvimento e testes de medicamenstos (embora nem aqui a coisa seja linear, há muitos que vêm da investigação desenvolvida nas universidades), por outro lado é imoral abusar da propriedade intelectual para cobrar preços elevados, garantindo que muitos pacientes não terão hipótese de tratamento, ou que os sistemas públicos ficam onerados com dívida excessiva.

Is Facebook unethical by design?: TL;DR: Pois. pois é. Essencialmente, a rede social encoraja-nos a participar para agregar dados que lhes servem para afinar algoritmos de venda de publicidade. Não há almoços gratuitos na economia digital.

What Amazon Infiltrating America's School System Might Look Like: A Amazon decidiu juntar-se aos movimento de programação no ensino básico. E parece estar a fazê-lo com a habitual arrogância deste tipo de empresas, quando se dedica a projetos deste género. Ignorando por completo a experiência dos profissionais no terreno, muitos dos quais já colocaram de pé os seus programas conciliando pedagogia e tecnologia. Criam programas estanques, pensados para aplicação uniforme por professores que têm como função pouco mais do que debitar a cartilha. E aqui ainda se juntam algumas motivações obscuras: o que é que a Amazon quer com isto, e uma vez que estes programas são estruturados à volta de dados, que garantias de privacidade serão dadas às crianças.

Tipos de treta: Há que admirar esta tipologia do Que Treta!. Há as tretas estúpidas, mas inócuas, porque quem acredita nelas não tem poder para as impor à restante sociedade. As parvoíces tipo reiki e astrologia caem neste campo. Depois, as tretas estúpidas, mas perigosas, porque envolvem relações de poder, ou seja, há entre os seus defensores gente que domina, ou legisla, com capacidade de impor restrições à liberdade. Aqui caem as questões de género e as xenofobias, entre outras. Finalmente, as tretas estúpidas, mas institucionais, comportamentos tão arreigados na mentalidade e cultura que mesmo sabendo que são treta, parecem impossíveis de erradicar. Caem aqui tretas como o sopapo pedagógico ou a tourada, e é daquelas coisas que nos deixam boquiabertos, ver a forma como uma sociedade pacífica que proíbe a violência fecha os olhos a estas questões, só porque "são cultura".

Viagem ao país do fumetti: I can relate. Não tenho a fortuna de ser transferido para Roma a trabalho, mas se há boa razão para inventar desculpas para ir a Itália é precisamente a cultura e acessibilidade do fumetti. Eu sei, compras online e tal, mas há aquele encanto de passar numa banca e vê-la recheada de banda desenhada, ou entrar numa loja poeirenta com prateleiras a abarrotar de fumetti. Cá por mim, já ando à caça de nova oportunidade para lá voar.


O SIGNIFICADO DE MONSTRESS – POR NUNO FERREIRA: Pessoalmente, creio que o grande ponto forte de Monstress é o traço admirável de Sana Takeda. No entanto, as nuances do texto remisturam de forma progressista as estruturas da fantasia.

Our age of anxiety: Desculpem lá o eu parecer critpo-comuna ou revolucionário caviar (caviar não, que nem gosto, mais tea, earl grey, hot, se faz favor). Grande parte do nosso mal estar político e social é consequência direta do vendaval neoliberal que tomou conta das instituições. Antes de lamentarem a perda de sentido moral que se diz ser o que alimenta os populismos, lembrem-se: o que é que leva as pessoas a alinhar por esta cartilha? Se o que vemos são as soluções políticas tradicionais a regredirem ativamente o nível de vida, segurança laboral e serviços sociais em nome de um sacrossanto mercado que agudiza as desigualdades na distribuição de riqueza, qual é o espanto quando as massas decidem seguir aqueles que apregoam uma cartilha anti-estas forças?

Romance scams cost more money than any other type of consumer fraud, says the Federal Trade Commission: Uma boa leitura para o dia de s. valentim, que é quando escrevo estas linhas. As vigarices que apelam ao coração (ou, sendo mais rigoroso, a uma parte muito específica da anatomia masculina) (não, não é o cérebro) são aquelas que mais danos financeiros causam. Recorda uma reportagem muito badalada que passou recentemente num canal televisivo, que confesso que tive paciência para ver pouco mais do que um excerto. Porque a reportagem centrou-se nos sentimentos das vítimas, que claramente eram ingénuas e com pouco que fazer na vida, e esqueceu-se do mais importante: o roubo de identidade e suas consequências, que vão muito além de histórias patetas tipo telenovela.


NASA is saying goodbye to its Opportunity rover on Mars after eight months of radio silence: Farewell, little one. Diga-se que para máquina concebida para durar quatro meses na superfície marciana, ter chegado aos quinze anos é ir verdadeiramente above and beyond.


Opportunity Rover: O XKCD fez um dos melhores tributos a este pequeno e fantástico rover.

3Doodler wants you to draw directly onto your iPhone with its new app: Deixa-me ver se percebi. A ideia genial desta empresa é ter uma app para desenhar sobre um ecrã de telemóvel ou tablet com um extrusor a alta temperatura e filamento quente. O que é que poderá correr mal...?

Undefeated, ISIS Is Back in Iraq: Aparentemente, as notícias sobre a derrota do estado islâmico foram prematuras. Porque, como o artigo observa muito bem, a estratégia é de longo prazo, e o ser detentor de território não é o mais importante. O que estes zelotas querem é provocar o caos, e isso consegue-se misturando-se entre as populações, levando os oponentes a cometer erros, e explorando os seus pontos fracos.


Smartphone society: Os nossos dispositivos móveis, e nós próprios. Sem moralismos saudosistas de bons velhos tempos mais analógicos. Duas notas, estas fotos documentam a forma como os utilizamos para externalizar memórias de experiências, e como se tornaram uma extensão dos nossos cérebros.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Dylan Dog: Graphic Horror Novel; Il Terrore


Ratigher, Paolo Bacilieri (2017). Dylan Dog #369: Graphic Horror Novel. Milão: Sergio Bonelli Editore.

As pessoas relacionadas com um criador bem sucedido de banda desenhada começam a morrer em assassinatos sangrentos. As mortes violentas espelham o que o artista desenhou nas suas novelas gráficas. Este decide pedir ajuda a Dylan Dog, que acabará por descobrir o segredo do seu sucesso: vendeu a alma a um demónio, em troca da fama e dinheiro. E o demónio aprecia sacrifícios temperados com requintes macabros.

Esta história é contada de uma forma curiosa. Um homem sem memória vai desenhado, e recordando, nas paredes de uma casa de banho. Entre alucinações e rasgos de lucidez, vai reconstruindo a memória do que lhe sucedeu. A narrativa segue um estilo giallo, mas a solução fácil de invocar um demónio para resolver o mistério banaliza o que até é uma interessante aventura do Old Boy.


Gabriella Contu, Giampiero Casertano (2017). Dylan Dog #370: Il Terrore. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Há algum tempo atrás, um jovem estudante americano de origem etíope foi notícia pelas piores razões. Professores demasiado zelosos acharam que um projeto de ciências deste aluno era uma bomba, e agiram em conformidade. Não o era, tratava-se apenas de um aluno curioso e capaz, mas o preconceito americano com qualquer um que esteja ligado ao islamismo, nem que seja por afinidade de língua ou cor de pele, levou a melhor.

Esse caso parece ter sido a inspiração para esta aventura de Dylan Dog. Nela, a cidade de Londres é palco de uma caça ao homem. A polícia, os militares e grunhos de extrema direita estão a dar caça a um suspeito de ser bombista suicida. A cidade paralisa, entre o medo, as ações policiais excessivas, e o sensacionalismo dos media. Mas tudo não passa de um equívoco, lançado por um professor pouco competente que ao ver um dos seus alunos entrar na escola com um aparelho estranho, se assusta e pensa estar perante um bombista porque este é filho de imigrantes. O aparelho não tem nada de perigoso, o verdadeiro perigo nesta história está na facilidade com que os preconceitos se acendem. Uma aventura com uma temática pertinente.

terça-feira, 5 de março de 2019

Wolverine: Weapon X


Barry Windsor-Smith (2007). Wolverine: Weapon X. Nova Iorque: Marvel Comics.

Como é que Wolverine se tornou de mutante com poderes de cura rápida a uma arma assassina, com garras e esqueleto de adamantium? É neste episódio da origem do personagem que Barry Windsor-Smith se foca, de forma visceral. Logan é reduzido aos seus instintos primários e animalescos no decurso das experiências que o transformam em Arma X. Windsor-Smith foge ao seu registo minucioso para entrar num campo visual expressivo, de figuras marcadas e cores violentas, diálogos entrecortados pelas vinhetas, que deve algo à estética de Frank Miller em Ronin, embora não funcione tão bem. Apesar disso, esta é uma das histórias clássicas da personagem dos anos 90, quando a sua popularidade começou a disparar.

domingo, 3 de março de 2019

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AI Artist Robbie Barrat And Painter Ronan Barrot Collaborate On “Infinite Skulls”: Um projeto artístico muito intrigante. Um investigador em inteligência artificial, conhecido pela forma como consegue explorar criatividade com GANs, junta-se a um pintor que tem como hábito pintar caveiras quando quer limpar pincéis no final das suas obras. O resultado é uma forma interessante de rever a produção artística, utilizando uma IA treinada num banco de dados de obras específicas de um único autor. Há alguns pontos curiosos no projeto, especialmente na forma como o artista que usa meios tradicionais reviu os seus preconceitos face ao digital, percebendo que a geração de imagens por inteligência artificial não é tocar num botão e já está, depende muito de um processo de escolha e reflexão por parte de quem treina a IA.

Estive a Ler: A Máquina de Fazer Espanhóis: Aproveitei a resenha no Notícias de Zallar para ver se valia a pena dar uma oportunidade a Valter Hugo Mãe. Pelos vistos, o que vale a pena é não perder tempo a ler mais este exemplo da intelectualidade vácua das letras portuguesas. Que é, honestamente, o que me leva a não pegar nestes autores. Tudo neles é tão imbuído de sentimento e importância, de reflexão e almejar sempre os píncaros, que me parecem pouco mais do que exercícios de estilo.

Apocalypse Is Now a Chronic Condition: Ou, colocando a questão noutros termos - abusar de ansiolíticos é forma de suportar a condição humana contemporânea. O artigo coloca a questão de forma elegante: como é que conseguimos suportar a banalidade do dia a dia, o pagar as contas, ir para o emprego, usar transportes, enquanto ao mesmo tempo sabemos que temos o futuro próximo irremediavelmente comprometido pelo capitalismo selvagem e alterações climáticas? Não por acaso, as distopias tornaram-se o género pop mais consumido.

Latest Windows 10 build puts desktop apps in a 3D world: Uma boa notícia para aqueles que sempre quiseram trabalhar no Word usando realidade virtual. Por outro lado, isto parece-me tão anos 90, essa outra época em que se acreditava que a realidade virtual iria ser o futuro... uma ideia recorrente nos seus ciclos de entusiasmo e inevitável falhanço. A menos, claro, para quem gosta meeeesmo de usar aqueles dispositivos clunky para aceder a recursos digitais.

After #MeToo, whole industries have been blacklisted by insurers for sexual harassment liability coverage: A indústria dos seguros não é à partida algo em que se pense quando falamos de progresso social. Até nos apercebermos que numa sociedade litigiosa, os atropelos têm custos, e que parte deles são suportados por seguros. O resultado: as seguradoras recusam-se a fazer apólices a empresas que tenham culturas nocivas ou personalidades conhecidas pelos seus comportamentos danosos. Notem que a lógica do negócio dos seguros não é salvaguardar em caso de catástrofe, é evitar situações catastróficas para não perder dinheiro. A mensagem é clara: se há malta na empresa que gosta de assédio sexual, não há apólices, porque a seguradora não está para perder dinheiro com isso. É uma forma algo enviesada de progressismo...


Ellsworth Kelly US Stamps: Isto dá vontade de arranjar pen pals do lado de lá do atlântico norte, só para ver se se recebe umas cartinhas com estes selos, que comemoram a obra do pinto abstrato Ellsworth Kelly. E são deslumbrantes.

Fool Britannia: A inacreditável estupidez do Brexit, visto sob as perspetivas da cultura britânica do excecionalismo (desde o império vitoriano à darkest hour da II Guerra), do substrato inglês (a região que verdadeiramente votou a favor do brexit foi a inglaterra, não o restante reino unido) e das personagens tóxicas, incompetentes ou criminosas que tomaram conta da vida política.

A Brief History of the U.S.S. Enterprise's Pre-Kirk Voyages: Menos do que seria de esperar, mas suspeito que há aqui filão para algumas séries ou filmes, mesmo com retconns à mistura. Estas histórias ocultam o verdadeiro apelo de Star Trek enquanto conceito: não é só a aventura, é a visão de um futuro verdadeiramente progressista em termos económicos, sociais, políticos e culturais.

NOTES ON THE RUN: PUT ON YOUR TINFOIL HAT BECAUSE HERE WE GO…: O que é que se passa na cabeça de um divulgador de ciência quando lhe fazem perguntas sobre alienígenas e sua propensão para capturar vacas/a alunagem foi filmada em estúdios/inserir teoria da conspiração aqui? Este artigo dá uma boa ideia disso. O que irrita, no fundo, não são as teorias bizarras, mas a crença cega dos seus defensores, para quem as provas em contrário apenas reforçam as suas teorias. É dunning-krugerismo all the way down.

The Unpredictable Rise of China: Sabemos que estamos no século chinês, com a China a reclamar o seu lugar como potência económica e militar. Mas até que ponto esta é uma posição realmente sustentável, com um rápido expansionismo inflacionado? Este artigo coloca água na fervura daqueles que tremem perante o gigante chinês. E atreve-se a perguntar até quando o partido comunista, que se aguenta no poder através da hipervigilância mediada por tecnologia e repressão pura, será visto como ideologicamente legítimo pelos chineses?


the ten dimensional maze: A fronteira entre o foleiro e o divinal é ténue, nestas ilustrações. Pessoalmente, intrigam-me sempre estas incursões algo ingénuas nos domínios da arte digital, vindas de um tempo em que o digital era ainda demasiado novo e cru, e não como hoje, banalizado na manipulação digital do photoshop ou no hiperrealismo do 3D.

Before It Conquered the World, Facebook Conquered Harvard: É inescapável, a rede social azulinha fez quinze anos. Na Atlantic, Alexis Madrigal recorda os seus primeiros dias, e como desde o início o site era inexplicavelmente aditivo. De site dedicado aos frat boys and girls das universidades americana de elite, tornou-se uma força tecnológica e cultural que transformou o mundo. Para muitos, o facebook é sinónimo de internet, e a forma como medeia as interações culturais oscila entre o positivo e o tóxico.

Google hired microworkers to train its controversial Project Maven AI: Não tinha prestado muita atenção a esta notícia, quando surgiu. Afinal, o que revoltou os funcionários da google foi a empresa que até há pouco tinha como lema don't be evil participar num programa de treino de IA para reconhecimento facial avançado de imagens de drones. Ou seja, tornar mais eficaz e automatizada a estratégia de assassínio via drone.

Capitalism’s New Clothes: O novo livro de Shoshana Zuboff sobre capitalismo e hipervigilância parece ser a leitura obrigatória do momento. Cavear lector: a análise de Evgeni Morozov é longa e detalhada, e critica-a por inconsistências ideológicas.

Time, Motion, and Awe in Regards to Moving Pictures: Não é fácil para nós, habituados à banalização da imagem em movimento, perceber o impacto visual e psicológico que tiveram os primeiros filmes. Especialmente pela possibilidade de ver ao contrário, inverter o sentido do tempo. Por outro lado, sempre que um novo media nos deslumbra - pensem a primeira vez que viram um filme em 3D estereoscópico, ou mergulharam em realidade virtual, sentiram algo similar àqueles que, há mais de cem anos trás, viram tudo o que conheciam graças à sua perceção desafiado pelas imagens projetadas na tela.

A LITTLE DIGITAL PIRACY BOOSTS THE BOTTOM LINE: A questão da pirataria não é linear. Se os detentores de propriedade intelectual nos querem fazer crer que qualquer download é matá-los à fome, na realidade as coisas têm nuances. Há a partilha como forma de gerar interesse, garantindo que o produto seja selecionado como conteúdo em canais. Esta investigação mostra outro efeito, sobre preços e acessibilidade. E há ainda outra vertente, pouco falada: pirataria como forma de conhecer/aceder a conteúdos indisponíveis, raros, com pouco interesse comercial ou de nicho.

OPERATION BACKFIRE: WITNESS TO THE ROCKET AGE: No fim da II Guerra, americanos e russos apressaram-se a agarrar os mentores e técnicos da construção de mísseis, foguetões, aviões a jato e outros projetos. E os restantes aliados? No caso britânico, restou-lhes capturar alguns soldados capazes de disparar mísseis V2. Documentaram o processo, e é algo que hoje nos parece extremamente primitivo. Há que sorrir perante as descrições de soldados a fumar enquanto despejam combustível para os depósitos dos mísseis. No entanto, apesar do aspeto rudimentar, foi assim que se começaram a desenvolver as modernas técnicas aeroespaciais de lançamento de foguetões.

Money Machines An Interview with an Anonymous Algorithmic Trader: O trading algorítmico explicado por quem o utiliza. Versão resumida: a Inteligência Artificial vai ter um impacto enorme nos serviços financeiros. Aliás, já o está a ter, com a adoção progressiva de sistemas de decisão de operações de bolsa automatizados.

HERÓIS INESQUECÍVEIS (61) - FLASH GORDON: O Blogue de BD recorda-nos um dos grandes heróis da era de ouro da BD. Recorda algumas das suas edições portuguesas, e dá-nos algumas curiosidades. Como, por exemplo, descobrir que nos tempos do antigo regime o personagem teve o nome adaptado para o mais lusitano Roldão o Temerário.

Google pays more in EU fines than it does in taxes: O que não significa que a Google esteja a pagar multas assim tão altíssimas. É mais o resultado da engenharia financeira de trocar fluxos de lucros entre países para obter a chamada competitividade fiscal, ou seja, formas de pagar o mínimo dos mínimos em impostos. Algo que é prática comum na economia contemporânea, e uma das raízes dos problemas que sentimos, hoje. Quando entidades fazem lucros milionários mas não contribuem para o bem comum, todos perdemos.

Dozens of Cities Have Secretly Experimented With Predictive Policing Software: É um dos usos mais polémicos da inteligência artificial. O policiamento preditivo parece uma boa ideia, como forma de apoio à decisão e permitindo aos agentes de segurança alocar recursos de forma eficaz. O problema está na forma como o faz. Baseia-se na recolha de dados de crimes cometidos, cruzados com áreas geográficas. Mas se essa recolha de dados for enviesada, o uso destes sistemas aumenta o risco de perpetuação de estereótipos, preconceitos e zonas de pobreza.

Are Cyborgs Already Here? An Intro to the Debate and Why It Matters:  Apesar de não andar aí ninguém pelas ruas com óbvios implantes tecnológicos, é de observar que são poucos, hoje em dia, que não dependem de algum recurso tecnológico para o seu dia a dia. Algo que tanto pode ir do avançado implante médico, à já banalizada externalização da memória para dispositivos móveis ligados à internet. Aliás, no que toca a esta última, diria que são poucos os que escapam ao we are borg, you will be assimilated.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Fray


Joss Whedon, Karl Moline (2003). Fray. Milwaukie: Dark Horse Comics.

Entre outros projetos, Joss Whedon criou duas séries televisivas influentes. Para os fãs de horror, Buffy The Vampire Slayer é marcante. E, na FC, Firefly tem estatuto de culto, em parte por ter sido uma boa série, e também por se ter ficado por uma temporada, o que alimenta a nostalgia dos fãs. Fray, uma incursão de Whedon nos comics, tem o seu quê de mistura destas duas séries. O tema é puro Buffy, com uma jovem de capacidades extraordinárias que se descobre a desempenhar o papel de protetora da humanidade contra hordes demoníacas canalizadas por vampiros. O toque Firefly vem do cenário futurista e dos diálogos, que têm a fluidez verbal que caraterizava a série. A história em si é muito linear e previsível, demasiado na linha Vampire Slayer para ser algo individualizado.

Hello, Robot.


Mateo Kries, et al (2017). Hello, Robot.: Design Between Human and Machine. Weil Am Rhein: Vitra Design Museum.

Muito poderia ser dito sobre esta exposição e o catálogo que a acompanha. Já explorei a exposição num artigo para o Bit2Geek, mas não saí do MAAT sem trazer o catálogo comigo. O que se traduziu numa experiência dolorosa. O preço deste livro é demasiado elevado. A Hello, Robot, enriquece-nos imenso, mas a minha carteira de professor cuja entidade patronal não paga o que lhe deve ressente-se com os cinquenta euros do catálogo.

Mas é dinheiro bem gasto. Visitar a exposição é uma excelente experiência, mas o catálogo explora a fundo o seu fio condutor, lógica expositiva e mostra mais projetos do que os que estão no MAAT. No seu cerne, está a reflexão sobre a robótica, não pelo seu lado técnico, mas no fascínio conceptual que desperta, na sua vertente estética, nos impactos inesperados que a adoção e evolução desta tecnologia nos está a trazer nos domínios sociais, culturais e pessoais. O uso da mecânica como elemento estético na exploração conceptual da forma como os robots influenciam o nosso íntimo é o grande fio condutor desta iniciativa. Tal como a exposição, o catálogo não nos dá respostas, apenas aponta vertentes e cataloga experiências. É uma experiência provocadora. No final da leitura, as questões e reflexões avolumam-se.

(Ah, sincronismos. Estou a escrever estas linhas com a televisão ligada num canal por cabo e que filme está a passa? Ex Machina, um dos filmes citados na exposição, variação contemporânea do mito de pigmalião, e que se insere muito bem nestas reflexões sobre o que a robótica provoca em nós).

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Inteligência Artificial


Arlindo Oliveira (2019). Inteligência Artificial. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Para quem já leu o Mentes Digitais deste autor, este livro vai parecer curiosamente comedido. E é esse o objetivo. O livro é um ensaio de introdução a este campo, escrito como divulgação científica. Nele, Arlindo Oliveira segue uma perspetiva evolutiva, traçando a evolução da inteligência da biologia à computação. Fala-nos das aplicações correntes da Inteligência Artificial, e aponta para as dificuldades técnicas e conceptuais de criar uma inteligência artificial consciente. Encerra com uma reflexão sobre o papel da civilização humana perante a imensidão cósmica, a possibilidade teórica de vida alienígena e o papel que a vida artificial poderá desempenhar. Uma leitura concisa, que consegue traçar um panorama abrangente deste campo, sem o aprofundar.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

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The Art of the Internet, Restored and Out in the World: Preservar a arte tradicional é relativamente fácil. Quer dizer, é um problema complexo, claro, o manter pinturas, esculturas, desenho e outros suportes a salvo da degradação trazida pelo tempo. Mas papel é papel, e tela, tela. A arte digital depende de suportes que com a evolução tecnológica ficam obsoletos e, nalguns casos, desaparecem. O que fazer quando já não há ambientes que corram um programa, ou não há suportes físicos para o media em que a obra está arquivada? Esta exposição sobre os primórdios da Net Art recupera projetos clássicos, e as tecnologias que as suportam. A curadoria é da Rhizome, que desde que me lembro é a organização artística que mais se destaca nos domínios da net art.

Inteligencia artificial en 'Chappie': la autoconsciencia robótica como 'tabula rasa': O filme Chappie foi de facto um marco, na forma como cruzou IA com transhumanismo, desigualdades sociais, neoliberalismo selvagem (esperem, haverá outro tipo de neoliberalismo que não seja selvagem?) e socidade hiper vigiada. Este artigo mostra como Blonkamp foi meticuloso na forma como nos apresentou as visões de vida artificial. Confesso que nunca tinha reparado no pormenor de  o campo de visão de Chappie ter sempre uma janela de código que se atualiza constantemente, símbolo da sua aprendizagem contínua.

“The Linux of social media”—How LiveJournal pioneered (then lost) blogging: O que resta agora deste pioneiro da blogoesfera está nas imensidões siberianas dos trolls russos. Recordo-me de quando comecei a blogar, perceber que o LJ era à altura o local mais influente, com interações ricas. A Ars Technica faz a crónica deste serviço pioneiro, do nascimento ao acaso até se tornar irrelevante na paisagem digital contemporânea.

The Far Side of Utopia: Poderia a exploração espacial ser mais multicultural, com sucessos vindos de outros países? Há aqui duas bizarrias curiosas, vindas dos tempos da corrida espacial. Primeiro, o programa espacial libanês, essencialmente um projeto universitário que chegou a lançar um pequeno foguetão, mas acabou arrastado pelo caos que envolveu o país. Mas mais bizarro era o projeto de um pregador da Zambia, que queria enviar missionários para o espaço, e chegou a enviar voluntários para o deserto, para se treinarem. Não estava era clara a forma como era suposto chegarem aos céus para espalhar a palavra divina. Preces, normalmente, não são funcionais como combustível de foguetão.


Let’s Talk About Russia’s “Hunter” Next-Gen Unmanned Combat Air Vehicle Spotted On The Ground At Novosibirsk: Se não me dissessem que era um protótipo de drone russo, diria que era um X-47. Estes drones de combate furtivos chineses e russos são todos suspeitosamente parecidos com o modelo da Northrop Grummann. O conceito também, ter drones armados controlados a partir de um caça tripulado.

The 500-Year-Long Science Experiment: Ciência, a longo prazo. Experiências que atravessam gerações, e geram problemas muito específicos. Ficarão esquecidos no fundo do laboratório, num canto empoeirado? As instruções e lógica da experiência serão inteligíveis por futuros cientistas?

GDPR MAKES IT EASIER TO GET YOUR DATA, BUT THAT DOESN’T MEAN YOU’LL UNDERSTAND IT: Aventuras no direito aos dados postulado pelo RGPD. Os gigantes da tecnologia são muito generosos no conceito de apresentar dados de forma acessível. Digamos que json não seria sequer compreensível pela maioria dos utilizadores. Lá cumprir, cumprem, mas arrastando os pés e levando a coisa ao limite da paciência dos utilizadores. A lógica é simples; manter as coisas como estão, apostando na inação dos utilizadores.

GETTING TEACHERS TALKING ABOUT 3D PRINTING, A BETT 2019 REPORT: Os analistas do 3D Printing Industry foram à BETT, a feira inglesa de tecnologia educativa, descobrir o que se passa nos domínios da impressão 3D na educação. Uma oferta crescente, e progressiva consciencialização desta tecnologia como recurso educativo. O melhor do artigo? Observarem que o momento que verdadeiramente apaixona os alunos é verem o primeiro modelo 3D criado por eles a imprimir. Conheço bem essa sensação.

HOW GOOGLE AND FACEBOOK ARE SLOWLY STRANGLING THEIR DIGITAL OFFSPRING: Quando se fala nos problemas que os algoritmos de redes sociais nos colocam, este é dos menos discutidos. Tem a ver com a aleatoridade de decisões de negócio cujos efeitos se fazem sentir na forma como nos chegam as notícias. As redes sociais tornaram-se a principal forma para se ler e partilhar o tipo de conteúdos que tradicionalmente se ia ler aos sites dos jornais. Estes adaptaram-se, mostrando ser responsivos, mas aquilo com que não contaram foi com as decisões internas do Facebook. Algo que soa inócuo - o modificar o algoritmo para que os utilizadores vejam posts mais pessoais, significa uma razia nos meios jornalísticos, que perdem um canal aberto para leitores. E como estes não voltam aos jornais online, perde a sociedade, porque a partilha de notícias diminui fortemente. No caso do facebook a coisa é ainda mais insidiosa: os gestores da rede social encorajaram os criadores a investir em caras plataformas de vídeo, para pouco tempo depois lhes tirarem o tapete e negarem o acesso das audiências aos seus conteúdos.

THE CYBORGS AMONG US: EXOSKELETONS GO MAINSTREAM: A tecnologia já tem alguns anos de desenvolvimento, mas está finalmente apurada ao ponto de dispormos de próteses ou mecanismos auxiliares que funcionem como exoesqueletos, aumentando a força e agilidade dos seus utilizadores.

In War Torn Western Sahara, These Old Cars Are The King And Queen: O que fazer quando se vive num país que não existe, cujas cidades são essencialmente campos de refugiados, o deserto impera, não há praticamente estradas e a atividade económica está nas mãos de um país estrangeiro que lhe ocupa o território, sem que a ONU faça grande esforço para resolver a situação? Esse país existe, está mesmo à nossa porta. O Saara Ocidental deveria ser um país independente, mas continua ocupado por Marrocos. Algo que este artigo, que se foca na resiliência e facilidade de reparação que os veículos que os sarauís utilizam têm de ter, nos recorda.

A Tiny Screw Shows Why iPhones Won’t Be ‘Assembled in U.S.A.’: Este artigo sobre a incapacidade da Apple em relocalizar a produção dos seus equipamentos de luxo para os EUA lê-se como uma lista de reclamações do tio Patinhas. Aponta problemas específicos, a começar pelo humilde parafuso, que na américa já não é possível produzir com a rapidez e volume exigidos pela produção. E vai por aí fora. Páginas tantas, lá aparece uma voz dissidente, a de um industrial especializado americano que observa que não é possível produzir ao nível chinês porque devido ao movimento de deslocalização, não há incentivo para investir em manufatura elementar. Mas o jornalista que escreveu este artigo excita-se, e muito, quando se fala de relações laborais. A grande vantagem da China, aponta, é ser um país autoritário, onde se for preciso os trabalhadores trabalham fora de horas, e como até dormem nas fábricas, podem muito bem ser acordados a meio da noite para manter as linhas de produção imparáveis. Melhor, não é preciso pagar-lhes muito. A falta de humanismo elementar contida nestas afirmações é espantosa.

Extending Interactivity: Uma história das personalidades que, no dealbar da computação, nos levaram ao conceito de computação interativa.

Was Modernism Meant to Keep the Working Classes Out?: Pronto, esta é inesperada. Uma história da literatura vista pela lente da luta de classes. Ou melhor, história da leitura. Observando que havia, na promoção da leitura para públicos no Reino Unido do século XIX e princípios do XX, uma desigualdade de acesso a autores. Se as classes médias tinham dinheiro para ler autores contemporâneos, as classes trabalhadoras só tinham acesso aos clássicos. Nesta visão, havia duas literaturas: a intemporal para os pobres, e a inovadora para os com capacidade financeira. Curioso.

Why Flying Cars Are an Impossible Dream: Razões para não acreditar em carros voadores. Riscos de segurança - imaginem os noticiários a abrir com notícias de acidentes em que veículos caem do céu nas cidades, e inadaptabilidade do espaço urbano - como é que se vão construir zonas de aterragem para estes veículos. No entanto, talvez haja futuro para esta tecnologia, como forma de melhorar acessibilidades em zonas remotas.

Facebook pays teens to install VPN that spies on them: Privacidade? Que se lixe a privacidade, é preciso é ter acesso a todos os dados possíveis para ganhar vantagens competitivas. A falta de ética de quem, numa organização, se lembra e implementa estas soluções é inacreditável.


The Racism of 19th-Century Advertisements: Felizmente, as mentalidades mudam. Iconografias que hoje nos são ofensivas não eram vistas como tal há poucos anos atrás. Felizmente, evoluímos, e utilizar estereótipos racistas, hoje, já não é aceitável. Olho para estas imagens em duas vertentes: a de não branquear o passado, recordando que, realmente, as coisas não eram boas e havia muito para evoluir. E, também, a pensar: daqui a cinquenta, cem anos, quais são as ideias e iconografias que hoje nos parecem perfeitamente normais e aceitáveis, mas que irão ser consideradas ofensivas?

Watchmen’s Historical Precursors Brought to Light in Craig Yoe’s ‘The Unknown Anti-War Comics’: Uma visão sobre os comics de propaganda militarista, que inclui algumas observações sobre a infiltração pela CIA de movimentos pacifistas como forma de manipular a opinião pública no sentido contrário. E os comics foram uma das armas dessa luta.

Privilégio de homem branco: Nem sempre é confortável ler o Que Treta!, mas vale sempre a pena pela forma lúcida como as questões são colocadas. Aqui, fala-nos do privilégio, recordando que apesar do ruído, a questão de fundo é mais do foro social do que étnico.

Kieron Gillen’s Writer’s Commentary on Peter Cannon: Thunderbolt #1: O novo trabalho de Gillen para a Dynamite! recupera um personagem clássico, e a coisa promete, com toques dos temas de Watchmen à mistura. Quando um herói super-inteligente parece estar envolvido numa conspiração que envolve invasões alienígenas para provocar a paz global, a dívida com a obra de Alan Moore de Dave Gibbons é óbvia. Mas Gillen vai mais longe, com uma visão mais corrosiva.