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terça-feira, 7 de agosto de 2018

The Voices of a Distant StarThe Voices of a Distant Star


Makoto Shinkai, Mizu Sahara (2006). The Voices of a Distant StarThe Voices of a Distant Star. Los Angeles: Tokyopop.

Parece uma tradicional história de amor adolescentes, boy meets girl e apaixonam-se enquanto crescem e descobrem o mundo. Mas a rapariga é recrutada como operadora de mechas numa missão espacial. Ruínas descobertas em Marte apontam para uma civilização alienígena que poderá ser uma ameaça para a humanidade, e é organizada uma frota para ir a outra estrela encontrar os alienígenas. Mas a verdadeira história é do amor entre os jovens, mantido vivo de forma epistolar, com troca de mensagens que pode durar entre meses a anos entre elas. Não há fuga à relatividade. O que noutros livros seria uma grandiosa aventura de ficção científica é neste mangá um mero cenário, que se intromete de vez em quando nos dilemas de um amor que sobrevive à distância. Há que apreciar o final, que intui a uma possível reunião entre os jovens, mas deixa tudo em suspenso. Tempo suspenso é mesmo o grande tema deste mangá.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

aCalopsia: Haikasoru


Haverá literatura fantástica japonesa? Sabemos que sim, através de raras antologias de história literária, e pela forte tradição do fantástico no mangá e anime. Também sabemos que existem escritores, convenções sobre a temática e prémios anuais, como os Seiun - o equivalente nipónico dos prémios Hugo - atribuídos desde os anos 70. A recente edição de All You Need Is Kill, pelas Edições Devir, tornou pertinente falar um pouco da edição em traduções de literatura de Ficção Científica e Fantástico japonesa trazidas até nós pela Haikasoru, uma chancela especializada da Viz Media que aguça a curiosidade sobre a FC nipónica. Mais no aCalopsia: Haikasoru.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Diário do Meu Pai



Jiro Taniguchi (2015). O Diário do Meu Pai. Oeiras: Levoir.

O passado é um lugar atraiçoado pelas memórias falíveis. Quando um prototípico sarariman regressa à terra natal para o funeral do seu pai, décadas depois de ter partido, confronta-se o conflito entre as suas memórias e aquilo que os seus familiares lhe contam sobre a vida e o carácter de um homem do qual se havia afastado. As pequenas tragédias familiares, tornadas grandes pela forma como tocam os indivíduos, colidem com o conflito entre as pulsões de respeito tradicional pela família e as exigências da vida no Japão contemporâneo.

Uma obra que não deixa os leitores indiferentes, quer pelo forte toque autobiográfico quer por nos obrigar também a confrontar as nossas próprias memórias e escolhas. É inevitável. À medida que seguimos a história de Taniguchi as nossas memórias pessoais vão surgindo.

Um livro tocante, ilustrado com um fortíssimo rigor formal. Belíssimo exemplo do mangá enquanto banda desenhada de recorte erudito e literário, e mais uma excelente escolha a juntar-se ao já de si excepcional alinhamento da colecção Novelas Gráficas da Levoir.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

aCalopsia: All You Need Is Kill


Aproveitando a onda mediática do filme Edge of Tomorrow, veículo de Ficção Científica-espectáculo para actores com toque canastrão e pálida versão da obra original de Hiroshi Sakurazaka, a Devir editou a adaptação para manga de All You Need Is Kill. São dois volumes, algo indissociáveis um do outro.


Daqui parte-se para a literatura de FC nipónica trazida até nós pela Haikasoru, e nem Robert Heinlein fica esquecido. Crítica completa no aCalopsia: All You Need Is Kill.

domingo, 12 de abril de 2015

Anicomics 2015


Carlos Pedro a autografar o meu exemplar de Solomon, enquanto lá fora os cosplayers de deliciavam com a primeira eliminatória do concurso de cosplay. Ao lado, as fantásticas ilustrações de Inês Ferreira.

Garanti a mim próprio no ano passado que não regressaria ao Anicomics. É um tipo de evento que tem o seu espaço natural mas que não se enquadra na minha tipologia de público-alvo. No ano passado fiquei desiludido com o foco excessivo no cosplay, falta de oferta bibliófila para lá das ofertas manga da loja da Kingpin, e tendência para o espaço exíguo da biblioteca Orlando Ribeiro se tornar sufocante com tanta gente em tão pouco espaço. Isso, e o preço nada simbólico cobrado à entrada do evento, que certamente cobrirá todos os custos da organização e mais qualquer coisinha. Mas, desafiado pelo editor do I Dream in Infrared, lá fui. A impressão com que saí de lá no ano passado confirmou-se, apesar de este ano se notar uma maior abertura a criadores.


Criadores e fãs numa das muitas bancas de arts & crafts anime/manga

É isto, do meu ponto de vista, o melhor do festival. Espaços onde criadores individuais e pequenas lojas estão em contacto com os fãs do género. Pensem feira de artesanato para fãs de manga/anime e ficam com uma pequena ideia da vibração desta vertente do Anicomics, que se espalha por todo o espaço da biblioteca. O festival como ponto de encontro de fãs nota-se perfeitamente quando estamos dentro do auditório com Mário Freitas, editor da Kingpin, argumentistas e ilustradores a falar de lançamentos e a divulgar a sua linha editorial para o próximo ano para uma audiência de cosplayers transfixados pelos seus jogos no telemóvel ou tablet, claramente dispostos a aturar a estopada dos cotas a falar de livros que não lhes interessam para poder guardar um lugar sentado para os espectáculos de dança J-Pop e concursos de cosplay.


Ajuntamentos de cosplayers entre o interior e exterior da BMOR

O cosplay é mesmo o ponto forte e chamariz do Anicomics. É uma das raras oportunidades para os fãs de comics, manga/anime e gaming desempoeirarem a criatividade e vestirem a pele dos seus personagens favoritos. Diria até que sem a componente cosplay o Anicomics já há muito teria desaparecido como evento da banda desenhada em Portugal. O nível dos cosplayers é elevado, e para cada patético bebé peludo (ou enfermeira zombie de generosas formas a rasgar o frágil tecido da minúscula farpela) havia dezenas de fatos primorosos. Esta foto, tirada da varanda do passadiço da biblioteca, mostra um pouco da diversidade de fatos. Uma foto infeliz, tive o azar de centrar no mais espantosamente mau dos cosplayers, mas se se abstraírem das fraldas topem as lolita genéricas adereçadas à perfeição, a princesa disney, o aventureiro steampunk ou os guerreiros mutantes. Uma pequena amostra dos deliciosos cosplays que se espalhavam pelo evento.


Alex, without her droogs.

Dos quais, confesso, o meu olhar foi atraído por este. Não pela lolita genérica em apertamento de corpete, mas em quem a está a apertar. No meio de tanta personagem de manga estaria longe de imaginar que depararia com um (tecnicamente uma) Alex da Laranja Mecânica, canalizando na perfeição a imortal iconografia que Stanley Kubrick deu ao livro de Anthony Burgess. Não era de longe o mais perfeito cosplay na zona limítrofe, mas foi sem dúvida o mais erudito.

Saio de lá com a minha opinião reforçada. O Anicomics é, em essência, um evento à medida de Mário Freitas e da Kingpin Books, que teve a sorte ou a inteligência de apostar nos fãs do cosplay. Há muito pouco, quase nada, para além disto. Sublinha-se uma maior abertura a criadores individuais e lojas dedicadas aos fascinantes adereços anime/manga. A oferta comercial fica-se pelo merchandising, algum manga e edições da Kingpin (vim de lá com algumas coisas, claro). Recordo vagamente ter lido por aí que este ano o Anicomics teria maior presença de outras lojas de banda desenhada, mas não dei com elas. Só se se estiverem a referir à Casa da BD, que estava a vender adereços inspirados no manga.

O festival assume-se como uma iniciativa totalmente privada num espaço público e certamente terá os seus custos, mas confesso que gostaria de ser mosquinha digital e penetrar nas folhas de cálculo dos balancetesda Kingpin para perceber se oito euros e meio por dia por bilhete (mais barato para quem compra antecipadamente) mal chega para cobrir custos ou dará prejuízo. Perante as enchentes no espaço exíguo da BMOR que se espraiam pelas redondezas a sensação com que se fica é a oposta, claro. Não que venha daí mal ao mundo. Afinal, o evento é privado, e aposto que a tentação de fazer trocos fáceis é elevada. Só lá vai quem quer. Chama-se a isto bom marketing e sólido conhecimento do mercado. Devo dizer que o ser assumidamente comercial é bom. Outros eventos do género tentam disfarçar o lado comercial com pretenciosismo cultural. A Kingpin é um negócio e diga-se que os livros não se editam sozinhos ou chegam aos leitores sem a vertente económica da cultura.

O evento decorre entre 12 e 13 de abril em Telheiras. Hoje deve ter sido interessante o painel onde esteve a Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas. O Bruno Campus, repórter X de tudo o que é evento de BD por Portugal, está a cobrir detalhadamente o Anicomics 2015 no aCalopsia.

Este evento continuará, espero, como momento privilegiado de encontro dos cosplayers portugueses, com mostras do alto nível deste hobby. Continuará como evento assumidamente comercial. E continuará a não ser para o tipo de público em que me insiro, mas mantendo-se como evento interessante para fãs de manga/anime e cosplay.

quinta-feira, 5 de março de 2015

La Femme Limace



Junji Ito (1998). La Femme Limace. Paris: Éditions Tonkam.

Uma mulher transforma-se lentamente em lesma. Um monstro leviatânico das profundezas dá à praia, morto, e rodeado por pessoas que sentiram uma estranha compulsão em ir ver a criatura apodrecer. Nas suas entranhas putrefactas encontram-se ainda vivos os passageiros desaparecidos num naufrágio ocorrido anos antes, aglomerados no estômago e intestinos da criatura como peixes a estrebuchar numa rede. Um jovem regressa a Tokyo, à casa que alugou a um professor que detestava, para a descobrir coberta de fungos impossíveis de eliminar, que contaminaram e devoraram os seus inquilinos, acabando coberto de fungos no seu jardim transformado num paraíso fúngico. Um ídolo misterioso de jade mata quem nele tocar, transformando o seu corpo numa rede de buracos. Inspirado num sonho, um homem decide cavar um buraco no chão da casa para encontrar uma fonte de água quente que talvez seja uma porta para os infernos. Uma dona de casa obcecada pela limpeza vê, com horror, a presença de terceiros, matando o marido e levando a que um admirador das suas filhas se oculte dentro dos esgotos. Uma jovem secretária disposta a tudo para impressionar o seu patrão vê-se dentro de uma casa de horrores, rodeada por vampiras que tocam violino enquanto sorriem ao sentir jactos de sangue quente na pele e caçada pelo patrão num viveiro de insectos para alimentação exótica.

Junji Ito é um mestre do horror japonês. Nesta colectânea de histórias pega nos pequenos horrores que nos arrepiam a pele. As lesmas, os fungos, buracos estranhos na pele, a sujidade, os fluídos. Com eles cria pequenos contos de horror visceral que, dentro daquilo que tanto me atrai no horror japonês, não dependem da lógica ou procuram um desfecho que faça sentido. São horrores que arrepiam, existem, como mitos ou espíritos milenares. O traço preciso de Ito consegue ser perverso nos momentos mais marcantes, sublinhando o terror inexplicável das histórias.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

2001 Nights

Devo culpar o Rui Bastos por me ter feito cair esta estante dele em cima. Desconhecia de todo este manga de FC. Fui surpreendido pelo classicismo da FC Hard com uma vénia fortíssima a esse filme maior que é 2001, transmitindo o fascínio por toda a visão estética e filosófica a ele subjacente. Belíssma sugestão, a de este portento de manga, que se calhar não agradará ao grande público por se afastar da espectacularidade fantástica e apostar no rigor.



Yukinobu Hoshino (1996). 2001 Nights: The Death Trilogy Overture. VIZ Media LLC.

Uma obra notável e surpreendente. Ficção científica pura, em modo de space opera hard sf. 2001 Nights é um manga de histórias curtas e autocontidas, cada qual uma sólida narrativa que mistura rigor científico plausível com esse grande sonho da exploração espacial. Histórias contidas, mas sem ligação entre si. 2001 Nights não é um manga episódico em que seguimos as aventuras de um grupo de personagens. Não há qualquer continuidade entre as histórias, excepto temporal. Estas unem-se numa sequência mais ambiciosa, episódios isolados que no seu contínuo  nos mostram a real intenção do autor: contar num longo arco narrativo a sua visão de como o homem poderá espalhar-se pelas estrelas. Sem concessões ao aventureirismo infantil, batalhas com bug eyed monsters ou tecnologias tão fantásticas que parecem magia.

Suspeito de 2001 Nights não é um título inocente. Nota-se ao longo de todas as histórias uma profunda homenagem de Hoshino ao filme de Kubrick, quer pela visão filosófica do destino do homem nas estrelas quer pela sua estética meticulosa de futurismo plausível. Não é por acaso que as primeiras histórias quase repetem os principais momentos do filme, mas a série depressa se afasta dessa raiz e cresce por mérito próprio, mantendo sempre a vénia ao icónico filme.


Yukinobu Hoshino (1996). 2001 Nights:Journey Beyond Tomorrow. VIZ Media LLC.

Se no primeiro volume apontaria o filme 2001 como fonte principal de inspiração, neste não descartaria a influência das Crónicas Marcianas de Ray Bradbury. Não pelo tema, uma vez que a visão de Hoshino está mais dentro da Hard SF clássica de Clarke do que no futurismo nostálgico de Bradbury, mas pela estrutura. Tal como o livro, estas 2001 Nights estruturam-se como uma série de narrativas contidas, sem relação directa entre si, interligadas apenas por um tema abrangente. Cada nova história é, na visão do autor, um novo passo na colonização das estrelas.

Se no primeiro volume fomos da pré-história aos primeiros passos além do sistema solar, com naves geracionais e inteligências artificiais a irem onde o homem estava impedido de ir pelas distâncias relativísticas, neste Hoshino já introduz a ideia de viagem a velocidades translumínicas. O primeiro volume terminou com a descoberta de um planeta de anti-matéria no sistema solar, capaz de fornecer o combustível que permitirá à humanidade desenvolver a tecnologia de viajar para lá da velocidade da luz. Neste volume colonizam-se planetas e descobrem-se indícios de vida alienígena, alguma inteligente mas com um tipo de inteligência que escapa à percepção dos exploradores.

Sente-se o peso das datas. Parte das histórias aborda as rivalidades entre o bloco ocidental e o soviético, agora transpostas para as vastidões galácticas. Hoshino não nos dá aqui futurismos de inocência utópica. As velhas rivalidades, os vícios de sempre, os opressores e os oprimidos mantém-se neste futuro. Termina reflectindo que se as naves humanas conseguem saltar através do espaço-tempo, a relatividade é implacável. Se dentro da nave poucos meses passam em expedição, para o resto da humanidade o tempo passa como sempre passou. Suspeito que estará aqui aberta a porta para o próximo volume.


Yukinobu Hoshino (1996). 2001 Nights: Children of Earth. VIZ Media LLC.

Neste terceiro volume o carácter de FC clássica optimista na veia de Clarke é mais acentuado. Hoshino encerra o périplo pelas estrelas com duas notas. Por um  lado, o regresso da humanidade ao berço, exausta pelo esforço de colonização de planetas inóspitos ou pouco habituados à vida humana. Mas o espírito pioneiro de exploração continua vivo naqueles que nasceram no espaço, vivo o suficiente para se espalharem pela galáxia. São duas notas curiosas, também presente na FC clássica, o desmoralizar do berço da humanidade e o legado de curiosidade e gosto de exploração dos seus herdeiros.

Se as histórias que compõem a série são interligadas apenas pelo tema abrangente, há uma excepção. No primeiro volume um dos contos falava-nos de uma primeira tentativa de espalhar a humanidade pelas estrelas através de uma nave que continha adn congelado, pronto a iniciar a gestação de novos humanos assim que encontrasse porto seguro. Nave lenta, sub-lumínica, que levará séculos a chegar ao destino. No segundo volume regressamos a esse tema, com os descendentes do casal que doou o adn a terraformar um planeta que sabem ser o destino provável destes irmãos do passado ainda por nascer. No terceiro volume trata-se de uma expedição em nave geracional super-lumínica que recorre a este adn, agora com os festos crescidos e a brincar numa espécie de éden, como recurso de diversidade genética para a sua longa viagem. Basta-me este exemplo para se perceber de que forma este manga é rigoroso e cerebral no seu futurismo, sem ceder à FC como espectáculo de aventuras.

Num pormenor inteligente, Hoshino não cruza a humanidade com civilizações extraterrestres, embora não fuja ao tema da vida alienígena com soluções muito inventivas. A melhor delas é um planeta cuja vida vegetal, ameaçada pela instabilidade dos sóis que iluminam o sistema, evoluiu para lançar para o espaço as suas sementes usando uma forma biológica das velas solares impulsionadas a laser. Mas nada de bug eyed monsters, ou primeiros contactos. Não há impérios e hegemonias, nenhuma batalha espacial. 2001 Nights lê-se como o livro de registos de exploração de um novo continente, passado nas frias vastidões estelares.

sábado, 13 de dezembro de 2014

aCalopsia: Blue Exorcist


Terceira crítica para o aCalopsia, desta vez um bocadinho fora das minhas leituras habituais. Manga young adult de terror, que não assusta muito mas tem uns cenários de cair o queixo: Blue Exorcist vol. II. Editado em português, e ainda bem, a dar alimento e formar leitores por cá.

domingo, 13 de abril de 2014

Anicomics 2014


Com pena minha tenho falhado consistentemente em visitar o Anicomics. As datas calham sempre em momentos de sobrecarga ou congressos, o que explica esta ter sido a minha primeira vez neste evento dedicado à cultura bedéfila de anime e comics.


Confesso que... esperava mais. O evento é interessante, mas o espaço da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro revelou-se exíguo para tantos participantes. O acesso ao auditório para visitar o concurso de cosplay era missão impossível, nos espaços de atelier e comerciais os visitantes acotovelavam-se. O conjunto de actividades oferecidas não é assim tão elevado que justifique um preço de entrada que está mais para cá do significativo do que do simbólico. É um evento independente e privado, eu sei, mas mesmo assim o preço de acesso é um pouquinho elevado para quem vem visitar. É que depois de dar uma volta pelos stands, aproveitar para comprar alguma BD ou manga e contemplar os cosplayers, não há assim muito mais que se possa lá fazer dentro de um espaço minúsculo. Para ser justo, é de sublinhar que foram organizados workshops e torneios de jogos digitais e de mesa.


Tive alguma dificuldade em descortinar os comics no meio de tanto anime, mas existiam e sempre deu para (finalmente) trazer uns livros ilustrados pela Joana Afonso que tinham lugar cativo nas minhas estantes. De resto, a oferta livreira estava direccionada aos fãs de manga, escolha comercial compreensível dado o público-alvo do evento.


Os cosplayers, vestidos a rigor como os seus personagens favoritos, deram o maior gosto a este meu pulinho ao Anicomics. É de elogiar o cuidado e rigor que os fãs colocam na recriação dos seus personagens favoritos. Alguns estavam um verdadeiro deslumbre.


Para mim, o espaço mais interessante no Anicomics foi a zona de exposições de pranchas originais, com alguns trabalhos de excelente qualidade e outros muito prometedores. Eu sei. Com tantos fanboys e fangirls é um bocadinho difícil de o ver. Sublinho aqui que apesar de ser um belíssimo espaço a BMOR torna-se exígua nestes acontecimentos. Já se sentiu isso no Fórum Fantástico.

É bom haver um evento em Lisboa que vá além do classicismo do Festival de BD da Amadora, e isso nota-se na afluência dos jovens fãs de manga e fantástico. A pouca oferta livreira desiludiu-me (mas tranquilizou a minha conta bancária), o empenho e entusiasmo dos fãs encantou-me, o espaço atravancou-me e o preço do bilhete de entrada deixou-me a resmungar. Pese embora os lados menos positivos destaque-se o Anicomics pelo seu carácter independente e direccionado ao fandom.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

I Saw It; Dampyr


Keiji Nakazawa (1982). I Saw It. Educomics.

Um manga que aborda um tema poderoso, mas que oscila entre o banal e o visceral. Nakazawa sobreviveu ao bombardeamento de Hiroshima e esse momento transformativo marca-o para a vida. A bomba está sempre presente no que acaba mais por ser um historial da sua vontade de ser bem sucedido e das suas experiências de vida. É uma crónica do seu percursos de jovem estudante vindo de uma família destroçada pela bomba a bem sucedido criador de banda desenhada. Autor da série Barefoot Gen e outros mangas que lidam com os traumas do bombardeamento atómico, Nakazawa deixa aqui algo que é mais autobiografia do que visão traumática. No entanto, ao detalhar o momento da explosão e os que se lhe seguiram não poupa o leitor aos horrores da guerra nuclear. Particularmente assombrosas são as visões de queimados cuja pele se derreteu pelo calor, a arrastarem-se pela paisagem arrasada pelo fogo, ou os cadáveres de vítimas que tentaram fugir ao inferno de chamas mas acabaram carbonizados em depósitos de água. Esses são os momentos memoráveis deste livro, o aviso dos horrores da guerra absoluta, embora a própria história de vida do autor também seja um símbolo do que acontece a um país cujos líderes colocaram as ambições marciais acima de tudo. Documento e testemunho de uma época e de um momento que, felizmente, a história não repetiu.


Mauro Boselli (2000). Dampyr: Filho do Vampiro.

Se eu não soubesse que a série Dampyr se resume sempre ao mesmo até ficaria intrigado por este primeiro número. Mas se calhar não seria má ideia explicar melhor. Dampyr é um personagem de fumetti de vertente sobrenatural. Sendo fumetti, não tenho que dizer que é italiano, pois não? Filho da união entre uma mulher humana e um vampiro primordial, este Dampyr tem a capacidade de eliminar vampiros graças ao seu sangue tóxico para as criaturas da noite. Caçador destas entidades sobrenaturais, percorre o mundo acompanhado dos seus fiéis companheiros, entre os quais se encontra uma vampira que se esforça por manter a sua humanidade, a combater a ameaça das tenebrosas criaturas que subsistem sugando o sangue humano.

Este primeiro episódio, que nos leva a conhecer a personagem e a sua história, surpreende pela visceralidade inicial. Os argumentistas não fazem por menos, levando-nos para a violência extrema da guerra na ex-jugoslávia e para uma aldeia na terra de ninguém onde os sanguinários guerrilheiros se vão deparar com um perigo ainda maior do que os advindos da xenofobia potenciada a balas de AK47.

domingo, 31 de março de 2013

Worlds of Amano


Yoshitaka Amano (2007). Worlds of Amano. Milwaukie: Dark Horse Comics.

Facilmente encanta este livro de ilustração artística cheio de exemplos visualmente ricos do estilo gráfico do ilustrador nipónico Yoshitaka Amano. Os trabalhos são criados com uma sensibilidade oriental que adapta para registos contemporâneos a iconografia da milenar da arte japonesa. O estilo pode ser definido como um fantástico onírico, centrado no corpo e no uso fluído e decorativo de linha, forma e cor.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Pulp


O chocante no horror clássico: capa do fumetti Zora La Vampira #177 por Alessandro Biffignandi (1979)


A nova carne cibernética: Ghost in the Shell.


A carne feérica: Battle Angel Alita.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cannabis Works

Tatsuyuki Tanaka (2003). Cannabis Works. Toquio: Style Co.

Colectânea de ilustrações de Tatsuyuki Tanaka, o livro reúne pranchas de manga, concept art e storyboards para anime. Fiel ao estilismo do manga nipónico (uma distinção útil porque com a crescente influência do género já começa a haver manga de outras origens, desenvolvendo sensibilidades próprias), o trabalho deste autor distingue-se pela mistura entre a iconografia cyberpunk decadente, futurismo steampunk e uma inocência encantadora que remete para Miyazaki. Uma descoberta surpreendente, através do tumblr de Bruce Sterling.






Ilustrações fascinantes, visões de um futurismo decadente onde o espaço é uma sucessão de planos atravancados por arquitectura, robots quase caricatos no seu aspecto ameaçador e monstruosidades surreais.