Believe it or not, this isn’t even all of the hospital space station art out there!: Saúde espacial.
The Art and Beauty of Blade Runner: Recordar o impacto visual de um clássico do cinema de FC, através da wayback machine.
The Man Who Saw Humanity From Two Billion Years Away: A próxima edição da coleção de ficção científica clássica da MIT Press é de peso, e este excerto da introdução é uma excelente análise à obra de Olaf Stapledon.
New From Cyriak: Sea Life: Nos dias do AI vídeo slop, é refrescante rever o trabalho de um animador digital que sempre se distinguiu pelo profundo surrealismo das suas criações.
LATE: 2000 AD And Judge Dredd Delayed After Printer Goes Bust: Não destaco a notícia por si, é por um detalhe: a lendária revista britânica vai em breve chegar ao seu número 2500. É obra!
Why “Star Trek” Still Resonates 60 Years Later: Uma série de ficção científica popular que se atreveu a quebrar o modelo da aventura simplista, e se atreveu a abordar a complexidade moral e o progressismo.
Hong Kong’s Independent Bookstores Face Severe Pressure From Chinese Authorities: É bom recordar que, pese embora o seu fulgor, a China é um estado totalitário. Onde algo que, para nós, é tão natural que nem pensamos nisso, como ler o que apetece pode ter sérias consequências.
On the calculation of Volume – Vol.1 – Balle: Um livro que está a deixar muitos leitores intrigados, dada a frequência com que o vejo sugerido.
There Is a Rodney Dangerfield Board Game: Não há respeito. É que não há respeito! (Se conhecem este comediante clássico algo obscuro, percebem a piada do não há respeito).
We Are Living in the Fantasy World of 13-Year-Old Boys: Não, o problema não é a Ficção Científica - e o artigo aborda bem isso. O problema está na sua apropriação no sentido literal por estes sociopatas, incapazes de compreender a lógica dos cenários da FC clássica. Pessoas que apenas se inspiram nos adereços, ou ignoram totalmente as reflexões sociais que a FC clássica fazia.
Here are the winners of the 2026 Hugo awards: Ultimamente consigo acertar sempre ao lado destes prémios. Eu apostaria em Adrian Tchaikovsky ou Annallee Newitz, mas enfim, se os meus dotes oraculares fossem de confiança, faria apostas em casinos.
Gondolas in retro sci-fi art: It’s a subgenre of 70s sci-fi art: Um pouco de venezianismo espacial.
Meta acepta pagar 18.000 millones de dólares para evitar ser juzgada por el impacto de sus redes sociales en adolescentes: Parece algo positivo, mas todos sabemos como é que isto se vai processar. As indemnizações são uma gota de água no oceano de lucros, isto, caso as paguem, que aqui a estratégia é sempre protelar. Já as salvaguardas para melhor proteção das crianças e jovens, suspeito que não passarão de promessas. A Meta não estaria onde estaria se o seu modelo de negócio não se baseasse na estimulação do vício e uso intensivo de mecanismos de adição.
Pluralistic: The age of disinvention (25 Aug 2026): Cory Doctorow, como sempre excelente, a explicar o que pode correr mal quando deixamos que empresas adquirem monopólios sobre tecnologias - essencialmente, um mundo sem inovação, uma economia de rentismo digital que reduz as opções dos utilizadores.
Logging In Was Never Supposed to Be This Complicated: Ah, não sou só eu que fico com a suspeita que todos aqueles sistemas digitais e apps que supostamente nos iam simplificar a vida, na verdade complicam. A saga de palavras-passe passou de preocupação de segurança a empate profundo no dia a dia. E isto recorda-me um dos empates favoritos do dia a dia - ver, na fila do supermercado, pessoas a demorar eternidades a pagar as suas contas porque encostaram o telemóvel, a app não funcionou, tiveram de ligar, logar, voltar a encostar, mas deu erro, e ao fim de várias tentativas lá conseguem pagar com a solução supostamente rápida e conveniente dos pagamentos via telemóvel. Eu, mais tradicionalista, simplesmente encosto o cartão multibanco.
Are we heading for an AI Hiroshima?: Se calhar, precisamos mesmo de uma catástrofe causada por má aplicação da IA, para perceber que temos mesmo de olhar atentamente para esta tecnologia, pelos seus impactos ambientais, sociais e culturais.
EEUU está experimentando ya con el futuro que nos espera a todos: precios personalizados en los billetes de avión: E aqui está um belíssimo exemplo de como a IA nos pode ajudar a piorar a nossa vida - ser usada para acelerar a análise de perfis de utilizador, e com isso auxiliar as companhias a implementar preços dinâmicos, que nos garantem sempre ser do nosso interesse pelas condições vantajosas que prometem oferecer. Claro, a experiência com sistemas de preços dinâmicos mostra sempre o contrário - quando maior a necessidade do bem ou serviço, mais a empresa nos cobra, aqui com a agilização que a IA consegue.
How to encourage smarter AI use in the classroom: Há aqui dicas interessantes. Proibir não resolve, soltar sem balizas, muito menos. Também não há receitas, a integração faz-se à medida de cada professor e dos projetos que implementa com os seus alunos. Pode nem sequer fazer sentido usar IA, e há que assumir isso.
Kids outlearn AI—and we still don’t know why: É a questão da eficiência. Enquanto a IA requer um investimento enorme de dados e processamento para aprender qualquer coisa, o nosso cérebro faz isso com uma enorme eficácia de forma natural. Por muito que gostemos de especular o contrário, os nossos sistemas de predição probabilística não se aproximam do que é a verdadeira capacidade de aprender e raciocinar.
Businesses Go Viral for Making Signs Without AI: Pessoalmente, duvido da honradez destas declarações. Se o mood global fosse pró-IA, estes mesmos anunciantes que afirmam que fazem publicidade 100% humana certamente fariam o oposto, capitalismo oblige. Mas não estou a menorizar esta reação. É legítima, e espelha o nosso desencanto com uma tecnologia fantástica, mas que nos está a ser imposta a torto e a direito por empresas cujos donos, para além de terem escrúpulos nulos, são famosos pelo seu desligamento da realidade. Ou acham mesmo que ejaculações públicas dos seus sonhos húmidos de desempregarem trabalhadores são a maneira mais eficaz de nos convencer dos benefícios da tecnologia que nos impingem? Já para nem falar da visão sociopata de uma economia que serve para aumentar as suas riquezas e deixa de lado cada vez maiores fatias da população.
With the backlash to data centers, Flock and AI glasses, a mass opposition to big tech is underway. Silicon Valley is in denial: Recordam-se dos tempos em que Silicon Valley era visto como algo positivo, um ideário de progresso tecnológico que, embora capitalista, iria melhorar a vida das pessoas e a sociedade? Entretanto vieram as redes sociais com os seus algoritmos de otimização, a merdificação de serviços em que se paga mais por cada vez menos, a economia da vigilância digital, o abuso dos dados pessoais, e agora uma IA que suga os dados coletivos da história humana para nos dar em troca o abuso dos recursos naturais e promessas de arrasar com o nosso modo de vida. Qualquer visão otimista derroca face a esta barragem de malefícios.
Raised on AI: Ou, perceber que os serviços que nos prometiam novas formas de expressão e conexão se tornaram cancros sociais.
A Turning Point in AI Writing: Para não variar, os apologistas da IA em toda a linha partem de um erro conceptual básico - confundir criação com conteúdo. Nesta perspectiva, qualquer texto (ou imagem, ou vídeo) pode ser automatizável, porque o seu fim último não é o deixar uma marca cultural, ajudar a refletir ou explorar pontos de vista, mas sim encher espaço nos media digitais. No fundo, para esta gente, artigos, vídeos, são essencialmente lorem ipsum inteligível de enchimento e geração de cliques, uma mecânica automatizável. O que eles se esquecem é que talvez haja algo mais importante do que o enchimento de conteúdo - a lógica de um artigo, a contribuição que dá para o continuum cultural. Francamente, se leio um artigo é porque me interessa perceber um dado ponto de vista, e tenho zero interesse em ler a aproximação probabilística das visões do autor geradas por um llm, por bom e bem treinado que seja. Não é esse o objetivo final da imprensa, da comunicação social (bem, sou tão ingénuo, não sou?).
Russia Now Using Fully AI-Controlled Drones to Kill Ukrainian Civilians, Powered by Nvidia Chips: Este não é o futuro que queríamos, mas é o que temos. Confesso que não esperava ver as placas Jetson (uma excelente plataforma de desenvolvimento para IA e não só) a ser usadas para isto. E, já agora, a Nvidia continua a valorizar-se em bolsa.
La IA prometía reducir la jornada laboral de los empleados. Por el momento ya ha conseguido tres horas libres a la semana: Dica de quem já observa (e lida com ele no contexto educativo) o mundo da tecnologia há uns anos - não acreditam na promessa de que uma dada tecnologia vai reduzir as nossas horas de trabalho. A história mostra o oposto, porque quando as ferramentas que usamos tornam a nossa produtividade mais eficiente, as organizações encontram sempre forma de sobrecarregar os trabalhadores com mais trabalho.
Grok Not Only Generates Child Porn but Was Also Trained On It, New Lawsuit Claims: Há um pormenor importante nas ferramentas de IA - geram resultados a partir dos seus modelos de treino. Ou seja, se o grok é exímio a gerar imagens de pornografia infantil, as probabilidades de ter sido treinado com este tipo de imagens são elevadas.
As redes são nossas: Há que admirar o espírito otimista. Também partilho dele, apesar da experiência de vida digital nos ter contrariado tantas vezes as esperanças. A verdade é que todas as tecnologias prometedoras são apropriadas pelos interesses financeiros, e a promessa de futuro melhor é constantemente subvertida por empresas que visam pouco mais do que extrair o máximo possível de lucros.
Cambié mi móvil de 1.500 euros por uno de 40 euros que ni siquiera tiene WhatsApp. Mereció la pena: Por dentro de uma típica análise a um telemóvel básico, uma visão interessante - a necessidade de não se estar constantemente disponível, pronto a responder a mensagens e notificações. É algo que também sinto, o cansaço generalizado com a constante distração trazida pelas economias de atenção. Não faria algo tão radical como deixar de parte o meu smartphone, mas já há muito que implementei medidas como restringir notificações, e uma muito simples: quando estou na rua, em passeio, no trânsito, numa atividade, só ligar os dados móveis quando estritamente necessário. Não é desligar ou alienar, é controlar quando e como se gere as solicitações da nossa atenção.
Doctors Just Used AI to Perform Brain Surgery: Uma experiência muito interessante, em que a IA auxiliou cirurgiões numa operação muito complicada.
As That Whole ‘Tilly Norwood’ Thing Peters Out, AI Acting Achieves Unsettling Ubiquity on Chinese Phone Screens: A minha reação a isto é, habituem-se. Isto vai alastrar. Todos os produtores de conteúdo banal em modo caça-níqueis já perceberam que se safam a usar IA generativa. Sai-lhes mais barato, e os seus públicos-alvo são o nível mais baixo da cultura pop. E, no fundo, temos um precedente para isto. Recordam-se quando os canais de televisão diminuíram o investimento em ficção e informação para apostar nos reality shows? Seguiram exatamente o mesmo raciocínio - sai mais barato pegar num grupo de zés-ninguém com ilusões de celebridade, metê-los numa casa e filmar as suas interações, do que produzir séries, cinema, documentátios ou jornalismo de qualidade. Preocupamo-nos, legitimamente, com o AI slop, mas esquecemos que já há muito que os media e a cultura popular nos mergulharam em slop.
A Society of Cheats: Sim, é mais um artigo catastrofista sobre IA e educação. O problema, é que esta tendência que o artigo identifica e muito bem, é que isto não é causado pela IA. Pelo contrário, a IA está a por a nu algo que sempre existiu: " once they receive their dubious diplomas, they will enter the “real world” with all the qualities of a criminal syndicate: a knack for cutting corners, a disdain for community rules, and an assumption that a spirit of integrity, and the sacrifices it assumes, is the reserve of suckers and wimps".
Here’s how we’re all going to die: Vibe coding de vírus. Não digitais, mas biológicos. Este cenário é excelente para tirar o sono.
Agency and Agents: Um olhar para as crescentes capacidades dos agentes, que levanta questões sobre a sua segurança e utilidade.
AI Efficiency Could Cost Us the Next Generation of Experts: Duas notas importantes. Primeiro, recordar que um especialista é alguém que cometeu erros no passado e aprendeu com eles. Se a automação corta esse espaço de aprender no terreno, perde-se esse desenvolvimento. O artigo foca-se mais noutro aspeto, o da complacência induzida pelo monitorizar de sistemas automáticos, que quando falham, os humanos já perderam as competências que lhes permitiriam resolver os problemas e falhas. Ou seja, a introdução de ineficiência é uma forma de manter quer a segurança do sistema a longo prazo, quer as capacidades das pessoas que usam o sistema.
“Zlibrary my beloved”: Anthropic staff chats extolling piracy cited in Sony suit: É aquela ironia. Se for um de nós a sacar, é criminoso e danoso para a estrutura social. Como é uma empresa, é empreendedorismo e deve ser encorajado.
Morocco: Passados chocantes.
Why Did John Ratcliffe Go to Moscow?: Não se sabe, e fico com a suspeita que caso se venha a saber o que é o diretor da CIA foi conversar com o seu homólogo russo, é porque tudo correu pelo pior.
Fifty Years of the MB-339, the Iconic Italian Jet Trainer: E quem já viu atuações dos Frecce Tricolori, sempre extraordinárias, viu o que esta aeronave é capaz.
¿Y si Nepal es solo el principio? 1.900 millones de personas viven bajo el permafrost del Himalaya derritiéndose: Quando vi as impressionantes imagens do deslize de terras que avassalou o vale nepalês, confesso que senti uma intuição - há uma relação entre esta catástrofe e o aquecimento global. Claro, ter intuições é uma coisa, dados que sustentem a ideia outra, e este artigo mostrou-me algo que não sabia. O problema não está nas terras e glaciares dos Himalaias, mas sim nas camadas de permafrost que os sustentam. Não se sabe qual o estado deste gelo subterrâneo na zona, mas há um indicador interessante. Os chineses construíram uma linha de alta velocidade até Lhasa, sustentada pelo permafrost do planalto tibetano. Aí, têm sensores que medem a temperatura, e os dados são apoquentadores, a sua temperatura está cada vez mais elevada. Vai haver mais catástrofes destas.
No es país para niños: en Barcelona, los chavales que juegan al fútbol en calles peatonalizadas están causando polémica: Fecham-se as ruas ao transito de veículos para tornar as localidades mais humanizadas, e o que acontece é... as pessoas queixam-se que os miúdos vêm para a rua brincar. É óbvio que sei até que ponto brincadeiras de miúdos podem correr mal (ser professor é o meu trabalho, recordem-se), mas este tipo de atitude é sintomático de algo mais complexo, de ideias de habitabilidade de espaços urbanos que só pensam nas visões bucólicas das classes média-alta, com os seus jardins, esplanadas e lojinhas onde se deslocam a pé, e se esquecem da real diversidade das populações.
This El Niño Will Be Unlike Any in the Past Eight Decades: Se o El Niño já é um ciclo natural com consequências complicadas, os efeitos das alterações climáticas estão a torna-lo mais intenso.
Cerca de Ceuta hay un islote de 660 metros habitado por 11 militares y un inusual molusco. Y casi nos lleva a una guerra con Marruecos: Um olhar para algo que poderia ser uma curiosidade, resquício dos tempos coloniais, mas que apesar do seu diminuto tamanho é um ponto essencial para controle do estreito de Gibraltar.
How Our Gamification Culture Kills The Spirit Of Play: Certeiro, e a obrigar a pensar para todos os professores que adoram este tipo de estratégias. Acima de tudo, o jogo é lúdico, é aí que está o seu poder. Espartilhá-lo como forma de atingir objetivos é mais um reflexo de como o utilitarismo nos desumaniza, onde ações que não tenham valor económico não valem a pena.
Ceuta era de Portugal. El problema es que nadie la reclamó y Felipe II se la metió en el bolsillo: Recordo, naqueles dias em que o enclave parecia estar a ser avassalado por uma óbvia manobra de desestabilização marroquina, a profunda ironia que como um momento chave da história portuguesa ainda hoje dá problemas. A ironia era especialmente sublinhada por estar em Itália nesses dias, cujo governo - e imprensa, de extrema direita empolaram o acontecimento como se fosse uma avalanche que ia arrasar a UE. Não estou a exagerar, era esse o tom da cobertura televisiva e em jornais, quase sem vozes que se atrevessem a contrariar. E quando se atreviam, eram logo silenciadas por imenso ruído (a sério, o nível de civilidade de um debate televisivo italiano faz aqueles em que por cá participam os broncos cheganos parecer momentos de razoável conversa civilizada, é assim tão mau).