sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ser humano

Ao reler um texto de Jérome Bruner, introdução a um livro de A. R. Luria, não consegui parar de reflectir no que significará uma ciência humanizante. Bruner parece distinguir claramente dois tipos de ciência, uma baseada em dados factuais, distanciamento, análises frias e desapaixonadas, e um outro tipo, mais humano, que tenta compreender as causas e estabelecer leis gerais, mas sem perder de vista a dimensão humana dos seus sujeitos.

Esta dicotomia talvez venha, na minha opinião, de uma visão de ciência baseada na imagem da ciência exacta, do tipo de ciência que ser faz em física, química, astronomia, matemáticas, ou outras ciências que, apesar de avançarem em saltos paradigmáticos, apresentam resultados perfeitamente metrificáveis gerados a partir da medição de constantes. Mas no caso das ciências que intevém directamente com o ser humano, o seu sujeito não se comporta com a exactidão ou a abstração de um quark ou de uma galáxia distante. O sujeito tem sentimentos, vive, está influenciado e influencia condicionantes culturais. Bruner exemplificou com notas sobre casos patológicos ganharam dimensão humana ao serem vistos segundo uma perspectiva mais humanizante.

Em educação, lidamos com crianças, que são muito mais do que agrupamentos de variáveis metrificáveis. Não estou com esta linha de raciocínio a querer defender que a ciência não deva ser exacta, nem que deva utilizar métodos rigorosos, antes a querer tentar sublinhar a ideia que a investigação em contextos sociais adquire um valor especial se for humanizante, se conseguir retratar os seus sujeitos como algo mais do que uma base de dados que influenciam variáveis.