domingo, 13 de setembro de 2026

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This is originally from the February 1985 cover of Byte magazine: Informação é informação, quer seja em bits quer em adn. 

The Fear of Missing The Odyssey: É um truque comercial óbvio, o criar uma aura de exclusividade no produto. No caso do mais recente filme de Nolan, isso é conseguido através do formato de imagem - quem visionar o filme num ecrã normal não irá conseguir ver toda a cena.

The Fear of Black Greeks: Começo a pensar que a escolha de uma atriz negra para encarnar a lendária Helena foi uma jogada magistral de marketing. Deixou os trolls e patetas facho-conservadores a zurrar, e conhecem aquele velho adágio, não importa que falem bem ou mal de nós, importa é que falem. Do que conheço sobre a antiguidade clássica, discutir cor de pele e pureza étnica é ridículo, o mundo do passado era mais melting pot do que a visão conservadora de hoje imagina. Em parte, a brancura do passado greco-romano é obra da erosão, quando no renascimento a estatuária clássica foi redescoberta nas ruínas de Roma, desprovida dos pigmentos multicolores que a cobriam originalmente. Vem daí (grosso modo, claro) a ideia de alva brancura na perfeição das representações do corpo inspiradas pela visão classicista. Para lá desta questão de interpretação que hoje se ramificou em vertentes de puro racismo, há outra nota - reparem que os gregos antigos foram povos mediterrânicos, entrecruzando-se com fenícios, assírios, egípcios. Estão a perceber o quão absurda é a visão das deusas gregas louraças de alva pele que tem sido tão inspiradora para muitos que, com total ignorância, reclamam ser portadores do estandarte da perfeição das ideias clássicas? 

‘Everything I know about evil I learned in that small town’: John Carpenter on terrifying the world with Halloween, The Thing and The Fog: É curioso ver como este realizador parece tão alheado da influência profunda com que marcou a cultura pop, com o seu legado de filmes incómodos e perturbadores, disfarçados de terror elementar mas a obrigar a pensar nos males sociais que nos atormentam. 

O caminho mais longo: Vou lendo, e a curiosidade aguça-se (à data em que escrevo ainda não vi este filme). E acima de tudo, recordar que esta obra é uma interpretação de um poema épico milenar, ele próprio um condensar de uma longa tradição. 

Clara’s Private Corpse: Múmias, criaturas de Frankenstein e belas vítimas? 

Man Sues OpenAI, Saying ChatGPT Almost Killed Him With Horrendously Dangerous Medical Advice: Não há lado certo nestas notícias. Por um lado, sabemos que os criadores de chatbots de IA não colocam salvaguardas a produtos que funcionam a dar razão aos seus utilizadores. Por outro, há a ingenuidade excessiva (ou talvez estupidez, sendo menos simpático), dos utilizadores que acreditam cegamente naquilo que um sistema digital lhes diz. E esse problema, já Weinzenbau o tinha detetado com o ELIZA, o avô de todos os chatbots.

The Computer That Helped Win World War II: É um mito pensar que Turing fez tudo sozinho em Bletchley Park (se virem o filme biopic, é a sensação com que ficam). Este artigo mostra como o Colossus foi um trabalho de equipa, entre os criptógrafos e os engenheiros elétricos.

What made me finally switch to Vivaldi as my default Linux web browser: Larguei o chrome no meu PC, e tenho andado a usar este navegador. Apesar de não ser perfeito, corre muito bem e tem benesses como menor rastreamento de dados, ou bloqueio automático de publicidade. 

Computer Science Enrollment Now Declining Under Dark Cloud of AI: Não é que a IA implique que vai deixar de ser necessário saber programar, bem pelo contrário. É que qualquer pessoa com dois dedos de testa já percebeu que o patronato quer usar a IA para se livrar a todo o custo dos custos com essa coisa fedorenta que é a força laboral, mesmo que isso implique vender piores produtos e serviços. Já todos percebemos isso. O que significa que a ideia transacional de adquirir uma certificação ou tirar um curso com vista a acesso rápido a empregos específicos se esfumou. Notem, não é a tecnologia. É a ganância dos que a usam para enriquecer à custa de todos nós. 

Why Would Meta Download So Much Porn?: Só há uma explicação lógica, obviamente, a gratificação dos incels que lá trabalham. A empresa quer ver felizes os seus funcionários. Não terá sido, certamente, para treinar modelos de IA, eles jamais fariam isso. 

España quiere tener su propia IA "soberana". El primer paso se llama Sherpa.ai, y el Estado ya es acionista: Aqui ao lado, não há lançamentos pomposos de ferramentas promissoras mas criadas com investimentos muito baixos. Há uma estratégia de apoio à IA soberana, que passa pelo estímulo ao seu desenvolvimento. 

Siempre hemos temido al robot autoconsciente: hay argumentos técnicos y filosóficos para dotarles de "razón": A importância de simular consciência na interação com robots. 

Sketching the new dysto-utopian world with massive presence of artificial intelligence: Há menos tempo do que nos é confortável admitir, este tipo de cenários seria recebido como uma visão especulativa distópica impossível. Nos dias que correm, sente-se que já é a realidade em que estamos a viver, com uma plutocracia restrita a sugar a riqueza produzida, enquanto uma crescente multidão se vê cada vez mais empobrecida. As classes médias, que sustentaram as democracias liberais do século XX, estão em clara regressão. Podemos mudar este resvalar, mas as classes políticas das sociedades democráticas estão claramente rendidas e vendidas aos bilionários. 

This AI Browser Is Building the Front End for the Dead Internet: Sim, mas para IAs, será que vale a pena falar de informação em rede? 

"Temperatura" y "longitud de respuesta": dos parámetros muy poco conocidos que lo cambian todo con la IA: Uma forma rápida de esclarecer dois conceitos essenciais para interagir com IA - temperaura, o maior ou menor afastamento das probabilidades de base da resposta; e o âmbito, que limita a resposta dada ao contexto que queremos. 

The AI Industry Has Acted So Badly That It’s Now Dealing With a Huge Wave of Hatred: O quê, a sério que achavam que bombardear-nos com pronunciamentos sobre a obsolescência dos trabalhadores ia causar boa impressão? 

 Automation Led to Economic Misery. AI Doesn’t Have To: Mas vai seguir esse caminho. Os que tutelam as instituições democráticas estão rendidos aos bilionários e ao neoliberalismo canibal. Podemos travar o caminho perigoso que a IA é uma excelente desculpa para trilhar, mas não o faremos, apesar de todos os avisos e da cada vez mais óbvia revolta de quem já percebeu que as enormes promessas trazidas por esta tecnologia foram corrompidas pela ganância de uns poucos.

machetelanding: Utopia ou distopia. 

Tonga and the Business of Real Estate in Outer Space: Quando a ciência se cruza com a economia, a geografia ganha novos espaços. 

Llevamos décadas deseando extraer la energía infinita del océano sin mucho éxito. Una empresa sueca está cerca de cambiarlo: Daquelas notícias que não se lêem nos media nacionais, mas é interessante saber que Portugal é um dos pólos de desenvolvimento deste projeto de energias renováveis. 

The Horrible Rise of the Makeout Police: Antigamente, chamávamos a isto o meter o bedelho onde não se é chamado. Hoje, é uma prática normalizada, transformando os locais públicos em arenas onde comportamentos perfeitamente normais são registados para partilha e dissecação online, para gáudio da legião de frustrados que não tendo melhor na vida, se delicia a apontar dedos acusadores às vidas alheias. Pior, isto traz um silenciamento dos espaços públicos: "Even if the chances are slim that you’d show up in a viral video, the possibility can be chilling".

Beyond Greece and Rome: Sempre focámos o olhar numa antiguidade clássica centrada no mediterrâneo - Egipto, Grécia e Roma, mas o mundo antigo era bem mais vasto e, hoje sabemo-lo, interconectado.

Es uno de los libros más enigmáticos del mundo y lo hizo un esquizofrénico que nunca salió del manicômio: O poder estético da arte bruta. 

UK Army selects battle-tested Tekever drone to replace Watchkeeper: Uma notícia interessante, que dá destaque a uma das mais dinâmicas empresas portuguesas na área da defesa. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Atrahasis


David Soares, Sónia Oliveira (2025). Atrahasis. Lisboa: Kingpin Books.

Nem me atrevo a procurar uma análise desta mais recente proposta de David Soares, excelentemente ilustrada por Sónia Oliveira. Como é habitual nos seus livros, a história é críptica, com múltiplas camadas de sentido. Somos levados à antiga mesopotâmia (como o título indica, e uma história que recria em linhas gerais as raízes do mito sumério que nos legou o mito cristão de Noé), mas não esperem um périplo histórico limpo. Antes, é um mergulho negro em mitos que nos escapam, sensibilidades e modos de pensamento que não compreendemos, e uma visão do tempo que não corresponde à nossa linearidade. Entre os muitos elementos brilhantes deste livro, está a percepção que ao tentar entrar na mente dos nossos antepassados longínquos, somos confrontados com a natureza quase alienígena, para nós, dos seus modos de ver e entender o mundo. Um livro que desafia o simplismo conceptual, como é habitual na obra deste autor.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Nó Cego


Carlos Vale Ferraz (2008). Nó Cego. Lisboa: Casa das Letras.

A Guerra Colonial não é um tema que a sociedade portuguesa consiga discutir. Há demasiadas memórias vivas, demasiados ânimos que se exaltam quando sequer se levanta a palavra sobre esses tempos. Ainda há quem se arreigue ao mito do ultramar, do país do minho a timor. Outros focam-se no lado de guerras de libertação. O próprio termo usado para designar esta guerra é contencioso e abre espaço a discussões acintosas. Pessoalmente, prefiro o termo colonial, porque de facto o foi - um último estertor de um regime que não foi capaz de ler o espírito dos tempos, arreigado a mitos e mantendo uma guerra insustentável, com enormes custos humanos e materiais, deixando feridas que ainda hoje não sanaram. Uma guerra que, como todos os conflitos, não foi preto no branco, teve matizes muito incómodos, e foi no fundo um enorme desperdício de vidas, de recursos de um país pobre, e de tempo. 

Talvez uma das razões que leve ao afastamento da discussão sobre estes tempos da esfera pública seja mesmo uma sensação de incomodidade. Num país que projeta a imagem de moderno e acolhedor, plenamente integrado na Europa, paraíso para turistas e fazedor de unicórnios financeiros (e a pagar o preço dos baixos salários, rendas elevadas, custo de vida incomportável e uma legislatura corrente que está apostada em destruir os parcos serviços sociais que nos restam), é incómodo recordar que há não tanto tempo como isso estávamos a meter a ferro e fogo territórios africanos, combatendo uma guerra suja, contando como aliados os racistas sul-africanos e rodesianos. É uma mancha que fica mal na foto do Portugal do século XXI.

Ideias em que se fica a pensar, ao terminar a leitura deste espantoso livro. O autor, pseudónimo literário de um militar que tendo servido nos Comandos em África e participado nalgumas operações violentas, sabe o que está a romancear. A história é ficcional, mas anda desconfortavelmente próxima de algumas aventuras militares dos teatros de guerra colonial. E não é preciso ter um conhecimento muito profundo para perceber quem é caricaturado pela figura do general K, amante de grandes operações militares em modo custe o que custar.

Esta leitura não é confortável. Acompanhamos o dia a dia de uma companhia de comandos, homens que pelas mais diversas razões (na maior parte das vezes, por desespero numa vida agrilhoada na ditadura) se voluntariaram para um corpo especial preparado para as missões mais violentas. E violência não falta nas suas operações, entre as patrulhas, emboscadas e ataques a bases inimigas em que são envolvidos, como ponta de lança.

Não esperem um livro de aventura empolgante. As histórias que o compõem não são elogios ao espirito de aventura militar, heroísmos icónicos e combates valorosos. Pelo contrário. Mergulham-nos numa violência desconfortável, retratando a queda no abismo daqueles soldados. Nenhum sairá inocente da guerra, nem incólume. Os que não morrem na mata ou são feridos nas operações, levam consigo o peso da violência em que se viram envolvidos. Quer a que sofreram, quer a que infligiram nos guerrilheiros e populações civis. Por detrás de tudo, a sensação de fatalidade de viver uma guerra inútil, de arriscar a vida e matar para cumprir as vontades de oficiais e governo cuja visão da realidade não corresponde ao espírito do tempo.

O romance é brilhante e explosivo. Ao mesmo tempo um retrato da guerra colonial feito através das experiências dos soldados que nela combateram, suspeito que memória romanceada das experiências do seu autor, e uma reflexão sobre como a capa da civilização depressa desaparece na selva com uma arma na mão. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Motelx 2026 (I)

Uma breve fuga a Lisboa, em modo de picar o ponto no Motelx. Recordando os velhos tempos em que era frequentador mais assíduo do festival e fazia maratonas de cinema. Tempos em que o arranque de ano letivo se resumia a algumas reuniões e preparação, e não a sobrecarga de trabalho que já se iniciou antes do final das minhas férias (a sobrecarga de trabalho e responsabilidades que me tem sido despejada em cima são razões mais que suficientes para terminar a carreira na minha escola e transferir-me para outra, e já o devia ter feito nos concursos do final do ano passado, mas hesitei). Adiante, os horrores do real não têm de interferir com a fruição dos arrepios de terror. 

Consegui dar um salto ao festival, e dado que este ano se prolonga por dois fins de semana, vou tentar repetir a dose. 

A Virgem do Lago da Pedreira, Laura Casabé

Confesso, escolhi este filme por mero conforto de agenda. A sessão era às 14, perfeito para quem chega à cidade a meio da manha e almoça (num dos meus prazeres culposos de Lisboa, a Delphi e a suas lambuzantes sandes de Filadélfia). Achei que me ia entreter com um filme latino-americano de bruxarias, saiu-me uma obra inquietante que pode ser descrita como um cruzamento entre Carrie e Lolita. Lamento, cara realizadora, mas o olhar lânguido da câmara para o rosto de uma adolescente com os óculos escuros de aro oval grosso e branco denuncia logo as referências culturais. 

A história é de um coming of age com laivos de sobrenatural, passada numa Argentina falida dos anos 90. Três raparigas estão a passar o seu último Verão no final do liceu com o rapaz que é venerado por uma delas, e vão sofrer as tensões da entrada no grupo de uma mulher mais velha, madura e experiente, que as cativa pela sua rebeldia e estilo de vida alternativo mas acaba por seduzir o rapaz do grupo. O despertar da sexualidade, a transição para o início da idade adulta, o panorama de um país em crise profunda e a dificuldade em lidar com emoções colidem numa história inquietante e estupendamente filmada, com uma fotografia belíssima. 

Nosferatu, Werner Herzog

Nunca tinha visto este filme em cinema, daí  a escolha de um Herzog numa tarde de vaga de calor. Rever este filme no grande ecrã recordou-me o porquê de gostar dele. É uma homenagem ao clássico de Murnau, mas a homenagem não se faz pela repetição. Herzog filmou a história com a peculiar sensibilidade, tornando o filme mais desagradável ao palato do cinema de terror, mas na verdade a levar bem longe a lógica da história.

Não tinha percebido o quão queer é este filme, mas as cenas quase ternurentas em que Klaus Kinski, numa soberba caracterização que homenageia Max Schreck com um olhar de intensa solidão, suga os pescoços de Bruno Ganz e Isabelle Adjani vão muito além do horror vampirico (que em si já é uma metáfora sobre sexualidade reprimida). Sublinha isso a forma como Ganz rejeita a esposa, enquanto se vai tornando ele próprio um vampiro. 

Prefiro estes Dráculas subtis e desconcertantes às versões Hollywood, sempre a puxar para o melodrama trágico. Renfield revisto por Herzog é divinal na sua patetice, e o normalmente implacável e infalível Van Helsing é aqui um incapaz de pouca ciência, que só tarde demais se apercebe da sua ignorância. 

Ver este filme, finalmente, num ecrã de cinema mostrou-me o seu lado profundamente pictórico. As cenas estão compostas e estruturadas como pinturas românticas e pré-rafaelitas, com uma iluminação difusa. Herzog chega a incluir uma totentanz, com os pestiferos habitantes de Wismar a largar as inibições e algemas morais no meio da decadência. 

domingo, 6 de setembro de 2026

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lookcaitlin: Alta fronteira. 

An Odyssey Deserving of the Biggest Screen Possible: Confesso uma enorme curiosidade, e mantenho o espírito aberto para a forma como Nolan aborda este clássico. 

What You Won't Learn About the Odyssey from a Movie: Recordar que a Odisseia é, acima de tudo, uma obra da oralidade, recolha escrita de uma longa tradição de contar e cantar de histórias. 

Silicon Valley’s Science Fiction Problem: Bem sabemos. Os vendilhões do templo da tecnologia mostram-se conhecedores do melhor da FC, mas se a leram, não a perceberam. Pegaram nas piores distopias e empacotaram-nas em produtos e serviços merdificados, que não estão a trazer benefícios à sociedade. Ficam-se pela aparência, desconhecem o contexto. Nalguns casos, a desconexão entre o que se diz e os reais valores da obra de FC chega a ser dolorosa, como quando vemos bilionário sociopata Musk a citar Star Trek ou The Culture, duas visões de futuro que representam o completo inverso do capitalismo predatório que o tornou trilionário. 

As melhoras leituras do primeiro semestre 2026 – FC & F: Há aqui muitas e excelentes sugestões de ficção científica e fantástico. 

How Publishers Fight For Sweet, Sweet ‘Odyssey’ Money: Algo me diz que muitos dos que vão ser seduzidos por estas capas irão ficar algo desapontados quando realmente lerem o livro. Odisseus não é um last action hero, e a Odisseia é um texto pesado.

What to Read & Listen to After Seeing The Odyssey: Confesso, há que apreciar uma onda clássica na cultura pop.

Computer Game (1973) Why don’t you come up: Tecnomalandrices. 

The First Chatbot’s Multiple Personalities: Apesar de conhecer relativamente bem a história do ELIZA, não sabia que à época, se tinham experimentado modos de personalidade para a avó de todos os chatbots. 

Suno snatched millions of songs from YouTube, Genius, and Deezer: Para surpresa de ninguém, mais uma empresa de IA a ser apanhada com interpretações muito latas do conceito de fair use. 

China’s War on ‘Lying Flat’ Comes for Companion Chatbots: Como sempre, o governo chinês não está para brincadeiras, e legislou sobre o desenvolvimento de chatbots que incentivem ao envolvimento emocional dos seus utilizadores. 

AI slop movies are the new direct-to-video cash grabs: Novamente, daquelas notícias que não surpreende ninguém que acompanhe os volteios da IA. É o clássico chico-espertismo, agora acelerado pelas ferramentas generativas. 

The Brick Game, through the ages: Aquela leitura que não imaginavam que precisavam - um olhar para a evolução de um dos mais clássicos brinquedos eletrônicos (também tive um, claro!).

A Brief History of the Internet’s Favorite Scam: Um olhar para o nigerian scam, que até é bem mais antigo do que eu imaginava.

El salario de los junior lleva años en caída libre. Un nuevo estudio sugiere que el impacto de la IA no es tan obvio: Não é só a IA, a tendência começou no outsourcing.

Why AI Needs a “Genie Coefficient”: Inicialmente pensei que esta proposta tinha sido feita na brincadeira, mas ao longo da leitura, percebi a sua importância. Fala do fosso entre as promessas da IA, e as suas reais capacidades.

AI Companies Are Buying Tons of Old Books Because They're Free of AI Slop: Percebo o fascínio, também adoro livros antigos.

Studies: How AI Affects Creativity: A pouco linear relação entre IA e criatividade.


Outlaws of the Air: Aventuras no ar. 

In Memoriam, Encountering World War I, and Thinkable Horrors: É o melhor disto de andar enfiado na blogoesfera - de vez em quando, deparar-me com textos avassaladores. Costumo seguir a Maggie Appleton pelo trabalho que desenvolve no domínio da IA, mas não resisto a destacar este texto, sobre a forma como a literatura nos pode ajudar a compreender a história, e como a escola nem sempre o consegue fazer, com o seu foco em factos. 

The Lost Joy of Music Piracy: Há o lado venal da pirataria. E há o lado cultural, o de trocar ficheiros e aceder aos recantos mais inesperados da cultura.

For 1,000 years, a cult worshipped Odysseus: Ulisses como divindade. Esta, desconhecia.

How Shipping Container Disasters Became a Scientific Goldmine: Resumindo, se flutua, chega a algum lado. E essa trajetória revela muito sobre os oceanos.

Renoir Sure Painted A Lot Of Young Girls: Vá, não é isso em que estão a pensar, tem a ver com a afluência e o crescimento da burguesia endinheirada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Wirecam

 
















Fotos diferentes, produzidas com ajuda de inteligência artificial. Não foram geradas, usei uma app programada com vibe coding para chegar aqui. E, se quiserem experimentar, cá está: Wirecam

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

36


Nieves Delgado (2017). 36. Cádiz: Editorial Cerbero. 

Uma intrigante visão sobre o que significa a inteligência artificial, sob a lente da ficção científica espanhola. Em 36, a IA torna-se consciente um pouco por acidente. Num toque de humor surreal, a manifestação de sentiência dá-se num sistema de controle de produtos de uma cadeia de supermercados, que começa a fazer sugestões em tempo real aos clientes. Parte daqui um projeto social de criação de IAs conscientes, que não corre como o esperado.

Apesar deste toque de humor inicial, a história segue caminhos mais profundos, de meditação sobre o significado de consciência, especulando se uma consciência não-humana teria reais razões para respeitar os modos de pensamento da humanidade que a criou. É aqui que surge 36, na verdade a trigésima sexta IA a ser criada e incorporada, e que logo se distingue das anteriores por demonstrar algum interesse em falar com os humanos. No mundo do livro, é um projeto de investigação que gera as IAs conscientes e as decanta em corpos-simulacro de humanos, em fases de aculturação. As IAs incorporadas  começam por ter corpos de criança e adolescente, até serem consideradas aptas para ter uma forma adulta. Os corpos simulam com eficácia as sensações humanas, mas depressa se percebe que as IAs não estão muito interessadas nisso. São, até, muito apáticas, contentes em assumir papéis sociais menores, afastando-se progressivamente da humanidade que as criou até, num ato de aparente suicídio, se desligarem. Aqui, o romance dá-nos um vislumbre de fascinantes possibilidades ao mostrar-nos que estas IAs não se desligam realmente, apenas abandonam os corpos humanóides, mas não explora mais essa vertente.

Ficam no ar muitas questões. O porquê da apatia das super-inteligências face aos seus criadores, a legitimidade de investir recursos na criação de instrumentos que não se mostram interessados em ser utilitários (note-se que este livro foi escrito antes da explosão da IA generativa, uma tecnologia que quanto mais se desenvolve mais se percebe que serve para muito pouco, mal grado os oceanos de dinheiro que estão a ser despejados no seu desenvolvimento), se uma entidade artificial pode ou deve ter os mesmos direitos que um humano biológico. A leitura é interessante, intrigante, e reflexiva, com um ponto de vista algo fatalista que nos recorda que não há qualquer razão para que uma entidade consciente artificial se reveja nos nossos pressupostos sociais e culturais.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026