sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Teatro Anatómico

 

É um curioso misto de bio-art e grand guignol.

@archizer0 #art ♬ Gymnopédie no. 1 - Romi Kopelman

O Coliseu dos Recreios transforma-se neste agosto numa instalação artística, que cruza obras de arte contemporânea com peças das coleções de anatomia da Universidade de Lisboa. Refletimos sobre o corpo, a carnalidade e a natureza, reconstruída e revista através das tecnologias médicas. 











Ver o Coliseu transformado numa galeria de exposição de arte contemporânea era algo que não estava a pensar que nos sairia no bingo, mas enfim, e porque não?

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Diabolik: Sulle Tracce Dello Scarabeo

Não sou particularmente fã de Diabolik, mas tenho uma amiga que o é, o que significa que sempre que tenho oportunidade de vir a Itália, trago um na mochila. Este episódio é uma das suas típicas aventuras, em clássico giallo negro. A história é de roubos duplos e traições entre ladrões, com uma jóia com forma de escaravelho no centro da ação. Claro que Diabolik e a sua fiel companheira Eva Kant vão sair por cima de todas as tropelias. A piada deste personagem é o seu estilo retro, que estas novas abordagens se esforçam por manter. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Firenze Descontruída

 
















Fotografia computacional possível através de vibecoding. A tentar ver de formas diferentes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Pior Banda do Mundo Vol. 1


José Carlos Fenrnades (2014). A Pior Banda do Mundo Vol. 1. Lisboa: Devir.

Regressar a um dos mais discretos grandes clássicos da Banda Desenhada portuguesa. Aquando da sua publicação original, em seis excelentes volumes, esta obra surpreendeu pela sua tranquila mistura de surrealismo, erudição, qualidade literária e simplicidade gráfica. Sempre foi uma obra assumidamente derivativa, apesar do seu caráter próprio, um destilar bem apurado do mais elegante na cultura global. Sempre num registo rigoroso de duas pranchas, mergulha-se em percepções e ruminações, na normalidade da estranheza, no absurdo sublimado. As histórias curtas são em simultâneo tocantes, desafiadoras, cómicas, surreais e sonhadoras. 

Se me deslumbrei por esta obra aquando da sua publicação original nos princípios deste século, regressar, neste formato condensado, foi recuperar a memória do deleite. José Carlos Fernandes afastou-se das lides da banda desenhada, deixando-nos um conjunto de livros interessantes e experimentais. A Pior Banda do Mundo merece o destaque como uma das melhores obras da história da BD portuguesa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Bookhaul

Já se sabe como é. Inevitável, diria. Parte-se de viagem a pensar que se será comedido nos livros, e ao regressar, a mala só fecha por milagres. Estive uns dias em Florença a participar no simpósio COSPAR, e, claro, entre Feltrinelli (gosto especialmente da que está na estação de Santa Maria Novella, se bem que as da via Cerretani e da praça da República também tenham um bom acervo) e Libraccio, houve aquisições impossíveis de resistir.

Sim, admito, em Florença oriento-me mais depressa pela localização das livrarias do que pelas schiachaterias onde os magotes de turistas devoram porchetta.


Um achado, discretamente escondido na Feltrinelli da estação - uma série de volume antológicos, dedicados ao melhor do fumetti trash-horror italiano dos anos 70 e 80. Sublinho que aqui, bom é um conceito muito relativo, isto é pura exploitation originalmente publicada em lendas do género, como as revistas Oltretombe ou Sukia. 
  

Como resistir a este ensaio, que cruza as minhas duas grandes paixões? 


Não sou particularmente fã deste personagem, mas tenho uma amiga que o é, por isso quando vou a Itália tenho de meter um na mala. Esta é a mais recente aventura do criminoso Diabolik, o clássico fumetti giallo de estética muito retro.
 

E não é que até a Disney consegue ser mais fiel ao espírito da Odisseia que Nolan? Comprado para um amigo, com ilustrações absolutamente deliciosas.


Outro tema que me interessa muito, a história da tecnologia, aqui com um olhar o pensamento técnico e mecânico da antiguidade clássica.


Há em Portugal um fã inesperado do personagem clássico de Castelli (não, não sou eu), um antigo aluno que descobriu o fumetti numa lendária viagem Erasmus, há alguns anos atrás. Agora que ele se prepara para ingressar no Técnico (vai abalar aquela universidade, claro, eles nem sabem o que os espera), trago-lhe uma pequena recordação.


Claro. O que é que achavam? É o meu ritual favorito. Aterrar em Itália, sair do aeroporto e ir logo ao primeiro quiosque que encontro para comprar a mais recente aventura do detetive dos pesadelos. Por judas dançarino! 

Se bem que fiquei com a impressão de uma certa decadência da presença da Bonelli nas bancas. Das vezes anteriores que estive por terras italianas, era fácil encontrar bancas recheadas de vários números anteriores. Por Florença, nem por isso. Apenas as novidades, e poucas. Talvez seja uma questão geográfica, como cidade turística que é, faz mais sentido para as bancas venderem tralha para turistas do que imprensa.


Confesso, esta foi daquelas compras de impulso no aeroporto, à espera do voo de regresso. Zagor nunca me disse nada, mas esta capa em modo de salganhada verniana intrigou-me.


Um achado deveras técnico, um livro sobre programação em Scratch. Preciso mesmo dele para ampliar os meus conhecimentos sobre este ambiente de programação? Bem, nem por isso, mas tem alguns projetos muito interessantes no domínio das artes que quero experimentar, e vai ficar muito bem na minha coleção de livros sobre programação para crianças.


Finalmente, uma curiosa descoberta. Já estão a ver porque é que a comprei, não estão? A La Fine Del Mondo é uma nova revista mensal de banda desenhada, trazendo aos leitores italianos uma mistura de fumetti com bd experimental. Se alguma vez pensaram em ler uma revista que tanto publica a ilustração de estilo clássico do fumetti (e as desta história de Dylan Dog são soberbas), ao lado de Zerocalcare ou Shintaro Kago, esta é a publicação certa. Infelizmente é episódica, o que significa que nunca saberei como termina esta história de Dylan Dog, a menos que arranje forma de ir a Itália no final de agosto.

domingo, 9 de agosto de 2026

URL

 



L: Attila Héjja, 1984. R: Tony Roberts, 1981: Opera espacial. 

5239) Nove fatos que ocorreram de verdade (17.6.2026): Quando a história é mais inesperada do que a ficção

En China, los 'bookfluencers' son el motor de ventas de la industria editorial. El problema es que nadie puede leer 700 libros: Seriam pelo menos dois livros por dia durante o ano, algo impossível para o mais voraz bibliófilo. Mas destaco este artigo por outro aspeto - na era da omnipresença do vídeo nas redes sociais, o livro não só não perde o seu lugar (que eu assumo ter sido sempre de nicho, porque aquela visão bucólica do passado onde toda a gente lia simplesmente nunca aconteceu, o prazer e esforço mental da leitura sempre foi de uma imensa minoria), como se aproveita destes novos mecanismos para promoção. 

The terrifying world of the 'TikTok Farlands’: Assustador? Muito pelo contrário. É talvez um dos poucos recantos digitais onde se consegue experienciar estéticas de vanguarda, desafiantes, arrojadas e experimentais. Ok, percebo, é exatamente isso que assusta os normies. Da minha parte, confesso que dos backrooms ao weird core, passando pela IA experimental, vejo as far lands como uma das mais arrojadas expressões contemporâneas de criatividade. 

The Golden Age Of Bond Villains: Apesar de nunca ter sido especialmente fã do senhor Bond, James Bond, rendi-me à forma como Charles Stross encara esta personagem e a sua evolução ao longo do tempo. 

Why All The Conspiracy Movies Right Now?: Talvez, de forma simplista, como reflexo aos tempos complexos em que estamos a viver, com tanta coisa a acontecer que nos parece ultrapassar. 

Chamem-me Cassandra: Uma premissa intrigante, que cruza a história do século XX com os milenares mitos gregos. 

Backrooms: Quem tem medo dos liminal spaces?: O pessoal do Sh/fter mergulhou a fundo nos mitos contemporâneos dos backrooms e espaços liminais. 

The Movie ‘Obsession’ Is Raking In The Money, But Who’s Seeing The Profits?: É uma conversa legítima, mas só a estamos a ter porque o filme ganhou a lotaria do sucesso, quer crítico quer comercial. 

Um quadrado de Céu – Joana Afonso e Susana Moreira Marques: Um olhar para a história portuguesa recente, com o traço excecional de Joana Afonso.


retroscifiart: Art by Jack Woolhiser for The Three: Grandes insectos. 

AI Is Taking Over Hospitals: Apesar dos riscos, e do cuidado dos médicos - "most people will ignore the warning. AI has already wormed its way into the U.S. health-care system, evidence and safeguards be damned." 

An interesting experiment with LLMs: Confesso que não sou imune a um text gerado por IA que critica a forma como a IA está a ser desenvolvida e implementada. 

Pluralistic: AI digital sovereignty risk doesn't exist (18 Jun 2026): Para não variar, Doctorow a ser certeiro. O problema não é a IA, é toda a soberania digital. Torrar dinheiro a desenvolver modelos nativos enquanto se mantém a infraestrutura digital nas mmãos externas não é conducente à soberania digital. Nota semântica: "ormuzar" tornou-se uma expressão, que significa travar fluxos em pontos de estrangulamento. 

Midjourney lança scanner corporal ultrassónico: Confesso que, dado o papel da Midjourney no desenvolvimento de algoritmos de IA generativa, não percebo a lógica deste passo, nem a relação entre geração de imagem e sistemas médicos. 

TikTok Has Been Completely Taken Over by AI Slop: Não digo totalmente, mas que tem crescido, tem. E nisto, a perfilagem dos utilizadores tem muita culpa. No meu caso, o conteúdo gerado por IA que me chega é precisamente o que mais me interessa - vídeo experimental e artístico. Tem a ver com o meu perfil de utilizador. Para outros, vai o slop generalizado, mas se me permitirem o reparo, o slop que entope as redes não é unicamente IA. Basta ver os vídeos da esmagadora maioria dos influencers para perceber isso. 

Companies That Embraced AI Are Now Rotting Away in a Very Specific Way: O que acontece quando se mergulha a fundo sem saber o que se pretende? Esta adoção prematura da IA em força ilustra bem como a lei de Murphy não perde a validade. 

Havelar Prints a Public Building in Nine Days and Delivers It on Budget: É interessante ver empresas portuguesas nos campos da construção civil por impressão 3D a construir edifícios concretos. 

What Amazon’s Astro Taught Me About Giving Robots a Soul: Mesmo sabendo que são simuladas, a importância de dotar a interação robot-humano de emoções. 

Norway Says AI Ain’t for Education: Como educador com alguma experiência nisto, percebo a lógica. Também me parece que soltar as crianças na ferramenta de respostas fáceis que é a IA é uma excelente forma de garantir que não desenvolvem a capacidade de construir conhecimento. Por outro lado, o banimento completo não me parece ser a solução. 

Companies are profiling you from your smartphone use - how to stop them: Um guia de como minimizar a recolha excessiva de dados e a perfilagem algorítmica. E não resisto a um pequeno detalhe - numa oferta comercial, uma conhecida marca de telemóveis mostra como um trunfo o ter dotado os seus equipamentos de um ecrã privado - um tipo de ecrã que não é visível de muitos ângulos, protegendo o utilizador de olhares alheios. É muito giro e bonito, mas por definição, o telemóvel está aberto a todos os comportamentos digitais predatórios das operadoras, plataformas e ecossistemas. Todos os dados dos utilizadores são presa apetecível para as empresas, mas hey, pelo menos se se for no metro ninguém consegue ver o que estamos a ver no ecrã, certo? 

When Super-Chickens Started to Roost: Isto soa tão familiar, não soa? "“There is nothing wrong with healthcare that getting rid of doctors won’t fix. There is nothing wrong with education that getting rid of teachers won’t fix." são as litanias habituais dos tecnosolucionistas, que reduzem sistemas complexos à sua visão mercantilista, e que quando têm oportunidade de aplicar as suas brilhantes soluções tecnológicas, geralmente deixam os serviços com problemas ainda mais graves do que os que já existiam. 

Commemorating 70 Years of Artificial Intelligence: Não parece, pois não? Mas se o disparo no crescimento da IA é recente, a tecnologia em si já tem um longo historial. 

The Moonshot: Sabemos que precisamos de investir em modelos de IA soberanos europeus, senão ficaremos irremediavelmente a reboque/dependentes dos caprichos norte-americanos, ou da fria estratégia chinesa. É possível? Sim, mas requer um nível de comprometimento e investimento que está muito acima das habitais declarações bem intencionadas da comissão europeia. E a realidade é que as capacidades desenvolvidas pelas empresas americanas estão muito mais avançadas do que as europeias estão a conseguir (como qualquer pessoa que experimente usar o Mistral e o Claude para as mesmas tarefas de forma comparativa depressa percebe). 

Microsoft quiere llevar la presencia laboral un paso más allá: Teams podrá saber si estás en la oficina por el WiFi: Sou só eu a pensar que isto é assim um 'cadito creepy e invasivo? 

Frustrated Microsoft Researcher Uses Goats in ‘Age of Empires II’ to Demo the Absurdity of LLMs: Muito bem visto. Basta mudar a metáfora, e deixamos de ver a IA sob prismas antropomórficos.


thefugitivesaint:Alicia Austin, “Science Fiction Review”: Elegância clássica. 

What Did You Expect?: Não há volta a dar. A guerra no Irão teve um final desastroso para os Estados Unidos, com mais uma clara indicação da incapacidade dos seus líderes. 

Portugal buys two additional ICEYE spy satellites: A aposta portuguesa no espaço, que faz todo o sentido. Esperemos que haja aqui a possibilidade de desenvolvimento de conhecimento e transferência de tecnologias. 

Meet the New Bosses, Worse Than the Old Bosses: Os comportamentos predatórios dos bilionários estão tão descarados que até os analistas mais circunspectos se sentem revoltados. Mas Krugman também assinala a apatia social que se instalou, aceitando cada vez mais o inaceitável, a predação dos recursos da civilização humana para alimentar a ganância de um punhado de sociopatas. 

U.S. Air Force just greenlit two robot fighter jets: Desenvolvimentos na área dos UCAVs autónomos. 

Iran Has Humiliated Trump: Aprofundar um pouco mais a absoluta estupidez da guerra contra o Irão, que termina com o regime ainda mais resistente, com a retirada de sanções e o pagamento de reparações de guerra. O pouco prestígio que os EUA ainda tinham sai mais abalado, e quanto ao argumento da sua força militar, é de notar que a força esmagadora americana não aniquilou um inimigo mais fraco, mas determinado, bem preparado, e que não hesitou em usar as estratégias mais eficazes. Contra o poderio militar americano os exércitos convencionais de pouco valem, mas paralisar um estreito com meios rudimentares funciona. Isto vai ser um case study de estupidez política e estratégica.

ANOS 80, GUERRA FRIA E UMA BASE AEREA PORTUGUESA - 2ª parte: A base continua sem ser denominada, mas por alguns pormenores divertidos do dia a dia, suspeito que seja a do Montijo. Vale a pena ler a memória histórica, e os registos fotográficos. 

Greece’s Parthenon Just Reclaimed a Missing Piece of Its Ancient Silhouette: E dá logo vontade de lá regressar, só para ter mais um vislumbre deste monumento ao nosso fascínio pela herança helénica antiga. 

 Now where?: Certeiro - "Those Asian leaders—who again represent most of the projected increase in demand for energy—would have slowly moved in the direction of cheap clean energy. But now they don’t have to go slowly, with one eye over the shoulder to make sure a wrathful America doesn’t punish them." O esforço trompista por reverter a transição energética, de tão desastroso que está a ser, acaba por ser mais um incentivo para acelerar a transição. Porque, se se pode ormuzar o petróleo, não se pode fazer o mesmo ao vento e ao sol. 

I am obsessed with these two ads: Hipermodernidades, ou a aplicação desnecessária de tecnologias de ponta. 

The Warrior-Witches of Ukraine’s Resistance: Um olhar para a corajosa e implacável resistência ucraniana, capaz de tudo para combater os invasores russos. 

Controversial MIT Study Investigates What’s Really Worse for the Environment: Gas or Electric Cars: Não é difícil perceber quais as conclusões, apontando para que os elétricos, quer os totalmente quer os de propulsão híbrida, têm um impacto ambiental menor que os veículos de combustão interna. 

Has Blogging Ceased To Matter?: Eu cá também acho que não (mas, claro, sou suspeito). O artigo mostra bem o problema - blogar continua a ser uma excelente forma de contribuir para a cultura digital, mas entre a pressão das redes sociais e a influência da monetização com o correspondente resvalo da escrita para a produção de conteúdos, perdeu-se a vertente de diálogo entre bloggers.