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domingo, 10 de novembro de 2019

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Ficção Científica


Inside a future space station built for twelve humans. Concept art from NASA's "Man in Space: Space in the Seventies," 1971: Parece algo claustrofóbica para doze habitantes, e aquele chuveiro totalmente transparente seria uma tentação para voyeurs especiais interessados na beleza das astronautas, parece-me (de vez em quando, sabe bem ser maquiavélico).

Portuguese artists at the 30th International Festival of Comics and Games in Lodz: A mais recente edição deste festival polaco de banda desenhada contou com uma forte presença de artistas e projetos portugueses.

LA’s ultimate horror movie filming locations map: Um guia turístico para cinéfilos com gostos tenebrosos, a arquitetura dos filmes de terror que são na verdade habitações do dia a dia.

One Hero, No Tomorrow: The Post-Apocalyptic Films of Cirio H. Santiago: Confesso algumas saudades destas cinematografias exploitation, agora que vivemos na era onde as culturas de género se dedicam à referencialidade e já poucos se dão ao trabalho de fazer filmes assumidamente maus. Há uma certa inocência neste cinema a metro, ultra low budget e very high (provavelmente, até mesmo em substâncias) shlock.


Vincent Di Fate: As visões que formaram o meu gosto pela ficção científica.

O leite da via láctea. Manuel Zimbro (Sistema Solar): Não quero ser mauzinho, mas suspeito que vale mais ler esta crítica, recheada de intersecções entre arte erudita e banda desenhada, do que a obra em si, que me pareceu mais exercício de estilo vindo de um artista a experimentar meios de expressão do que uma obra de BD completa. Posso estar enganado, se alguma vez der com este livro (caso seja mesmo editado e não objeto de exposição em galeria), logo vejo. Já a crítica, sublinho, vale a pena ler.

O QUE AINDA NÃO SABIAS SOBRE DRÁCULA, SUPER-HOMEM E OUTROS MONSTROS FABULOSOS: Confesso que peguei neste livro do Alberto Manguel mal o apanhei nas livrarias, porque premissa irresistível. Ensaios literários sobre criaturas de ficção, escritos por um bibliófilo de erudição extrema (o seu dicionário de locais imaginários é um livro obrigatório para qualquer geek que se preze, e queira ultrapassar a medianiedade dos universos televisivos e cinematográficos). O artigo da Estante não vai tão fundo, mas é uma razoável apresentação a ajudar a despertar a curiosidade.

Long Read: A Great Big Doomsday Clock/DC Comics Conspiracy Theory: Isto é um mergulho talvez demasiado profundo nas possíveis intenções de Geoff Johns com o seu pastiche de Alan Moore, a tentar integrar as personagens de Watchmen na continuidade principal da DC.


Alien concept art by H. R. Giger: Houve um ciclo perfeito de retroalimentação entre o artista e o filme. As suas visões definiram o filme, mesmo nas sequelas e prequelas, que mesmo que tentem não conseguem fugir ao seu visual profundamente alienígena. E Alien lançou a carreira de Giger, embora ele já fosse um artista estabelecido, o alcance global da sua fama deve-se ao impacto do filme.

In This Trailer for BBC's War of the Worlds, There's a Lot to Be Concerned About: Uma adaptação da Guerra dos Mundos fiel à época do romance? Shut up and take my money. Com tantas voltas que esta história marcante levou, entre a adaptação rádio de Orson Welles, o filme icónico dos anos 50, ou a dura visão contemporânea de Spielberg (todas se recomendem, apesar da de Spielberg desagradar aos puristas), creio que nenhuma retrata a época do conto. A história original passa-se numa Inglaterra no auge do seu poderio imperial, depressa colocada de joelhos pelo poderio militar mais avançado dos marcianos. Tal como fazia aos países que colonizou e transformaram o Reino Unido na grande potência global. H. G. Wells assentava a sua ficção científica num firme sentido histórico, que não fugia de visões críticas. Talvez esta série da BBC consiga, finalmente, trazer essa visão para o ecrã.



Tecnologia


Portugal’s navy reveals “tech guerrilla” unit creating tech toys that kill: Daquelas notícias que os media portugueses, avessos a qualquer ciência e tecnologia que não seja o gadget da moda, ignoram. A Marinha portuguesa tem uma unidade dedicada à investigação de computação, automação e robótica aplicada à defesa, que tem apresentado resultados interessantes no domínio dos rov militares com capacidade ofensiva.

From Pocket Computers to Palmtops: An Early History of Mobile Telecomputing: Comecei a usar computadores nos tempos dos pesados desktop com ecrãs CRT (mas já a correr windows 95, não sou assim tão ancião), e sempre me perguntei porque é que a computação era tão fixa e não móvel como na ficção científica. Claro está que mal pude, adquiri o meu primeiro palmtop, um PDA da Palm com uns gloriosos 1mb de memória, e no fundo as incipientes funcionalidades do que hoje é a computação móvel em tablet e smartphone (sempre quis ter um Nokia Communicator, mas o salário de professor nunca permitiu essas veleidades). Hoje, faço de tudo no meu inseparável tablet, entre interagir em redes sociais, gerir fluxos de email, modelar em 3D e até mesmo escrever estes textos. Neste artigo, alguns dos primeiros computadores verdadeiramente de bolso, dispositivos que anteciparam a nossa era de mobilidade computacional.

The Tech Revolution Was Supposed To Be Fun. So What Happened?: De facto, é um paradoxo. A revolução digital tem bases libertárias, e sempre se assumiu como livre e contracultural, no entanto a sociedade hipercapitalista que gerou é tudo menos libertadora.

Artificial Intelligence Has Become A Tool For Classifying And Ranking People: A Forbes descobriu a pólvora. Entre sistemas de apoio à decisão de contratação e métricas de produtividade de funcionários, a inteligência artificial tem mostrado que é uma ferramenta essencial para catalogar indivíduos. Com todas as consequências negativas daí advindas para a nossa sociedade de liberdades e garantias. Ainda não é o modelo chinês de créditos sociais, mas quase que são elementos constituintes.

Lospec, a resource site for "digitally restrictive art": Devo dizer que o conceito é estimulante. Numa era em que as ferramentas digitais parecem capazes de atingir o ilimitado, procurar restrições pode ser um ato de criatividade.


Space shuttle concept art by Roy Gjertson for General Dynamics, circa 1971: Se o Elon Musk tivesse visto isto, se calhar a Spaceship da SpaceX teria um design diferente.

The birth and rise of Ethernet: A history: Mais do que o Wi-Fi, a rede Ethernet sustenta a conectividade das organizações (como observa, mordaz, o artigo, é o que liga os access points Wi-Fi à internet). Nasceu do trabalho de Bob Metcalfe no Xerox Parc (o berço de boa parte do mundo digital), e sobreviveu à competição com outros potenciais standards para se tornar dominante. Há que adorar a razão para o nome que tem, uma homenagem ao conceito de meio ubiquo que era o éter, substância que se julgava permear tudo até se provar a sua in existência. Ethernet significa mesmo isso, um permear eletrónico de informação que está à nossa volta.

3D printing community hit by LEGO takedown notices: Não há aqui grandes surpresas. A impressão 3D é a maior inimiga do modelo de negócio da Lego, e desde que me lembro tem sido usada para desenvolver alternativas às peças, quer versões das mais caras, quer peças específicas, quer peças capazes de interconectar diferentes sistemas (entre Lego e Meccano, por exemplo). Se o brick clássico é considerado domínio público, as peças compostas não o são e é por aí que a multinacional dinamarquesa ataca. Nalguns casos, de forma plenamente justificada, noutros, fazendo desaparecer o trabalho de Makers e fãs que se inspiram na estética lego para as suas criações.

MIT creates blackest black that is darker than Vantablack: O famoso pigmento super negro só absorve 99% da luz recebida. O criado pelo MIT, chega aos 99,995%. É negro puro, causado pela ausência de luz (em bom rigor, absorção quase total). A tecnologia que permite esta negritude absoluta baseia-se no alinhamento vertical de nanotubos de carbono.

Excavating AI The Politics of Images in Machine Learning Training Sets: A visão computacional depende da categorização e etiquetagem de milhões de imagens. E aqui reside um problema não técnico, mas ético. As escolhas de categorias e etiquetas podem traduzir preconceitos e visões distorcidas. Usadas para treinar algoritmos que nos afetam no dia a dia, os problemas éticos levantados pela classificação deixam de ser académicos, passando a afetar vidas.

The Coming Age of Imaginative Machines: If you aren't following the rise of synthetic media, the 2020s will hit you like a digital blitzkrieg: Como em, a produção de texto, imagem e vídeo por redes neuronais e outros tipos de algoritmos de Inteligência Artificial vai-se tornar a norma e não a exceção. O nosso mundo de ideias, mediado por media digitais cada vez mais automatizados, irá sofrer impactos que hoje começamos a descortinar.

THE BOUNDARY BETWEEN OUR BODIES AND OUR TECH: Vivemos num fluxo contínuo entre o real e o virtual, as nossas trocas de informação através do digital são extensões do nosso ser, parte fundamental da nossa individualidade. A ideia em si não é nova, tem uma linha direta com a teoria das tecnologias como extensão das capacidades humanas. Mas há um elemento adicional. Essas interações são filtradas por algoritmos, não somos nós quem decide o que nos aparece nas linhas de tempo e cronologias de publicações através das quais interagimos com outros. Colocar-se a questão do e se esses algoritmos, fundamentados na necessidade de filtrar a enorme e crescente quantidade de informação, não estão deliberadamente a condicionar o que vemos de forma a modificar os nossos comportamentos e percepções.

Before the internet broke my attention span I read books compulsively. Now, it takes willpower: I can relate. Mas não diria que se trata de um estilhaçar da capacidade de focar a atenção, antes o impulso da curiosidade alimentada pela incessante torrente digital, combinada com  a vontade de interagir e participar no rio de discurso. Entre as exigências profissionais e o estímulo digital, diria que o que realmente complica a coisa é a sensação de falta de tempo.

Mundo Contemporâneo


Radar Offline: Abandoned Secret Soviet Base In Latvia: Quando a exploração urbana e os vestígios da guerra fria se cruzam.

In praise of cultural elitism: Pessoalmente não partilho da opinião do articulista, que gostaria de regressar aos bons velhos tempos do snobismo cultural. Por outro lado, a ideia das culture wars como lutas de afirmação de gostos parece sedutora. Hoje, a discussão cultural está demasiado reduzida à polarização extrema, onde as ideologias se sobrepõem à real qualidade das obras. E se tenta censurar ativamente, em nome da liberdade (ah, como Orwell nos ensinou tão bem a apreciar esta negra ironia), aqueles que tenham violado normas sociais e culturais. Dois exemplos recentes no campo da Ficção Científica: o escândalo prémio Campbell, e as recentes (e muito patéticas) declarações de Dan Simmons sobre Greta Thurnberg, que vão ter como efeito o boicote à sua obra, independentemente da qualidade literária.


Beautiful Books, Terrible Times: The Free Expression of Soviet Children’s Lit: Os primeiros tempos da União Soviética foram terríveis, entre guerra civil, fome, atrocidades e posteriormente as depurações ideológica do regime. No entanto, mesmo nesses tempos negros fazia-se literatura infantil, e com um espaço de expressão surpreendentemente livre. Talvez porque, como observa o artigo, este tipo de literatura não é para ser levada a sério, e por isso não punha em perigo dogmas ideológicos. Visualmente, são muito interessantes, num registo moderno e arrojado de inspiração futurista (o movimento artístico), o mesmo tipo de experimentalismo visual que os comissários da cultura depressa se apressaram a esmagar a favor do estéril realismo de retrato das glórias do regime.

Dining with Stalin: Há um fascínio perverso num livro académico dedicado aos banquetes de Estaline. Eventos luxuosos, onde o favorito de um dia que se sentava ao lado do ditador podia estar no dia seguinte preso no Lubianka ou executado sumariamente.


China Unveils A New Supersonic Spy Drone During Massive Military Parade In Beijing. And Here’s Our Analysis: Shanzai D21? Na era dos satélites um drone hipersónico parece algo vagamente retro, mas num campo de batalha de alta intensidade é capaz de ser muito útil.

China’s Path Forward Is Getting Bumpy: As agruras da nova rota da seda, esse imenso investimento global chinês em infraestrutura um pouco por todo o planeta. Um toque de soft power, aposta em rotas comerciais novas e milenares, mas também em zonas do planeta onde a modernidade passou ao lado.


Final Eurofighter Typhoon delivered to the Royal Air Force: Não resisto. Se o Brexit for em frente, e os lunáticos que chegaram ao poder no Reino Unido conseguirem transformar o país na sua terra de sonho (provavelmente uma espécie de ditadura populista algo similar à distopia de V for Vendetta - mais a do filme que a do livro), a RAF terá de mudar o nome à sua frota de Eurofighters? Porque fica mal a referência a um projeto de cooperação europeu que deu excelentes resultados em tecnologia avançada?

Chinese drones hunt Turkish drones in Libya air war: Há que apreciar esta globalização do armamento automatizado. Adicionem algoritmos de IA e a notória falta de ética dos regimes turco e chinês, e ainda teremos a Líbia como precursora do uso de armas autónomas em combate. Mas para já, o notável é a forma como as milícias em combate no lamaçal líbio usam drones, descartando armamento convencional mais complexo. Para quê aviões, caros de manter e a requerer pilotos, quando drones baratos fazem o serviço?

The Man Who Went to War With Canada: Uma história do fascínio por desoladas terras remotas, no caso uma ilha deserta ao largo da Nova Inglaterra, e de resquícios bizarros onde a geografia, história e política geraram verdadeiras terras de ninguém. Ou, no caso desta, uma ilha de soberania disputada entre americanos e canadianos há séculos, mas à qual nenhum governo dá qualquer importância. E figuras locais larger than life que exploram estes vácuos geográficos.


These Are The Best Images Of Royal Australian Air Force Aircraft Flying Over Brisbane For Sunsuper Riverfire 2019: Imagens de caças de combate a voar por entre prédios são geralmente típicas e filme, exceto neste caso. A RAAF tem a tradição de participar num festival em Brisbane, de uma forma decididamente destemida.

domingo, 6 de janeiro de 2019

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The Man Making Art From Government Surveillance: Muito intrigante. Usar as infraestruturas invisíveis da indústria da vigilância como forma de expressão artística.

After a Year of Tech Scandals, Our 10 Recommendations for AI: Que, no fundo, passam pela necessidade de regulação. A IA já se faz sentir nas nossas vidas, no nosso dia a dia, enquanto ferramenta pouco visível de gestão digital e apoio a decisões. Decisões que têm impactos. Essencialmente, o que estes investigadores pedem é mais transparência: regular aplicações (não a tecnologia em si, note-se, mas a forma como é usada), tornar claro o fluxo de informação dos dados originais à tecnologia que os trata, especialmente em usos públicos, e comprovar a utilidade das ferramentas em investigação científica.

What Straight-A Students Get Wrong: O quê, existe vida para além das boas notas? E isto define muito bem o paradoxo em que nós, professores, tanto insistimos: "Academic grades rarely assess qualities like creativity, leadership and teamwork skills, or social, emotional and political intelligence. Yes, straight-A students master cramming information and regurgitating it on exams. But career success is rarely about finding the right solution to a problem — it’s more about finding the right problem to solve". Ter um elevado desempenho académico não é sinónimo de competências alargadas, apenas significa que estamos bem treinados para superar provas e exames em contextos muito específicos.

The Golden Age of Rich People Not Paying Their Taxes: Também conhecida como a era dourada das austeridades, em que as pessoas ricas nos dizem que vivemos acima das nossas possibilidades e temos todos de empobrecer, a bem da economia. E depois vão a rir-se para o banco salvo da derrocada pelo dinheiro dos nossos impostos, buscar os lucros dos rendimentos de capitalismo rentista.

Discovering Interactivity: Como ir, na computação, de máquinas utilitaristas a sistemas verdadeiramente interativos? As empresas não o fariam, não antevendo necessidades dessas. Os militares, ao investir no sistema de deteção computorizado por radar SAGE, permitiram aos cientistas da computação criar o primeiro sistema interativo, precursor da computação contemporânea.

Ships infected with ransomware, USB malware, worms: Fico indeciso entre perceber qual destas histórias é o pior cenário de horror em tecnologia. Navios incapazes de navegar porque os computadores de navegação foram infetados por vírus, e não há mapas em papel; sistemas air gapped comprometidos por simples dispositivos USB; computadores de bordo obsoletos que paralisam com atualizações e deixam navios à deriva em corredores navais concorridos. Num mundo digitalizado, a segurança é um fator primordial.

Scientists Virtually Reconstruct Magnificent Pre-Incan Temple: Um uso muito intrigante de impressão 3D. Vestígios de um templo pré-inca em Tihaunaco foram digitalizados e impressos à escala, permitindo aos investigados experimentar diferentes configurações e perceber como poderia ter sido um edifício do qual só se conhecem as ruínas.


Marvel’s Uncanny X-Men Wipes Out Centres of Catholicism, Islam and Hinduism: O Bleeding Cool dispara ao lado do elemento verdadeiramente perturbante desta nova série dos X-Men. Perturba, se se for fundamentalista dos mitos católicos, claro. Ter um personagem aparentemente todo poderoso que encarna a iconografia do catolicismo, completo com um ar demasiado próximo a Jesus para conforto. Bem, nada de ofensivo para a maioria, mas certamente capaz de provocar alguns ataques cardíacos naqueles iludidos que levam a religião mesmo a sério. E tendo em conta as culture wars americanas, é um curioso risco que a Marvel está a correr. Já o Bleeding Cool não se mete no assunto e prefere apontar inconsistências com as linhas narrativas dos X-Men.


Every Mickey: a chimera made by combining every available online 3D model of Mickey Mouse: Such stuff as nightmares are made off. Como projeto artístico e comentário sobre a banalidade da cultura pop não está nada mal, mas pergunto-me como é que o artista tem a certeza que encontrou todas as variações de STLs do Mickey?

Our “Algorithmic Music Culture” Is Making Music Poorer: por música e algoritmos, não se está a referir à produção musical assistida por IA. O artigo é sobre a normalização de gostos musicais trazidos pelo uso de algoritmos de sugestão de preferências, fundamentais para ouvir música online. O problema está no facto destes algoritmos nos sugerirem novas músicas com base na análise das nossas preferências, recomendando músicas similares. As consequências são uma normalização dos gostos, não nos é sugerido nada que quebre o padrão registado de preferências.

Have We Made Technology Too Easy To Use?: Sempre que leio algo sobre as novas gerações parecerem ser naturais no uso de tecnologias, penso que talvez a real razão dessa suposta fluência está na simplificação dos interfaces. Este artigo vai um pouco mais longe, e observa que talvez necessitemos de complexidade, que o desafio de enfrentar dificuldades nos estimule, desde que não sejam demasiado complexas.

Milagre Mecânico na Catedral: Algumas notas sobre a história da robótica e automação, que tem raízes na antiguidade clássica.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Bit2Geek

 
Nova colaboração, que tem uma história de origem gira, mas essa fica para outro dia. O Bit2Geek é um novo site informativo português nas áreas da tecnologia e futurismo. É abrangente na sua abordagem, e está a dar os primeiros passos. Apesar de ser suspeito, já o adicionei aos feeds de leitura diária, mas os editores preferem que se visite o site. Mais uma fonte informativa nunca é demais, e o Bit2Geek é promissor.

O desafio que me colocaram foi escrever sobre impressão 3D. Fiel ao compromisso, tenho-me dedicado a analisar inteligência artificial...

Quatro dos melhores sites para impressão 3D: Para quem se quer iniciar na impressão 3D, um problema comum pode ser onde encontrar modelos para imprimir. Quem se dedica à modelação 3D pode facilmente imprimir as suas criações. Para todos os tipos de utilizador, existe uma grande quantidade de sites que funciona como repositório de conteúdo 3D, pago ou gratuito.

Salvar Vidas na Medicina usando Inteligência Artificial. E num futuro próximo: Num futuro muito próximo, iremos encontrar no hospital ou centro de saúde sistemas similares aos que hoje analisam pedidos de crédito, fazem recomendações personalizadas em sites de comércio electrónico, sugerem conteúdos multimédia em sites de streaming música e vídeo, ou organizam as informações que consultamos nas redes sociais, entre outras aplicações de Inteligência Artificial com que já interagimos no nosso dia a dia, na sociedade em rede.

Pode a Inteligência Artificial criar arte? Os robots pintores mostram-nos como: O campo da criação artística parece ser mais um dos muitos campos onde a inteligência artificial nos parece estar a ultrapassar, pondo a nu a artificialidade de emoções que acreditávamos ser exclusivamente humanas. Serão os robots pintores de hoje os antepassados dos grandes mestres artificiais do futuro, algoritmos capazes de sonhar no espaço do código binário?

quarta-feira, 20 de junho de 2018

FabLab BootCamp no Lab Aberto


Irá decorrer de 12 a 15 de julho 2018, no espaço do LAB CENTER, em Torres Vedras, o XII BOOTCAMP FAB LAB, evento que reúne a comunidade de fablabs nacional. O Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, em Mafra, é um dos parceiros na vertente educação do XII FabLab Bootcamp.

 Este ano, para além das partilhas de experiências da comunidade de utilizadores, o BootCamp contará com uma forte vertente pedagógica. Com o tema "Como Criar uma Escola a partir de um FabLab", desafiamos professores de todos os níveis de ensino a participar numa ação de formação com workshops de introdução a impressão 3D, robótica, programação e outras tecnologias, bem como partilhar experiências com Liz Whitewoolf, diretora do FabLab do Carnegie Science Center, Pittsburg, EUA, e Miquel Carreras, coordenador do FAB LAB do Liceu Politecnic de Barcelona.



Este evento é organizado pelo Associação LAB ABERTO FAB LAB, com apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras, Embaixada dos Estados Unidos da América, ISCTE-IUL, Instituto Politécnico de Leiria e Centro de Formação de Escolas de Torres Vedras e Lourinhã, Associação Nacional de FAB LABs, bem como associações de professores, escolas, fablabs e empresas. O programa está disponível em http://lababerto.pt/ e no site https://bootcamp2018.wordpress.com/.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

3D Printing: Rise of the Third Industrial Revolution



Aaron Council, Michael Petch (2014). 3D Printing: Rise of the Third Industrial Revolution. Gyge3D.

Nada distingue este livro de tantos outros sobre esta tecnologia, excepto, talvez, alguma sobriedade. Não é uma obra exageradamente optimista, e faz o que se propõe, mostrar exemplos de aplicações e potencial da impressão 3D em diferentes áreas. Interessante como introdução, mas dá-nos pouco mais do que algumas pesquisas na web em sites especializados.

domingo, 4 de dezembro de 2016

FormIt




Às voltas com o FormIt, uma aplicação de modelação 3D da Autodesk. A busca por apps que permitam modelar em 3D em tablets Android tem sido uma das minhas guerras nos últimos tempos, por causa dos projectos em que tenho envolvido a escola. Se modelar em 3D no computador dá acesso a muitas vertentes e metodologias de trabalho, o tablet é muito portátil, relativamente barato e algo que anda nas mãos da maior parte dos meus alunos. A biblioteca da escola, no âmbito de um projecto de literacia digital e impressão 3D, está dotada de um grande número destes equipamentos. Para muitas tarefas, substituem o computador. E no 3D, como é?

Para utilizadores de iPads, existe um grande número de aplicações de modelação 3D. Mantenho algumas debaixo do radar: a Gravity Sketch, pela facilidade de modelação, e a Morphi, pelo investimento que o seu criador faz no mesmo tipo de trabalho que desenvolvo nos projectos TIC em 3D/Fa@rts, centrado nas CTEM, colocando a modelação e impressão 3D nas mãos das crianças. É um ecossistema diverso, com muitas apps à escolha. Há uma razão para isto: a Apple adquiriu as patentes das tecnologias de interacção 3D em tablets que permite a modelação.

Em Android o panorama não é animador. Contam-se pelos dedos de uma mão as aplicações na Playstore da Google que oferecem soluções de modelação 3D simples e intuitivas. A maior parte delas não garante grandes resultados, dá problemas de compatibilidade, ou está limitada no tipo de trabalho que se pode fazer. As aplicações web, como o Tinkercad e o My.Sketchup, não correm nos browsers dos tablets. Das aplicações disponíveis, o Sculpt+ da Autodesk permite modelar em escultura digital, mas gera ficheiros com malhas poligonais muitop densas, um pesadelo de tratar para impressão 3D. O Thingmaker Design é excelente e divertido, mas não permite ir além da conjugação das suas peças modulares. O 3DCreationist é prometedor, possibilitando modelação por primitivos, mas o seu interface é problemático e dificulta a criação. O exótico SubDivFormer permite boas aventuras em subdivisão de superfícies, mas as versões mais recentes geram um tipo de STL ilegível por qualquer outra aplicação. Resta o FormIt, que durante muito tempo pensei que serviria para pouco mais do que aglutinar cubos. Há uns tempos atrás, dei-lhe uma segunda oportunidade e dediquei-me a ver uns tutoriais em vídeo. Percebi que ao contrário do que pensava, esta app é uma ferramenta poderosa, diria que quase um Sketchup Make para tablets. E não se fica por aí.


O FormIt está integrado com a solução cloud A360 Drive da Autodesk. Se se modelar em tablet, a única forma de descarregar o projecto (em OBJ)  é exportar para a drive A360. É um passo bizantino, especialmente se se perceber que o FormIt também pode ser utilizado no PC quer como aplicação instalada no computador quer como web app, a correr no browser. Acedendo ao FormIt na web com uma conta Autodesk, podemos editar qualquer ficheiro que esteja na drive A360.

Trabalhar com o FomIt no tablet tem as suas agruras. Há procedimentos muito fáceis, outros nem por isso. Criar extrusões é simplíssimo - basta tocar numa superfície para a seleccionar e empurrar com o dedo para gerar uma forma. As inferências ajudam ao traçado de linhas. Podemos utilizar operações de união e intersecção (para modelar para impressão 3D, a união ajuda imenso a obter malhas poligonais estanques). Outras operações, como a rotação, posicionamento e escalagem, apesar de simples colidem com algumas opções de interface e poderiam ser mais fluídas. No global, é fácil de utilizar, tem uma curva de aprendizagem rápida, apenas as problemáticas inerentes ao tipo de interface de tablet complicam o trabalho nesta app.

Ou seja, posso modelar no tablet, sincronizar com a conta Autodesk (a mesma para o Tinkercad e Autodesk 123), e posteriormente utilizar o FormIt A360 Web no browser para rever, melhorar ou aplicar ferramentas de modelação mais avançadas ou trabalho de texturas. No browser podemos descarregar directamente para o computador o projecto em STL, OBJ e nos formatos da Autodesk.



A experiência mostrada neste post é um modelo criado integralmente no meu tablet, da modelação 3D à texturização. Mostra que a ferramenta é mais poderosa do que aparenta. Exportar do FormIt A360 web permitiu obter um ficheiro OBJ que o Bryce reconheceu e permitiu rever texturas e fazer um rendering mais complexo. Para o Sketchfab foram importados o OBJ e materiais directamente gerados pelo A360. Ainda não experimentei imprimir em 3D, mas os ficheiros STL gerados pelo FormIt costumam passar sem erros, ou com erros mínimos, na análise e validação com o netfabb.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Pencil


Neil Gershenfeld a sublinhar a importância do desenho com forma primária para esquematizar ideias, perceber objectos, iniciar processos de materialização de ideias que podem ser concluídos com as maquinações mais avançadas:
The most affordable, and in many ways versatile, engineering design tool costs around ten cents: a pencil. This often underrated instrument has a number of desirable features. Its user interface is easy to understand, the response to commands is immediate, it's portable, and it creates high-resolution images.
Neil Gershenfeld (2005). FAB: The Coming Revolution on Your Desktop–from Personal Computers to Personal Fabrication. Nova Iorque: Basic Books.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tutoriais Tinkercad


Tinkercad e impressão 3D têm-se mostrado uma combinação perfeita, para lá do expectável numa aplicação web destinada a simplificar o processo de modelação 3D para crianças e modeladores com pouca experiência. Tenho estado a desenvolver uma sequência de tutoriais sobre Tinkercad no âmbito das TIC em 3D, para apoio às aulas e distribuição em workshops de Impressão 3D. Cobrem o que sei sobre a aplicação, sobre o interface, ferramentas e metodologias de trabalho. O próximo passo é transferir para tutorial desafios específicos que experimento com os meus alunos. Os tutoriais estão arquivados nos recursos das TIC em 3D e como colecção pública no Scribd: Tutoriais Tinkercad.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

LEO The Maker Prince


Carla Diana (2013). LEO The Maker Prince. Nova Iorque: Maker Media.

Um livro dedicado a explicar o que é a impressão 3D aos mais novos. Estruturado como história infantil, mostra diferentes utilizações e vertentes desta tecnologia. O foco está na sua capacidade de despertar a criatividade numa perspectiva fazedora, quer artística quer técnica. Consegue ser conciso, preciso e acessível na forma como aborda os conceitos elementares da impressão 3D.


A imagem do robot com um braço aquece e que tece camadas sucessivas de plástico quente que se tornam objectos é encantadora.

domingo, 20 de março de 2016

Aquele Post?


Foram quatro dias intensos, gratificantes, a partilhar conhecimento e imprimir em 3D, na Futurália. Um desafio da ERTE-DGE, que podem ficar a conhecer melhor na página do projecto As TIC em 3D.

Os leitores mais atentos destes espaço, caso existam, já se devem ter apercebido de alguma acalmia nas publicações. Não temam. Este não é aquele post que se faz, onde se diz o quão gratificante foi manter este blog durante x elevado a y anos, mas que as agruras da vida e coisas e cenas levam a que se encerre o espaço por tempo indeterminado, ficando no ar a promessa incumprível de algum dia regressar. Ou então temam, porque este espaço pessoal de livros e bizarrias não baixa os braços. É necessário para a minha sanidade mental, e sempre valeu o que vale. É um caderno de notas digital, que tem evoluído comigo, e surpreendentemente me tem levado a sítios interessantes, e a conhecer pessoas que nunca imaginaria vir a conhecer pessoalmente.

Felizmente, a minha personalidade múltipla está a começar a levar a melhor sobre este blog. O meu lado de professor-impressor 3D começa a dar-me muito e gratificante trabalho. É algo que para além das aulas requer um forte investimento de tempo em formação, auto e sentadinho como aluno, para além de uma crescente presença em eventos e dinamização de momentos formativos. As TIC em 3D são a crónica desses meus esforços, que faço questão em documentar porque... foi assim que eu aprendi, com o documentar dos esforços daqueles que me inspiram. É esse o verdadeiro poder da cultura de partilha digital.

Quando investimos numa área, perdemos algum tempo para outras. Entre a impressão 3D, o dia a dia, o colaborar com o aCalopsia e os projectos TIC, sofremos com as meras vinte e quatro horas do período de rotação planetária. O ritmo de leituras começa a ser afectado, por muito bem que tente gerir o meu tempo. Desacelera-se, mas não se pára. Cá para mim, tenho que isto de escrever um blog faz mais melhor bem à mente do que carradas de anti-depressivos. Ou litros de bebidas alcoólicas, que convém não misturar com a frase anterior. E se se for semi-literário, ainda ficamos a conhecer gente interessante, e os autores com que nunca imaginaríamos falar. É estranho é sentir esta responsabilidade de me justificar. Enfim. Tipo, cenas, diriam os meus alunos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Printed it on Plastic


The old one had been running six or seven thousand years, and showed very little wear. When people had needed a supplementary one, they had simply printed it on plastic, set it in the floor, and turned it on with a few amps.
Referências à impressão 3D na literatura de ficção científica não são algo assim tão recente, apesar de só no último ano e meio ter detectado o uso do termo corrente para indicar esta tecnologia, bem como descrever usos plausíveis. Essa referência foi uma das boas supresas de Aurora de Kim Stanley Robinson, e forma a base do conto The Man Who Sold The Moon de Cory Doctorow para a antologia Hieroglyph. São dois exemplo recentes, e deve haver mais na corrente literatura de FC.

O conceito na FC não é assim tão novo. Leitores do cyberpunk dos anos 90 recordam os nano-fabricadores, máquinas capazes de fabricar qualquer objecto, elemento comum a muitas histórias do género, especialmente as que imaginam futuros luminosos post scarcity. Recordo algumas bem interessantes de Bruce Sterling, ou Forever Peace de Joe Haldeman. Ou as tentativas de Spider Jerusalem de modificar o seu nanofabricador caseiro para lhe dar drogas mais potentes, personagem do seminal Transmetropolitan de Warren Ellis. Se olharmos mais atrás na FC não podemos esquecer as inúmeras mas raramente explicadas máquinas miraculosas que libertam a humanidade de meter as mãos na massa e fazer coisas. Como os sintetizadores de matéria da série Star Trek, que definem a culinária na cantina da nave Enterprise. Usados, sistematicamente, pelo Capitão Picard para lhe servir o seu adorado tea, earl grey, hot. Frase que indica um dos mais clássicos problemas conceptuais da Impressão 3D, perceber para que ela serve. Algo que me vem sempre à mente quando visito feiras ou espaços de demonstração e vejo estas máquinas fabulosas a imprimir os obrigatórios Yoda, coelho de Stanford ou outras peças que traem alguma falta de imaginação na resposta à questão do que é que se pode imprimir com esta tecnologia. Boa parte das vezes é tea, earl grey, hot.


O que surpreende nesta referência é a data em que foi escrita. Encontrei-a em Norstrilia, curioso e algo atípico romance de FC de Cordwainer Smith, autor clássico da golden age do género, legando-nos a série de contos The Rediscovery of Man, da qual o romance Norstrilia faz parte. Smith não era romancista, e os seus romances são essencialmente fix ups, contos individuais de uma série, coligidos e modificados para se tornarem capítulos de um livro. Surpreende, ver este conceito de utensílios, peças ou objectos impressas em plástico, num romance originalmente publicado em 1975 mas cujas histórias de base foram escritas nos anos 60.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

3D Printing: A Powerful New Curriculum Tool For Your School Library


Lesley Cano (2015). 3D Printing: A Powerful New Curriculum Tool For Your School Library. Libraries Unlimited.

Para que seja bem sucedida, a utilização de impressão 3D na sala de aula necessita de ideias concretas que utilizem a tecnologia em projectos integrados nos currículos. É, talvez, a killer app educacional da impressão 3D. Este livro parte de um quadrante inesperado, o das bibliotecas escolares, mas traz um conjunto de propostas concretas de projectos que tiram partido das diferentes valências da impressão 3D com integração curricular em diferentes áreas. Integra-a na valência de tangibilidade de conceitos abstractos com actividades nas áreas das matemáticas e ciências sociais, como ferramenta de expressão nas artes, ou como abordagem de metodologia projectual que permite explorar diferentes vertentes de aprendizagm. Para além do grande conjunto de propostas de actividades contextualizadas com conteúdos e objectivos (dos programas americanos), traz uma perspectiva diferente, o de conceber a biblioteca escolar como um local de aprendizagens que ultrapassam a promoção da leitura, entendendo-a como centro de recursos com um papel importante na exploração e disseminação dos potenciais pedagógicos das novas tecnologias.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

E Porque Não?


 E porque é que não imprimes isto em 3D, ouvi e pensei ao longo da minha passagem pela Comic Con Portugal. Seria fácil. Para quê adquirir modelos de mechas, stormtroopers, naves espaciais, robots e todos os outros fabulosos adereços que, como fã incondicional de ficção científica, me apaixonam? Seria fácil. Certamente que uma pesquisa rápida pelo Thingiverse ou outros repositórios me daria inúmeros modelos para imprimir. Talvez, até, um daqueles modelos que é um santo graal para a minha biblioteca, o de um X-Wing. Note-se que o Yoda é dos modelos mais impressos em 3D que se encontra por aí. Então, porque não o fazer?

Não é pelo aspecto propriedade intelectual, ou por preferir o aspecto limpo do design e manufactura industrial. Tem a ver com o gosto de criar. Imprimir objectos modelados por outros, por fantástico que isso pareça, não me cativa. O que me fascina é todo o processo: o imaginar, criar ou recriar meticulosamente no software de modelação 3D, e finalmente o segurar nas mãos o produto final impresso em 3D. É aí que reside o meu gosto nesta tecnologia, e é por aí que seguem os caminhos de aprendizagem com os meus alunos. Se alguma vez imprimir um X-Wing ou um Módulo Eagle, será um que eu tenha recriado de raiz com o que sei e continuo a aprender sobre modelação 3D, não um modelo pré-feito que descarreguei de um repositório. É também esse o olhar que leio nos meus alunos, quando seguram pela primeira vez na sua mão, impressos, os objectos que modelaram em 3D. Esta tecnologia é uma fantástica ferramenta de criação, e é aí que reside o maior prazer que retiramos do seu uso. Conceber, criar/recriar, modelar, imprimir. É, creio, uma sequência indissociável.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Conversas Imaginárias 2015


O encontro Conversas Imaginárias 2015 irá decorrer na livraria Fyodor Books no próximo dia 12 de dezembro. Este realiza-se como encontro dos fãs do Fantástico nas suas diferentes vertentes, num ano em que a realização da décima edição do Fórum Fantástico ficou em suspenso pelo atraso em obras que decorrem nas instalações da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro. A organização é de Rogério Ribeiro e João Campos, com cartaz da autoria de Rui Ramos.



As TIC em 3D estavam escaladas para dinamizar um workshop de introdução à impressão 3D durante o Fórum. Não acontecerá neste Conversas Imaginárias, mas não queríamos deixar de colaborar com esta tecnologia que parece vinda do futuro. Por isso, aproveitámos tempos livres entre organização de workshops e aulas, demos uso a alguns restos de filamento, e imprimimos umas pequenas lembranças para os participantes. Algo de útil para fãs de literatura, esperamos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

3D printing: A New Frontier for Education

3D printing in educational contexts, combined with 3D modelling and structured activities both within the curriculum and in other aspects, challenges students to be consciously creative. Teachers need research, design ideas and solutions that ground creativity in curricular and technical knowledge to take full advantage of this promising technology. 3D printing is the next frontier of education. Classroom integration will not be easy to achieve, but the path promises to be very interesting, and the potential is enormous. At the school where I work, Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, in rural surroundings on the outskirts of Lisbon, Portugal, we risked acquiring a beethefirst 3D printer, produced by the Portuguese company BeeveryCreative. The surprise and fascination are constant, and every day we discover a new idea, a new project, a new way to put this tool in the hands of students. Constantly we share our experience in academic events, technology fairs and on our website, ICT in 3D. Some of us have already taken the first steps, and will not give up until we are a crowd. Care to join us in bringing 3D printing to schools?
A Sketchup Magazine desafiou-me para um artigo sobre utilizações do Sketchup. Como não podia deixar de ser, foi sobre o que estamos a fazer com o Sketchup e outras aplicações nos domínios da impressão 3D focalizada na educação: 3D printing: A New Frontier for Education.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mona Lisa in the Machine


Recebi ontem, por graciosidade do artista, esta impressão de uma interpretação da Mona Lisa de Da Vinci. À primeira vista parece um simples desenho a marcador colorido. Quem conhece o artista, e os seus projectos, sabe que é muito mais do que isso. Conheci Jacinto Costoso nos tempos em que mexia mais em VRML e me deparei com os seus estranhos e expressivos mundos virtuais, que fugiam ao realismo e entravam nas potencialidades da abstracção em 3D.

Ultimamente tenho acompanhado as suas aventuras na construção de raiz de uma impressora 3D delta, que mal conseguiu meter a imprimir utilizou logo para experiências inesperadas na área da impressão 3D. São diagonais aos caminhos habituais. Como esta: trocar a ponta quente do extrusor por canetas e colocar a delta a desenhar em 2D. Usar uma impressora 3D para imprimir em 2D. No seu essencial, uma impressora 3D é apenas um robot que descreve uma trajectória pré-programada em múltiplos planos e este projecto de Costoso reflecte isso.


Via página facebook do artista, um vislumbre do processo criativo desta Mona Lisa in the Machine. Podem descobrir mais sobre o intrigante trabalho deste artista francês em http://www.costoso.net/. Quanto ao simbolismo disto, suspeito que a escolha de Mona Lisa não seja inocente. Duchamp, o dadaísta, apropriou-se desta imagem icónica para a sua arte e foi, junto com László Moholi-Nagy, um dos pioneiros da utilização de meios mecânicos para produzir arte.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

An Introduction to 3D Printing

 

Victora Zukas, Jonas Zukas (2015). An Introduction to 3D Printing. First Edition Design Publishing.

O que torna interessante esta introdução à impressão 3D é a forma como foge à hipérbole especulativa habitual nestas obras. Seco e itemizado, o livro tem o conteúdo referenciado, estando mais próximo do trabalho académico do que da obra de divulgação que é. Estruturalmente aborda de forma introdutória as várias vertentes da impressão 3D, passando pelas tecnologias, materiais, tipos de modelação 3D, metodologias de trabalho e aplicações. Fá-lo com muitas referências que permitem ao leitor mais interessado aprofundar estas questões. Termina de maneira algo espúria, com um descenessário tutorial de modelação 3D para impressão com o Meshmixer, que só se enquadraria bem no livro se este também se debruçasse sobre outras aplicações de modelação 3D.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Make: Design for 3D Printing


Samuel Bernier, Bertier Luyt, Tatiana Reinhard (2015). Design for 3D Printing: Scanning, Creating, Editing, Remixing, and Making in Three Dimensions. Sebastopol: Maker Media.

Já se sabe que este tipo de livros da Make: não se destacam pela profundidade, sendo guias abrangentes mas algo superficiais. Não deixam de ser bons pontos de iniciação a tecnologias e técnicas de trabalho. Este destaca-se mesmo pela sua abrangência, na forma como aborda técnicas de trabalho que permitem modelar para impressão 3D. Está cheio de boas dicas sobre modelação com apps Autodesk (com especial incidência para o 123D Design), digitalização 3D e preparação de mesh para impressão. Bom guia introdutório, que desperta a imaginação para a aprendizagem de técnicas de trabalho para impressão 3D. Inclui, habitual nos livros sobre o tema, a obrigatória introdução hiperbólica sobre o potencial desta tecnologia e uma análise às melhores impressoras FFF no mercado, onde a beethefirst ombreia com as makerbots, claramente a impressora de eleição no Fablab de origem dos autores deste guia.

sábado, 17 de outubro de 2015

Arts & Crafts


A recuperar do Dia dos Clubes de Robótica e Programação, comemoração oficial portuguesa da Europe Codeweek 2015. Um dia que reuniu no Agrupamento de Escolas D. Dinis núcleos que vieram mostrar o que andam a fazer com robótica e programação, bem como professores interessados nestas temáticas. Estive presente representando o Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro, com o projecto As TIC em 3D convidado a desenvolver actividades de live 3D printing aproveitando a mascote da iniciativa de introdução à programação no 1.º ciclo (que carinhosamente se tornou um #robotarmy). Dia produtivo, de partilha e aprendizagem.O que esteve em evidência neste evento foi mais do que pedagogia e resultados de aprendizagem. Foi o arts and crafts de Morris, o tinkering de Paper, o fazer da cultura maker, a criatividade baseada e alimentada pelo conhecimento técnico,  o experimentalismo alicerçado na tecnologia. E não vos maço mais. Se estiverem interessados nestes devaneios do Robot Intergaláctico com impressão 3D e educação, visitem o registo nas TIC em 3D.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

3D Printing: The Next Industrial Revolution


Christopher Barnatt (2013). 3D Printing: The Next Industrial Revolution. Explaining The Future. 

Suspeito que entre 2013 e 2015 o panorama global da impressão 3D não se tenha alterado assim tanto, embora seja provável que o directório global de empresas ligadas a esta indústria emergente teria de reflectir a explosão na impressão 3D. Apesar do título bombástico, Barnatt assenta o livro numa longa e detalhada explanação das diferentes tecnologias de impressão 3D e suas potencialidades, ancorado nas condicionantes técnicas que lhe são inerentes. Não esperem daqui previsões bombásticas e ocas sobre o futuro brilhante da impressão 3D na casas de todos. Para além de um detalhar didáctico das várias vertentes da tecnologia, o ancorar das análises de potencial na condições técnicas, sociais e económicas é um dos grandes pontos de interesse deste livro. A visão de longo prazo de Barnatt é algo deprimente, postulado um futuro próximo onde a impressão 3D pode ser a resposta aos desafios do fim de uma globalização trazida pelo esgotamento de recursos energéticos.