WEIRD SCIENCE-FANTASY No. 23, EC Comics (1954), cover art by Wally Wood: Clássicos.
Um sonho em tons de vermelho: Filme a marcar na lista daqueles que quero ver. Cinema abstrato com laivos de FC? Como resistir?
Tolkien tenía muy claro quién hacía de verdadero héroe en 'El Señor de los Anillos', y no era ninguno de los protagonistas: Foi exatamente o que pensei quando li os livros. O verdadeiro herói é o fiel companheiro de Frodo, que literalmente carrega os maiores fardos, mas se esquiva dos louros e da busca pela vã glória.
5233) Para que serve uma fórmula (6.5.2026): Apesar das eternas críticas, há vantagens no uso de fórmulas nos âmbitos da criação artística.
The Trouble With Narrative History: A tentação, e o perigo, de dar sentido aos fluxos históricos.
Lançamento: Rare flavours: Boa notícia para os leitores portugueses, a edição deste brilhante e muito negro livro de Ram V e Filipe Andrade.
Rock and Roll Faces the Inevitable: O envelhecimento. E nisto, há os que não desistem. Mantém-se em palco, com o peso do seu legado. Também há os que não compreendem que envelheceram e se ficam pela nostalgia do passado, pese embora o ridículo que isso por vezes assuma.
Leituras da Semana (#114 // Mai 11 2026): Vejo que não sou o único a rever-me no texto de João Zamith para o Sh/fter. E como o João Campos muito bem observa, "o objectivo disto tudo é promover escritores em particular ou a leitura em geral, entre os jovens?" O meu ponto de vista é mais traumático, sempre senti o forçar a leitura como um convite à sua rejeição.
Hannes Bok: Futuros feéricos.
The Secret to Understanding AI: Longe do hype, do marketing e dos pronunciamentos exagerados dos que procuram lucrar o mais possível com a IA, há quem esteja a tirar partido das valências desta tecnologia para melhorar organizações, e com isso, as vidas do que estão envolvidos.
Addictive design on online platforms: Um passo que tem de ser dado, regular e agir para cercear os abusos das redes sociais, concebidas intencionalmente para maximizar a adição dos seus utilizadores.
Ordinary People Fear AI, While the Tech Leaders Working to Create a Permanent Underclass Say They’re Extremely Psyched About It: O título diz tudo sobre a forma tóxica como a IA nos está a ser impingida.
AI On Every Machine: The LLM You Probably Didn’t Want: Ou, como não implementar o uso da IA. Pessoalmente, não me chateia descarregar gigabytes de modelos para o meu computador. Mas têm de ser os que eu quero usar, e a descarga é uma escolha minha, não uma imposição oculta. Como ex-utilizador do Chrome, é problema que já não me afeta, observe-se. Mas o problema é mesmo esse - a arrogante displicência com que a Google destrata os milhões de utilizadores do seu navegador.
El 'vibe coding' prometía democratizar el software. Su primer regalo son 5.000 apps con datos sensibles en abierto: Sem grande surpresa. Confesso que sou enorme fã de vibe coding, embora prefire chamar-lhe "programar na descontra". Adoro o permitir-me criar coisas muito além das minhas capacidades técnicas, dando voz à minha criatividade, mas não tenho ilusões: sei que tenho capacidades técnicas limitadas, e que as soluções que consigo criar com ajuda dos chatbots não são aplicações fiáveis ou seguras para soltar por aí. No entanto, a quantidade de vibe coders sem esta noção é elevada.
Software Ate My Homework: Saliento aqui duas vertentes. Primeiro, a extrema dependência em soluções externa que se faz sentir em todos os setores da educação (ó meus caros, se o Google Workspace vai abaixo, na minha escola não deixamos de dar aulas, mas vai complicar muito o nosso trabalho). Segundo, algo que não é estritamente tecnológico, mas onde a tecnologia é o elemento essencial para desvirtuar o mais fundamental na educação, que é o aprender, em favor de um modelo transacional onde a nota, e não o conhecimento, é o objetivo final: "Students have been encouraged to orient themselves toward performance; faculty have been advised to meet them where they are; college costs a lot of money and mainly serves to professionalize students (…) the rubric, a name for the detailed liturgy of how a professor will assess an assignment. Rubrics are meant to avoid arbitrariness, but they also serve other instrumental goals: normalizing “learning objetives” so that universities can assess “learning outcomes” for accreditation and other bureaucratic purposes." Este clima não é exclusivo do ensino superior. Notem a forma como, por cá, o ensino secundário se tornou uma máquina de marrar para garantir elevado desempenho nas provas de acesso às universidades.
The Shady, Underpaid Gig Work That Makes Video Clips Go Viral: Um vislumbre das economias subterrâneas que sustentam o mundo do influencing.
Un chaval de 15 años de Almería le ha declarado la guerra al oligopolio de las calculadoras gráficas: su arma es el código abierto: Boa sorte com isso. As probabilidades de acabar processado são elevadas. E se se perguntarem porque diabos os estudantes ainda precisam de comprar calculadoras cara num tempo em que qualquer computador ou telemóvel consegue fazer o mesmo, e até melhor, pensem no conceito de mercado cativo. Manipulando as regras educativas, os fabricantes destas calculadoras conseguiram o milagre de poderem lucrar cobrando altos preços por algo que lhes é barato de produzir, e tem zero de inovação.
Meta Has Entered Its Death Spiral: Notem que plataforma digital morta, como o artigo bem denota, não significa desaparecida. Significa apenas que perdeu a sua relevância cultural, e nisto o Facebook está a mostrar todos os sintomas, como rede de cretinices e AI slop alastrante. É uma que me vejo obrigado a usar por causa do efeito de rede, mas já há muito percebi que se tornou desinteressante. Onde vejo interesse, dinamismo e um ritmo muito próprio é nas redes sociais independentes coletivamente denominadas Fediverso. As interações não têm o alcance das redes tradicionais, mas são muito mais ricas.
Remembering the BBC Computer Literacy Project: Destaco isto, que representa o que se tornou uma influência enormemente corrosiva no domínio da informática na educação: "it’s an encapsulation of the promise on offer in that era, an optimism that seems sad when you reflect that educational computing descended into learning Microsoft Word during the following decade. It would be another two decades before the Raspberry Pi and BBC micro:bit picked up that fallen torch." Por cá, as coisas eram tão alinhadas com a falácia da "informática na ótica do utilizador" que havia um currículo de TIC tão mau que era apelidado de "currículo Microsoft".
The new Wild West of AI kids’ toys: A questão essencial aqui é regulação. Os brinquedos associados a chatbots podem ser interessantes, mas têm de ter salvaguardas para não prejudicar o desenvolvimento das crianças, nem introduzir dark patters, impedir socialização ou incentivar a adição digital. Mas, sinceramente? O melhor mesmo são os mais simples brinquedos, esses desempenham um papel essencial no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.
Twin brothers wipe 96 gov't databases minutes after being fired: Coisas que acontecem quando não há cuidados de cibersegurança elementar.
The hottest anti-AI gadget is a Cyberdeck: Confirmo, vejo constantemente vídeos de jovens makers a mostrar as suas cyberdecks. Geralmente raspberry pi com ecrãs e teclados, e surpreende a inventividade dos seus invólucros. Outra coisa positiva - grande parte destes makers é mulher.
From a 1985 issue of Games magazine: Como leitor clássico da Asimov SF, recordo estes mostruários de títulos intrigantes. Alguns tornaram-se clássicos.
"No me da la vida": la frase que resume el estado vital de toda una generación de españoles en la treintena: O burnout e a desmoralização como condições de vida na modernidade.
Trump Is ‘Bored’ With the War He Started: Não sei se há palavras que descrevam este abismal sarilho. Como professor, sou muito fã de uma técnica pedagógica que se chama deixar o miúdo bater na parede. Sabem como é, naqueles momentos em que vemos que a pessoa vai errar, está a errar e se vai espalhar, apesar dos nossos avisos, o melhor é deixar a coisa chegar à óbvia conclusão final e tirar daí as lições. Talvez seja a única coisa positiva nestes dias, ver que o absoluto desastre que está a ser a administração do boomer bilionário vai levar as pessoas que andam a deixar-se seduzir pela extrema direita perceber o quão mau pode ser a sua governação. Guerras estúpidas muito caras (os americanos, literalmente, desarmaram-se a bombardear o Irão com efeitos bem menores do que a sua estratégia shock and awe preconizava), regressão de índices económicos e sociais, perda de direitos civis, clima político da pior indigência, responsáveis políticos que lucram abertamente com as posições que ocupam, nepotismo, privilégios aos grandes grupos económicos (o bloqueio em Ormuz está a ser um docinho para os lucros das petrolíferas, que dispararam). E, cereja em cima do bolo, em poucos anos conseguir dissipar o prestígio e imagem de um país.
Checkmate in Iran: É, de facto, difícil de pensar numa forma de como esta guerra estúpida poderia ter corrido pior ao atacante. Apesar da superioridade militar e tecnológica, não só não consegue vergar o inimigo, como vê um dos pontos estratégicos da economia global a passar a ser controlado pelo regime que queriam derrubar. Futuros historiadores irão escrever teses inteiras sobre este cúmulo de estupidez.
China Believes America Will Flame Out: Da paciência com arma geopolítica.
Putin’s War Comes Home to Moscow: Note-se que estes últimos tempos têm derrubado um mito herdado do século XX, o da invencibilidade das superpotências. A Rússia atolou-se na Ucrânia, mercê da combinação de esforço internacional e da coragem dos ucranianos. Agora é a poderosa América, com as suas forças armadas de poderio ímpar, a ser travadas pela inteligência iraniana (notem que não defendo nenhum do lados). O resultado destes aventureirismos é um mundo mais inseguro para todos.
Freedom of Navigation: A guerra no Irão é uma das maiores burrices geoestratégicas de sempre. Espicaçados pelo estado genocida de Israel, os americanos gastaram grande parte das suas munições em ataques arrasadores e de precisão que tiveram um efeito nulo. A inteligente estratégia de retaliação iraniana atacou alvos econômicos regionais. Os ataques entrincheiraram mais o regime, os americanos não atingiram nem uma vitória rápida nem se vislumbra que alguma vez a venham a atingir, e os iranianos perceberam que a sua melhor arma é o controle do estreito de Ormuz. Uma blitzkrieg absurda que mostrou a incapacidade de uma superpotência. E o pior ainda está para vir. O braço de ferro no estreito já se está a traduzir em preços mais altos dos combustíveis, algo que, pese embora o foco obsessivo dos nossos media nas reportagens nas bombas de gasolina, nem será a consequência mais gravosa. A quebra no fluxo de petróleo tem implicações na energia e matéria primas derivadas, mas há mais produtos essenciais que o ponto de estrangulamento não está a deixar passar. Como o hélio, gás cuja falta se traduz não na dificuldade de encher balões, mas como material essencial para a fabricação de tecnologia ou manutenção de equipamentos médicos avançados, se vai repercutir em menos produtos, mais caros, e decisões de racionar uma matéria prima entre fábricas e saúde. Isto, note-se, num quadro em que o setor tecnológico já vive uma crise de preços inflacionados e escassez de materiais como consequência do frenesi de investimento em datacenters de IA. Haverá pior? Sim. Outras matérias primas que estão a ser barradas no estreito são fosfatos e nitrogénio, essenciais como fertilizantes para a agricultura. Que chatice, lá vão aumentar os preços nos supermercados, poderão pensar. Sim, provavelmente é o que vai acontecer nos nossos países do primeiro mundo. Noutros países, percebe-se que nem vai haver fertilizante para as culturas. Ou seja, regressa a fome, em força. Como cereja em cima do bolo, todos percebemos que basta um punhado de minas e determinação para meter fim à livre navegação em zonas como Ormuz. O aventureirismo militar da cambada de idiotas que se incrustou na presidência americana está a ter consequências para além das diretas, com este abalo na ordem global legalista, o regresso da política da canhoneira e do cacique armado, um tremendo choque negativo para a economia global, empobrecimento generalizado, e o regresso da fome. Fantástico, não é?










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