segunda-feira, 27 de junho de 2016

Comics


The Autumnlands #11: O irritante nesta série é perceber que a resposta aos elementos que a tornam intrigante dificilmente será revelada. Percebeu-se que há uma subtil mas assumida meta-ficção nesta história onde magia e ciência colidem de formas inesperadas. Mas a narrativa segue outro caminho, o do clássico romance-périplo a explorar um mundo imaginário. O que prende o interesse do leitor é descortinar a peça que falta no puzzle e perceber o que é exactamente esta série. Meta ficção a ironizar os pressupostos do pulp, da fantasia épica e da FC de aventura? Ficamos à espera que nos seja mostrada a entidade por detrás dos mecanismos, aquele que manipula a percepção da narrativa. Fiel ao espírito da cultura popular contemporânea, que não admite que uma história chegue ao seu ponto final, teremos muito que aguardar por esta revelação. Depois de se alongar até à irrelevância, esgotando os seus pontos de interesse, talvez a peça final do puzzle nos seja revelada. Esta é uma das pragas da ficção de género, nos dias que correm. O arrastar para lá dos limites das séries que prometem ser interessantes, seguindo a lógica de esmifrar as ideias até ao último cêntimo possível, mesmo que com isso as esgotem e desacreditem.

James Bond #07: Ah, Warren Ellis. Mestre do facto ofensivo escrito com frieza de autista.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Juiz Dredd Mega Almanaque #02

 

John Wagne, et al (2015). Juiz Dredd Mega Almanaque #02. S. Paulo: Mythos.

Um pouco por acaso, encontra-se nalgumas bancas e livrarias este segundo almanaque da revista brasileira Juiz Dredd, reunindo uma segunda temporada de seis números de uma publicação que foi cancelada ao fim de vinte e quatro edições. Fica no ar a questão se a Mythos planeia continuar a tendência e lançar em almanaque as doze edições que restam.

Depois de uma leitura divertida, fica-se a perceber que esta revista brasileira era, de facto, muito interessante (e, cortesia das anomalias temporais no meio do atlântico que atrasam em mais de seis meses a edição do que lá se publica por cá, ainda a chegar aos poucos espaços que vendem comics em Portugal). Podiam ter optado pela simples tradução da continuidade actual da lendária revista britânica 2000AD, mas a escolha recaiu sobre uma curadoria cuidada. Para os leitores, ficou uma tradução para português caipira de algumas das melhores histórias do Old Stoney Face. Não os relativamente banais arcos épicos que se espraiam ao longo de semanas pela 2000AD ou pela Megazine britânica, cheios de intricacias e que diluem o carácter da personagem. O editor optou por trazer o lado ácido, fortemente corrosivo, de um personagem abusivo que funciona como caricatura do autoritarismo institucional, apreciado por fãs que em larga maioria lhe admiram o carácter neo-fascista sem se aperceberem da fortíssima estalada conceptual que estão a levar. A sobre-povoada Mega City One, os seus patéticos cidadãos e o exacerbar do espírito da lei na ponta do bastão ensanguentado (ou da bota suja de miolos, ou da lawgiver a dispensar justiça com balas hi-ex), são uma subtil caricatura às utopias autoritaristas com que muitos sonham. Os argumentos corrosivos de Jonh Wagner, a evoluir de uma rebeldia de contra-cultura dos anos 70 à nossa contemporaneidade de hipervigilância e perda de direitos civis em nome da segurança, sublinham bem essa ironia. É uma vertente que nas mãos de outros argumentistas costuma estar ausente, diluindo a personagem como mais um policial futurista.

A revista não se esgota em Dredd. Publica também os lendários Future Shocks da 2000AD, um verdadeiro recreio conceptual onde argumentistas e ilustradores dão corpo às histórias mais bizarras num estrito limite de duas a quatro pranchas. Os de Alan Moore são lendários, mas não são os únicos a surpreender os leitores.

Acenando ao alinhamento contemporâneo da 2000AD, também podemos encontrar a excelente Hard SF de Grey Area, escrita por Dan Abnett, e o divertido Nikolai Dante, outra série que atravessa limites com o seu anti-herói modelado nos personagens de capa e espada, de moralidade duvidosa e num futuro onde a casa imperial Romanov reina sobre todas as Rússias. Os fãs de sword and sorcery também não ficam desapontados com Sláine, esse outro personagem fortemente irónico de Pat Mills, que deturpa todos os pressupostos da fantasia épica.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Visões


Reazione a Catena/Bay of Blood/Twitch of the Death Nerve (Mario Bava, 1971)

Digamos que Twitch of the Death Nerve é uma daquelas geniais combinações de palavras que invoca mais do que o filme realmente dá, enquanto Bay of Blood é mais certeiro. O título italiano resume bem este clássico do giallo realizado por Mario Bava. Ninguém é verdadeiramente inocente neste filme que, em essência, é um encadeamento de mortes violentas, com o que para a altura seriam cenas de gore profundo.A história é uma sucessão de crimes, a iniciar-se com o assassínio por enforcamento de uma velha condessa pelo seu marido, embeiçado pela jovem secretária de um arquitecto que quer transformar o lago, propriedade idílica da condessa, num resort. Segue-se a vingança do filho ilegítimo da condessa, que vive numa cabana à beira do lago e dá caça aos culpados da morte da mãe, a começar pelo seu marido. Ainda temos de contar com a filha legítima da condessa, que vê no extermínio de todos os envolvidos e testemunhas uma boa forma de assegurar o caminho para a herança. Pelo meio, quatro jovens algo libertinos e os vizinhos do arquitecto também são eliminados com extremo, e criativo, prejuízo. A cena do assassínio inicial é magistral, incómoda, e marca o tom de um filme de exploitation pura, com muitas mortes sangrentas e algumas maminhas à mistura, ao som do europop dos anos 70.



Não há inocentes neste filme, a começar nos espectadores, sublinhando o aspecto de voyeur interente à exploitation violenta. Bava sublinha muito bem essa perversidade, quer pelos ângulos de câmara que escolhe, muitas vezes em ponto de vista, quer pela tendência que tem em focar olhos através de planos de pormenor. É o olhar que está em evidência neste filme, com a câmara como dedo que acusa enquanto mostra ao espectador, com detalhes sórdidos e sangrentos, aquilo que deseja ver mas cujo fascínio não quer confessar.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Antigas e Novas Andanças do Demónio


Jorge de Sena (2007). Antigas e Novas Andanças do Demónio. Lisboa: Edições 70.

Na busca dessa coisa elusiva que é a ficção fantástica portuguesa, vim parar à obra de Jorge de Sena. Que, bem sei, não é escritor de fantasias, mas tem em alguns elementos da sua vasta obra traços entre o onirismo, o sobrenatural e as tradições do fantástico, quer históricas quer populares. Surpreendeu esta descoberta, um livro que não se lia mas se saboreava, pela força das palavras do autor. E mais não digo, que para me atrever a pegar neste escritor precisava de um arcaboiço literário e académico que não tenho. Só me pergunto como diabos andei tanto tempo sem me aperceber destas andanças.

Razão do Pai Natal ter as Barbas Brancas: Diz-se que as tentações do demo assolaram Jesus no deserto, mas a verdade é que este já conhecia as desandanças do grande carapelho. Conheceu-o quando era menino, quando o natal lhe prometia uma carroça feita com muito amor pelo seu pai carpinteiro. Perdeu para o demo, mas ganhou uma dada pelo pai natal, que a partir desse momento passou a usar uma barba branca para se distinguir desse outro cavalheiro de língua afiada. Mas, esperem um pouco. O menino Jesus também tinha prendas de natal? Isso, talvez seja outra história...

História do Peixe-Pato: Era um homem que vivia só, à beira mar numa restinga de uma ilha deserta. Comia o que pescava, abrigava-se das raras tempestades num rochedo alto. Até se cruzar com um peixe diferente dos outros, um peixe-pato, que lhe fazia companhia e pedia mimos. A história irá acabar nos bicos das gaivotas impiedosas que sobrevoam constantemente a restinga.

Mar de Pedras: Jorge de Sena ficciona uma lenda atribuída ao santo inglês Venerável de Beda, monge escolástico que teria, um dia, pregado às pedras. Na ficção o santo dirige-se à aldeia limítrofe ao mosteiro para o serviço religioso. Perdido nos seus devaneios, não dá pela passagem do tempo, e ao cair da noite é assaltado por dois jovens camponeses, revoltados com o seu destino. Cativa-os com a sua bondade, e abrigam-se do frio da noite num templo arruinado, sobre cujas pedras as mulheres da zona gostam de se deitar para assegurar a fertilidade. Sob as pedras megalíticas, desfiado pelos camponeses a convencer as pedras sobre a verdade das suas crenças, faz um discurso tão apaixonado que estas lhe respondem. A partir de uma lenda piedosa, Jorge de Sena constrói um elogio à sabedoria, à bondade, ao gosto pelo conhecimento, apropriando-se de uma figura histórica, responsável pela escrita de uma das mais antigas histórias dos povos ingleses.

O Comboio das Onze: Vinheta surreal, onde a carruagem de um comboio serve de palco a estranhos desejos lúbricos. Conto curioso, onde o ponto de vista vai saltitando de personagem em personagem.

A Janela da Esquina: Era uma velhinha, mesmo muito velhinha, que terminava os seus dias de exígua e solitária existência esquecida por um mundo que já ela tinha esquecido. À janela de uma casa lisboeta, cujos aposentos se cobrem de pó e sujidade entranhada. Até ao dia em que espreita pelos vidros um casal enamorado, cujos encontros amorosos se passam entre a esquina e a mercearia da rua. Algo daquele amor lhe entra no sangue, e por breves momentos irá renascer, até a morte a levar. Um conto sobre solidão e vidas apagadas, que aqueles que recordam uma Lisboa antiga, dos bairros tradicionais com os seus envelhecidos habitantes, compreendem com um especial gostinho.

A Comemoração: A ideia surgiu no café, entre dois copos e muita bazófia, e o senhor que era escriturário na repartição tomou muito naturalmente o pulso à coisa. Afinal, homenagear um herói das colónias de África, que chegou lá marçano e veio de lá governador, não é tarefa para qualquer um. Depois de muito cuidado na preparação, com a divulgação nos jornais e até naquele posto da rádio onde as meninas do bairro cantavam para o éter, lá vai o senhor chefe de repartição ao cemitério para aquela que espera ser uma enchente de homenagem. Mas ninguém aparece para o render das honras. Em evidência no conto está a memória incómoda das colónias, as eternar boas vontades das conversas de café que raramente se concretizam, bem como a pequenez das regras de primazia nos ambientes laborais empoeirados.

Duas Medalhas Imperiais Com Atlântico: Mais vinhetas do que contos, relatos de impressões de viagem marítima, entre as conversas dos marinheiros e a realidade das colónias de Cabo Verde e S. Tomé, com o esplendor das paisagens a servir de palco aos dramas humanos da pobreza e solidão. Não são observações fáceis, ou cómodas para o regime ditatorial. Nelas, Sena fala da sexualidade dos marinheiros em longas viagens, da fome desesperada das crianças na aridez cabo-verdiana, ou o hábito dos donos das roças são-tomenses de ir caçar pretos na mata, para aliviar o tédio.

A Campanha da Rússia: Rumores que a casa onde o escritor se hospedou, então estudante pelintra, na rua da Cedofeita, servia de palco a invocações espíritas são a faísca para alguém que tem temores do além passar as noites à deriva pelas ruelas do Porto. Enquanto lá fora, no mundo, a campanha da Rússia ruge na II Guerra, o jovem estudante mergulha como num sonho surreal nas ruelas e becos de uma cidade cuja vida parece desabrochar ao cair da noite.

Kama e o Génio: Era um génio, não muito poderoso mas tido por isso pelos habitantes da aldeia indiana pela qual velava, ao longo de séculos. Detestava as oferendas de papa e leite ázimo, preferindo as raras asinhas de frango, mas acarinhava os aldeões e seguia-lhes as vidas, transmigradas, após a morte. Até um dia, em que os aldeões em fúria lhe cortam parte da árvore que o alberga para empalar um criminoso apanhado pela turba. O génio não suporta ver o sofrimento ladrão, solta-o, e é prontamente espancado pelos demónios que assombram o cemitério, normalmente amigáveis mas irritados pela óbvia perda de muito entretenimento. Felizmente para o génio, o ladrão em risco de execução era uma encarnação do deus Kama, que o recompensa com uma nova vida numa árvore do seu palácio, com dríades para o aconchegar e as suas tão queridas asinhas de frango para o alimentar. Conto onde Jorge de Sena olha com humor para a mitologia hindu, inspirado nas ideias de transmigração das almas.

A Noite Que Fora De Natal: Contos de natal de Jorge de Sena são, nota-se, algo avessos ao espírito natalício. Este começa na ressaca de uma noite de deboche, onde o imperador Tibério sacrificou um jovem escravo para saciar os seus desejos, contando a um dos seus fiéis servidores que ouviu relatos acerca da morte do deus Pã, perguntando-se se será ele, o imperador, deus nascido com a morte desse outro. Regressa quarenta anos depois, com o antigo servidor de Tibério a ser visitado por um velho amigo dos tempos dos seus serviços na Judeia, agora o líder de uma religião emergente que o imperador Nero quer pôr cobro. É uma visita amarga, pois o apóstolo sabe que em Roma lhe espera o martírio, mas com tempo para especular. Se o deus que o cristão segue teve o seu messias na terra há quarenta anos, terá sido ele o que nasceu com a morte de Pã?

O Grande Segredo: Pequeno conto inspirado nos relatos de êxtases místicos de santas, com uma curiosa inversão. A monja santificada que acolhe este sublimar das paixões religiosas abomina os momentos extáticos. No seu íntimo, o ser tocada pela mão de deus é bem pior do que as sevícias que sofreu ao longo de uma vida de sofrimento e escravidão, na qual a clausura é o alívio para uma alma torturada.

Super Flumina Babylonis: Uma ode a Camões, olhando para a amargura do final da sua vida, ficcionando de forma apaixonante elementos da biografia do poeta. Conto denso, algo tenebroso, analisa a pulsão da poesia face à pobreza e esquecimento a que foi votado.

Conto Brevíssimo: O contar de um curto encontro com uma velhota na rua da estação dos correios é a faísca para uma reflexão, curta, sobre o carácter sintético do conto enquanto forma narrativa.

Defesa e Justificação de um Ex-Criminoso de Guerra: Conto cruel, que procura o impensável, colocando-nos da mente de um oficial nazi que, encarregue de controlar um território eslavo, o transforma num recreio para as piores pulsões humanas. O tom mantém a superioridade daqueles que se crêem superiores aos seus semelhantes, justificando a violência extrema com uma objectificação desumana. Narrativa incómoda, que nos leva a ver o mundo pelos olhos de um monstro que se acredita inocente.

O Urso, a Pantufa, o Quadro e o Coronel: Outro conto de Natal onde Sena cruza o espírito da época com contornos de sobrenatural. Durante uma noite de tempestade, numa pousada serrana, um militar em viagem cruza-se com uma bela viúva, dona da pousada, revê-se num quadro antigo, tem sonhos marcantes e, ao acordar no dia seguinte, ninguém o consegue convencer que o dono da pousada está vivo e de boa saúde. Terá sido sonho ou assombração? Esta dualidade nunca explicitada torna delicioso este conto.

Os Amantes: conto que dificilmente seria publicado por cá nos tempos do regime do estado novo. O apelo à sensualidade e sexualidade é directo e explícito nesta história que explora muito bem os sentimentos carnais do amor.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Comics

 Clean Room #09: O que parecia ser uma série linear sobre uma jornalista que procura vingança pelo suicídio do namorado, envolvido com um culto quase religioso, está a evoluir em direcções muito inesperadas. De forma algo paranóica, os membros do culto têm razão no que professam, e lutam para exterminar seres malévolos que talvez sejam demónios, talvez alienígenas. Criaturas que vivem no limiar da nossa percepção, e parecem ter como único propósito o aniquilar da humanidade. Escrita pela veterana Gail Simone, esta série está a revelar-se cada vez mais interessante.
 
Lazarus #22: A distopia neo-liberal está de regresso, e Greg Rucka está claramente a olhar para uma fase divertida, pegando na tecno-luxúria especulativa do tipo guerra futura.

sábado, 18 de junho de 2016

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Lembranças da Terra



Ângelo Brea (2014). Lembranças da Terra. Santiago de Compostela: Através Editora.

A culpa disto é da Cristina Alves, do Rascunhos, que deu com este livro numa livraria e partilhou a página da editora, escrita num português estranho. Sabendo o quão raro é FC em língua portuguesa, muito mais se não vier dos sítios do costume, o assunto merecia alguma investigação. O mistério do estranho português resolveu-se ao perceber que a editora, bem como autor, são galegos. A curiosidade aguçou-se, mas o livro revelou-se esquivo. Até ao dia em que, por puro acaso, o encontrei numa das minhas peregrinações às livrarias de Óbidos.

Peregrinações é o termo certo. Notem que a principal livraria fica na antiga igreja ao lado do castelo, que obriga a atravessar toda a vila e subir uma rampa inclinada para se lá chegar.

Lembranças da Terra é um livro muito curioso. Pelo que é, obra de FC de um autor galego, escrita num galego internacional que é quase indistinguível do português. Notam-se as diferenças em algumas expressões e construções frásicas, que dão um gosto especial de exotismo à leitura. Mas, essencialmente, pela sua banalidade interessante. Estranha combinação de ideias, bem sei, mas este livro de Brea não traz nada de novo ao campo da FC. Bem pelo contrário, é uma mistura de temas e estruturas narrativas clássicas do género. Um carácter que assume, e que trabalha de formas curiosas. É interessante notar que se cada conto apresenta sólidas construções de mundos ficcionais, na maior parte deles nada de concreto se passa.

Lembranças da Terra: Num planeta Marte cujos colonos se sentem cada vez mais afastado da Terra, berço natal, um jovem marciano pergunta ao pai do que é que este se recorda da sua viagem ao planeta. As recordações do pai são muito marotas, tendo lá ido em viagem de núpcias, e revela ao jovem que foi concebido na Terra, o que abala um aspirante à independência marciana. Conto bem humorado, mas que falha porque a sua premissa central, a do jovem lutador pela independência das colónias de Marte, só é revelada no final e não tem qualquer impacto na narrativa.

A Máquina da Entropia Inversa: Um físico consegue realizar o seu sonho de descobrir o antigo Egipto ao tornar-se voluntário de testes de uma máquina de viagens no tempo. Os viajantes não se deslocam fisicamente, antes incorporam-se como habitantes do passado, e os paradoxos temporais são evitados pelo sistema computacional que controla a viagem. O sistema é um misto de realidade virtual com máquina do tempo e depende de um anel, que o viajante retira quando quer regressar ao seu tempo. Mas este físico apaixona-se por uma bela egípcia, e pela ideia de viver no passado, usando a sua sabedoria do presente para aliviar os males medicinais dos antigos egípcios. Enquanto o seu corpo fica numa espécie de coma induzido no presente, vive no passado uma vida que lhe agrada mais do que a que deixou. As consequências deste acto são imprevisíveis.

As Exploradoras: Uma missão de exploração chega a um planeta cheio de vida, com alguns vestígios de ter sido no passado habitado por formas de vida inteligente. Na lua que orbita o planeta, encontram alguns espécimes crio-preservados dos antigos seres, numa base abandonada. As exploradoras revivem-nos e devolvem-nos ao planeta, esperando que assim a espécie tenha uma segunda hipótese de sobrevivência. Conto que inverte de forma muito simpática uma premissa clássica da FC, a história de exploração planetária. Aqui, os exploradores são alienígenas e a Terra o planeta selvagem com vestígios de uma antiga civilização.

As Grandes Vantagens da Neolíngua: Num futuro próximo, um professor de japonês reflecte sobre a beleza que se perde com a extinção iminente das línguas globais face à prevalência de uma língua franca. Ganha a facilidade de comunicação, perde a diversidade cultural. Conto que aborda uma questão querida à editora deste livro, a preservação do galego, sob uma perspectiva de FC.

Doze Anos em Titã: Conto com um sólido mundo ficcional onde nada de especial acontece. Toda a narrativa é a construção de um ambiente de FC Hard clássica, centrada num posto avançado de colonização em Titã para extracção de recursos naturais, que está no limiar de se tornar uma pequena cidade. O foco está nas agruras do administrador, que tendo a infelicidade de ser competente, não se consegue livrar dos contratos sucessivos na lua de Saturno. Homem que embora se sinta a a envelhecer, com a vida a passar-lhe ao lado, não deixa de se focar no que considera ser o seu dever.

Estação Lunar Alfa: Não confundir com essa outra base lunar Alfa (embora tenha talvez tido o seu quê de inspiração). A FC aqui serve de cenário a um conto policial, típico whodoneit com um inspector destacado em comissão de serviço na base lunar a investigar a morte violenta de dois cientistas e um condutor de rovers lunares. O motivo tem o seu quê de western, com a descoberta de uma jazida de ouro sob a superfície marciana e um par de geólogos que decidem aproveitar-se, em segredo, da sua descoberta.

Nas Montanhas de Magadar: Um conto longo, onde nada parece passar-se. Narra o mergulho na clandestinidade de um grupo de fugitivos a uma revolução que transforma numa sanguinária ditadura. As descrições da convulsão política num sistema solar colonizado por descendentes de russos são interessantes, mas toda a história se limita ao iniciar de um processo de sobrevivência nas montanhas. É um conto curioso. Geralmente conta-se o que acontece antes, ou depois, destes momentos morosos de adaptação...

O Bonsai: variação sobre as histórias de autómatos inteligentes que adquirem algo de humano. Aqui, um autómato criado por um cientista isolado da família vai tornar-se um quase filho. Construído para seguir a tradição familiar de criar bonsais, irá dar mostras de humanidade e tornar-se ele mesmo um legado para passar às próximas gerações. Junto com a homenagem à história clássica de robótica, há um forte fascínio com a cultura japonesa tradicional.

O Efeito Smith: Visão curiosa. A derrota e exterminação da Terra às mãos de um império estelar, contada num discurso de vitória que mostra o pormenor cultural que deu aos alienígenas a vantagem sobre a tecnologia terrestre: o individualismo democrático, entendido como fraqueza estrutural por estes alienígenas vitoriosos que se prepararam para esmagar a galáxia sob as suas pesadas botas. Daqueles contos que não se percebe serem um hino ao ideário fascista, ou uma ironia.

O Sol no Horizonte: A dicotomia entre os habitantes de uma colónia remota, que devido à forte radiação no sistema solar duplo onde se encontra o planeta colonizado não têm qualquer contacto com o resto da humanidade. Da terra restam os produtos culturais mediáticos, agora artefactos milenares, que satisfazem o saudosismo dos colonos. Mas as novas gerações começam a inquietar-se e a querer construir a sua cultura.

O Varredor: a história de um astronauta especial, malvisto pela família e sociedade, que ganha protagonismo e merecido reconhecimento quando a sua nave de recolha de lixo espacial é a única capaz de salvar a tripulação de uma importante missão espacial.

Perdidos na Lua: História de FC Hard sobre dois astronautas que, encarregues de reparar um espelho no observatório no lado escuro da lua, se vêem obrigados a abrigar-se nas crateras para sobreviver ao dia lunar após um micro-meteorito lhes dar cabo do veículo de transporte.

Por Causas Naturais: na incipiente colonização marciana, impõe-se a pergunta: quem será o primeiro explorador a morrer em Marte? A combinação de uma astronauta grávida e uma tempestade de pó que isola as secções da colónia vai dar a resposta, com o parto do primeiro bebé marciano a causar a morte da mãe.

Rosas de Admete: Um conto sobre plantas alienígenas que fascinam a humanidade já se sabe onde vai parar. Este segue um esquema similar ao Day of the Tryffids de John Wyndham, com variantes. As flores são belas, produzem energia eléctrica, convivem bem em todos os ecossistemas, e... quando florescem, simultaneamente em todos os planetas colonizados de 31 e 31 anos, libertam esporos adaptados ao ecossistema agreste original, que para sobreviver nos primeiros minutos libertam uma toxina mortal que depressa se desvanece. O extermínio da humanidade é quase total. Só sobrevivem aqueles que por estarem em locais isolados em terra ou no espaço, não estão em contacto com estas rosas fatais.

Um Planeta Remoto: Sob o panorama de uma civilização galáctica a colapsar, os colonos de um asteróide mineiro procuram um refúgio seguro, longe do caos violento em que mergulharam os planetas da diáspora humana.

Um Pôr do Sol Vermelho: Daquelas histórias neste livro onde nada de especial parece acontecer, funcionando com especulação sobre o processo de terraformação de Marte, seguindo os pensamentos de um astronauta que tem um acidente na superfície marciana.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Intervalo às Onze da Tarde

 
Nuno Coelho (2014). Intervalo às Onze da Tarde. Lisboa: Edições Vieira da Silva.

Convidou-me o simpático autor deste pequeno livro a dizer-lhe algo sobre a leitura. Em plena feira do livro, local que confesso detestar por razões que me escapam, temi a ideia. Mas não, nada complicado, qualquer coisa, disse. Se achares que foi a pior coisa que leste desde sempre, não hesites em dizer-me. Despedi-me com um so long and thanks for all the fish e fui para casa ler e matutar.

E, lamento. Lamento imenso. Pese à parte a capa, que precisaria de um design mais cuidado (e aquele horrendo tipo de letra do título), este livro não é o pior monte de bosta a desperdiçar tinta e polpa de papel que apanhei nos últimos tempos. Note-se que não escrevo isto porque poderia ser mau, mas nunca tão mau com o último que li, talvez um ponto muito baixo literário agora arquivado nas minhas estantes. É que o livro é bom. Bom não no tedioso sentido prémio Nobel da literatura, mas no sentido cuidado que se podem engasgar a rir durante a leitura.

O que me atraiu ao livro de Nuno Coelho foi uma frase espirituosa partilhada nas redes sociais. Se há algo a que não resisto é a uma boa frase espirituosa, daquelas que brinca intensamente com a língua e os significados das palavras. É irresistível, e os meus alunos sofrem bastante durante as aulas por isso. Toda esta obra vive disso, de um non-sense em aceleração contínua, em sentido de surrealismo clássico bem humorado. A associação livre de ideias está bem viva, e recomenda-se nesta viagem alucinante a uma casa na Transilvânia, Trafaria, com a sua criada lúbrica, estorninhos indigestos, senhoria de fugir, vampiros anti-efeminados e escadas com propensão para ressacas depois de noites de festa rija. A tradição do surrealismo clássico convive com o bom humor absurdista e a linguística à rédea solta nesta belíssima surpresa literária.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Comics

Constatine The Hellblazer #13: Um final excelente para uma série que soube revitalizar este icónico personagem da DC.  Percebe-se que termina aqui a temporada de Ming Doyle e James Tynion IV, com um regresso possível da personagem sob outras roupagens. Depois da era épica de Pete Milligan e o desastre que foi a tentativa de inserção de John Constantine na continuidade da linha de super-heróis da DC (apesar de Justice League Dark ter sido divertida), estes argumentistas souberam revitalizar um personagem que requer tratamento cuidado.



Injection #10: Um final de temporada em tom de apocalipse suave sob pressão memética. Se formos mergulhados em água morna que vai aquecendo progressivamente, quando é que nos apercebemos que estamos a ferver? Tem sido esse o tom desta série onde uma inteligência artificial criada para tornar o futuro interessante anda à solta pelas redes digitais. 

The Sheriff of Babylon #07: Nesta série que se está a tornar na mais interessante do corrente alinhamento da Vertigo, a violência institucionalizada e sectária dos anos da ocupação americana do Iraque dão o mote a uma história que a cada nova edição mergulha cada vez mais fundo no caos.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Dellamorte Dellamore



Tiziano Sclavi (1991). Dellamorte Dellamore. Milão: Camunia

Dylan Dog é um dos mais intrigantes e interessantes personagens de fumetti, praticamente desconhecido de um público português mais habituado a entender BD italiana como a sensualidade de Manara, o aventureirismo de Pratt ou o western clássico de Tex. O indagatori dell'incubo foi criado por Tiziano Sclavi para a casa editorial Bonelli, escritor que assina também algumas centenas de argumentos que se distinguem pelo sentimento de terror e fantástico, bem como uma fortíssima erudição no género.

Antes de Dylan Dog, Sclavi escreveu este lendário Dellamorte Dellamore, livro raro e hoje impossível de encontrar. Os mais conhecedores de fumetti e Dylan Dog afirmam que está neste livro a génese do personagem. Talvez, embora entre o Francesco Dellamorte do livro e o Dylan do fumetti as semelhanças se fiquem pelo aspecto físico e o serem protagonistas de histórias de fantástico e terror.

A colisão entre terror e surrealismo é constante neste livro, que pega nas premissas elementares dos contos de terror e as revê com uma estranheza de sensibilidade que, para mim, estará sempre associada à ficção italiana (do pouco que dela conheço, entenda-se). Dellamorte Dellamore leva-nos à cidade de Buffalora, terra pacata, isolada e levemente decadente do interior italiano. Terra que é assolada por uma bizarra praga. No seu cemitério, os mortos recém-enterrados têm o irritante hábito de regressar como zombies ao fim de sete dias. Francesco Dellamorte é um coveiro com a tarefa dupla de aniquilar os mortos-vivos, voltando a enterrá-los. Um guardião do cemitério e da sanidade da vila, que conta com um ajudante com sérios problemas de aprendizagem, capaz de pronunciar unicamente o vocábulo gna em infindas variações tonais.

O livro constrói-se numa série de vinhetas que nos levam à dinâmica gótica deste guardião de cemitérios. Dellamorte não é nem herói nem anti-herói, age de forma inconsistente. Tanto se apaixona como assassina, e por vezes compadece-se dos mortos vivos e não lhes dá o tiro de misericórdia para o descanso eterno. O mundo exterior não parece existir, estando todo o ambiente centrado numa comunidade cuja singularidade e estranheza não é a da maldição que paira sobre o seu cemitério mas no óbvio isolamento, como se de um mundo à parte se tratasse.

O terror clássico, o surreal e a ironia entrelaçam-se neste romance estranho, de um horror onírico. A linguagem clara de Sclavi invoca imagens mentais vívidas que colidem com as inversões inesperadas da narrativa. Para quem conhece a obra de Sclavi enquanto argumentista de Dylan Dog, este romance de culto mas infelizmente pouco conhecido não surpreende. Foi adaptado ao cinema, num filme fiel ao livro, igualmente poético e surreal de Michelle Soavi.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Espíritos das Luzes


Octávio dos Santos (2009). Espíritos das Luzes. Alfragide: Gailivro.

No já diminuto campo literário da FC e fantástico português, a história alternativa é um nicho praticamente inexistente. É uma omissão curiosa, tendo em conta o rico filão da nossa história, tão passível de ser explorado em voos de especulação imaginária que podem ir muito para além de adamastores a dobrar o cabo bojador. Recentemente, Luís Corredoura mostrou isso com o seu Nome de Código Portograal, imaginando um país invadido pela Wermacht durante a II Guerra. Conheço pouco mais que isso, sabendo que Octávio dos Santos também tem dedicado alguns contos e este livro a este sub-género tão diminuto por cá.

Espíritos das Luzes imagina a Lisboa pombalina sob uma lente de Ficção Científica, numa espécie de cyber-barroco onde a iconografia do passado coexiste com o imaginário futurista. Recupera os périplos portugueses de William Beckford, cruzando-o com personagens marcantes do iluminismo português. Pombal, Marquesa de Alorna, Luísa Todi, o intendente Pina Manique, toques de De Sade e Cagliostro e um Bocage que (spoilers, caríssimos, mas não estou preocupado porque ao que parece nenhum leitor chega ao fim deste livro) se tornará um last action hero interdimensional são algumas das muitas personalidades histórias que ganham nova vida neste livro. Tal como Lisboa, a cidade pombalina a recuperar do terremoto, misturada com visões do que foi e do que poderia ter sido.

Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia que o encerra é muito interessante. Pega num momento marcante da história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica. Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética, misto da iconografia barroca com high tech. E, no entanto, falha redondamente. Porquê?

O elemento que torna esta leitura mais penosa é aquele que prometia ser o mais interessante. Alicerçado numa sólida base de conhecimento, o autor pretendeu ir mais além no utilizar dos personagens históricos, recorrendo aos seus discursos registados como diálogo no romance. Algo que poderia ter resultado muito bem, senão pela propensão do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais. A dissonância entre o ar retro-futurista e o contexto das citações é enorme, a começar pelo tipo de linguagem utilizada, e o leitor perde logo o fio à meada. A história, em muitos momentos, está feita à medida dos textos citados, percebendo-se que há situações criadas para encaixar citações específicas. Aqui, ajuda haver uma diferença de corpo de letra entre texto original e citação. Se queremos chegar ao fim do livro, depressa aprendemos a ignorar essas citações, que não contribuem em nada para o desenrolar da história.

Este carácter de inconsistência reflecte-se em mais aspectos. Cito um, que até me encantou (ao contrário de outros leitores deste livro, que o detestaram): a curiosa cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos Santos imagina os países da europa setecentista como planetas, interligados por vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai, a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. O problema está na intenção expressa pelo autor no prefácio de afirmar este romance como um voo imaginário de Ficção Científica, campo que exige todo um outro tipo de construção de mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário solto mais próximo da fantasia.

Nesta perspectiva, o imaginar de Lisboa como um espaço imenso, com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também não funciona, especialmente para quem é lisboeta e não consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço ao Palácio Foz. Estas escalas também não são consistentes ao longo da narração. Umas vezes estão expressas, outras não (e francamente o romance funciona quando não estão).

É um tratamento que se mantém sempre que surgem elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nano-tecnologia dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo.

No meio de tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as passarolas nunca voaram. É uma descoberta mantida no mais alto segredo, e caberá a Bocage atravessar a fissura para explorar essa Lisboa que é a cidade real que bem conhecemos. É uma história que só compreendemos ao chegar ao final do livro. Há uma indecisão constante entre este ser um romance-périplo por uma Lisboa imaginada a partir da matriz pombalina e o tal segredo que concluirá a narrativa. Na vertente périplo, consegue pontos de interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo do Café Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.

Gostaria de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo. O livro tem alguns elementos intrigantes, mas perde-se nas inconsistências. Fico, pelo menos, com o registo de ter sido dos poucos leitores que foram capazes de levar a leitura até ao fim...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Comics


Hellboy in Hell #10: É preciso coragem. Tenho admirado muito a atitude que Mike Mignola tem tido com o seu personagem de maior sucesso. Seria fácil, e a norma no mundo dos comics, entregá-lo a outros argumentistas e receber os direitos de autor. Mignola preferiu um finalizar, suficientemente ambíguo para que possa ser eventualmente recuperado, mas que coloca um ponto final das aventurs do demónio mais carismático da história dos comics.



 Survivor's Club #09: Sempre achei que iria perceber esta aventura Lauren Beukes nos comics de terror quando chegasse ao final. Afinal, não. Mas suspeito que seja essa a verdadeira força de uma boa história de terror. Se se tornar explicável, perde essa força. De casas assombradas a assassinos em série, passando por jogos de computador amaldiçoados e yaoy, esta série teve de tudo, sendo sempre consistente na estranheza.





Strange Attractor #01: A aridez aparente e o elevado nível de abstração tornam a matemática algo complexo de trabalhar em comics, correcto? Suspeito que Charles Soule, com o que promete ser um argumento fortíssimo sobre teoria do caos e sistemas complexos aplicados ao espaço urbano, mude essa percepção (com excepção feita ao didático Cosmicomics ou ao divertido Numbercruncher, com o seu deus enquanto divino contabilista).

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tutoriais Tinkercad


Tinkercad e impressão 3D têm-se mostrado uma combinação perfeita, para lá do expectável numa aplicação web destinada a simplificar o processo de modelação 3D para crianças e modeladores com pouca experiência. Tenho estado a desenvolver uma sequência de tutoriais sobre Tinkercad no âmbito das TIC em 3D, para apoio às aulas e distribuição em workshops de Impressão 3D. Cobrem o que sei sobre a aplicação, sobre o interface, ferramentas e metodologias de trabalho. O próximo passo é transferir para tutorial desafios específicos que experimento com os meus alunos. Os tutoriais estão arquivados nos recursos das TIC em 3D e como colecção pública no Scribd: Tutoriais Tinkercad.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Comics


Lobster Johnson Metal Monsters of Midtown #01: Andróides gigantes a destruir a Nova Iorque dos anos 20? O herói pulp do universo Hellboy de Mike Mignola está de volta, desta vez a enfrentar robots gigantes. Mechas retro, como não adorar? Nota-se nos detalhes que Mignola está a fazer convergir esta personagem com as linhas narrativas de B.P.R.D., o que lhe retira algum interesse. Fica no ar a pergunta: será que irá acontecer o mesmo ao ainda interessante Baltimore, com o seu exorcista anti-herói a combater manifestações de um mal profundo numa Europa devastada por hordes vampíricas e monstros malévolos?


Afterlife With Archie #09: A dissonância cognitiva de um comic que mistura o bubblegum pop adolescente com o horror gore está de regresso. Tem o seu quê de Walking Dead, com os personagens deste resquício dos antigos comics simplistas e moralistas para adolescentes a enfrentar uma infestação de zombies. A dissonância cognitiva continua no grafismo, com o traço expressivo de Francesco Francavilla a substituir o estilo limpo e anónimo que sempre caracterizou os comics da Archie.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Struck by the light


We are brothers and sisters of our machines. Minds and tools have been sharpened against each other ever since a scavenger's stone fractured cleanly and the first cutting edge was held in a hunter's han The obsidian flake and the silicon chip are struck by the light of the same campfire that has passed from hand to hand since the human mind began. 
George Dyson (1997). Darwin Among The Machines. Philadelphia: Basic Books.

Daquelas frases que nos fazem parar e pensar, porque, sim, é isto. A faisca de ampliar as capacidades humanas através de objectos técnicos. Tememos a desumanização trazida pela tecnologia, mas o que ela nos dá são novas vertentes para explorar a questão do que é ser-se humano.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Nazi Moonbase

 

Graeme Davis (2016). Nazi Moonbase. Oxford: Osprey.

É fácil imaginar os editores da Osprey, que se dedica a explorar o nicho de mercado dos nerds militaristas, a especular sobre que recepção teriam entre os geeks dos mundos imaginários. Os livros desta editora são dedicados às minúcias da história militar, com infinda obra sobre conflitos, unidades militares, estratégias ou dissecação quase pornográfica dos mecanismos de armamento. Tudo muito fiel ao rigor histórico, afastado de fantasias e especulações. Com excepção da sua colecção Dark Osprey, que se dedica precisamente a este campo.

Isto ajuda a explicar esta divertida bizarria de livro. Escrito naquele tom de autor tarefeiro a encher parágrafos para leitores que só estão interessados nas fotografias e ilustrações militaristas, detalha os tenebrosos segredos vindos do lado oculto da II Guerra, com a exploração das forças Vril pelos elementos mais radicais das SS para criar novas armas devastadoras. Elementos que, perante a derrota inevitável, se transferem primeiro para a Antártida, e depois para a Lua, levando consigo as armas mais secretas do II Reich, pondo em marcha um plano de sobrevivência e combate com o fim único do regresso, vitorioso, a uma Terra em cinzas. Contam com armas tenebrosas: potentes raios da morte, temíveis discos voadores, canhões capazes de disparar rochas lunares. A sua fortaleza lunar, último reduto do Reich, tem sido inexpugável perante as tentativas americanas de ataque. Nesta história, é-nos revelado que o verdadeiro objectivo das missões espaciais americanas, europeias e russas/soviéticas era o de defender o planeta da ameaça dos nazis entricheirados na lua.

O fantástico deste livro, para além do tema (nazis! tecnologias dieselpunk! conspirações! como não adorar?), é a forma como o autor consegue manter sempre um tom neutro, detalhando as histórias e tecnologias fictícias como se estivesse a fazer um resumo rigoroso de factos reais. Suspeito que haja por aí muitos leitores que não se apercebam da óbvia ironia do livro e acreditem mesmo que existam fortalezas germânicas na Lua. Chega ao ponto de misturar páginas web de teorias de conspiração com filmes e comics na bibliografia, mantendo sempre um tom de normalidade e rigor. Um bom humor perfeito.

Não é uma ideia nova, e a Internet está pejada de páginas que, fascinadas com desvios para o que não se apercebem ser um imaginário profundo, detalham as tecnologias ocultas do Reich, os projectos avançados de armas  em  boa parte reais, mas que não saíram do papel, especulam sobre conhecimentos ocultos, ligações a civilizações existentes no interior da Terra, entre outros elementos que estão na fronteira ténue entre o imaginário de FC e a esquizofrenia. Um manancial aproveitado pelos criadores de cultura de género, destacando-se o bom uso dado a esta iconografia por Mike Mignola em Hellboy ou no divertido filme finlandês Iron Sky. Esta edição da Osprey explora bem esse filão, e tornar-se-á uma referência neste reduzido mas divertido nicho.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tinkercad 01: Interface.

Hora de começar a estruturar em documentos as metodologias de trabalho com o Tinkercad. Começo por este tutorial, dedicado ao interface da aplicação. Este, e outros tutoriais, estão disponíveis na página Recursos: Tutoriais das TIC em 3D.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Aniquilação


Jeff Vandermeer (2016). Aniquilação. Estoril: Saída de Emergência.

Há uma deliciosa inversão ballardiana neste romance, primeiro de uma trilogia, de Jeff Vandermeer. Ao lê-lo, é impossível não recordar os romances-catástrofe de J.G. Ballard, onde personagens solipsistas explorar as suas psicoses em paisagens de catastrofismo barroco naturalista. A referência mais óbvia é The Drowned World, com as suas assombrosas visões de uma Londres transformada num pântano luxuriante, com a arquitectura semi-submersa matizada pelos verdes de uma natureza em revolta. Há muito disso nas descrições que Vandermeer faz da sua surreal Zona X, um misto de pântano floridiano com paisagens dos sonhos de Max Ernst, zona de biologia misteriosa que vai engolindo, lenta e metodicamente, as zonas circundantes.

Os seus mistérios são sondados por expedições sucessivas, enviadas por uma agência secreta num misto de procura de conhecimento e pânico. A zona já engoliu povoações, e poderá ter no seu cerne uma estranha criatura que absorveu os seus habitantes. Criatura que reside no fundo de um poço espiralado, cujas paredes se encontram cobertas por inscrições sucessivas escritas por um fungo bioluminescente. É também uma área onde nada do que é moderno funciona, e os exploradores têm de depender de meios mecânicos antiquados para registar as bizarrias da fauna e da flora.

A grande força deste livro é a sua iconografia, a forma como concebe uma natureza em mutação que ameaça engolir uma normalidade humana que lhe é indiferente. A constante sucessão de selva, imaginada sob um céu azul, plantas em crescimento desmesurado, fungos de efeitos imprevisíveis, estruturas arquitectónicas progressivamente engolidas pelos verdes. É um curioso cruzamento entre a ficção Weird e os temores despertos por uma era onde as alterações imprevisíveis trazidas pelas catástrofes climatéricas já não são especulativas. A história, se tal existe porque a força das imagens é mais avassaladora do que a do enredo, centra-se mais num périplo por esta iconografia, mergulhando-nos no exotismo barroco de uma natureza em mutação.

Nesse périplo somos conduzidos pela mão de uma bióloga, elemento da mais recente expedição à Zona, entre cujas razões para integrar mais uma tentativa que se verá gorada de exploração deste território se misturam a curiosidade profissional e uma busca de respostas pelo destino do marido, que integrou a missão anterior e, como outros membros sobreviventes destas missões, lhe apareceu em casa sem saber como é que tinha saído da área isolada. E talvez não o tenha feito, talvez o que saia das áreas, encarnada no corpo dos exploradores, seja uma manifestação das misteriosas forças fungais que dominam a área X. Mistérios que ficam deliberadamente sem resposta, reforçando a estranheza do livro.

Se o foco de Ballard era nos espaços interiores da alma humana, espelhados pela paisagem decadente, Vandermeer, revendo a iconografia catastrofista sob uma perspectiva de colapso ambiental, foca-se no exterior, no mistério da paisagem, e na vida pessoal das personagens como forma de tornar mais denso o mundo ficcional. Como bom primeiro livro de trilogia, deixa-nos com mais questões do que respostas, marca a mente com as iconografias que invoca. Não consigo deixar o reparo deste ser um intrigante uso ficcional para o poço iniciático da Quinta da Regaleira, uma das inspirações do autor para este romance, que o descobriu aquando de uma passagem por Portugal no âmbito do Fórum Fantástico.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Comics


Archangel #01: William Gibson a escrever comics? Confesso que a expectativa não é elevada. Gibson é um romancista de primeira linha, mas a linguagem narrativa literária é diferente em ritmos e estruturas da da banda desenhada. Não surpreende, por isso, haver um outro nome a escrever, encarregue de adaptar a narrativa do autor para o formato dos comics. Já a história é intrigante. Gibson parece ter escolhido afastar-se do seu cyber futurismo decadente e divertir-se com um tipo de história clássico na FC, à volta com realidades alternativas, viagens no tempo e paradoxos temporais.


Red Thorn #07: É um título da Vertigo que tem passado despercebido, no meio do destaque a séries mais marcantes. Mas tem-se mantido consistente, numa abordagem de fantasia urbana a uma história onde velhos deuses do passado longínquo regressam à vida, invocados por desenhos criados por descendentes de servos, aprisionados a uma promessa milenar. Não foge à iconografia e estilo da fantasia urbana.


Silver Surfer #04: Entre o grafismo tão à golden age e a inocência dos argumentos, afastados dos estilismos convolutos que se tornaram habituais numa Marvel que cada vez mais encara os comics como extensão do seu universo cinematográfico, este Silver Surfer recupera a essência do comic clássico. Pegar nestas quadricromias onde o bem e o mal estão tão definidos como o contorno negro das figuras recupera um pouco daquela sensação sentida quando se pegava nas primeiras revistas de super-heróis. Como uma droga, não se volta a ter sensações similares às do primeiro embate.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Doctor Who e o Dia dos Daleks






Terrance Dicks (1983). Doctor Who e o Dia dos Daleks. Lisboa: Editorial Presença.

O problema de ler aventuras antigas de Doctor Who é a desconexão cognitiva entre a imagem dos livros e a minha ideia pessoal do personagem, um misto da energia de David Tennant, da excentricidade de Matt Smith e da aridez de Capaldi (pertenço ao clube dos que não vão à bola com o nono Doctor). Mas a aventura é dos tempos clássicos, de um Doctor que encantou gerações antes de eu ser nascido (a primeira edição data de 1974) encarnado pelo actor Jon Pertwee.

Não esperemos um clássico de FC neste livro, antes um episódio mais desenvolvido. A ameaça dos Daleks vem de um futuro tornado possível por um momento-pivot que no presente mergulhou a Terra numa guerra nuclear. Há uma confusão sobre o que causou esse momento, o que dá um bom mote ao estilo de história de viagens no tempo em que os efeitos precedem causas inesperadas. Temos saltos a um futuro distópico com a Terra dominada pelos Daleks, unidades da UNIT em combate contra criaturas monstruosas, e combatentes pela liberdade que, se não pela intervenção do Doutor, seriam os reais causadores do futuro que querem a todo o custo evitar.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Instant Culture


Hmm. Onde é que eu já vi isto?
"There was no need to travel from the galactic backwoods (...) A GSV could bring the whole lot right up to your front door..." 
Pisquem os olhos e mal dão conta. O que no universo ficcional Culture é uma nave imensa, foi claramente Iain M. Banks a referenciar os lendários Archigram, arquitectos especulativos que entre muitas ideias arrojadas e provocadoras lançaram este IC Blimp.


O Instant City Blimp era concebido como uma forma de levar a cultura urbana às remotas zonas campestres. Um dirigível pop, capaz de encantar as populações isoladas com a vibração de moda acutilante da cultura urbana. Cidades instantâneas que se deslocavam pelos ermos em busca de populações isoladas.


Ideia que em si não era tão nova quanto isso. Nos anos 30, a União Soviética enviava às suas distantes províncias o Tupolev ANT-20 Maxim Gorky. Supra-sumo da engenharia aeronáutica russa, era uma aeronave gigante para os padrões da época. Incluía cinema, emissor de rádio e prensas para panfletos. Voava pelos sovietes fora a espalhar a palavra vermelha, às ordens de Estaline.

Curiosa, a referência de Banks, que se por um lado é claramente inspirada nos Archigram por outro, dentro do contexto do universo ficcional Culture,  a sua tecnocracia progressista de sociedade pós-escassez alicerçada em Inteligência Artificial tem o seu quê do utopismo soviete.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Um Caso de Consciência



James Blish (1990). Um Caso de Consciência. Lisboa: Europress.

Este livro lê-se como um exercício de especulação, um e se uma civilização alienígena introduzisse uma serpente no paraíso? Mas a Terra futurista deste romance não é um paraíso, é um planeta cujos habitantes soterrados nas cidades subterrâneas que evoluíram a partir dos abrigos para uma guerra nuclear que nunca chegou a acontecer começam a dar sinais de psicose progressiva. Uma civilização que também se expande pelo espaço, alicerçada em tecnologias que permitem o atravessar dos golfos galácticos, explorando planetas que na sua maioria pouco mais apresentam do que formas de vida rudimentar.

Até se depararem com Lítia, planeta que irá representar um curioso desafio à humanidade. Lar de uma civilização extraterrestre avançada, que evoluiu a sua tecnologia a partir de pressupostos biológicos num planeta esparso em minerais, cuja espécie inteligente reptilóide replica a cada ciclo de nascimento e crescimento todos os estádios evolutivos de ovo a ser adulto, passando por peixe e anfíbio. Uma civilização cuja cultura representa, aos olhos de um dos homens encarregue de avaliar o potencial do planeta para as Nações Unidas, um perigo inusitado. A bondade baseada na lógica pura representa, para alguém que é padre jesuíta, um sinal de infiltração do demónio, um golpe final na religiosidade.

Quando um lítio é trazido à Terra, em óvulo como oferenda do seu pai, e cresce, ser entre dois planetas, cuja biologia determinista colide com os pressupostos de uma cultura que nunca será sua mas na qual se vê inserido, fica a prova que, realmente, algo de errado se passa com este transplante bio-cultural, na forma como consegue semear a discórdia e exacerbar as tensões negativistas da população terrestre. Há que admirar o final infeliz de uma história amarga, com um exorcismo a coincidir com uma experiência com energia nuclear que oblitera um planeta paradisíaco mas ameaçador.

Há duas ideias curiosas neste romance de James Blish. A mais óbvia é o especular da influência que a descoberta de uma cultura alienígena terá (ou teria, que isto das distâncias galácticas não facilita a probabilidade de descobertas de vida além da Terra) sobre os pressupostos culturais e morais sobre o quais assetam as nossas culturas e conceitos civilizacionais. A mais interessante é o voo imaginativo que Blish faz sobe a evolução biológica e cultural em planetas diferentes do nosso, dentro dos constrangimentos trazidos pelo ecossistema.

Um livro que em muitos momentos é um longo infodump, algo que me agrada de sobremaneira. Eu sei, é uma técnica maldita entre o lado mais literário da FC, mas os voos de especulação pura de um bom infodump são sempre uma incessante fonte de fascínio.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Comics

 Batman #52: E se este estilo vos recordar qualquer coisa... a nova equipe criativa do venerável título da DC inclui o argumentista James Tynion IV e o ilustrador Rafael Albuquerque, responsáveis pelo interessante Constantine: The Hellblazer. É um risco, num personagem tão icónico como Batman, apostar em sangue novo e equipas criativas ainda não estabelecidas nos píncaros da indústria, mas a avaliar pelas provas dadas quer em Constantine, que revitalizou com muito talento, e séries intrigantes como Memetic ou The Woods (na Boom! Studios), vai ser uma temporada interessante. Tynion é daqueles nomes que vale a pena reter. Mas já sabem como funcionam estas coisas. Preparem-se para mais um recontar da origem de Batman. É a tradição, sempre que um argumentista novo pega num dos ícones da DC.


Faster Than Light #06: O decifrar de uma mensagem alienígena proveniente de uma civilização extinta dota a Terra de tecnologia capaz de quebrar as distâncias galácticas, bem como de um mapa com a localização de outras civilizações. Parece ser uma nova era de descoberta e aventura, mas há um segredo, mantido oculto das populações. A força desconhecida que aniquilou a civilização que enviou a mensagem desloca-se na direcção da Terra, e as missões que supostamente são de exploração tornam-se um jogo de sobrevivência, com astronautas numa busca desesperada por aliados e tecnologias que permitam à Terra enfrentar a ameaça cósmica. Apesar de pouco homogénea na abordagem, Faster Than Light é space opera pura nos comics. É raro ver este nível de aventuras no espaço, mesmo numa época em que a ficção científica voltou a ganhar destaque na banda desenhada.


Think Tank Creative Destruction #02: E por falar em boa FC nos comics... Matt Hawkins e Rhasan Ekedal estão de regresso com Think Tank, aquele que pode ser melhor descrito como cyberpunk contemporâneo. O verdadeiramente interessante nesta série é a forma como Hawkins mistura tecnologias de ponta em estudo, propostas ou em concepção em histórias que tocam no pulso de uma modernidade mediada pela tecnologia. Nesta terceira série, o desafio envolve as fragilidades da infraestrutura que sustenta as sociedades contemporâneas a ataques concertados de hackers, reflectindo como o conceito de guerra assimétrica, hoje, não passa por campos de batalha tradicionais mas envolve intervenções cirúrgicas em elementos insuspeitos, capazes de despoletar efeitos bola de neve. Como sempre, este comic vale por si, e também pelo que coloca de reflexão sobre esta vertente algo visceral dos desafios trazidos pela modernidade.

sábado, 14 de maio de 2016

Meteorologia Bipolar


À descoberta do Paúl da Tornada, uma zona húmida entre as Caldas da Rainha e S. Martinho do Porto.


Drones World Tour dos Muse. Derivativos, mas divertidos.


Gare do Oriente em manhã cinzenta e chuvosa.


Ver os santuários de Braga sob nevoeiro cerrado tem o seu quê de gótico. Talvez daquelas brumas surja uma daquelas criaturas de pesadelo que tanto encantam os leitores de ficções temerárias?


... and back again. Normalmente atravesso o país de carro, mas soube muito bem regressar ao comboio.


Um tempo bipolar no Barreiro, oscilando entre chuva torrencial e sol ardente.


Desconhecia que o Barreiro tinha uma aldeia piscatória cheia de cor, à beira Tejo, com Lisboa ao longe.


Um peixe residente numa escola do primeiro ciclo. Suspeito que quando os alunos melhorarem o seu nível de inglês, o aquário terá que sofrer alterações.