segunda-feira, 31 de março de 2008

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Solarengo.

Wikinomics



Don Tapscott e Anthony Williams (2007). Wikinomics. Lisboa: QuidNovi

Wikinomics

It's the wikinomy, stupid?

A Wikipedia reúne opiniões contrastantes. Se uns a denigrem, considerando-a como um repositório pouco fiável de conhecimentos de utilidade dúbia, outros consideram-na - e ao seu modelo de organização, como a tendência organizacional do futuro. A verdade é que a importância da Wikipedia não reside só no facto de ser um repositório gratuito de conhecimento. A sua forma de construção, baseada no esforço colectivo de uma enxame de colaboradores que incansávelmente escreve e reescreve artigos, encontra e cruza referências, decide sobre a fiabilidade da informação, é o elemento decisivo que destaca a Wikipedia como um bom exemplo de novas formas de organização social.

Este modelo colaborativo, denominado modelo Wiki, surgiu em força graças ao crescimento explosivo da internet, que permitiu interligar com facilidade comunidades de utilizadores capazes de trabalhar em projectos comuns. São modelos de organização que se encontram, com variações, na Wikipedia, nas comunidades de criação de software open source, nas redes sociais, na blogoesfera. Em comum têm estratégias de trabalho colaborativo, a valorização da participação do indivíduo em esforços comuns e o derrubar de barreiras à partilha de conheciento.

A questão que Wikinomics coloca é a se podemos adaptar o modelo wiki para o mundo empresarial. A reposta é que este modelo já está em prática, quer a nível de empresas baseadas em propriedade intelectual que utilizam os recursos de redes sociais para encontrar novos usos para as suas patentes (algo que a IBM estimula), empresas que estimulam a produção de respostas a problemas por outros individuos que não os seus funcionários (o Innocentive da Merck, que agrega esforços ad-hoc de investigadores não associados à emresa), e até mesmo modelos de produção industrial, nos locais mais insuspeitos, que fazem uso do modelo colaborativo para afinarem processos de produção just in time (caso da Boeing, que no seu último projecto de aeronave partilha a concepção com as empresas que subcontrata, ou a BMW, cada vez mais concentrada no design, concepção e software automóvel do que na manufactura de veículos).

Wikinomics aborda uma série de estratégias que permitem ao mundo empresarial fazer bom uso da força do modelo de organização wiki, um modelo em que a competição económica se faz mais eficazmente com a colaboração entre os antagonistas. Para aqueles mais arredados do mundo empresarial, fica uma visão abrangente de novas formas de trabalho e organização baseadas na rede, com o potencial de alterar dramáticamente as formas tradicionais de organização.

A tendência é visível. Economistas como Tapscott e Williams apregoam os modelos wiki. Virilio fala-nos das profundas mutações que a tecnologia digital provoca na nossa concepção do mundo. Castells estuda as implicações políticas, económicas e sociológicas do que chama a sociedade em rede. O fluxo do movimento evolutivo da sociedade parece estar a deslocar-se em direcção a um modelo colaborativo reticular que altera radicalmente as nossas instituições e a forma de conceptualizar modelos sociais e pessoais.

domingo, 30 de março de 2008

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No deserto que antecede o regresso à rotação total.

Leituras

Newsweek | The Internet, bah! A internet, essa coisa inútil que nunca terá grande importância na sociedade humana. Uma recordação de uma visão de 1995 que o tempo veio a mostrar ser um pouco... equivocada.

Popular Mechanics | The 10 most prophetic sci-fi movies ever O filme de FC perfeito é o santo graal dos cinéfilos amantes de ficção científica. Muitos filmes há que se arrogam do epíteto de filmes de FC, apesar de aprentarem elementos que vão perfeitamente contra à estrutura da FC enquanto género (vão uns sabres de laser?). Aqui fica uma lista de dez filmes de FC que estabelecem um equilíbrio entre predição futurológica correcta e o sentido de aventura e fantástico, de maravilhosas possibilidades abertas pela ciência e tecnologia. Na lista encontramos os suspeitos do costume 2001, Blade Runner, Soylent Green e Minority Report, algumas supresas como Short Circuit (aparentemente o robot é credível) e Mad Max II (colapso social devido à escassez de recursos), filmes desconhecidos como Destination Moon e, no topo da lista, o sempre ambíguo e surpreendente Gattaca.

io9 | Six earth cities that will provide blueprints for martian settlers Uma exploração de como poderão ser construídas futuras colónias em Marte. A visualização teve como base as características de algumas cidades e construções habitacionais que estão em zonas inóspitas do planeta. Se Las Vegas ou Dubai não são os melhores exemplos para futuras colónias marcianas, as estruturas que abrigam cientistas nas bases antárticas, a capital do território canadiano de Nunavut, a arquitectura dos pueblos e a arquitectura espontânea do acontecimento anual Burning Man representam boas bases de trabalho para construção de habitats que possibilitem a sobrevivência nas inóspitas terras marcianas.

Cell-phone art

Os artistas de vanguarda estão a explorar profundamente novas possibilidades de expressão mediadas pelo telemóvel. Alguns projectos artísticos inesperados:

Tracking Hasan Elahi, em que um artista conceptual explora conceitos ligados à vigilância tecnológica, estando permantenemente localizável através do seu telemóvel, registando os espaços por onde passa.

Hacked cell-phone sculptures, uma série de projectos que literalmente desmontam velhos telemóveis para novos e inusitados usos - como interligar telemóveis a teclados, uma espécie de piano cuja sonoridade é dada pelos toques de telemóvel correspondentes aos toques nas teclas.

Follow the receiver, uma performance/jogo interactivo em que o artista se move de acordo com as descrições dos movimentos dos participantes feitas via telemóvel, explorando a assimetria criada pela tecnologia entre os utilizadores e o espaço que os rodeia.

Urban abstracts, em que o telemóvel regista a instantâneidade da vida urbana.

Cell Phone: art and the mobile phone, trabalhos inovadores que exploram o telemóvel como medium artístico, quer como suporte quer como técnica (o que representa um enorme salto conceptual sobre o conceito de arte baseada em media tradicionais). Particularmente fascinante a instalação Cell Phone Disco, um painel de LEDs que reage às radiações electromagnéticas do telemóvel - o mover, o falar, provocam alterações nas imagens do painel.

Gendai Geijutu Hakurankai Do Japão, animação flash desenhada específicamente para visualização em telemóveis.

As dimensões exploratórias são imensas, passando do sentimento de fascínio pelas entranhas da tecnologia aos temores de uma sociedade-panopticon de hipervigilância onde todos os movimentos são registados. Muitos dos projectos exploram a relação emocional que estabelecemos com o telemóvel como mediador entre o eu e o outro. E não fica de parte o eye-candy estético.

(Links descobertos via os inestimáveis blogs Rhizome e we make money not art)

sábado, 29 de março de 2008

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Totalmente modelado em Bryce, o que explica os pormenores estranhos. Eu devia estar a estudar...

Leituras

anim

World's oldest animation, 5,200 years old Um pote é um pote, um objecto que normalmente vemos como inanimado e estático. A decoração das cerâmicas das antigas civilizações revela-nos muito sobre a historia e a cultura dos tempos de antanho. Neste caso, de uma peça de cerâmica descoberta num sítio arqueológico iraniano revela algo um pouco mais inesperado. Decorado com imagens de uma cabra a comer folhas de uma àrvore, quando é rodado percebe-se que as imagens formam uma sequência de imagens que simula movimento. Conhecedores de técnicas antigas de animação reconhecem aqui o princípio do fenacistoscópio, um objecto cilíndrico ilustrado com sequências de movimento que quando rodado transmite a ilusão de movimento.

BBC | Oldest recorded voices sing again Uma voz que é algo de fantasmagórico. Peritos em som conseguiram recuperar um dos primeiros registos sonoros que se conhece. Gravado em papel escurecido por fumo pelo inventor francês Eduard de Martinville, nunca havia sido reproduzido, pois o inventor só construíra o equipamento para gravar sons em padrões marcados por uma agulha num suporte, sem possibilidade de reconverter esses padrões novamente em sons. A digitalização da tira de papel permitiu a reprodução dos sons através de uma agulha virtual.

Los Angeles Times | U.S. Navy taking on pirates A pirataria no alto mar está bem viva e de saúde. Nas regiões mais instáveis do planeta, as rotas marítimas são assoladas por verdadeiras pragas de piratas, e as marinhas de vários países colaboram em missões de vigilância e combate à pirataria. Longe vão os tempos dos combates entre brigues e navios de linha, agora o mais usual são corvetas a defender navios de carga dos ataques de lanchas rápidas.

Finantial Times | Jump in rice price fuels fears of unrest Mais um sinal negativo dos tempos de crise económica real em que vivemos: o preço do arroz está a disparar nos mercados mundiais, com a procura a exceder largamente a oferta. Os analistas temem conflitos sociais, uma vez que o arroz é a base da alimentação dos países asiáticos.

sexta-feira, 28 de março de 2008

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Barroco em rota de colisão com o Românico.

Intro



John Fiske (2005). Introdução ao Estudo da Comunicação. Porto: ASA

ASA | Introdução ao Estudo da Comunicação

Quando nos atiramos a um campo do conhecimento que à partida desconhecemos, o sentimento de confusão é inevitável. Os conceitos básicos fogem-nos por entre os dedos, as noções mais complexas parecem-nos inatingíveis. Por onde começar, quais as bases do campo de conhecimentos, quais as suas principais teorias? Nestas andanças iniciáticas, a existência de livros introdutórios, que traçem em linhas gerais as bases e as características das principais ideias, é a preciosa ajuda que permite encontrar mais depressa o fio das meadas de ideias que parecem soltas.

Este Introdução ao Estudo da Comunicação, um texto já clássico, é uma boa forma de entrar no estudo de um dos mais fascinantes campos de conhecimento da actualidade. Cobre um pouco das princpais escolas de pensamento ligadas à comunicação, desde a processual à semiótica, e coloca-nos o desafio pedagógico de interpretar os meios de comunicação que nos rodeiam à luz das teorias da comunicação, sempre uma boa maneira de aprender os conceitos-base das teorias. Um livro simples, mas útil, que nos ajuda a compreender os conceitos essenciais sobre esse acto aparentemente simples que é comunicar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

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Take the A train.

Um

Sinto-me já mais desafogado, desde ontem ao ver o ministro das finanças a anunciar, ufano, que as medidas de combate ao deficit estão a ser bem sucedidas e até já permitem uma baixa do IVA nuns generosos 1%. Mas 1% não será demais? 0,001% não seriam mais adequados ao esforço que todos nós temos que fazer para endireitar as contas públicas? 1% não será um excesso? Veja lá, senhor ministro...

... que custou, isto de ter contribuído para o enditeitar de contas públicas à custa de estrangulamento financeiro das pequenas empresas, do estrangulamento financeiro das famílias que enfrentam salários estagnados, incerteza laboral, preços altos e taxas de juro em crescimento, de desinvestimento nos serviços de saúde, de esmagamento da função pública, de elevadas taxas de imposto sobre os combustíveis (sem as correspondentes políticas de apoio a energias alternativas, porque o lucro sabe bem), enfim, de tudo o que os cidadãos sentem que está realmente mal neste país que o governo insiste em pintar num retrato cor-de-rosa. Os nepotismos continuam, o autoritarismo estatal alastra (como se comprova pela famosa ASAE ou pelos cada vez mais draconianos serviços de finanças - livre-se de se reformar com alguma dívida que seja, que a reforma será confiscada pelas finaças para pagamento, e terá que viver do ar), e os grandes senhores do capital seguem o exemplo do próprio estado e deixam o seu dinheiro em fundos off-shore... ou assumem impunemente a sua corrupção.

É este o país em que todos sabemos que vivemos. Perante isto, os 1% não soam tanto a generosidade ou consolidação como a palhaçada eleitoralista.

Hmm... pensado melhor, talvez não seja boa ideia classificar uma medida governamental como palhaçada, não vá ser acusado de insoburdinação perante os meus superiores. Respeitinho, respeitinho, o que neste país se quer é respeitinho perante aqueles que estão acima de nós.

Metodologias de escolha



Ian Kershaw (2007). Fateful Choices. Londres: Penguin

Guardian | The Method in History's Madness

A II Guerra Mundial foi um momento central do século XX. É à volta deste conflito que gira a história do século, como se os anos até 1939 não tivessem passado de uma marcha inexorável até ao cataclismo que consumiu a Europa e a Àsia. É verdade que podemos definir um mundo pré-II guerra, onde os velhos impérios e os novos nacionalismos faziam sentir a sua influência, e um mundo pós-II guerra, um mundo de expansão económica e libertação política, uma transformação radical da forma de conceptualizar o papel do homem e das suas instituições no planeta.

E no entanto, se a II Guerra não tivesse acontecido, ou se tivesse corrido de forma diferente, que mundo teríamos agora? É um tema clássico da ficção especulativa, normalmente lidando com um mundo em que pelas mais diversas razões o regime nazi não acabou sob os escombros de Berlim e impera no mundo, ou em que o imperalismo japonês não teve o seu fim lógico debaixo dos cogumelos nucleares.

É fácil perceber como aconteceu a II Guerra Mundial. Os acontecimentos pareceram suceder-se com a precisão de dominós a cair em cadência. Mas o que Fateful Choices pretende demonstrar é o elevadíssimo nível de incerteza que rodeou as principais decisões que determinaram o curso da segunda guerra. O livro é surpreendente nas suas conclusões.

Após a queda da França, o Reino Unido esteve muito perto da rendição. A entrada dos EUA na guerra só foi possível após o ataque a Pearl Harbour, graças à forte opinião pública que apesar de apoiar a Grã-Bretanha na sua luta contra o que parecia ser o titã nazi se recusava terminantemente a consignar mais do que boa-vontade na defesa das democracias europeias. O processo de decisão que levou ao ataque nipónico aos EUA foi ao mesmo tempo a conclusão lógica do militarismo japonês e um processo de indecisões por parte de elementos políticos de um sistema altamente burocratizado que levou a que a decisão final se tornasse inevitável apesar de todos os intervenientes terem consciência de ser a pior decisão possível. O regime fascista italiano aniquilou-se a si próprio graças a decisões positivamente idiotas, baseadas na retórica grandiloquente e não na realidade de um país empobrecido e pouco industrializado. A famosa decisão de Hitler de invasão da URSS faz, na realidade, todo o sentido face à conjuntura da época - com a França subjugada e o Reino Unido encostado às cordas, com os EUA impossibilitados de intervir graças à sua fraqueza militar e opinião pública favorável ao isolacionismo. A política autocrática, paranóica e sicofântica de Estaline quase condenou a URSS à aniquilação. E, de forma aterrorizante, a decisão final do Holocausto nunca existiu. O processo que culminou nos horrores de Auschwitz foi um processo gelidamente lógico de procura de uma solução logística para um problema com raízes num pensamento racista europeu de meados do século XIX.

Fateful Choices é uma obra minuciosa, que analisa a fundo o processo que levou às principais decisões que formaram a II Guerra Mundial. Certamente que não é uma obra tão empolgante como um relato de batalhas, brilhantes decisões estratégicas e histórias de coragem no campo de batalha, mas a sua focalização nas decisões e indecisões que manipularam a história mostra um interessante e muitas vezes esquecido ponto de vista.

quarta-feira, 26 de março de 2008

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Ideias Impossíveis



John Brockman (ed.). (2008). Grandes Ideias Impossíveis de Provar. Lisboa: Tinta da China

Edge

John Brockman é conhecido pelo seu papel na formação de uma ponte entre o pensamento científico e o pensamento filosófico-sociológico, defendendo aquilo a que chama de uma terceira cultura, num reconhecimento das capacidades especulativas daqueles a que estamos mais habituados a ver como representantes do rigor e exactidão. A ideia de uma terceira cultura não é novidade, mas Brockman tem feito dela o seu cavalo de batalha, investindo fortemente na edição de livros que assentem sobre a ponte entre rigor científico e discurso filosófico, bem representado na web pelo site de leitura obrigatória que é o Edge.

Grandes Ideias Impossíveis de Provar parte da questão anual da Edge, uma questão que Brockman coloca à sua entourage de cientistas, escritores, filósofos, sociólogos e investigadores. São, normalmente, questões provocatórias, e esta, para uma visão mais tradicional de ciência, é quase impensável: pedir a cientistas que explicitem ideias em que acreditam, instintivamente, mas que não conseguem provar através das ferramentas do método científico. O resultado é uma visão espectográfica sobre a intuição do conhecimento humano, ideias improváveis, mas com uma lógica própria.

Entre os contribuintes para este livro encontramos Martin Rees (especulando sobre a existência de vida alienígena inteligente), Richard Dawkins (evolução versus criacionismo, what else?), Ray Kurzweil (domar a velocidade da luz), Michael Shermer (compreender a realidade com base na lógica e não na superstição), Bruce Sterling (caos climático), Clifford Pickover (modularidade mental), Alan Kay (o impacto do mundo digital tem implicações ao nível da estrutura mental), Esther Dyson (razões psicológicas de sentir que cada vez temos menos tempo), ou Mihalyi Csikszentmihalyi (a impossibilidade de provar o que se acredita).

Estas são umas das muitas ideias que preenchem este indecente Grandes Ideias Impossíveis de Provar. Indecente porque parte de um contra-senso, o do que devemos dar importância às ideias que nos saem da intuição. E a intuição, se não for provada e comprovada pelos métodos rigorosos da ciência, é algo a que não damos muito valor.

Leituras

Globe and Mail | Patriot act haunts google service As ferramentas da Google permite webizar as aplicações pessoais e empresariais. Mas cuidado: quando se aplicam as aplicações online da Google toda a informação produzida passa também a estar disponível para os olhos indiscretos das agências de segurança norte-americanas. Tudo graças a uma lei que concede a estas agências vastos poderes para vasculharem os fluxos de informação online.

Toronto Star | A Space Odyssey's feuding fathers Reflectindo sobre a mais conhecida das obras de Arthur C. Clarke, a sua magistral colaboração com o cineasta Stanley Kubrick, que originou o mais perfeito dos filmes de ficção científica.

Christian Science Monitor | Why comic books scared us so? Houve uma altura em que as personagens dos comics eram consideradas um perigo para a fibra moral da juventude. A banda desenhada era considerada como perniciosa, transmitindo valores sexualizantes e violentos que causariam alterações no comportamento das crianças. Curiosamente, na nossa era contemporânea, os mesmíssimos argumentos são referidos quando se fala do impacto dos jogos de computador nas mentes das crianças.

Ars Technica | For the young, TV's passivity is passè next to the internet A tv enquanto lareira electrónica que permite interacção social via internet.

terça-feira, 25 de março de 2008

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Cores desta primavera invernosa.

Open Sky

The speed of the new optoelectronic and electroacoustic milieu becomes the final void (the void of the quick), a vacuum that no longer depends on the interval between places and things and so on the world's very extension, but on the interface of an instantaneous transmission of remote appearances, on a geographic and geometric retention in wich all volume, all relief vanish. (33)

The trauma of birth does not just affect the infant, the subject alone, it also affects the object, the instrument that comes into being. So we need to try and unearth "the original accident" specific to the this kind of technological innovation. Unless we are deliberately forgetting the invention of the shipwreck in the invention of the ship or the rail accident in the advent of the train, we need to examine the hidden face of new technologies, before that face reveals itself in spite of us. (40)

Wired to control the environment whithout actually moving a limb, a teleoperator of their own surroundings, deprived of those exotic prostheses with wich the neighbourhood of the city was once rigged out, the inhabitant of the teletopical metacity can no longer clearly distinguish here from elsewhere, private from public. The insecurity of their territorial hold extends from the space of their own world to the space of their own body. Once this happens, adoption of a sedentary life tends to become final, absolute, since the functions traditionally distributed within the real space of the town are now exclusively taken over by the real time of the wiring of the human body. (56)

The old conception of architecture, based on the "absolute" nature of the intervals of space and time of volumetric analysis, ceases also to be relevant. After Newton, the relativization of these notions opens on to the absolutism of the speed of light and the emergence of a last type of interval of neutral sign that will in turn demand a new perspective, the accelerated perspective of real time, as well as the invention of new theories of architecture and urbanism. (57)

Paul Virilio (2008). Open Sky. Londres: Verso

segunda-feira, 24 de março de 2008

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Agora na moda.

Leituras

Washington Post | Why we borrow till it hurts Por entre as causas da actual crise económica está o sobre-endivididamento das famílias. É um contra-senso: à partida, o crédito serve para adquirir bens a curto prazo, pagáveis a longo prazo, uma escolha económica feita com bom senso e uma boa avaliação dos riscos associados. No entanto, como se comprova pela quantidade de crédito mal-parado, bom-senso é coisa que parece andar arredada das decisões de contracção de crédito. Porquê? Será que os seres humanos são incapazes de medir consequências a longo prazo das suas decisões?

New Scientist | US Army toyed with telepathic ray gun As pesquisa no campo das chamadas armas não letais têm o seu lado surreal, com esta lista de tecnologias não letais que inclui o uso de micro-ondas para provocar sensações de febre ou a epítome da paranóia, a sensação de que alguém murmura ao nosso ouvido.

Discover Magazine | Has science found a way to end all wars? A guerra é inerente ao ser humano, certo? Talvez não. Em condições óptimas - nomeadamente, abundância de recursos, a necessidade de guerrear parece desaparecer.

Finantial Times | Afghan pop idol stirs immorality claims É o grito da moda em Kabul: um programa de televisão onde todos podem ir cantar, sendo os melhores premiados com um contrato para gravação de um disco. Esta modernidade pop-pimba está a chocar os sectores mais conservadores da sociedade afegã, que sublinham a imoralidade de ver mulheres de véu a cantar na televisão.

We Make Money Not Art | Billboard Liberation Front's talk at Vooruit, Ghent Bem-vindos à dissidência militante daqueles que manipulam directamente o mais elementar dos suportes publicitários - o outdoor, para questionar os ditames da sociedade de consumo. Algumas das intervenções - como a manipulação de um anúncio aos cigarros camel que substituia o slogan pela frase am i dead yet, são puro brilhantismo.

domingo, 23 de março de 2008

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& center.

Recortes

If last century's revolution in transportation saw the emergence and global popularization of the dynamic motor vehicle (train, motor-bike, car, plane), the current revolution in transmission leads in turn to the innovation of the ultimate vehicle: the static audiovisual vehicle, marking the advent of a behavioural inertia in the sender/receiver that moves us along from the celebrated retinal persistence wich permits the optical illusion of the cinematic projection to the bodily persistence of this "terminal man"; a prerequisite for the sudden mobilization of the illusion of the world, of a whole world, telepresent at each moment, the witness's own body becoming the last urban frontier. Social organization and a kind of conditioning once limited to the space of the city and to the space of the family home finally closing in on the animal body. (11) - Paul Virilio

I know you're going to like this girl. She's our top girl. Luscious breasts, skin like silk. A nice, curvy waist, hot and wet right where you like it, a regular sex machine. To use a car metaphor, she's a four-wheel drive in bed, turbo-charged desire, step on the accelerator, the surging gearstick in her hands, you round the corner, she shifts gears ecstatically, you race ou in the fast lane and bang! you're there. - Haruki Murakami

Shape I may take, converse I am, but neither god nor buddha a I, rather an insensate being whose heart thus differs from that of man. - Ueda Akinari

Where the display space is reduced, the pace has to pick up so that what is lacking in extension can be put back in duration! The perspective of the (real) life-size space of a world still full, still whole, is now of necessity saddled with a relativistic perspective of time: that real time of an instantaneity that makes up for the definitive loss of geographical distances. (63) - Paul Virilio

sábado, 22 de março de 2008

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Não, não é um ovo.

Leituras

Globe and Mail | Unleashing our inner demons, site by sickening site A quantidade avassaladora de informação disponível na internet tem, como bem sabemos, o seu lado mais obscuro e revoltante. A rede é um espelho da cultura humana, que revela o lado negro que está oculto dentro da nossa sociedade. Os gostos e comportamentos mais revoltantes, apanágio de uns quantos praticantes secretivos, estão agora ao alcance de um clique na àgora digital mundial.

Los Angeles Times | Democracy by royal decree in Bhutan Implemente-se a democracia, ordena o rei contra a vontade do povo. Contra-senso? São as idiosincrasias do Butão, pequeno reino encravado nos himalaias entre a Índia e a China cuja élite o tenta levar da medievalidade à modernidade por decreto real. O regime butanês é acarinhado pelos butaneses, ciosos do seu país calmo, não muito rico e que vive num consenso de um equilíbrio entre a modernidade e a tradição. Perante o respeito induzido pelas instituições monárquicas, os butaneses temem a bandalheira dos discursos políticos dos candidatos às eleições democráticas, embora o tom de discussão seja muito suave quando comparado com o discurso político de outras sociedades.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Recortes



There are just too many coincidences. Everything seems to be speeding up, rushing towards one destination. (331) - Haruki Murakami

We are the music makers. And we are the dreamers of dreams. - Roald Dahl

Exactly. Wich is why i'm living here, in this world where things are forever being damaged, where the heart is fickle, where times flows past without a break. (326) - Haruki Murakami

Panopticon

Público | Agressão a professora na sala de aula filmada e reproduzida na Net

Estas notícias caem mal, mas não são novidade. Videos filmados à socapa em plena sala de aula abundam no you tube ou repositórios similares. E são apenas aqueles que foram colocados online... muitos outros circulam, como samidzats, saltando entre os telemóveis dos alunos. É inquietante. É um dos sintomas da sociedade transparente, do panopticon digital mediado por câmaras de video, em que estamos a mergulhar.

Notícias como esta também complicam a defesa do uso do telemóvel em contexto educativo. Estes casos-choque dão uma importância desmedida a situações anómalas que apesar de revoltantes, não são a normalidade. São combustível para argumentação irada na defesa da proibição liminar, facilitando o extremismo das posições.

O cerne da questão neste caso não é o telemóvel. A aluna faria o que fez com qualquer outra coisa. O telemóvel apenas propiciou o registo e divulgação do acontecido, o que levanta enormes questões éticas numa época em que a privacidade, em que os espaços que estão tradicionalmente mais protegidos agora se encontram por detrás de paredes de vidro mediadas pela lente da câmara que cabe nos bolsos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

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Estranho, eu sei...

Leituras

Globe and Mail | Google sees surge in web use on hot mobile phones Estará a internet móvel a finalmente generalizar-se? A Google indica que recebe cada vez mais tráfego proveniente de iPhones, smartphones Nokia e Blackberrys. As razões prendem-se com a maior capacidade dos mais recentes telemóveis, planos de tarifas menos restritivos, websites mais adaptados às características dos usos móveis, e melhor software de navegação disponível para telemóveis. Da minha parte, a modesta contribuição que dou prende-se com a capacidade do N80 de aceder a redes wifi, o que me permite escapar às caríssimas tarifas de acesso de dados da minha operadora, levando-me a navegar na rede sempre que tenho uma rede disponível utilizando o excelente browser Opera Mini.

Read Write Web | People do read - they just do it online Cada vez mais se fala na morte da leitura. Cada vez se lê menos livros, jornais e revistas. Os mais alarmistas falam na decadência da literacia. Será? A verdade é que a leitura em papel está a diminuir, tendência particularmente sentida pelos jornais (que já recorrem às mais estranhas artimanhas para assegurarem vendas). Mas estes comentários esquecem o computador enquanto instrumento de literacia. Online, e offline, cada vez se lê mais, no ecrã.

Daily Mail | Revealed: how the world will look like when we've gone Se de um dia para o outro a humanidade desaparecesse, o que é que aconteceria às nossas cidades, aos nossos artefactos, aos nossos legados para o futuro? A resposta é deprimente. Sem energia, as cidades depressa começariam a corroer-se, invadidas pela natureza. Os repositórios da nossa herança civilizacional depressa se esboroariam em pó. Paradoxalmente, em poucas décadas, o que sobreviveria para atestar a nossa presença no planeta seria uma das maravilhas da antiguidade - as pirâmides egípcias.

Wired | The myth of transparent society Cada vez mais se anuncia o fim do anonimato, num mundo em que o nosso rasto digital revela cada vez mais sobre nós e onde a cada vez mais acentuada presença de câmaras de videovigilância nos parece estar a mergulhar num panopticon tecnológico. Há quem argumente que esta direcção em que caminha a sociedade não trará graves problemas - numa sociedade transparente, ninguém terá segredos. Mas, de acordo com Bruce Schneier, este raciocínio tem uma falha: não está a levar em conta as relações de poder. Um exemplo: numa sociedade transparente, eu tenho acesso a todas as informações sobre um polícia, tal como o polícia terá acesso a todas as informações sobre mim. Mas este aparente equilíbrio não se traduz em igualdade, porque não espelha a relação assimétrica de poder que o polícia tem sobre mim.

quarta-feira, 19 de março de 2008

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Oops...

Contra o cair da noite

A notícia triste espalha-se pela internet. Faleceu Arthur C. Clarke, um dos maiores romancistas de ficção científica, autor de obras fundamentais como The Songs of Distant Earth, Against the Fall of Night ou 2001.
As elegias sucedem-se, no Ars Technica, no io9, no SF Signal, no lacónico Warren Ellis e, desafiante, no Efeitos Secundários.

Alguns são capazes de olhar para as estrelas, e Clarke, mais que ninguém, estimulou gerações a olhar sempre mais além. O seu legado e influência perduram, agora que deixou os confins deste poço gravitacional e partiu, em direcção às estrelas.

Farewell, Mr. Clarke, and godspeed!

terça-feira, 18 de março de 2008

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Tornando as reuniões mais produtivas

Recortes

A democratização da democracia depende também do fomento de uma profunda cultura cívica. Os mercados não podem produzir esta cultura. Nem uma pluralidade de grupos de interesse especiais. Temos de deixar de pensar que a sociedade é composta apenas por dois sectores: o Estado e o mercado, ou o sector público e o sector privado. Entre estes dois encontra-se a área da sociedade civil, que inclui a família e outras instituições de natureza não económica. (77) - Anthony Giddens

Em suma, o problema é que a própria tecnologia deve surgir dentro de um significado, mas, na verdade, não ajuda a encontrá-lo; pelo contrário, aliás, convida à acção e incentiva o ser humano a agir sem se interrogar mais sobre o porquê e sobre o significado da acção. - Vittorio Andreoli

Falar em conhecimento científico é falar em ciência. Certamente que nem todo o conhecimento que possuímos, e que diáriamente utilizamos, se pode incluir dentro da classificação de conhecimento científico. No entanto, as nossas decisões mais pensadas, e sobretudo enquanto profissionais, serão tanto mais adequadas quanto mais validadas pelo método científico. Certamente que, as grandes alterações sociais não passam apenas pelos resultados das investigações, pelo menos na sua explicação mais próxima, contudo é impossível dissociar os avanços civilizacionais da investigação entretanto operada e do aproveitamento dos seus produtos mais directos. - Almeida e Freire

I think that there is far too much work done in the world, that immense harm is caused by the belief that work is virtuous, and that what needs to be preached in modern industrial countries is quite different from what always has been preached. - Bertrand Russell

segunda-feira, 17 de março de 2008

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Riscos, rabiscos.

Leituras

Los Angeles Times | In Britain, creationist theory is evolving O desejável envolvimento da comunidade educativa nas escolas tem o seu lado perigoso, quando grupos de pressão religiosos intervéem abertamente nas escolas para introduzir o creacionismo como alternativa credível nos currículos de ciências. Algo a ter em conta quando por cá se prepara uma maior intervenção da comunidade educativa na gestão escolar.

e-Skeptic | Journalism bites reality Até que ponto podemos confiar no jornalismo televisivo? Muito pouco, suspeitamos. Nesta análise, as suspeitas confirmam-se: a tirania da notícia apelativa resume a nossa visão do mundo ao comentário superficial, à distorção estatística, em suma, a uma visão irreal da realidade.

NYC is the greenest city in america A megalópole como exemplo de ambientalismo? Parece um contra-senso, mas talvez não o seja. A cidade, com as suas ruas congestionadas, estimula o uso de transportes públicos e os edifícios de apartamentos são no global mais eficientes em termos de energia do que se cada morador habitasse numa casa própria. O real perigo ambiental do urbanismo reside no modelo do subúrbio, assente em habitação de baixa densidade e interligada por redes de estradas, modelo impensável sem o transporte automóvel.

io9 | Cocktails in space O io9 recorda conceitos de viagens ao planeta Marte no estilo sibarítico dos anos 50. Conceitos de Alexander Seversky, conhecido pelos mais astutos sabedores de coisas aeronáuticas como o engenheiro que concebeu o P-47.

domingo, 16 de março de 2008

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Food Fight




Food Fight, curta metragem realizada por Stefan Nadelman.

Uma animação curta e brilhante. As guerras da segunda metade do século XX, representadas através de uma luta de comida com os pratos típicos dos países em combate. São batalhas de croissants, pretzels, hamburguers, kimchi, crepes, borscht, falafel, kebabs e fish and chips.

Particularmente brilhante é a sequência da guerra fria, onde o borscht e o hamburguer crescem, crescem, crescem... para se desvanecerem.

A melhor comédia, a melhor piada, é aquela que nos faz rir e pensar. Food Fight é uma curta metragem tecnicamente ambiciosa que nos deixa a pensar na história de violência global do século XX, violência em que ainda hoje estamos mergulhados. As guerras retratadas nesta guerra de comida entram-nos diariamente em casa em todos dos telejornais.

Notas

Não é o uso da ferramenta digital que nos torna proficientes num campo. Usar o Word não implica escrever bem; utilizar um software gráfico não significa que se desenhe bem. Após ultrapassarmos a barreira do domínio básico da ferramenta, já não levamos em conta outras condicionantes do seu uso. Utilizar, por exemplo, um programa de design gráfico sem conhecimentos sobre design gráfico é uma receita para desastres.

- Quanto mais simples for interface do programa mais rápida é a curva de aprendizagem do mesmo e mais intuitiva a sua aplicação. O programa não tem de ser simples e restrito em termos de ferramentas disponíveis, mas aqueles que permitem acesso mais intuitivo às mesmas são os que possibilitam aos alunos melhores trabalhos, sem frustrações provocadas por dificuldades de domínio da ferramenta.

- Abordar a utilização de ferramentas TIC como um fim em si mesmo é contra-producente. Realizar actividades de exploração de ferramentas em que os alunos as exploram para descobrir as suas potencialidades, muitas vezes não se reflecte num uso mais elavborado/habitual/reforçado das mesmas. Os alunos precisam de sentir que estão a usar a ferramenta com um objectivo, muito concreto. Por exemplo, a adesão que os meus alunos fazem à modelação 3D utilizando o Bryce acontece não pelo programa em si, mas porque este lhes permite criar imagens quase realistas, colocando nas suas mãos a possibilidade de criarem algo que se assemelha ao que admiram nos seus consumos culturais (jogos, animação, etc). A utilização das TiC é mais eficaz se for desenvolvida integrada em projectos, como uma ferramenta de trabalho. Se, para o aluno, não for claro o para que pode utilizar a ferramenta, este não a utilizará.

- A escolha das ferramentas a utilizar depende da àrea curricular e dos objectivos que se pretende atingir. Pode variar entre o uso como forma de apresentação de conteúdos e como forma de criação de informação.

sábado, 15 de março de 2008

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É verdadeiramente incrível quão insignificante e despida de interesse, vista de fora, e que surda e obscura, sentida interiormente, decorre a vida da maior parte dos homens. Não é mais que tormentos, aspirações impotentes, andar vacilante de um homem que sonha através das quatro idades da vida até à morte com um cortejo de pensamentos triviais. Os homens parecem relógios a que se deu corda, um homem é gerado e entra no mundo, o relógio da vida humana recebe de novo corda para repetir mais uma vez o seu velho estribilho gasto de eterna caixa de música, frase, compasso por compasso, com variações apenas sensíveis.

Cada indivíduo, cada rosto humano e cada vida humana não são senão a mais, um sonho efémero do espírito da natureza, da vontade de viver persistente e obstinada, não são senão uma imagem fugitiva a mais que ela desenha brincando na sua página infinita do espaço e do tempo, que deixa subsistir alguns instantes de uma brevidade vertiginosa, e que imediatamente se apaga para dar lugar a outras. Contudo, e é esse o lado da vida que dá que pensar e que reflectir, é necessário que a vontade de viver, violenta e impetuosa, pague cada uma dessas imagens fugitivas, cada uma dessas vãs fantasias, a preço de dores profundas e sem fim, e com uma morte amarga, muito tempo temida e que chega enfim. Eis o motivo porque o aspecto de um cadáver nos torna repentinamente sérios. (135) - Arthur Schopenhauer, Misérias da Vida.

sexta-feira, 14 de março de 2008

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Desfazer os nós.

Leituras

LA Times | Egypt's organ donors: looking within for health Em tempos de desespero económico vale tudo para sobrviver. No Egipto de economia estagnada e pobreza generalizada, o tráfico de orgãos tornou-se uma indústria lucrativa e bem organizada. Quem vende os seus orgãos fá-lo para pagar dívidas ou para tentar sobreviver num país em que mais de metade da população vive abaixo do limiar da pobreza. Os intermediários lucram, negociando a extracção de orgãos e a sua venda a quem necessita de transplantes. A mão invisível do mercado mostra-se, aqui, particularmente eficiente.

BBC | Island find stirs Hobbit debate Os ossos de uma espécie hominídia em miniatura encontrados na ilha indonésia de Flores (imaginem que navegadores de que país deram o nome a esta ilha) foram já classificados como um ramo próprio da àrvore humana. No entanto, achados recentes nas ilhas Palau (belíssimo paraíso do Pacífico Sul) vêem trazer achas para a discussão: será que estamos perante uma nova espécie humana, ou perante uma aplicação à humanidade de um fenómeno já observado e comprovado noutras espécies animais, a diminuição progressiva de tamanho como forma de adaptação a locais onde os recursos naturais são escassos?

Ars Technica | Study: amount of digital info > global storage capacity Parece contraintuitivo, com tanta abundância de suportes de informação digital, mas a IDC calculou que se toda a informação digital produzida fosse armazenada, não haveria espaço de armazenamento suficiente para guardar tantos dados. A IDC calcula em 2007, por exemplo, a quantidade total de dados produzidos ronda os 281 mil milhões de gigabytes, o que se traduz em cerca de 45 gb de informação por cada habitante do planeta. Grande parte destes dados são transitórios e não são armazenados. Não gravamos todas as nossas conversas telefónicas, por exemplo. Outro resultado interessante do estudo é que o volume de informação gerado automáticamente sobre o utilizador ultrapassa o volume de informação gerado pelo utilizador.

Infoworld | Crackpot technologies that could shake up IT O mundo das TI vive de inovação constante, mas os caminhos mais tradicionais de inovação estão a esgotar-se, aparentemente. Para manter o ritmo e gerar novas aplicações, a contribuição multidisciplinar de outros campos de conhecimento leva a propostas que são no mínimo exóticas mas que se traduzem, por vezes mais rápido do que pensamos, em aplicações e produtos do nosso dia a dia digital. Entre os novos caminhos de inovação encontramos a nanotecnologia, a computação óptica, a computação pervasiva, a transmissão de electricidade sem fios (indução), os computadores de baixo custo, interfaces cerebrais, supercomputação empresarial e, claro, os mundos virtuais. São àreas inesperadas, onde se gera o desenvolvimento de novos produtos e ideias.

Gloodle




Video realizado por um aluno do clube digital.

Na animação 3D o realismo é muitas vezes obtido através de complexos algoritmos que simulam no ecrã o movimento de partículas - poeiras, gotas de àgua, pelos.

Também podes experimentar a animação de partículas utilizando o Gloodle. O programa é limitado, só te permite criar e animar as partículas pré-definidas, mas é muito divertido de utilizar. Depois de pintares formas estranhas com as ferramentas de criação de partículas (com simetrias, linhas, formas geométricas) podes animar os resultados e gravar como video.

Experimenta:

Website do Gloodle (em inglês)
Download do Gloodle (em português)

quinta-feira, 13 de março de 2008

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Recortes

Since the objects of imitation are men in action, and these men must be either of a higher or a lower type (for moral character mainly answers to these divisions, goodness and badness being the distinguishing marks of moral differences), it follows that we must represent men either as better than in real life, or as worse, or as they are. It is the same in painting. - Aristóteles

A nossa época evoluiu sob o impacte da ciência, da tecnologia e do pensamento racionalista, que tiveram origem na Europa setecentista e oitocentista. A cultura industrial do Ocidente foi moldada pelas ideias do Iluminismo, pelos escritos de pensadores que rejeitaram a influência da religião e do dogma, e que, na prática, queriam substituí-los por formas mais racionais de encarar a vida. - Anthony Giddens (15)

Não posso provar nada daquilo em que acredito. Acredito que a Terra é redonda, mas não posso prová-lo, nem posso provar que a Terra gira à volta do Sol, nem que a figueira nua no meu jardim terá folhas dentro de poucos meses. Não posso provar que quarks existem ou que houve um Big Bang - todas estas, e milhões de outras crenças, assentam na fé numa comunidade de conhecimentos cujas provas estou disposto a aceitar, esperando que esta aceite, baseada na fé, as poucas magras afirmações de prova que eu possa produzir. (290) - Mihaly Csikszentihaly

Todas as culturas dão sentido ao mundo e, enquanto as significações conferidas podem ser específicas dessas culturas, os modos através dos quais essas significações são conferidas não o são - são universais. As significações são específicas das culturas, mas os modos de as construir são universais a todos os seres humanos. (156) - John Fiske

quarta-feira, 12 de março de 2008

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Recortes

As comunidades on-line de todos os géneros têm tendência para evoluir mais rapidamente do que os processos hierárquicos. (94) - Don Tapscott e Anthony Williams

O truque: a capacidade de tomar como input qualquer conjunto de entidades distintas e recombiná-las numa infinia variedade de expressões com significado.
É assim que pegamos em fonemas sem significado e os combinamos para formar palavras, as palavras para formar frases e as frases para formar as obras de Shakespeare. Pegamos em pinceladas sem significado e combinamo-las para fazer silhuetas, as silhuetas para fazer flores e as flores para fazer os nenúfares de Monet. E pegamos em acções sem significado e combinamo-las em sequências de acção, com as sequências formamos acontecimentos e com os acontecimentos formamos homicídios ou salvamentos heróicos. (200) - Marc Hauser

A vida moderna alterou, fundamental e paradoxalmente, o nosso sentido de tempo. Mesmo tendo em conta que vivemos mais tempo, parece que pensamos com menos alcance. será porque comprimimos mais coisas em cada hora, ou porque a pessoa ao lado parece comprimir mais em cada hora? Por uma variedade de razões, tudo acontece muito mais depressa, e há mais coisas a acontecer. A mudança é uma constante. (228) - Esther Dyson

terça-feira, 11 de março de 2008

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Leituras

Reuters | Vatican lists new sins, including pollution Religião 2.0... o vaticano decidiu actualizar a sua lista de pecados mortais. Aos suspeitos do costume juntam-se o ser poluidor ou o realizar experiências biogenéticas.

Fiber-optical analog of the event horizon E enfim, o mundo não acabou, apesar de cientistas terem, alegadamente, gerado um buraco negro em circuitos de fibra óptica.

BBC | Camera looks through clothing O sonho dos voyeurs e dos fanáticos da segurança e vigilância, o pesadelo dos que se preocupam com a sua privacidade pessoal. Chegou ao mercado uma nova tecnologia de câmaras de vigilância que permite ver para lá das roupas. Uma ameaça à liberdade individual e à privacidade que é útil para um mundo que se sente ameaçado por uma tenebrosa ameaça terrorista. E aceitamos isto sem discutir...

BBC | Oil hits record of $107 a barrel Continua a escalada imparável dos preços do petróleo, que nos traz más notícias a curto prazo, e péssimas a longo prazo. Cada vez mais se denota a insustentabilidade da nossa sociedade baseada no consumo desenfreado.

BBC | Space truck orbits despite fault O voo inaugural do ATV não está a decorrer sem problemas, mas apesar de um problema nos jactos de controle de atitude a ESA espera uma atracagem segura na ISS. No entanto, engarrafamento orbital: o ATV só poderá atracar à ISS quando o vai-vém Endeavour regressar à Terra. Até lá em cima já há trânsito...

segunda-feira, 10 de março de 2008

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Simetrias.

Um Certo Olhar...

Alguém ouve o Um Certo Olhar, programa da Antena2? É um programa de debates entre Inês Pedrosa, Maria João Seixas e Vicente Jorge Silva, moderado por Luís Caetado, que foi relegado para o ingrato horário das manhãs de domingo. Confesso, também, que não o acompanho regularmente.

É pena. Ontem, uma das comentadoras, Maria João Seixas, comentou a falta de debate ideológico na política portuguesa. Apontou a falta de clarificação de posições ideológicas dos políticos portugueses e sublinhou, corrosivamente, que os dois maiores partidos portugueses são, ao mesmo tempo, as maiores agências empregadoras do país, que se vão revezando, com alguma regularidade, na atribuição de cargos aos seus clientes. O objectivo das suas palavras não era criticar o clientelismo. Recordava, num tom de voz nostálgico, que em tempos sem liberdade se discutia ideologia de forma mais acesa. Mas apontou o principal, mais gritante e mais encoberto dos problemas da política à portuguesa.

Isto dito no tom calmo das discussões intelectuais, entrecortadas pelo som da música erudita.

O programa ficará em breve disponível para audição no site da Antena 2.

domingo, 9 de março de 2008

Um.



Fui mais um. Estive lá.

Se há algo de positivo a salientar nestas lutas laborais entre a classe docente e a sua entidade patronal, o ministério da educação, é que as correntes políticas ministeriais e a equipa que está à frente do ministério conseguiram algo quase impensável: unir uma classe que é notória pela sua inconsistência enquanto classe.

Foi impressionante ver Lisboa cheia de professores. Mesmo sabendo dos aproveitamentos políticos, mesmo passando ao lado dos demagogos dos partidos que aguardavam, devidamente acompanhados por uma câmara de telvisão, algum professor mais fotogénico para captarem o momento do seu incondicional apoio pelas reivindicações. Mesmo sabendo que a opinião pública não compreende as razões deste descontentamento.

Estive presente não porque recuse ser avaliado ou porque prefire o facilitismo do antigo modelo de progressão automática. Estive presente porque quero ser avaliado de forma isenta e justa, algo que este processo atabalhoado e subjacente a uma agenda política de controle de custos não garante. Estive presente porque estou farto de assistir a declarações públicas dos secretários de estado da educação que vão rotulando os professores de inúteis, incompetentes, preguiçosos e sanguessugas do sistema. Os meus pares, os meus alunos e os pais dos meus alunos conhecem (e reconhecem) o meu esforço no dia a dia de trabalho, esforço esse que é igual ao de tantos outros professores. As mais recentes declarações dos responsáveis ministirerais roçam a pura difamação.

Note-se que os professores se manifestaram a um sábado, após uma semana de protestos nocturnos. É muito importante, em termos de imagem pública, esta estratégia de protesto nos tempos livres. Mostramos que estamos indignados e que protestamos, mas sem prejudicar os tempos lectivos. Espero que esta estratégia acabe de vez com a ideia que as greves e manifestações de professores sejam uma forma de garantir mais um fim-de-semana prolongado, algo que muito prejudicou a nossa imagem pública, como classe.

Apesar de tudo, não consigo deixar de sentir alguma admiração pela firmeza da ministra, bem como pela racionalidade das suas declarações. Mesmo que discorde das iniciativas ministeriais. Há que respeitar o nosso inimigo, se ele for digno disso...

Aqueceu o coração ver os representantes de uma associação de pais de um concelho alentejano juntarem-se aos professores dos seus filhos na marcha em Lisboa.

Um dos nossos defeitos enquanto classe é o de misturar ideias, e em conflitos laborais, de profissionais que exigem tratamento e salário justo, utilizar argumentos pedagógicos. Como nota final, gostava de sublinhar que este protesto tem um carácter exclusivamente laboral. Não confundamos as coisas.

Leituras

Wired | Drugs, body modifications may create second enlightment O Iluminismo foi um momento essencial na história da humanidade, uma revolução filosófica que modelou o nosso mundo contemporâneo, baseado na razão e no progresso científico. Mas será que o Iluminismo surgiu porque nessa época a Europa se rendeu ao gosto pelo café? Terá esta decisiva revolução no pensamento surgido porque os homens pensantes começaram a discutir de chávena fumegante em punho? Será o Iluminismo resultado de conversas de café?

Low Tech Magazine | The digital oubliette O formato digital é a melhor forma de arquivar a nossa informação, certo? Nem por isso. Enquanto alegremente arquivamos os nossos documentos, ficheiros, videos e imagens em formato digital, convém reflectir sobre as especificidades do medium. Por um lado, os suportes físicos - cds, disquettes, dispositivos de memória flash - têm tempos de perecidade muito limitados. Estima-se, por exemplo, que um cd dure em média dez anos. Por outro lado, os formatos de ficheiro evoluem continumante. Quem trabalha nas versões mais actuais dos programas já sentiu o problema da retrocompatibilidade - versões mais antigas dos programas não reconhecem os ficheiros, ou reconhecem-nos com erro. Mas o que acontece quando o software que permite ler um ficheiro deixa de exisitir? E quando o hardware que permite ler ou executar um ficheiro se torna obsoleto e relíquia de museu? No arquivamento digital de informação, não basta arquivar a informação. É também necessário arquivar o software que descodifica a informação e o hardware que permite correr o software. E ter sempre atenção à vida limitada dos suportes ópticos e magnéticos de arquivo.

Read Write Web | The coming death of paper as an information storage medium Terá o papel os dias contados? Cada vez mais o computador, os dispositivos portáteis e os leitores digitais estão a substituir o suporte papel no dia a dia. Por exemplo, li este artigo no meu telemóvel, um N80 com o iSilo instalado. Para as leituras do dia a dia, para os jornais, revistas e documentos de uso diário, o ecrã está a substituir o papel. Restam os livros, último bastião do carácter sensual do virar de página e do cheiro que nos faz sonhar com os mundos fantásticos e os pensamentos fascinantes que estão para lá da capa do livro.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Traço de giz



E se alguém se pergunta como é a minha sala de aula... o quadro de ardósia depois de uma exploração de ideias ligadas ao futuro levada a cabo em Formação Cívica.

3D



Esta animação foi criada a partir de uma simples fotografia através do Make3D.

O Make3D é um projecto da universidade de Stanford que parece fazer milagres: a partir de uma simples fotografia, cria um modelo tridimensional de uma cena. O processo é simples: depois de criar uma conta no Make3D, basta enviar uma fotografia e esperar que o algoritmo faça a conversão e crie uma cena em wrml.

O wrml é um formato que permite navegar em ambientes tridimensionais a partir da janela do browser de internet. Precisas de um plugin que leia wrml para veres a tua fotografia em 3d, mas o Make3D faz uma pré-visão de baixa resolução.

Experimenta!

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Circuito da terra. Colagem no photoshop de imagens encontradas no deviantart para a exposição no àtrio da escola subordinada ao tema "tecnologia e ambiente". Podem ver as imagens dos trabalhos na galeria dos Pequenos Artistas.

Leituras

Computerworld | Open source in schools could save the taxpayer billions Um estudo publicado no reino unido estimou que se as escolas deixassem de se submeter ao modelo de software proprietário e optassem por soluções de open-source e web-based, anualmente poupar-se-iam milhões de dinheiro dos impostos. Em portugal o caso não deverá ser muito diferente. Com um adequado esforço de formação, a substituição do windows e o seu natural companheiro microsoft office por linux a correr open-office, ou simplesmente por acesso a aplicações web, poderia poupar dinheiro às escolas, dinheiro este que poderia ser investido noutras iniciativas ou equipamentos pedagógicos.

io9 | Navy battleship with a cloaking device Um navio de guerra: difícil de imaginar algo menos subtil. Mesmo assim, investe-se na procura de tecnologias stealth capazes de tornar os altamente visíveis navios de guerra em máquinas invisíveis aos detectores de radar.

The Technium | Why leapfrogging is rare Kevin Kelly que por detrás das mais inovadoras tecnologias estão sempre infraestruturas que nalguns casos são centenárias. O mais fantástico computador não funciona sem acesso a uma rede eléctrica estável.

Network World | Hack your brain Cérebro 2.0? Os avanços na investigação cerebral podem levar, num futuro próximo, num controlo à nossa vontada das capacidades do nosso cérebro.

quinta-feira, 6 de março de 2008

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Ele há dias de manhã que nem de tarde se deve sair à noite.
Ele há dias bons, dias maus e dias verdadeiramente impossíveis.

quarta-feira, 5 de março de 2008

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Precisava de uns minutos emprestados.

Recortes

Há muito que é de bom-tom dizer-se que os produtos públicos são inimigos da criação de riqueza. Os economistas e os líderes empresariais argumentam com frequência que aquilo que entra na àrea do bem público retira o pão à boca da iniciativa privada. É evidente que um número cada vez maior de pessoas se apercebe de que isto é um absurdo. Sem bem público não poderia haver iniciativa privada. (103) - Don Tapscott e Anthony Williams, Wikinomics

Se o comportamento humano fosse, em parte substancial, devido a uma mente tribal colectiva, seria de esperar que os sinais sociais não linguísticos - o tipo que impulsiona os comportamentos da multidão - permitissem prever até as mais racionais e importantes interacções humanas. (187) - Alex Pentland

Em vez de afirmar que existem todos os universos possíveis, eu diria que existe uma sequência de universos possíveis, semelhantes aos rascunhos de um romance. Habitamos uma versão-rascunho do universo, e não existe versão final. As revisões nunca acabam. (266) - Rudy Rucker

terça-feira, 4 de março de 2008

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Space escape.

Afinal serve para quê?

Nicholas Carr : Does IT Matter?

Apesar do título algo alarmista, não me parece que o ponto de vista de Carr seja o do fim da importância das tecnologias de informação. Antes, o autor indica-nos que a base tecnológica por detrás das TI já se encontra bem disseminada, com uma elevadíssima penetração no mercado e nas nossas casas. Estará, se calhar, na altura de esquecer o factor novidade que associamos ao hardware e ao software; perder o hábito das constantes actualizações dos sistemas; e repensar a forma como utilizamos as TI. Se a tecnologia se torna ubíqua, passa a fazer parte da infraestrutura, como é sublinhado por Carr. Torna-se algo que está lá, pronto a ser utilizado. E o foco da novidade, o foco da importância, o factor que permite rentabilizar a infraestrutura, passa a estar na forma como esta é utilizada.

Não levaríamos a sério a sugestão de que um Ferrari seria o melhor veículo para nos deslocarmos no dia a dia. No entanto, no que toca às TI, estamos sempre deslumbrados pela última novidade, desejando a mais potente máquina, actualizando incessantemente o software há medida que vão saindo as novas versões com cada vez mais funcionalidades. Mas precisaremos mesmo de máquinas cada vez mais potentes e de software de que só utilizamos um reduzido número da sua cada vez maior gama de funcionalidades? O texto de Carr aponta nesta direcção. Começa a estar na altura de deixar para trás o "Ferrari" digital e apostar naquilo que realmente nos é útil.

Carr debruça-se sobre o mundo empresarial, o que à primeira vista tem pouco a ver com o mundo educativo. Mas a ideia base do texto é válida. Ao pensar, ou repensar, a infraestrutura digital de uma escola, quais serão as escolhas mais acertadas? Investir em máquinas potentes, ou num servidor que interliga terminais estúpidos? Investir nas últimas versões de software proprietário ou optar por modelos open-source, ou até mesmo por soluções residentes na rede? Ao trabalhar as TI com os alunos, será que as devemos encarar um fim em si mesmo, perpetuando a adaptação às funcionalidades, ou poderemos estimular o uso criativo destas, encontrando novas soluções e aplicações ainda não imaginadas?

segunda-feira, 3 de março de 2008

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Klytus, I'm bored. What play thing can you offer me today?

(adivinhem lá de que filme saiu esta frase...?)

Recortes

Se navegar na Rede actualmente, é evidente que esta cultura de participação está presente em todo o lado. Já ninguém está na Internet simplesmente a publicar e "percorrer páginas". Cada vez mais, as pessoas preferem participar numa nova geração de comunidades fabricadas pelos utilizadores, em que estes se envolvem e criam em conjunto com os seus pares. (47) - Don Tapscott e Anthony Williams

Penso que, para os bébés, cada passo vacilante é como saltar de pára-quedas, cada jogo das escondidas é Einstein em 1905 e cada dia é o primeiro amor em Paris. (172) - Alison Gopnik

Perhaps PowerPoint is uniquely suited to our modern age of obfuscation -- where manipulating facts is as important as presenting them clearly. If you have nothing to say, maybe you need just the right tool to help you not say it. - Clive Thompson

domingo, 2 de março de 2008

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Into the dark...

Ah até nem é?



E ando eu a esforçar-me por produzir o blog mais entediante da internet...

O meu bom amigo Flautista agraciou-me com a distinção de até nem ser um mau blog. Agradeço a atenção, e registo mais este momento de fluxo de memes na vida digital.

De acordo com as regras do meme, deveria indicar sete blogs para repassar o meme. É por isto que os memes são como os vírus... procuram auto-replicar-se, e muitas vezes cruzam-se com outros memes (como este do número sete, com tantas conotações mitológicas) para assegurarem a sua sobrevivência no ecossistema das ideias. Assim sendo, cá vão eles:
1- Sentido Único
2- Olhar...
3- Reflexoss
4- Da Condição Humana
5- Turmentus Principadus
6- O Nosso Cantinho
7- Lâmpada Mágica

As regras virais do meme são estas:
Os premiados devem:
a) escrever um post indicando a pessoa que lhes deu o prémio (com um link para o respectivo blog) mostrando a tag do prémio e as regras;
b) indicar outros 7 blogs para receberem o prémio;
c) exibir (orgulhosamente!) a tag do prémio no seu blog.

Se forem como eu e estarem com cada vez menos paciência para piadas sem piada
à volta das piadas entediantes dos inconsequentes gato fedorento, não se chateiem. Pensem neste pobre meme, que precisa de un fragmento da vossa atenção para se reproduzir viralmente. Quem sabe, daqui a alguns milénios este meme não atingirá a grandeza dos memes virais religiosos e políticos...

Leituras

Finantial Times | EADS stuns Boeing with $35bn USAF contract Uma notícia impensável: o consórcio europeu EADS, detentor da Airbus e que centraliza as maiores indústrias aeronáuticas europeias, ganhou um concurso destinado a fornecer aeronaves de reabastecimento aéreo baseadas no Airbus A330 à força aérea americana. As aeronaves serão construídas em França e montadas nos EUA pela Northrop-Grumman. O espantoso desta notícia está no facto de a Boeing, maior fornecedora de sistemas aeronáuticos militares ao governo americano, ter sido preterida.

BBC | Final goodbye for early web icon A AOL, última detentora do mítico browser Netscape Navigator, irá deixar de suportar o software a partir de 1 de março. É o fim do primeiro dos browsers modernos, que deu o primeiro gosto da internet a muitos cibernautas (e, no meu caso, o primeiro gosto de publicação na internet com o Composer) e cujo momento de glória foi consumido num longo processo judicial anti-monopolista que opõs a Netscape à Microsoft, contra a decisão do gigante dos sistemas operativos de incluir o agora ubíquo Internet Explorer como parte integrante do sistema Windows. A Netscape venceu a batalha jurídica, mas quando os tribunais terminaram de se pronunciar já a galáxia internet tinha evoluído... e se a Microsoft detém cerca de 90% do mercado dos browsers, o seu lucrativo modelo de negócio está em risco de se desmoronar graças ao emergir das aplicações web 2.0, que colocam a tónica da computação na rede e não em software residente na máquina. A batalha entre a Netscape e a Microsoft fica para a história como uma das primeiras guerras pelo controle da internet em que nenhum dos principais antagonistas saiu vitorioso, com a vitória a pertencer a terceiros que souberam aproveitar a direcção para onde evoluiu a internet.

sábado, 1 de março de 2008

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Old worlds

Graff



Graffitti e acaso... terá algum significado, ou o significado é aquele que lhe associarmos?

Leituras

io9 | The twenty science-fiction novels that will change your life Vinte livros que mudam uma vida? O io9 é conhecido pelos seus hiperbolismos. No entanto, esta não deixa de ser uma eclética lista de vinte obras que foge ao convencional. Deixa quase de lado os autores clássicos, e aposta fortemente em autores contemporâneos. Da lista fazem parte livros de LeGuin, Lovecraft, Asimov, Mièville, Varley, Banks ou... Mary Shelley (sim, esse livro).

io9 | On the trail of grotesque gods from space A coluna de Geoof Manaugh, autor do BLDBLG, é o melhor do io9, o muito apregoado blog sobre ficção científica que na sua ânsia de ser o blog mais fixe deste lado dos quadrantes galácticos geralmente se fica pela banalidade e superficialidade. Nesta instância do Entropist Manaugh disseca a arquitectura exótica dos contos de H.P. Lovecraft, centrando a sua análise no conto The Shadow Out Of Time. Espaços inomináveis, tenebrosos subterrâneos, proporções de divina arquitectura de divindades revoltantes, intersecções de geometria obscena.

Grinding | Five sci-fi scenarios that will come true O grinding está na crista da onda do interface entre o social e o tecnológico. Neste artigo, são apresentadas tecnologias associadas à FC que são já realidade, e estão numa curva ascendente de aceitação que as vai levar a uma inevitável massificação. Biometria, turismo espacial, holografia, inteligências artificiais conscientes, robots domésticos: cinco tecnologias que já começaram a entrar na nossa vida.

BBC | Web desktop targets cybernomads Para quem andava a coçar a cabeça a pensar "para que raios serve essa coisa de um sistema operativo online", eis a resposta. A ideia de um OS online é contra-intuitiva. É preciso um dispositivo, com sistema operativo, para aceder a um OS online. Mas estes sistemas libertam o utilizador. Com um sistema operativo online, basta aceder à internet para ter acesso às aplicações e ficheiros, em qualquer local, em qualquer computador. O hardware perde importância, o interface físico deixa de ser fundamental, e toda a informação segue o utilizador - não numa drive amovível, computador portátil ou cd, mas sim na vasta internet.

TSF | Garcia Pereira advogado de Portas em processo contra ministro Garcia Pereira, político de extrema esquerda, será o advogado do político de quase extrema direita (porque o PP é a extrema-direita dos meninos bem) num processo em que o sempre bacoco e populista Portas processa o ministro da agricultura por insultos. Bem-vindos à realidade surreal da política made in portugal. Mas porque é que ainda lhes prestamos atenção? A boçalidade, nepotismo e incapacidade da classe política portuguesa continua a aprofundar-se.