sexta-feira, 31 de maio de 2013

pavimento_bent


Comics


2000AD #1834: Apesar de estar numa maré fraquinha, a 2000 AD tem sempre bons momentos de banda desenhada. Judge Dredd está com uma história entediante ao estilo de policial procedural, o traço de Ezquerra e o digital simplesmente não combinam em Judge Anderson, Ian Edginton e D'Israeli não convencem em Stickleback e é melhor nem falar de Zombo, a série sobre um zombie futurista que alguém na 2000AD insiste que tem piada. Resta Sinister Dexter, os reis do crime futurista com ramificações em realidades alternativas em ilustrações deslumbrantes.


Batman: The Dark Knight Annual #01: Abre-se a página e de repente parece que regressámos aos anos 90, às primeiras páginas de Arkham Asylum com as inesquecíveis ilustrações de Dave McKean a apontarem novos caminhos gráficos ao género dos comics enquanto acompanham um fortíssimo argumento de Grant Morrison. Este Dark Knight Annual não chega tão longe, mas torna-se interessante pela sua história contida e bem construída ilustrada com um estilo ambiental e difuso que sublinha a clássica soturnidade do Asilo Arkham.


Fury Max #12: Garth Ennis usa o quintessencial herói militarista da Marvel para uma reflexão potente sobre pretextos bélicos, guerras sujas e interesses disfarçados de patriotismo. O tom da série é amargo, distante da cor garrida e espírito efusivo da editora.


The Wake #01: Scott Snyder assina esta nova série da Vertigo que mistura terror e ficção científica. Num futuro próximo, com as cidades invadidas pela subida do nível dos oceanos, é descoberta uma criatura misteriosa numa estação experimental de extracção petrolífera no fundo do mar. Cabe a um grupo de cientistas e um agente governamental deslindar a origem da criatura misteriosa. Ilustrada pelo traço expressivo de Sean Murphy, esta série tem um arranque prometedor.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

L'Uomo di Wolfland



Ricardo Barreiro, Franco Saudelli (1990). L'Uomo di Wolfland. Roma: Eura Editoriale.

Esta foi uma das mais interessante surpresas nesta viagem literária à descoberta do fumetti. O argentino Ricardo Barreiro assina uma intrigante história retro-futurista distópica com forte inspiração no nazismo e II guerra mundial. Somos levados a conhecer um patriótico soldado de Wolfland, ditadura germânica de toque nazi engalfinhada numa guerra sangrenta contra inimigos colectivamente designados por Anglai. Estamos num futuro distópico, de tecnologia inspirada nos anos 40 do século XX, onde imperam leis raciais, ditaduras férreas e patriotismo exacerbado.


Combate aéreo entre caças Anglai e Wolfland, claramente inspirados em Fiats g.50 e Macchis c.202.

Vindo da frente de combate, é concedido a um tenente de infantaria um período de descanso na capital da nação. Como convém a um herói de guerra, são lhe fornecidos todos os luxos: hotel, carro potente e acesso livre a um bordel militar. Aí cruza-se com uma bela prostituta e com um amigo, oficial dos serviços secretos da ditadura que o coopta para uma missão secreta. O nosso herói terá de se infiltrar numa organização secreta de mutantes, pessoas que por não passarem nos testes raciais obrigatórios perdem os direitos de cidadania. A sua ligação aos mutantes é precisamente a bela prostituta. Como bom agente, o soldado ganha a confiança dos terroristas e atrai-os para uma cilada. Mas a conclusão bem sucedida da missão tem um desfecho irónico. O herói de guerra foi escolhido para a missão secreta não pelas suas qualidades e fidelidade ao regime mas por ter sido detectada uma mutação no seu controle de pureza racial. As mutações são o resultado de exposição a radiações, algo que nos campos de batalha é comum. E o nosso herói, patriota que sacrifica tudo pela nação, é recompensado com um pelotão de fuzilamento.


Pura elegância sensual, ou o traço de Saudelli a evocar mistérios e aventuras. Não por acaso, este autor é mais conhecido pelo fumetti fetichista La Bionda, às voltas com cordas de nós apertados e uma sensual ladra loira com um carinho especial por amarrar as suas vítimas.

Se o argumento de Barreiro prima pelo perfeito canalizar da claustrofobia do fascismo militarista, as ilustrações de Franco Saudelli remetem-nos para um futurismo retro, onde a tecnologia é inspirada nas armas italianas da II guerra mundial. As aeronaves de combate são clones de máquinas como o Fiat Freccia ou o Macchi Folgore, enquanto o aspecto dos transportes evoca os comboios blindados a fervilhar com metralhadoras. O que trai o futurismo são as insígnias e o desenrolar da história. Nas primeiras vinhetas cremos que estamos a ler algo sobre a frente leste na II guerra, e são os uniformes que estabelecem a dissonância cognitiva que alimenta este fumetti. O ar anos quarenta é patente nas cidades e cenários, transposição perfeita da estética da II guerra para uma história de futuros alternativos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mesmerizado




... pela voz assombrosa de Lisa Gerrard.

Fumetti: Brendon: Nato Il 31 Febraio, Caravan: Il Cielo Su Nest Point.


Claudio Chiaverotti, Massimo Rotundo (1998). Brendon nº. 1: Nato Il 31 Febraio. Milão: Sérgio Bonelli Editore.

Nos velhos tempos da guerra fria as visões de mundos pós-apocalípticos eram o escape imaginativo necessário à ameaça bem real da guerra nuclear. Futuros com paisagens devastadas e sobreviventes andrajosos a sobreviver nas ruínas da glória de civilizações passadas que se auto-destruíram são um dos mais explorados campos da ficção científica. Este intrigante Brendon mergulha directamente neste campo. Neste fumetti somos levados à Inglaterra cento e cinquenta anos após o colapso da civilização, caída não pelos efeitos de uma guerra atómica mas graças ao choque de um asteróide com o planeta. As velhas cidades são ruínas habitadas por mutantes ou criminosos, enquanto uma nova civilização tenta recuperar os saberes esquecidos em comunidades medievalistas. É nesta paisagem desolada que se move Brendon, caçador de recompensas com bom coração que enfrenta os perigos inomináveis do mundo novo pós-colapso. Nesta primeira aventura somos introduzidos ao mundo pós-apocalíptico através de uma curiosa história de amor, obsessão e tecnologia criogénica que é uma boa desculpa para um périplo que mostra aos leitores as bases do mundo ficcional da obra. A premissa é interessante. Apesar de bem estruturado, o argumento desenrola-se de forma previsível. O destaque vai para o traço do ilustrador Massimo Rotundo, a canalizar na perfeição visões pós-apocalípticas com um toque típico dos anos 90 do século XX.


Michele Medda, Roberto de Angelis (2009). Caravan: Il Cielo Su Nest Point. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Uma premissa de literatura fantástica é o mote para uma história criminal. Caravan arranca in media res, com o narrador na estrada a iniciar o relato de uma longa viagem cuja razão e destino nunca são explicados. Os elementos de fantástico estão no porquê do périplo: um vórtice misterioso nos céus surpreende uma pacata cidade suburbana, paralisando todos os aparelhos eléctricos durante algumas horas de pânico. Após o desaparecimento do vórtice a cidade é evacuada pelos militares, dando origem à caravana de automóveis que se move lentamente pelas auto-estradas. Esta é a premissa, mas não é o corpo da historia, uma narrativa banal sobre com toque de giallo às voltas com crimes de paixão e cupidez.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Glittering Images


Camile Paglia (2012). Glittering Images: A Journey Through Art From Egypt to Star Wars. Nova Iorque: Pantheon.

Paglia é assumidamente panfletária neste Glittering Images. Escrito em reacção às opiniões públicas e ao que a autora considera um sistema educativo que deixa de lado quaisquer referências às artes para lá de um pequeno aspecto lúdico, negando às massas o acesso aos milénios de tradição erudita da cultura, este livro é uma jornada muito pessoal por momentos-chave da história da arte. Paglia pega em obras centrais, não necessariamente as mais conhecidas, para abordar com uma invejável erudição vários momentos da continuidade da tradição artísticas europeia. A arte contemporânea representa uma parte importante do livro, com a autora a desmontar a tradição pós-realista que vai dos impressionistas aos happenings e arte conceptual contemporânea, muito distantes do que o público mal informado considera "arte".

Termina de forma bombástica, unificando os conceitos de arte erudita e arte popular colocando George Lucas no mesmo pé que Donatello, DaVinci, Monet ou Picasso. Pode parecer chocante aos olhos que gostem de traçar distinções entre cultura "séria" e géneros, mas Paglia coloca o dedo na ferida: as artes tradicionais desdenharam os meios tecnológicos, que apropriados pelas artes aplicadas infiltraram a cultura popular com artefactos visuais de estilismo e complexidade similares aos da grande tradição artística mundial. É esse o elogio de Paglia a Lucas, o ter sido capaz de traduzir conceitos meta-ficcionais para a cultura global de uma forma visualmente apelativa.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Steampunk na Feira do Livro


Vai ser interessante ver a feira do livro invadida pelas visões feéricas de um século XIX que nunca existiu. A culpa desta invasão é da Clockwork Portugal e mais detalhes sobre o evento estão disponíveis no facebook. Uma mini-invasão steampunk em Lisboa? Vai ser bom e estou mortinho por ver o parque Eduardo VII com malta vestida em estilos de inspiração edwardiana (pun intended). A tentação de desempoeirar o meu fatinho, os goggles e a maciça bengala centenária com o punho de bronze comido pelo tempo é grande, mas como dias depois vou precisar daquilo para outras andanças fica para uma próxima. Marquem nas agendas o dia 2 de junho, vistam a melhor fatiota domingueira com requintes steampunk, e mergulhem a feira do livro de Lisboa no imaginário. Não se esqueçam do relógio de bolso com as engrenagens visíveis.

Comics


Atomic Robo Real Science Adventures #08: Já conhecem as aventuras de Atomic Robo? Se não, do que é que estão à espera? Bem humoradas, deliciosamente retro e ilustradas num estilismo muito bem conseguido, as peripécias de Atomic Robo deslumbram num dos mais interessantes comics independentes da actualidade. A criação do Dr. Tesla já enfrentou robots nazis, mechas nipónicos futuristas que se recusam a acreditar no fim da II guerra, ameaças lovecraftianas que atravessam o tempo, entre outras ideias de sanidade questionável. É puro divertimento assegurado.


Dia de los Muertos #03: O trabalho expressionista do ilustrador Riley Rossimo chegou ao palco dos comics de massas através do estranho Bedlam. Trabalha agora numa série da Image onde ilustra pequenas histórias inspiradas na mitologia mexicana do dia de finados. Neste Dia de los Muertos qualidade gráfica está assegurada, a narrativa nem por isso, mas por vezes deparamo-nos com pérolas, como esta sequência apocalíptica conceptual e visualmente inspirada no trabalho clássico de Jack Kirby. Há que adorar os pequenos pormenores, como aquele next: seguido de espaço branco a finalizar.


MindMGMT #11: Este comic é o filho bastardo de John Le Carré e Jorge Luis Borges. Matt Kindt joga brilhantemente com o surrealismo das histórias de espionagem. Num mundo composto de enganos deliberados, obscurantismo manipulativo e ilusões conceptuais nada é que parece, nem as próprias aparências.


Doctor Who #09: Sim, tenho um lado whoviano, e depois? Não preciso de fazer grandes rodeios explicativos. Basta-me mostrar-vos... o B-29 a vapor que voa nos céus de uma realidade alternativa em duelos aéreos com sauróides alados. Hibridização divertida, que mais se pode pedir?

domingo, 26 de maio de 2013

Whose lives really were nasty, brutish, and short.

"And so it goes, from rape and sodomy to incest and cannibalism. Far from veiling their message with symbols, the storytellers of eighteenth-century France portrayed a world of raw and naked brutality." (p. 38)

"For most peasants village life was a struggle for survival, and survival meant keeping above the line that divided the poor from the indigent. The poverty line varied from place to place, according to the amount of land necessary to pay taxes, tithes, and seigneurial dues; to put aside enough grain for planting next year; and to feed the family. In times of scarcity, poor families had to buy their food." (p. 62)

"Except for the happy few on an artisanal tour de France and the occasional troupes of actors and mountebanks, life on the road meant ceaseless scavenging for food. The drifters raided chicken coops, milked untended cows, stole laundry drying on hedges, snipped off horses’ tails (good for selling to upholsterers), and lacerated and disguised their bodies in order to pass as invalids wherever alms were being given out. They joined and deserted regiment after regiment and served as false recruits. They became smugglers, highwaymen, pickpockets, prostitutes. And in the end they surrendered in hôpitaux, pestilential poor houses, or else crawled under a bush or a hay loft and died (croquants who had €œcroaked)" (p.65)

"The peasants of early modern France inhabited a world of stepmothers and orphans, of inexorable, unending toil, and of brutal emotions, both raw and repressed. The human condition has changed so much since then that we can hardly imagine the way it appeared to people whose lives really were nasty, brutish, and short." (p. 71)

A meio de um ensaio sobre a tradição literária dos contos de fadas Robert Darnton dá-nos uma visão impressionante sobre a vida da esmagadora maioria da população na Europa do século XVIII. É um mundo brutal, de fome, trabalho incessante, insegurança, exploração e perigos continuamente à espreita. Lemos hoje contos de fadas como histórias ingénuas de final feliz, mas o que lemos são versões limpas e diluídas de narrativas de cautela e irreverência cujas versões originais espelhavam a dureza extrema da condição humana no passado.

Nos tempos que hoje vivemos não é possível ler o texto de Darnton sem sentir que se trata de um aviso.

Robert Darnton (1984). The Great Cat Massacre and other episodes in French cultural history. Nova Iorque: Basic Books.

Martin Mystère





corredor_bent


sábado, 25 de maio de 2013

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Playtime





A ideia partiu daqui.

Milady

Milady Nel 3000: ilustrado por Magnus num esquema de cores sombrio, forte e surreal, onde abundam contrastes e tonalidades escuras. O traço é espantoso, com uma inspiração visual que mistura o estilismo do vestuário chinês, composição pictórica japonesa, sensibilidade arte nova e um sentido muito pessoal de futurismo exótico. Cruzamento entre o exotismo do traço de Alex Raymond em Flash Gordon, tradição pictórica decorativa da arte nova e combinações surrealistas de cores de Magritte, Milady 3000 alia ficção científica sonhadora a uma fortíssima sensibilidades estética.








Wild captcha


Olha, um captcha com sentido de humor... intrigante, a ideia ballardiana de um código icónico selvagem.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

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Comics


2000AD #1833: Quando comecei a ler a 2000AD fiquei imediatamente cativado pelo traço rude de Carlos Ezquerra, que definiu o visual rígido de Judge Dredd e de MegaCity One com desenhos pouco detalhados, sóbrios e quase pétreos. O sorriso hirto de Dredd saiu do lápis de Ezquerra. Este ilustrador continua a trabalhar para a revista, mas algo se está a perder no seu traço. Nota-se que o lápis e a aguarela foram trocados pelo photoshop, e os resultados são muito menos interessantes do que os seus anteriores trabalhos. A estética de Ezquerra adapta-se mal ao digital, e isso nota-se no seu mais recente trabalho em Judge Anderson.


Justice League Dark #20: Com Jeff Lemire a bordo aumenta o bom humor e o gozo puro. Ainda não está ao nível que atingiu em Frankenstein Agent Of S.H.A.D.E., mas aproxima-se. Constantine começa a ser bem utilizado e a integração com um personagem do estábulo principal da DC está bem feita.


Lobster Johnson Smells A Rat: Mike Mignolla anda em busca de personagens que se aproximem do sucesso que teve com Hellboy. Se a B.P.R.D. se tornou uma série contínua, este autor anda a experimentar com outras duas personagens promissoras. Baltimore, o caçador de vampiros numa europa alternativa devastada por uma praga vampírica é um deles. Lobster Johnson, saído das páginas de Hellboy, é outro. Mistura de The Shadow com as bizarrias que tornaram Hellboy tão querido pelos leitores, este Lobster Johnson combate criminosos, nazis e outras ameaças de contornos obscuros.


The Unwritten #49: O título começa a esgotar-se, e Carey regressa às reflexões metaficcionais. Mas algo se prepara. Nas páginas finais aparecem personagens de Fables, o outro título sobrevivente da Vertigo. Aparentemente a DC decidiu fazer um tie-in dos dois títulos da Vertigo, insuflando um pouco de ar em personagens que já acusam desgaste. Pode ser interessente, ou nem por isso. A ver vamos.

Playtime



O responsável foi o algoritmo de rendering que calculou todas as permutações possíveis de incidência, reflexão, refracção, efeitos ambientais e dispersão de um número elevadíssimo de raios de luz com focos localizados adicionais.


A ideia partiu daqui.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

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Fumetti: Sharaz-de, Dr. Morgue.


Sergio Toppi (2000). Sharaz-De. Saint Égrève: Mosquito.

Um sublime revisitar das lendas das 1001 noites, esse texto que alimenta os mais exóticos sonhos orientalistas. Sergio Toppi, um dos grandes mestres italianos da banda desenhada, dá-nos um olhar muito pessoal sobre alguns dos contos do clássico literário. Mas não é da narrativa que vive esta obra deslumbrante. O que a faz pulsar é o traço único deste autor, fortemente expressionista, com um trabalho espantoso de linha que confere uma solidez pétrea às suas imagens. Não há limites nas vinhetas, as imagens dissolvem-se entre si num misto de ilustração e banda desenhada. O trabalho a preto e branco é espantos,e  meio do álbum Toppi brinda-nos com umas etéreas páginas de cor, onde o traço pétreo se mescla com a cor difusa. Mais do que narração sequencial, temos neste livro uma narração pictórica, em que os diversos elementos se conjugam num todo dentro de cada prancha. O traço de Toppi marcou uma época, contemporâneo do barroquismo de Druillet e fortemente influenciador do trabalho de desenhadores mais recentes como Dave McKean ou Bill Sienkiewicz, autores que transformam a banda desenhada em espaço de experimentalismo pictórico estéticamente belo. Sharaz-De é uma obra deslumbrante que nos dá um fascinante vislumbre de um dos grandes nomes do fumetti.


Rita Porretto, Silvia Mericone (2011). Dr. Morgue: La Morte Perfetta. Perugia: Star Comics.

Um intrinante giallo com uma premissa interessante: um médico legista quase autista, incapaz de compreender as relações humanas mas capaz de falar com as vítimas de assassínios que investiga. Meticuloso, é capaz de discernir os padrões mais difusos e assim consegue encontrar os culpados de crimes aparentemente insolúveis. Há um elemento conspiratório onde uma elementos de uma poderosa organização sombria se divertem a congeminar crimes complexos para intrigar o idiosincrático doutor Morgue.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

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City of Silence


Warren Ellis, Gary Erskine (2004). City of Silence. Orange: Image Comics

Um Warren Ellis ainda cru e a refinar o seu estilo mergulha-nos nas ideias de futurismo desgovernado, espaço urbano esmagador, choque de futuro e personagens assertivas e desenquadradas dos padrões de normalidade que tanto caracterizam a sua obra. City of Silence é uma espécie de prelúdio a Transmetropolitan com o seu futurismo urbanístico ou Doctor Sleepless e os choques epistemológicos fisicamente disruptivos. Nesta mescla de cyberpunk com policial num espaço urbano futuro que vivem em choques epistemológicos constantes, três personagens mais que humanos formam uma força policial oculta encarregue de silenciar inovações tecnológicas. Num desenvolvimento hiper-acelerado, qualquer inovação poderá ser potencialmente catastrófica e numa tentativa de manter alguma ordem no caos social as autoridades citadinas tentam travar qualquer lampejo de disrupção tecnológico-cultural. Apesar de imunes aos memes virais, os três agentes encarregues do silêncio cultural encontram um inimigo à altura na pessoa de um mago tecnológico, que utiliza os canais de comunicação eléctricos para invocar os demónios infernais. Uma mistura visceral de ideias complexas e futurismo sem limites, ainda em estado cru e sem reflectir a elegância violenta que se tornou a marca da obra de Warren Ellis.