sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

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Trip na sala de aula, demonstração de técnicas do Bryce.

Leituras

MAKE | Heathkit HERO Uma brisa do passado. Nos anos 80, a empresa Heathkit lançou no mercado o HERO, um robot educacional com um processor 6808 e uns estonteantes 4k de RAM. A comparação possível é com um R2D2 cúbico.

Paleo Future | Syd Mead Art for US Steel O sempre interessante Paleo Future, dedicado a visões passadas do futuro, desencantou uma preciosidade: um photoset do Flickr dedicado às pinturas conceptuais criadas pelo lendário Syd Mead para a US Steel. Delírio futurista hiperdetalhado. O link da galeria é este: USS - A Portfolio of Probabilities

i09 | Five large scale attempts to change the course of human evolution O io9 olha para o passado e para o presente, e lista algumas das mais importantes interferências humanas na evolução da espécie, da eugenia à fertilização in vitro.

BBC | Nokia morphs itself from within A maior das empresas europeias de tecnologia e símbolo dominante no mercado das comunicações móveis começou por ser uma empresa dedicada à madeira. Ao longo da sua vida empresarial, a nokia passou por várias metamorfoses. A próxima pode estar iminente, com a evolução de empresa dedicada ao software e hardware de comunicações móveis em direcção a uma focalização no software.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

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A terra aos quadradinhos.

Recortes

"It is easy to see that the rich have a great distaste for their country's democratic institutions. The people are a power whom they fear and scorn."
Alexis de Tocqueville

O ser humano padece de individualismo, sente profundamente a comparação com a outra pessoa e a qualidade da outra pessoa é considerada como uma falta própria, e, assim, o ser humano sente-se infeliz e nunca satisfeito.
Vittorio Andreoli

Contudo, o mundo em que agora vivemos não se parece muito com aquele que foi previsto, nem o vemos como tal. Em vez de estar cada vez mais dominado por nós, parece totalmente descontrolado - um mundo virado do avesso. Além disso, algumas das razões que levaram o homem a pensar que a vida se tornaria mais estável e previsível, incluíndo os progressos da ciência e da tecnologia, tiveram por vezes efeitos totalmente opostos.
Anthony Giddens (16)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Socorro!

Socorro! Preciso de mostrar uma apresentação na aula e o Powerpoint não reconhece o ficheiro! Preciso de imprimir um trabalho ou documento que produzi em minha casa no Word mas cá na escola não consigo abrir o ficheiro! Queria mesmo ver aquele video ou ouvir aquela música mas o meu computador não consegue abrir o ficheiro! Que fazer?

É um problema cada vez mais comum, especialmente agora que a nova versão do Office 2007 mudou a extensão dos ficheiros mais comuns de doc e ppt para docx e pptx, que não são reconhecidos pelas versões anteriores do Word e do Powerpoint que temos na escola.



Há maneiras simples de dar a volta a este problema. Podemos gravar o ficheiro num formato retro-compatível, utilizando a opção Guardar Como. Podemos utilizar uma suite de processador de texto, apresentações e folha de cálculo online. Ou então podemos utilizar um site que converta ficheiros de um formato para outro à nossa escolha.

O Google Docs e o Zoho são dois sites que substituem completamente o Office da Microsoft. Nestes sites, podemos fazer tudo o que fazemos no Word, no Powerpoint e no Excel, a custo zero e com a vantagem de sabermos sempre onde é que guardámos os nossos ficheiros... na internet!



Então e para resolver o problema dos trabalhos criados no Office 2007 que não se abrem nos computadores da escola? Aí podemos utilizar os conversores de ficheiros online. Basta ligar à internet, entrar nestes sites, enviar para lá o nosso ficheiro, escolher o formato que precisamos (de docx para doc ou pptx para ppt) e... descarregar o ficheiro convertido, pronto para ser impresso ou apresentado no computador.

O Zoho abre normalmente ficheiros do Office 2007. O Zamzar converte muitos tipos de ficheiros de imagem, video, audio e documentos. O Media Convert é um potente conversor de video e outros tipos de ficheiro.



Ou seja, quando aquele documento não abre, aquela imagem não se vê, aquele video não passa ou aquela música não toca, nada de entrar em pânico! Na internet encontramos solução para estes problemas.

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E ao 7º dia... (piada bíblica).

Os Anais dos Heechee



Frederik Pohl, Os Anais dos Heechee. Livros do Brasil, 1989.

Os Anais dos Heechee conclui a space opera que Pohl iniciou com Gateway. Infelizmente, à semelhança do volume anterior, Pohl não atinge neste livro nenhum pico de excelência de ficção científica.

O ponto de partida promete: duas espécies, a humana e os Heechee, unidos contra a ameaça representada pelos estranhos seres de pura energia que se encontram isolados num buraco negro. A espada que pesa sobre as espécies é pesada: estes seres são capazes de aniquilar civilizções e suspeita-se que pretendam conduzir o universo a um novo big bang, para controlarem as leis físicas do novo universo ao seu gosto.

Infelizmente, a obra fica-se por eternas ruminâncias sobre o estado de espírito do seu principal personagem. A pouca acção também não é muito esclarecedora, e a principal ameaça não passa de um espectro a pairar sobre jogos políticos e mentais.

O ponto interessante do livro está numa curiosa direcção de especulação do autor, tão ao gosto dos anos 80, com uma ideia de imortalidade atingida pela digitalização da consciência da pessoa, que após a morte física passa a habitar o espaço gigabit, visualização de um espaço virtual assente em sistemas informáticos (mas não em redes). A consciência do ser não se perde, mas a sua percepção de tempo, já não limitada pelos constrangimentos físicos, encolhe, e um segundo passa a ser uma eternidade. Nas descrições de Pohl, o espaço gigabit é concebido como uma imensa virtualidade interactiva, com as subrotinas dos complexos algoritmos que descrevem as personalidades e armazenam as memórias disfarçadas sob uma realidade artificial que mimetiza o real.

Os Anais dos Heechee não são obra de leitura fundamental. Baseado em dois conceitos interessantíssimos, o livro resvala para entediantes ruminâncias. Esperamos uma space opera, mas sai-nos uma soap opera.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

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Em azul.

Leituras

Washington Post | Our cells, ourselves O rápido alastrar do telemóvel era imprevisível. Quando surgiram pela primeira vez no mercado, nem os mais optimistas previam que a taxa de penetração do telemóvel chegaria aos 100% nalguns países em poucos anos. O telemóvel é um acessório essencial, sem o qual já ninguém passa. Na origem deste sucesso, está um factor social: esta tecnologia permite relacionamentos, é esse o factor-chave que provoca este sucesso.

Read Write Web | AIR goes live Foi libertada segunda-feira a versão 1.0 da tecnologia Air da Adobe, que permite interligar flash e AJAX e promete revolucionar o nascente campo das aplicações online. A ideia é criar aplicações capazes de tirar partido da Web, mantendo as suas funcionalidades mesmo em modo offline.

Read Write Web | 6 Adobe Air apps to check out E que melhor forma de estrear a plataforma Air com uma voltinha pelas melhores aplicações já desenvolvidas para esta plataforma?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

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Tive um sonho...

Recortes

Porque a conotação actua ao nível subjectivo, frequentemente não temos consciência dela. (120) - John Fiske

É fácil encontrar outros exemplos de afirmações que provavelmente são verdadeiras, mas que são impossíveis de provar. O truque principal é encontrar uma sequência infinita de acontecimentos, cada um dos quais possa ocorrer por acidente, mas com uma pequena probabilidade total de ocorrer um só deles sequer. Então, a afirmação que nenhum dos acontecimentos chega a ocorrer é provavelmente verdadeira, mas não pode ser provada. (115) - Freeman Dyso

Acredito, em primeiro lugar, que todas as pessoas partilham os mesmos e fundamentais conceitos, valores, preocupações e compromissos, apesar das diferentes línguas, religiões, práticas sociais e crenças que professam. (101) - Elizabeth Spelke

O Mundo na Era da Globalização



Anthony Giddens, (200). O Mundo na Era da Globalização. Lisboa: Presença

Editorial Presença | O Mundo na Era da Globalização

O que é que significa viver num mundo globalizado? Quais as reais consequências da globalização? Como é que este conceito evoluiu e se implantou como visão domimante do mundo? Esta obra não pretende responder de forma final a estas questões. Estas respostas, e as novas questões que se levantam na nova sociedade global e acelarada, estão em construção. Caberá aos futuros historiadores fazer sentido das visões díspares, dos arrepios de medo e dos laivos de esperança que se manifestam quando falamos de globalização.

Nesta curta mas incisiva obra Giddens traça um retrato das transformações que se vivem à escala global. A análise é feita com sobriedade, recordando-nos que um futuro em constante acelaração depressa se desmorona se não estiver alicerçado num continuum de evolução histórica. Globalização pode ser a palavra do momento, mas não será certamente a última palavra da história humana. E não é uma ideia tão recente quanto isso - podemos discutir se nos tempos do império romano, com rotas de comércio a ligar a àsia à europa o mundo já não era globalizado. O que mudou, graças à tecnologia, foi a velocidade a que as ideias e os bens se movem e propagam. É aqui que reside a força transformadora da globalização: numa rapidez quase instantânea que liga as partes mais distantes do planeta.

Neste cenário, os valores tradicionais são abalados até ao cerne. Sob constante bombardeamento de novas ideias e novos valores, os valores tradicionais encontram-se em mutação acelarada. Os valores não são, nunca foram, imutáveis. Mas mudanças que demoraram séculos operam-se hoje em décadas ou anos. Nós não estamos preparados para essa fluidez de pensamento, sentimos a mutação como uma ameaça e refugiamo-nos na segurança da tradição. Cai aqui o espectro do fundamentalismo, essa visão restrita do mundo, que vê a tradiação não como o que ela realmente é, mas como um valor monolítico, um baluarte contra a incerteza inquietante.

Os factores económicos não ajudam. A globalização, a este nível, caracteriza-se por um tremendo ressurgir de injustiças e uma enorme volatilidade económica. Os neoliberalismos reverenciam o mercado livre sem restrições, mesmo que a mão invisível se esfume em vapores de depressão económica. Não que seja possível, nem desejável, um regresso aos modelos económicos fechados, mas será que o modelo sem restrições que acaba por resvalar na especulação financeira e na mão de obra barata é o mais eficaz modelo para uma economia global? Certamente que legiões de economistas, admiradores das multibilionárias façanhas financeiras dos movers and shakers da economia global, discordam deste ponto. Mas aqueles que vêem o seu emprego desaparecer em direcção à mão de obra barata, ficando apenas com retóricas sobre a necessidade de flexibilidade, são os primeiros a regredir até ao fundamentalismo. E é impossível negar-lhes razão.

Num mundo global, os problemas extravasam o nível local. Mais do que global, o mundo é realmente glocal - um fluxo entre o local e o global, de mútua influência. É um pouco como o bater de asas de uma borboleta em Nova York que provoca um tufão em Tóquio. O local interfere, e é interferido, com e pelo global. Neste quadro, as instituições políticas tradicionais, muitas das quais alicerçadas numa retórica cada vez mais vazia de conteúdos, estão ameaçadas pelo diluir da sua base ideológica, cada vez menos aplicável a um mundo em constante mudança. Aqui, a resposta, potenciada pela tecnologia, está nas redes de cidadãos, que cada vez mais se afirmam na àgora política como alternativa aos partidos tradicionais. São, no entanto, voláteis - formam-se de acordo com as necessidades dos individuos e esfumam-se ao fim de algum tempo, com Manuel Castells observou na obra A Galáxia Internet. Talvez não seja impossível antever os políticos de hoje, defensores da acérrimos da globalização, a juntarem-se aos campos mais fundamentalistas ao verem-se privados do seu poder e privilégios pelo emergir de novas formas de participação política possibilitadas pela globalização.

Em tudo isto, resta-nos uma certeza: a menos que a nossa civilização colapse debaixo de cataclismos ambientais, ou que as redes de comunicação global se paralisem por falta de energia, a nossa civilização deixou de ser um aglomerado de locais para se tornar um todo global. Para lá caminhamos, embora o caminho seja incerto. É natural; está ainda a ser construído. Não entendamos a globalização pelos seus sinais externos. O mundo global é algo mais do que sweatshops em Shenzen, ópio afegão, ritmos africanos nos sons londrinos, ou férias em destinos turísticos interligados por uma rede aeronáutica. As transformações que a nossa sociedade sofre estão a reestruturar a nossa visão do mundo.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

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Air.

Recortes

O fundamentalismo é a tradição encostada à parede. É a tradição que se defende à maneira tradicional - através da referência à validade do ritual - num mundo globalizante que exige conhecer as razões. Portanto, o fundamentalismo não tem nada a ver com o contexto das crenças, religiosas ou outras. O que interessa é a forma como a verdade das crenças é defendida ou afirmada. (55) - Anthony Giddens

The closest thing we have to a predictive model of human large-scale behavior is a science called economics, and economics teaches us that wealth-creation is maximized when the five-year plans, ten-year plans, and (one must assume) the thousand-year 'Seldon Plans' are ignored and free men and free markets are best left to muddle through on their own. - John C. Wright

Since the objects of imitation are men in action, and these men must be either of a higher or a lower type (for moral character mainly answers to these divisions, goodness and badness being the distinguishing marks of moral differences), it follows that we must represent men either as better than in real life, or as worse, or as they are. It is the same in painting. - Aristóteles

ASCII

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“                  ”

Cuidado, pode atacar.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

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Thinking too much can only cause problems. Bem dito. Arte urbana, a maravilhosa serendipidade do graffiti, a apropriação do urbanismo pela cultura de rua, ou aquilo que outros consideram paredes borradas. Há qualquer coisa de dadaísta neste acumular randomizado de tags, palavras-chave e stencils. Escadinhas da Madalena, Baixa de Lisboa.

Recortes

For one thing, modern civilization, with six billion people on the planet, lives on the tip of a gigantic complex of prosthetic devices – and all those devices have to work. - Kim Stanley Robinson

O risco refere-se a perigos calculados em função de possibilidades futuras. Só tem uso corrente numa sociedade orientada para o futuro, uma sociedade que vê o futuro precisamente como um território a ser conquistado ou colonizado. O risco implica a existência de uma sociedade que tenta activamente desligar-se do passado - na realidade, a primeira característica da civilização industrial da era moderna. (33) - Anthony Giddens

"The printing press hit tribal man like a hydrogen bomb. Now we've been blitzkrieged by TV." - Marshall McLuhan

The cynical way of viewing society and the world has real attractions. After all, contempt is the surest way to feel good about yourself. - David Brin

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

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Hiperreal.

Zooks!

BBC | Bamzooki



O muito aguardado jogo Spore de Will Wright, criador do jogo SimCity, vai permitir aos jogadores jogar desde o nível celular ao nível universal, fazendo evoluir criaturas desde o seu ADN elementar até à expansão de sociedades e civilizações. A premissa do jogo é fascinante: criar mundos virtuais, aplicar regras de evolução biológica, desenvolver sociedades. Para além do mecanismo de jogo, o Spore vai ainda permitir que cada utilizador crie livremente as suas criaturas e as insira no jogo. Com as actuais capacidades computacionais gráficas, esperem por um editor de criaturas que permita criar criaturas com aspecto e movimentos realistas. Infelizmente, a chegada do jogo ao mercado só está prevista lá para setembro, embora os criadores do jogo prometam que o editor de criaturas esteja disponível para download muito em breve.



Até lá, divirtam-se com os Zooks.

Zooks? Que coisa estranha é essa? Zooks são criaturas insectóides que podem ser criadas a partir de "peças" montadas à vontade do utilizador. O programa que permite criar Zooks, o Zook Kit, é intuitivo. É muito fácil criar um insecto: basta modelar o corpo, adicionar membros, e clicar na animação para ver como ele se movimenta... com resultados sempre surpreendentes.



Com este programa, criar vida virtual é muito divertido! Pode ser descarregado aqui: BBC | Bamzooki.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

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Nightfell.

Leituras

io9 | Top 5 ways to hack the surface of the Earth Pura ficção especulativa na coluna de Geoff Manaugh no io9: será que poderíamos dominar a tectónica para modificar o planeta?

Globe and Mail | Few pedophiles posing as youths online Um recente estudo aponta para padrões de comportamento desviante online que não se enquadram na imagem do pefófilo enquanto predador que finge ser uma criança na internet para levar a cabo as suas más intenções. O estudo não encontrou correlação entre jovens utilizadores de sites sociais e vítimas de predadores sexuais online, mas encontrou uma correlação entre jovens que utilizam mal sites sociais e apresentam comportamentos de risco, como procurar pornografia, ser violento online ou aceitar contactos de estranhos e vítimas de predadores sexuais.

Washington Post | HD DVD goes the way of the betamax E já temos vencedor na guerra dos novos formatos de DVD. O BluRay impôs-se no mercado. No entanto, será que esta "vitória" é significativa? Com a explosão dos serviços online e o disparo no aumento da capacidade de armazenamento flash, o dvd estará muito em breve tão desactualizado quanto a cassete. Ou a diskete.

Los Angeles Times | The "made in Italy" label: read the fine print Agruras da globalização: os produtos com marca italiana são realmente manufacturados em sweatshops chinesas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

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High flyin'.

Leituras

Los Angeles Times | Paris exhibits a children's guide to sex Cada vez mais a educação sexual se impõe como tema a abordar por pais e professores. Nobres intenções, fácil de dizer, difícil de implantar: no terreno, a influência dos tabus e a preparação pessoal de cada um prejudica a abordagem destes temas.

BBC | Machines to match man by 2029 De acordo com Ray Kurzweil, as máquinas poderão muito em breve atingir inteligência e capacidades semelhantes às humanas. Quem já viu humanos a degladiar-se com ferramentas informáticas suspeita que algumas máquinas já desenvolveram algumas formas de inteligência e estão muito caladinhas, a brincar com aqueles montes de carne que pensam que as comandam...

Finantial Times | Oil reaches record above $100 Agora é oficial. Da primeira vez foi pura especulação, mas agora o preço do petróleo instalou-se confortavelmente no patamar dos cem dólares.

Wired | Negroponte: Electronics are obese De acordo com Nicholas Negroponte, fundador do MediaLab do MIT e do projecto OLPC, a computação hoje em dia sofre de excesso de peso, quer no hardware quer no software. A razão está no constante ciclo de inovação e queda de preços, que leva os fabricantes a criarem canivetes suíços digitais, cheios de ferramentas que na sua maior parte não são utilizadas, para tentarem criar valor acrescentado e resistirem ao ciclo de depreciação do preço do hardware.

Finantial Times | The next crisis will be over food Começa a notar-se uma tendência preocupante nos mercados. Os preços dos bens básicos estão a disparar. Se o petróleo a preço elevado provoca crises económicas, a constante subida dos preços do trigo e de outros bens alimentares está a preocupar sériamente os analistas económicos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

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Remake.

Recortes

A resposta é simples: a pergunta está errada. Não há nenhum "ali" ali; só há a aparência do "ali", porque estou a tentar mostrar-se aquilo que por definição não existe. (182) - Frederik Pohl, Os Anais dos Heechee

O nosso mito dominante da infância é o de que ela é, ou deveria ser, no plano ideal, um período de naturalidade e de liberdade. As cidades São normalmente vistas como criações antinaturais, artificiais, que proporcionam às crianças um ambiente limitado. Existe na nossa cultura uma crença generalizada de que o campo é o lugar próprio para as crianças. Podemos comparar estes mitos com outros de épocas diferentes. Por exemplo, na época Isabelina, a criança era vista como um adulto incompleto; no tempo de Augusto, considerava-se o campo como não civilizado - os valores humanos estavam nas cidades civilizadas, e o campo tinha que ser visto como pastoral, isto é, tinha que ser tomado acessível à compreensão urbana. (122) - John Fiske, Introdução ao Estudo da Comunicação

Se as memórias são armazenadas como alterações nas moléculas dentro das células do cérebro - moléculas que estão constantemente a ser substituídas -, como pode uma memória permanecer estável ao longo de 50 anos? (128) - Terrence Sejnowski

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

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Paisagem virtual.

Recorte

Há um mito de que as mulheres são "naturalmente" mais dedicadas e atentas do que os homens e que, por isso, o seu lugar natural é em casa, a criar filhos e a tratar do marido, enquanto este, também "naturalmente", é claro, desempenha o papel de ganha-pão. Estes papéis estruturam depois a unidade social mais "natural" de todas: a família. Ao apresentar estas significações como pertencendo à natureza, o mito disfarça a sua origem histórica, uni versalizando-as e fazendo-as parecer não só imutáveis como justas: faz com que elas pareçam servir, de modo idêntico, os interesses dos homens e das mulheres e, como tal, oculta o seu efeito político. .

A história que estes mitos transformam em natureza conta uma narrativa bem diferente. Estas significações de masculinidade e de feminilidade desenvolveram-se para servir os interesses do homem burguês no capitalismo cresceram para conferir determinado sentido às condições sociais produzidas pela industrialização do século XIX. Estas exigiam que os trabalhadores abandonassem as suas comunidades rurais tradicionais e se mudassem para as novas cidades, onde viviam em casas e ruas destinadas a alojar o maior número possível de pessoas, ao mais baixo custo. As relações familiares alargadas e comunitárias da aldeia tradicional ficaram para trás e foi criada a fanu1ia nuclear, constituída por marido, mulher e filhos. As condições de trabalho nas fábricas implicavam que as crianças não pudessem acompanhar os pais, como acontecia no trabalho rural, e isso, juntamente com a ausência da faIll11ia alargada, significava que as mulheres tinham que ficar em casa enquanto os homens faziam o "verdadeiro" trabalho e ganhavam o dinheiro. As cadeias de conceitos que constituíam os mitos relacionados de masculinidade, feminilidade e família proliferaram, mas não ao acaso, ou naturalmente: serviram sempre os interesses do sistema económico e da classe que ele favorecia - os homens da classe média. Este sistema exigia que a feminilidade adquirisse as significações "naturais" da dedicação, da domesticidade, da sensibilidade e da necessidade de protecção, enquanto que a masculinidade recebia sentidos de força, de determinação, de independência e de capacidade para actuar em público. Por isso parece natural quando, de facto, é um fenómeno histórico, que os homens ocupem um número enormemente desproporcionado de cargos públicos na nossa sociedade. (122-123)
John Fiske, Introdução ao Estudo da Comunicação

Leituras

Business Week | So i married an avatar Fará ainda sentido falar de uma realidade real em oposição a uma realidade virtual, quando cada vez mais consideramos a nossa vida no espaço virtual tão frutuosa e recompensadora como a vida real? Talvez estejamos a evoluir para uma nova forma de conceber a realidade, em que o virtual se integra no real.

Los Angeles Times | Wary of a free Kosovo A independência do Kosovo não causa dissabores apenas à Sérvia e à Rússia. Alguns estados europeus, a braços com movimentos independistas locais, vêem com apreensão este "mau" exemplo, que está a ser saudado pelos representantes de movimentos independentistas tão ecléticos como os do País Basco, da Catalunha ou da Flandres.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

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Square to be hip.

Livros Digitais


ebook reader

Diz-se que a internet e as novas tecnologias estão a relegar o livro e a leitura para segundo plano. Pessoalmente, discordo. O tempo passado online e os jogos de computador competem com os livros no cada vez menos tempo que vamos tendo disponível, mas a internet e as tecnologias estão a abrir novos caminhos de leitura. Se o ecrã de um computador não é o meio mais ideal para ler um livro, os pdas, os leitores de ebooks com o eBook reader da sony e o Kindle da Amazon, e até mesmo o telemóvel permitem ler, ler cada vez mais e em qualquer lugar. Não nos dão aquela sensação táctil do folhear as páginas, nem aquele cheirinho do papel, mas permitem ter no bolso autênticas bibliotecas e ler obras que já não estão publicadas em papel, que caíram no esquecimento, ou que não se encontram nas livrarias portuguesas.


kindle

Aqui ficam hiperligações para alguns sites onde podem ser descarregados livros, de forma perfeitamente legal:

Projecto Gutenberg É o venerável pai das bibliotecas online. Desde a década de 90 que este projecto se dedica a digitalizar obras, disponibilizando-as na internet gratuitamente em texto simples, rtf ou html. Já ultrapassaram há muito a marca dos 10.000 livros. Tem livros publicados nas mais diversas línguas, incluíndo o português.

The Online Books Page Outro venerável site, que não é tanto uma biblioteca online, mas sim um agregador de hiperligações para livros online. Permite pesquisas e está organizado segundo o catálogo de Dewey, para facilitar as pesquisas.

Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa Especializada em autores lusófonos, dos clássicos aos mais recentes.

Scribd Um conceito web 2.0: o Scribd permite a qualquer utilizador colocar online os seus documentos, em qualquer formato. Encontra-se de tudo, desde banda desenhada a trabalhos de investigação.

Issuu Um passo à frente sobre o Scribd: este site converte ficheiros em pdf, permitindo a leitura online com um leitor de livros em flash elegante, que captura a sensação de virar as páginas e folhear as obras. A explorar.

A Ficção Científica encontra-se bem representada na rede, com sites como o Infinity Plus, Free Speculative Fiction Online e a Baen Free Library. Para alguns arrepios clássicos, o Literary Gothic arquiva obras ligadas ao fantástico de autores do século XIX.


livros electrónicos num smartphone

Querem mais? Pesquisem no vosso motor de busca favorito pelo termo e-books e descubram como a internet pode ser um espaço de refúgio para o livro.

Como ler todas estas obras? Isso ficará para um outro post, dedicado a software para pc, pda e smartphone que nos permite ler livros electrónicos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

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Lost in Space.

Flash Toy

A tecnologia Flash serve para muito mais do que criar jogos e animações. É possível criar interfaces e aplicações através desta tecnologia, permitindo disponibilizar na internet programas que o paradigma computacional tradicional só imagina no computador. Um desses programas acessível por qualquer browser compatível com Flash é este criador de retratos, que permite escolher entre dezenas de modelos de elementos do rosto para criar retratos. É uma forma diferente de abordar um dos trabalhos que se realiza na aula de Educação Visual e Tecnológica, o estudo do rosto, brincando com os elementos gráficos do rosto como peças de um puzzle. O interface gráfico da aplicação, muito low fi, dá também uma curiosa sensação de retrato de polícia científica.

Leituras

The seven most controversial games A influência dos jogos sobre o desenvolvimento psicológico e ético da criança é um debate complexo, dividido em dois campos que pelo bom senso ambos têm razão: o de que os jogos apresentam uma influência decisiva sobre o desenvolvimento da mentalidade, e o de que os jogos são precisamente isso, jogos, podendo os jogos violentos funcionar como catarse e fantasia, exprimindo emoções mais tenebrosoas mas sem modificar o perfil ético da criança. O encontrar de provas científicas que estabeleçam de forma decisiva qual a real influência dos jogos é um processo inconclusivo. E, de qualquer forma, esta história da influência mediática sobre o comportamento já vem de longa data. Nos primórdios do século XIX Goethe viu o seu romance Werther proibido por influênciar os jovens da época ao suicídio. Esta página não vai tão longe, antes apresenta alguns jogos que quando foram publicados levantaram muita sobrancelha e provocaram acaloradas discussões, e que anos após toda a celeuma nos parecem apenas ridículos.

Los Angeles Times | On a bus going nowhere in Cairo Retrato angustiante do Egipto contemporâneo, onde o crescimento económico só beneficia a élite ligada ao governo anquilosado de Mubarak, onde a classe média luta pela sobrevivência por entre salários irrisórios e inflação galopante. A esperança no futuro é cada vez menor.

Globe and Mail | Mobile industry sees new security risks A cada vez maior potência e abrangência do telemóvel está a criar riscos de segurança. Os vírus estão a sair do terreno do computador para começar a atingir os telemóveis. A solução, de acordo com os responsáveis da indústria? Manter os sistemas operativos fechados, recusando as iniciativas que estão a desenvolver o software de fonte aberta para telemóveis. É uma boa desculpa para defender o software proprietário, que permite às empresas de telemóveis cobrar o que quiserem e controlar à sua vontade os seus utilizadores.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

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Uma experiência. Não fiquei muito contente com o resultado.

Leituras

Io9 | Welcome to the Culture O Io9, sempre a oscilar entre a banalidade e o interessante, traça um longo perfil do universo ficcional de Iain Banks.

BBC | Five-seat concept car runs on air E quem é que disse que um automóvel não pode funcionar a ar? Neste caso, ar comprimido, que accionaria o motor do veículo.

How to speed read on the web Útil, muito útil: dicas sobre as melhores técnicas para leitura diagonal na internet. Particularmente interessante para ler eficazmente as toneladas de posts que o google reader agrega.

Gabinete de Curiosidades O meu novo blog, criado específicamente para a cadeira de Tecnologias de Aprendizagem Colaborativa, focalizado sobre vida digital e tecnologias com uso educacional.

Inkscape


(imagem de minivla)

Uma das formas de utilizar o computador enquanto ferramenta de desenho é o desenho vectorial. Esta é uma forma de desenhar utilizando formas matemáticas (nós, linhas, figuras geométricas) com uma enorme liberdade de escalabilidade. Um desenho vectorial pode ser ampliado com muita facilidade para o tamanho que se quiser sem perda de qualidade de imagem.

Os programas de desenho vectorial, dos quais os mais conhecidos são o Corel Draw e o Adobe Illustrator são potentes softwares de desenho que desafiam a imaginação a encontrar os seus limites. O desenho vectorial é uma técnica que permite resultados que vão desde o fotorealismo à abstração expressiva. Infelizmente, estes programas são caros e difíceis de dominar.

Disponivel para Linux e portado para o Windows, o Inkscape é um programa de desenho vectorial ainda em fase de desenvolvimento que apesar de ainda não ser capaz de substituir os programas mais tradicionais em uso profissional apresenta já um impressionante conjunto de funcionalidades. O Inkscape é fácil de utilizar, exporta imagens em vários formatos, trabalha com o formato .svg, legível pelos browsers, é divertido e... tem custo zero.

O DeviantArt tem imagens arrebatadoras criadas em Inkscape. Esta imagem de uma borboleta foi criada por uma criança de 12 anos, o que mostra como é fácil utilizar este programa. Está disponível para download em Inkscape.org com versões para Windows, Mac e Linux.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

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... mudei... a iluminação...

Leituras

Globe and Mail | Chain of fools A internet veio dar novo fôlego às cartas em cadeia, aquelas missivas a ameaçar os piores males ou as mais singelas recompensas àqueles que reencaminharem a carta a mais de dez pessoas. Um conceito perfeito para o sistema de email, que facilita o reencaminhar de mensagens. No entanto, qual o efeito psicológico que nos leva a reagir perante uma mensagem flagrantemente ridícula, considerando-a importante e reencaminhando-a?

BBC | Columbus docks with space station Após alguns meses de espera, o módulo europeu Columbus está finalmente ligado à Estação Espacial Internacional.

BBC | Mobile goes modular for features Farto daqueles telemóveis que têm tudo menos aquilo que é realmente preciso? A firma israelita Modus lançou um novo conceito de telemóvel - um equipamento modular que permite o adicionar de módulos à vontade do utilizador. Interessante, mas aquilo que realmente parece estar a aquecer no mundo dos telemóveis são o que se passa com o desenvolvimento do android da Google e a aplicação ao sistema operativo symbian série 60 de sistemas de controle táctil similares aos do iphone que a Nokia está a desenvolver.

Los Angeles Times | Four 19th century masterpieces stolen in Zurich Esta notícia de um assalto rocambolesco à mão armada parece saído do enredo de um filme de acção. Do museu de Zurique desapareceram quadros de Cézanne, Degas, Van Gogh e Monet.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ofensas



O poder de uma imagem... este cartoon de J.J. McCullough, jovem cartoonista canadiano, sublinha bem os paradoxos do fundamentalismo, na sua versão muçulmana.

Este emergir do fundamentalismo apresenta dois problemas: um, mais óbvio, é o da violência da imposição de um ponto de vista, catalizada nas revoltantes imagens dos bombistas suicidas, nas palavras virulentas de líderes religiosos, e na cegueira dos zelotas, capazes de tudo para imporem a sua visão de pureza religiosa; outro, está na reacção das sociedades ocidentais, com a sua tradição de liberdade e democracia, à ameaça do fundamentalismo, que já leva intelectuais de renome a falar de se pôr um fim no multiculturalismo e na tolerância (conclusão de Zizek em Bem Vindo ao Deserto do Real, em nome da segurança e do combate ideológico contra os que se aproveitam da tolerância para impôr a intolerância, sem esquecer o mais imediato perigo de ameaças directas às liberdades indviduais em nome do combate ao terrorismo.

Colapsará a nossa sociedade científica e democrática em direcção a sharias ou interpretações literais da bíblia? Reverteremos à intolerância para defender a liberdade (que doloroso paradoxo)? Aboliremos a liberdade individual para defender a cultura de liberdade e democracia?

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Red blues.

Shaun of the Dead



IMDB | Shaun of the Dead

Um filme às voltas com zombies é à partida um tipo de filme que não se leva muito a sério. Perante as hordes apocalípticas de monstros putrefactos em busca de uma dentada de carne viva, a garaglahda é inevitável. Se os melhores filmes do género podem ser acusados com alguma justiça de pretensões à metáfora social, os piores filmes ficam-se por um carinhoso ridículo típico do cinema de série B. É difícil não largar uma boa gargalhada com um bom filme deste género, particularmente se não se for muito sensível ao gore que reina nestes filmes.

Há pérolas imperdíveis neste género, como o padre karateca de Bad Taste de Peter Jackson, que combate zombies com golpes certeiros enquanto profere as imortais palavras i kick ass for the lord, ou o zombie motard de Return of the Living Dead. Um bom mau filme tem sempre um certo encanto.

Shaun of the Dead pretende trilhar novo terreno. Assume o ridículo deste género cinematográfico, posicionando-se como uma comédia de terror zombie. Apocalipse light, efeitos especiais sangrentos redux. Como conceito, é uma ideia interessante.

Shaun, o herói de Shaun of the Dead vive parado numa pós-adolescência, empregado num trabalho sem futuro e mais interessado numa rotina de noites passadas no pub com o melhor amigo do que em assumir uma vida mais responsável. A namorada não está pelos ajustes, e termina a relação com Shaun, que celebra o acontecimento com uma tremenda bebedeira. No dia seguinte, debaixo de uma monumental ressaca, Shaun tem de enfrentar o apocalipse: os mortos regressam à vida, e Londres torna-se palco de uma invasão de zombies.

Há várias sub-leituras de Shaun of the Dead. Por detrás da comédia com zombies à mistura, há um comentário à monotonia da vida urbana, que trasnforma as pessoas em verdadeiros zombies. Podemos também entender o estilo de vida de Shaun e dos amigos como uma reacção à falta de esperança que afecta os jovens adultos, presos a pespectivas de sucesso diminutas, que num cenário de cada vez maior imutabilidade se refugiam nas consolas para sentirem que estão a fazer algo de interessante na vida.

O problema é que Shaun of the Dead é um filme que sofre do efeito de excesso de conteúdos. O que poderia ser uma simpática comédia sangrenta, com retoques de film noir, colapsa debaixo do peso de comédia romântica pop com pretensões de crítica social. Shaun of the Dead é mais do que um filme de zombies, é um filme zombie, indeciso sobre as direcções onde quer avançar. Há piadas brilhantes que se perdem no meio da inconsistência do filme. De qualquer forma, como comédia de terror, este filme é vastamente mais interessante do que cretinices como o asinino Scary Movie, cujo elemento mais assustador é o ter sido realizado... e encontrar público disposto a assistir a um assalto à inteligência.

Shaun of the Dead vale pelo carinho com que trata as referências à cinematografia do género, algumas mais óbvias aos clássicos de George Romero, outras, como uma piada muito rebuscada sobre jantar no restaurante Fulci, são entendidas só pelos conhecedores mais fanáticos do género. Não sendo um filme essencial, também não merece o esquecimento.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

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Recortes

A nossa época evoluiu sob o impacte da ciência, da tecnologia e do pensamento racionalista, que tiveram origem na Europa setecentista e oitocentista. A cultura industrial do Ocidente foi moldada pelas ideias do Iluminismo, pelos escritos de pensadores que rejeitaram a influência da religião e do dogma, e que, na prática, queriam substituí-los por formas mais racionais de encarar a vida. (15)

Contudo, o mundo em que agora vivemos não se parece muito com aquele que foi previsto, nem o vemos como tal. Em vez de estar cada vez mais dominado por nós, parece totalmente descontrolado - um mundo virado do avesso. Além disso, algumas das razões que levaram o homem a pensar que a vida se tornaria mais estável e previsível, incluíndo os progressos da ciência e da tecnologia, tiveram por vezes efeitos totalmente opostos.(16)

O século XXI será o campo de batalha em que o fundamentalismo se vai defrontar com a tolerância cosmopolita. Num mundo em processo de globalização, em que a transmissão de imagens através de todo o globo se tornou rotineira, estamos todos em contacto regular com outros que pensam de maneira diferente, que vivem de maneira diferente. Os cosmopolitas louvam e adoptam esta complexidade cultural. Os fundamentalistas consideram-na perturbadora e perigosa. Quer se trate de religião, de identidade étnica ou de nacionalismo, refugiam-se numa tradição renovada e purificada, e, quantas vezes também, na violência. - Anthony Giddens (18), O Mundo na Era da Globalização

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Googlices

Já me habituei a encontrar as mais estranhas bizarrias ao consultar os serviços que analisam os logs de acesso e disponibilizam essa pornografia informativa naqueles momentos em que olhamos para o blog ao pormenor. É prática comum de todos os autores de blogs, suponho, supreenderem-se, sorrirem ou coçarem a cabeça de estupefacção com os termos de pesquisa que trazem leitores aos seus blogs. O puro surrealismo desta espécie de pensamentos de mente colectiva, registados através dos termos de pesquisa, é por vezes avassalador.

Ou então um puro voo de imaginação, como este sonhei com uma gigantesca cidade à beira- mar com obras monumentais e coloridas.

Que frase tão bela!

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Pura segundafeirite aguda.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

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Planando.

Recortes

Este novo espaço com áreas de privacidade - um novo mundo virtual ou mundo mediatizado - é um suporte aos processos cognitivos, sociais e afectivos, os quais efectuam a transmutação da rede de tecnologia electrónica e telecomunicações em espaço social povoado por seres que (re)constroem as suas identidades e os seus laços sociais nesse novo contexto comunicacional. Geram uma teia de sociabilidade que suscitam novos valores. Estes novos valores, por sua vez, reforçam as novas sociabilidades. Esta dialética é geradora de novas práticas culturais. - Lídia Silva, A Internet - A geração de um novo espaço antropológico

Talvez até a ideia de comunidade não esteja enfraquecida e apenas estejamos a passar por uma fase transitória em que essa ideia, e respectivo sentimento associado, estejam a sofrer um processo de metamorfose. - Lídia Silva A Internet - A geração de um novo espaço antropológico

O acesso à Internet e às tecnologias digitais em geral está a desmaterializar-se, provocando uma revolução semelhante à que o telemóvel gerou na comunicação oral. A sobreposição dos vários meios de comunicação que se dava no lar, nomadiza-se, tornando-se um permanente anywhere just in time ligado à presença física do nosso corpo e não apenas ao lugar onde chega o cabo de ligação. - Gustavo Cardoso et al, Do Multimedia ao Wireless: As Dietas Mediáticas dos Portugueses

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Recortes

The development of the Ironclad therefore created a signalling problem exactly as the development of the railway had; and just as the telegraph began as a solution to the railway's problem, so the wirelesse telegraph began as a solution to the ironclad's.
Brian Winston (71)

Uniqueness does not of itself automatically overcome inertia - industrial conservatism and commercial penny-pinching.
Brian Winston (72)
Media Technology and Society

This, of course, is pure rear-view mirrorism, seeing the old environment in the mirror of the new one while ignoring the nwe one.
Marshall McLuhan (18)
War and Peace in the Global Village

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Scary



A imagem mais assustadora do dia. Tem de ser vista no seu devido contexto para se perceber até que ponto é assustadora. Os fundamentalismos, sejam de que ordem forem, estão a tornar-se uma questão cada vez mais premente.

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Iris.

Comic

Um exemplo alternativo do aumento de complexidade da cultura popular/de massas apontado por Steve Johnson, gostaria de apontar o comic. Durante muito tempo considerado como a menos interessante das vertentes da banda desenhada, o comic transformou-se num produto cultural complexo, atingindo, nos melhores casos, o estatuto de culto precisamente graças à sua complexidade.

É fácil comparar esta evolução, uma vez que o género vive da reciclagem das personagens. Comparar um título clássico dos anos 50 ou 60 com o mesmo título na actualidade permite-nos perceber como é que o género se tornou mais desafiante, apelativo e complexo. Da simplicidade dualista e do grafismo estático evoluiu para uma complexidade quase bizantina, embora mantenha o dualismo, e para um grafismo altamente dinâmico. E isso deve-se à conjugação de dois factores - novas gerações de artistas e argumentistas que queriam fazer evoluir o campo com as necessidades das empresas, de sobrevivência numa paisagem mediática de entretenimento de massas cada vez mais saturada pelo surgir da televisão, do video, dos video-jogos e mais recentemente da internet.

Um dos melhores exemplos é o comic The Sandman, sob argumento de Neil Gaiman, que fez evoluir o personagem ao longo de sessenta edições através de uma complexa teia de pequenas histórias repletas de alusões a outros formatos culturais (de Shakespeare a Cole Porter). O autor criou um todo coerente a partir de um mosaico de interligações que só se tornam aparentes em leituras posteriores.

Ilustra o que Johnson refere no seu livro Tudo o que é mau faz bem como a "sensação de que a cultura popular não está presa a uma espiral descendente de deterioração dos padrões", tornando-se mais desafiante e complexa, e por isso mais interessante.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

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Um pouquinho similar ao logotipo de uma petrolífera que se pretende reinventar como uma empresa "verde". Mas não foi intencional. Estrela programada em logo (Elica) e cores no Gimp.

O Mundo Digital



Vittorino Andreoli (2007). O Mundo Digital. Lisboa: Presença.

Editorial Presença | O Mundo Digital

Alguns ainda se lembram dos tempos em que um telemóvel era um acessório de necessidade duvidosa, um equipamento que servia para pouco mais do que falar sem estar preso a fios. De objecto ridicularizado e apontado como inútil, o telemóvel tornou-se indispensável. As suas funções evoluíram de tal forma que a sua funcionalidade básica, de conversa telefónica, é uma das menos importantes nos cada vez mais avançados telemóveis, que se estão a tornar autênticos computadores de bolso.

Recorde-se que quando os telemóveis começaram a massificar-se em Portugal, a publicidade assentava na ideia de estar contactável em qualquer lado, simbolizada pelo célebre anúncio do "tou xim", em que um pastor isolado no meio das serranias atendia o então novíssimo telemóvel no meio das ovelhas. Hoje, com taxas de penetração a ultrapassar os cem por cento, a tónica está na ideia de comunicação e comunidade, anunciando-se os telemóveis pelas suas qualidades como leitores de música ou dispositivos de comunicação móvel capazes de colocar a internet na palma das mãos.

Quais serão as implicações da penetração desta tecnologia, deste aparelho, na sociedade contemporânea? Andreoli não entra por uma via analítica, preferindo analisar estes impactos de uma forma quase metafísica. A sua preocupação está no analisar do impacto do aparelho nas relações humanas e na percepção que cada um tem da sua personalida, bem como as repercussões sociais destas alterações. Apesar de fascinado pela máquina, Andreoli é crítico das consequências do seu uso, que equaciona com um deteriorar da qualidade humana das relações, do sentido do toque. Autocentrados no telemóvel, isolamo-nos, recusamos um equilíbrio entre os nossos instintos, desejos e necessidades os requisitos de uma vida em sociedade. A personalidade fragmenta-se.

Ao contrário de outros autores que analisam os novos media observando as mudanças que estes estão a provocar como algo de benéfico - veja-se Kerckhove e o seu quase messianismo digital ou Turkle e o seu abraçar pós-modernista do fragmentar de personalidades e da multiplicidade de pontos de vista, Andreoli parece olhar para tempos mais conservadores. Apesar de defender o telemóvel, olha com preocupação para as alterações no modo de viver humano que observa. Vai mais longe nesta linha de pensamento que Virilio, autor que aceita o progresso tecnológico sob uma perspectiva de compreensão que as mudanças têm sempre aspectos positivos e negativos.

Sabemos que estamos a mudar, mas temos dificuldade em aceitar que essas mudanças não se operam apenas ao nível externo da tecnologia, que a tecnologia também nos muda no nosso interior. Uma questão que esteve sempre presente na história da humanidade, em que cada nova tecnologia trouxe consigo o aniquilar de anteriores estruturas sociais pensadas de acordo com outras tecnologias. Mas estas mudanças, que durante séculos foram lentas - como a mudança do nomadismo para o sedentarismo, baseada nas novas tecnologias agrícolas, medem-se agora em décadas ou anos. No início do século XX o automóvel ameaçava uma sociedade pensada para as carroças e para os cavalos; nos ajustes macroeconómicos, muitos foram aniquilados, e outros prosperaram. A sociedade, na sua globalidade, avançou, e as antigas estruturas tornaram-se pálida memória. Outros exemplos poderiam ser analisados. Mas é um facto que a nossa tecnologia, de avanço cada vez mais acelarado, está a transformar radicalmente a sociedade através da transformação dos individuos, criando novas necessidades, abrindo novos horizontes.

Compreende-se o medo do autismo tecnológico, à luz de uma certa visão mais calorosa de humanidade. Mas a sociedade evolui, as percepções mudam. Considerar benéfico ou danoso é um juízo de valor alicerçado em modos de pensar que não compreendem a força do novo. O futuro é sempre... diferente.

Apesar de pertinente, esta obra de Andreoli cai numa certa filosofia light, apoiada numa prosa metafísica onde ideias por vezes desconexas se entrecortam e bifurcam. É um livro altamente recomendável àqueles que gostam de, com mais, ou menos, ou semelhante, amor às palavras, ler longas frases, vastamente, ou então nem por isso, entrecortadas por vírgulas, que dificultam, a, leitura, ou, então, sugerem voos, desvios, pensamentos díspares que se envolvem na prosa do, autor. Ou então sou eu que já não consigo ler certos modos de pensar. Serei autista tecnológico? Deixem-me só ir ver ali uma coisa no telemóvel e já vos digo...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

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Toyland.

Leituras

Guardian | The great fuel folly Com as petrolíferas a relatar lucros recorde, na ordem dos milhares de milhão de euros, um outro dado crucial não está a ter a devida atenção: apesar dos lucros cada vez mais elevados, as maiores petrolíferas não estão a aumentar a sua produção. A produção mundial parece ter estabilizado nos 80 milhões de barris por dia, mas as projecções económicas apontam para necessidades num futuro próximo de entre 100 a 115 milhões de barris. Estar-se-á a atingir o chamado pico de produção de petróleo?

BBC | Climate set for sudden shifts O aquecimento global e as mudanças climatéricas são altamente preocupantes, mas ao menos o processo será gradual, certo? Nem por isso, como revelam alguns estudos recentes. A alteração radical dos padrões climatéricos levará a uma imprevisibilidade que se traduzirá em alterações súbitas.

Guardian | Iran claims space rocket launch O Irão, potência espacial? O recente teste de um foguetão com alegadas capacidades de colocar satélites em órbita poderá ser o sinal de entrada de mais um competidor na corrida ao espaço. Por outro lado, um foguetão com capacidades orbitais é também um míssil balístico de longo alcance, o que está mais em linha com as ambições militares iranianas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

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Máscara.

Leituras

Guardian | Our media have become mass producers of distortion Os efeitos conjugados de um ritmo em constante acelaração com as pressões económicas dos grupos financeiros estão a levar a uma notória degradação dos media noticiosos. Nos media mais populares, a superficialidade, a trivialidade e o sensacionalismo sobrepõem-se à seriedade, à isenção e à análise aprofundada.

Washington Post | Can education research save us? Ah, as ciências de educação... soporífera é o menos que se pode apelidar a coisa. No entanto, não é irrelevante: neste mundo em constante mutação, com as exigências sociais a modificarem as necessidades de formação, a investigação em educação é essencial para se compreender as necessidades do sistema, as características dos alunos e as formas de mutação do sistema.

(Aqui resmungo também pela experiência própria. Muitas das investigações neste domínio fazem questão de ser apresentadas de forma perfeitamente entediante. Como comentou Doris Lessing, ao receber o prémio nobel da literatura, é uma pena que ideias interessantes e importantes para a nossa compreensão do mundo em que vivemos sejam apresentadas de forma tão hermética. Por outro lado, também não será boa ideia cair em exageros. A metodologia científica tem as suas normas e condicionantes. O populismo facilitista não é uma boa perspectiva.)

BBC | Beatles hit to be played in space É o tipo de notícia que suscita reacções ambíguas: fantástico, os potenciais alienígenas residentes nas imediações da estrela Polaris vão poder ouvir canções da melhor banda do mundo. Ou então, coitados, pobres prováveis alienígenas, que irão tremer de terror perante os ruídos atrozes dos quatro fabulosos de liverpool...

(Pergunta rápida: a estrela Polaris é mais conhecida como estrela do...?)

BBC | EU should ban inefficient cars É uma ideia pertinente, o proibir da venda de automóveis inecificientes no consumo de combustível e emissões de CO2. O que surpreende é o quadrante de onde originou: a sugestão partiu de um ex-presidente de uma petrolífera.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

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Laços.

Recortes

Tem-se vontade de invocar regras morais, mas elas não constituem qualquer garantia numa época em que se fala de ética, de comissões de ética e de controlo e sanções, mas em que todos são desonestos. - Vittorio Andreoli

Science fiction has included a lot of speculations that look like predictions, and some of them have come to pass, most spectacularly spaceships and atomic power and bombs, but prediction is a side effect of creating plausible scenarios about future change, not its intent. SF has been more important as a means of persuading readers to think about issues and the ways in which they might develop and how that might affect the human condition. - James Gunn

domingo, 3 de fevereiro de 2008

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Para cá do espelho.

Ciência artística

Nas consultas à ERIC econtrei um artigo sobre tecnologia e educação artística que faz uma afirmação curiosa.

Mayo (2007:48) afirma que "artists, like researchers, create new knowledge through studio practice". Poderemos então afirmar que a prática artística é uma forma de investigação científica?

Os artistas visuais, gráficos, plásticos e digitais fazem continuamente evoluir as percepções estéticas e os conhecimentos técnicos através do seu trabalho em atelier. Mas fazem-no obedecendo a critérios intuitivos baseados na sua sensibilidade. Os artistas desenvolvem continuamente novas técnicas de trabalho, estratégias que são replicáveis, truques de domínio técnico.

Mas não o fazem segundo critérios bem definidos. Quando se elabora uma obra, que nos poderá levar a encontrar novas técnicas de trabalho (algo muito pertinente na new media art), não se definem metodologias de definição de problemas específicos, analisando as fases de definição de um problema. Pode ser colocada uma hipótese, mas não com o rigor e profundidade que é norma no método científico. Não é estabelecido um plano de investigação.

Outros critérios ligados à essência do que é conhecimento científico também não se aplicam, particularmente a racionalidade, o ser sistemático (antes, é uma manta de retalhos de experiências artísticas) e metódico, embora possa ser replicável, e é sempre empírico e cumulativo. As questões ligadas à credibilidade também não estão asseguradas. Podemos, talvez, falar de validade externa se pensarmos que os resultados de um trabalho artístico são geralmente generalizáveis no que respeita às técnicas. Mas as metodologias de trabalho não obdecem aos critérios que garantem a credibilidade da investigação.

Perdoem-me esta estranha comparação, mas creio que Mayo apontou uma questão pertinente relativa ao papel do artista na investigação de novas práticas, que podem ser adaptadas ao contexto educativo do ensino artístico, o meu campo de actuação profissional. Não estou a querer afirmar que o trabalho artístico pretende obter conhecimento científico. Servi-me deste exemplo, de forma descontextualizada, analisando algumas características, como metáfora para ilustrar algumas das características do conhecimento científico e da investigação.


Mayo, S. (2007). Implications for Art Education in the Third Millenium: Art Technology Integration. Art Education Journal, v60, nº 3, Maio de 2007, pp. 45-51, consultado online em http://www.smayo.net/mayo_naea_article2007.pdf a 27 de janeiro de 2008.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

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Paisagens de invenção. Porque o sonho é uma constante.

Infoexclusão

Em relação ao conceito de infoexclusão, Manuel Castells (2001) refere que "o facto de o aumento da internet ter tido lugar em condições de desiguladade social no acesso em mundo inteiro pode ter consequências duradouras na estrutura e conteúdo do meio" (p.296). Equacionando as condicionantes económicas com a rapidez do desenvolvimento de novas tecnologias web, quer em termos de infraestrutura quer em termos de equipamentos, afirma que "é bastante provável que, quando as massas tiverem por fim acesso à internet através da linha telefónica, as elites globais já se tenham escapado para um círculo superior do ciberespaço" (p.297). Castells não esqueçe o papel da educação, sublinhando que "a educação, a informação, a ciência e a tecnologia constituem as fontes fundamentais de criação de valor na economia baseada na internet. Os recursos educativos, informativos e tecnológicos caracterizam-se por uma distribuição extremamente desigual em todo o mundo" (p.308).

Neste sentido, cito ainda o estudo de Santos e Cardoso (2007), Públicos dos Media em Portugal, que ao abordar a internet, refere que "O acesso à Internet é ditado sobretudo pelos recursos económicos, sendo aliado também, em alguns casos, à falta de competências para a sua utilização. Assim, são os mais velhos e, nos outros grupos, os com menos recursos aqueles que não têm acesso à Internet" (p.26).

A infoexclusão funciona assim em dois níveis, o do acesso básico à tecnologia, e o do que se pode fazer com ela, o acesso, usando a terminologia de Castells, a círculos do ciberespaço. No entanto, será que as tecnologias 2.0, criadas precisamente numa óptica de disseminar, de facilitar a produção de conteúdos, de partilhar informação, poderão servir como um nivelador das formas de infoexclusão baseadas na qualidade do acesso à internet? Note-se que muitos dos serviços 2.0 permitem fazer, através do browser, o que se fazia através de programas geralmente caros, ou adquiridos "privadamente" (eufemismo para pirateados).

Qual o papel da escola, como poderá fazer melhor uso das ferramentas para combater a infoexclusão? Também, será que se justifica a aquisção de software, quando os fundos poderão ser melhor aplicados na aquisição de meios básicos, passando a utilização do software comum a ser feita via web? Ou será que estamos demasiado arreigados à noção tradicional de software? A verdade é que não estou a escrever este texto num editor online...

Documentação:
Santos, S., Cardoso, G. (2007). Working Report: Públicos de Media em Portugal. Lisboa: Obercom. Disponível em http://www.obercom.pt/client/?newsId=30&fileName=wr8.pdf
Castells, M. (2004). A Galáxia Internet: Reflexões sobre Internet, Negócios e Sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ser humano

Ao reler um texto de Jérome Bruner, introdução a um livro de A. R. Luria, não consegui parar de reflectir no que significará uma ciência humanizante. Bruner parece distinguir claramente dois tipos de ciência, uma baseada em dados factuais, distanciamento, análises frias e desapaixonadas, e um outro tipo, mais humano, que tenta compreender as causas e estabelecer leis gerais, mas sem perder de vista a dimensão humana dos seus sujeitos.

Esta dicotomia talvez venha, na minha opinião, de uma visão de ciência baseada na imagem da ciência exacta, do tipo de ciência que ser faz em física, química, astronomia, matemáticas, ou outras ciências que, apesar de avançarem em saltos paradigmáticos, apresentam resultados perfeitamente metrificáveis gerados a partir da medição de constantes. Mas no caso das ciências que intevém directamente com o ser humano, o seu sujeito não se comporta com a exactidão ou a abstração de um quark ou de uma galáxia distante. O sujeito tem sentimentos, vive, está influenciado e influencia condicionantes culturais. Bruner exemplificou com notas sobre casos patológicos ganharam dimensão humana ao serem vistos segundo uma perspectiva mais humanizante.

Em educação, lidamos com crianças, que são muito mais do que agrupamentos de variáveis metrificáveis. Não estou com esta linha de raciocínio a querer defender que a ciência não deva ser exacta, nem que deva utilizar métodos rigorosos, antes a querer tentar sublinhar a ideia que a investigação em contextos sociais adquire um valor especial se for humanizante, se conseguir retratar os seus sujeitos como algo mais do que uma base de dados que influenciam variáveis.

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Golden Age.

Leituras

Tecnofantasia Algo de estranho se anda a passar no blog de Luís Filipe Silva: surgem regularmente depachos noticiosos do futuro. Provocantes e suficientemente plausúveis para resistirem a leituras diagonais, tratam-se ficção científica de qualidade, na sua forma mais pura, de especulação informada sobre a sociedade contemporânea e os seus fluxos de evolução.

Guardian | Afghanistan risks becoming failed state, reports warn O estado-nação falhado, essa instituição moderna, irá acolher entre os seus membros mais um país, se não forem tomadas medidas urgentes de auxílio económico que passem não pelo despejar de fundos caritativos, mas sim pela implementação no terreno de projectos que assegurem a sobrevivência económica dos afegãos, diminuindo a tentação de talibanismos e tráfico de ópio, que no Afeganistão de hoje são o que oferece melhores garantias de estabilidade e prosperidade.

Globe and Mail | In mock disaster drill, bloggers threaten america A operação Cyber-Storm, um exercício multimilionário de treino de agências de defesa, simulou recentemente um exercício simulado da mais pura cyber-guerra, ou, se preferirem o termo, guerra em rede. Em vez de ataques militares precisos ou alargados, os agentes de segurança tiveram que obter e reagir a uma imagem precisa a partir de um conjunto de acontecimentos aparentemente desconexos que envolviam ataques informáticos a sistemas críticos, desinformação mediática, paralisações sistémicas nos serviços públicos, caos nos mercados financeiros e ataques terroristas pontuais. Guerra 2.0?

BBC | Euro MPs back patio heaters ban Neste mundo ameaçado pelo aquecimento global, assuntos tão pequenos como o uso de aquecedores no exterior ou o modo de stand-by nos televisores tornam-se suficientemente pertinentes para debate no parlamento europeu. Em proposta está uma regulamentação que irá proibir o uso de aquecedores de exterior, ou propostas de eliminar o modo de stand-by nos televisores, para melhorar a eficiência energética e diminuir a libertação de CO2 para a atmosfera.

SF Signal | Mind Meld: Which predictions did Golden Age science fiction get right & wrong? Se assumirmos que a FC, mais do que reflectir de forma imaginativa sobre os tempos contemporâneos, pretende prever o futuro, podemos elaborar questões desta estirpe. Olhando para o utopismo imaginativo da era dourada, a era de autores como Bradbury, Asimov, Campbell, Del Rey ou Sprague de Camp, quais foram as previsões acertadas, e quais as erradas? Bem, os nossos passeios espaciais resumem-se à órbita baixa, os impérios galáticos, independências marcianas ou colónias lunares estão atrasados nos prazos, as guerras nucleares que aniquilariam o planeta não se concretizaram, e... ainda não temos carros que voem ou jetpacks pessoais. Mas temos telemóveis e redes globais informáticas. O futuro é, por natureza, imprevisível. O real papel da FC é fazer-nos reflectir, extrapolando as tendências do presente, nos futuros possíveis.

Foreign Policy | Battlefield Earth Neste artigo, Jamais Cascio explora as implicações geopolíticas de uma das possíveis respostas aos desafios ambientais reside na geoengenharia, a manipulação intencional de sistemas ambientais, ecossistemas e sistemas geofísicos em larga escala, prevendo e provocando impactos ambientais. Existem já algumas propostas desta índole - o lançar para a atmosfera de partículas que bloqueiem a radiação solar, o sequestro de carbono sob os oceanos e mudanças na reflectividade da superfície terrestre. Por outro lado, a geoengenharia tem outros riscos: pode ser consciententemente utilizada por governos e organizações como arma, capaz de corromper sistemas climatéricos e provocar graves danos ambientais. Será a geoegenharia a bomba atómica do futuro?