sábado, 6 de dezembro de 2025
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Tower of Shadows
(2025). Lost Marvels No. 1: Tower of Shadows. Seattle: Fantagraphics.
A leitura perfeita para passar um serão chuvoso de noite de todos os santos, a invocar os espíritos do terror clássico nos comics. Esta tentativa da Marvel em entrar no mercado da EC Comics e da Warren não nos legou clássicos, mas não significa que tenha sido má. O título evoluiu com os gostos do mercado para algo ligado à sword and sorcery, mas os primeiros números eram puro terror em banda desenhada, naquele tom clássico que é tão marcante.
Sabemos a fórmula - ambientes góticos (mesmo se passados na modernidade), histórias de ironia negra, e a conjugação de maldições, assombrações, remorsos criminosos ou outras coisas que nos assustam no escuro. Combine-se isso com os talentos gráficos de desenhadores como Jim Steranko, Wally Wood, Neal Adams ou Barry Windsor-Smith, entre outros, e o resultado é puro deleite estético, dentro dos limites quadricrómicos dos comics.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Caminhos Magnéticos
Branquinho da Fonseca (1959). Caminhos Magnéticos. Lisboa: Guimarães Editores.
De Branquinho da Fonseca apenas conhecia esse portentoso e violento romance que é O Barão. O mergulho nestes Caminhos Magnéticos foi curioso, em parte seduzido por um título tão reminiscente do experimetalismo do modernismo português, em parte para conhecer mais da obra deste autor. O livro reúne um conjunto de contos muito sólidos, se bem que difícesi de definir como um todo. Nalguns, o tom era claramente naturalista e até com uma vertente de sóbria crónica política. Noutros, imperava o romantismo e as emoções. Alguns pareciam tocar no expressionismo, na forma como se construíam a partir de sensações e impressões pouco claras mas fortes. Há, até, um leve toque de sobrenatural, embora mais dentro do espírito romãntico do que tentativa de conto de trevas.
A escrita é cativante, sendo um deleite de ler. Talvez a característica que defina este livro seja o olhar, por vezes desconexo mas sempre inquieto, para o mundo moderno da sua época, a sua sua sociedade e modos de vida, buscando novas formas de exprimir visões e ideias. Os personagens destes contos estão sempre em confronto com os modos sociais, impelidos no seu caminho por acontecimentos que raramente controlam.
domingo, 30 de novembro de 2025
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Nicole Claveloux / Alice in Wonderland (French Edition) | 1974 |: Geografias fantásticas.
Duas Órbitas: E cá estaremos para acompanhar a próxima órbita, por vezes em diálogo lento. No mundo das plataformas e gaiolas douradas onde mais ganha quem mais grita e revolve emoções negativas, a clássica blogoesfera resiste, como um dos locais onde a promessa da internet em dar voz livre e isenta se mantém. Estamos cá, não porque queiramos fazer disto uma profissão (e eu também o digo, com uma carreira exigente no horário laboral e uma segunda carreira cheia de desafios interessantes, faço o que faço precisamente para seguir caminhos diferentes dos trazidos pela vida profissional), mas porque queremos deixar a nossa voz.
Rose / House – Arkady Martine: Confesso que gostei da voz desta autora em A Memory Called Empire, apesar deste novo livro não ter sido tão bem recebido.
Da loja para a estante (1): Caro, bem vindo a um dos melhores manga de Ficção Científica. Saboreia muito bem as aventuras destes sucateiros espaciais.
Kathryn Bigelow’s Warning to América: De facto, fazem falta obras na cultura pop que mostrem o real perigo de uso de armas nucleares. Eu, como criança da guerra fria, também me sinto apoquentado quando vejo a displicência com que os media falam do uso de armas atómicas, como se fossem meras explosões e não catástrofes de imprevisíveis consequências.
65 Essential Children’s Books: A lista vem do mundo anglófilo, mas mostra bem a evolução nos estilos e temas da literatura infantil.
Hell for tourists. SF art by Johnny Bruck.: Quem nunca desejou isto aos magotes de turistas que entopem as cidades?What if the EU ran on microelectronics?: Um olhar institucional para indústrias estratégicas para a era digital, e as medidas europeias que visam apoiá-las.
Gen Z faces ‘job-pocalypse’ as global firms prioritise AI over new hires, report says: Não é um "apocalipse" laboral. É capitalismo selvagem no seu mais brilhante neoliberalismo, a aplicar um dos seus princípios basilares: se pagas a dez pessoas para fazer o trabalho de dez, é mais eficiente e eficaz pagar a quatro pessoas para fazer o mesmo trabalho das dez, e dividir o dinheiro sobrante investindo num sistema de IA que vai funcionar mal e aumentando o salário dos gestores que se vão dedicar a produzir memes inspiradores para motivar os três trabalhadores restantes a dar o litro, amar a camisola e sentir-se em família com a empresa. Três, repararam, então não eram quatro? É que entretanto um saiu porque entrou em burnout por sobretrabalho e o gestor motivacional bem intencionado encontrou maneira de o despedir, e o que poupa com isso é declarado como lucro aos acionistas.
Police Say People Keep Calling 911 Over an ‘AI Homeless Man’ TikTok Prank: Quando a IA generativa se combina com a falta de noção, e mostrar desprezo por aqueles que a sociedade deixou de parte se torna moda fixe, dá nisto.
Easy For The Masses: O Hackaday a colocar o dedo numa das feridas mais óbvias, mas menos discutidas, do mundo da tecnologia - a incapacidade de alguns projetos, que desenvolvem tecnologias de enorme utilidade, em criar interfaces acessíveis que lhes simplifiquem o acesso. No mundo da educação há um caso gritante: o infame Moodle. É o melhor gestor de conteúdos para educação, cheio de opções, ferramentas e construído sob princípios pedagógicos construcionistas. E é odiado pelos professores, em parte por preguiça (montar um conteúdo pedagógico no Moodle requer trabalho e reflexão), mas também pelo seu péssimo interface. Os professores preferem vastamente produtos mais básicos como o Google Classroom, que permite fazer um centésimo do que o Moodle faz, mas é simples de utilizar e não lhes dá trabalho a manter.
Google's Nano Banana AI-image editing is coming to Search, NotebookLM and Photos: Não sei se será uma boa notícia, apesar de adicionar novas possibilidades às ferramentas. No Notebook LM poderá ser útil, se bem que a lógica de incorporar geradores de imagem nas caixas de pesquisa me ultrapassa.
Una ciudad japonesa se ha hartado de que sus vecinos se pasen el día con el móvil. Así que les ha puesto un límite: dos horas: Tratar os sintomas, mas não a doença. Iniciativas como esta são bem intencionadas, mas colocam o foco no ponto mais fraco. Como sociedade, sabemos que a forma como as plataformas digitais atuam está a ser prejudicial, quer em termos de saúde mental quer em termos sociais. No entanto, nem sequer colocamos em discussão a ideia de obrigar as empresas que lucram com este estado das coisas a abandonar as suas práticas comerciais abusivas e lesivas a toda a sociedade.
Our Long History Of Artificial Intelligizing: Não sei se será rigoroso olhar para o passado, para a história da ciência e tecnologia, e afirmar que já eram sinais de inteligência artificial. É certo que os mitos de seres mecânicos, os mecanismos imitadores de vida, as listas combinatórias de Lull ou as combinações de letras de Ibn Khaldun, até o modernismo prometeico de Frankenstein, prenunciam os correntes medos, anseios e anelos com a IA e robótica. Mas ver ligações diretas é olhar para o passado com a lente do presente. Há ligação, claro, tem a ver com a forma como encaramos o artificial e sonhamos, há milénios, com uma potencial criação de vida artificial, primeiro através de mecanismos intricados, hoje, com os algoritmos complexos.
It's Giving Enron: São cada vez mais intensos os avisos sobre a insustentabilidade do modelo económico da IA, um sorvedouro de dinheiro com poucos resultados práticos face à intensidade do investimento, e menores lucros. Ou seja, uma bolha, e como sempre nestas coisas, já sabemos quem vai ter de pagar a fatura dos jogos dos bilionários, não sabemos? Sim, seremos nós todos, à semelhança da crise de financiamento imobiliário de 2008 que levou às austeridades, troikas e quejandos.
The End of Windows 10 Support Is an E-Waste Disaster in the Making: A decisão da Microsoft de suspender o suporte de longa vida a um sistema operativo que detém 40% do mercado é escandalosa. É uma forma de nos obrigar a usar os Windows mais recentes - com melhorias, mas também a ter de levar com IA quer queiramos quer não, e com um método de inicialização que retira a liberdade aos utilizadores de configurarem o seu computador como bem queiram e lhes apeteça. Pior, o Windows 11 não corre em máquinas mais antigas, o que significa que muitos utilizadores vão-se sentir compelidos a comprar novos computadores. E, no caso das organizações, dado os perigos de vulnerabilidade, desfazerem-se de computadores não compatíveis com Windows 11 não é uma escolha, sequer.
Can we repair the internet?: Sim, podemos. O problema está nos governos e instituições, que bloqueiam as iniciativas de cidadania e favorecem os interesses económicos que nos estão a legar uma internet má, centrada no usar os dados de todos para enriquecer uma minoria, e a valorizar os piores instintos humanos para assegurar crescimento de mercado.
AI Has Been Trained With What’s Online. Not All Knowledge Is Online: O forte viés dos dados de treino de IA, que ignoram culturas e tradições não-ocidentais.
Kobo made a remote control for its ereaders: Podiam colocar um botão físico nos leitores, mas com isso perdia-se a oportunidade de vender aos utilizadores um segundo gadget.
Richard Corben, “Prospecting in the Asteroids,” 1967: Clássicos.
Poco a poco, los astronautas han sido testigos de una transformación radical: las ciudades han dejado de ser amarillas: Sinais da transição energética, com a Terra noturna vista do espaço a mostrar o alastrar da iluminação pública com os mais eficientes LEDs.
Una galería de proyecciones cartográficas: Representamos o mundo através de construções geométricas, e isso condiciona muitas vezes a nossa perspetiva sobre a real importância das nações.
Committee Unable to Contact Nobel Prize Winner Because He’s Too Chill, Had Phone on Airplane Mode: Há que saber desligar, e nos dias que correm, começa a ser um luxo ter esta capacidade.
Holy Essence: Não chego às trufas, o ordenado de professor tem os seus limites, mas compreendo bem a paixão gustativa pela explosão de texturas e sabores que os cogumelos permitem.
‘I Think It’s Quite a Scandal’: Plug-in Hybrids Not as Climate-Friendly as They Seem, Researchers Say: Os testes de certificação são feitos em condições óptimas, e a forma dos condutores usarem este tipo de veículos não é a mais eficaz.
Edward Gorey Killed His Darlings: Recordar a obra de um autor singular pelo seu humor negro.
Lisboa: Percebo bem este ponto de vista. Eu, saí de Lisboa quando isso ainda podia ser uma escolha, por razões pessoais e profissionais fui viver para cidades fora da minha cidade natal. O que vejo agora é que, mesmo tendo um salário um pouco acima da média, me seria de todo impossível regressar à minha cidade, a menos que dispensasse coisas como comer, vestir-me e comunicar para poder ter dinheiro para pagar uma renda na cidade. Continuo a voltar a Lisboa, uma cidade que vejo cada vez mais como parque de diversões para turistas e paraíso artificial para nómadas digitais, e não como uma terra para viver.
sábado, 29 de novembro de 2025
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Tales From Nevermore
Pedro Nascimento, Manuel Monteiro (2025). Tales From Nevermore. Lisboa: Ala dos Livros.
Estou arrependido por só agora ter lido este tomo. Deparei com ele em Leiria, quando lá estava no clássico encontro do CCEMS, mas achei que esperaria até ao Fórum Fantástico (não estava por lá à venda) ou pelo Amadora BD. O meu compasso de espera deve-se a, em parte, preferir adquirir as minhas leituras do fantástico português diretamente às lojas e projetos que o mantém vivo, e não às cadeias tipo Bertrand. Fiquei logo rendido ao folhear o livro na Bertrand de Leiria, resisti ao impulso de compra, naquele jogo psicológico de adiamento de recompensa. E que recompensa, agora que o li.
Pedro Nascimento e Manuel Monteiro oferecem-nos uma vénia profunda e excelente ao conto curto de terror gótico, bem como à estética magistral da EC comics e Warren nos anos 60 e 70 que se tornou um dos marcos maiores da iconografia do género. As histórias são curtas, incisivas na sua ironia negra, e soberbamente ilustradas. Segue o formato da antologia de terror, com um narrador que nos apresenta os contos e termina tecendo considerações morais, ou amorais, sobre o que acabámos de ler.
O tom de homenagem a todo um género é total, entre a estética visual, narrativa e linguística, formato, ou vénias óbvias como apelidar um corvo de Vincent. Há um toque de intrigante humor negro no livro, especialmente quando os autores brincam com a publicidade infantil que também fazia parte dos velhos comics de terror.
terça-feira, 25 de novembro de 2025
Urlo
Luca Conca, Gloria Ciapponi (2022). Urlo - Grito no escuro. Lourinhã: Escorpião Azul.
A Banda Desenhada é uma arte ingrata. Demora tempo a ser concebida, planeada, desenhada e editada. Já a ser lida, muitas vezes é num ápice. Foi o caso deste Urlo, livro que me seduziu pelo grafismo mas surpreendeu pelo ritmo acelerado da leitura. É uma história de terror e suspense, com um homem a tentar sobreviver na floresta enquanto uma criatura esfaimada, acicatada por campónios violentos, lhe dá caça. Uma história de fugas, lutas e momentos inesperados, mantida sempre num ritmo narrativo fortíssimo. Há uma certa circularidade no livro, que se inicia e termina num pântano verdejante, e diga-se que as primeias e últimas pranchas são os raros momentos bucólicos do livro. Isso é sublinhado por serem a cores, a contrastar com o expressivo traço riscado a preto e branco do desenrolar da narrativa.
domingo, 23 de novembro de 2025
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Thе Commodore РЕТ offers you а safe passage: Fantasias digitais.
How Many Is Too Many Books?: Mas isto é uma questão que se pergunte? Nunca são demais.
20 anos fantásticos: De facto, não é todos os dias que um evento cultural português, ainda por cima amador, comemora duas décadas. Isso deve-se à infatigável teimosia do Rogério Ribeiro, com as pessoas que o rodeiam, em manter um evento que não pretende ser um pólo comercial, mas sim um encontro de criadores e fãs. Este ano, por motivos imprevistos, quase não pude participar (lá se foi a sessão sobre IA para crianças onde ia solta robotzinhos a fugir de humanos), mas vá lá, deu para as imperdíveis leituras do ano, e cantar os parabéns ao festival.
Fórum Fantástico: Ecos da Ficção Brasileira em Portugal: Somos países-irmãos, com uma história comum, mas o fosso do Atlântico (e, sejamos honestos, apesar de ambos falarmos português, não é fácil entender as diferenças linguísticas, por estranho que pareça) não existem intercâmbios culturais fora de algum mainstream. No que toca à FC, a enorme diversidade brasileira é quase desconhecida por cá. Perdi este painel no Fórum Fantástico, e foi uma pena.
Recomendações de livros para ler em outubro: É interessante ver nas propostas um dos livros de Jorge de Sena mais ligado ao fantástico, e o Físico Prodigioso é de facto uma obra prodigiosa.
A magia imaginativa de World Heist: Novas estéticas de banda desenhada.
The Best Nonfiction Books: The 2025 British Academy Book Prize, recommended by Rebecca Earle: Livros académicos que nos mudam a perspectiva sobre o mundo que nos rodeia.
5202) A Zona crepuscular (9.10.2025): Um texto sobre as ficções que se centram em zonas difusas, onde o tempo e a física não se comportam como deveriam.
Fórum Fantástico: Leituras do ano: As leituras da Cristina Alves, partilhadas no painel clássico do Fórum Fantástico.
Ed Emshwiller’s 1964 cover art for The Radio Beasts: Radiofonias.
Cada vez me gusta más la tecnología que no quiere nada de mí: la que tiene un propósito y te deja en paz: No fundo, é isto - "El problema no es la tecnología. Es cómo hemos aceptado que debe comportarse. Hemos normalizado que nos interrumpa, nos mida, nos empuje hacia el siguiente contenido. Pero esa lógica no es inevitable. Es una elección de diseño. Y refleja un modelo de negocio". A ironia disto, é que nos queixamos constantemente dos malefícios e incómodos da tecnologia, mas nem nos atrevemos a falar de sequer regulamentar os selvagens modelos de negócio que nos conduziram a este estado das coisas. Ou, sendo mais direto, adoramos proibir os telemóveis porque fazem mal às crianças, mas nunca nos atreveríamos a interferir com a forma como as plataformas digitais operam, obrigando-as a práticas e modelos de negócio que não se baseassem no viciar dos utilizadores através de toda a sorte de mecanismos de manipulação comportamental, porque sequer discutir isso é logo considerado um sufocar do espírito de inovação económica e digital.
How Do the Normal People Survive?: Um auto-elogio à malta que não entra em parafuso sempre que qualquer coisa avaria.
Manual de defensa algorítimica, una guía para saber de dónde te caen y cómo defenderte en un mundo cada vez más influido por la inteligencia artificial: Leituras recomendadas.
A Short History Of Amateur Internet Culture: De facto, os amadores, gente que como eu não dispensa uma parte do seu tempo para produzir algo para a Internet, foram os construíram as mais vibrantes culturas digitais. Um trabalho e estética que as plataformas se apropriaram, mas continua a sobreviver em recantos mais afastados das gaiolas douradas das redes sociais.
Transformações e licenças: Contributos para o debate sobre questões de propriedade intelectual na agregação de dados para treino de modelos de IA.
'Red Flag': Analysts Sound Major Alarms As AI Bubble Now 'Bigger' Than Subprime: Uma tecnologia que requer investimentos massivos, mas cujas aplicações não geram retorno financeiro equivalente.
Kiss reality goodbye: AI-generated social media has arrived: De certa forma, redes sociais onde os seus utilizadores apenas consumam lixo generativo é o corolário lógico da evolução destas plataformas. Da promessa de ágoras onde pessoas de todas as origens poderiam interagir, passaram para o negócio dos influenciadores em menor denominador cultural comum. E diga-se, há pouca diferença entre AI slop e a esmagadora maioria do conteúdo produzido pr humanos que se encontra, hoje, nestas redes. E sim, estão a pensar o mesmo que eu - é estupidificante.
Lazy Parents Are Giving Their Toddlers ChatGPT on Voice Mode to Keep Them Entertained for Hours: No meu tempo de criança, tinhamos aqueles que os pais deixavam ficar entretidos frente à televisão. Hoje, é a mesma coisa, mas com os chatbots. Mudam as tecnologias, mantém-se os comportamentos displicentes.
AI Endangering Tourists by Sending Them to Nonexistent Landmarks in Hazardous Locations: Este é um dos mais óbvios perigos dos chatbots - a suspensação da descrença, e a confiança na veracidade da informação dada por uma ferramenta que se sabe ser muito falível. Claro, sendo o capitalismo o que é, suspeito que ainda teremos pessoas que criam atrações turísticas para tornar reais as alucinações dos chatbots.
Google Confirms Non-ADB APK Installs Will Require Developer Registration: Com isto, a Google transforma o ecossistema Android num reduto seu, impedindo terceiros ou independentes de desenvolver e instalar as suas próprias aplicações. A justificação é, como sempre, a segurança, mas o que a Google realmente quer é aumentar o lock-in dos utilizadores Android.
Una batería de litio incendiada destruye los datos de 125.000 funcionarios coreanos de los últimos 8 años (y no hay copia de seguridad): Leio isto e fico sem palavras. Centros de dados governamentais sem... cópias de segurança regulares?
Why I gave the world wide web away for free: Compreendo, e partilho, o desencanto do pai da web - "is the web still free today? No, not all of it. We see a handful of large platforms harvesting users’ private data to share with commercial brokers or even repressive governments. We see ubiquitous algorithms that are addictive by design and damaging to our teenagers’ mental health (...) On many platforms, we are no longer the customers, but instead have become the product. Our data, even if anonymised, is sold on to actors we never intended it to reach, who can then target us with content and advertising. This includes deliberately harmful content that leads to real-world violence, spreads misinformation, wreaks havoc on our psychological wellbeing and seeks to undermine social cohesion".
Windows 11 com conta online obrigatória durante a instalação: Quão mau é isto? Imaginem a gestão de parques informáticos com grandes quantidades de equipamentos, e a perda de tempo que isto implica. Dá vontade de mudar para linux, não dá?
Amazon Caught Peddling AI Slop Version of Cory Doctorow That’s So Ironic That We Have to Go Outside and Stare at the Sky for a Bit: A realidade fraudulenta a ultrapassar as mais incríveis ficções.
Qualcomm Introduces the Arduino Uno Q Linux-Capable SBC: Não é uma boa notícia, suspeito. Nas mãos de uma corporação como esta, o espírito open source do Arduino vai certamente diluir-se.
How TikTok Gets Its Users Addicted, Scrolling Ever Longer For Content: Sendo proprietário, o algoritmo da bytedance é inescrutável por entidades exteriores. Mas é possível estudar os seus efeitos, através da análise do comportamento dos seus utilizadores. A conclusão é conhecida - o mecanismo é extramente viciante. E não é exclusivo do TikTok, todas as plataformas online comerciais, jogos e redes sociais usam o mesmo tipo de técnicas para capturar e dominar a atenção dos utilizadores. Nesta questão, demonizamos o comportamento do elo mais fraco, o utilizador, enquanto elogiamos a capacidade e empreendedorismo das empresas que deliberadamente desenvolvem mecanismos de viciação para agarrar as pessoas às suas plataformas e aplicações.
AI toys are all the rage in China—and now they’re appearing on shelves in the US too: Não quero soar muito a boomer ou velho do restelo. Mas mal iremos na altura em que as crianças não vão precisar de antropomorfizar e dar vida imaginária aos seus brinquedos, porque estes se movem e aparentam ter personalidade. É um dano tremendo a um dos mais elementares traços humanos, o desenvolvimento da imaginação.
Learning to Code Still Matters in the Age of AI: Obviamente. Mas iria mais longe. Usar a IA melhora o desempenho de quem sabe o que está a fazer, ou seja, tem os conhecimentos de base e as capacidades adquiridas com a experiência, as ferramentas de IA. Mas a percepção pública sobre a tecnologia é a de a IA faz por nós, por isso não temos de nos preocupar a adquirir conhecimentos. É a velha displicência e preguiça intelectual tão humana, a revelar-se na era da IA.
Let´s talk about AI Art: Confesso, já me comovi muitas vezes ao visualizar e interagir com arte gerada por IA. Estou a falar de experiências com obras como as de Refik Anadol, Sougwen Chung e Sofia Crespo, entre outras. Mas o termo "AI Art" refere-se não ao uso de IA como ferramenta de criação, mas à proliferação de imagens geradas a partir de prompts, replicando estéticas obsoletas, banalizando iconografias. Em suma, o que se chama AI slop, que nos contamina os feeds das redes sociais e é tão útil e impactante que cada nova tendência de uso de geradores para fazer imagens se esgota em poucos dias. Ou, colocando isto de forma mais concreta, transformar as nossas selfies em imagens estilho ghibli com o chatGPT foi giro durante para aí uns cinco segundos, agora é totalmente cringe. Este comic do Matthew Inman traduz na perfeição o sentimento perante o dilúvio de banalidades generativas: a falta de visão - "And when I watch AI videos, I get the sense that the people making these things are unable to come up with anything genuinely clever beyond the feat itself."; e a mediocridade daqueles que são mais entusiastas a gerar imagens e entupir redes sociais com posts que ninguém, realmente, tem paciência para ver - "AI art enables your average 'Chief Brand Ambassador' or whatever the fuck their job title is to bypass that training and churn out really pretty Clipart."
Two works by Boris and Arkady Strugatsky, art by Kelly Freas and Bob Larkin: Clássicos.
Chinese Military Investigates What Would Happen If They Shot the Same Target With Three Rapid-Fire Nuclear Missiles: Não há duas sem três, versão guerra nuclear.
El gobierno de China está descubriendo que vender coches baratos no es suficiente en Europa: los repuestos irán assegurados: O regime chinês (e longe de mim defender uma ditadura) compreende bem a importância dos estímulos à economia. Não aqueles que, como por cá tão bem fazemos, servem apenas para enriquecer empresários e acionistas, mas os que obrigam as empresas a manter padrões elevados, que a médio prazo se traduzem na confiança dos mercados globais.
NATO TIGER MEET 25 - Epílogo: Confesso, tenho imensa pena que o dia aberto/festival aéreo de Beja tenha sido cancelado, teria sido fantástico visitar estas aeronaves.
Pediatricians Can’t Bear These Costs: O que retiro deste artigo é o quão disfuncional é o mais elementar de um sistema de saúde num país considerado dos mais avançados, percebendo que uma das proteções básicas que nos tem servido tão bem já há vários séculos, a vacinação, depende da disponibilidade financeira dos que são vacinados. E isto acontece não por falta de meios económicos, mas pelas mais absurdas razões ideológicas, esquecendo que a vacinação de um indivíduo não é um benefício pessoal, mas social, porque trava a progressão de doenças infectocontagiosas debilitantes ou fatais. É pura idiotice.
A partir del 9 de octubre, las transferencias en la UE ya no serán iguales. Entra en vigor una nueva verificación bancaria: Daqueles normativos que a indústria não aprecia, mas ajuda imenso os cidadãos europeus.
Na política do viral, matar é um shitpost: Estamos a viver tempos perigosos - "síntese de uma nova cultura de debate político. Em que a forma e a persuasão se sobrepõem à moral, à veracidade ou ao compromisso; e se valoriza o entretenimento do confronto, acima de tudo".
The Entire Economy Now Depends on the AI Industry Not Fumbling: Os sinais são preocupantes. O afã dos investidores em despejar dinheiro na IA não se está a traduzir nos retornos esperados, e cada vez mais se percebe que talvez nem a longo prazo traga o nível de retorno sonhado nestes dias. Com tanto dinheiro a ser canalizado para o que é cada vez mais óbvio ser uma bolha, as consequências sociais disto poderão ser devastadoras. Mais uma crise onde governos vão safar bilionários, mas desta vez podem perguntar ao ChatGPT variantes equivalentes ao dos pobres que viveram acima das suas possibilidades.
The Disturbing Lessons of the 1937 ‘Degenerate Art’ Show: Recordar os espetáculos de propaganda nazi a mostrar a arte degenerada, ou seja, o experimentalismo modernista, que contrastavam com a pureza estética do regime. Algo a recordar, nos dias de hoje em que os espectros do fascismo andam muito visíveis.