domingo, 30 de agosto de 2009

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Rocket Summer.

Futuros

No futuro seria conduzido pelo carro atómico de codução automática ao longo da auto-estrada sobrevoada por aviões atómicos enquanto ao longe foguetões transportavam operários para as colónias orbitais. Chegar a casa depois de um curto dia no escritório e relaxar com um cigarro e um martini frente ao televisor, enquanto o filho brinca com os robots e a esposa termina de manipular a combinação de botões que irá produzir o delicioso jantar. Ao serão, enquanto a família desfruta do televisor, a casa arruma-se enquanto o reactor nuclear ronrona na cave. Para o fim de semana os jactos portáteis prometem horas de divertimento enquanto se esvoaça sobre o piquenique servido pelos robots.

Dias...

O tempo ericeirense é decididamente feminino. Quando queremos alguma coisa dele, como um pouco de calor em pleno agosto, não nos dá. Quando nos resignamos e desistimos, abandonamos a esperança de conseguir o que desejamos, eis que o tempo ericeirense nos brinda com um dia aprazível. Mesmo na hora de ir embora, para quem está cá de férias, ou mesmo na hora da depressão pré-laboral cujas garras estão cravadas no meu espírito.

Isto porque depois de um agosto verdadeiramente miserável, ventoso, frio e enevoado, os dias que se avizinham prometem sol e praia agradável. E eu em reuniões, preparações e outras coisas chatas que rimam com ões.

Esta inconstância e temperamentalismo são traços verdadeiramente femininos...

sábado, 29 de agosto de 2009

Objectos



Não sou coleccionador nem particularmente agarrado a objectos, mas há alguns que vão ficando. Caso desta medalha, que acompanha uma das prateleiras cheias de livros da minha biblioteca. É um objecto simples e pequeno, que comemora o tricentenário de Camões decorrido em 1880. Gosto dela não pela sua beleza ou valor (nem sequer me dou ao trabalho de verificar se o tem), mas pela sensação de intemporalidade de segurar um objecto criado à cento e vinte e nove anos.

Olhar...



o infinitamente pequeno: esta é a famosa molécula de pentaceno fotografada por cientistas da IBM. Uma imagem icónica pela sua simbologia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

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Leituras

Gizmodo | IBM Takes First 3D Image of Atomic Bonds Cientistas da IBM conseguiram fotografar tridimensionlamente as ligações moleculares de uma molécula de carbono e hidrogénio.

Boing Boing | Ikea is owned by a "charitable foundation," pays only 3.5% tax A política de poupanças da Ikea não se limita a preços baixos e a custos de operação transferidos para os consumidores. Sendo detida por uma instituição de caridade sediada na Holanda, a Ikea consegue poupar (e muito) nos impostos que paga. Quanto à instituição caritativa, o dinheiro que retira da Ikea parece desaparecer em custos operacionais e estão para ser vistas quaisquer iniciativas de caridade...

Read Write Web |
EBooks: Sony Announces Wireless Reader and Partnerships with More Booksellers & Libraries
O mercado dos eBooks começa a aquecer, com a popularidade dos kindles e novos dispositivos da Sony e da Plastic Logic. Mas terão futuro? Qualquer smartphone com um ecrã minimamente decente funciona como leitor de e-livros (no meu caso um Xperia a correr o Mobipocket e o iSilo, com o Mobipocket a ter a enorme virtude de converter PDF para o ecrã do telemóvel). E começam a surgir rumores de tablets sensíveis ao toque a preço acessível.

Kottke | A history of modern art in three paragraphs Simples e brilhante: não poupa uma boa leitura do Gombrich, mas sistematiza muito melhor do que alguns vastos tomos de história de arte.

Gizmodo | Touchy Feely Robot Promises to be Gentle (and Check for Cancer) Pessoalmente considero arrepiante a imagem que acompanha o artigo: um robot que se assemelha a um torso humano com um monitor no local da cabeça onde podemos ver a imagem de um médico. Usando a expressão muito na moda, epic fail.

Make: | Vector drawing application... from 1963 O Sketchpad, primeira aplicação de desenho digital, é o venerável avô do vastissimo campo das aplicações de arte digital, do desenho vectorial ao 3D.

io9 | Only YOU Can Prevent Time Paradoxes! Posters brilhantes de futuros (ou passados) possíveis.

Boing Boing | Breast implant serial numbers used to identify murder victim Esta ainda não se viu no CSI e seus clones: identificar um cadáver pelo número de série de implantes mamários.

Singularity Hub | 3D Hologram: Best Video Conference Ever Fascinante: uma aplicação da holografia à videoconferência em tempo real.

Gizmodo | Nokia Booklet 3G Netbook Packs GPS, 3G, HDMI and...Windows Era o que o mundo precisava: mais um netbook. Depois de lançar alguns dos piores e mais caros smartphones touch do mercado, a Nokia sai-se com esta. Apesar de tudo, estão a fazer um belíssimo trabalho com o Maemo, um sistema operativo linux para smartphones.

Boing Boing | Notes on an attention economy Colocar literalmente o dedo na ferida: num mundo, e numa economia, saturada pelos media a atenção é um recurso valioso.

Gizmodo | Second Degree Murder and Six Other Crimes Cheaper than Pirating Music Interessante: a multa aplicada recentemente a uma mulher condenada por partilhar música online é superior às multas aplicadas para crimes menores como rapto de crianças, assassínio, piromania ou perseguição. Há um enorme contrasenso na protecção cega dos direitos de autor.

Boing Boing | Stop-motion Lego tribute to 8-bit video games E para terminar por hoje: um vídeo em stop motion (técnica de animação que consiste em movimentar um pouco, fotografar, movimentar mais um pouco, fotografar, idem até perfazer o número de fotogramas necessários a uns segundos de filme) a homenagear os jogos de 8 bits criado com legos. Terá demorado 1500 horas a filmar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

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Vivaty Studio e 3DSMax.

Exaxxion



Kenichi Sonoda (2004). Exaxxion. Grenoble: Editions Glénat.
Wikipedia | Exaxxion

Um dos elementos mais icónicos da cultura pop nipónica é o robot. Dos criadores japoneses podemos esperar os mais mirabolantes autómatos ao serviço da humanidade em denodadas lutas contra poderosos inimigos.

Exaxxion gira à volta de robots. O argumento envolve a invasão da Terra por uma espécie alienígena de tecnologia avançada e a resistência de um cientista e dos seus companheiros, que cria uma arma final robótica capaz de destruir as naves alienígenas. O robot, um canhão antropomórfico, é pilotado por um intrépido adolescente. Este manga não vai muito mais além de uma desculpa para mostrar robots em lutas estrondosas. Vale pelo factor de diversão pura e pela imagem altamente freudiana de um gigântico orgão tubular que sai do peito do fato robótico pilotado por um jovem adolescente acompanhado por andróides femininas bem torneadas.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

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A seguir: coisas que voam.

Ruas virtuais.

O google street view faz-me lembrar uma imagem que me ficou de um conto de FC que li na asimov ou na analog há anos atrás: quiosques públicos que nos colocavam numa imagem virtual de 360º de outras cidades. Virar uma esquina em Lisboa, entrar no quiosque e experimentar uma esquina de Nova York. Não me recordo do título... e não tenho pachorra para ir ver às pilhas de asimovs, analogs e F&SF. Ainda não temos telepresença imersiva ubíqua mas quem imaginava que em qualquer computador ligado à web se pudesse seguir um itinerário num mapa sobreposto a uma vista de satélite que se sobrepõe a um passeio virtual pelas ruas?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

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Experiência 3D no Vivaty Studio.

Nota

"Because?" said the older man. "That's one of the finest reasons in the world. Leaves lots of room for decisions."

"Don't argue with impulse," said the stationmaster. "With luck you miss the frying pan and hit a nice cool lake on a hot day."


Ray Bradbury, Now And Forever

Remix

Comecei por fazer isto. Pesado, cheio de polígonos, demora a carregar. Libertei-o no WBandD, um fórum do Ning dedicado ao vrml (no Ning o conceito é mais de comunidade do que fórum, pois...). Pegaram no meu pesado ficheiro x3d e... criaram isto. Uau.

(Para ver só no Internet Explorer (:-() e com o plugin BS Contact para visualizar conteúdo vrml.)

Agora e Sempre



Ray Bradbury (2007). Now And Forever. Nova York: Harper Collins.

É sempre um prazer ler novas palavras saídas da pena de um velho mestre. Ray Bradbury dispensa apresentações. Grande mestre da literatura de ficção científica e fantástico, há décadas que apaixona gerações de leitores com a sua prosa de realismo mágico, com palavras que têm o dom de nos transportar para o seu universo peculiar, um universo calmo e reflexivo, por vezes nostálgico de tempos mais simples, com uma crença inabalável numa bondade intríseca embora sem ilusões sobre a sua generalização.

Now And Forever colige dois recentes contos longos do autor. Somewhere a Band is Playing leva-nos a um local mágico, esquecido, onde a morte não se faz sentir e as memórias de um tempo mais simples se solidificam no dia a dia. Aqui Bradbury brinca com elementos recorrentes na sua obra - personagens principais ingénuos, dinâmicos e inquietos, cidadezinhas pequenas perdidas no meio das planicies americanas, aquela visão bucólica da américa do início do século XX, semi-rural, semi-industrial, de casas com alpendres ajardinados e senhoras e cavalheiros bem educados que se movem no que parece ser um verão sem fim. Um jovem jornalista salta de um comboio numa cidade perdida no meio das planícies, uma cidade esquecida que é um refúgio paradisíaco para um certo tipo de pessoas. Em parte, este conto remete para um dos mais conhecidos de Bradbury, The Town Where No One Got Off, mas aqui o mote não é um possível crime mas sim uma transformação na imutabilidade. Numa breve introdução Bradbury confessa que o conto seria um quase argumento para um filme escrito a pensar na actriz Katherine Hepburn. De facto, uma das personagens age precisamente como as personagens femininas assertivas que carcaterizaram a carreira cinematográfica da actriz.

Leviathan 99, o segundo conto coligido neste livro, é um recontar quase mítico de Moby Dick, passado a anos-luz no espaço. O Pequod é agora um foguetão em missão de exploração espacial e a grande baleia branca um gigântico cometa, que cega fisica e mentalmente o cpaitão da nave espacial, obcecado por dar caça e aniquilar aquele que será o seu némesis. Alterando cenários e nomes, restando o de Ismael para nos remeter directamente para as famosas primeiras linhas do romance de Herman Melville, mantém a estrutura narrativa transferindo a descida à loucura das vastidões marinhas para as vastidões interestelares. Neste conto, Bradbury dá asas a uma poesia de espanto perante a vastidão cósmica e a pequenez, mas também grandeza, da alma humana que é capaz de compreender os vastos espaços que estão para lá de nós.

domingo, 23 de agosto de 2009

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Pequeno almoço.

Leituras

io9 | 30 Real Animals with Science Fiction Names Quando os cientistas se fascinam com a ficção científica acontecem destas: espécies animais apelidadas com nomes inspirados na FC. As preciosidades o otocinclus batmani (uma espécie de peixe-gato cuja cauda faz lembrar o sinal do morcego), o Gojirassauros (um dinossauro), os Godzilliidade (minúsculos crustáceos cegos) ou o Agathidium vaderi (um escaravelho reminisciente do capacete do Darth Vader).

Futurismic | The ethics of autonomous devices Num futuro próximo em que a robótica avançada se tornará ubíqua, as acções de máquinas semi-autónomas serão passíveis de regras morais e legais?

Ecogeek | Navy Testing Biofuels in Fighter Jets Com as quantidades de combustível que as aeronaves militares gastam, e com a quantidade de aeronaves que só a marinha americana tem, qualquer pequena alteração no consumo tem impactos enormes.

BoingBoing | Food and wine as collateral for bank loans Numa crise que está a arrasar valores mobiliários e imobiliários, que pode um banco fazer para assegurar os colaterais dos seus empréstimos? No caso de um banco italiano, a escolha parece surreal: vinhos, queijos e presuntos de alta qualidade, bens que têm sempre procura por altos preços. A imagem de um cofre bancário cheio de vinho e presunto... abre o apetite.

Gizmodo | 8 Of The Most Ridiculous "As Seen On TV" Gadgets Comprar nas televendas é uma excelente forma de gastar dinheiro para acumular lixo em casa, e no caso de produtos como a cadeira havaina - uma cadeira que treme para estimular os músculos, permitindo aos atletas de sofá fazer exercício sentados sem se mexer, a inutilidade é garantida.

sábado, 22 de agosto de 2009

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Infantilidades.

Notas

É certo que os níveis mais elevados da criação, hoje em dia, são apenas acessíveis a um punhado de grandes génios da humanidade, mas na vida que nos rodeia quotidianamente existem todas as premissas necessárias à criação e tudo o que ultrapassa o quadro da rotina e encerra uma partícula, por minima que seja, de novidade tem a sua origem no processo criador do ser humano. (p. 13)

A actividade criadora da imaginação encontra-se em relação directa com a riqueza e variedade da experiência acumulada pelo homem, uma vez que esta experiência é o material com que a fantasia erige os seus edifícios. (p. 17)

Todo o inventor, por genial que seja, é sempre produto da sua época e do seu ambiente. A sua obra criadora partirá dos níveis anteriormente alcançados e apoiar-se-á nas possibilidades que existem igualmente fora dele. Nenhuma descoberta ou invenção científica aparece antes de estarem criadas as condições materiais e psicológicas necessárias ao seu surgimento. A obra criadora constitui um processo histórico consecutivo no qual cada nova forma se apoia sobre as anteriores. (35)

Lev Vygotsky, A Imaginação e a Arte na Infância

A Imaginação e a Arte na Infância



Lev Vygostky (2009). A Imaginação e a Arte na Infância. Lisboa: Relógio D'Água.

Wikipedia | Lev Vygotsky

Lev Vygotsky é um dos mais influentes da pedagogia actual. Desenvolveu o seu trabalho nos anos 20 e 30 do século XX e faleceu novo, vítima de tuberculose. Durante décadas o seu trabalho caiu no esquecimento na União Soviética, e só a partir dos anos 60 foi redescoberto. Apenas nos anos 80 as suas obras foram publicadas no ocidente. Tal como Piaget, Vygotsky procurava saber como se aprende, como se desenvolve a aquisição de conhecimento. Piaget, sendo epistemólogo, estudou crianças e construiu um modelo de desenvolvimento cognitivo complexo que tenta explicar a forma como dirigimos e utilizamos o impulso de conhecer. Vygotsky não vai tão longe (talvez o fosse, caso a sua vida não tivesse sido encurtada) mas o seu modelo de aprendizagem descreve muito bem a importância das interacções sociais e da imitação no acto de aprender, expresso no conceito de zona de desenvolvimento proximal. Falamos aqui de aprender no seu sentido mais lato, uma acção que todos realizamos de forma contínua. Limitar o conceito de aprendizagem à escola é redutor. Aprender é algo que fazemos continuamente nos vários contextos que experimentamos.

Em A Imaginação e a Arte na Infância Vygotsky observa a forma como desenvolvemos a criatividade e a aplicamos. Parte de dois pressupostos elementares: que todos somos criativos e que a criatividade depende de conhecimento. Relativo ao primeiro pressuposto, é um erro considerar a criatividade como algo rarefeito e acessível apenas a uma élite ligada à expressão artística. Enquanto nos maravilhamos com uma peça sinfónica ou os traços numa obra plástica, esquecemos a nossa própria criatividade rotineira na busca e encontro de soluções para os problemas que nos surgem no dia a dia. Dissociar criatividade de arte permite um olhar mais abrangente sobre esta característica, fundamental numa sociedade e economia de conhecimento.

Na verdade, ninguém é capaz de criar no vazio. Grande parte da criatividade depende do conhecimento previamente adquirido, do alargar de horizontes. Descobrir e conhecer novas experiências alarga a nossa capacidade criativa. Vygotsky sublinha o papel da interacção social e da variedade de experiências que acumulamos. Daqui emerge um quadro em que Vygotsky demonstra a criatividade como um elemento fundamental de aprendizagem, alimentando-se e dependendo do acto de aprender.

Após desenvolver estes pressupostos Vygotsky avança para os campos de aprendizagem de expressão artística, analisando as formas utilizadas nas escolas - literária, gráfica e dramática, no contexto das mudanças perceptivas e de autoconceito que caracterizam a adolescência. Reforça esta altura da vida como o momento em que muitos perdem a sua capacidade expressiva por se pensarem limitados em termos expressivos, o que acaba por ser uma profecia que se cumpre automaticamente. Ao pensar que não somos capazes de expressão deixamos de lado as actividades expressivas, e assim não as reforçamos e desenvolvemos.

A Imaginação e a Arte na Infância é um texto importante para se compreender como desenvolvemos a imaginação e criatividade expressiva, centrando-se por necessidade na aprendizagem expressiva mas englobando um conceito abrangente de criatividade.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

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Experiência de modelação no Vivaty Studio com boolenos, revoluções e primitivos. Renderizado no 3D Studio Max.

Sistema



Para perceber como funciona a animação de elementos no Vivaty Studio estive a brincar com planetas. O resultado em VRML pode ser explorado aqui: Solar.

Leituras

Make: | The pitch drop experiment Quanto tempo demora uma gota de betume a cair? De acordo com uma experiência iniciada em 1927 e ainda a decorrer, cerca de oito anos... para cada gota.

Make: | Da Vinci's lion springs to life Um autómato concebido por Leonardo DaVinci foi construído e... move-se. O vídeo está aqui: Da Vinci's lion springs to life.

Next Nature | Usain Bolt Runs 100 Meters in 9.58 Second, How Fast Could an Augmented Human Run ? Os incríveis 9,58 segundos que Usain Bolt utilizou para correr 100 metros nos mundiais de atletismo de Berlim levantam mais do que a questão do que conseguirão futuros atletas aumentados: para quando um atleta que sem ajudas artificiais consiga melhorar este recorde?

Worldchanging | Vacation Matters Sete boas razões para tirar férias, desde a economia local à criatividade nascida do ócio.

Kurzweil AI | Found: first amino acid on a comet Amostras recolhidas pela missão Stardust revelaram a existência de glicina, um aminoácido, em cometas. Uma prova que a vida na terra teve uma ajudinha do espaço a nascer

Wired | Ancient Jet Keeps the U.S. Air War Flying Os mais avançados aviões de combate do planeta voam graças aos veneráveis KC-135, aviões-tanque construídos nos anos 60 para os quais já nem existem peças sobresselentes.

WebUrbanist | 10 Frightening Conspiracy Theories Dez teorias de conspiração, da falsa alunagem à nova ordem mundial. A minha favorita é a dos reptilianos que secretamente nos governam. Para além de ser particularmente cretina, é uma cópia deslavada de um filme de John Carpenter.

But Does It Float | Nostalgia for the future É sempre bom revisitar o clássico intemporal que é Metropolis.

Gizmodo | Last Original Polaroid Instant Film to Be Sold at Urban Outfitters É o fim de uma era: as lendárias Polaroid vão deixar de ter filme para as fotografias únicas que tiram. Os últimos 700 cartuchos estão agora à venda.

Big Bang Briefly FINAL HD O Big Bang muito bem explicadinho num curto vídeo.

Gizmodo | San Francisco Sets An Example, Opens City Data For Anyone To Use Uma ideia intrigante: um município a disponibilizar todos os seus dados digitais de forma livre e aberta para todos os que os queira utilizar.

Boing Boing | Things that have always been true for the class of 2013 É nos pormenores que está o génio: nunca pensei que as gerações que me sucederão terão como dado adquirido o ver guerras na televisão em tempo real.

BLDBLG | SCUBA DIVING BENEATH HAGIA SOPHIA Um documentarita turco surpreende com o seu relato de mergulho sob as catacumbas submersas da majestosa basílica de Santa Sofia em Istambul.

O Grantbridge Street brinda-nos com duas doses de comics inspirados em Moorcock: One Life Furnished in Early Moorcock, adaptação de P. Craig Russel do conto de Neil Gaiman, e Elric, adaptação com laivos psicadélicos de Elric por Frank Brunner.

AMC | John Scalzi's Guide to the Most Epic FAILs in Star Wars Design Scalzi analisa alguns aspectos da Guerra nas Estrelas com a fina sensibilidade de uma bola de demolição. E pensando bem na coisa, mesmo sabendo que a FC pede sempre uma certa suspensão de descrença, há coisas que não fazem mesmo sentido nenhum.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

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Metal pesado.

As Estrelas São Dos Homens



James Blish (1997). As Estrelas São Dos Homens. Lisboa: Livros do Brasil.
Library Thing | They Shall Have Stars

Publicada originalmente em 1957 sob o título They Shall Have Stars, este é um livro que representa o início de algo mais alargado. Prelúdio da série Cities In Flight, é uma obra que delineia enredos e aponta futuras direcções, embora se conclua em si mesma com um final um pouco amargo.

2018 é um ano de viragem para a humanidade. Enquanto a dualidade da guerra fria dura (falamos de uma livro escrito no final dos anos 50) um alto responsável americano conspira para que o desenvolvimento científico leve a espécie humana para lá dos limites do sistema solar. Investindo em tecnologias médicas de prolongamento da vida e na pesquisa anti-gravitacional, consegue que seja desenvolvido o seu sonho: permitir que humanos imortais viagem por entre as estrelas em naves superlumínicas. Numa américa estrangulada pelo poder das agências de segurança, esta conspiração constitui alta traição e o alto responsável paga com a sua vida. Mas antes consegue abrir o caminho para que um piloto militar, a filha de um cientista, e dois pesquisadores de um projecto de mega-ciência em Júpiter partam para as estrelas. Tudo o resto se desenvolverá nos próximos livros.

O carácter introdutório desta obra leva-a a perder um pouco enquanto romance de FC. Assenta em curiosas reflexões, algumas estranhamente prescientes - a perda de interesse na exploração espacial e a noção que o estreitar das liberdades e garantias nas sociedades livres em resposta a ameaças externas implica que o inimigo venceu ao conseguir transformar a sociedade que atacou. Não sendo uma obra fundamental, é uma leitura com alguns méritos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Espião Interestelar



Poul Anderson (1984). Espião Interestelar. Lisboa: Livros do Brasil.

Fantastic Fiction | Ensign Flandry
SF Reviews | Ensign Flandry

Originalmente publicado em 1996 sob o título Ensign Flandry, este é o primeiro romance da série Technic History, passado num futuro distante em que o vasto império estelar terreno se encontra no seu ocaso, ameaçado por espécies externas e pela decadência das suas instituições. Flandry é um super-espião que se dedica a lutar contra o fim previsível do império, não olhando a meios e vivendo as mais espantosas aventuras enquanto se envolve com belas mulheres. Um verdadeiro James Bond da Ficção Científica.

Em Espião Interestelar Flandry é ainda um jovem aspirante colocado em Starkad, planeta longínquo, que nem sonha as aventuras que lhe estão reservadas. Starkad é o palco de uma guerra velada entre as duas potências interestelares, o império Terrestre e a civilização Merseiana sob pretexto de ajuda às espécies nativas do planeta, também em guerra sem fim à vista. O envolvimento de um planeta remoto na disputa cada vez mais acesa entre as civilizações é um mistério, até que Flandry, após aventuras no planeta com as espécies autóctones, segue para a capital do inimigo acompanhando um alto funcionário do império terrestre e o chefe dos espiões humanos em Starkad. Aí, após uma acção de espionagem envolvendo agentes duplos, Flandry descobre o tenebroso segredo do planeta, capaz de levar à destruição da frota estelar terrestre. Perseguido por Merseianos e Terrenos, Flandry refugia-se junto de uma cultura selvagem em Starkad e acaba por convencer os seus superiores a investigarem o segredo, o que culmina numa excitante batalha estelar.

Pura aventura em género space-opera é o que este livro nos promete e cumpre. É o lado mais lúdico da Ficção Científica de qualidade, alicerçado numa narrativa bem construída que envolve um argumento complexo. A construção de mundos e sociedades extra-terrestres é sólida, embora sem se desviar de um certo antropomorifismo que fez parte da época literária em que esta obra se insere. Espião Interestelar é um romance sólido de FC, da autoria de um dos grandes nomes do género.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

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Não precisamente branco.

Modelo Ikea

O modelo de negócio ikea é interessante. Atraindo consumidores com a promessa de preços baixos e alguma qualidade, faz incidir grande parte dos custos de comercialização sobre os consumidores.

Ir ao Ikea adquirir qualquer produto obriga sempre a uma deslocação, normalmente mais do que uma, porque é preciso ver, rever e voltar a ver antes de decidir. Dentro do Ikea somos levados num percurso longo e cheio de objectos, cuja quantidade disfarça a pouca diversidade presente. Maior quantidade não implica maior escolha. Encontramos poucos funcionários, algo que a empresa assume como um deixar os clientes em paz (e não como forma de poupar em salários). Praticamente tudo é feito pelos clientes - até o cortar e pesar de tecidos à medida. A inconografia explica-nos amavelmente que assim é mais rápido e permite baixar o preço.

Aperta a larica e dá alguma vontade de mordiscar qualquer coisa? Pensando no bem estar dos seus clientes, os conceptores das lojas criaram espaços de restauração self-service. Nos contentores de lixo podemos ler que é importante que os clientes depositem o próprio lixo lá dentro porque assim os funcionários podem concentrar-se em cozinhar. É a desculpa mais surreal que já vi para manter custos baixos poupando na mão de obra.

Tudo o que se quiser levar, excepto objectos de grandes dimensões, é retirado pelo cliente do armazém (redenominada área de self-service) que também tem que assegurar o transporte, a carga e a descarga. E depois de se estoirar a levar as embalagens para o veículo, conduzir devagarinho para não provocar acidentes, partir as costas a carregar caixas pelas escadas acima, ainda há que montar a peça. Felizmente a coisa vem com instruções.

Sob promessa de preços baixos, acabamos por fazer quase todo o trabalho que competeria ao vendedor. É um princípio semelhante ao das caixas mutibanco - quanto mais as usamos, menos funcionários bancários são necessários e o lucro das instituições sobe. Bem vindos à nova economia, em que o consumidor se transforma alegremente em trabalhador enquanto consome.

Barato, barato, barato. Será que nos sairá caro a médio e longo prazo?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

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Pura textura.

Leituras

Next Nature | Tangible Hologram Projector Combinando holografia, sensores e ultrasons, investigadores da Universidade de Tokio criaram um interface holográfico que dá a sensação de toque nos objectos projectados. Isto é um sonho a tornar-se realidade.

Boing Boing | R. Crumb's Short History (and future) of America Numa sequência célebre de desenhos o cartoonista Robert Crumb representou a evolução de um país a partir de um ponto de vista.

BLDBLG | EXCAVATORY IMPROV Arqueologia futura através de um número fictício da National Geographic de 2049 que documentará a apropriação arquitectónica de uma ilha ao largo de Sydney. É um projecto de um workshop de arquitectura que toca inevitavelmente nas fronteiras da FC.

Scheneier on Security | Password Advice Palavras-passe na era digital: fundamentais e tão descuidadas em segurança. Bruce Schneier partilha dez complexas regras "elementares" de segurança, algumas das quais são verdadeiramente elementares - como ter cuidado com palavras-passe em computadores públicos.

English Russia | B-413 Submarine. Interiors. Série de fotografias que documenta o apertado interior de um antigo submarino nuclear soviético. Imagens inspiradoras para estilismos steampunk.

The Toy Zone | DaVinci's War Machines Armaduras andróides, tanques, catapultas, muralhas, uma metralhadora de canhões ou carroças equipadas com lâminas afiadas são alguns dos projectos de armas saídos da mente brilhante de Leonardo DaVinci.

X-Planes | Concorde Nuclear Bomber Do mais interessante tumblr sobre aeronáutica sai esta visualização de uma hipotética versão militar do avião de passageiros supersónico.

Gizmodo | There Are Levels of Survival Windows 7 Is Prepared to Accept Parece que o Windows 7 é um grande candidato ao raro título de bom sistema operativo da microsoft. A Computerworld andou a testá-lo em máquinas antigas e parece que funcionou até em pentiums de 256 mhz com 96MB de RAM. Ainda mais obsoletas que as máquinas que tive que manter vivas durante este ano...

The Daily Beast | The Web's Dirtiest Site Douglas Rushkoff atira-se ao 4chan, um daqueles cada vez mais raros sites onde vale tudo. O autor assustou-se.

Bibliodyssey | Jamnitzer Perspectiva Espantosas visualizações de sólidos geométricos criadas por Wenzel Jamnitzer para o fólio Perspective of Regular Solids de 1568.

BLDBLG | FUTURE PASTORAL Megaestruturas e bucolismo natural: assincronismo futurista em mais um projecto de arquitectura coligido pelo impecável BLDBLG.

Ars Technica | Checking e-mail before your morning coffee? You're not alone É bom saber que não estou sozinho no meu hábito de acordar e ir ver o email/agregador de rss e sites sociais para começar o dia. Mas, pessoalmente, prefiro tomar a minha internet matinal com doses apreciáveis de café.

io9 | Century-Old Science Fiction Film Flies Us to a Handpainted Moon O io9 aponta-nos ao trabalho de Segundo de Chomón, realizador espanhol que realizou em 1908 um remake de A Viagem à Lua de Meliès. Terá sido o primeiro remake de um filme de FC? Vale é que este, ao contrário da recente tendência de aniquilar clássicos do cinema de FC e Fantástico com remakes limpinhas e desinspiradas, não é pior do que a versão original.

Boing Boing | Cheap: The High Cost of Discount Culture Qual é o custo real da nossa obsessão pelo barato? Há limites para a sustentabilidade económica de uma cultura consumista baseada no arrasar de preços. Como é que se produzem bens baratos assegurando uma justa distribuição de riqueza por produtores, mão de obra, distribuidores e consumidores? Até agora a resposta tem sido a deslocalização de indústrias para zonas do planeta com condições laborais abomináveis.

X-Planes | P38 Formation Esta fotografia de uma formação de P38s é estranhamente reminiscente de velhos jogos de arcada...

io9 | DC Loses More Superman Rights É uma daquelas histórias paradigmáticas, que se arrasta há décadas, que faz desconfiar das boas intenções de detentores corporativos de direitos de autor. O icónico Super-Homem, popular e lucrativo personagem de B.D., pouco rendeu aos seus criadores, que tiveram de encetar uma longa batalha jurídica com a DC Comics para verem reconhidos os seus direitos de autor como criadores do personagem. Note-se que esta guerra dura desde os anos 40. Por estas é que desconfio de empresas que defendem a extensão e restrição dos direitos de autor em nome da protecção dos autores e criadores.

Golden Age Comic Book Stories | Frank Tinsley O que intriga nestas capas do pulp Bill Barnes Air Adventurer é a verosimilhança das aeronaves, versões gráficas de projectos bem reais com autogiros, YB-17s, Douglas Dauntless ou uma aeronave particularmente estranha saída da mente de um engenheiro britânico nos anos 20.

domingo, 16 de agosto de 2009

Comics viciantes

Air

Confesso que ainda não consegui perceber este comic surreal sobre voar, artefactos aztecas e ilhas no céu. Mas quando num dos episódios nos leva a um país esquecido pelos mapas devido a um erro de geógrafos no traçado da fronteira indo-paquistanesa, um lugar para lá dos mapas, fiquei cativo.

The Unwritten

Curioso, muito curioso. Um jovem vive sob o estigma de estar constantemente a ser confundido com personagem principal dos romances do pai já desaparecido. Os livros descrevem a saga de um jovem feiticeiro e são vastamente populares. Mas os perigos adensam-se quando a fantasia parece transvasar para a realidade. Uma curiosa brincadeira que revolve artefactos famosos da cultura popular de massas.

Hack/Slash

O mais divertido comic de horror do momento. Cassie Hack caça slashers acompanhada do fiel e desfigurado Vlad. Escrita por Tim Seeley, esta homenagem desbragada ao cinema de horror dos anos 80 conta com ilustradores diferentes para cada edição, diferenciando os estilos de um comic muito cool.

I Am Legion

Vampiros, Nazis e agentes secretos aliados são os ingredientes desta série sobre os misteriosos poderes de uma jovem romena. Surprendente e graficamente elegante.

The Unthinkable

Começou muito prometedora esta história sobre conspirações impensáveis que modificam radicalmente o estilo de vida ocidental, mas está a resvalar para algumas soluções demasiado previsíveis. De qualquer forma, aborda brilhantemente os danos às liberdades e direitos individuais face à necessidade do combate ao terrorismo.

Buck Rogers

Buck Rogers no século XXV, reinventado e actualizado. Na primeira iteração dos comics originais dos anos 30 Rogers adormece numa caverna, na segunda iteração o seu space shuttle entra numa nuvem estelar e nesta terceira a viagem ao futuro é causada por um motor gravitacional.

Herogasm

Sexo, drogas e super-heróis. É o tipo de comic que leva criancinhas inocentes amantes do super-homem e do homem-aranha aos sofás dos psiquiatras.

Captain America Reborn

Já passei a fase dos comics de super-heróis na minha adolescência, mas estou curioso para ver como é que ressuscitam o icónico capitão américa. Pista: perante uma questão aparentemente irresolvível como a morte de um personagem, não há como uma deslocação de fluxos temporais para a resolver.

No Hero

Com o habitual brilhantismo visceral, Warren Ellis desmonta o mito do super-herói nesta história sobre heroísmos artificiais.

Ignition City

É a cidade-ilha onde os aventureiros espaciais definham depois de proibidos os voos espaciais, onde a filha de um astronauta investiga o assassínio do seu pai. Reminiscente das aventuras espaciais dos anos 50, novamente com o toque visceral de Warren Ellis.

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A Família em Rede



Seymour Papert (1997). A Família em Rede. Lisboa: Relógio D'Água.
Seymour Papert

As frases mais memoráveis deste livro surgem quando Papert se interroga sobre o que pensaria um cirurgião do século XIX caso entrasse numa sala de operações do século XX. Seria capaz de pegar num escalpe e operar um paciente? E um professor do século XIX? Colocado numa sala de aula do século XX, seria capaz de dar aulas e ensinar alunos? A resposta, deprimente, a estas questões sublinha bem o atraso conceptual que a educação tem face a outras àreas de conhecimento. Um atraso que é paradoxal para uma àrea do conhecimento que se dedica precisamente a transmitir conhecimento para as gerações futuras.

Todos sentimos e procuramos a importância do ensino, mas os conhecimentos que mais prezamos são muitas vezes adquiridos de forma autodidacta. Falo por mim, mas certamente que muitos sentem o mesmo. Numa era em que os media veiculam torrentes de conhecimento em diversos formatos, o papel do professor enquanto transmissor de conhecimentos poderá estar a caminhar para a obsolescência, a menos que se centre no estruturar de conhecimentos e abrir horizontes de desenvolvimento pessoal. Hoje, mais do que aprender factos elementares, é mais importante ensinar a questionar e procurar conhecimento.

Centramos na educação a esperança na evolução exponencial do conhecimento quando na verdade a forma como ensinamos não evoluiu fundamentalmente em séculos, apesar das cada vez mais fortes contribuições das neurociências ou da psicologia. Numa era mediatizada, em que a tecnologia é parte integrante e indispensável da vida, a sala de aula resiste como uma espécie de último reduto dos bucólicos tempos pré-digitais. O que é novamente paradoxal, porque entre os professores encontramos inúmeros excelentes exemplos de integração de tecnologias digitais e uma cultura aberta à tecnologia, que depois pouco se reflectem no ensino enquanto sistema. Iniciativas como o plano tecnológico pouco podem fazer para alterar este quadro a curto prazo, porque se centram apenas nos equipamentos e não nos conceitos. Um caso típico é o dos quadros interactivos, tecnologia muito na moda entre professores, que replica digitalmente a mais clássica (e antiga) estratégia de ensino - demonstração no quadro e aplicação repetitiva de conhecimentos. Estratégias como o trabalho colaborativo assistido tecnologicamente ou a aprendizagem baseada em problemas dificilmente passam da fase de pesquisa e produção de texto impresso.

Qualquer professor que se preze sabe que o acto de ensinar envolve sempre diversas estratégias. Sem querer entrar em excessos de eduquês, é tão necessário assumir momentos de demonstração e memorização como ser capaz de dar uns passos atrás e deixar que os alunos se desenvecilhem para resolver um problema. E também não é fácil mudar, num sistema de ensino rígido em tempos e espaços como o nosso que está mais centrado na produção de resultados medíveis mas pouco significativos no mundo real. Afinal, quantos de nós nunca marraram afincadamente para um exame, tiraram uma nota excelente e significativa em termos estatísticos, e dias depois mal se recordavam do que haviam memorizado? Mas estou a divergir.

Seymour Papert é bem conhecido entre aqueles que procuram uma colisão benéfica entre pedagogia e tecnologia. Professor do MIT, é um dos criadores da linguagem de programação Logo, desenhada para ensinar crianças de níveis pré-alfabetizados a programar (cuja iteração mais recente é o Scratch), e autor de inúmeras obras em que procura formas de integrar tecnologia com educação reconhecendo que tal como a disseminação de tecnologias obrigou a mudanças de paradigma sociais e culturais, terá que forçosamente mudar o paradigma educacional. A Família em Rede é uma reposta possível, um conjunto de reflexões sobre o papel da tecnologia na educação e um mapa de estratégias de utilização. Aqui, os suportes tecnológicos parecem hoje seriamente desactualizados - cd-roms, internet a 56kbps, mas os princípios de trabalho - exploração criativa, pesquisa pensada como resposta a problemas, integração utilizando uma vasta gama de diversificadas actividades simples e complexas, são hoje muito actuais.

Estas questões não são de reposta fácil. Fazer entrar os computadores na escola é um passo, e muito será ainda discutido, experimentado, resmungado e aplicado até que a escola se transforme em direcção a uma instituição que responda realmente aos desafios que se coloquem à sociedade.

Papert procura com este livro desmistificar o computador, mostrando como é fácil desmontar preconceitos quando somos expostos criativamente à máquina. Explorar o potencial do computador numa perspectiva de bricolage (conceito que Papert vai buscar a Sherry Turkle) ajuda-nos a dominar a máquina para o que queremos, desmistificando a noção que o computador nos domina e reduz a processos pré-programados. É também uma forma de democratizar o acesso à tecnologia, colocando nas mãos de todos ferramentas que têm a capacidade de nos fazer ultrapassar o papel de meros consumidores de conteúdos, libertando o potencial criador dos elementos que compõem as grandes massas. Aqui, o livro é quase presciente da explosão da web colaborativa que vivemos neste momento.

A Família em Rede é uma leitura essencial para quem quiser introduzir a tecnologia na escola indo para lá da faceta da aquisição de equipamentos, mergulhando nas mudanças conceptuais que a tecnologia digital irá obrigar a escola enquanto conceito e instituição a efectuar.

sábado, 15 de agosto de 2009

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Abstracção submersa.

O Universo de Morton




A.E. Van Vogt (1994). O Universo de Morton. Lisboa: Livros do Brasil.
Fantastic Fiction | Universe Maker.

Originalmente publicado em 1953 com o título original The Universe Maker, este livro visita um paradigma clássico da FC: a viagem no tempo. Fugindo à focalização tradicional de viagem de visita ao passado ou ao futuro, envolve-nos numa trama complexa de acções e consequências convulutas num tempo que se dobra e distorce.

Morton Cargill vê-se envolvido num acidente onde julga ter cometido um homicídio involuntário. Anos depois é levado ao futuro para enfrentar a terapia de uma descendente da vítima, apenas para se ver envolvido em conspirações orquestradas por uma entidade misteriosa. No mundo futuro em que Morton se descobre, a civilização divide-se entre nómadas do ar, ferrenhos adeptos das cidades e uma espécie transhumanista que se apelida de homens-sombra e que utiliza conhecimentos profundos de psicologia para transcender. A conclusão lógica das manipulações leva-o a assumir o papel da entidade misteriosa que o manipula, sendo capaz de controlar os fluxos temporais e tornar-se um fazedor de linhas de tempo.

Não sendo um dos melhores livros de Van Vogt, O Universo de Morton é uma variação interessante sobre paradoxos temporais, tema que originou algumas das mais intrigantes páginas de ficção científica.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

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Mergulho?

Saudades.

Tenho saudades dos arrumadores. Graças a doença prolongada de um familiar próximo, tenho dado por mim a estacionar inúmeras vezes ao pé do Hospital de Santa Maria. Até há poucas semanas atrás, a rua era pertença dos arrumadores. Os parquímetros estavam irremediavelmente danificados e os espaços de estacionamento estavam divididos com fronteiras invisíveis. Para estacionar bastava encontrar lugar e dar a moedinha de 50 cêntimos ao arrumador.

Mas alguém interviu - talvez a câmara de Lisboa, a EMEL ou o HSM. A zona foi limpa de arrumadores - que o meu lado inocentemente liberal quer acreditar que foram auxiliados na recuperação e retirados das ruas, mas francamente duvido. Foram instalados novos parquímetros, vigiados atentamente pelos funcionários mais odiados de Lisboa.

Resultado: antes, por cinquenta cêntimos deixava o carro estacionado o tempo que precisasse. Agora, posso contar com um euro por hora e uns minutitos, e é bom que não me distraia, que os funcionários da EMEL são exímios em colocar geringonças amarelas nas jantes dos veículos.

Higanjima



Koji Matsumoto (2007). Higanjima. Paris: Soleil Manga
Higanjima

Aki, um jovem japonês, reúne um grupo de amigos fieis e parte para uma ilha nipónica remota em busca de um irmão desaparecido. Lá encontra um terrível mistério que transforma os habitantes mais incautos em vampiros ou criaturas inacabadas, semi-vampiros protoplásmicos.

Resume-se em poucas linhas mas desenrola-se por milhares de páginas. Este é um manga mais de segunda linha, repetitivo e aparentemente desenhado a metro. Falta-lhe o toque surreal dos mais interessantes mangas de j-horror e o seu estilo é previsível e pouco desenvolvido.

Confesso que estou a gostar desta minha descoberta progressiva da banda desenhada japonesa, até porque tenho o cuidado de evitar os títulos mais esterotipados. Este Higanjima confesso que desapontou.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

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O Culto do Chá



Venceslau de Morais (2007). O Culto do Chá. Lisboa: Frenesi
O Culto do Chá


A paixão pelo oriente é um tema recorrente nas artes e literaturas, desde o fascínio pelos produtos e culturas das terras longíquas, passando pelo orientalismo com a sua visão idealizada de um oriente sensual, que se reflecte hoje na paixão que sentimos pelos produtos culturais orientais, quer pelo seu cariz exótico e tradicional quer pela modernidade tecnológica. A ideia que fazemos de terras como a Índia, a China, o Japão e zonas envolventes envolve uma certa mística do exotismo que muitas vezes esbarra na realidade da vida das populações.

Em 1905, fascinado pela vida oriental ao ponto de trocar Portugal pelo Japão, o poeta e escritor Venceslau de Morais publica aquela que viria a ser a sua mais famosa obra, O Culto do Chá. Com a desculpa de nos iniciar nas minúcias nipónicas que envolvem o ritual de degustar uma chávena de chá, Morais mergulha-nos na visão de um Japão bucólico, ainda não tocado pela modernidade, reflectindo uma procura de perfeição nos seus rituais e respeitando longas tradições milenares espelhadas nas lendas e histórias tradicionais que entretece ao longo da narrativa.

Mais do que o acto de beber chá, Venceslau de Morais fascina-se por uma certa ideia de pureza e elegância presente na cultura japonesa, de sublimação dos sentidos por submissão a estritas regras e rituais sociais. É também esse o fascínio que hoje sentimos quando falamos no moderno Japão, terra de tradições e tecnologia avançada.

A acompanhar as palavras de Venceslau estão as ilustrações de Iochiaqui, que nos mergulham na cultura japonesa com uma intensidade que só imagens produzidas por uma outra cultura, por um outro modo de ver e representar conseguem atingir. Venceslau confessa que estas ilustrações são menores, encomendadas a ilustradores habitualmente ocupados a produzir ornamentações de pacotes de perfumaria ou rótulos de garrafa. Com mais dinheiro, confessa, teria encomendado ilustrações aos mais refinados praticantes da forma japonesa de representação gráfica. Apesar disso, os desenhos criados pelo humilde ilustrador são um lado indissociável desta pequena obra de culto da literatura portuguesa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

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Folie.

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Vislumbre.

A Chegada dos Terrenos



Leigh Brackett (1993). A Chegada dos Terrenos. Lisboa: Livros do Brasil

Fantastic Fiction | The Coming Of The Terrans

O chato de ter satélites e robots semiautónomos às voltas por Marte é ficarmos a saber que afinal o lendário planeta não é bem como o imaginávamos. Onde gostaríamos de ver a Barsoom de Edgar Rice Burroughs ou as delicadas espiras das cidades à beira dos canais liricamente descritas por Ray Bradbury existe apenas rochas e pó vermelho. Publicado originalmente em 1967 e decididamente inscrito na tradição de Marte como local exótico de aventuras, o livro A Chegada dos Terrenos descreve um Marte fantástico, sugerindo uma amálgama de visões da áfrica selvagem e do exótico extremo oriente como inspiração para uma complexa mas decadente cultura marciana que interage com uma benevolente invasão humana, de uma espécie tecnologicamente mais avançada mas também menos milenar e tradicionalista.

O planeta Marte delineado por Brackett é um mundo semi-desértico, mantido vivo pelos canais que trazem a preciosa àgua dos pólos até às cidades e povoações, dividido em cidades-estado e clãs decadentes, que são um resquício empobrecido de milenares civilizações, cujos descendentes esqueçeram o saber tecnológico e vivem mergulhados em tradições que são pálidas recordações de uma grandiosidade passada.

O livro desenrola-se em cinco contos de imaginação solta, que constroem eficazmente um mundo fantástico. Em A Besta Preciosa de Marte, um astronauta em busca da mulher que ama mergulha no misterioso e selvagem ritual do shanga, que quase o reverte de corpo e alma até aos primórdios neandertais. Marte sem Bisha (título que soa muito mal em português) fala-nos de um cientista que ao resgatar o que aparenta ser uma criança marciana normal do que julga ser um selvagem assassínio ritual depara-se com um resquício telepático de outras raças marcianas já extintas que o pode levar à morte. O exotismo reina em Os Últimos Dias de Shandakor, onde um etnólogo terrestre descobre a quase morta cidade de Shandakor, onde as sombras e as visões parecem ter mais vida do que os seus reptilianos últimos habitantes. A Sacerdotisa Púrpura da Lua Louca mergulha um bem intencionado funcionário governamental que vem a Marte pregar o credo do progresso tecnológico nos terrificantes antigos mistérios da feitiçaria marciana. Finalmente, o livro encerra-se com A Estrada Para Sinharat, uma viagem pelos desertos marcianos em busca de um segredo milenar que poderá travar um conflito entre marcianos que se opõem a projectos que visam transformar o planeta.

Voo de imaginação ao sabor da ficção científica clássica dos anos 50, este livro é uma boa introdução à obra e sensibilidade de uma das raras mulheres escritoras dos tempos da era de ouro da ficção científica.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

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Thinking Visually



Mark Wigan (2006). Thinking Visually. Lausanne: Ava

Amazon | Thinking Visually

A série Basic sobre ilustração, design e animação publica uma série de títulos que revê os conceitos elementares das àreas abordadas e aponta alguns exemplos mais cutting edge para estimular a criativdade. Ricamente ilustrado com exemplos contemporâneos, este Thinking Visually leva-nos a pensar sobre os elementos básicos da ilustração: inspiração, técncias e processos de criação.

Este livro vale pela súmula que faz dos vários tipos de materiais e técnicas que se podem utilizar, sempre bem ilustrados com exemplos que sublinham a contemporaneidade da ilustração enquanto campo expressivo. Dá também voz aos artistas, que se assumem como um misto de artistas plásticos e empresários, gerindo a inspiração e a necessidade de expressão com as imposições e constrangimentos do mercado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

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Memória



Interessante projecto de arte pública: sobre um painel de fotografia qualquer visitante pode deixar um post-it com uma mensagem alusiva ao tema. Interactividade simples e eficaz. A mensagem é não deixar esquecer os direitos humanos. O painel está na entrada dos jardins da Fundação Gulbenkian.

A Vida Misteriosa dos Cadáveres



Mary Roach (2006). A Vida Misteriosa dos Cadáveres. Lisboa: A Esfera Dos Livros.
Mary Roach

O que se passa depois do inevitável da vida é assunto pouco agradável. As transformações bioquímicas que literalmente decompõem o corpo são revoltantes a dois níveis. O estômago revulsiona-se com a visão da decomposição e a mente lamenta a vida humana que se reduz a um acumular patético de elementos químicos em degradação.

O livro não se centra nos aspectos biológicos. Olha também para a utilidade que os cadáveres têm - na recolha de orgãos para transplante, como elemento de aprendizagem médica ou como forma de testar as tecnologias que irão proteger os seres humanos vivos. Para lá destes aspectos, a autora ainda foca a indústria funerária e algumas entretedoras lendas urbanas sobre canibalismo.

O assunto é pesado, mas o tom da obra é leve. Paradoxalmente, trata-se de uma leitura agradável sobre um dos aspectos mais desagradáveis da vida, a inelutabilidade da morte.

domingo, 9 de agosto de 2009

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hsm.

Ouvido...

He was like the flag he so strongly defended: red neck blue collar white trash.

Leonard Bersntein, Candide, emitido no programa Mezza Voce da Antena 2.

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Começa com um rectângulo, e depois vai-se esculpindo. É muito divertido trabalhar com o Google Sketchup.

O objectivo é criar um espaço virtual interactivo. O edifício virtual será preenchido com objectos 3d texturizados com exemplos de pintura, com links html associados. A ideia é entrar, observar e clicar para saber mais.



Por enquanto está em modelo sketchup. Falta importar para o Vivaty Studio (formato .kmz) e o trabalho chato que é alinhar os objectos com as paredes do modelo.

O Segredo do Espadão



E.P. Jacobs (2002). O Segredo do Espadão. Lisboa: Meribérica/Liber

Comics Creators | E. P. Jacobs

A empolgante conclusão da trilogia do Espadão mostra-nos finalmente a aeronave milagrosa capaz de salvar o mundo ocidental do jugo tirânico do novo império chinês que ocupa grande parte do planeta. Este livro é aventura especulativa desbragada da primeira à última página.

As obras de Jacobs sempre se socorreram de esterotipos e esta não é excepção. Temos o galante oficial do exército e o cientista aventureiro, coadjuvados por solícitos personagens coadjuvantes quem em nenhum momento questionam as acções dos dos heróis. O vilão, inimigo fidagal do par, repete-se ao longo das histórias. E por entre os estereotipos mais convencionais destaca-se a visão do perigo amarelo: as hordes de soldados chineses que esmagam a civilização ocidental debaixo das suas botas cardadas

A tecnologia aeronática é o elemento preponderante desta aventura dos personagens Blake e Mortimer e E.P. Jacobs parece ter mergulhado profundamente nos projectos de aeronaves experimentais para produzir os seus detalhados desenhos. Em particular, o avião que dá nome ao livro assemelha-se muito ao X3 Stiletto, aeronave experimental desenvolvida pela McDonnell Douglas nos anos 60. O traço preciso do autor não se fica por aí, representanto fielmente uma versão fantasista das asas voadoras desenvolvidas pela Northrop.

Estereótipos previsíveis à parte, E.P. Jacobs é um dos mestres da BD franco-belga e as suas obras clássicos que vale sempre a pena reler.

sábado, 8 de agosto de 2009

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World One



Finalmente. Está rudimentar, mas está. É uma primeira experiência, ponto de partida para coisas mais engraçadas. É um mundo virtual navegável, com alguma interactividade. Para o visitar cliquem neste link: World One. Para visualizar é necessário o internet explorer (chato, eu sei) e o plugin de vrml BS Contact VRML/X3D instalado. o VrmlWorld tem lá coisas que me deixam verde de inveja.

Claro, eu sei, existe o Second Life. Mas o SL é pago e está dependente de uma empresa. Isto é totalmente livre - livre de utilizar e livre de criar.

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Duck, ou canard.

Biomega



Tsutomu Nihei (2009). Biomega. Grenoble: Editions Glénat
Biomega

No próximo milénio um vírus ameaça a humanidade. Aqueles que são contaminados transformam-se em drones, seres zombificados. As todo-poderosas autoridades de saúde detém poder de vida ou morte no combate aos surtos epidémicos.

Zoichi Kanoe, agente biomecânico ao serviço de uma corporação industrial, tem como missão proteger os raros humanos que resistem ao vírus. Ao fazê-lo, depara com uma perigosa conspiração das autoridades de saúde, que tentam destruir os centros urbanos com ataques nucleares num golpe de estado à escala global. Só a acção desesperada do agente pode salvar a humanidade.

Criada pelo mesmo autor de Blame, Biomega regressa ao tema de um futuro apocalíptico, mega-urbanizado sujeito a forças conspiratórias que estão para além do controle dos personagens. Graficamente, o estilo rude do desenhador deslumbra com paisagens urbanas pesadas, reminiscentes dos Carzieri d'Invenzioni de Piranesi. Os constragimentos do manga enquando media obrigam a inúmeras cenas de combate que embora dinâmicas, dentro da convenção, não são o elemento estilístio preponderante. As visões meio esboçadas de cidades futuras onde o estilo tecnológico de dissolvem em edifícios de reminiscências góticas andam longe das linhas claras e facilmente compreensíveis dos manga, mas é esta desfocagem expressiva que confere um toque de individualidade a esta série.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ground Zero



Hiroxima, 1945. Fotografia de reconhecimento antes do bombardeamento atómico. Via Boston Globe.

Vrml



O que é que eu tenho andado a fazer febrilmente, nestes dias fresquinhos de Agosto? A trabalhar num mundo virtual. Terrenos modelados em Bryce, edifícios no Sketchup, aeronave e assemblagem no Vivaty Studio. A parte que me está a dar mais gozo é o "museu": é possível interagir com as pinturas expostas. A aeronave devia voar, mas ainda não consegui dar a volta à animação.

Leituras

Gizmodo | Britain Putting CCTV Cameras in Homes to Make Sure Kids Do Their Homework E se dúvidas restavam spbre a Inglaterra ser o pais europeu mais avançado na aniquilação do conceito de privacidade esta notícia desfaz qualquer questão. O conceito é colocar câmaras em casa de famílias apontadas como desestruturadas ou problemáticas. A lógica baseia-se no facto de serem casas dadas pelo estado, logo não se classificam como locais privados e sim como locais públicos (!). O objectivo é vigiar os comportamentos de adultos e crianças, para gerar um ambiente de crescimento mais saudável. Na verdade, é arrepiante. Até porque as definições de desestruturado e público são muito latas.

Modern Art Notes | 'Uncle Rudi' and Gerhard Richter's portraits Uma visita à obra do pintor alemão Gerhard Richter, autor de pinturas desfocadas que capturam eficazmente a percepção de quem as contempla.

Intomobile | Palm Pre ad-man embraces creepy commercials A controvérsia não é para aqui chamada; mas os anúncios ao Pre (o novo smartphone da Palm) são bizarramente semelhantes a retratos renascentistas, com aquele brilho da renderização cuidada.

Kottke | Balloons gather CGI? Fotografia? Uma imagem a ver. Parece, realmente saída de um filme de animação.

TIME | The 50 Worst Cars of All Time Para quem liga a automóveis, cá fica esta apreciação dos cinquenta piores carros de todos os tempos.

Peopleware | Dados de acesso à Internet ficam guardados a partir de hoje Portugal adoptou uma directiva comunitária que obriga os ISPs a guardar durante um período de tempo todos os dados de acesso à internet - identificação, IP, data e hora, geolocalização. De fora fica o conteúdo das comunicações. A lei portuguesa obriga ao arquivar destes dados durante um ano. O que significa que a partir deste mês de agosto aquelas visitas aos sites de meninas jeitosas em poses artísticas vestidas com a roupa em que vieram ao mundo, aos sites de warez para experimentar aquele programinha interessante ou os rais às torrentes para caçar aquele filme que apetecia mesmo ver passam a ficar registadas durante um ano para disponiblização aos tribunais.

Gizmodo | If Only 100 People Were in Twitter Para além de ser um prodígio de visualização elegante de dados, este gráfico sublinha um facto elementar nos novos meios de comunicação: servem para que todos possam dizer o que querem, mas a maior parte dos utilizadores tem pouco para dizer.

Gizmodo | 10 Of Your Biggest Cable Management Disasters E eu ainda me queixo da confusão de cablagem na minha escola. Atenção, senhores da rede PTE: aviso já que quero cada cabo e cada terminal de rede devidamente identificado.

io9 | Photos Reveal Where Your Favorite Scifi Books Are Made Uma interessante série de fotografias onde escritores são retratados nos seus locais de eleição para escrever. Fabulosa a fotografia 16, de Samuel R. Delany no paraíso.

JG3D | Structure Synth V1.0 Estou curioso com este software de geração de estruturas tridimensionais.

Wired | "The future isn't big anymore. The future is small" Warren Ellis arrasa a Wired.UK analisando a tendência nanotecnológica.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

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Critters.

MPD - Psycho



Eiji Otsuka, Shou Tajima (2005). Multiple Personality Detective Psycho. Pika Édition

MPD - Psycho

No mundo do mangá encontramos de tudo. Qualquer que seja o nicho possível são certamente produzidos dezenas de títulos relacionados. Este MPD-Psycho é um caso curioso: as aventuras de um detective que sofre de personalidades múltiplas, dividindo-se entre detective aprimorado e psicopata. Apanhei a série a meio e não consigo de sentir confusão face aos pressupostos e argumentos convolutos deste título.

O que surpreende é o grafismo urbano e despojado do ilustrador, Shou Tajima, a remeter para o comic underground americano e para o estilo minimalista agressivo de Charles Burns. Este mangá não vive do exagero gráfico a que estamos habituados no género, nem de ângulos de visão dinâmicos. O traço é simples mas eficaz, traduzindo o argumento com elegância e leveza. Particularmente fascinantes são as representações de espaços urbanos, que conseguem ser pormenorizadas mas sem sobrecarregarem o estilismo.