William Shelton (1964). Largada para o Infinito: A História de Cabo Canaveral. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura.
Um mimo para quem se interessa pela história dos primórdios da era espacial. Este livro reúne as impressões de um jornalista que acompanhou o estabelecimento da base especial de Cabo Canaveral e testemunhou os primeiros testes de foguetões americanos, desde as V-2 convertidas até ao lançamento das sondas espaciais Pioneer.
É uma descrição detalhada dos vários projetos que o jornalista acompanhou, detalhando a realidade da investigação e desenvolvimento de foguetões, um processo cheio de altos e baixos, com muitos acidentes e explosões. Um caminho árduo até à progressiva normalização dos lançamentos espaciais. Esse espírito pioneiro, de resiliência face às dificuldades e aos falhanços é bem capturado nestes textos.
O livro termina na viragem para os anos 60, com os relatos sobre os lançamentos dos satélites Explorer e sondas Pioneer. Visto do nosso tempo, esta histíoria é um preâmbulo para o momento mais glorioso da era Apollo e de todo o processo de desenvolvimento de lançamentos tripulados. É, também, uma obra que nos recorda o enorme otimismo dos primeiros passos que nos levaram ao espaço.
Colocar Norman Mailer a reportar a missão da Apollo 11 é tentar cruzar dois mundos - o libertário cultural, e o rígido científico-militar. Poderia ser o melhor de dois mundos, mas a visão de Mailer é demasiado solipsista, demasiado chocada com a súbita importância histórica e cultural que os técnicos, cientistas e militares asseguraram, roubando espaço às manifestações culturais avant-garde. Ao longo de Moonfire, Mailer até vai falando da missão, que acompanhou, mas o seu ponto de vista é distante e os acontecimentos são vistos quase como pano de fundo para os dilemas pessoais do autor. Talvez o texto tenha feito sentido na época, originalmente editado em 1970 na revista Life, mas décadas depois, o que é que importam os devaneios pessoais de um autor face ao espanto da primeira missão lunar? O livro vale essencialmente pelo acervo fotográfico que o acompanha.
Andrew Chaikin (2019). A Man on the Moon: The Voyages of the Apollo Astronauts. Nova Iorque: Penguin.
É impossível não terminar este livro sem uma tremenda sensação de tristeza. Não que seja uma obra triste, bem pelo contrário. Fala-nos, entre o romance e jornalismo, da enorme aventura que foi o programa Apollo. O único, e por enquanto irrepetível, momento na história da humanidade em que um esforço conjunto colocou homens a pisar o solo de um corpo celeste.
O livro é construído a partir das histórias e depoimentos dos astronautas que participaram nas missões. O autor consegue transformar uma tremenda manta de retalhos de fontes primárias numa narrativa estruturada, de bom ritmo de leitura. A estrutura segue as missões, com capítulos detalhados dedicados a cada uma.
Para lá da admiração pelo programa, pela capacidade e engenho, ou pela aventura dos astronautas, o que realmente se lê no livro é um forte sentimento de imensidão, de deslumbre pelas vistas inóspitas que só um punhado de homens viu com o seu olhar. Se a história e histórias do programa Apollo, os dramas e dilemas dos envolvidos, fazem o livro, o olhar do autor detém-se na Lua. É aí, nas descrições pormenorizadas da vida no Espaço, das parcas missões lunares, que se sente uma tremenda paixão pelo tema. A evocação da desolação lunar agarra-se ao leitor, é impossível ler este livro e não sentir o fascínio.
E, no entanto... cinco décadas depois da primeira alunagem, não estamos mais próximos de lá regressar. Claro que a exploração espacial é complexa e arriscada, mas sente-se que se poderia ter ido mais longe. A realidade do mundo, de uma humanidade que na sua larga maioria não olha para os céus, pesa mais do que o ardor científico e tecnológico, que sustenta o humanismo de ir sempre um pouco mais longe. É por isso que ao virar as últimas páginas, este livro desperta tristeza. Porque por enquanto, a sensação de pisar o solo lunar continua um momento irrepetível.
Terry Virts (2020). How to Astronaut: Everything You Need to Know Before Leaving Earth. Workman Publishing Company.
omo ser um astronauta, pela voz de quem o é. Neste conjunto de pequenos ensaios, o veterano Terry Virts fala-nos da sua experiência em missões no Space Shuttle e na Estação Espacial Internacional. E conta tudo, desde os detalhes divertidos aos momentos assustadores (indeciso entre uma fuga de amoníaco na estação ou a reentrada atmosférica numa Soyuz, passando pelos dramas, pela intensidade do treino a que são sujeitos. E sempre com um olhar no absoluto fascínio de, no meio da imensas tarefas e cuidados extremos, parar e contemplar lá de cima o nosso planeta azul. Algo que as imagens captadas nos dão uma pálida ideia, mas Virts fala-nos do imenso deslumbre do negrume estelar intersectado pelo azul intenso, com o verde das florestas, o amarelo torrado dos desertos, ou as luzes brilhantes da Terra nocturna.
Era para ter feito aqui uma recolha dos livros que mais me intrigaram em 2020, mas pensei, e que tal meter no Bit2Geek? Why not, se o site é dedicado à ciência e tecnologia, mas também à cultura geek? Algo que este ano, na ausência de eventos, não tem havido cobertura. Cá vos deixo uma lista, pessoal, feita de novidades e velharias, que começa com medusas jupiterianas e bruxedos galegos e acaba com mapas do inferno e astronautas. Boas leituras, embora suspeite que estes livros devem ser bem conhecidos por vós: As Boas Leituras de 2020.
John Logsdon (2019). The Penguin Book of Outer Space Exploration: NASA and the Incredible Story of Human Spaceflight. Londres: Penguin.
Uma outra forma de descobrir a história da exploração espacial. Não através de uma narrativa criada por um historiador, mas através de documentos-chave, fontes primárias selecionadas que nos mostram as ideias, processos de decisão, problemas de técnica e engenharia, constrangimentos financeiros, pressões políticas e clima de competição que caracterizaram a exploração espacial americana. Descobrimos os primeiros projetos, o profundo investimento do projeto Apollo, terminando com a retração da NASA para projetos mais sustentáveis e de cooperação, bem como o contributo dos novos operadores privados do espaço. Tudo contado através de memorandos, relatórios técnicos, políticos e financeiros, excertos de discursos, transcrições de conversas e atas de reuniões.
Old Sci-Fi Movies Probably Aren't as Good as You Remember: O que não é exatamente algo que os fãs mais cultos de ficção científica nunca se tenham apercebido. Sabemos que grande parte da Ficção no cinema clássico não era assim tão boa quanto isso, e envelhece mal. Histórias algo patetas, personagens básicas, estruturas narrativas pouco coerentes, maus efeitos especiais, realizadores muitas vezes em modo idgf. No entanto, também reconhecemos a importância das obras clássicas para despertar a imaginação. E se na generalidade estes filmes não eram assim tão bons, deixam-nos sempre com algo, um elemento icónico, uma cena incontornável, um momento visual retrofuturista marcante, ou um conceito interessante. É por isso que os revemos, e não os deixamos cair no esquecimento.
“The Orville”: What Seth MacFarlane’s Series Can Teach “Star Trek: Discovery” About “Trek” [OPINION]: The Orville sempre foi mais fiel ao espírito Star Trek do que os reboots e séries contemporâneas do universo Trekkie. Apostou no aprofundar do humanismo das personagens (mesmo as profundamente alienígenas) , na solidez narrativa, na aventura sem os intensos dramatismos de ST Discovery. E funciona, esta improvável comédia SciFi tornou-se umas das interessantes séries de ficção científica da atualidade.
Cómo ha cambiado la literatura de ciencia ficción en los últimos 50 años: de la distopía al hopepunk: A ficção científica tem sofrido imensas mudanças e evolução como género nos seus pressupostos culturais. Talvez a grande constante seja a sua progressiva diversidade, alargando o espetro da FC da clássica aventura no espaço aos campos sociais, políticos e de identidade. Há quem não goste, eu, pessoalmente, prefiro um género literário amplo e diverso, cheio de ideias e histórias intrigantes. No final do livro, o que conta realmente é a sua qualidade literária.
The Hope In Dystopia: Podem as utopias ser um símbolo de esperança? Parece contraintuitivo, uma vez que a distopia por si representa o imaginar dos piores sistemas sociais. No entanto, nesse ato estão as sementes de revolta contra injustiças, e o aviso vindo da Ficção que nos ajuda a olhar para os problemas da contemporaneidade como ultrapassáveis.
Vincent Di Fate: Aka o ilustrador que me obrigava a comprar a Asimov SF Magazine, quando chegava a Portugal.
The Surprising Trans-Themed Story in Space Adventures #7 from 1953: De facto, deparar com histórias que abordem explicitamente a transsexualidade vindas dos Comics de ficção científica dos bem pudicos anos 50, surpreende. Foi por estas que se gerou o pânico moral que deu origem à Comics Code Authority, uma iniciativa de auto-censura industrial em resposta a pressões de setores da opinião pública, que "limpou" o género espartilhando-o, ditando o fim de muitas vertentes narrativas exploradas por uma indústria que se fixou na banalidade dos super heróis.
The signature film of every major city: Qual é o filme que fica indelevelmente associado a uma cidade? Esta lista tem pontos discutíveis, mas ninguém pensa em Casablanca, o filme, sem associar à cidade marroquina, ou Berlim às Asas do Desejo. Outras cidades têm outros filmes, todos marcantes, e há que adorar Blues Brothers como símbolo de Chicago. Falta Lisboa na lista. Mas, que filme marca a nossa cidade? Fugindo ao clássico popularucho Canção de Lisboa e às visitas de Wim Wenders com Lisbon Story, que tal Três Irmãos de Teresa Vilaverde?
The Art of Fugue...Japan' first CG anime film 1968: Pessoalmente, fascinam-me estes artefatos dos primórdios da computação gráfica. O que hoje nos parece básico, foi o resultado de enormes esforços de investigação. Este filme, note-se, usa figuras geradas por computador mas foi filmado fotograma a fotograma a partir da impressão de cada imagem.
Si me das tu número de teléfono es probable que ni imagines lo que puedo averiguar sobre ti: Na verdade, tudo o que o jornalista fez foi encontrar informação publicamente disponível a partir de números de telefone. Um número dá acesso a uma foto de perfil e um nome no telegram ou whatsapp, e a partir daí é cruzar informação das redes sociais. Arrepiante? Depende. Se são daquelas pessoas que nunca refletiram sobre como funcionam as redes sociais e como melhor as aproveitar, pode parecer surpreendente descobrir que as informações que julgavam partilhar em grupos restritos, afinal são acessíveis por todos (os que tenham vontade para isso, e aqui a coisa pode tornar-se séria, com motivações criminosas). Mas se perceberam as suas regras do jogo, sabem que adotar um perfil público trata-se de, em essência, perceber que imagem querem projetar, criar uma persona adequada e controlar os fluxos de publicações que criam. Isto só sublinha a real importância da verdadeira literacia digital.
Twitter Users Share The Things Kids These Days Can't Do: Não sei qual delas a melhor. Se a incapacidade de bater enfaticamente com os auscultadores do telefone para mostrar fúria (façam isso com um smartphone de gama alta e a fúria logo se transforma em arrependimento) ou o estar habituado a texto cursivo manuscrito, e não como tipo de letra de estilo retro no ecrã.
Kids are surrounded by AI. They should know how it works: Sim, devem. Como professor ligado às tecnologias, ouço muitas vezes a boca de "ah, para que é que lhes ensinas 3D e programação, o que eles precisam de saber é Word e powerpoint e pesquisar na Internet". Pelo menos já evoluíram para incluir competências de pesquisa, penso enquanto lhes tento explicar pacientemente a diferença entre literacia tecnológica e uso de ferramentas (na verdade, a razão pela qual tantos acham importante ensinar estas ferramentas é porque o seu uso representa o ponto máximo das suas competências digitais). Falar e mexer com inteligência artificial é o passo lógico. Não só pelo argumento utilitarista de quanto mais cedo descobrirem, mais longe irão, mas essencialmente porque uma compreensão profunda destas tecnologias é uma condição de cidadania elementar, numa sociedade mediada pelo digital e cada vez mais estruturada por algoritmos.
I create fake videos. Here’s why people believe even the obvious ones: A razão disto é bem conhecida. Estamos mais predispostos a acreditar em ideias que confirmem os nossos preconceitos e enviesamentos cognitivos e ideológicos, mesmo que sejam falsas ou manipulativas. E as provas em contrário não nos convencem precisamente graças a esta predisposição. No entanto, muito interessante esta nota de esperança, mostrando que talvez esta crise das imagens falsas seja uma questão geracional: "For my generation and generations before, particularly those of us who saw the transition from film to digital photography, the trust in the image is there to be broken. For my son and subsequent generations raised on media, the trust, it seems, was never there in the first place". How the Internet has changed the way we write — and speak. It’s not all ALL bad: Os males que a internet está a fazer à literacia e uso da língua é uma refilice comum. No entanto, talvez o que o mundo digital veio trazer foi a aceleração da evolução linguística, com o espalhar rápido de expressões vernaculares que se tornam parte da normalidade falada. Como estamos a viver essa transformação, isso parece-nos estranho ou arrepiante, quase uma degradação, mas a verdade é que as línguas evoluem, não falamos como falaríamos há meio século ou mais, nem usamos as mesmas expressões. Se ouvir dizer lolada pode irritar o ouvido, recordem-se que já ninguém diz que vai à pharmácia.
Leonardo da Vinci’s mechanical lion recreated: Um dos autómatos clássicos do renascimento, que só sobrevive por apontamentos nos diários de Da Vinci e em relatos da época, reconstruido.
YOUR NEXT ROBOT NEEDS GOOGLY EYES, AND OTHER LESSONS FROM DISNEY: Recordo que uma das coisas que encanta quem mexe com o robot anprino Nandy é que o posicionamento da carenagem do sensor HR-SR04 faz parecer que o robot tem olhos. Há uma razão para isso, é psicológica. Empatizamos com mecanismos que tenham traços antropomórficos. Algo tão simples como colar googly eyes é o suficiente para nos despertar reações de carinho para com os mecanismos.
The Myth of Technophobia: É, de facto, paradoxal. Sempre que uma nova tecnologia potencialmente transformadora nos chega às mãos, a reação pública parece sempre ser uma de rejeição absoluta. E, no entanto, as tecnologias pegam, ganham tração e nornalizam-se. Pessoalmente, recordo o momentpo em que os telemóveis começaram a tornar-se produto de consumo, e do consenso geral que usar aquilo era uma bimbalhice, mais sinónimo de ostentação do que de modernidade. E agora, ninguém concebe a vida diária sem o seu dispositivo móvel. Ou seja, esse padrão de rejeição pública de novas tecnologias não se traduz na sua real aceitação.
Algorithms Are People: Novamente, o perigo dos algoritmos black box. Se não sabemos como operam, ou sob que pressupostos foram programados, como é que podemos garantir a fiabilidade dos seus resultados? Essencialmente, confiamos as nossas decisões a sistemas de apoio que desconhecemos a forma como nos ajudam a tomar decisões.
Fake Photo Or Real? Check If An Image Is Morphed Or Edited: Um belíssimo achado do Jorge Candeias. Dicas sobre como identificar indícios que uma imagem seja falsa, técnicas de backsearch e ferramentas de análise. Um recurso fundamental para perceber a fiabilidade da imagem na era da manipulação digital.
iPad Pro leak suggests tablet photography just won’t die: Curiosamente, o iPad Pro seria o único dispositivo Apple que eu remotamente consideraria adquirir, para poder modelar em 3D no FormIt e no Shaper3D. Mas depois recordo-me do que realmente faço, e da inutilidade de ensinar a criar 3D em dispositivos móveis com um Apple a alunos que só podem usar Android. Por isso fico-me pelo Onshape para os mais avançados, e o 3DC.io para os pequeninos. Mas estou a desviar-me do tema. De facto, usar um tablet para tirar fotos é algo ridículo, mas as lentes têm lugar nestes dispositivos. Para, por exemplo, realidade aumentada, fotografia rápida de referência, ou fotogrametria. Fatores que ajudam a explicar a continuidade das câmaras em tablets, mas que se calhar não são as que passam pela cabeça daqueles turistas com um ar algo pateta, a tirar fotos aos monumentos com os seus grandes tablets.
7 Software to Create Stunning 3D Environments: Estou verdadeiramente surpreendido com esta lista, porque a maioria dos programas são bem antigos. Foi com o Bryce que iniciei há doze anos o caminho do 3D na educação. Só isso é indicativo da idade, e longevidade, destas sugestões de software para criar ambientes 3D.
Books Won’t Die: A morte dos livros tradicionais, sempre muito anunciada, com protótipos e projetos de tecnologias que irão tornar livro impresso obsoleto… só que não. Notem que isto não é uma diatribe anti-livros digitais, antes uma observação que a tecnologia elementar da literacia e do livro simplesmente funciona, e tem-no feito ao longo de centenas de anos. Modificar esta base tecnológica tem produzido experiências que vão do interessante ao absurdo. Mas o conjunto de páginas encarnadas com letras e ilustração continua a ser uma tecnologia estável, acessível por ser fácil de descodificar, e imbatível.
En 2010 Huawei hizo un vídeo de cómo imaginaba la tecnología de 2020... y a día de hoy es más hilarante que visionario: O artigo consegue perder completamente a lógica do porquê destas visões serem pertinentes. Fica-se pelo ridicularizar o obsoleto nestas visões do futuro vindas do passado. Mas é mesmo por isso que são interessantes. Percebemos como o nosso futuro evoluiu a partir das visões que tínhamos. E percebemos que a contemporaneidade não evolui de forma linear.
Here’s what happened in the impact crater the day it did in the dinos: Mau dia para se ser dinossauro. E agora, graças à recolha de vestígios geológicos nas profundezas do golfo do México, estamos mais próximos de perceber como, realmente, se processou o impacto do asteróide cujas consequências levaram à extinção dos dinossauros.
Death by helicopter: Uma para o arquivo de coisas de ironia muito negra. Fazer o primeiro salto de pára-quedas e ir parar em cima de um helicóptero com os rotores em funcionamento. O acaso na realidade, por vezes, bate o imaginário do horror aos pontos.
Hitting the Books: 'Dirty bomb' fears spawned America's nuclear spy force: Não é "o que é que teria acontecido se Hitler tivesse desenvolvido uma bomba atómica", mas sim se os responsáveis pelo armamento nazi se tivessem apercebido do potencial do material radioativo para criar armas sujas. Não é precisa uma explosão nuclear para contaminar uma zona com radioactividade. Um dos medos que acelerou o desenvolvimento do projeto Manhattan.
Houthi Drone Strike Has Damaged Half of Saudi Oil Facilities: Não leiam isto com um óbvio "lá vem mais um aumento dos preços dos combustíveis". O intrigante é a capacidade de uma milícia rebelde usar drones para incapacitar a produção de petróleo num país que tem investido boa parte dos proventos dessa atividade em sistemas de armamento avançado.
French city makes its buses free, spurring new ridership and decreasing car use: Enquanto por cá as iniciativas para reduzir os custos do transporte público parecem estar a ser ativamente bloqueadas pelos operadores, ao não reforçar carreiras para responder ao aumento da procura, noutros países experimentam-se formas mais avançadas de soluções de mobilidade urbana. Tornar o acesso a transportes públicos gratuito não é nenhum tiro no pé económico, muito pelo contrário. A economia depende do movimento, da liberdade de circulação, e quanto maior for a capacidade das pessoas circularem, maior o potencial estímulo para a economia local. Já repararam que primeiro vêm as autoestradas e depois os centros comerciais? O outro grande argumento é ambiental, retirar os carros das cidades, diminuindo emissões e melhorando a habitabilidade e qualidade de vida das zonas urbanas. Algo que não se faz apenas com ruas cosmeticamente ajardinadas, parquímetros e trotinetes elétricas, são precisas soluções de transporte que realmente tornem o automóvel como a opção menos lógica no espaço da cidade.
WHY ARE BOOKS THAT SHAPE? FROM CODICES TO KINDLES, WHY THIS RECTANGLE STAYS GOLDEN: Confesso que apesar de sofrer de bibliofilia crónica profunda, não suspeitava das complexas razões para os livros terem a forma que têm. Em parte, o seu tamanho é ditado pela necessidade de manuseabilidade. Mas não sabia que a proporção dourada ou as harmonias pitagóricas eram fatores no design do formato dos livros.
GNU founder Richard Stallman resigns from MIT, Free Software Foundation: O escândalo Epstein está a ter repercussões inesperadas nos meios académicos ligados à tecnologia. Para quem não tem prestado atenção a estas coisas, o caso prende-se com os comportamentos criminosos de um bilionário amante de meninas menores de idade, com uma propensão para as voar de jato privado para a sua ilha pessoal nas caraíbas. Para além da pedofilia, Epstein tinha outro fetiche - socializar com a elite intelectual. Era um contribuinte financeiro entusiasta para organizações como a Edge ou o MIT Media Lab. Instituições que, quando os seus comportamentos criminosos se tornaram do conhecimento geral, continuaram a aceitar entusiasticamente os seus dólares de forma anónima. E dado o hábito de Epstein em convidar cientistas, artistas e pensadores destacados para festas e férias na sua ilha. de repente uma parte substancial da intelligentsia tecnológica ficou sob suspeita de conivência ou participação ativa nos comportamentos criminosos do bilionário. Os media focam-se em personalidades mediaticas como ex-presidentes americanos ou membros da família real britânica, alimentando teorias da conspiração sobre o suicídio de Epstein na prisão. Mas fora do foco da escandaleira dos telejornais, as repercussões são muito mais fortes. Este escândalo já levou à demissão de Joi Ito da direção do MIT Media Lab, por ter continuado a aceitar o financiamento de Epstein sob forma anónima, depois dos crimes virem a público. John Brockman, editor da fantástica Edge, está a ser queimado pela sua associação a Epstein. Lawrence Lessing, cuja acutilância nos domínios legais da sociedade digital é ímpar, descredibilizou-se a defender Ito e os financiamentos secretos de Epstein. Nicholas Negroponte também não está a escapar a este mau ambiente. Marvin Minsky, apenas um dos pais da inteligência artificial, poderá ter estado envolvido em crimes sexuais. Agora cai Stallman. co-criador do GNU Unix (sem o qual não teríamos linux ou android), depois de uma atabalhoada defesa do indefensável. São gigantes intelectuais da tecnologia que estão a cair. Mostra que a sedução do dinheiro e poder corrompe profundamente.
Why this creepy melody is in so many movies: A marcante frase musical do Dies Irae, tantas vezes interpretada pelos grandes compositores, e hoje usada até à exaustão na composição musical para cinema como forma de sublinhar sentimentos de angústia ou medo. Nunca me tinha dado conta que uma das partes mais assombrosas da Fantastique de Berlioz é uma variação da frase musical que identifica um Dies Irae.
The best architecture of the 21st century: Parece que não, mas já vamos com quase um quinto de século XX. Tempo suficiente para registar quais os imóveis mais marcantes da arqitetura contemporânea.
I Was Never Taught Where Humans Came From: Os professores não são máquinas, que replicam conteúdos educativos sem visão pessoal ou crítica (bem, os maus são-no). Mas até que ponto deixa de ser legítimo trazer os nossos sentimentos e opiniões para a sala de aula? Talvez quando estes interfiram ativamente com a verdade científica, ou procurem enviesar as opiniões dos alunos. O artigo é sobre um daqueles casos à americana, onde parece ser aceitável que um professor não ensine partes essenciais do currículo de ciências por razões religiosas, ou se o ensinar, arrisca-se a ter chatices com os zelotas. E por cá, isto será possível? Bem, nós professores somos humanos. Há poucos dias ouvi claramente um colega, que suspeito ser de línguas, na sala ao lado, avançar com uma diatribe anti-acordo ortográfico (is that still a thing?) com uma turma de quinto ano, sem apresentar qualquer ponto de vista contrário. Suspeito que estes meninos de olhos esbugalhados acabadinhos de chegar à nova escola não tenham percebido nada da conversa. Pessoalmente, quando o tema da aula toca em assuntos sobre os quais tenho opiniões fortes, não deixo de as referir, mas tenho o cuidado de mostrar que há outros pontos de vista. Porque no fundo é para isto que são precisos professores, para guiar e apontar caminhos, dar a liberdade de os escolher não para debitar matérias ou indoutrinar em crenças ou ideários.
Skorzeny Was to Kidnap Stalin, Churchill & Roosevelt in WWII: As histórias da história da II Guerra não cessam de surpreender. Aparentemente, havia um plano para assassinar os líderes aliados em Teerão, de que os soviéticos se aperceberam. Ou, por outro lado, talvez este plano audaz nazi tivesse sido uma mistificação para levar o presidente americano a dormir na embaixada soviética no Irão, que estava convenientemente cheia de escutas.
UNOMORALEZ: Se Warren Elllis sugere algo, é porque vale a pena descobrir. Estas ilustrações num estilo mangá são incríveis, entre o malévolo e o surreal. Muito bom, e muito dark.
“Alone With You” by Junji Ito: Vou só deixar isto aqui. Se não conhecem o trabalho arrepiante de Junji Ito, estão a perder o melhor do mangá de terror.
Da utopia branca à utopia negra: "Utopias" é código académico para FC e Fantástico, são as luvas com que lhe pegam, não vá ficarem contaminados por um género que analisam com um certo desdém. Ficção Científica é mal vista, mas utopias, tudo bem. Ok, resmungos à parte, esta lista de utopias/distopias na ficção é interessante.
The sociology of science fiction: a brief history: O interessante na Ficção Científica é a forma como evoluiu de mero romance de antecipação tecnológica ao estilo de Verne ou das aventuras no espaço com foguetões e rayguns para visões mais complexas sobre a humanidade. A sociologia, aqui nos domínios especulativos, é um dos campos que enriqueceu o género, tornando-o mais complexo em termos conceptuais e literários.
What Sci-Fi Can Teach Computer Science About Ethics: Faz todo o sentido. Os cenários especulativos na base da melhor Ficção Científica são uma excelente forma de refletir sobre tendências éticas, sociais e tecnológicas. Isto não é novidade, para quem conhece o género.
Afinal o que é Ficção Científica – algumas considerações: Para conhecedores profundos do género, é irritante ver autores mainstream a apropriarem-se da estética e estruturas conceptuais da ficção científica, mas negarem que o que criaram tem alguma coisa a ver com FC. Reforça o estereótipo do género como algo à parte, intocável pelos autores respeitáveis. Mas pode ser pior, quando os autores do mainstream tentam fazer FC, costuma ser desastroso. Há uma edição recente da Granta em português dedicada ao futuro que mostra até que ponto pode correr mal quando figuras ligadas à intelectualidade convencional brincam aos futurismos. Reagindo à leitura do livro mais recente de Ian McEwan, que é de ficção científica embora o autor rejeite liminarmente a associação, Cristina Alves destaca no Rascunhos algumas ideias sobre o que significa a ficção científica.
50 BEST SCI-FI BOOKS OF ALL-TIME: THE ULTIMATE LIST (2019): Há aqui uns livros suspeitos, de autores que nunca ouvi falar, mas a maior parte das escolhas desta lista tem os autores e obras que se espera encontrar. Para quem quer conhecer melhor a ficção científica literária, esta lista é um excelente ponto de partida.
“Penny Dreadful: City of Angels” Production Begins; Showtime Releases First Image: Penny Dreadful foi uma das séries de terror mais interessantes dos últimos tempos, entre a mistura de vénia referencial à literatura clássica e um ambiente vitoriano tenebroso. Felizmente, a continuação não segue as linhas do original, renovando o mundo ficcional com um mergulho na Califórnia dos anos 20. Vamos ver se está ao nível da primeira temporada.
Art by Ron Cobb for Alien: Se foi a visão de H. R. Giger a que ficou sinónima com o filme clássico de FC e terror, o artista suíço não foi o único concept artist a trabalhar em Alien.
Por que ler os clássicos da ficção científica: Essencialmente, por isto, colocado de forma brilhante: "Durante o século XX, livros de ficção científica foram responsáveis por moldar a imaginação sobre avanços tecnológicos industriais por gerações. Uma construção coletiva, ao longo de encadernações e páginas, para se discutir o que seja a ciência no agora, seus propósitos, conquistas e suas consequências". E não resisto ao comentário. Isso implica mergulhar no trabalho de autores hoje controversos não pelo seu trabalho, mas por as suas posturas políticas e sociais não se ajustarem aos nossos ideais contemporâneos. Estou a pensar no racismo de Lovecraft, que tem levantado protestos da parte dos autores de literatura fantástica contemporânea com maior diversidade étnica e cultural, das tendências fascistas de Campbell recentemente apontadas por uma vencedora do prémio Campbell, ou do sexismo e comportamentos inadequados de muitos outros autores. A tendência atual parece ser a de querer silenciar essas vozes, rejeitando-os liminarmente por causa da sua inadequação aos pressupostos culturais contemporâneos. O que é um erro tremendo, relevador de falta de visão de continuidade cultural. Significa rejeitar as bases da Ficção Cientifica, o seu otimismo utopista e confiança no progresso através da ciência e tecnologia. É tão errado querer esquecer o contributo destes autores pela sua falta de pureza face aos pressupostos culturais contemporâneos, como fingir que os seus defeitos não foram reais, e condicionaram as suas visões. Mas nada disso justifica o seu apagamento da história da Ficção Científica.
“Supernatural,” “The Orville” & More: 5 TV Clichés Needing a Red Card [BC TV MELTDOWN-OPINION]: Vivemos na era de ouro da narrativa televisiva, com séries ambiciosas, interessantes, desafiantes, bem escritas e filmadas. Mas até no melhor pano cai a nódoa, e mesmo neste ambiente de exigência, há artifícios narrativos estafados que, de vez em quando, são utilizados. Como o episódio feito de recordações de outros episódios, o esquecimento de consequências diretas de ações, ou o o que seria o mundo se a personagem x não tivesse sofrido o trauma/momento pivotal y.
Five Books That Changed Me In One Summer: Todos os amantes de literatura tem os seus livros formativos, aqueles cuja leitura os transformaram irremediavelmente.
Sphero acquires LittleBits and its set of scientific toys: Não resisto à piada. Spherobits? No entanto, o assunto é sério, e mostra a importância económica da robótica educacional. Os Sphero são um dos muitos robots programáveis, o que os distingue é serem esféricos. LittleBits são kits modulares de eletrónica, que permitem construir circuitos com diferentes níveis de complexidade. São divertidos, e permitem aprender conceitos de eletrónica e programação na prática. Ambos são equipamentos bastante caros, mas claramente há mercado.
The Info War of All Against All: Uma análise brutal sobre janelas de overton e técnicas de normalização do inaceitável através de aproximação às visões censura e exclusão. Técnicas de desinformação que estão a transformar em mainstream os discursos radicais.
On the Future of the Telephone as an Instrument for Listening to Music Remotely (Summer, 1876): O que o retrofuturismo nos mostra é a falibilidade das predições contemporâneas sobre o que irá ser o nosso futuro. Em 1876, nos primórdios do telefone, pensava-se que seria um meio para ouvir música. Cento e cinquenta anos depois, a ideia parece absurda, a rádio foi o media que permitiu isso, mas no entanto, dois pormenores: temos a praga da música em espera de atendimento (nunca Vivaldi foi tão insultado, as Quatro Estações são a peça mais comum nestes sistemas); e se olharem para o dispositivo usado hoje para se ouvir música… certo, é o telemóvel. Mas só a música de espera de atendimento é que cumpriu a ideia de pegar num auscultador para ouvir música.
Music was ubiquitous in Ancient Greece. Now we can hear how it actually sounded: Fascinante. O trabalho destes historiadores musicais está a permitr que se volte a ouvir sonoridades que se silenciaram há milénios.
Working Off the Past, from Atlanta to Berlin: O peso histórico da capital alemã como o local mais acolhedor para o judaísmo, do ponto de vista de uma académica que sentiu as discriminações sociais no Sul dos Estados Unidos e em Tel Aviv.
Some fairy tales may be 6000 years old: Interessante. As narrativas tradicionais são mais antigas do que julgaríamos, podendo datar dos primórdios da humanidade. Honestamente, mas claro, não tenho forma de saber mais sobre isto, tenho a sensação que muitas destas histórias nos chegaram dos tempos pré-históricos, não com as roupagens atuais, claro, mas na sua essência.
"Deportados para outro mundo": A história da II Guerra é fascinante, e tem sempre pormenores novos. Nesta reportagem da RTP, fala-se dos portugueses que estiveram em campos de concentração nazi. Soa estranho, uma vez que Portugal não foi um país beligerante na guerra, mas houve cidadãos que, por circunstâncias da vida (em muitos casos, por estarem exilados da ditadura salazarista), foram apanhados pela máquina de extermínio nazi. Há outra grande história de Portugal na II Guerra, de que se fala pouco - a ocupação de Timor Leste pelos japoneses. Já Macau nunca foi ocupada, apesar de ter tido forte presença japonesa.
Britain’s Reichstag Fire moment: Vivemos tempos interessantes. Um primeiro-ministro não-eleito de uma das mais antigas democracias europeias suspende o parlamento para tentar levar avante a saída desastrosa do Reino Unido da União Europeia. Para além da estupidez do brexit, é outro sintoma do crescendo do autoritarismo populista na política global, que deturpa a lógica das instituições democráticas para instalar quasi-ditaduras de homens fortes, cujas decisões se sobrepõem às leis, bom senso, ou respeito pelas diferenças sociais e culturais (sendo este um dos principais vetores de ataque destes populistas, em nome de conservadorismos retrógrados). Temos um cancro destes em plena União Europeia, na Hungria. Mas, será isto comparável ao crescimento dos fascismos europeus na primeira metade do século XX? A resposta deste ensaio é nim. Algumas das condições que deram poder a Hitler e Mussolini, hoje, não se verificam. Apesar de ainda estarmos a pagar a fatura austeritária da crise financeira de 2008, os estragos desta são mínimos se comparados com a devastadora grande depressão. E o instinto militarista tornou-se impossível num mundo globalizado, com armas nucleares, e com a memória dos conflitos globais (apesar de, a nível regional, o espectro da guerra violenta não ter desaparecido). Mas há pontos comuns, mais discretos. O manipular da opinião pública e instituições democráticas, forças políticas e económicas que aproveitam o protagonismo dos populistas para ganhar poder ou fazer passar a sua agenda, e o desencanto com a aparente incapacidade das forças democráticas tradicionais em resolver os problemas dos cidadãos. Pois, de facto, vivemos em tempos interessantes.
Novel explosives of the Cold War: Literatura enquanto arma de combate. Não é uma ideia nova, e os escritores sempre foram instrumentalizados ao serviço de ideologias. Nos tempos da guerra fria, o combate subtil também decorria na frente literária.
The future in space: Visões, agora com um toque retro, do futuro no espaço. Há que adorar o pormenor da nave espacial da PanAm.
All of the Winners in the DARPA Subterranean Challenge Tunnel Circuit: Os desafios da DARPA costumam dar dividendos a longo prazo. O Grand Challenge foi fundamental para iniciar a revolução dos veículos autónomos. Neste, o desafio é o de desenvolver robótica autónoma capaz de operar em ambientes subterrâneos.
Data Sweat: No mundo hiperligado, são recolhidos mais dados do que aqueles que pensamos partilhar. Não são só os nossos likes, ou os conteúdos que partilhamos, que são analisados. Padrões mais esotéricos, com o movimento do rato ou o tempo que ficamos a olhar para uma imagem, são elementos da enorme mina de riquezas que são os padrões de dados agregados.
*Playing a lyre that is now missing: Um artefato maravilhoso dos tempos dos autómatos mecânicos. A passagem do tempo não lhe tem sido simpática, mas os mecanismos continuam funcionais.
6D.ai creates platform for a 3D map of the world: Intrigante. Fiquei sem perceber se esta é uma plataforma de realidade aumentada, se de fotogrametria, se ambas. De qualquer forma, usar as lentes e sensores cada vez mais poderosos dos telemóveis para mapear a realidade em 3D parece-me um passo lógico.
Marvel Comics Is Doubling Down on Its Misguided Crusade to Remain ‘Apolitical’, and It's Using Captain America to Do It: Editores da Marvel e a sua nova política de vamos diluir textos para não serem incómodos. Desta vez calhou a Mark Waid, que se atreveu a apontar que há falhas no sonho americano. O problema desta editora em querer ser apolítica é, bem, em primeiro lugar, o seu personagem mais icónico é uma encarnação de patriotismo. Depois, esta postura apolítica parece mais um enviesar ideológico do que, realmente, isenção. É difícil ser-se apolítico, e num espaço de diversidade, o que se quer são diferentes pontos de vista, não o censurar alguns por não corresponderem a uma visão cómoda e alinhada com a visão institucional.
Captain America #13 – Fighting Terrorists in Confederate Flag Face Masks (Spoilers): Apesar destas tropelias da Marvel, as linhas narrativas das personagens não seguem a postura apolítica que, afinal, é bem política. Claro que isto poderá ser exceção, afinal o mais icónico personagem Marvel está a ser escrito por Ta-Nehisi Coates, E o que escreve nesta edição de Captain America é uma clara, óbvia e forte crítica às políticas de imigração de Trump, ao racismo dos serviços fronteiriços americanos. Suspeito que o dono da Marvel, financiador do presidente norte-americano, para o qual foi censurado o ensaio de Spiegeleman para evitar ferir-lhe as susceptibilidades, não ache muita piada a isto.
DESENHAR O IRREPRESENTÁVEL: LOVECRAFT NA BD: A Bang! recupera um artigo muito interessante de João Lameiras sobre Lovecraft na banda desenhada. Só uma nota: a editora poderia ter pedido uma atualização ao artigo, que fala ainda em Neonomicon, o comic lovecraftiano de Alan Moore, como algo a ser publicado. Moore terminou esta série, avançou com o genial Providence, em que reescreve todo o Cthulhu Mythos numa enorme homenagem a Lovecraft, e deixou-nos recentemente com a sua meta-ficcional League of Extraordinary Gentleman, cujo fim de publicação marca o final da sua carreira.
23 joyas del cómic europeo que merecen la pena descubrir: Qualquer lista que inclua Dylan Dog é uma boa lista. Entre banda desenhada espanhola, francesa, inglesa e italiana, as sugestões de leitura são excelentes. Faltam sugestões portuguesas, o que diria que é falha de marketing nosso.
David Avallone’s Writer’s Commentary on Bettie Page Unbound #3 – a Visit to Burzana: A Dynamite especializa-se em reviver personagens clássicas dos comics, capitalizando um pouco no mercado da nostalgia, mas normalmente os resultados não costumam ser especialmente interessantes. Há exceções. David Avallone reviveu Bettie Page, e leva o tom de brincadeira muito a sério. O resultado tem sido uma série divertida, leve, de tom retro, e a referenciar a literatura fantástica com visão crítica e irónica.
Earth to Starlab – Why Don’t You Answer?: No espaço, ninguém consegue ouvir o som das mandíbulas de um servo de Cthulhu que devora astronautas. Em conserva, deve ter pensado ao vê-los dentro daquelas latas.
MAKS 2019 Surprise Appearance: The Mysterious Sukhoi Su-47 Berkut Re-emerges.: Não é, de facto, uma aeronave muito vista. Também não um avião stealhtsky. O Su-47 não foi planeado para ser mais do que uma plataforma de testes a novas tecnologias aeronáuticas, que vieram a ser incorporadas nos projetos seguintes do gabinete Sukhoi.
What if your boss knew how much you slept last night?: Com toda a seriedade, investigadores desenvolvem uma aplicação que permite a empregadores monitorizar o tempo de descanso dos seus funcionários, mesmo fora do local de trabalho. Os objetivos até são bons, perceber se as pessoas não estão a ter trabalho excessivo é um deles. Mas... algo me diz que dificilmente este tipo de aplicações seria usada de forma tão benéfica. Já para não falar da enorme invasão da privacidade que isto representa.
Make-Believe in Macau: Um vislumbre da vida de luxo dos jogadores dos casinos mais exclusivos de Macau, vista pelo olhar de uma consultora que é paga para fingir que pertence ao mundo exclusivo dos luxos, por uma empresa que avalia a qualidade dos hotéis e serviços topo de gama. Há empregos piores...
Complete run of MAKE magazine on archive.org: Isto soa mal, mas há vantagens na Make: Media se ter afundado na falência. Agora, todo o arquivo da fantástica Make: Magazine está disponível online.
Your Smart Toaster Can’t Hold a Candle to the Apollo Computer: É um cliché, dizer que um telemóvel atual tem muito mais potência computacional do que a NASA dispunha quando levou o homem à Lua. Mas nestas coisas da computação, potência não é tudo. Na verdade, é uma questão de capacidades. O final do artigo diz tudo, quando o autor observa que de facto, os nossos smartphones são dispositivos computacionais poderosos, mas só os usamos para consultar apps de redes sociais.
Ray Harryhausen’s Restored Models Revealed on 99th Birthday: Conhecedores do cinema fantástico sabem o quão incontornável é o trabalho de Harryhausen do domínio dos efeitos especiais. Para celebrar o seu nonagésimo aniversário, algumas das suas mais icónicas armaturas estão a ser restauradas. E continuam espantosas.
Singapore Says It’s Fighting ‘Fake News.’ Journalists See a Ruse.: Quando o combate à propaganda e fake news é, em si mesmo, um meio de reforço dos autoritarismos. O caso de Singapura é flagrante: as leis de combate às notícias falsas podem tornar-se uma forma de silenciar o pouco jornalismo independente que sobrevive na cidade-estado. A ironia? As fake news são uma arma propagandista de eleição dos regimes autoritários, quando querem desestabilizar as democracias ocidentais.
The First Pictures From Rick and Morty Season 4 Are Uncharacteristically Blissful : E o que é Rick and Morty, perguntam-se? Talvez o best. Scif-fi. TV show. Ever (digam isto na voz do comic book guy dos Simpsons). Depois de três temporadas insanas daquela que é a série mais descarrilada, e culta, cheia de referências a toda a cultura geek, tem um regresso marcado para breve. Só digo uma coisa: wubbalubbadubdub! Quem conhece, percebe.
Here Are Your 2019 Eisner Awards Winners: A lista dos nomeados, e vencedores, dos prémios Eisner. Uma excelente lista do melhor que se faz atualmente nos comics.
QR is King: Um relato incrível da experiência chinesa com dinheiro digital, que se tornou tão ubíquo nas cidades que substituiu totalmente os pagamentos em dinheiro ou cartão. O telemóvel tornou-se o meio essencial de pagamentos. No entanto, não há qualquer interesse chinês em fazer alastrar estes sistemas à escala global, exceto para chineses em viajem pelo estrangeiro. Os motivos não são económicos, mas políticos. Na sociedade de hipervigilância em que a China se tornou, sistemas de transação digitais são mais uma forma do governo manter debaixo de olho o que os cidadãos estão a fazer.
Monkeywrenching the Machine: Perante uma tecnologia pervasiva, haverá sempre quem a queira - ou precise, subverter. Com inteligência artificial, é relativamente simples subverter os algoritmos. A regra é clássica: garbage in, garrbage out. As técnicas baseiam-se em subverter os parâmetros de análise dos algoritmos, distorcendo intencionalmente os seus inputs. Pode ser uma opção de revolta, tática de cibercrime, ou estratégia de defesa contra a hipervigilância em regimes autoritários.
Las 14 novelas de ciencia ficción y fantasía que han ganado el Premio Minotauro hasta el momento: Não há por cá um prémio que distinga a literatura de ficção científica e fantástico tal como do lado de lá da fronteira. Desculpem, minto. Por cá temos o Adamastor, organizado pelo Fórum Fantástico, mas que vai na sua terceira edição. Temos ainda algum caminho a percorrer, mas estamos a fazê-lo, finalmente. Em Espanha, há catorze anos que há prémios para o melhor da ficção fantástica, e os seus vencedores parecem ser uma excelente introdução ao melhor da FC em castelhano.
25 Essential Artworks of the Past 50 Years: Escolher as melhores obras de arte contemporâneas é uma daquelas discussões infindáveis. O New York Times atreveu-se a desafiar um grupo de curadores a definir quais as obras mais influentes.
Steve Bannon used location targeting to reach voters who had been in Catholic churches: Poderia comentar o crescimento dos extremismos e dos discursos polarizantes e violentos, mas creio que a verdadeira história aqui é outra. Está na forma em que mostra como os nossos dados digitais são agregados e utilizados, aqui num exemplo extremo, mas que é prática corrente na economia digital. Quando se diz que os dados são o novo petróleo, é a isto que se referem.
HOW U.S. TECH GIANTS ARE HELPING TO BUILD CHINA’S SURVEILLANCE STATE: Podia olhar para esta notícia sob a perspetiva da distorção financeira dos valores de liberdades e garantias. Mas, tal como na leitura anterior, a minha intuição diz-me que o mais importante ponto de reflexão desta notícia não é o mais óbvio. O que me deixa realmente surpreendido é a escala gargantuesca e profundo nível de intrusividade dos sistemas de hipervigilância chineses. Graças à tecnologia digital, não há recantos mais recônditos da vida privada dos cidadãos que escape à vigilância estatal.
This AI turns your headshot into a portrait painted by a master: Nada de novo aqui, mas é sempre divertido experimentar. Este algoritmo de transferência de estilos foi treinado com imagens de pintura renascentista, e transforma fotos com base nesse estilo.
Jack Kirby’s robots: Diga-se que o gosto pelo traço de Kirby é algo que se adquire, há algo de imediatamente brutal na forma como desenhava que, à primeira, pode ser desencorajador. Mas quando se aprende a apreciar os seus desenhos, percebe-se a espetaculariade.
Ghosts Only Cars Can Perceive: Intrigante. Uma técnica de spoofing que projeta imagens indetetáveis pelo olhar humano, mas detetáveis pelos sensores de carros autónomos. Com isso, torna-se possível manipular os seus trajetos, ou provocar acidentes, forçando os veículos a agir perante sinais que não existem.
First battery-powered cruise ship sails for the Arctic: É melhor não se deixarem enganar pelo título. O navio de cruzeiro não é exclusivamente operado a baterias, estas complementam o motor a diesel tradicional. É híbrido, e o combustível será usado na maior parte da sua viagem. Não deixa de ser um interessante passo no sentido de tecnologias de navegação mais ecológicas, mas não é assim tão arrojado.
La magia de los 70 mm: qué hace que una película grabada en este formato sea tan especial y obsesione a tantos directores: Quem gosta de cinema, percebe. Nada como a espetacularidade dos 70 mm, tão bem usada para mostrar paisagens avassaladoras em filmes. Recordo particularmente Lawrence of Arabia, com as incríveis visões do deserto, ou a perfeição de 2001. Este formato, difícil de filmar, ainda hoje é usado por realizadores como escolha estética. O impacto visual deste formato é sempre tremendo.
Rare image of US Air Force's secretive space plane in orbit: O X-37 é aquela nave espacial que ninguém sabe precisamente para que serve e o que faz, apenas que é lançada pela USAF regularmente em missões de longa duração. Agora, um astrofotógrafo conseguiu tirar algumas fotos desta nave secreta em órbita.
The Underworld of Online Content Moderation: Quais são as consequências para quem está nas trincheiras das redes sociais, a analisar todo o material que é considerado não apropriado? Duras, muito duras. Ao ponto de levar a perder a confiança nas pessoas, por se estar tão exposto a comportamentos inacreditáveis.
Airmen’s prank on Apollo 12 crew led to pornography being brought to the moon: Pois, realmente, quem é que se lembra dos segundos a chegar à Lua? Aparentemente, uma equipa bem disposta de astronautas, conhecida pelo seu bom humor e pelas partidas que pregavam entre si. Como esta, muito malandra, de inserir fotos de mulheres em trajes menores nos manuais da missão. Foram os segundos a pisar solo lunar, mas têm a dúbia honra de terem sido os primeiros a levar imagens da Playboy para a Lua...
Machine learning has been used to automatically translate long-lost languages: Intrigante. Uma vez que a linguística conseguiu estabelecer um conjunto de regras que ditam a evolução das línguas, estas investigações em IA transformam-nas em parâmetros que podem auxiliar na descodificação de línguas extintas.
Satirical Staple 'MAD' To Exit Newsstands And Recycle Its Classic Material: E, discretamente, termina toda uma era dos comics. A MAD Magazine é uma publicação longeva e lendária, datando dos anos 50, e se isto não é um final anunciado, diga-se que transformá-la numa publicação que apenas recicla material antigo e só terá uma edição nova anual é torná-la num zombie editorial.
O Kino-Pop e o Canal 180: Deparei com este canal naqueles momentos de cansaço extremo/tédio profundo em que faço zapping e fiquei abismado com a sua estética arrojada. Ainda por cima, dá espaço a Edgar Pêra. Só tenho um comentário: inserir aqui emoji do coração.
In Streaming Age, Classical Music Gets Lost in the Metadata: Aparentemente, a forma como os serviços de streaming musical etiquetam a música está otimizada para o pop, e formas musicais maus complexas perdem-se, ocultas por motores de recomendação que não as encontram. O fundamental neste artigo é perceber que a forma como formatamos meta-dados tem impactos diretos na capacidade de aceder a artefatos culturais na era digital.
Where We See Shapes, AI Sees Textures: Arquivar na categoria de comportamentos inesperados de algoritmos de inteligência artificial. Ao analisarem imagens, estes algoritmos não detetaram as suas formas, mas sim as texturas. Isto tem enormes implicações no domínio das aplicações da visão computacional.
How One Meme Reveals the Difference in How Humans and AI “See”: Mais um artigo a debruçar-se sobre as fronteiras estéticas da inteligência artificial. É de recordar que, para a máquina, as imagens não fazem qualquer sentido específico. É o nosso olhar, a nossa perceção, que lhes confere signficado.
Why Talented People Fail Under Pressure: É daquelas coisas que acontece a todos, naqueles momentos de maior pressão. Não tem a ver com falta de preparação, mas com o nosso córtex frontal a complicar desnecessariamente as coisas. Aqui, algumas técnicas para enganar a biologia.
Endless AI-generated spam risks clogging up Google’s search results: É garantido que, por aqui, isso não se passa. Os textos são cem por cento escritos por humanos. Mas fica no ar a questão. À medida que os algoritmos de IA capazes de produzir texto vão evoluindo, quanta da informação que lemos online é real e relevante, e não um texto automatizado para otimizar SEO e publicidade?
Machine Learning For Art - Deep Kitsch Or Creative Augmentation?: Um argumento certeiro. Usar as ferramentas de IA que geram imagens por si só, não é especialmente interessante ou sequer prática artística. O efeito surpresa vai-se desvanecendo quanto mais clicamos nos botões de geração aleatória de estilos e iconografias. Mas estas não deixam de ser ferramentas importantes para a expressão artística, se quem as usar as usar para criar um diálogo entre si e a sua técnica, e com isso ser capaz de produções verdadeiramente originais, híbridas entre a estranheza da IA e a intuição humana do que é belo.
Ahead of 2020, Beware the Deepfake: Usar algoritmos de IA como arma de desinformação em ambientes mediatizados digitais durante campanhas eleitorais? Bem vindos ao novo normal.
Declassified U2 Spy Photos Reveal New Archaeological Findings: Tecnologia militar dos anos 60 e arqueologia moderna. As fotos secretas tiradas em antigos voos de reconhecimento e que agora estão a ser tornadas públicas são uma valiosa fonte primária para arqueólogos, que as analisam em busca de vestígios de civilizações passadas.