domingo, 17 de maio de 2026

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Illustrations by Dean Ellis (1920-2009): Futuro marciano.

Estrada perdida: Bolas, pá, então e o resto? Revi recentemente este filme (não no cinema, infelizmente) e continua tão inquietante e surreal como quando o vi pela primeira vez, na sala do mítico cinema King. 

Why Is Everyone Still In Love With Sherlock Holmes?: O incessante fascínio com uma personagem centenária.

As sete balas de António de Macedo: Bolas, pá, como é que perdi esta sessão?


1-moebius-1-universe-1: A mais icónica vinheta.

The Worst-Case Scenario for AI and the News Is Already Here: Num mundo informacional onde gerar conteúdo falso plausível é trivial, a confiança nas imagens esboroa-se, e os factos são infetados pela informação falsa. 

AI Just One-Shotted Another CEO: Confesso, esta é inesperada. Geralmente estas notícias são sobre CEOs gananciosos a babar-se de felicidade por usarem a IA como desculpa para se livrar dessa massa infecta que são os trabalhadores, não sobre CEOs que se despedem a si próprios. Se bem que aqui há um certo cheiro a abandonar o barco antes que se note que se está a afundar. 

Why can’t TikTok identify AI generated ads when I can?: A verdadeira questão é porque é que as plataformas não querem que se perceba facilmente que estamos a consumir conteúdo gerado por IA. 

Iran Is Winning the AI Slop Propaganda War: As guerras de propaganda travam-se hoje com IA generativa, mas também requerem que se conheça bem a cultura pop dos adversários. 

Wikipedia Editors Tried and Tried to Work With AI Content, Eventually Realized It Was Total Trash and Banned It Entirely: Medidas para travar o AI slop.

What AI Hypists Miss: A IA como panaceia universal é ao mesmo tempo discurso vácuo de marketing e uma crença perigosa, que ignora a complexidade das relações humanas e os seus sistemas.

My Prodigal Brainchild: Neal Stephenson, criador do termo "metaverso" - não para a meta, esta apropriou-se do conceito, carregado de razão sobre esta derrocada dos mundos virtuais 3D. Que não é tão derrocada quanto isso, há imensos espaços 3D que atraem utilizadores. O que ele observa, com toda a razão para quem compreende esta tecnologia, é que ninguém quer passar o tempo com óculos isoladores na cara; e também observa, com muita razão, que as questões de privacidade vão impedir a adoção dos óculos inteligentes.

Apple at 50: a visual history: A preocupação com o design e o aspeto visual sedutor são elementos que caracterizaram a Apple desde os seus primeiros tempos. 

Facial Recognition Is Spreading Everywhere: O alastrar do uso de algoritmos de reconhecimento facial, e o crescendo de problemas que os falsos positivos na identificação trazem. 

What Happens If AI Makes Things Too Easy for Us?: A importância cognitiva da fricção, ou como não podemos depender de ter tudo facilitado. 

If You Need a Laptop, Buy It Now: Não está fácil, as exigências dos datacenters de IA estão a consumir, literalmente, toda a ram disponível, e vai demorar até que novas fábricas preencham as lacunas na informática de consumo.


Peter Lloyd: Explicação precisa-se.

El absurdo precio de la vivienda ha convertido en rutina lo que antes era una rareza: vivir en una provincia y trabajar en outra: Traços de modernidade - a combinação de redes de alta velocidade acessíveis com o disparo nos preços das habitações expandem o conceito de subúrbio em modo inter-regional. 

A Turning Point in the Iran War: Do aventureirismo militar a uma crise energética global. 

Netizens Terrified of What NASA Grew on the Space Station: A Potato: De facto, o aspeto não é convidativo, embora pessoalmente já tenha visto rebentos mais assustadores em batatas esquecidas na despensa. 

Scientists Cloned a Mouse, Then Cloned the Clone, Et Cetera. The Results Were Horrific: Os limites da biologia manipulada. 

Humans Were Already Dog People 16,000 Years Ago, DNA Suggests: Os mais fiéis e milenares companheiros do homem. 

H-Bomb: A Frank Lloyd Wright Typographic Mystery: A minha primeira pergunta é - um H ao contrário é coisa que existe? Aparentemente sim, e todo este artigo é um hino à atenção desmesurada aos detalhes mais ínfimos. 

Why Are the Wealthy Pouring So Much of Their Wealth into Politics?: Versão resumida? Porque se está revelar um excelente investimento, como se pode comprovar pelas estatísticas que mostram o disparo no engordar do enriquecimento dos bilionários.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

All These Worlds


Dennis Taylor (2017). All These Worlds. Ethan Ellenberg Literary Agency

Termina aqui a trilogia Bobiverse, de formas nada inesperadas. Os Bobs proliferam, instalam-se nas novas colónias humanas. Uns encontram novas formas de viver, outros apaixonam-se e convencem as suas amadas a também se tornarem entidades digitais. Os habitantes da Terra são salvos, exilados para planetas que suportam vida, e a ameaça da civilização alienígena que consome todos os recursos e destrói civilizações para construir a sua esfera de Dyson é aniquilada, por extermínio estelar e numa batalha no nosso sistema solar. 

Enquanto isso, o Bob original vive uma vida primeva, como um nativo de uma espécie alienígena inteligente que começou a cuidar, mas acaba por ser fortemente abalado pela morte do alienígena que sempre acompanhou. Findas as lutas, os desafios, os Bobs atingem a conclusão óbvia - são mais do que humanos, são máquinas conscientes que mantém a essência da sua humanidade, e cada um é livre de escolher o seu destino. A galáxia é a próxima fronteira.

A leitura manteve-se divertida e descomplexada, sem pretensões de profundidade mas a saber mexer com a boa FC, entre conceitos intrigantes e momentos de pura space opera. O tom é leve, e, mantendo o espírito divertido, há constantes referências à imensidão da cultura pop.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Mandraka e os seus robots


André Tagorelle (1959). Mandraka e os seus robots. Lisboa: Mãos de Fada.

Ah, as delícias da FC pulp descartável clássica. Há razões para estas obras se tornarem facilmente esquecidas, quando muito recordam-se como entradas em listagens editoriais (como, por exemplo, a FC Lusa) de autores igualmente esquecidos. Não surpreende, era obras escritas a metro, sem grande cuidado, apenas para encher páginas. Foram o nível mais baixo da FC enquanto mero entretenimento, o nicho agora preenchido pelas séries banais ou vídeos meio-ai slop das redes digitais. 

Não há muito gosto nesta leitura, fi-la por curiosidade e referência. A história é de aventura pura, num distante Plutão habitado por seres implausíveis, entre homens-peixe, criaturas capazes de dominar monstros em montanhas e construir robots inteligentes, homens-polvo que apascentam ovelhas ou criaturas de gelo. Poderia ser weird, mas não o chega a ser. O tom é de aventura, naquela clássica estrutura de aventureiros humanos de personalidade expansiva e legalidade duvidosa, cuja coragem e engenho salvam os nativos dos piores perigos. Há monstros destruidores, zombies alienígenas, robots sentimentais, fungos venenosos e até uma princesa piscícola para apimentar a coisa. 

É a isto que se chama má FC, produzida a metro por escritores que se ocultavam sob pseudónimos. Um resquício de outros tempos, onde a leitura era um dos grandes modos de entretenimento, em conjunto com a rádio e em menor medida o cinema. A chegada da televisão, a explosão do vídeo e o alastrar da internet quase fizeram esquecer esta forma de literatura como mero entretenimento de baixo esforço intelectual. E, no entanto, foi entretenimento que fez sonhar outras gerações.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Banir a IA da Educação?


Confesso que este momento foi puro masoquismo da minha parte. Foi pior do que eu pensava. Ou  talvez não, há alguma esperança. 

Descobri super em cima da hora que o Maio, projeto que eu tenho algum respeito, tinha organizado como parte das suas jornadas um debate/discussão sobre, estão a ler bem, banir a Inteligência Artificial da educação. Estão mesmo a ver o que é que eu fiz, não estão? Arrastei-me para Lisboa e fui ver o que é que se passava. 

O esforço de ir à cidade não foi muito grande, já lá estava para participar nas Jornadas dos Mestrados em Educação do IEUL, onde me desafiaram a falar da minha experiência prática em introduzir IA nas minhas práticas pedagógicas. Saí da Cidade Universitária bem a tempo de ir ao Liceu Camões espreitar este debate. Como cheguei mais cedo, antes do painel ter começado tive o desprazer de ouvir Raquel Varela a falar de educação. E fiquei abismado com o chorrilho de falsidades, de achismos, e descontextualização do seu discurso. Uma inacreditável falta de rigor, em alguém que por ser académica, o deveria saber ter. Confesso que me leva a colocar em causa não só o que diz nas suas intervenções públicas, como o próprio teor das suas publicações académicas, porque alguém posicionada como intelectual pública e interventiva não pode apresentar-se em discurso de achismo de conversa de café, atirando óbvias falsidades para o ar ao falar do ensino especial, com tiradas brilhantes do tipo "as turmas estão cheias de crianças a dormir por estarem medicadas, são as escolas que impõem medicação às crianças (isto é tão obviamente falso!), que não há recursos para apoios (são e serão sempre escassos, mas, novamente, falso), que a tecnologia serve para mecanizar as crianças (e para quem vem da escola de pensamento construtivista, isto é mesmo patetice advinda de ignorância), e outras pérolas.

Quanto ao painel de educação, fiquei muito preocupado com as posições assumidas pelos moderadores do painel (ou proponentes da proposta, não consigui perceber muito bem, mas isso não vem agora ao caso. Um modelo de recusa total do que é tecnologia nas escolas, do que é a tecnologia em si mesmo em si própria, ignorando e rejeitando propositadamente o seu lado capacitador. E tudo muito mais acérbico em relação ao impacto da inteligência artificial. 

Como pessoa de esquerda que sou, como também professor, e como pessoa que se tem dedicado à tecnologia na educação como forma de capacitar as crianças e de dar ainda mais horizontes, fiquei chocado. Este óbvio anti-intelectualismo assente em preconceitos, numa visão bastante pouco rigorosa do que é o o estudo académico preocupa-me. 

O que me deixou mais animado foi que o debate. Foi mesmo um debate,  e as pessoas que interviram não partilhavam desta posição tão radical e tão fechada. Participavam contribuindo com observações sobre potencial das tecnologias e da IA em específico, com visões que mostraram preocupação com os seus impactos éticos e sociais, que são óbvios, mas nunca na perspectiva de a banir, restringir ou recusar. Ou seja, se os organizadores partiram numa posição obviamente obviamente radical (aliás percebi que eles estavam incomodados com o tom e com o tipo de intervenção que receberam porque não estavam a ser apoiados cegamente), os participantes foram mais abertos. 

Na verdade o o que me preocupa nisto tudo nem é tanto a rejeição da IA ou as questões da IA na educação. É que ao rejeitar tout cout, ao colocar-nos à parte, estamos a evitar intervir. Sabemos que a IA traz imensos problemas éticos, sociais, económicos, ambientais, culturais,, numa lista muito grande.

 Também sabemos que é uma tecnologia fantástica, mas se a recusarmos liminarmente e colocarmos nessa recusa um tampãozinho ideológico, um embrulhozinho de ideologia muito bonita que a justifica, demitimo-nos intervir, demitimo-nos de procurar formas de usar a IA que beneficie as pessoas, que beneficie os alunos, que beneficie a população em geral. 

Ficamos-nos naquela perspectiva de aldeia gaulesa, advogando pureza ideária enquanto o mundo nossa volta se esfrangalha. Por isto,  este tipo de visões deixa-me preocupado. Sublinhom como pessoa de esquerda que sou, é preocupante ver estes ativistas de esquerda a ser tão anti-intelectuais,  por vezes até chega a ser doloroso ver estas pessoas  proferir as suas certezas com um óbvio desconhecimento daquilo que estavam a falar

E capaciten-se de uma coisa: colocar tecnologia nas crianças não tem que ser uma alienação de ecrãs ou mergulho na toxicidade das redes sociais. Não tem de ser assim. Se querem saber como é que isso se faz, como é que podemos capacitar as crianças com tecnologia e com isso levá-las a tornarem-se adultos mais intervenientes e conscientes e criativos. falem connosco. Nós, professores de informática, já andamos há anos nistom a colocar tecnologia intermédia e avançada, nas mãos de crianças nos vários contextos de ensino. Precisamente para lhes dar mais horizontes para crescer. 

E querem mesmo combater esta visão que nos está a ser imposta, da IA  como uma obrigação, como quele sonho húmido dos CEOs, patrões e financeiros de despedir essa coisa fedorenta que são os trabalhadores para para os substituir por IAs e algoritmos que vão trabalhar por eles? Se querem mesmo combater isto, não se esquivem ao uso de tecnologia, apropriem-se dela, que é o que que é necessário. Não disfarçam também o vosso pouco conhecimento que (nítido e notório ao longo de de muitas intervenções), com uma espécie de visão idílica de um passado que nunca existiu.

Vejo a IA como uma tecnologia incrivelmente potenciadora das capacidades individuais. Rejeito publicamente a visão dos de despedirem toda a gente para meterem a IA a trabalhar por nós. Hora e meia antes de ter passado neste evento do Maio, disse isto mesmo num auditório cheio de professores e futuros professores no Instituto de Educação. Recuso e trabalho na minha sala de aula contra a visão da IA cabulista e plagiadora. Vejo a IA como tecnologia da qual temos de nos apropriar para o bem de todos. Se não o fizermos, se se finca pé num discurso de rejeição, garantimos o pior da distopia tecnologia dos bilionários. É preocupante ver esta esquerda ativista a a basear a sua intervenção na ignorância e desconhecimento, num momento em que precisamos de vozes progressistas na IA e na educação que contrariem a narrativa comercial.

domingo, 10 de maio de 2026

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Edmund Emshwiller (1925 - 1990) Future Science Fiction. February, 1959: A beleza está no olhar de quem a contempla?

A History Of Famous Typos: Da bíblia que incitava ao adultério aos escritores que abraçavam os erros tipográficos com enriquecedores dos seus textos.

EL VERDADERO PADRINO DEL GORE: William Chambers Morrow | Jesús Palacios: Obscuro, quasi-esquecido, e claramente a ter de se ir descobrir.

O brilho: Mostrei recentemente excertos deste filme a alunas minhas, que estão a fazer trabalhos com vídeo. Ficaram de queixo caído, e perceberam que o cinema não é só o contar histórias com imagens em movimento.

Ser interessante tornou-se tendência. A era dos influencers intelectuais: Que me perdoe o cronista do Sh/fter, mas ler livros, ver cinema e ouvir música fora do mainstream sempre foi uma tendência. Mas percebo o contexto. Apesar da atração tendente para o mais baixo denominador comum das redes sociais, há espaço para uma cultura mais intelectual, de partilha de leituras, audições e visões.

We Speak Through the Mountain – Premee Mohamed: Olhar para uma nova e promissora voz da ficção fantástica.

O horror presente de The Stepford Wives: Regressar a um clássico, que nos tempos da masculinidade tóxica e do resvalar para conservadorismos de extrema direita que afetam diretamente a igualdade de género e os direitos humanos fundamentais, está realmente e infelizmente atual.

How Chuck Norris Facts Created Internet Culture as We Know It: Recordar os primórdios da cultura de memes, com este clássico dos "factos" partilhados online.

What to read this weekend: Revisiting Project Hail Mary and The Thing on the Doorstep: E destaco especialmente o segundo, que está a ser uma espantosa adaptação contemporânea de Lovecraft, com uma voz deliberamente contida enquando desliza inexoravelmente em direção ao terror profundo.

The Carolers - The Addams Family by Charles Addams (1946): Aquela família especial.

The Myspace Dilemma Facing ChatGPT: Será que a OpenAI será vítima do seu pioneirismo?

Meta’s AI Glasses and Privacy: Para surpresa de niguém, esta nova versão de óculos de realidade aumentada com captura de imagens é um pesadelo para a privacidade individual. E é também uma tendência que não se esbate.

Teardown of a 2026 LEGO SMART Brick: Um olhar detalhado para a tecnologia incorporada naquelas peças Lego inteligentes que fizerem sensação. A má notícia - as baterias vão se degradar rapidamente, ou seja, muito depressa passam de smart brick... a apenas brick (piada muito nerd, eu sei).

ENIAC, the First General-Purpose Digital Computer, Turns 80: O primeiro do que se viria a tornar a revolução da computação generalista.

What America Could Learn From Asia’s Robot Revolution: A forma asiática de encarar a robótica é tocantemente humanizante, herança das religiões animistas e do budismo.

Google reveals its solution for true Android sideloading: a mandatory waiting period: Diria que esta é das mais hipócritas medidas da Google para o ecossistema Android. Oficialmente não limita o acesso livre a apps, apenas coloca tantas barreiras que na prática, impedem o seu uso.

RIP Metaverse, an $80 Billion Dumpster Fire Nobody Wanted: Sem grande surpresa, digo eu. Recordo os tempos de auge do metaverso via Zuckerberg, quando tantos da minha área andavam fascinados com a realidade virtual, criando aulas virtuais, experiências pedagógicas e fazendo teses sobre isso. Crentes na capacidade inabalável desta tecnologia, referiam sempre que agora ia ser diferente, que os novos dispositivos e plataformas trariam a integração da realidade virtual como tecnologia de consumo. A minha visão era a oposta, sustentada no trabalho que fiz há algumas décadas em âmbito de mestrado, onde coloquei os meus alunos a criar experiências de realidade virtual não imersiva usando uma tecnologia de web3D hoje ultrapassada. Nesse âmbito, li, analisei e experimentei, e percebi que a realidade virtual é fantástica como tecnologia de nicho, mas nunca se conseguiu massificar, tendo tido várias falsas partidas ao longo da sua história. A questão é que o que torna a RV fascinante, a imersão em mundos virtuais, é precisamente o seu ponto mais fraco, porque obriga ao isolamento do mundo em redor. Nesta perspectiva, ideias como as da Meta de incorporar fluxos de trabalho com folhas de cálculo em realidade virtual eram completas parvoíces. Francamente, quem é que quer meter na cabeça um capacete para mexer no excel?

Whatever Happens to Music Will Happen to AI (2026): Uma forma decididamente diferente de ver a IA e os seus impactos, vista sob a perspectiva da história da música, em particular da música mecânica e da sua reproducibilidade.

Gone (Almost) Phishin’: A sofisticação dos ataques de phishing, capazes de enganar até os mais conhecedores.

Disney's Sora Disaster Shows AI Will Not Revolutionize Hollywood: Um desastre que vai sair caro à Disney. Se bem que a IA generativa vai ter um papel no cinema de efeitos especiais, não será é o do sonho húmido dos executivos de AI slop gerado automaticamente sem custos para enfiar nas gargantas dos espectadores.

A Legal Decision That Could Change Social Media: Finalmente, e esperemos que se começe a desmantelar este consenso de que não podemos regular os algoritmos.

The Coming Drone-War Inflection in Ukraine: A inovação acelerada em robótica militar autónoma que os campos de batalha ucranianos nos estão a trazer.

A classic John Berkey Star Wars poster from 1977: Ataque ao Império.

La Junta de Andalucía quiere que los profesores jubilados vuelvan a la escuela: el problema es que deben hacerlo gratis: Lá, como cá, a classe docente envelhece e os governos propõem medidas para mitigar o problema. No caso desta solução, se é questionável o não pagarem, há que notar que o objetivo não é ter professores reformados a dar aulas, mas sim a dar apoio aos docentes no ativo. Se bem que, da minha experiência, muitas vezes este papel de apoio e aconselhamento tem uma fronteira muito ténue com o realmente excercer a profissão.

The New Infidelity: Um dos problemas do entranhamento da algoritmia na nossa cultura e sociedade é a forma como atribuímos importância excessiva a métricas que não a têm. Esta questão das micro-infidelidades mostra bem isso. A ideia que alguém, apenas por ter alguns flirts inócuos no local de trabalho (quem nunca?) ou seguir pessoas atraentes em redes sociais está a ser infiel ao seu parceiro/a é apenas pateta. Mas nesta era em que o mínimo nicho é empolado em busca de modelos de negócio para enriquecimento fácil, claro que se tornou uma mina para artigos vácuos e discussões de influencers. Isto acicata uma visão absoluta e binária das relações humanas, algo cuja complexidade não se reduz a categorizações taxativas.

Uno de los mayores errores que estamos cometiendo como sociedad es asumir que vivir cansados es algo normal: Excesso de trabalho, pressão para se estar constantemente contactável, e o problema é que nos habituámos a isso de tal forma que nem percebemos o quando danoso é para a nossa saúde, até o inevitável descalabro.

Could AI Help Decipher The Indus Valley Civilization’s Writing?: Provavelmente não, dado que não há quaisquer indícios sobre que línguas realmente eram faladas na antiga Harappa, não há um ponto de partida mínimo para decifração. Agora, dá pena saber que todo aquele conhecimento e saber de uma antiga civilização está inacessível. Sabemos que existiram, conhecemos os seus artefactos, mas não conhecemos os seus nomes nem o que pensavam.

‘Project Hail Mary’ explores unique forms of life in space – 5 essential reads on searching for aliens that look nothing like life on Earth: O problema da vida alienígena, a forma como estamos condicionados pela nossa própria perceção da vida na Terra, e formas de pensar vida extraterrestre que ultrapasse esses preconceitos.

Si usas la frase "desde tiempos inmemoriales" te conviene saber esto: estás hablando de un día concreto de la Edad Media: Linguagem legalista, ou como o "imemorial" tem um limite temporal bem definido.

Contextual Collapse: Um olhar para a infraestrutura subterrânea que suporta as reservas de petróleo.

Mercadona quiso averiguar en Portugal si su fórmula de negocio funciona fuera de España. Ya tiene la respuesta: A resposta é sim, funciona, é por isso que passei a evitar esta cadeia que uniformizou os seus fluxos de bens em marca branca provenientes de um grupo restrito de produtores. Eu sei que nestes dias liberais uma visão mais nacional da economia é mal vista, mas prefiro que a comida que como venha de uma quinta e não de uma finca. É que se comprarmos só às fincas, deixa de haver quintas.

The U.S. and Iran Are Fighting a Massively Asymmetrical War: Ou, como o poder militar arrasador raramente leva a melhor sobre a inteligência.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril


Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso (1975). O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril. Lisboa: Moraes.

Um livro escrito num tempo com a memória viva do 25 de Abril, por jornalistas que acompanharam algumas das movimentações. A melhor leitura que poderia fazer no ano em que se comemoram 52 anos sobre o momento de charneira que nos permitiu evoluir como país. 

O livro não se foca apenas nos acontecimentos da revolução, analisando com atenção quer a génese do que se viria a tornar o movimento dos capitães, quer outras movimentações pró-democráticas na sociedade portuguesa amordaçada pelo estado novo. Se a questão da guerra colonial foi o catalisador que juntou os futuros revolucionários, depressa evoluiu para a necessidade de uma profunda mudança de regime. O resto, é história, e é bom recordá-la neste tempo contemporâneo, onde há tantos a querer branquear o passado totalitário e a querer que percamos a memória de uma revolução fundamental para a nossa modernidade.