terça-feira, 27 de outubro de 2020

Comics: Wars; Goddess Mode; ArkWorld

Giampiero Casertano (2020). Wars. Graphic Sha Comics.

O trabalho de Giampiero Casertano, um dos desenhadores da equipe Dylan Dog, agora noutro registo, o das histórias de guerra. Mas não esperem relatos empolgantes dos campos de batalha. Estas histórias são bizarras e fantasmagóricas, verdadeiras weird war stories. No Afeganistão, uma patrulha soviética salva uma rapariga dos mujahedin para se descobrir numa cidade lendária, e é levada à morte pelos poderes da jovem. Nas Falkland, um oficial dos Royal Marines tenta perceber porque é que as patrulhas de um oficial Gurkha geralmente regressam sem sobreviventes, e voluntaria-se para uma missão arriscada, descobrindo que afinal o gurkha é uma criatura mítica nepalesa que se alimenta de sangue. Na invasão de Granada, uma patrulha americana é surpreendida por alguns resistentes grenadinos, e um dos soldados é salvo por um amigo que não vê há algum tempo. Esse amigo conta-lhe coisas que mais ninguém sabe, perdoa-lhe o ter sido roubado da mulher atraente pelo sobrevivente, e pede-lhe que viva a sua vida. Horas depois, num hospital de campanha, o sobrevivente descobre que o amigo foi abatido na primeira vaga da invasão. Resta-lhe regressar a casa, para uma mulher grávida, que não sabe que o marido é estéril. Três histórias estranhas, desenhadas no traço fluído de Casertano.


Zoe Quinn, Robbi Rodriguez, Rico Renzi (2019). Goddess Mode, Vol. 1. Vertigo.

Visualmente muito interessante, com um estilo colorido, luminoso e garrido que mistura estéticas cyberpunk, mangá e glitch. A história parte de uma excelente premissa. Num mundo futuro onde todos estão dependentes de uma inteligência artificial à escala global, detida por uma mega-corporação, para conhecimento, entretenimento e até sobrevivência, há uma convergência entre a realidade física e a virtual através de manifestações de misticismo. É pegar na ideia de código computacional como análogo às incantações de magia e incorporar numa história onde adolescentes combatem os demónios que se escondem no código virtual. O desenvolvimento narrativo é simplista, mas o traço e a cor mantêm-se sempre num elevado nível de exuberância.


Josh Blaylock, Travis Hymel, Jasen Smith /2020). ArkWorld #01.  Milwaukie: Devil's Due. 

Uma premissa curiosa, que pega nos mitos contemporâneos sobre teorias de antigos alienígenas e civilizações superiores da antiguidade. No presente, é normal descobrir-se artefactos tecnológicos milenares, mas essas descobertas são abafadas por uma organização secreta. No passado profundo, grandes civilizações que precederam a antiguidade vivem numa prosperidade assente em tecnologias deixadas por deuses antigos, cuja ciência mal compreendem. Mas há uma conspiração em marcha, e um jovem apaixonado ver-se-á metido no meio dela. Não é uma leitura extraordinária, mas é divertida. Brinca com ideias que geralmente estão associadas às alucinações dos fãs de teorias da conspiração, sem se levar muito a sério. Este é o inicio da série, serve para lançar as bases do mundo ficcional e despertar o interesse, e deixa em aberto o que virá a seguir. 

domingo, 25 de outubro de 2020

URL

Os indícios que apontam para a possibilidade de vida na atmosfera venusiana são o tópico mais quente desta semana. Mas na tecnologia ainda se fala de algoritmos que criam rostos fotorealistas, ou de comboios que usam o Windows 95. Fala-se também dos caminhos do seurrealismo, do cérebro de astronautas ou aviões incomuns. Descobrimos a bizarra relação entre Stanislaw Lem e P.K. Dick, o cinema de Christopher Nolan e o mais recente livro de Filipe Melo e Juan Cavia. Mais leituras vos aguardam nas Capturas da semana. 

Ficção Científica e Cultura Pop

Ralph McQuarrie, 1978: Pausa, antes da carreira para Kessel. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628977899077255168

On Lem, Philip K. Dick and the FBI: Uma história muito conturbada das relações entre Stanislaw Lem e um PK Dick a passar por uma das suas fases alucinatórias, que culminou com uma denúncia deste ao FBI, alegando que Lem não era um escritor mas sim uma sociedade de espioões... se bem que o mais interessante do artigo são as histórias sobre a política editorial polaca. Como as editoras não podiam pagar a autores estrangeiros em dólares, estes tinham de ir à Polónia receber rendimentos na moeda local, e depois gastá-los lá. Devo dizer que fiquei curioso sobre qual escritor sul-americano estoirou todos os seus ganhos numa noite de deboche (de tal forma que teve de pedir dinheiro emprestado para os restantes dias que passou no país). https://przekroj.pl/en/literature/a-cold-wojciech-orlinski

Os puzzles de Christopher Nolan: O mais recente filme deste realizador parece ser tortuoso para o cérebro. Algo que é um padrão na sua obra, embora muitas vezes se deixe ficar pelo exercício de estilo. https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-puzzles-de-christopher-nolan-11784413

The Funko We Deserve, and the One We Need Right Now: Ser geek assumido nem sempre implica gostar de todos os símbolos desta cultura, e confesso que abomino funko pops. É coisa pessoal, sempre detestei figuras com cabeça desmesurada. Mas para este funko, abro uma exceção. https://news.theinventory.com/the-funko-we-deserve-and-the-one-we-need-right-now-1845049942


Philip K Dick covers, from the Internet Archive: Capas surreais para um autor que transpôs a fronteira entre a FC e o weird. https://70sscifiart.tumblr.com/post/629181731903340544/70sscifiart-philip-k-dick-covers-from-the

La mala fama del ‘Dune’ de David Lynch es inmerecida: revisitamos uno de los grandes fracasos comerciales de la ciencia-ficción de los 80: Confesso que nisto, sou suspeito. Sou fã do Dune original, da colisão entre as bizarrias de David Lynch e Ficção Científica. A estranheza do filme, que tanta confusão faz aos fãs do género, é precisamente um dos aspeto que me fascina. Admiro esse filme, o atrevimento de pegar numa space opera épica e torná-la em algo surreal. Mesmo sabendo que a visão original de Lynch foi diluída na versão que chegou aos cinemas. Agora que o filme irá ser revisto por Christopher Nolan (o trailer que foi vazado não é muito prometedor), renasce o interesse no clássico mal amado.  https://www.xataka.com/cine-y-tv/mala-fama-dune-david-lynch-inmerecida-revisitamos-uno-grandes-fracasos-comerciales-ciencia-ficcion-80

Fritz Leiber: Encontro em Lankhmar: Confesso que Leiber é daqueles autores clássicos que não me recordo de ter lido. Uma falha, claro, mesmo que se partilhe a postura crítica face à ficção pulp que o Candeias coloca nesta sua recensão. https://lampadamagica.blogspot.com/2020/09/fritz-leiber-encontro-em-lankhmar.html

Bob Eggleton: Dos sonhos de viver no espaço. https://70sscifiart.tumblr.com/post/629068471250173952/bob-eggleton

Balada para Sophie: Pedro Cleto analisa o mais recente livro de Filipe Melo e Juan Cavia, que parece ser especialmente promissor. http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2020/09/balada-para-sophie.html

Tim Hildebrandt: Um pouco de fantasia, um pouco de ficção científica. https://70sscifiart.tumblr.com/post/629011852131778560

Supernatural Star Jared Padalecki: "My Last Day with Sam Winchester": Una longa série que chega ao fim. Recordo ben as suas primeiras temporadas, com a sua estrutura clássica de conto de terror e road movie. O par de caçadores de monstros e outras criaturas que arrepiam a noite era uma excelente premissa. Eram episódios refrescantes e surpreendentes, a fazer reviver o espírito clássico do terror. Entretanto, foi resvalando para uma bizantina telenovela, com conspirações angélicas, contínuas ameaças de destruição do mundo, guerras infernais e, francamente, demasiados ingredientes. Tantos, que o espírito original se perdeu e a série passou a ser muito desinteressante. Só duas coisas mantiveram sempre o mesmo espírito: a fantástica banda sonora a recordar o rock clássico dos anos 70, e o icónico carro Chevy Impala. A série termina, mas confesso que só tenho saudades das primeiras temporadas.  https://bleedingcool.com/tv/supernatural-star-jared-padalecki-my-last-day-with-sam-winchester/

Tecnologia


Grumman Magazine, Jan 1975: Recordar quem construiu os Space Shuttle. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628819337636167680

Welcome to the Next Level of Bullshit - Issue 89: The Dark Side: Se a informação que circula online já de si contém imensa desinformação, ferramentas de Inteligência Artificial como a GPT-3 podem ajudar a intensificar o nível de tretologia que por aí circula. Apreciei o detalhe de os textos tipo ensaio gerados pelo algoritmo poderem passar por trabalhos universitários de nível iniciação. http://nautil.us/issue/89/the-dark-side/welcome-to-the-next-level-of-bullshit

AUTOVON: A Phone System Fit for the Military: Quando o telefone fixo era o meio de comunicação essencial, os militares americanos construíram uma rede própria, cujo uso durou até à explosão da Internet.  https://hackaday.com/2020/09/09/autovon-a-phone-system-fit-for-the-military/

When will we see ordinary people going into space?: Bem, suspeito que se manterá como um distante sonho durante bastante tempo. O acesso ao espaço é caro, com riscos, requer treino e capacidade física. https://www.technologyreview.com/2020/09/09/1008252/when-will-we-see-ordinary-people-going-into-space/

DeepFaceDrawing: Deep Generation of Face Images from Sketches: Um divertido algoritmo, que gera imagens fotorealistas a partir de rascunhos de rostos. http://geometrylearning.com/DeepFaceDrawing/

Why Goodreads is bad for books: Bem, sou utilizador do Goodreads, e confesso que nunca me tinha apercebido da rede ser assim tão má. Talvez porque só a uso para rastrear e registar leituras, não participo no lado mais social dos fóruns e discussões (onde imagino que, como em todos os espaços online, muita porcaria se passe). Os dias são preenchidos e há mais redes sociais onde interagir do que tempo livre disponível. E, de facto, se há algo que caracteriza o Goodreads é a sua lenta evolução (para ser simpático e não dizer estagnação). Mas a sensação que retiro da leitura é que quem o critica de forma tão veemente está, na realidade, interessado em que a rede social dos bibliófilos se transforme numa livraria digital. https://www.newstatesman.com/science-tech/social-media/2020/08/better-goodreads-possible-bad-for-books-storygraph-amazon

Windows 95 aún sigue usándose: estos trenes en Suecia no podrían funcionar sin él, pero hay más ejemplos: Bem vindos ao maravilhoso mundo dos sistemas legacy. Aqueles que funcionam, e bem, mas dependentes de hardware ou software obsoleto nos dias de hoje. Que, no entanto, substituir é tarefa demasiado complexa ou cara. Já passei por isso. Demorei anos a migrar a minha escola de XP para windows 7 (onde estou empanado porque o ministério da educação não tem uma política coerente de atualização de material informático, mas isso são outras conversas), precisamente porque alguns computadores críticos para os serviços administrativos eram mesmo necessários. São sistemas ao mesmo tempo importantes, mas de nicho tão reduzido que não justificam investimentos em mudança. Estes comboios suecos que funcionam com o Windows95 são apenas mais um exemplo. https://www.xataka.com/historia-tecnologica/windows-95-sigue-usandose-estos-trenes-suecia-no-podrian-funcionar-hay-ejemplos

O Dilema das Redes Sociais ou a sociedade da pós-realidade?: Uma análise às questões levantadas pelas redes sociais como principais meios de mediação do real para as pessoas. Interesses privados, enviesamentos, bolhas de informação, e a fragmentação extrema dos espaços de opinião. https://shifter.sapo.pt/2020/09/dilema-redes-sociais-pos-realidade/

Team Digitally Recreating Venice To Preserve It: Um projeto fascinante, que cruza digitalização 3D com LIDAR e fotogrametria para preservar digitalmente a arquitectura de Veneza. A cidade está cada vez mais em risco de submersão, e este projeto procura preservar os seus vestígios. https://www.theartnewspaper.com/news/venice-could-survive-rising-sea-levels-as-a-digital-avatar

Your Phone Wasn’t Built for the Apocalypse: As imagens que nos chegam dos espaços urbanos californianos sob o manto de fumo e céu avermelhado provocado pelos incêndios florestais são assustadoras. Mas não correspondem exactamente à realidade. Isto porque as câmaras dos telemóveis funcionam com fotografia computacional e não óptica. O software compensa a captação luminosa para valores optimizados, mas sem calibração para as condições específicas dos incêndios, as imagens geradas são automaticamente optimizadas como se fossem tiradas em condições normais. http://feedproxy.google.com/~r/TheAtlantic/~3/mvG7-HEuzkk/

Going Postal: Caveat lector, este é daqueles artigos a demolir as redes sociais. Cheio de lamentos sobre a estupidez humana em constante evidência, os enviesamentos, abusos e etc.. Não são argumentos novos, e se em parte tem razão, as redes sociais têm-nos trazido problemas inesperados, por outro lado têm sido instrumentos úteis de partilha de ideias e criação de redes de contacto. https://www.bookforum.com/print/2703/a-psychoanalytic-reading-of-social-media-and-the-death-drive-24171

Qué es el efecto ELIZA, o por qué nos sorprende tanto leer un artículo "escrito" por una inteligencia artificial como GPT-3: Confesso, apesar de todo o interesse que tenho por Inteligência Artificial, não me dei ao trabalho de ler o ensiao gerado pelo GPT-3 recentemente publicado no jornal The Guardian. Em parte por saber que são palavras profundamente desprovidas de significado (o algoritmo gera texto com operações estatísticas complexas, não reflete nas ideias). Por ter achado a publicação uma atitude demasiado clikbaity de um dos grandes jornais de referência globais. E, também, porque o efeito Eliza não me é desconhecido - a nossa propensão para atribuir significado ao aleatório. https://www.xataka.com/otros/que-efecto-eliza-que-nos-sorprende-leer-articulo-escrito-inteligencia-artificial-como-gpt-3

‘Impossible Objects’ That Reveal a Hidden Power: Das relações entre tencologia, fotografia e vigilância institucional, que não se limitem às correntes preocupações com algoritmos de reconhecimento facial. https://www.nytimes.com/2020/09/09/arts/design/trevor-paglen-pittsburgh.html

How Algorithms Are Changing What We Read Online: Uma reflexão sobre o pernicioso domínio de algoritmos de análise de leitura sobre o jornalismo, um sistema de retroalimentação constante que deixa de fora demasiados textos interessantes. Empobrece o jornalismo, a intelectualidade, o discurso cultural. Mas é a forma dos jornais tradicionais, esmagados pelo online, tentarem sobreviver no digital. https://thewalrus.ca/how-algorithms-are-changing-what-we-read-online/

Learn About Historic Firearm Design With A 3D Printer: Há não tanto tempo atrás quanto isso, falar de impressão 3D trazia sempre atrás o medo de imprimir armas. Felizmente, a tecnologia normalizou-se de tal forma que quando surgem projetos para imprimir réplocas funcionas de armas (mas incapazes de disparar, claro), já ninguém vem com o discurso do iminente colapso da civilização por causa das armas impressas em 3D. https://hackaday.com/2020/09/12/learn-about-historic-firearm-design-with-a-3d-printer/

The subtle ways that ‘clicktivism’ shapes the world: Até podemos pensar que a acção apenas online não muda o mundo. Mas se repararmos na polarização de opiniões, no alastrar de informação falsa com consequências bem reais, percebemos que de facto o online modifica o real. Não é o clicktivismo otimista dos anos 90. Infelizmente, tem ajudado a dar visibilidade a algumas das piores pulsões humanas. https://www.bbc.com/future/article/20200915-the-subtle-ways-that-clicktivism-shapes-the-world

La Justicia Europea tumba las tarifas que "no consumen gigas" con ciertos servicios: así nos afecta la primera sentencia sobre la neutralidad de la red: Estão a ver aquelas tarifas de dados móveis que vos dão um saldo, mas permitem navegar de forma ilimitada nalgumas aplicações específicas? Desde sempre que foi apontado que violam a regra da neutralidade dos dados na internet (também conhecida como todos os bits são igualmente importantes). Agora, o tribunal europeu confirma que, de facto, a neutralidade da internet é um pilar fundamental. https://www.xataka.com/legislacion-y-derechos/justicia-europea-tumba-tarifas-que-no-consumen-gigas-ciertos-servicios-asi-nos-afecta-primera-sentencia-neutralidad-red

Vinyl Sales Beat CDs While Still Managing to Lose: Mas antes que começem a salivar sobre o regresso do vinil, notem que na verdade, é um indicador da iminente extinção do CD como formato audio. Streaming para todos, vinil para os apreciadores do objeto musical. https://gizmodo.com/vinyl-sales-beat-cds-while-still-managing-to-lose-1845048121

Boeing Has Completed Engine Run on First Unmanned Loyal Wingman Aircraft For Australia: O drone de combate autónomo desenvolvido pela Boeing para a Austrália dá mais um passo. Agora, está a fazer testes estáticos de motor. https://theaviationist.com/2020/09/14/boeing-has-completed-engine-run-on-first-unmanned-loyal-wingman-aircraft-for-australia/

Microsoft’s underwater server experiment resurfaces after two years: Afundar parques de servidores parece uma ideia bizarra, mas os testes da Microsoft revelarm que, afinal, é uma ideia funcional. Os parques de servidores submersos não só se mostraram menos predispostos a avarias, como têm menos consumo de energia para arrefecimento. https://www.theverge.com/2020/9/14/21436746/microsoft-project-natick-data-center-server-underwater-cooling-reliability

Flyby #9: Vida em Vénus?: Note-se que os indícios de fosfeno poderão ter origem química, em processos que ainda desconhecemos. O que significa que a necessidade de explorar o planeta é agora ainda maior. https://portaldoastronomo.org/2020/09/flyby-9/

Gas spotted in Venus’s clouds could be a sign of alien life: É uma grande notícia, e indícios de vida extraterrestre seriam uma enorme descoberta científica. Mas notem que os autores apontam a existência de vida como a explicação menos improvável para a presença de elevadas quantidades de fosfeno na atmosfera superior venusiana. Poderá haver algum processo químico ainda não conhecido que seja responsável por estas medições (os conhecidos não se aplicam ao planeta, ou não explicam as quantidades). Suponho que só há uma maneira de se ter a certeza: ir lá, enviando sondas à estrela da manhã. https://www.technologyreview.com/2020/09/14/1008373/gas-phosphine-spotted-in-venus-clouds-atmosphere-could-be-sign-of-biological-life/

Modernidade


The weirdest aeroplane you’ve never heard of, the utterly batshit Plymouth A-A-2004: Uma aeronave com tambores no lugar das asas, pensados para explorar um efeito físico obscuro. O que é que poderia correr mal?  https://hushkit.net/2020/09/10/the-weirdest-aeroplane-youve-never-heard-of-the-utterly-batshit-plymouth-a-a-2004/

Blade Runner 2049: San Francisco: Não tem muita piada, mas de facto as imagens reais da cidade de S. Francisco sob os céus vermelhos dos fogos florestais parecem-se com a estética do filme. https://kottke.org/20/09/blade-runner-2049-san-francisco

According to Scans, Astronaut Brains “Reorganize” During Space Travel: Mais um dos efeitos inesperados da gravidade zero sobre a fisiologia humana. Estudos feitos com astronautas russos mostram que o seu cérebro mudou de posição durante os voos espaciais. https://futurism.com/astronaut-brains-reorganize-during-space-travel

Works of Fine Art (feat. The Simpsons): Do estranho poder cultural de uma série em emissão contínua há mais de vinte anos, que sempre manteve o seu status crítico (embora progressivamente suavizado). Um curioso uso para as suas personagens icónicas - fazer elegantes piadas sobre arte. https://kottke.org/20/09/works-of-fine-art-feat-the-simpsons

10 cancelled US fighter aircraft: Dez aeronaves que poderiam ter sido icónicas, mas não passaram dos protótipos.  https://hushkit.net/2020/09/10/10-cancelled-us-fighter-aircraft/

Where Is Surrealism Going in These Strange-and-Uncertain Times?: O surrealismo é daqueles movimentos artísticos cujo momento já passou,mas nem por isso deixa de ser uma estética influente. Agora mais decorativa do que questionadora do real, mas sempre surpreendente. https://www.messynessychic.com/2020/09/15/where-is-surrealism-going-in-these-strange-and-uncertain-times/

O Verdadeiro Criador de Tudo (2020): O papel fundamental do cérebro, como forma de perceber, compreender e interagir no mundo físico. https://virtual-illusion.blogspot.com/2020/09/o-verdadeiro-criador-de-tudo-2020.html

O Presidente, o ministro e a professora no início do ano letivo: Normalmente sou discreto no que toca à minha profissão (ok, certo, não é segredo que sou professor, mas não tenho o hábito de dizer exatamente onde). Este texto tocou-me especialmente. Não só por ser certeiro - aponta de forma brilhante a incongruência dos discursos políticos sobre a reabertura das escolas, cheios de luminosas declaraçóes sobre a segurança dos alunos, e a realidade das escolas. Onde, porque a tutela recusa desdobramento de turmas, é impossível cumprir o distanciamento social entre alunos. Ou, sequer, redução da carga horária das disciplinas, o que ajuda a explicar os horários com as crianças encafuadas durante seis horas na mesma sala, com horários de intervalo reduzidos. Fazemos o que podemos, mas algumas medidas lógicas sã-nos impossibilitadas. A realidade específica referida neste artigo, conheço-a bem. Também sei que não é o modelo de escola que defendemos ou queremos, é uma medida extraordinária pensada face a inúmeras condicionantes impossíveis, com esperança que tudo corra pelo melhor, mas preparados para o pior. https://duaslinhas.pt/2020/09/o-presidente-o-ministro-e-a-professora-no-inicio-do-ano-letivo/

sábado, 24 de outubro de 2020

Lost+Found

 










Entre as ruas de Lisboa e os caminhos rurais à beira do rio Lizandro que ligam Mafra à Carvoeira.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Dylan Dog: L'ultima risata; L'entità; Scrutando Nell'Abisso

 

Roberto Recchioni, Corrado Roi (2020). Dylan Dog #406: L'ultima risata. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Poderá Groucho, que sempre conhecemos como o patético sidekick de Dylan Dog, ser um tremendo vilão nesta nova série? Neste episódio, tudo aponta para que sim. O sósia de Groucho Marx espera Dylan no cerne de um manicómio, como aranha no centro da teia. Cada cela do manicómio traz consigo um novo horror, que Dylan enfrenta com ajuda do seu companheiro Gnaghi. E, pouco antes do confronto final, percebemos que este novo Groucho é um servente de Mater Morbi, parte das suas tentativas de subjugar Dylan. É nesse confronto final que Recchioni arruma o anacronismo de Gnaghi, matando-o às mãos deste diabólico Groucho. Que só é eliminado quando alguém atira a pistola a Dylan para este poder eliminar a criatura. É mais um Groucho que o faz. Confusos? Recchioni deixou pistas para recuperar este personagem incontornável. Ao longo do arco narrativo sobre este Groucho assassino, insinuou que havia um outro imitador desta figura da comédia, que nem tinha sido assassinado nem sido localizado. É com este artifício elegante que Recchioni repõe a normalidade a Dylan Dog. O vestuário regressa ao que conhecemos, a barba pesada desaparece, e Groucho volta a ser o sidekick do Indagatore Dell'Incubo. Mas o episódio é fantástico, entre as assombrações do manicómio e Groucho como palhaço maléfico do crime. Agora resta perceber se este redefinir de Dylan Dog se mantém, e para onde levará os personagens.

Barbara Baraldi, Corrado Roi (2020)  Dylan Dog #407: L'entità. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Depois de um ciclo fantástico, que redefiniu Dylan Dog através de uma viagem de recriação das suas raízes, voltamos ao normal. As modificações vieram para ficar, embora se tenham diluído um pouco. Nesta aventura, Dylan investiga o estranho caso de uma rapariga condenada a ser virgem. Todos aqueles com quem se relaciona têm uma morte violenta. A origem do problema está numa maldição advinda de um rito selvagem do passado. A mãe da rapariga foi uma das sobreviventes de uma expedição malograda no Brasil, que acabou em dupla tragédia, com a aeronave em que seguiam a despenhar-se na selva e os sobreviventes caçados por uma tribo incontactada com tendências canibais. A sacerdotisa da tribo faz um ritual em que implanta um demónio milenar no corpo da mulher. Este, agora, quer passar a possuir a filha. Argumento muito certinho e direto, linear e previsível, numa aventura divertida e, essencialmente, normal, é apenas uma aventura do Old Boy. 

Gigi Simeoni, Marco Soldi (2020).  Dylan Dog #408: Scrutando Nell'Abisso. Milão: Sergio Bonelli Editore.

O que parece ser um policial procedimental, acaba com um expectável toque de sobrenatural. Londres parece estar a ser assolada por um assassino em série, com um alvo muito específico - idosos que passam os dias a observar estaleiros de obras. A pedido da ex-mulher, a inspetora Rania (a revisão de Dylan Dog às mãos de Recchioni arrumou as aproximações entre estas personagens na versão clássica da série), Dylan começa a investigar os casos. Cruza-se com um destes idosos que se entretém a ver obras de construção. Mas este é diferente, arrancou as pálpebras e não consegue parar de ver. Será essa a chave do mistério, e Dylan encontra uma forma de neutralizar um monstro que se esconde nas fímbrias da nossa percepção, naquele momento fugaz em que deixamos de ver por piscar os olhos. Simeoni é um argumentista competente, se bem que pouco inspirado, e leva-nos numa aventura mediana.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Dylan Dog: La lama, la luna e l'orco; Anna per sempre; L'uccisore

Roberto Recchioni, Nicola Mari (2020). Dylan Dog n. 403: La lama, la luna e l'orco. Milão: Sergio Bnelli Editore.

Adensa-se a revisão de Recchioni a Dylan Dog. Nesta aventura, Londres é assolada por um serial killer que elimina as suas vítimas de forma bizarra, como se fossem piadas foleiras escritas a sangue. Após escapar a um reconto rápido de Jack lo Squartatore, com uma jovem louca convencida que é o lendário assassin0 e um duelo frente à sua efígie no Madame Tussauds, que acabará por arder, Dylan cruza-se com um homem que se se chama de ogre a si próprio, que tem um segredo criminoso. Mas não será este o assassino que a polícia procura, apesar do seu crime.  Entretanto, em sonhos, Dylan enfrentará uma feiticeira lunar, que o quer castigar por ser um matador de monstros. Num detalhe discreto, tudo parece apontar para um homem com aspeto de Grocuho Marx como um dos potenciais assassinos. Como Recchioni está a fazer uma viagem pelas raízes de Dylan Dog, o cruzamento nesta aventura termina com a aparição de Anna Never, que dará o mote à próxima aventura.

Roberto Recchioni, Sergio Gerasi (2020) Dylan Dog #404: Anna per sempre. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Na sua viagem de redescoberta e redefinição de Dylan Dog, Recchioni leva-nos a uma das mais incongruentes histórias de amor do Old Boy, quando se apaixonou por uma fantasma. Mas a reconstrução de Recchioni não segue os caminhos do romantismo gótico original. Ana, a mulher que nunca existiu, e Dylan estão condenados a fazer-se mal, muito por culpa do seu alcoolismo alastrante. Tudo se sucede em sonhos que evoluem para pesadelos verdadeiramente monstruosos, sem distinção entre sonho e realidade. Tudo culmina com a hospitalização de Dylan por tentativa de suicídio, onde na solidão hospitalar Recchioni faz a ligação entre Mater Morbi, a sua grande contribuição para a mitografia dylaniati, e o clássico Anna Never de Sclavi, revelando que o espírito de Anna afinal era uma projecção da mãe de todas as doenças, ela própria fascinada por Dylan. Para a enfrentar, Dylan percebe que tem de assumir a sua doença, e entra no caminho de combate ao seu alcoolismo.


Um dos prazeres desta série são as referências inteligentes ao corpus cultural do terror, e Recchioni não só sabe disso como peja os argumentos de piscadelas de olho inteligentes. Sclavi era diferente, urdia histórias que eram elas próprias referências ao horror clássico. Recchioni usa as referências mais como enriquecimento do personagem e dos seus cenários (e ainda bem, não se quer uma eterna repetição de Sclavi). Neste episódio, há um detalhe que faz sorrir os fãs. Quando Anna questiona Dylan sobre a sua profissão, comenta que não deve haver muitos outros a fazer o mesmo que ele. Bem, não, observa Dylan, há um tipo perto de Liverpool a fazer isto, um cínico bastardo alcoolatra. A diferença é que Dylan não é cínico. A vénia a John Constantine é óbvia. 

Roberto Recchioni, Giorgio Pontrelli (2020). Dylan Dog #405: L'uccisore. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Nesta recriação de Dylan Dog, Recchioni usa uma tática curiosa. Encerra cada aventura com um prenúncio da próxima, que despacha rapidamente no início seguinte. Desta forma, faz o que intitula de viagem pela história do personagem, enquanto se foca na sua reconstrução. L'uccisore inicia com Dylan a mostrar-se justiceiro fora da lei, ao eliminar um lord britânico responsável por uma app para telemóveis que levava subliminarmente os seus utilizadores a cometer atos de violência. E depressa segue com a história de fundo, a caça ao assassino em série de humor macabro que, como Dylan intui, imita piadas clássicas com sangue. E depara-se com a primeira pista - as mortes são piadas macabras com as frases de Groucho Marx. O eterno companheiro de Dylan começa a manifestar-se, e ainda não se percebe se será um vilão, ou voltará a ser o fiel amigo do indagatore dell'incubo.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Dylan Dog: E ora, l'apocalisse!; L'alba nera; Il tramonto rosso

Roberto Recchioni, Angelo Stano, Corrado Roi  (2020). Dylan Dog #400: E ora, l'apocalisse!. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Antes deste número 400, Dylan Dog teve um ciclo de histórias que encerrou num apocalipse às mãos de um meteoro. E neste número, é o momento pós-apocalíptico. Recchioni faz a escolha consciente (e editorial, certamente) de rever o personagem. Uma espécie de reset ao longo legado iconográfico da série. E fá-lo pegando num elemento que sempre a caracterizou, o seu lado referencial à cultura de terror, e os tiques meta-ficcionais. A história é um delírio onírico, com Dylan a acordar nas ruínas de Craven Road e a embarcar no seu eterno galeão, tripulado por Groucho. Ambos perderam as memórias, e enquanto navegam cruzam-se com referências às suas mais clássicas histórias, os grandes momentos de Sclavi e de Recchioni. Mas há outra grande referência literária e cinematográfica, a história cita descaradamente Heart of Darkness de Conrad, entre iniciar e terminar com versos de The End dos Doors, citar diretamente cenas icónicas do filme, e culminar num ato em que Dylan assassina o seu criador. Sclavi revisto como um Marlon Brando a falar com frases de star Wars e blade runner é um dos grandes pormenores meta-ficcionais. Outro é a intrusão do próprio ilustrador, a refilar com o argumento e a atrever-se a desenhar o que realmente lhe apetece, uma enorme mulher-ilha ao estilo de Manara. Um desenhador que surge como personagem de uma história de Dylan Dog a desenhar Dylan Dog é, igualmente, outra referência a uma das muitas histórias clássicas do personagem. O problema é que com tanta tessitura de referência, não percebi se li uma excelente história ou um argumento pretensioso. No entanto, é de sublinhar que esta é das mais inesperadas renovações de uma personagem que poderia acontecer. Não há história linear a explicar as novas direcções, apenas destruição criativa e construtiva dos grandes pilares da série. É esse o simbolismo de Dylan a abater Sclavi à catanada.

Roberto Recchioni, Corrado Roi (2020). Dylan Dog #401: L'alba nera. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Recriar Dylan Dog indo diretamente à origem. Um recontar da primeira aventura do Old Boy, em modo descubra as diferenças. Comecemos pela mais óbvia, a barba. A partir daí é sempre a somar. O assistente é Gnaghi, em referência direta a Dellamorte Dellamore, o romance de Sclavi que é uma espécie de Dylan Dog paralelo (diz-se que foi a base do personagem, mas a criação de Dylan data de 1986 e o romance de 1991). Adeus Groucho, desaparecido para parte incerta. Os detetives Carpenter e Rania continuam na série, ele a odiar um Dylan que vê como bêbedo e charlatão, ela com a surpreendente revelação de ter sido casada com Dylan. Ambos respondem perante Bloch, agora superintendente da Scotland Yard (na série clássica, havia-se reformado) e nada indica que neste reboot seja o  tranquilo amigo de Dylan que sempre foi. 

Quanto ao resto, L'alba dei morti viventi é recontada, mas sem necessidade de ir a uma esquecida aldeia escocesa. O epicentro é Londres, o caso é despoletado pelo pedido de ajuda de uma mulher acusada de matar o marido apesar da autópsia revelar que este estava morto antes desta lhe ter espetado tesouras na cabeça. A fórmula de Xabaras é substituída por um vírus, que faz as delícias do especialista em medicina legal que autopsia o cadáver duplamente morto. Mas uma morgue é o pior lugar para um surto de vírus zombificadores, como o descobrem os nossos personagens em sequências que recriam o original de forma atualizada. Até Xabaras faz uma fugaz aparição, embora desta vez nem seja visto, nem seja vítima da destruição generalizada. Este Dylan Dog renovado lê-se como um indagatore dell'incubo de uma realidade paralela, e parte do gosto da leitura está no procurar as diferenças.

Roberto Recchioni, Corrado Roi (2020). Dylan Dog #402: Il tramonto rosso. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Continua a reconstrução criativa de Dylan Dog, desta vez concluindo a recriação de L'alba. Misturando profundamente Dylan Dog e Dellamorte Dellamore, ficamos a saber que Dylan foi durante uns tempos coveiro em Undead, na Escócia, num cemitério onde os mortos não ficavam quietos nas suas campas (é essencialmente a base do romance de Sclavi).  A ligação ao universo de Dylan Dog é feita por Xabaras, que coloca ali a sua base de investigação na busca da imortalidade, usando os habitantes da vila como cobaias. É nesse cemitério que Dylan fará um pacto com a Morte para se tornar investigador (a relação entre a Ceifadora e Dylan tem sido um tema recorrente da série), sendo recompensado com umas horas com a alma da mulher que mais amou (referência a Un Lungo Addio). E daí também vem o loquaz Gnaghi. Para encerrar este reconto, o surreal faz-se sentir com o eterno galeão de Dylan agora transformado no covil de Xabaras. No inevitável conflito, Xabaras revela-se como um eterno adversário de Dylan, em inúmeras realidades paralelas. Suspeito que está aqui o ponto em que Recchioni se defenderá caso esta recriação de Dylan Dog, que faz evoluir a personagem, seja rejeitada pelos fãs - encerrará o ciclo como uma realidade paralela do personagem. Quão paralela? É-nos revelado que Bloch adotou Dylan como filho. E Groucho parece ter desaparecido por completo da série.

domingo, 18 de outubro de 2020

URL

Esta semana, o lado pop das Capturas olha para as questões de propriedade intelectual, e recorda muita arte relacionada com o Fantástico. Na tecnologia, fala-se da nova nave espacial chinesa, dos projetos fora da caixa da DARPA, ou de futuras tecnologias. Ainda se fala dos impactos da pandemia nos comportamentos humanos e espaços urbanos, e pergunta-se porque é que em 2020 ainda se discute a inferioridade de expressões artísticas menos realistas. Estas e outras leituras aguardam-vos, nesta semana. 

Ficção Científica e Cultura Pop


Frank Kelly Freas, Analog magazine, 1967: Nem toda a ilustração de FC ia para as capas. O interior das revistas também não era esquecido. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628638145743912960/frank-kelly-freas-analog-magazine-1967

Broadway Darkness: Um caso de "eu só leio a revista por causa das imagens" https://pulpcovers.com/broadway-darkness/#1

Dylan Dog - O Velho que Lê (Fabio Celoni, Tiziano Sclavi e Angelo Stano): Uma das mais surpreendentes histórias de Dylan Dog, poética, surreal e fantasticamente desenhada. Sou suspeito, como sabem, nestas coisas do Indagadore dell'Incubo sou fanboy descarado, mas esta, é mesmo uma bela edição. https://asleiturasdocorvo.blogspot.com/2020/09/dylan-dog-o-velho-que-le-fabio-celoni.html

How Can We Pay for Creativity in the Digital Age?: Se o digital nos trouxe uma diversidade e quantidade de expressões culturais nunca vista, também criou um problema: como pode os artistas sobreviver, quando os modelos tradicionais de monetização se esfumaram, e os modelos digitais (streaming, subscrições, crowdfunding) se traduzem em quantias mínimas? Para mais, cada vez mais esperamos ter acesso a conteúdos gratuitos. https://www.newyorker.com/magazine/2020/09/14/how-can-we-pay-for-creativity-in-the-digital-age


Alan Gutierrez: Coisas cósmicas. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628683435189387264/alan-gutierrez

La redada a uno de los mayores grupos pirata de Internet ha provocado una disminución histórica en la publicación de contenido: Se a pirataria tem, de facto, impacto económico, ficou sempre de pé atrás com o argumento de "faz perder milhões". Porque suspeito que a maioria dos que usam conteúdo pirateado, se não tivessem acesso, também não iriam à loja comprar. É tambem de notar que se a pirataria continua, é porque não há ainda modelos de streaming decentes no que toca ao vídeo. Quando para se ver três diferentes séries se tem de subscrever diferentes serviços, a coisa não funciona. A indústria musical, nisto, é um exemplo a seguir. Depois de ter tentado, sem grande sucesso, esmagar a partilha de música online, acabou por se juntar aos sistemas de streaming que, para todos os efeitos, tornaram demasiado penoso piratear. Para quê sacar, perder tempo com downloads e risco de malware, quando se pode aceder gratuitamente (com publicidade) ou por preço razoável a gigantestas bibliotecas de música?  https://www.xataka.com/otros/redada-a-uno-mayores-grupos-pirata-internet-ha-provocado-disminucion-historica-publicacion-contenido

Swamp Thing Covers by Bernie Wrightson: Um grande mestre, e uma personagem icónica. http://fantasy-ink.blogspot.com/2020/09/swamp-thing-covers-by-bernie-wrightson.html


Chris Foss: Mitos do futuro passado. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628355046926614528/chris-foss

A Collection Of Hand-Painted Movie Posters From Africa: Estes posters são qualquer coisa de extraordinário, na sua bizarria e profunda inocência. https://themindcircle.com/collection-of-hand-painted-movie-posters-from-africa/

Andrew C. Stewart: Sentimento cósmico. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628309721740361728/andrew-c-stewart


Tim Hildebrandt, 1981: da incrível resistência do corpo feminino em ambientes hostis. E o dinossauro não assusta. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628264430914977792/tim-hildebrandt-1981


Tecnologia




Infographic: A Timeline of Future Technology: O futuro está sempre a 20 anos de distância. Este infográfico aponta para a disseminação de algumas tecnologias, com tempos convenientemente equilibrados - nem distantes nem longos. https://www.visualcapitalist.com/timeline-future-technology/

En defensa de leer libros en el móvil: por qué ya no leo tanto ni en papel ni en el lector de e-books: Pessoalmente, prefiro ter um dispositivo pensado como não distrativo, como um leitor dedicado, em vez de um dispositivo generalista. O tamanho do ecrã também não é garante das melhores experiências de leitura. Mas, não deixa de ser um suporte de desmaterialização do livro. https://www.xataka.com/moviles/defensa-leer-libros-movil-que-no-leo-papel-lector-e-books

8 weird DARPA projects that make science fiction seem like real life: Normalmente, partilhamos aqui notícias da DARPA diretamente da fonte. Mas esta lista de moonshots tecnológicos patrocinados pela agência é demasiado irresistível. Porque não casas que se auto-reparam, robots-mulas, ou plasma sanguíneo cultivado em laboratório? https://www.militarytimes.com/off-duty/military-culture/2020/09/04/8-weird-darpa-projects-make-science-fiction-seem-like-real-life/


I’m Sorry Dave, You Shouldn’t Write Verilog: Este apontamento sobre uma experiência de uso do GPT-3 para traduzir linguagem natural para computacional deixou-me a pensar na recente leitura de Analog, de George Dyson, e na sua ideia da simplicidade extrema da lógica binária da computação versus a complexidade analógica da computação natural que ocorre na natureza (e que nos permite ser humanos). Especialmente quando leio isto: "Human language is really not so great for describing things like this. Now you not only have to define the problem but also figure out the correct way to say it so that DAVE will spill out the right Verilog code". Tudo o que damos por adquirido na comunicação, diferentes contextos e significados, chocam com a inflexível binariedade da lógica computacional. https://hackaday.com/2020/09/04/im-sorry-dave-you-shouldnt-write-verilog/

Intel researchers design smartphone-powered robot that costs $50 to assemble: Fez upgrade ao telemóvel mas ficou com o antigo? Não, não tem de ficar para pisa-papéis. E que tal usar o telemóvel velho para controlar um robot low cost? É essa a ideia do Openbot, um robot low cost com impressão 3D que reutiliza telemóveis. Não é uma ideia nova - o Robobo desenvolvido pela universidade de A Coruña já o faz, mas com preços mais elevados. https://venturebeat.com/2020/08/26/intel-researchers-design-smartphone-powered-robot-that-costs-50-to-assemble/

China estrena su avión espacial reutilizable: Ainda não se sabe muito sobre esta nave espacial reutilizável chinesa. Tem o seu quê de versão shanzai do X-37, mas piadas à parte, mostra a aceleração do desenvolvimento dos programas espaciais chineses. https://www.microsiervos.com/archivo/espacio/china-estrena-avion-espacial-reutilizable.html

Unlimited Information Is Transforming Society: Se a tecnologia sempre modificou as sociedades, hoje vivemos um momento talvez inédito, pela sua aceleração e alcance global. https://www.scientificamerican.com/article/unlimited-information-is-transforming-society/

COVID-tracing Framework Privacy Busted by Bluetooth: As apps de rastreamento de contactos, ferramentas de combate à Covid, são construídas sobre frameworks desenvolvidas pela Google e Apple. Que, apesar de terem tido segurança como elemento principal, não estão isentas de bugs. E se ele vos parecer exótico, recordem-se, cibercriminosos ou outros agentes aproveitam-se dos bugs mais impensáveis para os seus propósitos. https://hackaday.com/2020/09/03/covid-tracing-framework-privacy-busted-by-bluetooth/

India joins US, Russia, China hypersonic Missile club: Para já, ainda em testes, mas investigadores e engenheiros indianos desenvolveram um protótipo de míssil hipersónico, como motores aerospike. https://warisboring.com/india-joins-us-russia-china-hypersonic-missile-club/

Playing Doom on a Pregnancy Test: É um clássico. O dispositivo tem processador? Memória? E ecrã? Se sim, corre Doom. Desta vez, o clássico jogo corre num teste digital de gravidez. https://www.neatorama.com/2020/09/07/Playing-Doom-on-a-Pregnancy-Test/

Lidar is becoming a real business: Entre a visão computacional para veículos autónomos até aplicações artísticas ou arquitetónicas, o LIDAR está a tornar-se cada vez mais acessível. https://arstechnica.com/cars/2020/09/lidar-is-becoming-a-real-business/

Modernidade


These Magnificent Paintings Of 'The Future' From 70 Years Ago Got Everything Hopelessly Wrong: O que está errado aqui é o título. Estas visões refletiam uma visão futurista contemporânea dos tempos em que foram criados. Tal como as que criamos hoje vao envelhecer como impossivelmente datadas. https://www.businessinsider.com/bohn-aluminum-and-brasss-ads-of-the-future-2012-4?IR=T

360 Dark Tokyo Streets: Estou fascinado com este eye candy na rede social. Fotos 360º de ruelas esquecidas em Tóquio, sempre à noite. https://www.facebook.com/360-Dark-Tokyo-Streets-108531927604301

Get Ready for the Great Urban Comeback: Os espaços urbanos são em grande medida definidos por catástrofes - e Lisboa, com a sua Baixa só possível após o terramoto de 1755, é apontada no artigo como um desses casos. Terramotos, guerras e incêndios ajudaram a modelar a corrente paisagem urbana, mas não podemos descontar o papel das epidemias, especialmente na adoção de medidas sanitárias que hoje consideramos essenciais, como sistemas de água e esgotos. Que impactos, que novos modelos de arquitetura e planeamento urbano nos trará a pandemia de Covid https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2020/10/how-disaster-shaped-the-modern-city/615484/

Van Gogh Twitter Controversy, Explained: Why a Viral Tweet Tried to Cancel the Post-Impressionist: A sério que estamos em 2020 e estas coisas ainda se discutem? Mais de cem anos passados depois dos primeiros movimentos artísticos que exploraram novas dimensões estéticas na arte para lá do realismo, e ainda há patetas incultos que acham que arte só pode ser uma coisa muito bonita e parecida com a realidade? Sim, infelizmente. https://www.artnews.com/art-news/news/van-gogh-twitter-controversy-explained-cafe-terrace-1234569795/

How COVID Can Change What Schools Are For: No seu cerne, a Educação tem como missão transmissão da cultura e valores da sociedade em que está inserida. Mas as escolas assumem muitos outros papéis para além desse, até porque cabe dentro da missão de transmissão de valores. https://hedgehogreview.com/blog/thr/posts/how-covid-can-change-what-schools-are-for

Nazi-Occupied Norway Offers a Glimpse of What Hitler Wanted for the Entire World: Arquitetura como arma de colonização. Não é uma ideia nova - a ocupação de territórios coloniais sempre trouxe consigo novas formas de arquitetura, do estilo indo-português à art-deco etíope. Neste caso, a visão era integradora, uma vez que os nazis consideravam os nórdicos como um povo irmão que desejavam assimilar na futura grande germânia. https://time.com/5885434/nazi-norway-history/?amp=true

Safer sex now means wearing a mask, says Canada's Chief Public Health Officer: Dá vontade de fazer piadas à tonelada, mas o único comentário possível? Efeito 2020. https://boingboing.net/2020/09/04/safer-sex-now-means-wearing-a.html

A New Theory of Western Civilization: Uma ideia algo irónica. O desenvolvimento europeu deveu-se, em parte, à política sexual da igreja católica, com o seu foco na monogamia e laços familiares. É uma ideia intrigante, passível de discussão, mas faz algum sentido. https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2020/10/joseph-henrich-weird-people/615496/

Inside the Paradise Bubble: Uma análise detalhada à forma como Taiwan está a controlar a pandemia de Covid-19. Apesar de estar às portas do primeiro epicentro global, teve poucos casos e raras mortes, sem tomar medidas especialmente draconianas. Como está a ser possível? Rigoroso rastreamento de potenciais casos, profissionais de saúde acessíveis, ferramentas digitais para ajudar a população em tudo (até mapas de intensidade de venda de máscaras, para que quem quiser ir às compras saber onde tem maior probabilidade de as obter facilmente), apoio direto dos serviços sociais a quem está de quarentena, e acessibilidade do sistema de saúde. E, claro, máscaras e higienização deste o primeiro momento. https://logicmag.io/care/inside-the-paradise-bubble/

sábado, 17 de outubro de 2020

Lost+Found

 







Dias de outono. Praia de S. Julião, Parque da Venda do Pinheiro, caminhos rurais da Senhora do Ó.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Flush

Francesco Verso (2014). Flush. Future Fiction.

Conto cyberpunk, que pega na iconografia do género - tecnologia, submundos urbanos e substâncias ilegais, e nos conta uma história sobre drogas. Uma altamente aditiva, que um homem decide experimentar. Fica surpreendido quando em vez de comprimidos ou seringas, lhe é vendida num par de auscultadores. E quando a experimenta, percebe. No ruído incessante da sociedade urbana, a alienação pelo silêncio é uma droga poderosa.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

The Book of the Breast

Robert Anton Wilson (1974). The Book of the Breast. Playboy Enterprises

Soa bizarro, mas talvez apropriado à personalidade. Um ícone da contra-cultura dos anos 70, entre o psicadelismo e o underground, a escrever um livro sobre um detalhe anatómico feminino para a Playboy. O resultado é interessante. Este é, realmente, um livro playboy que se lê pela qualidade dos textos (geralmente, essa piada masculina indicava que o grande texto que liam estava nas páginas centrais da revista). Talvez desiludindo os editores e potenciais leitores, o livro não é uma viagem de tititalação libertina, essencialmente uma desculpa para publicar fotos de detalhes anatómicos femininos.  Não que o autor não deixe uns parágrafos mais picantes, mas no fundo, o livro é um longo ensaio sobre repressão e humanismo, com inúmeras referências históricas e estéticas. Wilson analisa os seios sob diferentes perspetivas, mas volta sempre a ideias freudianas, e sublinha muito a esquizofrenia entre pulsões naturais e os espartilhos culturais da tradição judaico-cristã mais puritana. Wilson consegue também trabalhar o tema de forma delicada, fugindo ao simplismo da objectificação. O seu ponto de vista, consentâneo com  seu papel como guru contracultural, está na libertação dos constrangimentos das imposições sociais excessivas.

Suspeito que este seria um livro impossível, hoje. Em parte pelo sensacionalismo da cultura popular. Estão a ver esta editora a patrocinar algo que não seja pura pornografia softcore, atualmente?. Em parte seria dizimado por hordes de cientistas sociais especializados em estudos de género, comentando que as ligações entre tradições e mitologias não significam o que RAW pensava que significassem (enfim, hoje não se toma muito LSD nesses departamentos académicos). E trucidado nas redes sociais por ativistas dos quadrantes mais extremados do meetoo e outras vertentes, que se têm razão no apontar do sexismo que tem estado inerente a campos culturais e profissões, o fazem em espírito de caça às bruxas.

E talvez o livro seja mesmo isso, uma enorme justificação de um homem, cobrindo as suas preferências sob um manto de erudição. Mas não foi essa a sensação com que fiquei da leitura, descoberta após ler uma entrevista sobre este e outros livros com a filha de RAW. É, talvez, um artefacto cultural bizarro que espalhou ideias contra-culturais para um público que, francamente, deveria estar à espera de outro tipo de conteúdo naquelas páginas.

domingo, 11 de outubro de 2020

URL

Setembro a amadurecer, os dias a ficar mais curtos, mas nem por isso precisamos de refletir menos. Esta semana, sugerimos recordar a série Espaço: 1999, o lado cyberpunk de Gaultier, ou descobrir a BD wayang. A Inteligência Artificial domina a tecnologia, com artigos sobre novos algoritmos, ou o seu impacto na educação. Mas também se fala do Neuralink.  Finalmente, olha-se para a falta de humanismo no design, para a cerimónia de rendição do Japão na II Guerra, e para o hiperrealismo de Dürer com a sua representação do rinoceronte trazido por D. Manuel II nos descobrimentos. Mais artigos intrigantes vos esperam nas Capturas da semana. 

Ficção Científica e Cultura Pop


1978 Chris Achilleos wraparound cover art for The Cabal: Ficção científica dark. https://70sscifiart.tumblr.com/post/628094553641107457/1978-chris-achilleos-wraparound-cover-art-for-the

Esperando o Sol Negro passar...: Redescobrir uma série clássica de FC, Espaço: 1999. Ainda hoje fascinante pelo cuidado estético, cenários e décors, apesar da premissa improvável e das histórias que hoje nos parecem simplistas. https://lordevelho.blogspot.com/2020/09/Space-1999.html

PROPOSTAS NOVAS PARA NOVOS MUNDOS: Uma proposta de ideias para o mundo pós-pandemia, com contribuições globais. Leitura gratuita seguindo o link. http://aquarelabrasileira.com.br/propostas-novas-para-novos-mundos/

Cyberpunk Fashion and Jean Paul Gaultier’s 1995 “Cyber” Show: Influenciado pelo seu trabalho com o realizador Luc Besson, o estilista Jean-Paul Gaultier atreveu-se a desenvolver uma coleção de alta costura verdadeiramente cyberpunk. https://blog.adafruit.com/2020/08/31/cyberpunk-fashion-and-jean-paul-gaultiers-1995-cyber-show-cyberpunk/

O Gourmet Solitário, de Taniguchi e Kusumi: A excelente notícia é que a Devir dá continuidade à Tsuru, a coleção que traz um mangá mais adulto e complexo, complementando as populares e divertidas séries juvenis que edita. Mas quando vi o autor, bocejei. Taniguchi, novamente. Não me interpretem mal, é um dos maiores mangakás, mas há outros autores que mereciam edição portuguesa. Ito, por exemplo, ou Tatsumi. Nem me atrevo a sonhar com Maruo. A aposta da Devir é sólida, Taniguchi é muito apreciado por cá, mas com a Tsuru, poderia aproveitar para nos trazer outros grandes autores japoneses. https://bandasdesenhadas.com/2020/09/01/o-gourmet-solitario-de-taniguchi-e-kusumi/

Bob Layzell: Naves old school. https://70sscifiart.tumblr.com/post/627800124617326592/bob-layzell

The Future's Not What It Used to Be – Neon Wasteland #2: Um verdadeiro comic cyberpunk, que alarga as fronteiras da banda desenhada da página à realidade aumentada. https://bleedingcool.com/comics/the-futures-not-what-it-used-to-be-neon-wasteland-2/

The Strange Sources for Doom Sound Effects: E se mergulharem neste artigo em busca de histórias mirabolantes sobre como foram criados os efeitos sonoros do clássico jogo Doom, bem, ficarão desapontados. O engenheiro de som adaptou uma biblioteca de sons gratuitos para os efeitos de um jogo que marcou a história do gaming. Se quiserem descobrir a origem dos mais de cem sons do ambiente sonoro de Doom, vejam o vídeo. https://blog.adafruit.com/2020/08/30/the-strange-sources-for-doom-sound-effects-scifisunday/


David A. Hardy: É disto que se fazem os sonhos. https://70sscifiart.tumblr.com/post/627777466492190720/david-a-hardy

Marvel Made Fortnite Canon and I Have Lost My Entire Mind: Confesso que fiquei surpreendido ao ver um crossover entre o universo Marvel e o jogo Fortnite. Bem, não muito surpreso, a indústria dos media anda sempre â procura de lucro, e um tie-in apelando aos trocos dos fãs de comics e dos jogadores de um dos jogos mais populares da atualidade, é uma manobra habitual nestas editoras. Resta saber se pega, se fica como elemento do universo ficcional Marvel, ou se vai juntar a outros crossovers do passado, que cruzaram os personagens Marvel com séries que faziam os gostos da época. É bem capaz desta incursão de Galactus pelo mundo Fortnite ficar tão esquecida como a história em que o Homem-Aranha enfrenta Ren&Stimpy. Isso aconteceu, e não, não tem explicação. https://io9.gizmodo.com/marvel-made-fortnite-canon-and-i-have-lost-my-entire-mi-1844881735


Rodney Matthews: Coisas que voam. https://70sscifiart.tumblr.com/post/627709519521316864/rodney-matthews

Every Appearance Of Gaggy, As Seen In Batman: The Three Jokers: É um dos momentos mais inesperados de Three Jokers, o aparecimento de um sidecick do Joker. Personagem repelente e muito obscura, que vai ter um fim bastante espetacular neste comic. O Bleeding Cool mergulhou nos arquivos e investigou a origem, e raras aparições, deste elemento bizarro do cânone de Batman e Joker. https://bleedingcool.com/comics/every-appearance-of-gaggy-as-seen-in-batman-the-three-jokers/

“God Likes Winners”: Catharsis and Community in 1970s Disaster Movies: Uma arqueologia dos filmes de desastres dos anos 70, todo um género que ainda hoje se mantém vivo, graças aos efeitos especiais. Filmes escatológicos, mais interessantes pelas premissas do que pelas histórias (e geralmente os atores nem sequer se davam muito ao trabalho de atuar, em filmes onde a catástrofe era o chamariz). https://wearethemutants.com/2020/08/28/god-likes-winners-catharsis-and-community-in-1970s-disaster-movies/

Eight trends in book cover art, from busy botanicals to women walking away: Quem é regular, voraz ou pantagruélico nos seus hábitos de leitura, já percebem isto. As capas de livros passam por modas, há determinadas iconografias que, de repente, caracterizam boa parte das edições mas que algum tempo depois deixam de ser vistas. As tendências atuais estáo aqui bem resumidas. Bem, não devemos julgar um livro pela sua capa, mas esta não deixa de ser um elemento fundamental da experiência literária. https://www.washingtonpost.com/entertainment/books/eight-trends-in-book-cover-art-from-busy-botanicals-to-women-walking-away/2020/08/26/a966d4a8-e163-11ea-b69b-64f7b0477ed4_story.html

A Colecção Aleph de A Seita: as 4 obras editadas: Uma análise aos livros dedicados a Dylan Dog e Dampyr que a editora A Seita trouxe ao público português. Se bem que a edição de Dylan Dog por cá já some outros títulos. E esperemos que saiam mais, este personagem é um dos grandes tesouros do fumetti. https://bandasdesenhadas.com/2020/08/27/a-coleccao-aleph-de-a-seita-as-4-obras-editadas/



Happy Birthday to the King of Comics!
: Confesso que demorei a apreciar o traço de Kirby. Quando comecei a ler comics, na adolescência, achava o seu seu estilo tosco e bruto, especialmente na representação da figura humana. No entanto, como é que se diz? Primeiro estranha-se, depois entranha-se, e agora sou fã precisamente pelas características únicas do seu estilo- http://diversionsofthegroovykind.blogspot.com/2020/08/happy-birthday-to-king-of-comics.html

Meet the 80-Year-Old Grandma Trying to Save Indonesia's Classic 'Wayang' Comics: Uma história de culturas locais que se perde com a globalização. Os comics Wayang, narrativas que pegavam em mitos e lendas, foram uma verdadeira indústria de banda desenhada na indonésia. Hoje, com os leitores a preferir comics e mangá, estão quase esquecidos. Os gostos geracionais mudam, e só alguns resistentes mantém viva uma tradição que no fundo é relativamente recente. https://www.vice.com/en_asia/article/j5jyj7/meet-the-80-year-old-grandma-trying-to-save-indonesias-classic-wayang-comics

Tecnologia



Neural network converts landscape photos videos to anime art in the style of 3 famous directors: Encantador, para quem é fã de anime. Esperem ver isto portado para alguma app em breve. 
https://boingboing.net/2020/08/28/neural-network-converts-landsc.html

10 Ways How can AI Transform the Education Industry?: Pessoalmente, não vejo a educação como uma indústria (vantagens de ser europeu, e da tradição de serviço público). No entanto, estas dez formas de usar Inteligência Artificial na educação são excelente ferramentas para potenciar o ensino e aprendizagem, se usadas a pensar no desenvolvimento dos alunos e não como ferramentas de avaliação ou vigilância. As dez formas passam pela criação de percursos personalizados de aprendizagem, assistentes inteligentes, conteúdo adaptativo, classificação automatizada,  processos de ensino mais eficazes, estruturação de currículos, monitorização de desempenho com feedback profundo. Algumas destas ideias já são bem antigas (os sistemas inteligentes de tutoria, essencialmente enormes percursos de aprendizagem, já existem há muito). E note-se que estes algoritmos não automatizam nem substituem o trabalho dos professores, apenas facilitam e permitem-lhes o foco naquilo que realmente é importante - compreender os alunos, aprofundar e atualizar conhecimentos científicos sobre as áreas que se leciona, para melhor ensinar. Claro que nestas coisas, haverá sempre os vendedores de banha da cobra que colam conteúdos enlatados e sistemas de reconhecimento facial a gráficos de desempenho que irão vender como o futuro da educação.  https://becominghuman.ai/10-ways-how-can-ai-transform-the-education-industry-7ae6812989d6

Memers are making deepfakes, and things are getting weird: Não há aqui grande surpresa, o uso de tecnologias de inteligência artificial para criar iconografias fake, enviesadas ou meméticas já é conhecido (e muito usado como meio de propaganda). À medida que estes algoritmos se tornam mais acessíveis, o seu uso espalha-se. https://www.technologyreview.com/2020/08/28/1007746/ai-deepfakes-memes/

America’s Summer of Viral Meltdowns: Mais interessante do que a análise sociológica do comportamento das Karens, é todo o ecossistema de economia digital que gira à volta destes vídeos. Capturados de forma improvisada, espalham-se viralmente, mas nessa viralização há potencial económico, com agências especializadas em pegar nesses vídeos muitas vezes pessoais e espalhá-los pela internet, monetizando a situação. No fundo, é uma forma fácil de manipular a nossa atenção, facilmente desperta pelo bizarro e estúpido. https://www.theatlantic.com/technology/archive/2020/08/karen-mask-viral-video-economy/615445/

Hope you didn’t delete Fortnite or Infinity Blade because Apple just terminated Epic’s dev account: E, discretamente a princípio, mas agora em modo total, dois gigantes da tecnologia entraram em guerra. A Epic Games lançou uma campanha para diminuir a percentagem que a Apple cobra sobre as transações dentro dos jogos. A Apple reagiu anulando o acesso da Epic ao ecossistema iOS, o que significa que os jogadores que usam dispositivos Apple, deixam de poder jogar todos os jogos da Epic. A coisa escalou depressa. Veremos quem irá sobreviver a este braço de ferro: Se a Epic, se a Apple. Na verdade, ambas precisam uma da outra - um sistema operativo é inútil sem aplicações de terceiros que funcionem nele, e as aplicações precisam de ecossistemas seguros para chegar aos utilizadores. Mas mais do que um arrufo entre duas empresas, esta história sublinha uma das grandes características do mundo digital, a nossa dependência de sistemas basilares mantidos por interesses privados, que podem a qualquer momento cortar o acesso a aplicações se tal for do seu interesse. https://www.theverge.com/2020/8/28/21406013/apple-epic-games-fortnite-developer-account-terminated-no-longer-available

Take a closer look at Elon Musk’s Neuralink surgical robot: Suspeito que se irá falar aqui bastante do Neuralink (é um dos fascínios do nosso editor), por isso olho para outro lado: o robot cirúrgico desenvolvido para implantar o dispositivo Neuralink, que consegue ser sofisticado, complexo, respeitar as rigorosas normas médicas, e ter um aspeto não ameaçador. Há aqui sinais de desenvolvimento na robótica aplicada à medicina que vão bem além das eventuais capacidades deste projeto de Elon Musk. https://techcrunch.com/2020/08/28/take-a-closer-look-at-elon-musks-neuralink-surgical-robot/

I Created an A.I. Clone of Jesus: E, porque não? Alimentar um algoritmo de processamento de linguagem natural apenas com a bíblia e usá-lo para produzir textos. Os resultados são proféticos (piada intencional). https://medium.com/@GDurendal/i-created-an-a-i-clone-of-jesus-4263339c327

21 páginas para descargar música gratis para poder usar en tus vídeos y otros proyectos: Faz jeito? Claro que sim. O vídeo é uma linguagem cada vez mais vernacular e acessível, e muitas vezes esquecemos a importância do som. Ou achamos que qualquer sucesso pop de que gostamos é a faixa mais apropriada (isso é um erro duplo, pelo desajuste sonoro face à imagem, e pelas questões de propriedade intelectual). Estes recursos ajudam-nos a encontrar as melhores faixas para os nossos projetos de vídeo, quer seja o (bocejos) vídeo da férias, tutoriais para os nossos alunos aprenderem algo de novo, ou o que quer que nos apeteça narrar em linguagem audiovisual. https://www.xataka.com/basics/paginas-para-descargar-musica-gratis-para-poder-usar-tus-videos-otros-proyectos

Na Escola Pública, porquê software privado?: Por onde começar? Pelo requerimento largamente ignorado de uso de formatos abertos na administração pública? Pela falta de capacidade de escolas e professores para manter sistemas abertos (um moodle, que apesar das suas peculiaridades é o melhor e mais completo software para suportar e-learning e ensino à distância, requer servidor dedicado e boas capacidades de gestão de redes e internet, não é ligar um botão e pronto). O investimento que se poderia fazer em formação e meios técnicos para incremento do uso de software livre não se faz. Pelo contrário, a pressão é para adotar sistemas proprietários, com muita ajuda das máquinas de marketing das principais empresas. Aliás, usar software não proprietário é considerado um handicap. Durante o ensino remoto de emergência, as coisas ficaram ao rubro. Com milhares de professores a ter de dar resposta remota aos seus alunos, o marketing de uma certa multinacional tecnológica conseguiu o impossível: que o Teams, uma ferramenta de gestão de projetos (suspeitosamente similar ao Slack, vinda de uma empresa independente), era uma excelente solução para e-learning, formatando um enorme grupo de professores para se manterem encarneirados no ecossistema microsoft (nalguns casos de gritante estupidez, com escolas a abandonar sistemas de EaD baseados em soluções livres que tinham montado e funcionavam para abraçarem soluções inadequadas, adicionado ao esforço de manter a linha com os alunos e estruturar metodologias o de aprender novas ferramentas que, tendo sido pensadas para campos que não a educação, causavam problemas de encaixar formas redondas em orifícios quadrados). E podia continuar, apontando a forma como comunidades informais de professores, em redes sociais, se tornaram quase extensões de marketing empresarial com o seu foco em soluções proprietárias específicas (sublinhando que de forma inocente, como utilizadores entusiastas que partilham dicas e ideias), ou o total desrespeito por noções elementares de privacidade. E, continuando, num campo que está geralmente sufocado em termos financeiros como o da educação, o uso de software proprietário obriga à aquisição de licenças que retiram dinheiro aos sistemas educativos. Mas o mais elementar está na componente formação. Ao focar no software proprietário, estamos a reduzir o horizonte dos nossos alunos. Estamos a ensiná-los, por exemplo, que escrever na forma digital obriga ao uso de um produto específico e não de qualquer processador de texto. Agir desta forma revela as nossas limitações enquanto docentes, e perpetua-as para os nossos alunos. E ainda faz o trabalho de cativar públicos para multinacionais da tecnologia. https://shifter.sapo.pt/2020/08/escola-publica-software-privado/

Elon Musk’s Neuralink is neuroscience theater: O projeto de Musk promete revolucionar a forma como vivemos, com interfaces eletrónicos diretos para o cérebro. Mas, e a ciência por detrás disso, o que diz? Muito pouco, por enquanto, apesar dos interfaces cérebro-computador já serem um forte campo de investigação. Mas a sua usabilidade ainda não se aproxima dos benefícios que a Neuralink afirma que iremos poder obter, sem demonstrar como. https://www.technologyreview.com/2020/08/30/1007786/elon-musks-neuralink-demo-update-neuroscience-theater/

Video Games May Be Key to Keeping World War II Memory Alive: O poder dos videojogos como forma de preservação da memória histórica. Mais nenhum media tem o potencial imersivo dos jogos, que nos permite sentir como realmente foram os momentos históricos. Não é uma ideia nova, o usar videojogos como forma de explorar o passado, mas é pouco usada em contextos pedagógicos porque os recursos financeiros necessários para criar experiências imersivas e realistas não se adequam aos mercados educacionais. Resta o campo dos jogos independentes, ou títulos temáticos comerciais de primeira linha que investem no realismo histórico como elemento diferenciador. https://time.com/5875721/world-war-ii-video-games/

What If SETI Finds Something, Then What?: Antes que pensem em protocolos de contacto e anúncios à humanidade, há um passo ainda mais essencial - descodificar a mensagem alienígena, compreender o seu significado e ler a informação nela contida. https://www.centauri-dreams.org/2020/08/31/what-if-seti-finds-something-then-what/

Internet Ascendant, Part 1: Exponential Growth: Uma história dos princípios do crescimento exponencial da internet, da sua separação da ARPA para maior controlo civil, primeiro académico e depois comercial. https://technicshistory.com/2020/09/01/internet-ascendant-part-1-exponential-growth/

Amazon Drivers Are Hanging Smartphones in Trees to Get More Work: E se parece que a árvore dá telemóveis como fruto, isso é efeito secundário de técnicas para dar a volta a algoritmos de gestão de entregas rápidas.
https://www.bloomberg.com/news/articles/2020-09-01/amazon-drivers-are-hanging-smartphones-in-trees-to-get-more-work

How 'Coraline' studio Laika uses Intel's AI to perfect stop motion films: Dos sítios onde não esperava o uso de Inteligência Artificial. Estes estúdios usam algoritmos de machine learning para pós-produção, eliminando falhas e traços visuais indesejados das imagens que criam a partir de animação stop-motion.
https://www.engadget.com/laika-intel-machine-learning-stop-motion-134526313.html

The UK’s Failed Education Algorithm Reflects A Broader Educational Failure: Quando não há forma de avaliar alunos mas estes têm de ser avaliados sem os prejudicar, normalmente faz-se passagem administrativa. Não foi bem o que os ingleses decidiram fazer, preferiram aplicar um algoritmo que gerou uma nota final a partir do desempenho registado do aluno, cruzado com o hipotético. Só por isto já daria problemas, mas para aprimorar a coisa, um dos critérios foi o fator geográfico, reforçando as assimetrias entre alunos provenientes de zonas mais ou menos afluentes. Ou seja, pertencer a um código postal indicado como de maior probabilidade de ser bem sucedido era um critério de elevação da nota. Claro que deu bronca, especialmente quando os professores fizeram notar que os resultados atribuídos não correspondiam às reais capacidades dos alunos, e fica aqui um excelente exemplo de como não usar algoritmos em educação.
https://www.3quarksdaily.com/3quarksdaily/2020/08/the-uks-failed-education-algorithm-reflects-a-broader-educational-failure.html

These students figured out their tests were graded by AI — and the easy way to cheat: Avaliar de forma automatizada é um dos grandes desejos de qualquer professor que faça testes. Haverá coisa melhor do que corrigirem-se sozinhos? Em questões fechadas, de resposta múltipla, é trivial fazer isso, mas as aprendizagens profundas que são o verdadeiro objetivo da educação não se medem assim. São precisas questões de desenvolvimento, para analisar conhecimentos, estruturação de raciocínio. Automatizar isso tem-se revelado difícil, embora a inteligência artificial possa ajudar. Neste caso concreto, é um excelente exemplo de como não fazer - o algoritmo desenvolvido não é capaz de análise profunda, baseando-se apenas na contagem de palavras-chave. Resultado: não demorou muito aos alunos perceber que não precisavam de escrever textos para ter pontuação nas questões de resposta aberta, bastava escrever à toa as palavras-chave relativas à pergunta. Que, como nestas coisas é habitual, depressa ficaram disponíveis online em listas para copiar e colar. Claro que a história tem mais contornos, com mais um exemplo de algoritmo básico martelado vendido como supra-sumo da IA aplicada à educação.
https://www.theverge.com/2020/9/2/21419012/edgenuity-online-class-ai-grading-keyword-mashing-students-school-cheating-algorithm-glitch

Modernidade


First Look: Ours: Uma página dedicada aos amantes na natureza, com produtos pensados para os gostam de explorar os espaços naturais. Parte dos lucros da venda vão diretamente para projetos malthusianos de eliminação do excesso da espécie humana, para que os espaços naturais sejam apreciados apenas por quem os merece. É uma piada negra de ironia, claro. Ours é um projeto artístico que imagina um eco-capitalismo fascista, criado com o aspeto limpo e a linguagem leve do marketing atual. https://rhizome.org/editorial/2020/aug/31/first-look-ours/

The tyranny of chairs: why we need better design: Seria de esperar que o design das cadeiras priorizasse as necessidades ergonómicas sobre a estética. Mas na verdade, não, e é curioso descobrir que a visão que temos do conforto, cheio de superfícies almofadadas, não é realmente confortável em termos fisiológicos. A história do design está cheia destes pormenores, de objetos que tendo sido concebidos para serem usados por pessoas, não tiveram em consideração a sua usabilidade real.
https://www.theguardian.com/artanddesign/2020/aug/25/the-tyranny-of-chairs

2020 O Ano Zero da Nova Sociedade Mais Futurista, Tecnológica e Verde: Ou talvez não. Pessoalmente, duvido que este abanão que a humanidade está a levar conduza a um mundo melhor. Os velhos vícios não estão perdidos, estão apenas em suspenso, tenho sérias dúvidas que as forças de mercado e as hegemonias do capitalismo bilionário deixem que um novo normal mais local, verde e sustentável se instale, a menos que encontre forma de manter os seus elevados níveis de lucro com isso. Onde concordo totalmente com este artigo é na parte tecnológica. A sempre muito falada e pouco implementada transição digital teve de arrancar à pressa, e muitos dos reticentes perceberam a sua utilidade. A automação (através de robótica e inteligência artificial) vai intensificar-se. Afinal, empresas cuja produção dependa de robots não têm de parar devido a pandemias que obrigam os humanos a resguardar-se. E, talvez, a expansão da humanidade pelo sistema solar se comece a tornar realidade. 
https://casadasaranhas.com/2020/08/30/2020-o-ano-zero-da-nova-sociedade-mais-futurista-tecnologica-e-verde/

Hyperreality Prevails: Quando o Rei D. Manuel enviou um rinoceronte a Roma, como prova dos novos mundos trazidos pelos descobrimentos, Durer realizou um retrato do animal que se tornou iconográfico.
https://www.ribbonfarm.com/2020/09/02/hyperreality-prevails/

Final Mission: Staging Japan’s Surrender: Em 1945, o General MacArthur não queria que a rendição japonesa fosse um momento discreto, e orquestrou uma cerimónia que envolveu milhares de marinheiros, e voos sucessivos das aeronaves americanas, para impressionar o mundo, mas também passar a mensagem aos representantes soviéticos que o poderio americano não era para desconsiderar.
https://www.airspacemag.com/airspacemag/surrender-spectacle-180975607/