domingo, 19 de julho de 2026

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Esteban Maroto: Marotices? 

Jorge R. Gutierrez Cutting Ties with Amazon/AI Animation Program: Isto foi rápido. Num dia um criador conceituado anuncia que está a trabalhar num projeto com IA, no outro demite-se, porque já se sabe, a gritaria foi elevada. Nisto, o problema foi ter anunciado demasiado cedo. Normalmente, a presença de IA passa nos media quando é discreta, contratada por muitas das vozes e empresas que publicamente se afirmam anti-IA.

Feira do Livro de 2026 (1): No meu caso, qualquer post que faça sobre este evento será (0). Não planeio ir este ano. Em parte, por nunca ter apreciado a feira do livro de Lisboa, entre as multidões e localização. A divergência com a Divergência (olha, uma piada nerd!) não ajuda, até porque esta seria das poucas editoras onde iria às compras. E, claro, olho para as pilhas do que tenho por ler e penso que será asisado não ir à caça de mais livros. 

SFF Satires of Modern Tech Culture: Uma lista a descobrir, onde a ficção especulativa e a ironia se cruzam para olhar para a tecnologia contemporânea. 

Seven Books You’ll Never Outgrow: Há, de facto, livros que ficam connosco para a vida. 

“There Ain’t Nothin’ Different”: When Dystopian Sci-Fi Ruled the Cola Wars: Isto é algo que hoje nos parece impensável, usar a estética da FC para promover produtos maintsream fora da área da tecnologia.

The Best Sci-Fi & Fantasy Novels: The 2026 Nebula Awards: Uma análise à lista de romances nomeados para este prémio.


danismm: “Buenos Aires in the year 2000″. 1974: Uma visão mais luminosa. 

Tech companies desperately want to film you doing chores: E para quê, perguntam-se? Se a resposta não for óbvia, explico - para treino de algoritmos de IA.

LLMs believe false statements even after explicit warnings that they're false: Para surpresa de ninguém. Note-se que ao nível mais elementar os llms são lógica e matemática, não conhecem verdadeiramente o sentido das palavras.

AI Firm Trots Out Digitally Resurrected Corpse of Stan Lee You Can Use to Create Mind-Numbing Slop: Para quem conhece a biografia de Stan Lee, há aqui uma ironia deliciosa. O editor que construiu a sua carreira a partir da obra de outros criadores (Jack Kirby é o caso mais conhecido) é agora digitalmente plagiado.

Desde que a Revolução Industrial: Não tenho resposta direta ao Luís Filipe Silva. Mas tenho direta - a forma como deixamos que as nossas ferramentas nos moldem, como diria McLuhan, é uma questão cultural. Requer luta, investimento e ativismo digital combater o mau uso da IA que nos querem impor.

Euro-Office, Europe's open-source alternative to Microsoft Office and Google Docs, launches June 9: Será que tem pernas para andar? Pelas imagens, aquilo parece-me um nextcloud com aspeto mais limpo do collabora office.

Ya no vale con contar dedos para saber si una imagen está hecha con IA. Ahora hay que aprender dibujo técnico: Deveras. Erros de perspectiva são neste momento a forma mais eficaz de perceber se uma imagem de aspeto realista foi gerada por IA. Mas isso irá mudar, certamente, com a evolução contínua destas ferramentas.

The Virtual OS Museum Lets You Emulate 1700+ Operating Systems From as Far Back as 1948: Retrocomputação na palma da mão.

Cruce de cables: El software abandonado que sostiene el mundo: Surpreende, mas acontece, perceber que há infraestruturas inteiras que dependem de software desenvolvido por programadores individuais ou pequenas equipas, que acaba por ser incorporado em sistemas mais complexos. Algo que geralmente só se dá conta quando os criadores originais desaparecem, deixando de manter esse código, o que leva a travagens em sistemas mais complexos.

AI Has Ruined the Job Market: Se lerem o artigo com atenção, vão perceber que o problema não é a IA, mas sim a chico-espertice, ou a tendência humana para encontrar atalhos displicentes com poucos escrúpulos. 

Google Is Quietly Buying Code From Play Store Developers to Train AI: Bem, pelo menos, está a pagar aos criadores.


M. C. Escher (1898-1972) Dream (1935): Clássicos. 

El AVE a Extremadura ha dado un pasito clave en su conexión con Madrid. Es un pasito que nos devuelve una década atrás: Acho catita esta esperança espanhola de se ligar a Lisboa por alta velocidade ferroviária. Faz sentido, claro, mas o nosso atraso nisto é notório.

Kids Are Flying Into Lunatic Rages When Their iPads Are Taken Away: Bem, mas antes que comecem a desesperar com os habituais gritos de adição a ecrãs e o vício do digital, notem que crianças a fazer birra quando lhes tiram das mãos os brinquedos favoritos não é nada de novo.

La gran desindustrialización de Europa, en un mapa que parte el continente en dos: Um mapa que mostra a industrialização europeia, e o caso de Portugal surpreende. 

Ukraine to acquire 20 Saab Gripen E/F fighter jets from Sweden via €2.5 billion EU loan: Isto é uma decisão muito inteligente por parte da Suécia. No corrente (e justificado) clima antiamericano, a Saab, junto com a Dassault, constitui um dos poucos construtores aeronáuticos europeus com tecnologia avançada, quase ao nível da quinta geração americana. Se os Gripen forem bem sucedidos nos céus ucranianos, isso é uma excelente recomendação de aquisição para países que estejam relutantes em investir em aviões de combate americanos.

La NASA ha puesto en marcha su base lunar: seis empresas, cientos de millones de dólares y 25 misiones para conquistar el Polo Sur: Será que é para levar a sério? A verdade é que quem acompanha os passos da exploração espacial já se cansou de anúncios destes, que depois não dão em nada.

Chilling Effects: É o momento em que se sabe que uma sociedade está a resvalar para o autoritarismo, quando a maioria das pessoas sente vontade de se manifestar contra o estado das coisas, mas não o faz por medo. Não o medo das grandes represálias, mas das pequenas vinganças sistémicas do dia a dia.

Quizá envejecer mejor no dependa solo del cuerpo: la ciencia empieza a estudiar también el efecto del arte y la cultura: Porque, já dizia a velha máxima, não é só corpore sano, também é mens sana. Se bem que no meu caso, suspeito que haja contraindicações. Comtemplar a pilha de livros por ler que cresce em proporção inversa ao tempo para leitura provoca-me chiliques e outros solipampos cardíacos.

Leituras da Semana (#117 // 01 Jun 2026): Vivemos de facto num ambiente de retrocessos. Não porque o queiramos, mas porque um grupo restrito de pessoas usa o seu dinheiro para comprar influência e com isso impôr culturas de regressão. As duas leituras que o João Campos destaca mostram bem isso - por um lado, as minorias como alvo inicial das estratégias de regressão; por outro, a conivência dos  media, presos aos ciclos do choque e novidade, que amplificam os ruídos regressivos bem além do que seria expectável, para manter leitores ou atrair espetadores. 

The Spanish Exception: Governo e políticas de esquerda a dar excelentes resultados, mas falta resolver o problema da habitação. Por cá, andamos a sorrir atrás do luís dos casinos enquanto ele nos conduz ao desastre das políticas públicas. 

Where Dogs Go On With Their Doggy Life: A profunda empatia sentida entre cães e humanos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O Homem da Nave


Aquilino Ribeiro (1968). O Homem da Nave. Lisboa: Livraria Bertrand.

Ler estas obras de Aquilino, entre a ficção, o retrato e o ensaio, é regressar a um Portugal que, apesar de relativamente recente, hoje já não existe. As descrições aquilinianas, feitas num dealbar da modernidade, falam-nos de terras e povos de carácteres, hábitos e costumes centenários, talvez milenares, apesar da intrusão progressiva de modernismos como estradas, automóveis, luz elétrica e a velada opressão política do estado novo. As paisagens ainda existem, embora irremediavalmente transformadas pela evolução que fizemos nas últimas décadas do século XX. Tempos que pese embora a sua imperfeição, alfabetizaram as populações, modernizaram a saúde e habitação, transformaram as economias de subsistência rural.

Num pormenor curioso, Aquilino ergue o dedo acusador contra a desflorestação trazida pelas monoculturas, que relata ter efeito nefasto sobre a vegetação e animais da serra. O que hoje chamamos de biodiversidade, e que o mestre Aquilino era tão genial a invocar na sua prosa complexa e sabida.

O livro leva-nos aos povoados, pessoas e paisagens serranas da Serra da Nave, um altiplano no nosso interior profundo. Todo o livro é um elogio ao homem e à natureza, feito de relatos entrecortados. Cada capítulo reserva-nos uma surpresa - pode ser um retrato, ficcional ou real, das gentes e dos seus modos. Ou pode ser uma divagação bucólica pelas invocações da natureza, das cores do outono, a vivacidade da primavera, o peso do estio. Por vezes é ensaio étnico e social, outras, apontamento sobre a intrusão da modernidade ou os choques entre as novas sensibilidades culturais urbanas e as tradições centenares dos serranos.

As geografias lá continuam, como sempre estiveram, os povos e a paisagem humanizada alteraram-se. As memórias de Aquilino tornam-se um memorial a um passado recente que muitos, hoje, não guardam memória.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Artes Urbanas

 












Apontamentos de arte urbana, entre a oficializada e a vernacular, em Caldas da Rainha, Leiria e Alcobaça.


domingo, 12 de julho de 2026

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Syd Mead’s concept art for an Arctic Mobile Operation Base: Clássicos. 

This Literary AI Scandal Changes Everything: Se se vir a literatura como entretenimento, algo a que as massas têm sido condicionadas pelo marketing das indústrias criativas, isto é a consequência óbvia - a automatização generativa literária (e audiovisual). Diria que não vale a pena chatear-mo-nos muito com isto. Chico espertice sempre existiu (do plágio ao ghostwriting), e o real problema que vejo com estes maus exemplos é ajudar a polarizar a discussão sobre a tecnologia, tornando mais difícil o trabalho e aceitação dos que usam a IA para experimentar novas formas de olhar, onde é uma excecional ferramenta criativa. 

Before Pixar, There Was ‘The Works’: A Lost Chapter In The History Of Computer Animation: Não resisto a duas notas - a nostalgia com a estética do CGI incipiente, e o recordar que, à época, isto era tão mal visto e apontado com dedo acusador como "artificial" e "desumano" como hoje falamos de IA generativa. 

I Am Begging You to Read Terry Pratchett: Demorei a ler este autor, e quando o descobri, percebi o fascínio dos seus fãs. A combinação de humor mordaz, erudição, elegância literária e imaginário é, de facto, fabulosa. Apesar do brilhantismo, temo que se esteja a tornar num outro Ballard, também escritor elegante, influente e essencial do século XX que parece estar a ser esquecido. No caso de Pratchett, até se percebe. O simples facto de ter escrito essencialmente literatura fantástica é anátema para o establishment, e suspeito que há por aí muito prémio nobel (ou booker, ou gouncourt) que teria chiliques de inveja perante a elegância da prosa de Pratchett. 

Luminous: cyberpunk emocional: Suspeito que literatura em reação à distopia. 

The Slop Before The AI Slop: Toda a celeuma sobre o uso de IA generativa na literatura tem uma longa história, que antecede em muito as experiências de escrita computacional. 

AI-Writing Scandals Are Getting Very Confusing: Em parte, os escândalos são justificados. Pseudo-autores que geram os seus textos de forma automática é puro chico-espertismo, e na verdade, fraude. Por outro lado, ver autoras que até foram nobelizadas a levar nas orelhas por admitirem utilizar IA é apenas pateta. Porque se forem ler o que realmente foi dito, percebem que é o melhor uso possível da IA, como forma de explorar ideias e procurar vertentes, e não a automatização da escrita a metro que é apanágio dos vigaristas. Mas nem vale a pena falar disto, porque neste momento, a discussão sobre a IA está demasiado polarizada, oscila ente o deslumbramento imposto por evangelistas de qualidade duvidosa (e motivação para lucro a todo o custo), e a reação de rejeição visceral, em grande parte advinda da péssima forma como a IA está a ser implementada para favorecer todo o tipo de vigarices, das culturais às laborais. Já quem usa a IA com bom senso, percebe o seu potencial (e também percebe o que não faz). 

Inocência: Rever um clássico do anime. 

Service Model – Adrian Tchaikovsky: Este tem sido um dos mais interessantes e prolíficos praticantes da arte da boa Ficção Científica. Neste romance, tão certeiro na era das incertezas da IA, mostra-se também um mestre da fina e corrosiva ironia. 


Tadami Yamada “Illustrations for William Hope Hodgson’s short weired tales Carnacki The Ghost-Finder”: Temores. 

Los ejecutivos occidentales que triunfan en LinkedIn tienen un secreto: asistentes virtuales en Filipinas que escriben por ellos: A sério que se surpreendem quando descobrem que aqueles posts partilhados pelos sociopatas do workaholism que infestam o LinkedIn não são realmente escritos por eles, mas sim subcontratados a assistentes? Diria até que é a melhor metáfora do chico-espertismo do mundo empresarial. 

Anthropic’s Code with Claude showed off coding’s future—whether you like it or not: Isto é automatização de alto nível, mas não retira a necessidade de compreensão profunda da programação e suas lógicas. 

A CEO of a Bank Just Said Something So Ghoulish About Its Plans for AI That He’s Now in Full Damage Control Mode: É por estas que estamos tão reticentes e furiosos quanto ao uso da IA. Porque percebemos que quem mais a defende o faz não em prol da sociedade, mas do seu bolso. E, de vez em quando, há estes lapsus linguae tão reveladores sobre o real pensamento das elites governantes: "replacing in some cases lower-value human capital with the financial capital and the investment capital". Como estamos em modo de pleno late stage capitalism em cruise control, o Financial Times anda a vender canecas e t-shirts a gozar com esta frase. Leran bem, o Finantial Times, que não é exatamente um paladino da critica aos desmandos do capital. 

Open-Source Software Is Starting to Help Robots Think: As implicações do uso de modelos de IA abertos na robótica. 

AI video is moving beyond clip slop: A verdade é que as indústrias criativas já usam extensivamente IA, apenas não o admitem para não terem de aturar as repercussões num momento em que a IA é mal vista. Negam o seu uso, mas usam-na extensivamente, cruzando-a com técnicas clássicas para não se notar, usando editores profissionais, uso de filtros, correção de cores, e aplicação intencional de imperfeições. Já passa aí muita coisa nos media que é o resultado de algumas horas de geração no higgsfield, e mesmo quem tenha o olhar treinado para perceber sintomas de ai slop não nota. Quando é purê AI há sempre inconsistências (luminosidade, perspetiva, transições), por muito cuidadoso que tenha sido o videógrafo. 

Jeff Bezos Tells Workers to ‘Be So Happy’ They’re Being Given the Gift of AI: Isto é a verão século XXI do "que comam brioches". Ter bilionários que enriquecem a sugar o tutano a trabalhadores sobre-explorados e mal pagos a dizer, com ar condescendente, que ainda se devem sentir agradecidos pela dádiva da ameaça de despedimento para serem substituídos por IA é profundamente distópico. 

Lenovo’s Game Boy Is Real and Reportedly Stuffed With Ill-Gotten Games: Bem, esta é inesperada, ver a Lenovo associada com o mundo low end das consolas de baixo custo cheias de jogos clássicos pirateados. 

Will Robotics Have a ChatGPT Moment?: Como alguém que se dedica à robótica, francamente espero que sim, que se torna mais acessível e diversificada. 

If Google can’t  make AI agents useful, maybe no one can: Confesso que os agentes de IA são uma tecnologia cuja usabilidade me escapa. Mas, provavelmente, isso deve-se ao tipo de profissão que tenho, onde há imensa imprevisibilidade e agência no mundo real. 

Why College Students Are Booing AI: Uma análise interessante, que se atreve a ir mais a fundo do que o habitual. Se bem que o argumento "hey, esperam mesmo que as pessoas sorriam e aplaudam quando os bilionários feudais lhes dizem, babando-se, que deveriam estar agradecidas pela sua dádiva da IA que as vai colocar no desemprego" é válido. Mas este artigo olha mais a fundo, para a questão do lado transacional do ensino, do jogo das notas e diplomas. 

Nintendo Is Completely Ignoring AI and Doing Fine: Provavelmente porque é uma empresa com objetivos claros que conhece bem o seu mercado, e por isso não cai no desnorte de meter IA com toda a força sem saber muito bem para que lhe serve. 

The EdTech Backlash Is Here, and It's Just Getting Started: Não sei se qualificaria isto como revolta- Parece-me mais um recentramento, e um apelo ao bom senso. Trabalho com tecnologia e educaçao há muitos anos e confesso que considero uma parvoíce ideias como "tudo tem de passar pelo digital" ou "a IA obriga a repensar tudo". Até porque a minha experiência com as dezenas (centenas?) de projetos que iam mudar a educação com as maravilhas da tecnologia é negativa - programas rídigos, softwares limitados, alunos e professores transformados em clicadores de opções, uma visão de aprendizagem e educação automatizada muito redutora. A corrente tendência dos chatbots educativos espelha em tudo os maus hábitos das anteriores. E, apesar disto, a tecnologia na educação faz imenso jeito. É incrivelmente capacitadora das capacidades das crianças - até mesmo a IA. O problema, está no uso. Se transformamos as aulas em sessões de powerpoint, a aprendizagem no clicar em busca de respostas nos softwares educativos, a criação de artefactos em produção de documentos, isso não traz nada de novo, não aprofuda aprendizagens (nem as técnicas). Por isso não surpreende este cansaço de pais, crianças e professores com tanto tempo de ecrã com valor diminuto. Como professor de informática, percebo bem isso, e vejo que no nosso lado tem sido trilhado um caminho diferente, de real capacitação, criatividade aplicada e cruzamento do ecrã com a manualidade da eletrónica. 

Police in China Sure Love Smart Glasses: Convém recordar que a China não é uma democracia, e tem sido exímia a mostrar como a tecnologia pode ser colocada ao serviço da repressão.

99 Percent of CEOs Are Preparing to Lay Off Workers and Replace Them With AI Within Two Years, Survey Finds: Expliquem-me lá outra vez como é que é incompreensível que uma tecnologia como a IA esteja a ser tão detestada? Porque sentimos que fugiu ao controlo da sociedade, e está a ser usada para dar corpo aos sonhos mais húmidos da ganância das elites.

Safeguarding the Human Person in the Time of Artificial Intelligence: Ainda não li a encíclica, mas pelos relatos, parece-me que a posição é mais de aviso perante os excessos de um capitalismo predatório potenciado pela IA do que sobre a tecnologia em si.

Choosing to Stay Human: Outra coisa que não ajuda à aceitação da IA é o chico-espertismo dos caça-níqueis, que estão a ajudar a níveis diluvianos de proliferação de AI slop.

AI warfare is already here: Há uma frase no artigo que resume bem o interesse destas armas - "They used to say guns don’t kill people, people do,” its CEO tells the audience. “But people don’t. They get emotional, disobey orders, aim high. Let’s watch the weapons make the decisions.”"


Gotta be for an article about computer bugs, right?: E não é dos pequenos. 

Beautifully Illuminated Cynical Affirmations: A beleza do humor negro. Pleonasmo, bem sei. 

Italia buscaba renovar sus aviones cisterna entre Boeing y Airbus. Su decisión dice mucho del momento que vive Europa: Porque soberania europeia significa… tecnologia europeia. E não resisto a imaginar a cara dos bilionários americanos que colocaram Trump no poder a ver estes negócios a fugir-lhes das mãos graças à declarações ofensivas do boomer pirralho sobre os europeus. Ou estavam à espera que fossemos insultados e logo a seguir ir comprar-lhes aviões caros? 

Ucrania ha resucitado una de las tácticas más antiguas de la guerra. Y está aislando ciudades rusas sin necesidad de soldados: A vanguarda tecnológica cruza-se com as mais antigas táticas. 

How to defeat Vladimir Putin: Constância e vontade é uma delas, e o confronto militar é evitável. Mas talvez a melhor forma de derrotar este ditador é manter a Europa como chama da liberdade, prosperidade e igualdade. É isso que incomoda Putin, e os restantes coronéis tapiocas que pululam da casa branca ao kremlin. 

Trump’s Endgame Is Surrender: Os historiadores do futuro vão coçar a cabeça com a incompetência deste aventureirismo, em que a grande potência global atacou de forma fulminante e apenas conseguiu fortalecer um regime enfraquecido, com o bónus adicional de o ter levado a tomar conta de um ponto geoestratégico fulcral para a economia global. 

NATO TIGER MEET 2026: Confesso que me surpreendeu a estética gelada destas fotos. 

‘Corpse Point’ In the Arctic Is Melting, Disturbing Centuries-Old Bodies: Não só é um indício dos males trazidos pelo aquecimento global, como uma boa metáfora para o futuro em que insistimos em dirigirmo-nos. 

Eyes Wide Shut: Handling Toxic Staff Who Use “Spying” To Disrupt School Culture: A minha tática passa por evitar ativamente a sala de professores, esse antro de normies/npcs onde se fala muito, nada se faz, e as vozes mais ativas são geralmente as das mãos mais passivas. 

Four Russian satellites are now within striking distance of an ICEYE radarsat: Alguém falou em guerra espacial? 

The Olympics These Were Not: Aparentemente, uma competição desportiva onde o doping é não só encorajado como essencial para competir é algo que existe.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Magnifica Humanitas


Leão XIV (2026). Magnifica Humanitas: Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Lisboa: Paulinas.

Das coisas que não estavam nas minhas cartas para este ano, e no entanto, aconteceram. Eu, empedernido ateu, a ler, meditar e apreciar uma encíclica doutrinária papal. Se isto vos surpreende, recordem-se: estamos a perder em guerra aberta pelo capitalismo predatório,  e precisamos nas trincheiras de união apesar das diferenças. Mais importante que a diferença entre não acreditar e acreditar em mitos como se fossem reais, é a igualdade do humanismo, a única arma que temos contra aqueles que se estão a apropriar de uma tecnologia fascinante para enriquecer ainda mais. Piorando as condições sociais, ambientais e laborais, extraindo riqueza que fica concentrada nos seus fundos offshore e outros malabarismos fiscais em vez de circular na sociedade. 

Ou não vos dá uma certa vontade de começar a afiar a lâmina da guilhotina sempre que um ceo ou bilionário proclama alegre e orgulhoso que os  benefícios da IA serão tantos que vai já despedir uns  milhares de trabalhadores, sorrindo ao falar-nos de futuros onde áreas laborais inteiras deixem de precisar de mão de obra hunana? E, talvez, com a água racionada, se se levar ä letra a ideia de um certo bilionário que começou por enriquecer a vender livros e agora é dono da infraestrutura que sustenta grande parte da internet, e passar a investir os recursos hídricos escassos no desenvolvimento da IA, que trará ainda mais prosperidade ao seu já gargantuesco bolso, em vez das necessidades básicas dos meros humanos.

Sim, eu sei. Estou a falar do dono do Goodreads. Percebo a ironia. Mas estou a divergir.

Parte desta encíclica lê-se na diagonal. É una encíclica doutrinária, e o seu texto reflete sobre os pressupostos do edifício intelectual da teologia católica. É, certamente, fascinante para crentes, fiéis e teólogos, mas não muito importante para o meu objetivo de leitura.

Apesar da sua origem e destino teológicos, tocou-me o fundo profundamente humanista desta encíclica. Após os necessários rodeios doutrinários, enfrenta o tema de frente: a forma como a IA, e a tecnologia em geral, está a ser apropriada pela elite financeira capitalista para fazer crescer ainda mais desmesuradamente os seus ganhos, em detrimento da sociedade humana, das pessoas, do próprio planeta. Vindas de onde veem, as palavras não têm o tom viva la revolución que lhes coloco, são mais os apelos de um sacerdote sábio ao amor e solidariedade. Mas é isto que se destila da leitura: uma revolta profunda contra a forma como a tecnologia está a ser usada para piorar o mundo em que vivemos.

O texto não é uma negação da tecnologia, ou um apelo à paragem do desenvolvimento da IA. Bem pelo contrário. A importância da ciência e tecnologia é sublinhada, e quanto à IA, é observado o seu potencial. O foco, e aqui o papado entra na trincheira partilhada por todos os críticos conscientes da IA, está na forma como esta tecnologia está a ser apropriada pelas piores forças do capitalismo - as que buscam a primazia do lucro acima de tudo, cilindrando os trabalhadores, as famílias, a sociedade, os recursos naturais, o ambiente, a nossa casa planetária comum. É uma revolta dupla, feita contra o asco perante este novo excesso de desumanidade, mas também pela frustração de ver o potencial libertador da tecnologia a ser cooptado para a opressão, quer a financeira, quer a politico-militar.

É uma encíclica de palavras sábias, que certamente tocarão no âmago dos crentes. Como ateu, não me deixam indiferente, bem pelo contrário. O humanismo do amor ao próximo, o reconhecer que podemos e devemos lutar por um mundo melhor, que a tecnologia deve ser ferramenta para que todos enriqueçamos, mostram que este papa está do lado certo da história. Que, infelizmente, dado o poder dos bilionários, talvez não seja o lado vencedor. Mas pelo menos, estamos do lado dos que procuram lutar pelo mais correto, pelo bem da humanidade. Valha-nos isso.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Lusitânia: A vida dos Cássios, uma família na Lisboa Romana


André Simões (2026).  Lusitânia: A vida dos Cássios, uma família na Lisboa Romana. Lisboa: Planeta.

Um mergulho didático e interessante no cruzamento da nossa história com a do império Romano. Através da ficcionalização da vida de uma família Olissiponense, André Simões leva-nos a conhecer a fundo os tempos áureos de Roma. Não com o foco na grande história dos imperadores e da cidade eterna, tentando sempre olhar para o nosso recanto romano à beira-tejo, com os seus modos de vida, economia e governo. 

Claro, dado que a quantidade de vestígios do império nos vem de fora e não do território português, pese embora a nossa riqueza arqueológica, boa parte da história da vida destes Cássios é extrapolada do que se sabe vindo de outras paragens. Faz sentido, dado o amplo espectro do império e a forma como a romanização enraizou os seus costumes nos povos e territórios conquistados. Tal como o prova a língua que hoje falamos, ou muitas das festas que celebramos, que nos chegam desses tempos.

O foco deste livro está na vida dos romanos, daí o uso de uma família meio imaginada (os nomes foram criados a partir dos vestígios das estelas funerárias que se encontraram em Lisboa). Este estratagema, mais pedagógico que literário, permite-nos acompanhar a vida quotidiana dos romanos, tal como se sabe hoje que eles viviam. E, no fundo, perceber que apesar das vastas diferenças entre os seus tempos e os nossos, não eram pessoas fundamentalmente diferentes do que nós somos. Através deste livro, vemos como os nossos antepassados comiam, se divertiam, socializavam, estudavam, geriam os seus negócios, quais os seus ritos religiosos e superstições.

Apesar do enorme gosto deste livro em falar-nos dos romanos, não há nele o deslumbramento cego que demasiadas vezes se vê ou lê por aí quando se fala da grandeza do império e da sabedoria dos cidadãos. Não há pejo em mostrar-nos que os modos de vida e atitudes dos romanos são radicalmente diferentes das nossas, e nalguns aspetos que hoje consideramos direitos humanos elementares, são-nos repelentes. As suas atitudes perante a mulher, vista como útero para procriar e sempre submissa aos homens da família, são um óbvio exemplo.  Ou, ainda mais gritante, a condição dos escravos, meros objetos sujeitos aos donos, em que só uma minoria poderia aspirar à condição de liberto (e mesmo assim não se livrava da tutelagem familiar dos seus antigos donos). Apesar disto, o livro tem uma perspetiva otimista, recordando que as pessoas comuns tentam vivera as suas vidas em equilíbrio.

Como nota final, registo o trabalho notável do seu autor. Não só neste livro, escrito como de divulgação histórica acessível, mas ao papel que assumiu como influenciador no TikTok. É quase um contrassenso que alguém que se dedica a falar da cultura romana, condição de neurodivergente e ativismo LGBT se tenha tornado uma figura influente graças às redes sociais, que costumam incentivar e recompensar os tipos de discurso que se encontram nos antípodas dos de André Simões. Num oceano de anti-intelecutalismo, conservadorismo extremista, proto-fascismo, masculinidade tóxica ou a promoção do mais elementar e pateta comportamento humano, é quase incrível que se tenha tornado uma voz influente e conhecida. Ainda bem que assim é, significa que apesar de toda a podridão algorítmica, as redes sociais ainda conseguem dar voz àqueles que vale mesmo a pena ouvir.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

ESFS Achievment Awards: Best Internet Publication


Confesso que estava a leste. Passei um domingo tranquilo a passear pela Lagoa de Óbidos, aproveitando a tarde de canícula para leituras e sestas. Só ao final do dia é que reparei que tinha mensagens muito, muito especiais. Ao abrir, deparei-me com esta foto do Rogério Ribeiro a aceitar um prémio... de Best Internet Publication, atribuído na Eurocon 2026 que decorreu no passado fim de semana em Berlim.

Olhei para a foto, e confesso que ainda não acredito. Fiquei, e ainda continuo, sem palavras, a minha personalidade neurodivergente fica meio sem jeito nestes momentos. Estou contente, claro, mas acima de tudo agradecido! Muito agradecido ao incansável trabalho do Rogério Ribeiro. Ao longo de anos, tem sido  uma força motriz do fandom português, organizando o Fórum Fantástico e outras iniciativas, e fazendo um esforço de representação do que cá fazemos nos eventos internacionais europeus. 

Um dos corolários disso acontecerá para o ano, quando o Fórum Fantástico for, também, a Eurocon 2027. 


Diga-se que este ano a Eurocon foi muito favorável para nós, que no nosso cantinho à beira-atlântico geralmente não sentimos grande projeção do que cá fazemos. O Luís Filipe Silva foi distinguido como best author (e é tão merecido, tão merecido!).


O excelente Tales from Nevermore foi distinguido como Best Graphic Novel. É excelente ver estes criadores marcantes a ver a sua qualidade reconhecida pelo júri europeu.


O ator Afonso Molinar foi distinguido com o prémio Chrysalis.

E prontos, este vetusto recanto. Obrigado a todos!

Tem sido um gosto manter esta página, e é um orgulho vê-la distinguida com este galardão. Sem vaidades, apenas com o compromisso de por cá se ir continuando.



domingo, 5 de julho de 2026

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The Air Death Cloud: Nuvens fatais. 

Quando as Cidades se tornam Memoráveis: As cidades estimulam o imaginário literário, tornando-se muitas vez mais do que cenários das histórias, e sim elementos essenciais da narrativa. 

Sobre a lista dos 100 melhores livros do Guardian: Nunca haverá uma lista perfeita. Cruzam-se gostos e pressupostos estéticos e culturais. O real problema levantado nesta análise é o não assumir disso, o mostrar que a origem e contexto cultural de quem organiza estas listagens literárias as influencia profundamente. 

25 Sensational Books to Read This Summer: Sugestões de leitura estival, a desafiar o preconceito de livro leve de praia. 


Pornography for Fun and Profit: Hoje, sabemos que ambas são falsas. 

Asimov is an Open Source Humanoid Robot For the Rest of Us: E chegámos ao ponto em que se pode construir um androide na garagem (bem, o inMoov já fazia isso, mas não de forma tão completa). É a beleza do conhecimento - as empresas podem tentar fazer gatekeeping, mas há sempre a comunidade open source para abrir as coisas ao mundo. 

Southwest Airlines bans humanoid, animal-like robots from flights: Como pessoa que já meteu robots na mala, isto é um pouco preocupante. Mas creio que o problema aqui tem mais a ver com as regras relativas a baterias, do que aos robots em si. 

Las gafas con IA han encontrado un público inesperado: los "manfluencers" que graban mujeres sin su consentimento: Ok, desculpem lá, mas em que universo é que vocês vivem em que achariam que os pervertidos, rebarbados e restante fauna de ética duvidosa não iriam achar que estes smart glasses era perfeitos para concretizar os seus sonhos húmidos? 

Devious Prankster Posts Real Monet Painting, Tells People It’s AI-Generated, and Watches the Chaos Unfold: Esta experiência revela imenso, não sobre as atitudes face à IA, mas da profunda ignorância da generalidade dos comentadores de redes sociais e guerreiros do teclado. 

The shock of seeing your body used in deepfake porn: Um crime com várias nuances, desde as atrizes de pornografia (que, em si mesmo, é já um meio violento que explora a mulher) a pessoas comuns. E uma violência múltipla, não só o do uso de imagem não autorizada, como da degradação da imagem pública destas vítimas, que são vistas com desconfiança. 

Your doctor’s AI notetaker may be making things up, Ontario audit finds: Não há grande novidade nisto. Sabemos que o melhor da IA é com supervisão humana. E vem daqui um dos grandes riscos da sua implementação - nós, humanos, quando um sistema responde razoavelmente bem habituamo-nos e desleixamos a sua vistoria constante. 

Too Much Is Happening Too Fast: Sente-se, de facto, uma certa ideia de se estar prestes a atingir massa crítica na forma como a IA nos está a mudar formas de trabalhar. 

The AI Backlash Could Get Very Ugly: O quê, a sério que se surpreendem se as pessoas se revoltam por estarem constantemente a ser ameaçadas por gestores gananciosos que vão perder os seus empregos por causa da IA? Ou acham que é suposto sorrir e adular, quando vemos os bilionários a enriquecer cada vez mais à costa de toda a sociedade, empobrecimento generalizado e esmagamento do bem público? 

A Deranged New Wikipedia Clone Is Made Entirely of Surreal AI Hallucinations: Vá, ao contrário da Grokipedia, que foi precisamente criada para desinformar, esta experiência serve para nos fazer refletir sobre os riscos da desinformação via IA. 

Microsoft ditches Teams feature that put attendees into the same virtual room: Esta patetice foi divertida para aí durante zero minutos nos tempos da pandemia e das conferências virtuais. E quem vos diz isto já foi sujeito à absurda experiência de estar a participar em conferências online onde os organizadores nos pediam a cãmara ligada para a foto final... neste ecrã. E, por foto, entendam um dos conferencistas a pegar no telemóvel e a fotografar o ecrã. A tecla print screen é um saber digital muito acima das capacidades de muitos evangelistas da transiçao digital. 

Tras más de 20 años usando Microsoft Office, me he pasado a LibreOffice. Ahora me doy cuenta de todo lo que me he perdido: Ficamos só pela experiência de instalar e começar a usar, sem necessidade do malabarismo de códigos de ativação e obrigatoriedade de criação de contas para usar o software. Eu, fiz o mesmo e não me arrependo. 

Portugal sem rádio digital DAB+: Pergunto-me algumas vezes se o tipo de decisões que por cá implementa este tipo de infraestruturas está pensado para os utilizadores, ou para favorecer as empresas ligadas aos media. Com a TDT foi o que se viu, um sistema que pareceu pensando para obrigar as pessoas a migrar para a oferta, paga, de tv das operadoras de telemomunicações. 

China lleva años usando tranvías sin raíles ni catenaria. El problema es que tampoco son tan revolucionarios como parecen: Sistemas de condução aparentemente autónoma. 

The History of ThinkPad: From IBM’s Bento Box to Lenovo’s AI Workstations: Uma história detalhada, muito detalhada, de um dos computadores portáteis mais icónicos. 

Pluralistic: There's no such thing as "age verification": O problema das boa intenções, do pensamento solucioniata de curto prazo, bem explicado - "Technopolitics are defined by Bruce Schneier's "security syllogism," which goes, "Something must be done! There, I've done something." "Something" doesn't have to fix the problem, and "something" doesn't have to anticipate what will happen next. So long as "something" is done, the issue is resolved and the politician can chalk up a win."

Homer Simpson may be the best AI commentator we have right now: O cada vez mais violento ennui e rejeição perante o dilúvio das tecnologias de IA explica-se bem por isto - "I think it reflects something deeper: a growing suspicion that the gains from this next technological wave will once again flow disproportionately to a relatively small number of people, firms and places."


The corner boxes of the Magik mini-series (1983): Comics clássicos. 

Xi Jinping Was Only Humoring Trump: Essencialmente, isto: "Like many of his counterparts around the world, Xi has begun to assume that it’s not just Trump who is term-limited; it’s also his nation". 

DOGE Cuts Unleashed a Deadly Wave of Violence Across Africa, Study Finds: Mais uma excelente herança do sonho húmido neoliberal - morte, fome e violência. 

Striking New Views of the First Atomic Bomb Test: Recordar o momento do nascimento da era atómica. 

The Night Witches: The Female Nazi Hunters of WWII: Recordar a coragem extrema das mulheres-piloto que combateram na frente leste contra os invasores nazis, e, também, contra o próprio país (no sentido de serem mulheres na linha da frente, desafiando os estereótipos que existiam mesmo num país supostamente progressista). É de notar que conduziam as suas arriscadas missões à noite, geralmente com aeronaves mais antiquadas do que as dos pilotos de combate soviéticos. A história destas mulheres é uma combinação de coragem, patriotismo e valor. 

Someone Asked Physicists What They Really Believe About the Universe and… Yikes: Se achavam que a pergunta tinha respostas confortáveis, é porque nunca leram sobre a forma como a física elementar tenta explicar o nosso universo. Yikes, deveras. 

Photos: The Global Cost of the Iran War: Uma guerra estúpida, inútil e falhada, cujas consequências são sentidas por todos nós, em particular pelos mais frágeis. 

Leituras da Semana (#115 // Mai 18 2026): Só um pequeno reparo - a "velha" internet está viva, e mexe-se. Há muito para lá do boomer slop do facebook, dos idiofluencers do tiktok ou da mediania estétca do instagram. No fediverso encontramos o espírito clássico, de partilha e discussão onde trolls são depressa extirpados, o discurso de ódio é isolado e não há algoritmos mediadores a influenciar o que vemos. E a piada de redes como o mastodon ou pixelfed é que estão concebidas de raiz para não serem permeáveis pela algoritmia inerente às redes sociais. Já sobre o bluesky, não arrisco a mesma opinião, dado que há interesses comerciais que o sustentam. 

Being a Crappy Boss to AI Chatbots Pushes Them Toward Spouting Marxist Rhetoric and Organizing With Their Compatriots, Researchers Find: Até as IAs, apregoadas como a epítome do sonho capitalista de espremer o máximo de valor do trabalho enquanto se livram da massa fedorenta que são os trabalhadores, percebem que à esquerda é que é o caminho. 

Painter of Machines | Miltos Manetas: A aparente banalidade dos cabos, equipamentos e gadgets, trnasformada pela visão da pintura clássica. 

The Enshittification of History: Stross, acutilante e certeiro a retratar os tempos desesperantes em que vivemos. 

En 2008 China instalaba estaciones de metro en medio de la nada. En 2026 hemos descubierto lo ingenuos que fuimos: É por estas que a China se está a tornar o novo líder global. Não pensam a médio prazo, mas sim a longo prazo nos seus investimentos.

Iran demands Big Tech pay fees for undersea Internet cables in Strait of Hormuz: Bem, a patética guerra iraniana poderia mostrar ainda mais a fraqueza americana, não podia? Os iranianos aprenderam depressa que num mundo sem regras, quem controla pontos estratégicos faz o que quer.

A 4.000 metros en los Alpes, de noche, a -28º y sujeta con cuerdas: cómo se tomó la "foto imposible" que ha cautivado a la NASA: É apenas uma imagem, podem pensar. Neste tempo de proliferação extrema, entre a legião de fotos e a explosão das imagens geradas por IA, é tocante ver como alguns arriscam extremos de esforço físico para procurar legar imagens extraordinárias. Que, no turbilhão dos fluxos digitais, mal damos por elas.