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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Bit2Geek: As Boas Leituras de 2020


 Era para ter feito aqui uma recolha dos livros que mais me intrigaram em 2020, mas pensei, e que tal meter no Bit2Geek? Why not, se o site é dedicado à ciência e tecnologia, mas também à cultura geek? Algo que este ano, na ausência de eventos, não tem havido cobertura. Cá vos deixo uma lista, pessoal, feita de novidades e velharias, que começa com medusas jupiterianas e bruxedos galegos e acaba com mapas do inferno e astronautas. Boas leituras, embora suspeite que estes livros devem ser bem conhecidos por vós: As Boas Leituras de 2020.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

The Big Book of Mars

 

Marc Hartzman (2020). The Big Book of Mars. Quirk Books. 

Um olhar para o planeta Marte, dividido entre várias vertentes.  Primeiro, os mitos das ciências incipientes, sobre canais e possíveis habitantes. Não esquece a interrelação entre cultura popular e estes mitos vindos de observações que posteriormente vieram a ser desacreditadas pelo avançar da ciência. Marte, com os seus canais e civilizações imaginárias, captou a imaginação no cinema e literatura, e não deixou de o fazer quando a ciência nos mostrou ser um planeta deserto e desprovido de vida (tanto quanto se sabe), com o sonho de o colonizar a substituir a aventura clássica. Finalmente, encerra com um panorama do que se sabe, hoje, de Marte graças à exploração levada a cabo por sondas e rovers, bem como uma visão dos planos para o estabelecimento de uma presença humana no planeta vermelho.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Cosmos: Mundos Possíveis


Ann Druyan (2020). Cosmos: Mundos Possíveis. Lisboa: Gradiva.

Considero-me afortunado por ter sido uma criança Cosmos. Não me interpretem mal, não escrevo isto num sentido tretológico de espiritualismos e "ciências" alternativas. Fui um daqueles sortudos que, nos anos formativos da sua adolescência, chegava a casa e podia ver um programa de televisão chamado Cosmos. Um programa que me ajudou a formar enquanto pessoa, com a sua visão inabalável sobre curiosidade científica, vontade de olhar sempre mais além, e erudição no cruzamento de ciência com história e arte. Sim, aqueles que cresceram a ver o entusiasmo de Carl Sagan foram uns sortudos.

O espírito de divulgação científica acessível mas sem medo de complexidade de Sagan deixou marcas indeléveis. Influenciou todos os que se interessam pela ciência. Esse espírito foi reavivado com uma nova série, com Neil deGrasse Tyson, ele próprio um excelente divulgador. E, crucialmente, com organização de Ann Druyan, viúva de Sagan, continuadora do seu legado. É neste contexto que se insere este novo Cosmos. É continuidade, mas também atualização. O estilo é muito similar ao Cosmos original, tal como a erudição, abertura de ideias, e espírito de curiosidade.

Hoje, felizmente, já há mais conteúdos desafiantes que intrigam e captam o espírito para as ciências. Mas Cosmos não deixa de ser um marco, e esta nova versão atualizada faz justiça ao original.

domingo, 25 de agosto de 2019

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Abstract Aerial Art: O misto entre natural e artificial da paisagem do antropocénico como abstração fotográfica.

O feito extraordinário da conquista da Lua: Um dos textos imperdíveis sobre os 50 anos da ida do homem à Lua. Paulo Gil fala-nos do projeto Apollo e suas conquistas, que não se ficaram pela pegada de Armstrong no solo lunar.

A NOVELA GRÁFICA “SABRINA” de Nick Drnaso: Ainda não li, mas está na lista. O ter sido um finalista do literário Booker Prize este ano é ao mesmo tempo intrigante e dissuasor. Intriga pela bizarria de ser distinguindo num prémio de literatura erudita, e dissuade precisamente por isso, o agrado académico nem sempre se traduz em livros verdadeiramente interessantes. Outra raridade: está editado em português.

Terrestrial Warfare, Drowned Lands: Daquelas coisas que só a mente analítica de Geoff Manaugh nota. Ao olhar para o mapa de uma zona agrícola no estado de Nova Iorque, Manaugh ficou intrigado por ler nomes de ilhas no que são, essencialmente, planícies. A investigação revelou uma daquelas histórias mirabolantes, que inventadas ninguém acharia convincentes. Até ao século XIX, toda a área era o leito de um rio irregular. O que hoje são planícies agrícolas férteis eram na altura pântanos. As poucas elevações eram, de facto, ilhas. Mas o surpreendente foi a reação das populações locais quando se começou a construir barragens para regularizar o curso do rio e eliminar os pântanos infectos. Despoletou uma verdadeira guerra civil, com combates armados entre os defensores das velha paisagem e os das transformações de engenharia que vieram a dar origem a uma das regiões mais férteis do estado. No artigo, há um relato de um ataque a uma barragem em construção que faz empalidecer os argumentos de westerns ou filmes pós-apocalípticos.


STAR TREK: PICARD Official Trailer (2019) Patrick Stewart, Sci-Fi Series HD: O sucesso de Star Trek Discovery tem destas. Segue-se um reviver de uma das séries mais icónicas do universo trekkie, com o regresso do tranquilo e resiliente Capitão Picard e o seu make it so. Será interessante, ou ficar-se-á pelo toque de nostalgia?


Here’s the cover and opening pages of Arthur C. Clarke’s 1986 future-telling book July 20, 2019: Intrigante. Clarke escreveu um livro a predizer o mundo de 2019, que, claro, como toda a FC oracular, dificilmente não será datado. Pessoalmente, desconhecia que Clarke tivesse escrito este livro, e agora tenho de ir à caça dele...

The Cremain Comic Book: Arquivar em coisas arrepiantes. E que tal ter na coleção de comics uma edição impressa com tintas que incluem as cinzas do seu criador? Existem algumas edições de um comic da Marvel assim, cumprindo o desejo do argumentista Mark Gruenwald de, em caso de falecimento, ser cremado e ter as suas cinzas impressas no media que lhe fez a carreira.

Instalamos un malware que "hackea" nuestro móvil: estos son los permisos que pueden llegar a obtener sin que nos demos cuenta: Para ser rigoroso, é de observar que não é assim tão fácil ultrapassar as defesas de um android. Mas quando se consegue (e, para isso, nada com a boa e velha engenharia social, mesmo que oculta sob a promessa de uma app ou jogo gratuito), é arrepiante perceber o nível de controlo absoluto que propicia aos hackers. Vai muito mais longe do que retirar dados do dispositivo. O telemóvel torna-se um dispositivo de vigilância total, com a câmara e o microfone ao serviço dos hackers, e é porta de entrada para o computador pessoal e toda a informação que se coloca online e offline.

Home Invasion: A relação de auto-descoberta pessoal entre sexualidade e a internet. Não no sentido de consumo industrializado de pornografia, mas de partilha e descoberta, vista dos primeiros tempos da massficação do online.

Model Metropolis: Sim City é talvez o jogo mais influente de todos os tempos. Não só por fascinar gerações de jogadores, mas pelo seu próprio formato, de gestão de sistemas complexos. Mas quais são os pressupostos que construíram o modelo de urbanismo do jogo? Will Wright, o seu criador, inspirou-se na obra de um cientista da computação e urbanista que, nos anos 70, estabeleceu as linhas guias de um modelo matemático de tecnocracia urbana. Um modelo problemático, uma espécie de codificação matemática de preconceitos conservadores, que nunca levou em conta a diversidade humana e se veio a provar como agudizador de problemáticas sempre que aplicado. Menos no ambiente de jogo, aí corre de acordo com os postulados. Mas é de sublinhar que os cidadãos sim são bastante amorfos e categorizáveis.

What Technology Is Most Likely to Become Obsolete During Your Lifetime?: Excelente pergunta, mas quem a tenta responder depara-se logo com tecnologias consideradas obsoletas que se incrustaram no nosso dia a dia. Por exemplo, hoje ninguém usa máquinas de escrever, mas elas sobrevivem nos teclados físicos e virtuais que usamos para interagir com sistemas digitais. Ou melhor, a omnipresença do quadro de giz nas salas de aula. A lição está não na obsolescência direta de tecnologias, mas na extinção (ou não) das práticas sociais que sustentam.

Announcing Make: Community: A boa notícia, é que a Maker Media reagiu depressa à possível queda. Mas há no entusiasmo do comunicado algo que me deixa de pé atrás: o reaching out to makers and fablabs para serem destacados nas próximas edições da revista Make:. Parece-me demasiado próximo do modelo vanity press, em que a motivação para ler a revista não está no seu conteúdo, mas na possibilidade de lá aparecer em destaque.

Lifehacker: Tarek Loubani on 3D-Printing in Gaza: Como efetuar mudanças positivas com impressão 3D. O projeto deste médico e ativista canadiano parte da substituição de material médico caro, por elementos impressos em 3D. Num exemplo, um estetoscópio passa de cerca de duzentos dólares para cinco, o que tem um impacto enorme nos serviços de saúde em áreas empobrecidas. E, especialmente, em Gaza, um território em eterno estado de sítio.

The Data Is Ours!: Os dados são o novo petróleo, e isso não é uma frase batida. Como é que podemos garantir a  nossa privacidade, ou salvaguarda pública das predações ditadas por ganância?

Google’s Equiano Cable Will Extend to the Remote Island of Saint Helena, Flooding It With Data: Intrigante. O novo cabo submarino da Google, que interligará Portugal à África do Sul, poderá provocar uma pequena revolução digital no Atlântico Sul. Pela primeira vez, a remota comunidade de Santa Helena irá dispor de acesso fiável de banda larga à internet, o que poderá revolucionar a economia deste pequeno resquício colonial inglês. Ah, antes que comecem a agitar a bandeirinha nacionalista, porque o cabo parte de Lisboa, olhem para o mapa e percebem o porquê de Portugal. Temos uma posição muito estratégica para o estabelecimento de ligações submarinas através do Atlântico, que servem não para servir destinos específicos, mas para tornar o tráfego global mais fluído e rápido.

Why Everyday Architecture Deserves Respect: Celebramos os grandes marcos da arquitetura, os edifícios icónicos, mas esquecemos que são os edifícios vernaculares do nosso dia a dia que realmente têm impacto na nossas vidas.

The Mistrials of Algorithmic Sentencing: Duas coisas a destacar neste artigo. Primeiro, os problemas éticos e judiciais levantados pelos algoritmos de apoio à decisão jurídica, especificamente relativos aos dados que foram usados para treinar os modelos. É curioso ver que apesar de tudo o que se fala sobre estes sistemas, os tribunais não lhes dão assim tanta importância.

Disney producirá una nueva serie basada en 'La Guía del Autoestopista Galáctico', una de las biblias de la ciencia ficción: Inserir meme not sure if aqui. A obra de Douglas Adams é hilariante, será que sobrevive aos impulsos de massificação por focus group para garantir um produto mediático de sucesso?

Realistic Starfleet meetings: O que é que um conhecedor de reuniões de planeamento militar faz quando olha para as suas versões em ficção científica? Insere slides reais (cuidado: powerpoint do pior a caminho) nas imagens ficcionais.

Rutger Hauer, genre actor and Blade Runner icon, has died at 75: Like tears in the rain. Curiosamente, este ator também faz parte do cinema português. Em 2013, fez parte do elenco do filme de Ficção Científica RPG, realizado por David Rebordão.


A World Without Mad Magazine: Não é necessariamente um mundo mais pobre. A Mad teve a sua época e impacto cultural, e hoje, de facto, é mais algo nostalgista do que culuralmente significativo. Este artigo, que se lê como uma elegia, sublinha muito bem esse aspeto ao falar-nos do ponto alto da revista enquanto marco da contracultura.

Playing Video Games Makes Us Fully Human: Uma análise do que nos faz gostar dos jogos digitais. Imersividade, e a forma como encaixam no nosso instinto de curiosidade.

Influentials, Networks, and Public Opinion Formation: Que os influencers são praticamente inúteis, exceto para departamentos de marketing desesperados em busca de soluções de publicidade, já o sabíamos. Agora, há a ciência para suportar esta intuição.

Citroën Sabotaged Wartime Nazi Truck Production in a Simple and Brilliant Way: Como é que a empresa francesa reagiu à obrigação de construir veículos para os ocupantes alemãs na II Guerra? Diminui um pouco o tamanho da vareta de medição de óleo do motor. O suficiente para causar a médio prazo sérios danos aos motores dos veículos. Sabotagem discreta, mas eficaz.

Quadradinhos para o Verão: Fico um pouco surpreendido por ver Pedro Cleto a usar a expressão quadradinhos (como em histórias aos quadratinhos, termo depreciativo para a banda desenhada), mas as suas sugestões são impecáveis.


The world through the eyes of a neural net: Isto é bom humor, uma piada tão profundamente geek. A investigadora por detrás deste sempre interessante blog fez uma experiência: alimentou um algoritmo de aprendizagem profunda, especializado em identificar e categorizar elementos em imagens, com excertos de um filme. O output foi um conjunto de categorizações que depois foram usadas por um algoritmo de geração automatizada de imagens. A realidade, traduzida para linguagem de máquina, numa tradução que foi usada para outra máquina voltar a gerar algo de tangível

How the U.S. Could Lose a War With China: Não termina com a bandeira vermelha erguida sobre as ruínas de Washington. Basta que os chineses atrasem a projeção do poderio militar americano para consolidar o domínio sobre os seus potenciais alvos. No pior caso, ataques às infraestruturas militares americanas no Japão, aos satélites e aos grupos de porta-aviões seriam o suficiente para atrasar a resposta e, por exemplo, ocupar Taiwan em poucos dias. E com isso ganhar o conflito, mostrando que os poderosos, afinal, não têm a capacidade de defender os seus aliados. Nestes jogos à escala planetária, o domínio total já não requer aniquilação do adversário.

Computers that can see: Para nós, a omnipresença das lentes nos telemóveis, máquinas fotográficas e câmaras é algo que oscila ente o útil e divertido e algo que faz parte do ambiente. Mas do ponto de vista dos sistemas digitais, é graças a esta ubiquidade da imagem que estão a aprender a ver o mundo.


Torus space stations by Tim White, Robert McCall, David Mattingly, and Don Davis: Preciso mesmo de explicar a raison d'être desta sugestão de leitura?

27 autores españoles para iniciarse en la ciencia ficción y fantasía: O Xataka não faz por menos, dá-nos vinte e sete sugestões para descobrir a FC em castelhano. Uma lista a manter à mão, para poder fazer umas pesquisas bibliófagas na Casa Del Libro da Gran Vía. No Bit2Geek fomos mais comedidos e só sugerimos cinco, como ponto de partida para descobrir a nossa ficção científica.

YUVAL NOAH HARARI: WHY I ALLOW LOCAL ADAPTATIONS OF MY BOOKS—INCLUDING UNDER AUTHORITARIAN REGIMES | OPINION: Lamento, Harari, mas há anos-luz de distância entre alterar metáforas de futebol para baseball entre leitores europeus e americanos, e eliminar trechos que sejam potencialmente críticos a Vladimir Putin. Lamento, mas o argumento de querer aumentar a quantidade de pessoas que tomam contacto com ideias de charneira no impacto da tecnologia, mesmo que isso implique suavizar textos, não pega, muito menos da suposta pequenez do mercado editorial russo (e a refilice sobre os piratas literários iranianos, neste contexto, é muito pateta). Harari tem feito ligações interessantes entre história, tecnologia, sociologia e humanismo nos seus livros, embora sofra um pouco de um certo enviesamento que centra tudo em perspetivas tecnológicas. Esta decisão dele é, francamente, desapontadora.

domingo, 9 de junho de 2019

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Windows Solitaire inducted into the World Video Game Hall of Fame: O humilde e ubíquo Solitaire faz parte da lista dos melhores jogos de sempre? Bem, é de facto um jogo muito jogado, talvez dos mais jogados do mundo.

Drones are giving Houthi rebels an edge in the ongoing war in Yemen: Quando pensamos em drones militarizados, pensamos em máquinas predadoras high tech. O que as guerrilhas Houthi estão a mostrar na guerra civil do Yemen é que os drones comerciais podem ser armados com explosivos e dão excelentes armas de baixo custo, de difícil defesa.

Be wary of robot emotions; ‘simulated love is never love’: Temos tendência a antropomorfizar os nossos objetos, e se estes tiverem algum simulacro de vida, esses sentimentos agudizam-se. São cada vez mais as histórias de pessoas que se sentem emocionalmente ligadas aos seus robots. Emoções curiosas, tendo em conta que são mecanismos, não conscientes, de movimentos programáveis. Mas não deixamos de as ter, faz parte da natureza humana.


L.A. Museum Opens New Exhibit of Dystopian Vehicles From Movies Like Blade Runner and Mad Max: Fury Road: Os veículos icónicos da Ficção Científica, adereços de filmes marcantes como Blade Runner, Back to the Future ou Mad Max, em exposição num museu automóvel algo distante para se poder lá ir de carro. Pessoalmente, de todos escolho o carro do filme Blade Runner. O design futurista de Syd Mead sempre me deixou de queixo caído.

‘The Orville’: 5 Things We Need to See in Season 3: Isto, se houver uma terceira temporada, que está a demorar a ser anunciada. Algo que faz falta à série é explorar melhor o seu próprio mundo ficcional. Pessoalmente, acho que as aventuras do tenente Dann poderiam ser mais exploradas.

O controverso tratamento para o cancro que arruinou uma mãe no Luxemburgo: As delícias da charlatanice aliadas à completa falta de humanidade, ou como lucrar com a doença, a dor e a morte. No mundo da desinformação científica, há muitos abutres que vestem bata branca e debitam falsidades, criando falsas esperanças para sacarem dinheiro a vítimas de doenças oncológicas. E ainda lhes diminuem a esperança de vida. Algo que não é novidade, apesar do carinho que os jornalistas televisivos e as personalidades tratam estes falsos tratamentos (provavelmente, recebem uns trocos pelo patrocínio). Recomenda-se também a leitura deste artigo do SciMed: A Falsa Salvação das Vacinas de Células Dendríticas.


POST-STALKER: NOTES ON POST-INDUSTRIAL ENVIRONMENTS AND AESTHETICS: O fascínio das estéticas da ruína urbana e industrial, vistas pelo prisma de um clássico da ficção científica soviética.

Junji Ito’s Smashed Are the Creepiest Horror Comic Stories You’ll Read This Year: Se estão à procura do melhor que o mangá de terror tem para oferecer, não há melhor recomendação do que o trabalho do mangaka Junji Ito. Com um traço elegante, oferece-nos horrores que oscilam entre o irónico e o escatológico. Tanto pode ser leve, como profundamente perturbador. Não é o único, há outros desenhadores nipónicos a praticar este género (e alguns muito perturbadores, como Suehiro Maruo ou Hideshi Hino), mas Ito destaca-se. Não há, tanto quanto sei, edição portuguesa de qualquer das suas obras. A Devir, que por cá edita autores de mangá com obras complexas na coleção Tsuru, trazendo-nos livros fabulosos de Jiro Taniguchi e Shigeru Mizuki, editou no Brasil Uzumaki, uma das mais marcantes obras de Ito. Pessoalmente, recomendo a série Tomie, ou os contos curtos de Voices in the Dark/New Voices in the Dark, que estão editados em Espanha pela ECC.

Destreza robótica: por qué los robots pueden hacer cálculos complejos pero no pelar un cable: É um clássico. Qualquer computador/robot/IA desempenha uma tarefa lógica em ínfimas frações do tempo que demoraria a um humano. Agora, algo que pensamos ser simples, como manipular um objeto ou andar, é-lhes quase impossível.

Fob Jam: E se, numa cidadezinha, de repente todos os comandos de garagem deixarem de funcionar... pode ser devido a uma inesperada interferência eletromagnética. Nada como Geoff Manaugh e o seu sempre birlhante BLDBLG para nos recordar das arquiteturas invisíveis de radição que coexistem com as estruturas físicas dos espaços que habitamos.


Treasured Stories: “I Wonder Who’s Squeezing Her Now?” (1979): Se olharmos para a lista de nomes de desenhadores influentes da era dourada dos comics, Wally Wood está no topo. O seu traço meticuloso e detalhado marcou um estilo, as histórias de Ficção Científica e Terror que criou para as publicações da EC Comics e Warren Publishing são delícias visuais. O que eu não sabia era que Wood, mais para o final da carreira, andava pelo mercado do erotismo. E a Warren também. Esta história, de fino humor negro, é um dos exemplos. Tranquilizem-se, a hiperligação não vai para a material indecente ou explícito. Vale para rever o traço único de Wally Wood.

The Problem With Social-Media Protests: Bastantes, a começar pela sua imprevisibilidade e imediatismo, que invalida iniciativas sustentadas de progresso. Mas o real problema do centramento em redes digitais está na impessoalidade, que permite a qualquer ator mais sagaz fazer uso de bots e fake news para garantir o enviesamento dos protestos.

First Physical Retaliation for a Cyberattack: O primeiro, e como observa o analista de segurança digital Bruce Schneier, o primeiro de uma tendência. O hacking é uma técnica quase perfeita de guerra assimétrica, mas se os estados não olharem a limites éticos, casos com este, em que a força aérea israelita bombardeou um edifício com um grupo de hackers palestinianos, vão se tornar padrão.

Ted Chiang, the mind behind Arrival, returns with another awe-inducing sci-fi collection: Ted Chiang é um caso estranho na literatura de ficção científica. Discreto, raramente publica. Nunca editou um romance, o seu corpus literário é composto unicamente por contos. Foge aos temas mais habituais do género. Os seus contos são pérolas literárias, minuciosos, complexos, sempre surpreendentes. É talvez o escritor de FC mais influente, aquele que os grandes nomes deste género literário referem com um misto de veneração e inveja, e vai sair finalmente o seu segundo livro de contos.


MATTE PAINTING REVIEW: A Selection of Overlooked Films - Part One: O Matte Shot publicou novamente, o que significa uma longa página de imagens surpreendentes. Este blog neozelandês é especializado na análise de efeitos especiais pré-digitais, especificamente nas pinturas hiperrealistas de cenários que, combinados com truques ópticos, criam a ilusão de espaços vastos, de fantasia. Publica de forma muito esparsa, mas quando o faz, é um dilúvio. Vale a pena ler, e por vezes ficamos surpreendidos ao rever um fotograma de um filme clássico que conhecemos, e descobrir que a paisagem que nos deslumbrou afinal não existia, foi um efeito meticulosamente pintado.

China’s Algorithms of Repression: Há uma app para isto. Arrepiante, a forma detalhada como a China usa uma combinação de força policial e hipervigilância digital para esmagar uma minoria étnica. E como tudo pode ser negociável, a tecnologia já está a ser exportada para quem quiser aplicar o exemplo nas suas populações. Para os chineses, este tipo de políticas tem uma vantagem adicional. A minoria étnica uigur é uma excelente beta tester de formas de vigilância apertada de cidadãos que depois de eliminados os bugs pode ser aplicada à escala nacional.

Facebook talked privacy, Google actually built it: Não há grande surpresa aqui. O Facebook não está, nunca esteve, minimamente interessado na privacidade dos seus utilizadores, e o mesmo com a questão das fake news. Não é com isto que lucra. Já a Google, talvez o seu interesse manifesto em ações concreta se deva a sentirem que já não precisam de agregar assim tantos dados pessoais para treinar os seus sistemas de inteligência artificial.

Finnegan’s Wake at 80: In Defense of the Difficult: A incapacidade de ler este livro de James Joyce ai ser uma das minhas grandes frustrações, que levo desta vida. Tudo tem a ver com a forma incrível como este grande nome da literatura moderna manipulou a língua num texto que, dizem, só é compreensível se lido em voz alta.

In every pot: É sempre de observar que graças aos progressos sociais, laborais, económicos e tecnológicos, a grande maioria das pessoas dispõe hoje de condições de vida que fariam inveja aos aristocratas de outros tempos. Não quero com isto dizer que se deva baixar os braços e não lutar contra desigualdades, desmandos sistémicos ou a perceção do alastrada da precarização e diminuição da perceção que as gerações vindouras terão menos expetativas de futuro do que nós tivemos. Antes, é uma forma de relembrar o quanto já progredimos.

Hell Is Other People’s Vacations: As dicotomias das férias e viagens. São benéficas do ponto de vista individual e coletivo, com valor cultural (a menos que se seja mero turista de alcool e sol) e económico. Por outro lado, há os impactos negativos: gentrificação de zonas urbanas, as marcas identitárias transformadas em falsos tipicismos comercializáveis, impacto carbónico das viagens aéreas e o mau comportamento de muitos viajantes. Intrigante a forma como o artigo termina, sugerindo viagens sim, mas com moderação comportamental. No fundo é isso, estamos a precisar de um código de ética turístico.

50 Dog Behaviors Explained: Não sei até que ponto isto é etologia ou antropomorfização, mas hey, quem tem cães, compreende.


New frescoed room found at Domus Aurea: Pouco nos chegou do riquíssimo mundo visual da antiguidade. Celebramos os vestígios arquitetónicos e estatuários, mas a pintura greco-romana não sobreviveu. Tintas e suportes não se aguentam com o passar do tempo. Exceto se houve catástrofes, como o soterrar de Pompeia em cinza vulcânica, ou, no caso deste fantástico achado arqueológico, o cobrir dos vestígios do fausto palacial de Nero pelo imperador Vespasiano.

'When I get tired of it all, I escape into poetry': book clubs bloom in Afghanistan: A literatura como forma de fuga a uma realidade violenta e opressiva.

The 2019 Locus Award nominees: your guide to the best sf/f of 2018: Junto com os Hugos, os Locus são as melhores medidas do que se publicou no domínio da literatura de FC e Fantástico. Os nomeados deste ano já são conhecidos, e a garantia que fica é que são mesmo o melhor que se escreveu nestes géneros.

Total Edutainment Forever: Como professor, costumo fugir do software e jogos educativos como o diabo da cruz. Parece estranho? Bem, na verdade grande parte deste tipo de produtos são infindas variações da estrutura pergunta-resposta. São repetitivos, mecanizados, limitados e essencialmente um tédio. Para se fazer um verdadeiro jogo educativo seriam necessários os meios técnicos ao dispor dos estúdios de jogos, mas isso não está acessível a um mercado bem menos lucrativo do que o dos jogos. Comparem, o que é que tem mais piada, e envolve mais um utilizador: um jogo de perguntas e repostas com imagens sobre os descobrimentos, ou um ambiente virtual tridimensional onde o jogador encarna a personagem de um marinheiro que irá embarcar numa caravela? Sendo polémico, suspeito que o detalhe arquitetónico de um jogo como Assassin's Creed faça mais pela educação do que milhentos jogos educativos.

‘Swamp Thing’: The Man of Abby’s Dreams Might Just Be a Monster [PREVIEW]: O que me leva a destacar isto é observar a profundidade do legado de Alan Moore para a DC. Esta versão televisiva do Monstro do Pântano já se afasta do cânone da série, mas está lá tudo o que Moore usou para pegar num comic de terror bastante banal e o tornar num dos ícones da DC Comics.

ARPANET, Part 1: The Inception: Os antecedentes da Internet, os primeiros projetos de interligação à distância de computadores, a começar pela visão de Licklider.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

História Breve da Lua


António Gedeão (1981). História Breve da Lua. Lisboa: Sá da Costa.

Uma forma deliciosa de se aprender sobre a Lua. O físico Rómulo de Carvalho unia muito bem os domínios da ciência e da arte, e este pequeno livro dramatizável é um excelente exemplo disso. Não é toda a história da Lua, mas são pequenas vinhetas que ensinam o leitor jovem, ou o espetador da peça, alguns conhecimentos sobre o nosso satélite.

Curiosamente, Gedeão (recordem-se, é o pseudónimo do cientista) começa a sua história com uma fábula de forte crítica social. Se ao olharmos para a Lua parecemos ver um camponês, é porque um homem pobre se viu, no esforço para sobreviver, forçado a trabalhar num dia de descanso. Foi, por isso, castigado pela divindade a tornar-se o velho na lua. Impossível não ler isto como uma fábula anti desigualdade, de crítica às regras impostas pelos donos do mundo. É sintomático que Gedeão se refira à divindade como grande senhor do mundo.

Terminada a fábula, Gedeão ensinar-nos alguns conhecimentos sobre a Lua. E fá-lo usando uma velha técnica didática: o diálogo entre vários personagens. Dois homens, um mais ignorante e outro mais curioso, falam com um astrónomo que, cheio de bonomia e paciência, lhes explica a realidade científica. Sendo uma peça, Gedeão vai deixando indicações para o que o cenário deve mostrar. No final, uma jovem assume o papel da lua, para que o astrónomo possa explicar as fases lunares.

Obra didática, é escrita num tom poético, cheio de bonomia e um claro amor à ciência. O livro é complementado por ilustrações que, nalguns apontamentos gráficos, conseguem sublinhar a beleza da descoberta científica.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Euclid's Window


Leonard Mlodinow (2002). Euclid's Window: The Story of Geometry from Parallel Lines to Hyperspace. Nova Iorque: The Free Press.

Não é suposto um livro sobre geometria e matemática ser tão divertido. Mas é. A leveza com que Mlodinow nos guia ao longo de temas complexos é admirável. Dizer que um livro de matemática é daqueles que não se consegue parar de ler é uma incongruência, a menos que se goste mesmo de matemática, mas é o que caracteriza este Euclid's Window.

O livro é, essencialmente, a história da evolução do conceito de espaço, através do seu desenvolvimento matemático. A geometria de Euclides é o ponto de partida, como primeira descrição rigorosa de conceitos espaciais. Daí seguimos para Pitágoras, Oresme, Descartes e Gauss, vendo como a fiolosofia se foi tornando mais rigorosa, cada vez mais dependente das abstrações matemáticas para alargar a compreensão das noções de espaço. Einstein fractura as convenções com as implicações da relatividade, e a partir daí a física exótica dos quanta e teoria das cordas expande o nosso conceito de espaço muito para lá da perceção de tridimensionalidade descrita entre Euclides e Descartes, que forma a sensação comum sobre o que é o espaço. Uma viagem bem ritmada pela história da ciência.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Astrofísica para Gente com Pressa


Neil deGrasse Tyson (2017). Astrofísica para Gente com Pressa - Uma Viagem Rápida e Iluminante ao Cosmos. Lisboa: Gradiva.

No que toca à divulgação científica, deGrasse Tyson é o herdeiro intelectual de Carl Sagan e, em menos medida, de Stephen Hawking. Sagan era um gigante nisto, influenciou toda uma geração, e o seu estilo marcante, misto de conhecimento sólido com sensação de deslumbre está bem patente na forma como Tyson aborda o divulgar da ciência. Coligindo artigos escritos para a National Geographic, abordam conceitos elementares de física e astrofísica. O estilo é coloquial, e isso perde-se um pouco na tradução.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Tomorrowland

 
 Steven Kotler (2015). Tomorrowland: Our Staggering Journey from Science Fiction to Science Fact. Amazon Publishing.

Seria preciso mais do que uma colecção de artigos díspares sobre algumas tendências tecnológicas para, realmente, entrar no campo da procura pelo que um futuro mediado pela ciência e tecnologia nos trará. Tomorrowland não passa deste nível elementar, de colecção de artigos previamente editados em publicações de renome. Recordo-me de ter lido alguns na Wired.

Se há um fio condutor nesta obra que pretende guiar-nos pela vanguarda que constrói hoje o futuro, é o do histerismo optimista, conjugado com o culto de personalidade da figura do empreendedor com visão e algumas pitadas libertárias do velho discurso do efeito negativo das nefandas regulações estatais sobre aqueles pioneiros que, desinteressados apenas querem levar mais longe as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias. Falta a este livro sentido crítico, o ir além de mero retrato de personalidades interessantes que desenvolvem trabalhos com o seu quê de radical.

Pensar desta forma é ignorar o papel fundamental da ciência, daquela menos sexy e mais cinzentona, vinda do mundo académico. Esquecer que leis e regulamentações podem parecer empecilhos mas são, também, protecções contra a predação exercida por pessoas sem escrúpulos ou para consequências antevistas do uso de tecnologias. Claro que as coisas são mais fluídas do que as habituais posições binárias, que de facto personalidades marcantes sabem fazer uso da investigação elementar para nos deslumbrar com serviços e produtos inovadores, ou que tem de haver adaptação das leis que regulamentam tecnologias à sua evolução. Mas notem, no caso do mito tão adorado nos dia de hoje do visionário capaz de mudar o mundo da tecnologia, que para cada Elon Musk ou Steve Jobs há algumas centenas de meros vendedores de banhas da cobra. E isto sem sequer entrar nas alegadas práticas laborais de Musk, ou na forma como a Apple explora mão de obra barata para vender produtos de luxo com taxas de lucro elevadas. Estaremos mesmo dispostos a esquecer estas questões em troca das visões de cromado reluzente de um futurismo tecnocrático?

Apesar deste livro nos trazer histórias interessantes sobre a vanguarda da tecnologia, e deixar algumas reflexões perceptíveis à luz das chamadas guerras culturais americanas, entre o conservadorismo que se socorre de todos os meios para levar em frente a sua agenda, este livro falha no essencial. Não consegue passar de mera colecção de artigos para, como pretende, ser um retrato plausível das tendências que irão modelar o futuro próximo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Connections


James Burke (2007). Connections. Nova Iorque: Simon & Schuster.

Uma coisa é afirmar que isto anda tudo ligado, insinuando os padrões inusitados e as interligações inesperadas que detectamos na nossa herança cultural. Outra é realmente prová-lo, pegando na história da ciência e tecnologia para nos mostrar os caminhos sinuosos e inusitados que nos levaram ao mundo contemporâneo. algo que James Burke sempre fez com enorme mestria, levando-nos em viagens do presente ao passado até ao regresso ao presente, mostrando que caminhos as tecnologias que hoje nos deslumbram seguiram na sua evolução.

O realmente interessante nos livros de Burke é que a resposta raramente é linear. A história da ciência, nesta perspectiva, não é a de um progresso contínuo feito por homens e mulheres dedicados  desbravar as fronteiras do conhecimento, mas a de uma evolução orgânica, feita quer de descobertas iterativas quer de acasos inesperados e, especialmente, de consequências não previstas de uma dada descoberta científica ou inovação técnica. É também uma história social, que nos mostra o quanto as condições económicas e sociais influenciam a explosão das tecnologias. Sublinha que o progresso científico não é isolado, que tem de haver uma necessidade social para que uma tecnologia saia da teoria, ou da invenção, e se torne prevalente no dia a dia de todos.

Descobri o trabalho de Burke nas páginas finais da Scientific American, onde a sua coluna Connections todos os meses nos trazia uma história surpreendente da história da ciência. A sua técnica era sempre a mesma. Pegar numa invenção que hoje nos deslumbra, dar um salto temporal ao passado para pegar em algo que aparentemente nada teria a ver com a inovação do presente, e por portas e travessas, por caminhos ínvios de pesquisa e investimento financeiro boa parte das vezes ruinoso, mostrar as surpreendentes ligações existentes. É uma forma muito interessante e empolgante de contar a história da ciência. Connections, originalmente escrito em 1978, é uma daquelas raras obras sobre tecnologia que não perde acutilância e actualidade graças ao seu olhar sobre as forças motrizes da evolução tecnológica.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os Marcianos Somos Nós


 Nuno Galopim (2015). Os Marcianos Somos Nós. Lisboa: Gradiva.

Um livro excelente para as manhãs, ou as tardes, deste verão. Dá-nos uma intrigante viagem pelo real e pelo imaginário do planeta Marte. Não sendo muito profundo, é abrangente, conseguindo tocar quer na história literária das visões fantásticas sobre o planeta, quer na história da exploração científica progressiva que nos permite conhecer cada vez melhor este planeta do sistema solar.

Para fãs conhecedores da literatura e cinema de ficção científica, este livro sabe um pouco a fazer o trabalho de casa. Sublinhe-se que Galopim traça uma visão abrangente da forma como esta literatura abordou o fascínio pelo planeta, comparando a evolução nas ficções com o conhecimento progressivamente ampliado pela investigação científica. Com base no saber de cada época, são-nos dadas recensões de obras ficcionais que imaginaram a vida, as possíveis civilizações e a exploração e colonização do planeta. Este diálogo entre saber científico e imaginário é o fio condutor da obra. Para quem conheça mal, ou não conheça, a literatura de ficção científica este livro vai-lhe parecer uma pequena enciclopédia. Fiel ao seu carácter multidisciplinar, Galopim não esquece o cinema nem a música.

De fora fica uma possível visão sobre Marte de autores portugueses de Ficção Científica (como A Verdadeira Invasão dos Marcianos de João Barreiros). O título também tem o seu quê de infeliz. Suspeito que na livraria onde o comprei as funcionárias pensavam que seria  um livro de auto-ajuda ou esoterismos. É muito curioso, e muito bom, ver este livro que mistura de forma exemplar ciência com ficção científica editado pela marcante colecção de divulgação científica da Gradiva.

Com uma boa análise quer na ficção científica quer na investigação, este livro é uma excelente forma de descobrir quer o género literário quer o que se sabe sobre Marte.