500 Years of Space Drawings #SpaceSaturday: Ciência e arte.
Do Ringtone ao Viral: Quando a promoção se torna parte da obra: A progressiva influência das dinâmicas digitais na forma como tomamos contacto com a nova música.
Egyptian Mythology Books, recommended by Garry J. Shaw: O fascínio do antigo Egipto.
Treinar a IA para me recomendar leituras: É uma ideia gira, se bem que há sempre o risco de o algoritmo fazer tender para escolhas médias.
Kafka’s Most Entertaining Stories: Não sei se qualificaria Kafka como entretenimento, mas hey, cada um sabe o que lhe dá mais gozo.
An Odd New Literary Genre: Biographies Of Characters From Books: A indústria literária encontra sempre nichos muito inesperados.
The Best Body Horror Books, recommended by Heather Parry: De Ballard a Faber, livros onde a visceralidade corporal é a base do horror.
Leituras da Semana (#125 // 02 Ago 2026): Mais olhares sobre a Odisseia filmica, e a forma controversa como revê um dos mais clássicos textos da cultura ocidental.
An Uncomplicated Man: E pronto, lá li a elegância profundamente corrosiva da demolidora crítica de Emily Wilson à versão Nolan da Odisseia. Revejo-me no texto, percebo as críticas, até porque espelham o confronto entre a minha admitidamente menos profunda leitura da obra. E, no entanto, como o professor André Simões tem discutido muito bem, há aqui uma premissa errada - assumir que a cultura de massas tem de replicar o rigor académico. Não tem, e não pode, porque se o fizer não chega aos grandes públicos. Apesar das trapalhadas que Nolan fez à Odisseia, trouxe ao grande público uma versão simplificada e atualizada. Longe de ser perfeita, é divertida. E leva multidões ao cinema, para vibrar com uma história milenar.
"Jesús es mejor, más listo y más compasivo" que Ulises: 'La Odisea' de Nolan ha puesto de uñas a biblistas de medio mundo: A sanidade desta ideia é maior do que o que possam pensar. Sabemos que os criadores dos mitos cristãos foram buscar relatos de outras tradições e civilizações, e incorporar os dilemas heroicos da tradição grega faz todo o sentido.
Dystopian Sci Fi Books recommended by Adrian Tchaikovsky: Digo-vos que vão ficar surpreendidos com estas recomendações, embora sejam de todo consentâneas com a voz de um escritor marcante da FC contemporânea.
The Heated Debate In Europe Over Air Conditioning: Será que por cá também teremos de generalizar o ar condicionado, como uma das estratégias de mitigação das consequências do aquecimento global? Notem, nesta fase, já não podemos falar em travar ou reverter, apenas em mitigar.
“Menos data centers, mais bibliotecas”. E mais leitores: Na distopia de capitalismo late-stage neoliberal em que somos forçados a viver, só interessa o que dá lucro. O livro tem um papel a desempenhar nesta visão de podre dourado - não como meio de transmissão e discussão de ideias e conhecimentos, mas como objeto decorativo e comportamento performativo para os participantes empenhados nas economias da distração.
Paul Alexander: FC clássica.
AI Is Hyper-Scaling Digital Inequality: Eu sei que a malta adora dizer mal do amália, o LLM(zinho) português, mas a única forma de combater a cada vez mais profunda desigualdade no campo da IA é apostar no desenvolvimento de ferramentas locais e específicas, adaptadas às necessidades e contextos culturais específicos.
Grandparents Are Giving Their Grandkids Personalized AI-Slop Children’s Books, Driving Parents Nuts: Confesso que esta apetência por livros infantis automáticos sempre me deixou siderado. É olhar para a literatura infantil não como literatura, mas como objeto de entretenimento e preenchimento de tempo.
Un conductor chino se compró un espectacular SUV eléctrico para viajar a Europa. Todo era perfecto hasta que llegó a la frontera: Quando a geografia troca as voltas aos sistemas digitais que sustentam a infraestrutura dos veículos elétricos, acontecem bizarrias destas.
Why Kids Can’t Quit Roblox: Não é novidade, mas é sempre bom repetir. Este tipo de plataformas socorre-se de mecanismos aditivos, indo buscar as mesmas técnicas que usam os casinos e jogos de azar para captar a atenção dos jogadores. Que, neste caso, são crianças e por isso especialmente vulneráveis a estas artimanhas.
Google Earth’s AI deepfake tool only lasted one day: Esta é daquelas ideias que só nos podemos perguntar em que raio estavam a pensar. Meter IA generativa dentro de um serviço que precisa de ser rigoroso. O que é que poderia correr mal?
Appears to Be Blasting Amazon Data Centers Off the Map: Se ormuzar o petróleo é à primeira vista uma arma geopolítica de alto impacto, atacar a infraestrutura de dados não fica atrás.
La crisis de la memoria ha disparado el precio de la Raspberry Pi. El cacharreo casero está huyendo a un chip que cuesta diez dólares: O ramapocalypse está a ser terrível para a computação de baixo custo. É absurdo que um Raspi custe quase tanto quanto um pc barato. A vantagem, é que projeto acessíveis como a Esp32 ficam no radar dos criadores e makers.
Most people prefer AI-written stories – and can’t tell when they are made by humans: Bem, leio isto mas não fico preocupado. É que usar o gosto popular como unidade de medida de importância cultural é pateta. Lembrem-se, é o mesmo gosto que sustenta a mediocridade da música pop e pimba, faz alastrar as telenovelas, devora reality shows, oscariza melodramas banais e acha que o hambúrguer especial do McDonalds é comida gourmet. Acham mesmo que qualidade é preocupação para este nivel de consumo cultural?
4 Times Not To Use AI as a Teacher or Student: Gostei particularmente do não usar para gerar planos de aula e projetos. A essência de um professor é saber refletir e coligir os seus conhecimentos com os objetivos de aprendizagem para os transformar em projetos ou planos que consigam ir ao encontro dos alunos. Se delegamos, por conforto ou preguiça, isto na IA, não só estamos a ensinar a metro, como se coloca a questão do professor ser realmente necessário, quando a IA debita mais depressa.
Now, Thanks to Sam Altman, You Never Have to Speak With Your Kids Again: O bizarro é que estes sociopatas nos apresentam estas visões profundamente desumanas como se fossem desejáveis. Depois, ficam admirados pela cada vez pior visão pública que temos sobre esta tecnologia.
The Internet Is in Crisis: A fama é algo perigoso, especialmente se ancorada nas mais baixas pulsões humanas. Depois de se atingir píncaros há a inevitável queda, e há quem persiga todos os extremos para tentar voltar à ribalta. A internet apenas acelerou algo que acontece desde sempre, com o problema adicional de numa economia de atenção que privilegia escandaleira e acintosidade, ir aos extremos implica sempre aprofundar o conceito de bater no fundo.
Revolut bloqueia uso do GrapheneOS: Por "questões técnicas", leia-se "este SO não tem a porta aberta para a economia de vigilância que o Android da Google tem", é um SO feito a pensar nos utilizadores e não nas empresas.
Chernobyl’s Robots, or the Hackathon From Hell: A necessidade como motor de criação, aqui recordando um momento muito dramático da história do final do século XX.
Everyday Technology Is Becoming a Black Box. Is There a Cost?: Um custo que se mede em conhecimento. A impossibilidade de mexer nas tecnologias significa que a esmagadora maioria de quem as utiliza não tem a mínima noção de como funcionam, ou sequer quais os pressupostos por detrás dos algoritmos que lhes controlam a atenção. São meros utilizadores, fascinados pelo que as tecnologias que não compreendem lhes dão. Há formas de combater isso, especialmente na educação, graças ao software e hardware aberto, plataformas e projetos como o Arduino, ou a imensa oferta de eletrônica de baixo custo, que tanto serve para aprender (e no processo treinar os futuros engenheiros) como dar asas à criatividade tecnológica. Mas sejamos honestos. Apesar do movimento maker, dos fablabs e da tecnologia educativa, é uma imensa minoria aqueles que mexem a fundo com estas tecnologias. Somos muitos, mas uma minoria no panorama geral. Quem, como eu, está metido nestas coisas por vezes esquece-se do efeito de bolha informacional (e cultural), pensando que a acessibilidade deste tipo de projetos chega mais longe do que realmente é.
The two scariest pages from The Scholastic FunFact: Terror biológico
China lleva años construyendo barcos, cazas y bases de EEUU en mitad del desierto. Los satélites han revelado para qué eran realmente: A capacidade de preparação. É de notar que se os chineses quisessem realmente que não se soubesse destas suas manobras, teriam sido mais discretos com estes campos de treino. Assim, enviam uma mensagem muito clara.
Shell Is Profiting Massively Off the War in Iran: E não é só a Shell. Neste momento não deve haver nenhuma petrolífera que não esteja a festejar lucros recorde. E se se perguntam para que serve esta guerra, a resposta é óbvia: são os investidores em Trump a recolher os dividendos do seu investimento.
Como coisas: Compreendo esta visão deprimente. Os espaços digitais revelam muito, demasiado, sobre o que realmente vai na alma de muitas das pessoas com que nos cruzamos no dia a dia. Aquilo que nos seus semblantes públicos simpáticos não revelam, jorra em torrentes de ódio online.
Why does everything feel so joyless?: Em grande parte, porque a abundância é feita do banal e do desinteressante, da repetição de receitas, e de conteúdos culturalmente irrelevantes.
UEFA Has Message for FIFA President Gianni Infantino: You Gotta Go: Se estão surpreendidos por encontrar aqui um artigo sobre futebol, reparem que o nível de corrupção a que o jogo chegou é tão visível e óbvio, que até aqueles que dela beneficiam estão a abandonar o jogo.
Putin’s Human Safari Is the Dystopian Future of War: Já estamos a normalizar a visualização dos momentos finais de seres humanos através das câmaras dos drones que os matam. Circulam imensos nas redes, mostrando o medo e a violência dos momentos finais das vidas dos soldados. Se já é agonizante a forma como estes vídeos circulam, é ainda mais desumano ver a falta da mais elementar empatia para com outros seres humanos. Ah, e antes que me esqueça, isto é um crime de guerra. Filmado e partilhado para a posteridade.
Senators demand crackdown on wildfire "prediction market" bets: Fica difícil manter a fé na humanidade, quando se percebe que não só a tragédia dos fogos florestais é tópico para apostas, como há quem faça disso um modelo de negócio.
High Heat, High Drama: Há uma esperança com a vaga catastrófica de fogos que estamos a viver. Não só na Europa, também na América do Norte e Índia. É que as consequências do aquecimento global são demasiado evidentes, e os políticos terão mesmo de abandonar a sua sicofância perante os interesses económicos, perante uma crescente pressão pública.
El fondo de inversiones estadounidense Apollo Global Management compra easyJet: Ou seja, adeus EasyJet? É que este tipo de fundos de investimento é conhecido pelo seu comportamento predatório. O seu modelo de negócio não é sustentar empresas e lucrar a longo prazo, mas sim comprar empresas lucrativas para as desmembrar e vender todos os seus ativos, para lucro rápido.
Zuckerberg’s yacht was closer, but someone else saved a stranded boat: E isto, se estiverem atentos, é a melhor metáfora da bondade dos bilionários que se pode pensar.
Uno de los exnarcos más famosos de Galicia quiere montar una ruta del narcotráfico para turistas. La Xunta le ha dicho 'no tan rápido': Fiquemos só pelo gosto duvidoso de querer privar de perto com um antigo narcotraficante. Bem, a minha vida já me ensinou que as pessoas tendencialmente surpreendem pela negativa, por isso, está tudo alinhado.
The Color Recession May Be Permanent: De facto, estamos a perder a cor no dia a dia. Cada vez mais as escolhas se ficam em variantes do branco, cinzento ou preto. Uma uniformização em que o gosto capitalista por uma paleta comedida acaba por replicar aquela estética maoísta em que todos vestimos o mesmo tipo de roupa.
India pursues FCAS fighter jet program collaboration with France following Germany's exit: A colaboração franco-indiana em termos de aeronáutica já tem várias décadas, mas no caso do FCAS, esperemos, para bem dos franceses, que a indústria indiana seja mais célere do que o que tem mostrado ser no desenvolvimento dos seus próprios programas. A HAL é notoriamente lenta a ir do protótipo ao produto final.
The Human-Origin Story Is Being Radically Revised: O nosso passado mais profundo ainda se mostra cheio de mistérios.
Zuckerberg’s Manifesto About the Glorious Freedoms AI Will Bring Was Completely Contradicted by His Own CTO During a Company Meeting: É cada vez mais discutível se os novos barões da tecnologia vivem na mesma realidade do que nós, dada a irrealidade e desumanismo das suas visões de utopia digital. Já os seus sequazes não hesitam em mostrar o real caminho - se a tecnologia e a IA nos libertam tempo, trabalhando por nós, o que há a fazer é... trabalhar mais. Afinal, os super-iates do patrão não se pagam sozinhos.