quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

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Um bocadinho de preto e branco.

Leituras

BBC | Early man couldn't stomach milk O leite faz agora parte integrante da nossa alimentação, sendo um alimento indispensável. Mas nem sempre foi assim - em épocas históricamente tão recentes como o Neolítico, o leite não fazia parte do regime alimentar - aos homens do neolítico faltava-lhes um gene capaz de produzir lactase, a enzima que nos permite digerir a lactose presente no leite. O mais fantástico nesta notícia é como a evolução das espécies permitiu que em poucos milhares de anos este gene se espalhasse pelas populações humanas.

Guardian | Official politics in the west ignores public opinion at will As operações militares no Iraque e Afeganistão estão em muitos casos a ser levadas a cabo por países onde impera a democracia mas perfeitamente contra as vontades dos cidadãos desses países - facto sublinhado esta semana com a queda do governo italiano após o parlamento se ter oposto à expansão de uma base americana em Itália - o primeiro ministro italiano defendia as pretensões americanas, os deputados preferiram ouvir a opinião pública. É uma tendência inegável em muitas democracias modernas, onde o poder político impinge acções e reformas, apregoando que são coisas boas para o país, ignorando os desacordos da opinião pública desses países. Já estamos a chegar ao momento em que os governos democráticos governam ignorando as vontades do povo.

The New York Times | Crypt held bodies of jesus and family, film says Já cá faltava uma polémicazinha teológico-arqueológica para animar as discussões: James Cameron, que legou ao mundo pérolas do cinema como Titanic, Terminator e Aliens II e especialista em fazer parecer argumentos mediocres interessantes graças ao uso de espectaculares efeitos especiais, envolveu-se num documentário que investiga uma cripta descoberta em Jerusalém. Nessa cripta encontraram-se sarcófagos que identificavam, de acordo com as interpretações, as ossadas como as de jesus, maria, josé, maria madalena e judá. Eram todos nomes comuns na Palestina da era romana, mas o ponto em que os defensores da descoberta do túmulo de jesus insistem é o baixo nível de probabilidade de uma cripta conter precisamente esta combinação tão bíblica de nomes. É mais uma ideia para discussões acesas, com partidários da validade a degladiarem argumentos rebuscados com partidários da tradição católica. Se bem que a ser verdade, se os ossos realmente forem de jesus, os crentes serão forçados a encarar um facto que qualquer pessoa de bom senso já de certeza percebeu: independentemente do seu valor moral, nenhum texto teológico deve ser tomado à letra.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Leituras

Correio da Manhã | Juros já subiram 79 por cento As políticas anti-inflacionárias do corrente director do banco central europeu já fizeram as taxas de juro de referência subir 79% desde o final de 2004. O raciocínio é este: encarecendo-se o preço do dinheiro, diminui-se o afã consumista e estabilizam-se os preços. O problema é que no mundo real as coisas não são bem assim - os preços podem estar estáveis, mas o dinheiro ao final do mês anda cada vez mais curto, mercê do cada vez maior peso dos juros para quem tem créditos. No entanto, há uma inflação chocante que não mostra sinais de ser combatida - a inflação dos lucros da banca, que anda a atingir níveis obscenos. O que me leva a perguntar precisamente que interesses é que o BCE anda a servir - se os dos cidadãos, se os da banca.

Guardian | Pioneer's Spirit Uma colunista do Guardian olha com nostalgia para os seus tempos de juventude na Hungria, em que como todos os jovens da sua idade era forçada a pertencer aos pioneiros comunistas - tempos que a colunista não lamenta, uma vez que os pioneiros tinham mais a ver com os escuteiros do que com proselitismos marxistas-leninistas, em grupos onde o espírito de entre-ajuda era valorizado sobre a individualidade (isto a acreditar nas suas palavras). No entanto, mais do que uma reminiscência sobre os velhos tempos, o artigo levanta uma questão pertinente: se não forem fornecidos aos jovens grupos de integração positiva, o risco de se tornarem membros de gangs com comportamentos destrutivos é muito grande. Algo a pensar, numa sociedade que busca cada vez mais o um por um e todos por nenhum

El Mundo | Los obituarios dan el salto a internet Um negócio simpático - por uma módica quantia, já é possível criar um memorial online para os entes falecidos. Um obituário pós-moderno, disponível 24 horas por dia na vasta rede. Já não é novidade do lado de lá do atlântico, e agora chegou às Espanhas.

Guardian | Melting ice reveals antarctic life Até agora, os mares da península antártica estavam cobertos com gelos permanentes que impediam as observações científicas. Uma consequência do aquecimento global é o degelo destas placas, que revelam aos olhares dos cientistas um mundo submerso perdido, até agora apenas perscrutado através de perfurações. É um mundo novo, mas em perigo de extinção.

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Hmm... estava para aqui a pensar no que é que havia de escrever mas cheguei à conclusão de que hoje não tenho nada assim de especial para dizer. Portanto, calo-me.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

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Dia deprimente, apesar do sol que nos aquece os ossos. Há dias assim, com o je ne sais quoi que nos deixa arrasados. boring post #123095023.

The Workshop of Filthy Creation

IMDB | Night of the Marionettes
Supernatural

Frankenstein foi uma daquelas obras seminais, que exercem uma profunda influência na nossa psique. A história do cientista que se sente mais poderoso do que os deuses e que no seu laboratório gera monstros tem atravessado épocas, com variantes e diferentes encarnações, mas sempre com os elementos germinais presentes. O cinema e a televisão expandiram o campo de intervenção deste tipo de histórias. Qualquer filme sobre qualquer resultado de aturadas experiências científicas com consequências catastróficas para a humanidade, com cientistas mais ou menos convencidos do seu papel de deuses sobre a terra, tem na sua base a velha narrativa de Mary Shelley. Isto mesmo que os cientistas ficcionais não se dediquem a dominar a vida, se bem que a grande lição de Frankenstein é que o trabalho científico destina-se a desvendar os segredos da natureza, e assim dominá-la. O cientista, por humilde que seja, tem dentro de si aquela faísca que o faz trabalhar, superando-se ao comum dos mortais, colocando-se onde anteriormente se colocavam os deuses. Por vezes, os cientistas, com as suas batas brancas e a suas certezas em teorias incompreensíveis, parecem ser os zelotas da nova religião, os sacerdotes dos novos dogmas apoiados não em escritos incompreensíveis ditados por deuses caprichosos, mas nos segredos saídos das entranhas de estranhos aparelhos que comunicam com a profunda estrutura atómica do universo.

Recolhido no precioso The Frankenstein Omnibus, este The Workshop of Filthy Creation é da autoria de Robert Muller, argumentista de televisão inglês, que o escreveu para uma série clássica de terror/fantástico intitulada de Supernatural (não confundir com o mais recente e divertido Supernatural que passou na televisão portuguesa). A série utilizava um dos artifícios comuns à narração de horror - a do contar de uma história sobrenatural ao sabor de uma lareira. A série baseava-se nas narrações dos membros ou daqueles que queriam ser membros do The Club of the Damned.

The Workshop of Filthy Creation é o argumento de um episódio em que um escritor envelhecido narra aos membros do clube a sua estranha história, na esperança de ser aceite como membro do clube. Howard Lawrence é um escritor de biografias que a dado ponto da sua carreira se interessa pela vida de Byron e Shelley que decide seguir-lhe os passos, viajando pela Europa e passando pelos mesmos locais onde Byron e Shelley haviam passado. Esta viagem leva-o, acompanhado da mulher e da filha, à famosa Villa Diodati onde, reza a lenda literária, numa noite de tempestade o grupo de Shelley, Byron, Polidori, secretário de Shelley, e Mary, jovem amante de Shelley, se desafia a criar uma história aterradora, inspirados pela leitura de um livro de contos fantasmagóricos. Os resultados desse desafio são bem conhecidos - Polidori escreveu O Vampiro, referência histórica do género literário, e Mary Shelley legou-nos Frankenstein, or, The Modern Prometheus. Por entre oa arredores tenebrosos da Villa Diodati, Lawrence sofre um forte cansaço mental, que o leva a abrigar-se por uns dias numa vilória esquecida nas proximidades da Villa literária. Encontra-se assim na estranha estalagem de Gasthof Ritterhoff, única estalagem de uma aldeia perdida por entre a densa floresta entre as montanhas. Lawrence e a família são os únicos hóspedes, e depressa ficam acabrunhados pelo aspecto melancólico da estalagem e pela estranheza dos seus estalajadeiros, sempre simpáticos, mas com um ar estranho e inquietante. Entrentanto, a jovem filha de Lawrence, que partilha com o pai o gosto pelos mistérios da literatura, embrenha-se na leitura de Frankenstein, sentindo-se um pouco no papel de Mary Shelley, que havia escrito a obra naqueles locais e com a mesma idade, e perguntando-se o que é que precisamente havia inspirado Mary Shelley a escrever tão estranha obra. Aliás, pergunta-se mesmo se Mary não havia pernoitado nesta mesma estalagem antes de se abrigar na villa Diodati. A mãe vê com maus olhos esta inclinação da filha, mas inomináveis sentimentos aterradores conjugados com as delícias do vinho quente fazem-na cair numa espiral de alheamento. Durante as noites, Lawrence e a filha não conseguem dormir, graças a estranhos ruídos vindos das profundezas da estalagem.

A existência de uma estalagem num local tão remoto é justificado por um festival anual que faz vir à aldeia pessoas dos quatro cantos da Suíça - um espectáculo de marionetas muito especial, representado apenas uma vez por ano, e que se repete inalterado há mais de um século. E o festival aproxima-se...

Se a versão televisiva for tão interessante como as descrições de The Workshop of Filthy Creation, vale bem a pena vasculhar arquivos à sua procura. O argumento socorre-se de um pesado ambiente gótico, que exagera as trevas, o isolamento e a decadência. As personagens que o escritor e a sua família encontram na estranha estalagem têm o seu quê de aberrante e grotescto. O tom do argumento puxa ao grotesco, com inúmeras descrições tenebrosas do ambiente em que os personagens estão mergulhados. E a conclusão da história, embora não termine da pior maneira possível, termina de uma forma grotesca - o tal espectáculo de marionetas era representado por marionetas humanas, o resultado dos séculos de experiências do homem que inspirou a Mary Shelley o personagem de Dr. Frankenstein, ainda vivo graças à sua ciência maldita, grotesco e decrépito enquanto prossegue as investigações no seu tenebroso laboratório. Mas tranquilizem-se; os estalajadeiros, marionetes de carne construídas pelo mestre das marionetas, não tencionam utilizar o escritor e a sua família como peças sobresselentes. No dia seguinte à representação, Lawrence e a sua família partem em paz, em direcção ao mundo moderno, embebidos no entanto pela loucura daquele lugar insano e dos seus grotescos habitantes.

No final do episódio a narrativa de Lawrence é considerada demasiado fantasiosa para ser autêntica, não lhe sendo concedida admissão no restrito clube de investigadores do sobrenatural.

The Workshop of Filthy Creation não serve para ser lida em busca de subtextos ou sentidos obscuros. Ântes pelo contrário, o conto/argumento torna-se interessante pelo uso sublime dos estereotipos da ficção de horror, sendo uma interessantíssima variação do mito do homem cuja ciência o leva a querer sobrepôr-se a deus. Na série televisiva, o argumento surgiu com o menos sugestivo mas mais mediático título de Night of the Marionettes.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

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Já agora, será que algum dos leitores habituais deste blog tem perdidas nas memórias fotografias do quebra-mar da Ericeira tal como ele já foi, há cerca de duas décadas?

O quebrar do quebra-mar

É com grande tristeza que vejo a cada vez mais evidente aniquilação do paredão do antigo quebra-mar da Ericeira. Na minha memória estão gravados as quentes noites de agosto em que eu passeei, de mãos dadas aos meus pais, pelo quebra-mar iluminado, passeando até ao fim do quebra-mar, em cuja ponta havia um farol que a minha memória recorda com carinho. Foi esse o verão, há mais de vinte anos, em que o quebra-mar foi inaugurado e a Ericeira passou a contar com um porto de abrigo. Foram esses os tempos em que os barcos dos pescadores ainda partiam para o mar a partir da praia dos pescadores, então com um aviso já na altura ignorado de que a praia era imprópria para banhos. Desses meus verões de meninice recordo o cheiro a peixe seco por entre os barcos dos pescadores, recordo os barcos alinhados em terra, recordo o tractor que levava os barcos pela areia até ao mar, e recordo do gosto que era passear nas noites de verão pelo quebra-mar, mar adentro, até ao farol do quebra mar.

No ano seguinte o mar rebentou as placas de cimento. Entre o paredão e o farol passou a existir uma fissura.

No ano seguinte os restos do farol tornaram-se como uma ilha, varridos pelo violento mar de inverno. Daí para a frente, todos os anos mostravam um quebra-mar cada vez mais quebrado. A Ericeira, pitoresca vila piscatória de vocação turística, passou a mostrar na sua bela vista de mar a visão de um quebra-mar em ruínas. Em vinte anos, sempre vi o quebra-mar a diminuir. Recordo-me de na minha adolescência ter tirado fotografias em locais hoje pulverizados pela força das ondas. Recordo-me do quebra-mar como um espaço vivo, cheio de veraneantes e pescadores, de míudos que se faziam ao mergulho nas àguas protegidas pelo quebra-mar, da lufa-lufa de barcos de pesca que descarregavam junto ao molhe.

Nestes dias o mar deu mais um golpe ao malfadado quebra-mar. A força das ondas quebrou os seus restos literalmente ao meio. Há décadas que isto dura; há décadas que um dos ex-libris da vila turística é uma ruína; há décadas que os pescadores que ainda resistem nesta vila vêem-se cada vez mais inseguros. Há décadas que as sucessivas juntas de freguesia reclamam intervenções que estão sempre prometidas mas nunca se concretizam.

É com tristeza que olho para os restos daquele quebra-mar que tanto prometia nos idos anos 80 do século passado. É com a tristeza que quem ama esta terra e a vê entregue aos especuladores imobiliários, apenas interessados em atravancar a Ericeira de apartamentos para lucrar a curto prazo. Tudo o resto não parece interessar.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

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Elemento para um todo.

Leituras

BBC | Advanced geometry of Islamic art Já se sabia que os intricados padrões geométricos da arte islâmica eram matemáticamente avançados para a época - o Alhambra, por exemplo, contém na sua azulejaria todos os exemplos possíveis de tesselações, mas observações mais aprofundadas revelam que os artesãos medievais que criaram os elaborados padrões da arte islâmica pareciam ter um conhecimento intuitivo de formulas matemáticas complexas. É de lembrar que os padrões elaborados da arte islâmica tiveram origem nas proibições corânicas de representação da figura humana.

BBC | Emotion robots learn from people Um projecto europeu intersecta a robótica com a psicologia e a neurociência. O objectivo é o de desenvolver robots capazes de aprender através da observação dos homens, capazes de responder de formas socialmente e emocinalmente correctas. Ontem, chimpanzés capazes de utilizar lanças; hoje, robots capazes de mostrar emoções. E amanhã? A terra como um ecossistema planetário sentiente e consciente?

Guardian | The US psychological torture system is finally on trial Combater a guerra contra o terror com terror: o uso de tortura e métodos de interrogação desumanos por parte dos serviços secretos é uma daquelas verdades que todos conhecem mas ninguém afirma. Passa-se tudo no mundo nebuloso da espionagem e das operações especiais, e o secretismo e a utilização de métodos desumanizantes são justificados em nome da defesa dos nossos ideias de liberdade e justiça. Mas às vezes os coelhos mais escondidos saltam da cartola: o julgamento em tribunais civis de um cidadão norte-americano está a revelar publicamente a tenebrosa extensão do uso de tortura física e psicológica por parte dos serviços secretos norte-americanos; e a revelar que torcionários serão sempre torcionários, independentemente dos princípios sob os quais justificam a sua conduta desumana.

The New York Times | A Google package challenges Microsoft O Google dá mais um passo no domínio da economia virtual, com um projecto destinado a oferecer às empresas a utilização do email, do Google Docs e do Google Spreadsheets com um preço muito baixo. Para quê pagar o que se pode utilizar de graça? A Google oferece maior espaço para armazenar dados e apoio técnico, bem como um serviço sem anúncios. A médio prazo, esta iniciativa poderá ser uma séria ameaça à Microsoft, cuja imensa riqueza depende da venda de software. O "office" da Google ainda não está tão avançado com o Office da Microsoft, mas a longo prazo podemos observar dois novos paradigmas - o do uso de software que reside não no nosso computador mas na rede, acessível remotamente a partir de qualquer computador; e o fim do modelo de negócio que consiste na venda de um produto final, em direcção a um negócio de aluguer de serviços técnicos e espaço de servidor a clientes profissionais que têm de cumprir normas de segurança restritas. Se bem que este direccionamento do software do computador para a rede não é uma mudança, é mais uma mutação.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

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It came from the sea... mistérios das profundezas.

Leituras

BBC | Chimpanzees hunt using spears Chimpanzés senegaleses foram observados a utilizar paus como lanças para caçar. Animais capazes de utilizar elementos do seu meio ambiente como utensílios não são novidade, mas estes macacos têm a particularidade de ter aprendido a afiar os paus que utilizam. Uma pista para se compreender como os humanos descobriram o uso de utensílios, e uma ideia preocupante: para quando a invasão de hordes de chimpanzés furiosos que, de lança em punho, se vingam dos desmandos dos homens sobre a natureza?

BBC | Record power for military laser O futuro cada vez mais perto: imaginadas em inúmeras obras de FC, as armas a laser estão há décadas a ser agressivamente desenvolvidas, embora sem grande sucesso. O limite para considerar um laser arma de combate situa-se nos 100 kw. Os lasers químicos são capazes de potências muito maiores, mas têm um correspondente tamanho gargantuesco que não se adapta aos campos de batalha. Os lasers de díodo são mais manejáveis, mas francamente impotentes. O anuncio de que o Solid State Heat Capacity Laser desenvolvido no laboratório Lawrence Livermore é capaz de atingir os 60 kw representa um novo recorde. Ainda não são os blasters da guerra nas estrelas, mas já se esteve mais longe. E neste mundo em constante mutação é sempre bom saber que há coisas que nunca mudam, como cientistas a estudarem obsessivamente raios da morte.

Guardian | Global capitalism now has no serious rivals. But it could destroy itself A queda do muro de Berlim e o fim do regime soviético são consideradas o grande momento de vitória do capitalismo, mas será esta vitória definitiva? O capitalismo tem grandes virtudes, mas também grandes defeitos - depende de uma economia de maximização constante de lucros, algo ambientalmente insustentável num planeta que se encontra no limiar da catástrofe ambiental, com os recursos sobre-explorados, e socialmente insustentável quando o lucro se baseia no consumo desenfreado aliado a constantes cortes salariais para aumentar a margem de lucro. Orgulhosos da mão invisível do mercado, os capitalistas esquecem que a mão invisível só funciona bem quando as bem visíveis mãos dos estados a ajudam. Apesar do triunfalismo, as formas mais radicais de capitalismo ainda não vingaram, apesar da constante erosão das estruturas sociais sob o ataque cerrado dos reformadores do mercado livre. Poderá o capitalismo sobreviver à pressão do esgotamento de recursos naturais conjugada com a ganância sem limites que parece reinar nos mercados internacionais?

Jahsonic Uma pergunta: porque é que este blog não veio parar mais cedo aos meus links? Blog interessantíssimo no cruzamento da cultura popular com a cultura erudita.

Giornale Nuovo Um daqueles blogs que só me dão vontade de largar tudo, pegar no bloco de notas e na caneta preta e começar a desenhar.

TIME | Getting rich off those who work for free Um estranho paradoxo desta nossa sociedade hipercapitalista é a quantidade de pessoas que voluntariam o seu esforço sem exigir dinheiro em troca.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

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Mundos submersos.

Leituras

BBC | Freeze condemned Neanderthals Uma hipótese recentemente apontada para o desaperecimento dos homens de Neanderthal sugere que vagas de frio intenso tenham sido as responsáveis pela extinção deste ramo da àrvore humana.

Guardian | Resistance is 4x4 futile Reflexões sobre as taxas impostas aos automóveis que circulam em Londres - são revoltantes, mas sublinham que o automóvel individual é o grande poluidor, e que o investimento em transportes públicos é inútil se estes não forem utilizados.

The New York Times | Flame first, think later A combinação do sentimento de anonimato com o carácter instantâneo das comunicações online facilita demasiado a falta de inibições nas mensagens enviadas - e quem é que nunca enviou um e-mail ou publicou um post que nunca se atreveria a dizer em pessoa? Chama-se o efeito de desinibição online.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

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Libélula.

Blade Runner



IMDB | Blade Runner
Wikipedia | Blade Runner
Film Site | Blade Runner
Wikipedia | Philip K. Dick

A Ficção Científica tem gerado inúmeras obras literárias marcantes, mas quando chegou ao cinema deu origem a poucos filmes marcantes. Talvez seja uma consequência do efeito Star Wars, com a sua ênfase nas aventuras implausíveis no espaço, ou o legado dos deliciosamente maus filmes de série B. Ou, talvez, o meio visual fique aquém da imaginação - as melhores obras de FC são aquelas que nos estimulam a imaginação, que nos levam a sonhar e a congeminar na nossa mente os mundos descritos pelo escritor. Mas o cinema, dependente do visual, retira-nos essas opção. Ao deslumbrarmo-nos com cenários de tirar o fôlego e conceitos visuais futuristas, quedamo-nos a admirar a beleza visual, e perdemos o prazer de imaginar.

Contam-se literalmente pelos dedos os filmes verdadeiramente marcantes de FC. Com filmes marcantes, falo dos filmes que sobrevivem a anos de revisitações, que após serem vistos vezes sem conta não perdem aquela frescura e aquele fascínio. Filmes de sucesso há muitos, mas a maioria dos filmes que nos enchem os olhos geralmente não sobrevive a uma segunda visualização. Entre os filmes mais marcantes de FC, saltam-me à mente os inevitáveis Metropolis, 2001, Dune e este Blade Runner. O que há de comum a estes filmes é o terem sido realizados por realizadores que não estão associados à FC. Fritz Lang, realizador de Metropolis conquistou o seu lugar na história do cinema pela sua mestria e inovação no uso dos planos fílmicos. Kubrick, que nos legou o apaixonante 2001, está associado à ideia de um cinema acutilante que reflecte sobre as profundezas da alma humana. David Lynch, realizador de Dune, é essa coisa rara - um auteur norte-americano, conhecido pelas suas bizarrias e que nos legou o mais estranho dos filmes de FC, que muitos consideram controverso assinalar como uma das obras-chave do género no cinema. E Ridley Scott, realizador de Blade Runner, é um criador de blockbusters, autor de obras tão díspares como Thelma e Louise ou O Gladiador, que têm no entanto em comum um singular sentido do visual, integrando o cenário como parte indispensável da narrativa (que o é) sem que esta se perca por entre o poder das imagens.

É este o aspecto que mais fascina em Blade Runner. O visual futurista, fruto da colaboração entre gurus da arte aplicada e dos efeitos especiais como Syd Mead, conceptualizador dos cenários futuristas, e Douglas Trumbull, génio dos efeitos especiais por detrás das imagens fascinantes de 2001. É este o elemento que nos apaixona pelo filme, os cenários minuciosamente detalhados, as visões quase dantescas de um mundo futuro, ultra-urbanizado, onde os fogos ímpios da indústria iluminam o céu negro de poluição. A cuidadosa conceptualização da sociedade futura originou a visualização de um mundo fascinante e verosímil, onde as tecnologias do futuro estão presentes mas não o condicionam - o velho e o novo coexistem no dia a dia, tal e qual como o fazem no nosso dia a dia. Filme dos anos 80, optou pela conceptualização do perigo japonês, projectando uma sociedade futura onde a estética asiática nipónica pervade o mundo americano. Se Blade Runner tivesse sido conceptualizado hoje, os cenários teriam mais a ver com uma chinatown do que com a eficiente mistura de arquitectura urbana americana com as visões de uma Tóquio utópica. Com a dose obrigatória de Metropolis, filme cujos cenários são uma referência obrigatória para Blade Runner.

O mundo é detalhado, cuidadosamente controlado para nos fazer entrar no mundo do filme, mas não visualiza um futuro utópico, limpo e positivo. A sublinhar a degradação permanentemente presente no filme está uma chuva recorrente, que torna mais sombrias as exóticas ruas da Los Angeles do futuro. Os acessórios futuristas, os carros voadores, as maquinarias, as armas, os veículos, não são visões aerodinâmicas de perfeição tecnológica, mas antes objectos disformes, cheios de protuberâncias inestéticas. O futuro é desolador.

Largamente baseado no romance Sonharão os Andróides com Carneiros Eléctricos da autoria do mais paranóico dos autores de FC, Philip K. Dick, Blade Runner força a estrutura do romance e o cenário futurista aos constrangimentos do film noir. Mais do que um filme de FC, Blade Runner é um filme policial, onde todos os elementos são determinados pelo futurismo.

No filme, Deckard é um ex-polícia especializado em caçar Replicantes, andróides indistinguíveis dos humanos cuja presença na Terra é proibida. Fruto dos avanços da engenharia genética, os Replicantes são máquinas biológicas destinadas a cumprir funções nos ambientes agrestes das colónias espaciais, sendo para todos os efeitos escravos dos colonos. Há apenas dois pormenores que distinguem estas máquinas dos seres humanos - a ausência de emoções e um tempo de vida curto, uma forma cruel de obsolescência planificada. Deckard é forçado a retomar as suas actividades como caçador de replicantes às ordens de Bryant, tendo como missão caçar quatro perigosos andróides que andam à solta pelas ruas de Los Angeles. Estes andróides, os modelos Nexus 6, os mais avançados andróides no mercado, têm como objetivo prolongar as suas vidas; recusam deixar-se morrer, e não se detéem perante nada para saber como prolongam as suas vidas.

Para aprender a identificar andróides Nexus 6, Deckard é enviado à sede da Tyrell Corporation, o gigantesco conglomerado industrial que fabricou os replicantes, e conhece Rachel, projecto especial de andróide que desconhece a sua verdadeira natureza, tendo sido implantada com memórias falsas para lhe criar a ilusão da consciência da sua humanidade.

O filme segue a caça de Deckard aos andróides, enquanto estes procuram os seus criadores. O final do filme dá-nos a cena memorável em que Roy Baty, líder do grupo de andróides, confronta Tyrell, o seu criador. Descobrindo-se incapaz de fugir ao seu destino, Baty assassina o seu criador, numa cena reminiscente do homem que aniquila os seus deuses. O filme termina com a morte natural de Baty, chegado ao fim da sua vida útil, e que nos seus últimos momentos poupa a vida de Deckard, revelando-se, talvez, humano. Entretanto há uma história paralela de amor entre Deckard e uma Rachel que descobre a sua verdadeira natureza biomecânica. Num pormenor profundamente paranóico, é sugerido que o próprio Deckard poderá ser um andróide incapaz de reconhecer a sua verdadeira natureza.

Blade Runner é um filme de subtextos profundos, onde o papel de herói é analisado em toda a sua ambiguidade - Deckard, o herói do filme, tem como missão aniquilar Replicantes, o que equivaleria a assassínio se os replicantes não fossem considerados menos do que humanos. A condição humana é a principal protagonista deste filme, constante através da metáfora das máquinas que buscam a sua humanidade, constantemente questionando e procurando a resposta às eternas questões que nos tormentam. Esta metáfora é constantemente sublinhada pela prevalência de olhos como motivo constante no filme - os olhos sendo as janelas da alma, numa história em que os personagens buscam a essência da sua alma.

Complexo e inquietante, Blade Runner é um filme marcante pelo seu conjunto - desde as temáticas às interpretações dos actores, sem esquecer a banda sonora assombrosa de Vangelis (muito datada mas em perfeita consonância com as imagens) e os cenários detalhados que nos tiram o fôlego. A paixão que este filme desperta pode ser resumida na evocação das cenas em que contemplamos a metrópole futura, onde dos arranha-céus pendem ecrãs gigantes onde os anúncios se entrecortam com rostos de gueixas, onde sobre a vitalidade das ruas desoladoras pende sempre a promessa de um mundo melhor fora do planeta, promessa suspensa sobre dirigíveis suspensos sobre cabos que apregoam as delícias dos outros mundos sem que nunca nos deixem o vislumbre da sua beleza anunciada, deixando-nos cativos da nossa busca nas profundezas das ruas desoladoras.

Leituras

BBC | Australia pulls the plug on old bulbs Finalmente, as lâmpadas de filamento começam a extinguir-se: a Austrália vai proibir a utilização destas lâmpadas a favor das modernas lâmpadas energéticamente eficientes, poupando assim no consumo de energia e diminuindo as emissões de CO2.

Correio da Manhã | Corte de 450 milhões afasta João Jardim E o país alegrou-se, ao ver da figura do aventesma que reina na ilha da Madeira. Esta aberração tem constantemente achincalhado a legalidade democrática e sido um cancro em portugal durante décadas. Infelizmente, a alegria durou pouco. Jardim depressa anunciou que se recandidataria - nunca jamais este animal largará o seu feudo pessoal, nunca nos veremos livres deste cancro apalhaçado que transformou uma região do país num quintal pessoal onde os atropelos à legitimidade democrática são mais que muitos e onde os seus sequazes enriquecem descaradamente.

Mas o problema é tipicamente português. Gostamos demasiado de caudilhos e líderes incontestáveis.

Guardian | The Project Os grandiosos projectos de reconstrução do Iraque após a invasão norte-americana têm sido considerados falhanços monumentais. A adicionar à corrupção que desviou somas avultadas, há a juntar que os responsáveis pelos projectos de reconstrução do iraque foram escolhidos não pelas suas competências mas sim pela sua lealdade às políticas de Bush, sendo-lhes atribuídas responsabilidade de forma totalmente aleatória - como no caso do responsável pela reconstrução da bolsa de valores iraquiana, um jovem de 24 anos que era um agente imobiliário sem qualquer experiência ou formação na àrea da economia...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

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Um peixe. Verde... (uma joke muito private).

Leituras

BBC | Astronauts should ski on the moon Harrison Schmitt, o geólogo sortudo que foi o único astronauta civil a caminhar sobre a lua, dá os seus conselhos à nova geração de exploradores que se espera que caminhem sobre a superfície lunar no futuro próximo.

Guardian | Once George Bush has got hold of a bad idea he just can't let it go Enquanto o presidente americano assegura publicamente que só tem intenções diplomáticas em relação ao Irão, a máquina de guerra americana manobra-se em posição de ataque. Entretanto, a opinião pública é manipulada com notícias de envolvimento iraniano na morte de soldados americanos no Iraque.

Guardian | It may be too late for the ice caps Os gelos dos pólos estão a derreter a um ritmo alarmante, enquanto o planeta aquece. Muito se discute, mas pouco se faz para enfrentar aquele que é o maior desafio da nossa sociedade.

The New York Times | New weapon in web war over piracy No eterno jogo do gato e do rato entre as editoras de música e os estúdios de cinema com os piratas da rede, o software é a rama de eleição. Desta vez, a arma é um software que permite reconhecer o conteúdo de ficheiros de video não identificados, correlacionando-os de forma a descobrir se são videos originais ou cópias não autorizadas.

O Anel



Jorge Molist, O Anel - A Herança do Último Templário, Ésquilo, 2004

Ésquilo | O Anel

A colecção de livros gratuitos que acompanham a revista Sábado é um exemplo daquelas promessas que parecem muito brilhantes mas acabam por ficar muito àquem do prometido. Promete mistérios, o que remete para aquelas obras de má investigação cheias de hipóteses estrambólicas e factos inexistentes mas que são uma leitura deliciosa. Sai ficção. Menos mal, a moda de ficções às voltas com mistérios ocultos tem produzido livrinhos engraçados, leituras da nossa época que talvez não resistam ao teste do futuro mas que não deixam de ser leituras interessantes. Infelizmente, a maior parte dos livros na colecção tem sido bastante decepcionante.

Este O Anel segue as tramas típicas deste género de ficção. Temos Cristina, jovem advogada nova-yorquina nascida na Catalunha, que recebe pelos seus trinta anos uma prenda muito especial: um anel, enviado pelo seu padrinho, falecido anos antes em circunstâncias misteriosas. O misterioso anel leva-a a recuperar as memórias da infância e da adolescência. Curiosa, regressa à Catalunha para a leitura do testamento do padrinho, e vê-se submergida numa aventura recheada de perigos, numa busca por um tesouro escondido pelos templários que sobreviveram à dissolução da ordem religiosa militar. Mais do que o tesouro, Cristina encontra um novo rumo para a sua vida e reencontra o seu amor da juventude. O tesouro em si não se torna o objectivo da aventura, antes é o gozo da aventura como jornada de descoberta que dá o tom ao livro.

Escrito em capítulos curtos, O Anel está concebido para ser um livro de leitura dinâmica, mas infelizmente só começa a ser verdadeiramente interessante quando se aproxima do final. O ritmo é lento, com muitas reminiscências do passado a atrapalharem a dinâmica da história. As primeiras duzentas páginas são uma leitura francamente penosa. Mas não se guiem pela minha opinião - o livro ganhou alguns prémios literários espanhóis. O que não me ajuda a ficar convencido das virtudes deste livro...

Reflexões

Reflexão brilhante no Posthuman Blues:
And I'm interested in the apparent dearth of suburban folklore. If mythology functions as a social utility, the sterile milieu of contemporary "stripmall culture" heralds a new relationship between ourselves and all things "imaginal." We could be losing -- or at the very least suppressing -- some vital archetypal dialogue, effectively bulldozing the collective unconscious in favor of more Starbucks drive-thrus and Home Depots.

Costumamos lamentar o desaparecimento das tradições debaixo das avalanches de modernidade. E esquecemos o nosso inconsciente colectivo, os memes fragmentários que moldam as ideias por detrás dos nossos costumes e tradições, perdidos nas luzes brilhantes dos centros comerciais ou no escuro asfalto das vias rápidas.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

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Soltei esta coisa feia nos oceanos do deviant art e teve algum sucesso, apesar de eu afirmar a pés juntos que não passa de um esboço, um princípio, que precisa de muito trabalho até ficar como eu quero. Mas faz-me lembrar os cabeçudos que ontem se passeaream pelo Jogo da Bola, atravancado de gente domingueira em fim de semana carnavalesco.

Fonógrafos e Autómatos



'What a strange, almost uncanny thing it is! We shall soon have to be very careful what we say; for a bird of the air shall carry the voice, and that wich hath wings shall tell the matter. Fancy what a preventive of crime a phonograph fastened on every lamp-post would be! It would be a kind of Magic Flute, forcing people to tell the truth wether they would or no. Jones might say "I said this," but the phonograph would say, "You said that." Mere human fallible creatures will soon be banished from the witness-box; judges and juries will content themselves with taking evidence of unerring, unlying phonographs!'

Soa familiar? Este excerto do conto The New Frankenstein, do autor inglês do século XIX E.E. Kellett, pressagia na perfeição o nosso futuro de videovigilâncias, exceptuando um pormenor - Kellett referiu-se ao fonógrafo, na altura a invenção revolucionária de Edison, antepassado muito longínquo das nossas pequenas câmaras de vigilância em alta definição. Mas a imagem de um fonógrafo em cada poste de iluminação concretizou-se (particularmente em Inglaterra, país muio apologista da videovigilância nos locais públicos). Quantos são os edifícios, quantas são as estradas, quantos são os locais onde se se olhar com atenção podemos ver o olho frio da lente enclausurado no seu casulo de metal e vidro fosco?

O conto pode ser lido online, com outro título: The Lady Automaton.

Este conto está publicado com este título no excelente The Frankenstein Omnibus, um volumoso compêndio de obras de ficção às voltas com o mito do cientista que no seu laboratório cria monstros. Esta obra funciona como um verdadeiro livro omnívoro - as suas páginas contêem desde contos de autores clássicos e contemporâneos de FC e Horror aos guiões dos filmes da Universal, a peça de teatro que adaptou a obra de Mary Shelley ao palco e formou a base do filme lendário de James Whale com Boris Karloff, sem esquecer a verdadeira preciosidade que são os velhos contos de terror do virar do século XX, publicados por autores já esquecidos nas revistas literárias vitorianas, ou os contos pulp dos anos 20 e 30.

O conto de Kellett, The New Frankenstein, não lida com monstros disformes, muito pelo contrário. O anti-herói do conto, o professor Arthur Moore, é um génio científico que cria um autómato feminino - uma ideia em voga na época, com raízes no conto O Homem de Areia de E.T.A. Hoffmann e bem desenvolvido na obra L'Ève Future do escritor simbolista francês Villiers de L'Isle Adam. Há qualquer coisa de estranhamente misógino nestas obras que descrevem a criação de mulheres perfeitas, artificiais, sempre belas e submissas... e que hoje têm eco nas obras de FC que andam às voltas com a clonagem.

That beautifal, lady-like girl, that had ushered me into the room, whom i had taken for his wife, was an automaton! That doll-like expression was due to the fact that she was a doll.

O autómato, Amelia, é posto à solta nas festas da alta sociedade inglesa por um Moore disposto a mostrar a vacuidade das mulheres da sociedade. Mas o inevitável acontece - a perfeição de Amelia inspira dois jovens de amores, e a tragédia tem o seu fim quando um dos tresloucados apaixonados impede o casamento do seu rival com Amelia, apunhalando-a na cerimónia do casamento e revelando assim que o coração do autómato era composto de serradura...

Mais uma avó para Maria, o protótipo de todos os andróides. Se repararem bem, este andróide do lendário filme Metropolis de Fritz Lang inspirou o visual do ícone dos robots, o divertido C3PO da saga Guerra nas Estrelas.

Coisas destas eram escritas e discutidas na era vitoriana. E achamo-nos nós muito modernos e controversos, com as nossas visões de cyborgs, andróides ou seres genéticamente modificados...

Leituras

BBC | Antartic water world uncovered Observações efectuadas por satélites revelaram que por debaixo dos gelos da Antártida existe um complexo sistema de rios subterrâneos. As bolhas de água resultantes contraem-se e expandem-se muito rapidamente, obrigado à oscilação dos gelos à superfície.

The New York Times | Debtors search for discipline via blogs Uma curiosa subcultura dos blogs - feita por aqueles que escrevem sobre as suas dívidas, como forma de se disciplinarem publicamente e se incentivarem a fugir a tentações consumistas, controlando assim as suas dívidas de crédito. Ideia americana, terra dos cartões de crédito, mas que bem podia pegar por cá, terra do crédito imediato.

The New York Times | With one word, children's book sets off uproar Confusões à americana: os bibliotecários dividem-se, as associações de pais ameaçam já com boicotes e processos, os defensores da moral e bons costumes agitam-se, os professores encolhem-se perante terem de explicar o conteúdo do livro. O porquê de tanta guerra? The Higher Power of Lucky, a obra de literatura infantil que este ano venceu um prestigiado prémio de literatura infantil contém uma palavra ofensiva de natureza altamente controversa, que está a deixar muitas bocas abertas com o escândalo. A palavra? Escroto. Que se não me engano é capaz de também aparecer em livros de biologia. A confusão instalou-se - uma obra premiada torna-se de leitura obrigatória na sala de aula, mas uma simples palavra controversa divide as opiniões.

Paleo-Future Um blog sobre visões passadas do futuro.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

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Luz interior.

Quatro e trinta e três

mp3> John Cage - 4' 33''

4'33'', ou a peça musical mais curiosa escrita por Jonh Cage, ou a mais erudita das composições, ou a mais erudita das piadas, ou só podem estar a gozar conosco, ou uma profunda meditação minimalista no significado do silêncio, ou que barulheira, ou a perfeita impossibilidade do silêncio. Quatro minutos e trinta e três segundos de (im)puro silêncio.

Leituras

BBC | Trials for "bionic" eye implants O sistema Argus utiliza uma câmara montada sobre armação de óculos ligada a eléctrodos que estimulam o nervo óptico. A resolução ainda não é grande - a tecnologia só permite ainda a implantação de sessenta eléctrodos sobre o nervo óptico. Mesmo assim, estudos preliminares apontam para que a estrutura cerebral dos pacientes com estes implantes se altera, maximizando a eficiência do implante. Hoje, membros artificiais, orgãos artificiais e protótipoos de olhos mecânicos. Amanhã... we are borg we will assimilate you!

The New York Times | Taking the debate about god online, and batling it out with videos A guerra entre crentes e ateus é já bem velhinha, mas a internet abriu novos campos de batalha entre os defensores do espírito e da liberdade de pensamento e os bovinos acólitos de dogmas teológicos fantasistas e repressivos. O You Tube tornou-se um estranho repositório para depoimentos corrosivos registados em video, onde ateus e crentes se atacam mutuamente.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

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Sábado gordo. Para os amantes das folias carnavalescas, desejo que se divirtam. Para aqueles que como eu não apreciam as profundezas homoeróticas do disfarçe de marafona, boas sonecas. Bem sei que preciso.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

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Despertar antes do despertador e ver o céu negro a clarear ao som do vento. Ver o dia raiar num cinzento pesado.

Get your groove on

mp3> Grand Funk Railroad - Gimme Shelter
mp3> Dee Lite - Groove is in the Heart

Ritmos imparáveis em duas vertentes díspares. Os Grand Funk Railroad, banda veterana dos anos 70, a mostrar porque é que o rock será sempre eterno. Num registo mais pop, o hit psicadélico dos Dee Lite a saudar a memória da pop electronica do início da década de 90. Música com ritmo, a abrir sem parar.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

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Começar a manhã enevoada ouvindo o clique metálico dos monitores a procurarem modos de video.

Supercool

mp3> Lali Puna - Toca Discos
mp3> Dean Martin - Everybody Loves somebody

Duas sonoridades muito diferentes, com um ponto em comum. Os Lali Puna são uma banda alemã de pop electrónica com uma sonoridade apaixonante. E Dean Martin, enfim, é um dos membros do supra-sumo do cool, um dos Rat Pack. Ambos os temas se saboreiam com um bom martini nas mãos.

Leituras

BBC | Music execs criticise DRM systems Uma mudança de paradigma? Os responsáveis pelas editoras estão finalmente a perceber que as pessoas não querem comprar música online se não tiverem a liberade de a tocarem onde bem entenderem.

Correio da Manhã | Portugal falha no bem estar educativo O recente estudo da UNCEF coloca Portugal como um dos piores lugares para se ser criança, nos parâmetros de desempenho escolar, pobreza e exclusão social e bem estar cultural e económico. Eu adicionaria o parâmetro arquitectura escolar deprimente - com a maioria dos nossos estudantes encerrados em bunkers feios que visualmente nada inspiram.

Guardian | The state of european childhood O mesmo estudo referiu-se ao Reino Unido e a outros países da UE como maus locais para se ser criança, muito ao contrário do esperado. O Guardian analisa a juventude em França, onde os riscos de exclusão social e racial são enormes, em Itália, onde ser professor é um risco de saúde, e na Alemanha, onde a paternidade não é socialmente vista com bons olhos.

Guardian | Forget bird flu: mad publicity disease is much more scary Um aviso à navegação: sem querer escamotear os perigos da gripe aviária, as histerias jornalísticas depressa criam climas alarmistas que não reflectem a real dimensão do problema.

The New York Times | The ad-free cellphone may soon be extinct Os responsáveis pelas empresas de telecomunicações estudam novas formas de nos bombardearem com publicidade. Digo, e repito: andamos a ver mal os perigos da internet. Enquanto nos apoquentamos com os vírus, com as ameaças do cibercrime ou com os horrendos actos pedófilos, executivos respeitáveis conspiram para acabar com a natureza livre da internet, transformando-a em mais um espaço mediático subordinado ao lucro, onde os discursos culturais só são úteis se gerarem dinheiro.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

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Porque é que o fundo preto fica sempre bem? Porque o preto é uma cor unificadora, capaz de unir formas discordantes e nos dar a percepção de unicidade. É um truque fácil. O complicado é tentar unificar com outras cores.

Leituras

BBC | Stem cells used to boost breasts A arquivar nos sintomas de futuro desenfreado: as células estaminais são a nova pedra filosofal das biociências, prometendo capacidades quase milagrosas. Por entre os tratamentos propostos para a doença de Alzheimer ou para o envelhecimento, surge esta ideia de utilizar células estaminais para... bem, para tornar mais naturiais os implantes de seios para as mulheres que desejarem um busto mais bem torneado do que aquele com que naturalmente nasceram...

BBC | Mobile networks powered by wind Um projecto inovador a aplicar na Namíbia: torres de retransmissão de telecomunicações cuja energia é produzida por uma combinação de paineis solares e turbinas eólicas.

Guardian | Unilateral force has nothing to do with global democracy Melífulamente, Vladimir Putin vai avisado que a nova Rússia, enriquecida à custa do petróleo e do gás natural, deseja regressar em força à arena internacional. Enquanto discursa, o exército russo rearma-se com porta-aviões e novos mísseis nucleares.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

No sun up in the sky

mp3 -> Etta James - Stormy Weather: uma das canções perfeitas.

Oh yeah
Life is bare
Gloom and misery everywhere
Stormy weather, stormy weather
And I just can't get my poor self together
Oh I'm weary all of the time
The time, so weary all of the time


Sonoridade perfeita para este cinzento final de dia. O céu está carregado, o vento assobia por entre as àrvores. O silêncio impõe-se.

Noutros registos sonoros, os amantes de música obscura podem ouvir a música que voa, num fabuloso easy-listening dos anos 70. Se resistem à nostalgia deste final de dia, ouçam Berry Lipman a elogiar a beleza das raparigas de Paramaribo (Paramaribo, Suriname, ali mesmo ao lado da Guyana Francesa e do Brasil, em pleno Amazonas). Como as de Ipanema já tinham a sua canção, Lipman ficou-se mesmo pelas raparigas da capital da antiga Guyana Holandesa.

mp3 -> Berry Lipman - The Girls From Paramaribo: um som indescritível.

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Tons de rosa, contra este dia tão cinzento.

PS: abomino o rosa.

Leituras

The New York Times | Intel prototype may herald a new age of processing Pensam que dual core é novo e radical? A Intel promete para breve a demonstração do Teraflop Chip, que tem um pouco mais de núcleos de processamento do que os dual core. O Teraflop terá 80 núcleos.

Guardian | US accuses Iran of arming Iraqis O objecitivo Irão desenha-se nas entrelinhas destas recentes notícias em que os serviços secretos norte-americanos acusam o Irão de forncer armas às guerrilhas iraquianas, chegando a imprensa americana a revelar frases como "soldados americanos mortos por armas iranianas". Será verdade, ou será uma campanha de desinformação destinada a atiçar os fogos, suavizando as opiniões públicas para um cada vez menos hipotético ataque aéreo ao Irão? Nitidamente começou a busca pelo casus belli que permitirá a Washington atacar de mãos aparentemente limpas. Serão estes rumores de armas iranianas o novo incidente do golfo de Tonquim?

Guardian | Catholic Portugal votes to allow abortion in early pregnancy Sem comentários. Vale a pena ler para perceber que nossa imagem lá fora saiu muito valorizada.

Guardian | Books for pleasure É o dilema dos ministérios: no que toca à literatura de um país, a ênfase deve ser colocada na obrigatoriedade do estudo de algumas obras consideradas essenciais, ou na promoção do gosto pela leitura?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

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Em volta das espirais.

O Demónio de Ferro



Robert E Howard, Conan, O Demónio de Ferro, Saída de Emergência, 2006

Saída de Emergência
Wikipedia | Conan

Com este segundo volume das aventuras da lendária personagem de Robert E. Howard a editora Saída de Emergência sublinha a sua intenção de publicar a obra completa deste autor seminal em português, com traduções contemporâneas e edições cuidadas. Depois da edição de A Rainha da Costa Negra, este segundo volume publica segundo a ordem cronológica mais cinco exóticos do bárbaro musculado descrito como além do bem e do mal - o bárbaro cuja moralidade selvagem se sobrepõe à malícia das palavras melífulas e moralidades apregoadas dos homens civilizados. Quem leu o primeiro volume pode esperar mais aventuras puras, cheias de descrições de terras exóticas, homens malévolos, donzelas desnudas em perigos mais gravosos do que morte e mistérios sombrios solucionados pela espada empunhada pelos poderosos músculos de Conan. A quem desconhece o personagem, recomendo vivamente esta leitura. É viciante, e aprofunda o bichinho do gosto por esta personagem icónica.

As palavras de Howard estão muito bem servidas pela tradução. Costuma-se dizer que traduttore traditore, mas a tradução cuidada destes contos preserva-lhes o vigor e a chama que são tão vitais a este género literário.

Como nota final, uma estranha comparação. Os contos publicados em A Rainha da Costa Negra eram puras aventuras na era hiboriana criada por Robert E. Howard. Os contos de O Demónio de Ferro continuam a ser excitantes histórias de aventura, mas expoem um lado mais negro do autor. Há nestes contos uma estranha prevalência de mulheres desnudas expostas a tenebrosos perigos, rituais ou torturas, sempre salvas pelos braços musculados do héroi. É um lado mais sexualizante, típico do pulp, que tem sido largamente explorado em todas as iterações do personagem em comics e filme. Passando-se nas latitudes mais austrais das terras imaginárias hiborianas, Robert E. Howard descreve com assinalável desprezo decadentes civilizações que o leitor logo associa ao mundo àrabe, e faz largo uso do estereótipo do negro como selvagem brutal, incivilizado e desprovido de humanidade. Citando as palavras de Howard, Conan não é "cão que deixe uma mulher branca nas garras de um negro". São estereótipos clássicos, mas a não levar muito a sério. Os autores pertencem ao seu tempo, e Robert E. Howard foi um autor dos anos trinta saído do sul dos Estados Unidos.

A admiração que sentimos pelos nossos autores favoritos leva-nos muitas vezes a esperar mais deles do que aquilo que eles foram. Idealizamos ídolos, e ficamos desapontados quando estes não correspondem à imagem que deles temos. Mas estas correntes mais tenebrosas, estas significâncias mais arriscadas na obra de Howard não são nada de inédito ou programático. São só um reflexo do seu tempo. Como outro exemplo poderia falar de H. P. Lovecraft, também reconhecido por uma certa xenofobia expressa em contos como The Street... As reticências são uma suspensão, quem leu este conto sabe bem como o lado negro de Lovecraft se revela. Quem não sabe... leia.

Está explicada uma das razões que me levou a escolher a imagem que ilustra o post. Não consegui encontrar uma imagem da capa deste segundo volume dos contos de Conan, e não tive grande paciência para digitalizar a capa da minha cópia do livro. Geralmente costumo ir ao site das editoras em busca da imagem de capa, mas o site da Saída de Emergência está a preparar um redesign do seu site. Fiquei curioso.

Leituras

BBC | Old music's digital comeback A revolução digital na música está a insuflar nova vida nas músicas de outros tempos. Se até agora não era económicamente viável manter numa loja um catálogo de discos antigos, numa loja virtual essa inviabilidade desaparece. É mais um sintoma bem real da teoria da longa cauda.

The New York Times | When it comes to innovation, geography is destiny No mundo da tecnologia, há um lugar que sempre se destacou: o famoso Silicon Valley. Não é de longe a única região dedicada à vanguarda da tecnologia, mas é sem dúvida a que mais mística evoca.

The New York Times | Recasting the word processor for a connected world Há quem esteja a trabalhar activamente numa verdadeira revolução. Em vez de um computador carregado de software dispendioso, porque não uma simples ligação à internet? O Google Docs e Spreadsheets é uma das faces mais visíveis - pelo menos para todos os que utilizam o gmail e o blogger - de um esforço no sentido de mudar as ferramentas de trabalho do computador pessoal para a rede. No futuro, é bem possível que em vez de software instalado, se utilize aplicações web, com o próprio arquivamento dos ficheiros a ser feito na rede. O conceito de aplicações web não é novo, mas está a ameaçar chegar ao mainstream.

Google | notícias sobre o referendo O referendo de ontem só pecou pelo elevado nível de abstenção, uma constante cada vez mais agravada nos actos eleitorais portugueses. Os que votaram estão de parabéns: não só pela vitória no sim à despenalização, mas também pela assinalável diferença percentual entre o número de votantes no sim e o número de votantes no não. Este é um pormenor importante. Num assunto tão divisivo, onde a influência das forças morais tradicionais se faz sentir com mão de ferro, os portugueses souberam reagir em direcção à modernidade. A história portuguesa leva-nos a esperar que nestes momentos as forças tradicionais prevalecem sobre as forças modernistas. Não foi o que aconteceu, o que simboliza as significativas mudanças sociais que este nosso país está a viver. Perderam os defensores da moral e bons costumes, que já andam certamente para aí a gritar que isto representa o fim do mundo e que os quatro cavaleiros do apocalipse pouco tardarão para nos castigar pela veleidade do voto no sim. Ganharam aqueles que olham para o mundo real e que recusam que as morais e os costumes escondam hipocritamente os problemas. Quer se seja a favor ou não do aborto, a verdade é que o aborto é praticado, e a lei corrente era ineficaz - a penalização não evitava o aborto, apenas o desviava para a clínica privada no estrangeiro ou para o vão de escada. Esta despenalização promete finalmente um fim a estas graves injustiças. É até possível que o número de abortos diminua, ao contrário do apregoado pelos partidários do não. Perante escolhas claras, e aconselhamento, as decisões mais difíceis tornam-se mais fáceis. Por isto, os defensores da vida deveriam também estar contentes com esta vitória - se forem verdadeiros defensores da vida, e não defensores de dogmas que procuram estigmatizar quem não os segue - ou quem é apanhado pelo turbilhão da realidade, que pouco se compadece com dogmas estanques. Quanto ao resto, as inevitáveis análises sobre o futuro das escolhas reprodutivas, sobre as posições dos partidos, do governo, das forças sociais e de uma igreja que parece estar a ver a sua influência a desvanecer-se, essas deixo-as para os especialistas. Assunto para crónicas, artigos de opinião e discussões é coisa que não lhes falta.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

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Aprende-se tão bem a brincar... um mero detalhe.

Leituras

BBC | No sleep means no new brain cells Boas notícias para os dorminhocos em geral e para os apreciadores de uma boa sesta em particular. Pesquisadores da universidade de Princeton detectaram que em ratos privados de sono a renovação de células cerebrais sofria uma forte diminuição. Este estudo vem dar um novo alento à expressão "sono reconstituinte.

Guardian | Never mind the iPods Comemoram-se os trinta anos sobre a explosão do punk, o estilo radical de bandas como os brilhantes Clash ou os polémicos Sex Pistols. A questão que fica no ar é a se será possível hoje surgirem explosões criativas como a do Punk. Os acordes insultuosos de God Save The Queen foram um marco irrepetível. Hoje, a paisagem mediática em eterna mutação especializou-se em co-optar revoluções. Os rebeldes de hoje são os sucessos comerciais de amanhã. com a rebeldia institucionalizada e comercializada, haverá verdadeira vitalidade na cultura pop?

Guardian | US able to strike Iran in the spring Ofensiva na primavera, é o que se fala por detrás dos discursos públicos em que Washington garante que não pretende atacar o Irão. Apesar dos discursos, mais um grupo de porta-aviões foi destacado para o golfo pérsico, e os estrategas afadigam-se a preparar listas de alvos. A acontecer, a ofensiva será apenas aérea, com a neutralização de alvos estratégicos e, em especial, das instalações nucleares iranianas. Com o mandato a menos de dois anos do fim, o inefável presidente Bush pode querer acabar a sua presidência de forma literalmente explosiva.

E não há ninguém que julge este animal (e os seus sequazes) por crimes contra a humanidade...?

The New York Times | If Leonardo had made toys O avanço tecnológico combinado com as economias de escala significam que os materiais, equipamentos e software de ponta estão a ficar tão baratos que podem ser utilizados nos humildes brinquedos. Entre os novos brinquedos que estão a chegar ao mercado encontram-se ornitópteros a baterias de lítio, veículos todo-o-terreno rádio-controlados que se assemelham mais a robots do que aos tradicionais carrinhos, ou robots tele-comandados. Dá vontade de voltar a ser criança... ou de comprar estes brinquedos ostensivamente para as crianças mas depois perder horas com eles.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

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Photobucket - Video and Image Hosting

Uma brincadeira às voltas com uma forma que criei para despertar a imaginação dos meus alunos. O inkscape não é a ferramenta certa para isto, mas o desafio está mesmo aí.

Leituras

BBC | Doomsday vault design unveiled O governo norueguês pretende construir nas ilhas Svalbard um repositório de biodiversidade. Denominado Svalbard International Seed Vault, vai ser escavado numa montanha deste arquipélago remoto e albergará sementes de todas as varieades conhecidas de plantas comestíveis. O objectivo deste projecto de 5 milhões de euros é o de preservar a biodiversidade contra todas as adversidades possíveis e imagináveis, desde catástrofes nucleares às consequências do aquecimeto global.

BBC | Branson launches $25m climate bid O conhecido milionário, dono da marca Virgin, lançou um prémio para quem encontrar a melhor solução para o problema das emissões de dióxido de carbono. A ideia não é nova, e talvez dê origem a soluções interessantes - recorde-se que o X-Prize dinamizou (e dinamiza) equipes de astronáutica privadas (que culminou no voo suborbital do SpaceShip One), e o Darpa Grand Challenge anda a fazer sonhar engenheiros de robótica com o seu prémio para quem desenvolver um veículo robótico autónomo. A minha humilde contribuição para a iniciativa: uma sugestão que reduziria de forma significativa as emissões de CO2 através do desmantelamento da frota de aviões da Virgin Airways, com a sua substituição por uma frota de veleiros que assegurasse a travessia entre a Europa e a América...

BBC | Cool clouds turn light to matter Warren Ellis chamou a esta notícia um puro momento de ficção científica no nosso dia. Nem sequer me atrevo a tentar compreender a ciência por detrás desta exploração das propriedades dos condensados de Einstein-Bose, mas o resumo para leigos é fascinante: travar e congelar a luz. Cada vez mais, o futuro é agora.

Guardian | Head is as good as feet Para se escrever sobre terras distantes e outras culturas, o que é que realmente se necessita? De viajar, visitar, ir lá conhecer, ou de uma biblioteca bem apetrechada e uma mente inquisitiva?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Sim, Não, talvez... porquê?

Confesso que este é o post que ando a adiar. O assunto é divisivo, e moralismos político-sociais são coisa que em regra geral pouco ou nenhum interesse me despertam. Não é apatia, é um simples just don't care. Fiquem lá com os vossos interesses que eu fico-me com os meus. Mas a este assunto não me posso esquivar, especialmente porque as alarvidades que por aí se dizem são tão grandes que fico estonteado com a enormidade da ignorância e da sobranceira. Enfim, não consigo fugir a pronunciar-me sobre o referendo de domingo. Não que considere que as minha palavras sejam assim tão importantes, especialmente sobre assuntos sobre os quais tantas luminárias se pronunciaram, mas enfim, qual é a piada de ter um blog se não se expressar uma opiniãozita de quando em vez...?

Geralmente, quando se fala de aborto, a virulência dos comentários é tanta que faz recordar um ataque nuclear de larga escala com centenas de icbms carregados com ogivas múltiplas. A coisa costuma assumir proporções cataclísmicas. Homens e mulheres moderados de ponderadas palavras rasgam-se em vitupérios quando falam do assunto, especialmente quando falam do que outros pensam sobre o assunto. Mas que se dane. Venham daí os misseis. É angustiante, porque gosto pouco de chatices, e tenho pouca paciência para discussões - vício que me vem da minha cada vez mais nula paciência para os meus compadres humanos.

O primeiro ponto que tenho de deixar claro é que não consigo, em sã mente e consciência, compreender os benefícios do aborto. Não consigo compreender a ideia de aborto como algo de progressista. Na nossa era, em que a ciência desempenha um papel tão importante, a ideia de vida é mais preciosa do que nunca, precisamente porque as ferramentas da ciência nos permitem compreender a vida. Lutamos pela preservação de espécies, fascinamo-nos com as descobertas sobre a vida microbiana dos extremófilos, esterelizamos as sondas espaciais para que micróbios terrestres não contaminem os hipotéticos ecossistemas marcianos. Perante isto, defender a ideia de que aniquilar uma vida humana no seu princípio, chegando ao ponto de discutir precisamente o que é isso de vida humana, como uma ideia progressista, é algo que me ultrapassa. Especialmente quando a nossa compreensão da reprodução humana nos permite acesso a meios de contracepção eficazes, e quando a nossa evolução social deveria permitir o acesso à educação sexual e ao planeamento familiar. Com meios mais eficazes e evoluídos de controlar a reprodução, a aniquilação de fetos através do aborto parece-me um método primitivo, ineficaz e éticamente errado. Imaginem que alguém sugeria que uma boa forma de acabar com o desemprego era começar a matar desempregados. Ideia ridícula, não é...?

Infelizmente, é uma constante humana, esta preferência pelo ineficaz em detrimento do eficaz - mas que dá trabalho. Parece-nos sempre muito mais fácil remediar do que prevenir.

As eternas discussões sobre se o feto vive ou não parecem-me absurdas. Um micróbio, um vírus, podem não nascer, crescer, ir à escola, escrever um livro, ter um filho e plantar uma àrvore, mas não deixam de ser considerados seres vivos. No entanto reconheço que esta linha de raciocínio pode levar à ideia da vida sagrada, glosada tão brilhantemente pelos Monty Python no filme O Sentido da Vida, com a surreal coreografia ao som da canção Every Sperm is Sacred..., e lá se abre espaço aos que defendem que a santidade da vida não deve ser impedida por contracepções ou esse pernicioso envenenamento da mente da juventude que é a educação sexual. E a ideia de santidade e preciosidade da vida humana é sublinhada sempre que alguém se faz explodir em nome de ideais religiosos, ou sempre que alguém é morto em disputas mesquinhas ou guerras idiotas.

Posto isto, está na hora de encarar a realidade: o aborto existe. É uma das tristes realidades contemporâneas, como o consumo de drogas, a pobreza ou a poluição. A questão, a questão real, que ultrapassa as considerações teóricas, os argumentos elegantes e os idealismos bem intencionados, é saber se somos capazes, como sociedade, de enfrentar o problema do aborto, ou se preferimos enterrar a cabeça na areia, protegidos por moralismos bacocos e leis repressivas. Até agora, tem sido isso precisamente o que tem acontecido. Ficam os moralistas todos contentes, no genuflectório e no café, porque essa coisa do aborto não existe. Sabe-se que existe noutros países malvados, até mesmo em Espanha, mas daí nem bom vento. E até se sabe que existe nos vãos das nossas escadas, mas disso nem se fala. Os defensores do não fazem-me sempre recordar aqueles que têm as casinhas sempre limpinhas, brilhantes e bonitinhas... com o lixo todo escondido debaixo dos tapetes e atrás dos móveis. Mas o estar escondido não interessa, o que interessa é que não está à vista...

Mesmo quem não concorda com o aborto tem de concordar que esta situação é insustentável. A lei actual, que pune o aborto excepto nas mais estritas condições, é perfeitamente ineficaz. Tem como único resultado que os afluentes vão abortar do lado de lá da fronteira, e os que não têm dinheiro sujeitam-se aos horrores do vão de escada. Os, perdão, as, que nisto quem é sacrificado é a mulher. Não é a existência da lei que impede o aborto, apenas o varre para debaixo do tapete, com consequências gravíssimas e inaceitáveis.

Posso não concordar com o aborto, mas recuso-me a castigar quem o pratica. Porque a decisão de abortar não é de certeza uma decisão fácil, e será algo que para sempre irá pesar na consciência de quem a tomou. Mas o erro, o crime, não está em quem tomou essa decisão, está numa sociedade que em nome do vírus da religião e da convenção do que é ou não aceitável interfere em algo tão natural como a vida sexual. A culpa não está na mulher, está numa sociedade que aceita mal o planeamento familiar, que há vinte anos remete a educação sexual nas escolas para o quadro das eternas boas intenções, que considera a utilização de contraceptivos como algo de contra natura. Mas é sempre muito mais fácil aos defensores da moral e dos bons costumes atacarem as vítimas das suas hipocrisias do que encarar a realidade.

Talvez esta moralidade seja consequência do entranhar da igreja no tecido social português, talvez não. Contra as opiniões da igreja nada tenho - o que me chocaria seria se os representantes da igreja tivessem uma posição contrária à de sempre. As realidades não fazem parte do domínio teológico.

Por isso, no próximo domingo, mesmo detestando a ideia de aborto, vou votar sim. Porque considero que a vida é preciosa, porque recuso hipocrisias moralistas e bons costumes alicerçados na ostracização. Porque o remediar é tão menos eficaz do que o prevenir...

Como nota final, não consigo deixar de reparar na importância deste debate. Apesar das minhas opiniões, apesar de tudo o que tem sido dito e escrito, não consigo acreditar que a despenalização do aborto seja um assunto assim tão importante que mereça um referendo. Escrevo isto sem querer desconsiderar que o problema do aborto - especialmente o que se prende com o aborto clandestino - não seja um problema grave. Mas será o problema mais grave do país? Vivemos sob a égide de um governo que goza de maioria absoluta no parlamento, e que legisla a seu bel-prazer. Neste assunto, em que poderia utilizar os seus poderes para corrigir a legislação existente, remete biblicamente a decisão para as mãos do povo, enquanto que em outros problemas graves que afectam o país legisla à sua vontade, sem olhar às mãos do povo. Enquanto discutimos a despenelização do aborto, vamos assistinodo à aniquilação dos serviços públicos, à virtual extinção da segurança social, à racionalização do sistema de saúde em nome de critérios economicistas e ignorando as necessidades das populações, ao esmagar do sistema educativo público. Usando a maioria, e usando o mandato político que lhe é democraticamente concedido para tomar decisões em prol de todos nós, o governo vai decretando reformas que todos os economistas garantem que são o melhor para todos, mas não nos é perguntado se queremos ser sumáriamente reformados. Atrevo-me a afirmar que o simples facto de ter sido referendado sublinha o desprezo institucional por esta questão - atira-se um osso ao povo, deixá-lo decidir, e da sua decisão lava-se as mãos.

Pronto, custou, mas foi. Agora carreguem lá no botão vermelho. Venham de lá essas explosivas ogivas.

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Um dia sem uma linha? Era só o que faltava...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

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Leituras

Ananova | Computer Calamities Por vezes há alturas em que queremos mudar de profissão, mas mesmo nos momentos mais críticos há profissões que nunca cobiçamos. Operador de telemarketing (a praga dos tempos modernos) é um dessas profissões "intocáveis". Outra? Operador de ajuda infomática on-line. Leiam estas pérolas e desesperem... há pessoas que deveriam ser proibidas de tocarem em computadores.

BBC | Crystals helped Viking sailors Esta é uma daquelas a arquivar na secção do "possível, mas...". Para navegarem na escuridão polar, os navegadores vikings poderiam ter utilizado cristais polarizadores para se orientarem pelo sol. Plausível, mas com um grande mas.

BBC | Hackers attack heart of the net A natureza robusta da rede distribuída foi posta recentemente à prova. Os servidores DNS, que são a espinha dorsal da internet, sofreram um ataque DoS, mas este mal foi sentido precisamente devido à natureza distributiva da rede. Desconhece-se quem terá lançado este ataque.

The New York Times | Jobs calls for end to music copy protection Steve Jobs, o mesmo que afirmou sobre o iPhone que controlaria todo o conteúdo do telemóvel, discursa agora contra as incongruências das editoras, que só vendem música em formato electrónico com restrições fortíssimas, mas vendem precisamente o mesmo produto em cd, fácilmente copiável e ilegalmente colocado na internet.

The New York Times | Techies cyber odyssey: magic in bits and bolts Estamos sempre ocupados a dizer mal do Windows e esquecemos um curioso pormenor: o windows suporta uma míriade de hardware. Essa é uma das fontes dos conflitos a que o sistema operativo nos habituou, mas também é a sua maior virtude.

A Political History of SF Curioso ensaio explorando as diferentes correntes políticas que permeiam a FC ao longo da sua história, concluindo que independentemente das inclinações políticas dos autores, a FC está imbuída de um espírito de activismo social através do progresso tecnológico. Uma leitura intrigante, via SF Signal

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

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Inkscape.

Leituras

BBC | Net safety day marked worldwide Nota da BBC sobre o Safer Internet Day 2007, na comemoração do qual alunos meus participaram com um pequeno trabalho. A grande vantagem destas iniciativas é que promovem o uso seguro da internet pelas crianças, discutindo e ensinando a utilizar a internet de forma segura. Discute-se, e aprende-se, sem cair nos alarmismos mediáticos que tantas manchetes geram.in

Guardian | Obsessed by personalities, they've forgotten what democracy is for Por detrás da fanfarra oficial, a democracia americana apresenta falhas fundamentais. Com os media controlados por interesses económicos, o que vende é o que desperta facilmente a atenção. O debate político mais depressa se centra nas rugas ou nas personalidades dos candidatos ao cargo mais poderoso do planeta do que na discussão dos reais problemas económicos e sociais e das estratégias para os confrontar. Aos nossos olhos, não deixa de ser curiosa tanta fanfarra americana em nome do simbolismo democrático por parte de uma nação em que uma parte substancial da população não vota - porque nem sequer se encontra registada para o fazer.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

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Mais Inkscape. Hoje comemorou-se o dia da internet segura com uma maratona de blogs centralizada no Safer Internet Day 2007 Blogathon. A contribuição dos meus alunos está em Blogathon | Diário de Duarte.

Os Olhos do Faraó

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Valentí Gomez i Oliver & Boris de Rachewiltz, Os Olhos do Faraó, Publicações D. Quixote, 1993

Wikipedia | Pepi II Neferkare
Pepi II

A colecção de livros gratuita que a revista Sábado lançou numa iniciativa de marketing destinada a aumentar as vendas da revista por vezes surpreende. Ainda faltam uma série de livros a reeditar, na maior parte, pelos títulos, clones mal disfarçados da pulp fiction contemporânea, mais preocupada com segredos tenebrosos do passado histórico do que em crimes sensuais e sangrentos, e os que até agora têm sido editados mantém-se dentro deste campo. Todos, excepto um: este Os Olhos do Faraó.

Não posso em sã consciência observar que Os Olhos do Faraó é uma obra empolgante, que nos mergulha nas areias do passado, nos mistérios do antigo egipto. É o que pode parecer, tendo em conta a sua edição numa colecção cujo tema são os "mistérios" do passado, mas redudantemente afirmo que não o é. Antes, Os Olhos do Faraó é um misto de estudo histórico-arqueológico com romance. O livro retrata com uma precisão académica o antigo Egipto numa época muito especial, e consegue através do ficcionar de situações históricas documentadas insuflar vida nos textos antigos e nos relatos passados gravados sobre as pedras cobertas de hieroglifos.

Os Olhos do Faraó traça a vida de Neferkara Pepi, ou Pepi II, faraó peculiar na história do antigo Egipto. Senhor do Egipto durante o mais longo reinado da história egípcia - os peritos dividem-se entre algo como sessenta a noventa anos de reinado. O reinado deste faraó marcou o declínio do império antigo, com a monarquia egípcia a perder poder para a alta nobreza e a classe sacerdotal. O final do reinado de Pepi II trouxe consigo o caos e a guerra civil, e a sexta dinastia egípcia pouco mais durou após a morte de Pepi II.

O livro trata precisamente desse declínio do poder monárquico, através da biografia de Pepi - uma biografia humanizante mas que não se detém em considerações intimas sobre o que levou Pepi a ceder tão fácilmente, ao longo dos anos de reinado, às pressões exteriores. É um livro simples e eficaz, que nos conta de forma muito eficiente um período da história egípcia.

É um livro atípico para a colecção - não há segredos tenebrosos ou artefactos misteriosos. Apenas o final do livro nos dá algumas sugestões mais ocultas, quando alguns sacerdotes se revelam convencidos de serem os seguidores da antiga tradição atlante e colocam em segurança um artefacto que diziam conter o sangue de Osiris. Nada de particularmente inventivo - Platão citou, para mal dos futuros exploradores de mistérios, estas crenças egípcias em povos arcaicos de além mar (no Timeu e no Crítias, quando descreve a Atlântida, terra imaginária de todas as quimeras), e pouco surpreende que os ameaçados sacerdotes de um templo cercado encontrassem forma de colocar em segurança artefactos sagrados.

Ler Os Olhos do Faraó é ficar a conhecer um pouco mais profundamente a história do antigo egipto. E só isso já é um grande valor. Pessoalmente, recordo com clareza as imagens literárias que retive quando li, há já muitos anos, o Quo Vadis de Henrik Sienkiewicz. O livro era - e é - um pastelão, mas as descrições apaixonantes da arquitectura romana ainda hoje perduram na minha mente. Os Olhos do Faraó pertence a essa classe de obras que não são valiosas pelas histórias que contam, mas sim pela consciência da História que tão eficazmente reavivam.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

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Dia de folga. Acordar de manhã na caminha, passear a cadela até à praia, pegar num livrinho e ler relaxadamente? Não, eis-me com os ossos na escola... mas enfim, dei o trabalho por terminado. A colaboração dos meus alunos no blogathon do Safer Internet Day 2007 está pronta e publicada. Podem ler o trabalho em Diário do Duarte. Os textos e as imagens são todos da autoria dos alunos. A minha intervenção esteve no lançar do trabalho, apoio técnico e necessárias correcções à estrutura narrativa e erros ortográficos.

Leituras

BBC | Storage growth sets a fast pace Lembram-se dos tempos em que ter um disco rígido com um gigabyte era o máximo? Hoje, as drives de 250 gb banalizam-se, e 1 gb é a capacidade habitual de um corriqueiro dispositivo amovível de memória flash. As disquettes estão a desaparecer do mercado e o cd em breve seguirá o mesmo destino. Entretanto, prepara-se a entrada no mercado de discos rígidos com a estonteante capacidade de um terabyte - 1024 gigabytes.

The Guardian | Upgrade rage Com grande fanfarra, a microsoft lançou mais uma versão do sistema operativo dominante no mundo digital. Mais uma iteração do windows, o vista promete à partida uma coisa: tornar obsoleto aquele computador novinho em folha que se comprou há seis meses. Por muito tecnológicamente avançado que seja o hardware, os avanços do software tornaram-se implacáveis. Algo a que os viciados nos jogos já se habituaram está a transbordar para os utilizadores comuns.

The New York Times | The Netherlands, the new tax shelter hot spot A ideia de paraísos bancários offshore onde as grandes empresas se podem livrar dos impostos costuma evocar imagens de praias caribenhas paradisíacas populadas por homens de negócios obscuros que lavam dinheiros de proveniências que ficam melhor ignoradas para bem da nossa pele. Mas para as celebridades e detentores de propriedade intelectual, a Holanda está a surgir como o paraíso onde podem declarar os seus rendimentos e escapar ao pagamento de impostos. É na Holanda que as super-bandas, como os U2 ou os Rolling Stones, estão fiscalmente sediadas, pagando impostos mínimos sobre os seus elevadíssimos proventos. Quem fala em bandas fala em catálogos de editoras musicais ou rendimentos de licenciamentos de imagem, a beneficiarem da legislação de um país que não aplica impostos sobre rendimentos provenientes de trabalho criativo. A questão que fica tem a ver com a justiça - é através dos impostos que os estados têm rendimentos para se financiarem, o que levanta questões morais - especialmente no caso dos U2 cujo líder, Bono Vox, discursa regularmente em prol da erradicação da pobreza... mas foge a pagar impostos que poderiam ser aplicados em programas de combate à pobreza.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

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- não me livrei do condomínio;
- o meu dia de folga amanhã foi ao ar, os simpáticos senhores do CRIE decidiram fazer uma visita e deram três dias de antecedência - dois no fim de semana;
- o neptuno pode ser um bar incongruente mas é óptimo para uma boa noite de conversa. mas no dia seguinte a cabeça pesa;
- then again, who cares?