sábado, 22 de agosto de 2009

A Imaginação e a Arte na Infância



Lev Vygostky (2009). A Imaginação e a Arte na Infância. Lisboa: Relógio D'Água.

Wikipedia | Lev Vygotsky

Lev Vygotsky é um dos mais influentes da pedagogia actual. Desenvolveu o seu trabalho nos anos 20 e 30 do século XX e faleceu novo, vítima de tuberculose. Durante décadas o seu trabalho caiu no esquecimento na União Soviética, e só a partir dos anos 60 foi redescoberto. Apenas nos anos 80 as suas obras foram publicadas no ocidente. Tal como Piaget, Vygotsky procurava saber como se aprende, como se desenvolve a aquisição de conhecimento. Piaget, sendo epistemólogo, estudou crianças e construiu um modelo de desenvolvimento cognitivo complexo que tenta explicar a forma como dirigimos e utilizamos o impulso de conhecer. Vygotsky não vai tão longe (talvez o fosse, caso a sua vida não tivesse sido encurtada) mas o seu modelo de aprendizagem descreve muito bem a importância das interacções sociais e da imitação no acto de aprender, expresso no conceito de zona de desenvolvimento proximal. Falamos aqui de aprender no seu sentido mais lato, uma acção que todos realizamos de forma contínua. Limitar o conceito de aprendizagem à escola é redutor. Aprender é algo que fazemos continuamente nos vários contextos que experimentamos.

Em A Imaginação e a Arte na Infância Vygotsky observa a forma como desenvolvemos a criatividade e a aplicamos. Parte de dois pressupostos elementares: que todos somos criativos e que a criatividade depende de conhecimento. Relativo ao primeiro pressuposto, é um erro considerar a criatividade como algo rarefeito e acessível apenas a uma élite ligada à expressão artística. Enquanto nos maravilhamos com uma peça sinfónica ou os traços numa obra plástica, esquecemos a nossa própria criatividade rotineira na busca e encontro de soluções para os problemas que nos surgem no dia a dia. Dissociar criatividade de arte permite um olhar mais abrangente sobre esta característica, fundamental numa sociedade e economia de conhecimento.

Na verdade, ninguém é capaz de criar no vazio. Grande parte da criatividade depende do conhecimento previamente adquirido, do alargar de horizontes. Descobrir e conhecer novas experiências alarga a nossa capacidade criativa. Vygotsky sublinha o papel da interacção social e da variedade de experiências que acumulamos. Daqui emerge um quadro em que Vygotsky demonstra a criatividade como um elemento fundamental de aprendizagem, alimentando-se e dependendo do acto de aprender.

Após desenvolver estes pressupostos Vygotsky avança para os campos de aprendizagem de expressão artística, analisando as formas utilizadas nas escolas - literária, gráfica e dramática, no contexto das mudanças perceptivas e de autoconceito que caracterizam a adolescência. Reforça esta altura da vida como o momento em que muitos perdem a sua capacidade expressiva por se pensarem limitados em termos expressivos, o que acaba por ser uma profecia que se cumpre automaticamente. Ao pensar que não somos capazes de expressão deixamos de lado as actividades expressivas, e assim não as reforçamos e desenvolvemos.

A Imaginação e a Arte na Infância é um texto importante para se compreender como desenvolvemos a imaginação e criatividade expressiva, centrando-se por necessidade na aprendizagem expressiva mas englobando um conceito abrangente de criatividade.

1 comentário:

Anónimo disse...

péssima tradução do espanhol...