Science Fiction Monthly #8 (1974) - Interior Artwork by Mike Trim: Naves espaciais à antiga.
Dark Horse, The Latest Comics Publisher To Do Marvel's Job For Them: Diga-se, contrariando o tom do artigo, que até faz muito sentido que seja uma editora da concorrência a reeditar o material mais clássico e de nicho da Marvel. Recordem-se que a Marvel foi adquirida pela Disney, ou seja, deixou de ser uma real editora para se tornar uma plantação de conteúdos. Serve para alimentar o dilúvio de clones e sequelas dos mesmos filmes que sempre, que se tornou a especialidade cultural da Disney.
Lançamento: Ficção científica capitalista, Michel Nieva: Diria que na sua génese, a FC é um dos géneros literários mais capitalistas, com a sua base de literatura de entretenimento de massas. Algo que se perdeu com a evolução dos tempos, dos gostos e dos media - hoje, na era da distração via streams de vídeos curtos, esquecemo-nos que ler contos em revistas era o entretenimento considerado de baixa qualidade doutros tempos. O livro, obviamente, não será sobre esta relação, mas sim sobre a relação entre o ideário e iconografias capitalistas no imaginário da FC.
Hollywood’s World Map of California: Ou, o mundo num só estado americano, com o registo das zonas usadas nas filmagens para simular outras partidas do mundo.
Short Story Review: Richard Wilson’s “Strike” (1953): Ficção científica pró-laboral e sindicalista, vinda dos pulps americanos, é algo deveras inesperado.
I Survived A Year Inside Stephen King’s Archives: Mergulhar nos arquivos daquele que é sem sombra de dúvida um dos colossos da literatura de terror, para perceber como é que é capaz de ser tão excelente na forma como nos choca.
What It’s Like to Live With an Experimental Brain Implant: Os saltos da tecnologia de interfaces cérebro-máquina, que abrem novas fronteiras para a qualidade de vida de pessoas com doenças ou traumas incapacitantes.
Power imbalance: Apesar de não ter ficado tão impressionado com o primeiro livro desta nova série dos autores de The Expanse, tenho esta leitura já na calha. Talvez a tenha desvalorizado, procurando uma variante da série de sucesso, enquanto os autores estão a apostar numa vertente ficcional mais ambiciosa e filosófica.
All The Science Fiction And Fantasy Novels Reimagining China’s Past May Be Doing Weird Political Things Today: Controlar as narrativas sobre o passado, como forma de controlar as visões do presente e futuro.
Wait, The Simpsons Is Cutting Back on the Opening Couch Gags?!?: Bem, mas a pergunta que se impõem, é como é que os Simpsons ainda existem. Já perderam todo o gume cultural, são pouco mais do que uma carcaça vazia tipo zombie. Ok, percebi. É isso que anima os gestores dos conglomerados de entretenimento, o repetir à exaustão o vazio cultural.
Cover art for Neil Postman’s Amusing Ourselves to Death!: Um clássico actual.
Google Makes Image Generation a Little Creepier With Personal Intelligence: A sério, sinceramente, digam-me lá que é que se anima perante a possibilidade de gerar fotos falsas a partir de imagens reais? "Um problema que ninguém sabia que tinha", refere certeiro o artigo.
Mientras Europa debate sobre el coche eléctrico, China está ya en el año 3100: acaba de probar su "camión volador": Um drone de transporte de cargas capaz de levar o mesmo que um avião médio, sem necessitar de piloto.
Companies Just Learned a Brutal Lesson About Training AI to Do Human Jobs: Ou, os humanos não são idiotas, e sabem que não há razão em colaborar com processos de automatização que são expressamente concebidos para destruir empregos.
EU Is Rolling Out an Online Age Verification App That Could Become the Global Blueprint: Confesso que me é impossível ver isto com bons olhos. Apesar de confiar na UE e suas instituições, não consigo perceber como é que uma sociedade democrática impõe medidas que são um tremendo rombo na privacidade individual. Ainda por cima, de forma inútil. Implementar este tipo de controle de acesso a redes sociais não vai resolver os problemas que elas causam. Gritamos em coro que há que proteger as criancinhas (e eu, como professor que realmente lida com crianças, compreendo a necessidade de as defender) mas não se ataca a capacidade que as redes sociais têm de disseminar discursos de ódio, misoginia, violência e desinformação. Aquilo que, aliás, é a base do seu lucrativo modelo de negócio, enriquecendo bilionários enquanto empobrecem a sociedade. Afastar as crianças deste charco fétido é boa ideia, mas não tira o cheiro a esgoto que paira no ar. E não acham um pouco ridículo todo este movimento de até uma certa idade, preservar ao máximo a inocência ingénua das crianças, mas deixar que se atirem de chapa para chafurdar no lamaçal assim que sejam mais velhas?
No one’s sure if synthetic mirror life will kill us all: Fiquemos só pelo conceito - vida sintética que nos espelha. A ciência, a ultrapassar a ficção.
Ukraine’s military robot surge aims to offset drone risks to humans: A guerra do futuro trava-se nos campos de morte ucranianos, e as linhas estão traçadas - robótica e automatização em trincheiras saturadas de tecnologia mortífera.
The Problem That Built an Industry: Para quem acha o tema da infraestrutura fascinante, eis um docinho - um olhar para a história do desenvolvimento dos sistemas de reserva de voo, um exemplo de automação altamente benéfica (mesmo que as linhas aéreas se andem a esforçar ao máximo por tratar os passageiros como gado a ser ordenhado), e que antecede, historicamente, a revolução da democratização da computação. Para os que usam a TAP, neste artigo percebem porque é que no email dos bilhetes está sempre referido Amadeus - é o nome do sistema usado pelas associações de linhas aéreas europeias e asiáticas.
Bee Write Back, a portable jornal: Confesso que tenho um certo fascínio por este tipo de gadgets DIY.
On Creativity in Digital Art: Como definir a criatividade digital, especialmente na era da IA generativa? Por um lado, o output digital parece-nos criativo na sua diversidade, desde os grafismos generativos às imagens geradas - podemos não gostar, ou perceber que é slop e de baixa qualidade, mas é um indicador de criatividade. O que lhes falta, é a capacidade de ir mais longe. Replicam e remisturam de forma exímia o que já existe, as estéticas que já foram exploradas, experimentadas e intuídas pelos criadores humanos. Mas não conseguem ir além dessa fronteira: “The program does not develop new game-states: it plays the legal moves in the current game. It says ‘Let me tell you about my world’, but rich though that world may be, the telling does not result in any further enrichment. We thus have no reason to say that the machine has any interest in the one feature I have chosen to regard as fundamental to human art-making — the continuous development of the internal representation of the world.”.
How robots learn: A brief, contemporary history: Um olhar para os projetos que investigam formas de dotar os robots de capacidades de aprendizagem, para uma interação com o mundo natural que seja baseada na experiência e não na análise de conjuntos de regras limitativas pré-estabelecidas.
There Are Signs of a Massive AI Backlash: A sério que não estavam à espera disto? Pegam numa tecnologia impressionante e usam-na para amplificar os piores vícios do capitalismo, afirmando aos quatro ventos que com a IA as empresas vão poder livrar-se de trabalhadores, incentivando a degeneração cultural do AI slop, ou a displicência da educação em que os trabalhos de aprendizagem são delegados para a IA. Esperavam que as pessoas aceitassem, asininas, este estado das coisas que nos estão a impor?
Pluralistic: A Pascal's Wager for AI Doomers (16 Apr 2026): Cory Doctorow é brilhante, mas nos últimos tempos está a sê-lo com uma força enorme. Este é um grande desmontar do mito infundado dos medos do emergir da AGI, algo que não está nem perto nem será exequível. E recorda-nos que não vale a pena termos medo da hipótese de futuras entidades artificiais que nos venham dar cabo da vida. É que já vivemos num mundo onde existem entidades artificiais responsáveis por imensos problemas sociais, económicos, laborais, éticos e ambientais (lista não exaustiva), que nos estão a tramar a vida: "the artificial lifeforms that worry me aren't hypothetical – they're here today, amongst us, endangering the very survival of our species. These artificial lifeforms are called "limited liability corporations" and they are a concrete, imminent risk to the human race".
The End Of The Internet As We Know It: O tremendo desafio trazido pelo uso de IA como forma de encontrar vulnerabilidades nos softwares que usamos no dia a dia.
The Tyranny of AI Everywhere: A leitura é bem humorada, mas resume de forma excecional toda a frustração com este patético deslumbre com a automatização e a IA, tantas vezes incorporada sem critério, necessidade, ou sequer o mais elementar bom senso.
Google’s latest AI update lets robots understand, plan, and act in real environments: Novos modelos de IA para robótica aplicada.
Why having “humans in the loop” in an AI war is an illusion: Os algoritmos irão sempre reagir a velocidades superiores às humanas, e os operadores depressa cedem à sugestão algorítmica (é um efeito psicológico bem conhecido). No entanto, a solução proposta nesta reflexão é muito pior, o desenvolvimento de sistemas de decisão interna que tornem os robots militares ainda mais autónomos nas decisões de ataque.
Despidas pela IA: a internet como espaço de perpetuação machista: As implicações pessoais, legais e sociais da vitimização da mulher através do uso de IA para gerar imagens falas de cariz sexual. É trivial fazê-lo, hoje, o impacto psicológico é tremendo, a impunidade de quem faz isto ou desenvolve aplicações que o fazem é total, e estamos a chegar ao cúmulo das vítimas deste tipo de crime terem de provar que as imagens falsas são, de facto, falsas.
ICE’s Smart Glasses Are a Worst-Case Scenario: Facínoras trauliteiros com acesso a tecnologias que fazem letra morta da privacidade. O que é que poderá correr mal?
AI company deletes the 3 million OKCupid photos it used for facial recognition training: É sempre interessante ver estas empresas tão contritas e cumpridoras, depois de serem apanhadas. O mal está feito, os dados foram utilizados de forma abusiva.
World models: Modelos com conhecimento do mundo, um dos próximos passos do desenvolvimento da IA.
Meta will record employees’ keystrokes and use it to train its AI models: Sou só eu a achar isto incrivelmente invasivo e abusador, no que respeita à privacidade individual? Claro que nestas coisas, o argumento neoliberal é que o trabalhador não tem direito à privacidade do que faz no contexto laboral face ao patrão.
LLMs+: Uma proposta intrigante, fazer evoluir os LLMs clássicos com os métodos generativos que se usam para imagem e vídeo.
Victim of his imagination. Roger Dean: Medos.
EEUU intentó arrasar la maquinaria de guerra iraní a base de bombardeos. Un mes después, Irán ya la está restaurando: Pequenos detalhes que mostram o quão inútil está a ser a guerra no Irão, e como a maior superpotência global pode ser travada com uma surpreendente facilidade. E é bem feito, apesar de achar que nesta guerra lançada por genocidas israelitas apoiados com o poder devastador dos facho-patetas americanos contra uma teocracia obscurantista, não há lado certo da trincheira.
New undersea cable cutter risks Internet’s backbone: Tesouras como armas de elevado impacto. Bem, é algo um pouco mais complicado que isso, mas percebem a metáfora.
Durante décadas nos hemos contado que el marisco no siente dolor al ser hervido. Nos equivocábamos gravemente: Confesso que nunca consegui cozinhar marisco vivo. Sempre me pareceu errado. Por incrível que pareça, os meus parcos dotes culinários incluem a capacidade de fazer uma saborosa sapateira (truque, que aprendi com a minha mãe: uso camarão e pickles para complementar o recheio, nada daquelas coisas desenxabidas apenas com as entranhas do bicho, pão ralado e ovo na maionese). Quando vou à Ericeira comprá-las vivas, deixo-as horas no congelador. E ultimamente até prefiro comprar já congeladas. A ideia de colocar um ser vivo dentro de um tacho de água a ferver sempre me arrepelou. A menos que nos tornemos totalmente vegetarianos, não podemos escapar à maldição natural de ter de matar o que comemos. Pelo menos, que o façamos de forma humana, sem torturas ou dor desnecessária.
History Is Running Backwards: Compreendo bem este sentimento. Como adolescente dos anos 90, sempre vi o século XXI como um inevitável desabrochar do progresso científico e social, uma era de desenvolvimento, de paz global, de humanismo e perda de importância das religiões. Estamos em 2026 e acontece o oposto - um peso cada vez maior dos "ismos" mais conservadores e antiquados, a rejeição da ciência mesmo face às mais elementares evidências da sua importância vital, o regresso à geopolítica da violência e competição abandonado a cooperação global. E é melhor nem falar da forma como estamos a correr em direção à catástrofe ambiental. Note-se que ser conservador não é necessariamente mau (não estou, obviamente, a falar dos exageros idiotas dos zelotas metediços que vivem a sua vida cheios de restrições e frustrações, e querem que todos os outros sejam sujeitos ao mesmo ordálio autoimposto). É uma das bases essenciais de uma sociedade saudável, mas quando deixa de funcionar como base e se torna numa finalidade, tudo piora: "tradition is important, but I don’t think of it as something we need to go back to. Rather, I see it as something that each generation pushes forward".
Mercados de previsão e as apostas até ao fim do mundo: Vale tudo no mundo das apostas online, até mesmo tentar fazer um trocos com o pior da miséria humana, as catástrofes ambientais ou os jogos sangrentos geopolíticos.
The Aides Keeping the President in the Dark: Isto parece saído de uma ficção distópica, perceber que o líder de uma superpotência recebe informação muito filtrada e num tom simplista, em parte porque os próprios membros do seu governo não confiam nas capacididades emocionais e cognitivas do seu líder.
The 1960s Art School Experiment That Redefined Creativity: Mais do que a visão da criatividade como um processo que implica resolução de problemas, recorda que criar não se resume a seguir processos formais e estéticas espartilhadas, vai mais fundo. Cruza intuição com capacidade de colocar questões sobre os problemas a resolver.
U.S. Air Force Confirms A-10 Thunderbolt II Service Life Extended to 2030: O canhão com asas ganha uma nova vida.
Some Companies You Probably Love Are Taking Trademarks Too Far: Os exageros dos abusos da legislação sobre propriedade intelectual.
Big Oil Breaks Everything: Essencialmente, isto - " didn’t fully comprehend that there could be a force on this planet so steeped in greed and power that it would sacrifice the earth and its inhabitants for its own narrow interests. But there is, and it’s Big Oil". Negacionismo climático, devastação ambiental, e até a enorme utilidade de guerras para lhes aumentar os lucros.