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terça-feira, 3 de outubro de 2023

Revista H-alt #12

 


Demorei a pegar nesta leitura, que já aguardava a atenção devida desde o final do ano passado. Acontece, nem sempre temos o tempo que desejamos para isto. Só lamento o quanto deixei passar, porque a surpresa com esta décima segunda edição foi enorme. Sei sempre o que esperar desta revista, um espaço dedicado à revelação de novos autores, que têm aqui uma forma de mostrar o que fazem. Um trabalho que vive da dedicação do seu editor, Sérgio Santos, e que tem mantido uma aposta coerente e de longevidade. 

A grande surpresa desta edição foi no elevado nível de qualidade da maioria das histórias reunidas. Não quero que isto seja mal interpretado, mas numa publicação destas, sabemos que boa parte dos talentos estão ainda verdes, a desbravar os seus caminhos e a evoluir. Mas, nesta edição, o nível de maturidade gráfica e narrativa está muito elevado. Distingo logo o trabalho de criadores como Mateus Boga, Marco Silva, Miguel Garcia, Marcello Bondi, Ricardo Sciarra, Rick Alves, Agonia Sampaio (ok, este não é jovem criador...), ou Miguel Santos, sem querer ser injusto com os restantes participantes desta edição. Vale bem a pena espreitar e ler o que andam a fazer.

A H-alt tem-se afirmado como um espaço que dá voz a novos criadores, com rigor na sua edicação, e num notável esforlo de continuidade. É um projeto de mérito, que merece o melhor apoio que podemos dar: ser lida.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

H-alt: Holy #05


Assim termina esta história de anjos caídos por compaixão, céus dominados por entidades demoníacas que instrumentalizam os anjos para se tornarem assassinos, e a ausência de divindades. Um divertido cruzamento entre Wings of Desire e Pulp Fiction, diria. Espero voltar a ler a voz destes criadores em futuros projetos, quer mantendo a equipa, quer noutros. Resenha completa em H-alt: Holy #05.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

H-alt: A Polaroid em Branco


A Polaroid em Branco é um brilhante exemplo de como a inteligência artificial pode ser uma excelente ferramenta ao serviço da criatividade humana. Amplia as capacidades do criador, permite novas formas de criação em que este entra numa espécie de diálogo com a máquina, uma vez que o uso do algoritmo vai em si fazer evoluir as suas ideias. E é, acima de tudo, uma boa história, divertida e onírica, com qualidade literária para além do seu caráter experimental. Resenha completa em H-alt: A Polaroid em Branco.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

H-alt: Uluru

 

Uluru não se esgota neste livro. Ao lê-lo, sente-se que é uma história in media res, com imenso espaço para novos desenvolvimentos, para novas histórias que explorem este prometedor mundo ficcional. Esperemos que haja oportunidade para que Marco Silva as conte, acompanhado por Mathieu Pereira e Sofia Silva, ou por outros ilustradores. Se tal não se concretizar, não deixamos de ficar com uma excelente e marcante adição ao panorama bibliográfico da banda desenhada portuguesa. Resenha completa em H-alt: Uluru.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

H-alt: El Futuro Que No Fue


O título espelha na perfeição a estética de Daniel Torres: futurismo do passado, que nunca irão acontecer, mas são profundamente sedutores. O livro é uma ode ao retrofuturismo, a todos os níveis. Pela história que nos conta, pela sua iconografia, como se espera deste autor. Mas o próprio livro como objeto espelha esse hino às ideias dos futuros inexistentes. Torres dá-nos uma obra completa. Recensão completa em H-alt - El Futuro Que No Fue.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

H-alt: Holy #04


Tenho seguido com muito interesse a continuidade da publicação desta série criada por dois jovens criadores portugueses. Holy é, tanto quanto sei (e estejam à vontade para me mostrar o que não sei), a única publicação regular de banda desenhada que aposta numa história contínua, de forma episódica. Podemos dizer o mesmo da também interessante Uluru, mas a Holy segue a via tradicional da edição em papel. Regularmente, sai uma nova edição, que vai dando continuidade a uma história com premissa intrigante e caminhos divertidos. Resenha completa em H-alt: Holy #04.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

H-alt: DJ Cat Gosshie World Tour


A premissa é absurda, são as aventuras de um gato DJ que viaja pelo mundo, toca vinis, fuma umas cenas, cruza-se com diferentes pessoas. Não é suposto ser verosímil, é uma sublimação dos gostos de viajar, gatos e boa música. O livro é feito de episódios onde o gato-dj se descobre a tocar música nos mais inesperados cantos do mundo. Este livro tem entrada direta para a categoria dos mais surreais na biblioteca. Um manga inesperado, divertido, luminoso. Recensão completa em H-alt: DJ Cat Gosshie World Tour.

terça-feira, 28 de junho de 2022

H-alt: Ilha dos Gatos


Ilha dos Gatos é uma daquelas obras que se delicia em ser ambígua. Em leitura linear, percebe-se com um conto de terror, com monstros, pessoas obcecadas, atrocidades hediondas e aquele sentimento fatalista e fuga à coerência do horror japonês. Mas, enquanto acompanhamos a linearidade deste horror, não podemos deixar de nos questionar se estamos a ler uma velada metáfora, onde o ponto de vista sobrenatural oculta uma história de crime pulp, com contornos psicológicos. Recensão completa em H-alt: Ilha dos Gatos.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

H-alt: Na Prisão


Desenhado com um estilo gráfico muito pessoal, Na Prisão lê-se como um exorcizar acrítico de memórias e experiências. Registo gráfico autobiográfico, procura serenidade e não a crítica profunda. Mostra-nos que, para muitos, e talvez também para o autor, a opressão do cárcere é uma libertação do fardo do ser. Resenha completa em H-alt: Na Prisão.

sexta-feira, 18 de março de 2022

H-alt: Umbra #03


Esperemos que haja quarto número da Umbra. Nos três números que já nos chegaram, esta publicação independente mostrou trazer-nos vozes veteranas, criando um novo espaço de edição. Está focada no contar de histórias, trilhando a fronteira entre uma bd mais independente e de experimentalismo estético, e a vontade de criar narrativas coerentes. Recensão completa em H-alt: Revista Umbra #03.

segunda-feira, 14 de março de 2022

H-alt: A Raposa e o Pequeno Tanuki, Vol. 2


A editora Midori volta a mimar-nos com o segundo volume das deliciosas aventuras da Raposa e o Pequeno Tanuki, soberbamente escritas e ilustradas por Mi Tagawa. É uma obra apaixonante pela sua inocência, que nos seduz na sua aparente simplicidade narrativa e estilo visual. O livro promete fofura em todas as páginas (estou a citar a contra-capa do livro), e não desilude. É logo esse o pormenor que nos faz render, o traço elegante de Tagawa, a forma como dá vida aos seus personagens, a elegância e expressividade que coloca no desenho dos seus animais. Resenha completa em H-alt: A Raposa e o Pequeno Tanuki.

segunda-feira, 7 de março de 2022

H-alt: Holy #03


Regressa a peculiar banda desenhada criada pela dupla de talentosos jovens criadores portugueses. Este terceiro número do que se está a mostrar uma longa história adensa a narrativa, começando a mostrar uma ambição que vai mais longe do que os números iniciais. Percebe-se o evoluir para uma história mais complexa, com mais potencial de exploração. Resenha completa em H-alt: Holy #03.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

H-alt: Apocryphus Monstro


Projeto de solidez e maturidade, a Apocryphus nunca desilude. A edição é cuidada, num projeto que se tem mostrado sustentável e de continuidade. Com Monstros como tema, as histórias desta edição desafiam e intrigam-nos, jogando com mitos e iconografias, mas também com o horror dos momentos contemporâneos. Resenha completa em H-alt: Apocryphus - Monstro.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

H-alt: Viagem


Este livro vertiginoso surpreende, mostra até que ponto a linguagem do manga pode ser manipulada para desenvolver novas estéticas. Equilibra o experimentalismo estético com rigor narrativo, mostrando-nos que o manga tem uma diversidade mais alargado do que a vertente mais comercial que nos chega à Europa. Uma excelente proposta da Chili Com Carne. Resenha completa em H-alt: Viagem.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

H-alt: Apocalipse

Segunda proposta da editora A Seita para a sua linha editorial de obras mais sérias, que já nos trouxe o magistral Drácula de Georges Bess, este Apocalipse é uma excelente adição, num ano pleno de grandes lançamentos de banda desenhada em Portugal. Um trabalho de diálogo entre dois criadores ligados ao lado mais comercial da banda desenhada italiana, que aqui cruzam classicismo e subtileza gráfica. O resultado é uma viagem fantástica, que nos recorda um dos textos fundadores da mitologia cristã. Resenha completa em H-alt: Apocalipse - A Revelação de S. João.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

H-alt: H-alt #10

 


O décimo número da revista não se desvia da sua linha de evolução. Continua a trazer-nos novas vozes, a dar espaço para mostrar e desenvolver novos talentos. Aposta também em parcerias internacionais, entre leituras publicadas e possibilidades de colaboração. Um trabalho metódico, sustentado, que ao longo dos anos tem mantido o seu foco. Resenha completa em H-alt: H-alt #10.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

H-alt: O Coração na Boca

 


Este é um livro corajoso, algo atípico no panorama português, onde a BD autobiográfica não é usual. Uma obra fortíssima, que nos abala, que pega no tema da paternidade, da dedicação de um pai à sua filha, para um exame reflexivo às vicissitudes da vida. É preciso coragem para expor estas fragilidades tão a público, numa obra muito pessoal. Resenha completa na H-alt: O Coração na Boca.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

H-alt: Abandonos


Apesar da mensagem fortíssima deste livro, ao terminar a leitura não o consegui ver como uma obra acabada. A narrativa é dispersa, com múltiplos pontos de vista e personagens cujo percurso nem sempre é claro. Termina de forma inconclusiva, a sensação que fiquei quando virei a última prancha foi que na edição se tinham esquecido de imprimir a página seguinte. A mensagem é poderosa, quer em termos ambientais quer no potencial dos movimentos grass roots para se atirarem aos problemas dos contextos locais, e nisso o livro é bem sucedido, insiste e reforça essas mensagens. Recensão completa em H-alt: Abandonos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

H-alt: Comissário Ricciardi


Nápoles, anos 30. Uma cidade exuberante, de fortes contrastes, entre as calmas ruas burguesas e o bulício dos bairros populares. Uma cidade de morte e assombrações, para um discreto e eficaz comissário de polícia cujos modos tranquilos ocultam um segredo que lhe condiciona a vida. Ricciardi tem um dom, ou talvez uma maldição, consegue ver o espírito daqueles que morrem, por violência ou acidente, a pairar sobre o local onde faleceram, presos às suas últimas palavras. Resenha completa em H-alt: Comissário Ricciardi.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

H-alt: Alma Mãe


Carlos Silva, Penim Loureiro (2021). Umbigo do Mundo Vol. 1: Alma Mãe. Lisboa: A Seita/Comic Heart.

Esta é uma história de futurismo pós-apocalíptico, entre ciberculturas decaídas e teoria do caos, de poderes opressivos e as forças inesperadas que representam réstias de esperança. O traço limpo e luminoso de Penim dá a este deprimente futuro um lado lustroso, estranhamente luxuriante. Predominância de luminosidade e elegância nas ruínas não são a habitual estética pesada e obscura que se associa ao tema. Mas esta inversão conceptual não surpreende, está inerente ao trabalho e estéticas desta dupla de criadores. O livro deixa imensas pontas soltas, o ser incompleto é assumido, e resta-nos, como leitores, ter a paciência de esperar pelos próximos volumes. Suspeito que vá valer a pena. ​Resenha completa em H-alt: Umbigo do Mundo Vol. 1: Alma Mãe.