domingo, 16 de agosto de 2026

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Richard Hescox: Habitats. 

AmadoraBD 2026 - programação: É aquela tradição anual, que se faz mais por hábito do que por gosto, mas ressalvando sempre que é bom que este festival exista e se mantenha. 

PESADILLAS GÓTICAS | Jesús Palacios: Há blogs que publicam muito raramente, mas quando o fazem, são mergulhos muito a fundo em que se aprende imenso. Aqui, a partir do lançamento em Espanha de um clássico da literatura gótica do século XX, mergulha-se a fundo no lado pulp e feminista da ficção gótica. 

The Best Science Fiction: The 2026 Arthur C. Clarke Award Shortlist, recommended by Andrew M. Butler: Recomendações de leitura, para alguns dos melhores livros do momento contemporâneo. 

Ficção Científica Capitalista – Michel Nieva: Também tenho este livro na lista de leituras, com imensa curiosidade em explorar este ponto de vista. 

COMPULSION: The Writers Who Wrote The Most in History: Dos autores prolíficos, desde os que tinham o dom do dilúvio literário aos escritores a metro, forçados a bater texto para ganhar o pão. É curioso o final do artigo, que nos mostra a vertente contemporânea disso, com a literatura episódica chinesa em que os autores todos os dias escrevem milhared ee palavras para agradar aos seus fãs. 

‘Backrooms’ Wants You Back and Is Adding More Rooms (Footage): Dado que a premissa essencial das backrooms é tender para o infinito, diria que o prolongar o filme pode tornar-se um labirinto sem fim. 


Ed Valigursky, Empress of Mars, 1960s: Aerodinâmica espacial. 

The smartphone era created an attention crisis — slow tech is fixing it: Talvez mais do que uma moda, uma expressão do profundo cansaço que todos andamos a sentir com a gritaria constante da economia da atenção, em que tudo compete numa explosão de estímulos. 

Google pone fecha de muerte al Android que conocíamos. Los desarrolladores tienen claro que tu teléfono está a punto de dejar de ser tuyo: Este é o tipo de notícia que deixa a maioria das pessoas indiferentes. A liberdade de escolha digital é algo que não lhes interessa, usando alegremente as gaiolas douradas da google ou da apple. É também interessante ver o silêncio dos liberais nisto. Não consigo conceber um melhor ambiente de sufoco de inovação do que esta óbvia ormuzação do mercado das apps, sob a clássica desculpa-bode expiatório da segurança. 

AI Can’t Fix the Student-Motivation Problem: Exatamente o que penso quando vejo todas as soluções de software educativo (não só com IA) que os seus sempre entusiásticos proponentes afirmam ser a panaceia universal da aprendizagem, o milagre tecnológico motivador a cuja simples exposição os petizes irão logo adquirir conhecimentos e atingir o topo das aprendizagens. Mas até o mais medíocre dos professores sabe que não é bem assim, não há soluções mágicas para problemas advindos do espírito humano (e que estão conosco desde sempre): "A tool designed to respond to questions and ask follow-ups can’t help a student who doesn’t engage or know what to ask. Khanmigo, like so many other ed-tech tools, has floundered because it hasn’t solved the challenge at the center of education: How do you motivate students to experience the discomfort of learning something new? An AI tutor may be able to deliver math problems that are perfectly calibrated to a student’s level. But it can’t make the student actually do the problems." 

AI Is Designing Radio Chips That Humans Couldn’t Even Imagine: Usos intrigantes da IA, ou como a aplicação da sua lógica nos permite novos caminhos de desenvolvimento tecnológico. 

Mark Zuckerberg Is Selflessly Building Yet Another Horrible Product Nobody Asked For: Porque depois enriquecer a estimular a adição das pessoas a redes sociais, desvirtuando o conceito e incentivado os piores e mais repelentes comportamentos, nada como amealhar mais uns trocos incentivando o vício do jogo. 

OpenAI launches a limited preview of GPT-5.6 for a 'small group of trusted partners: A nova era da IA - não é para todos, é só para alguns. E o critério de acesso não é o tão querido dos amantes do mercado livre, o quem tem dinheiro para pagar os serviços. Passa a ser o agradar, ou não, aos gestores e governos dos países que controlam a IA. 

Lost books by ancient philosophers recovered from 'unreadable' scrolls: Talvez um dos mais fascinantes usos de IA que conhecemos, acoplada à imagiologia avançada para recuperar textos que pensávamos perdidos para sempre. Palavras esquecidas há milénios, que regressam aos nossos olhos através da IA. 

The People Who Will Thrive in the AI Age: Sendo uma tecnologia predominantemente cognitiva, vai beneficiar realmente os que são curiosos e querem mesmo aprofundar o que fazem. Para a larga maioria, já se está a ver que vai servir como desenrascador para não ter de dar uso aos neurónios. E isto, sendo mauzinho, não é algo exclusivo da IA. 

Employees Are Using Their Jobs’ Super-Expensive AI Tokens for the Most Hilariously Pointless Tasks Imaginable: A minha pergunta, quando leio sobre estas desventuras, é pensar "mas do que é que estavam à espera?" Especialmente numa área onde há mais especulação sobre a sua utilidade do que aplicações práticas. 

UE volta à carga com Chat Control: Já sabemos como os media vão retratar isto, como uma medida salutar para proteger os mais vulneráveis. É essa a intenção, o problema, é a forma como a UE pretende que seja implementada - fazendo com que, por defeito, todas as comunicações digitais sejam legíveis e acessíveis pelos operadores. Sem indícios de culpa, ou outros valores elementares. E isso abre um enorme precedente de hipervigilância, com os estados europeus a poder vasculhar sem qualquer obstáculo as comunicações dos cidadãos. 

The twilight of the chatbots: Aquele sentimento generalizado que a IA generativa é interessante, mas não assim tão útil como isso.

What AI Will Do to Art: Há duas formas de entender a relação entre IA e artes - a proliferação do slop, da geração de imagens, vídeos e música feia, foleira e feita por aqueles que têm zero talento e ainda menor bom senso por acharem que com a IA se vão tornar "criativos". E depois a vertente de experimentação, em que artistas e criadores procuram usar a IA como ferramenta para encontrar novas formas de ver e ouvir. Como é óbvio, esta segunda está em larga minoria.

The AI Industry Is Losing: Ed Zitron não poupa críticas aos oceanos de dinheiro que a indústria da IA está a gastar, sem grandes retornos visíveis.

Brown University Professor Horrified to Discover Largest AI Cheating Scandal in Ivy League History: Vá, não fiquem assim. O problema dos cábulas é velho, existe desde que a humanidade obriga as novas gerações a estudar. Tudo o que a IA veio fazer é facilitar ainda mais a preguiça.

Communities Might Not Want Data Centers, but Thieves Do: Ok, desta não estava à espera. Parece que há pelo menos um negócio em que a IA pode ser lucrativa a curto prazo.


hyborianbabe: by Cora Lee Healy: Mundos de fantasia 

Perhaps France Should Reconsider AC: Por cá, sempre que há vaga de calor circula nas redes sociais um suposto recorte de jornal dos anos 40, a falar de uma canícula que se sentiu em todo o país. Geralmente, acompanhado de alguma variação do boomer rant sobre o alarmismo com o ambiente e as falsidades dos ambientalistas. Mas não. Estamos já a sentir na pele as consequências diretas do aquecimento global. Não, não são os dias mais quentes, é o crescendo de extremos climatéricos. As vagas de frio estão mais geladas, as tempestades (como as pessoas de Leiria bem sentiram na pele) mais violentas, e os picos de calor mais elevados. Não, antigamente não era assim, digo que que já começo a ser antigo, antigamente temperaturas acima dos 30 graus eram consideradas canícula e os 40 a que já nos habituámos só aconteciam nos míticos territórios do sul de Espanha. Hoje, normalizámos as altas temperaturas, ignorando os riscos que nos trazem, e acima de tudo, ignorando intencionalmente o que levou a este estado de coisas. 

God Isn’t Dead: The World Is Becoming More Religious: Como sou daqueles que gosto muito de ver os deuses devidamente mortos e memorializados nos mitos, não leio este artigo como agradável. Se bem que o meu real problema não é com a necessidade das outras pessoas em acreditarem em deuses e outras fantasias. Se é isso que precisam e vos faz felizes, força nisso. O meu problema é com aqueles zelotas que não só acreditam piamente em mitos e fantasias, mas também querem obrigar toda a sociedade a viver de acordo com os seus preceitos e modos de pensamento. Para esses, não há paciência (nem deve haver tolerância, sublinhando que os mais zelotas são os primeiros a reclamar tolerância para os seus credos de intolerância). 

España plantó millones de eucaliptos para tener madera barata. 90 años después, hemos confirmado que son un desierto verde: Nós, por cá, sabemos bem o alto preço que esta cultura importada para rendimento industrial tem - desertificação e o agudizar da praga dos incêndios estivais. 

Why did this journal retract two 1940s papers by Max Planck?: Qual terá sido o escândalo científico a envolver o venerável pai da física quântica? Nenhum, na verdade. Tem tudo a ver com o zelo excessivo e ignorante de advogados, que ao perceber que um texto dos anos 40 teve várias edições, o marcou como violador de direitos de autor. Sim, a sério, leram bem, e é mesmo muito pateta. 

Creíamos que dormir con nuestro perro o gato era una idea reconfortante y saludable. La ciencia demuestra que destroza tu descanso nocturno: Confesso que não consigo proibir a minha cadela de saltar para a cama. Não me incomda muito o sono, de vez em quando dá-me patadas. Geralmente eu, ao acordar a meio da noite, é que a incomodo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Teatro Anatómico

 

É um curioso misto de bio-art e grand guignol.

@archizer0 #art ♬ Gymnopédie no. 1 - Romi Kopelman

O Coliseu dos Recreios transforma-se neste agosto numa instalação artística, que cruza obras de arte contemporânea com peças das coleções de anatomia da Universidade de Lisboa. Refletimos sobre o corpo, a carnalidade e a natureza, reconstruída e revista através das tecnologias médicas. 











Ver o Coliseu transformado numa galeria de exposição de arte contemporânea era algo que não estava a pensar que nos sairia no bingo, mas enfim, e porque não?

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Diabolik: Sulle Tracce Dello Scarabeo

Não sou particularmente fã de Diabolik, mas tenho uma amiga que o é, o que significa que sempre que tenho oportunidade de vir a Itália, trago um na mochila. Este episódio é uma das suas típicas aventuras, em clássico giallo negro. A história é de roubos duplos e traições entre ladrões, com uma jóia com forma de escaravelho no centro da ação. Claro que Diabolik e a sua fiel companheira Eva Kant vão sair por cima de todas as tropelias. A piada deste personagem é o seu estilo retro, que estas novas abordagens se esforçam por manter. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Firenze Descontruída

 
















Fotografia computacional possível através de vibecoding. A tentar ver de formas diferentes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Pior Banda do Mundo Vol. 1


José Carlos Fenrnades (2014). A Pior Banda do Mundo Vol. 1. Lisboa: Devir.

Regressar a um dos mais discretos grandes clássicos da Banda Desenhada portuguesa. Aquando da sua publicação original, em seis excelentes volumes, esta obra surpreendeu pela sua tranquila mistura de surrealismo, erudição, qualidade literária e simplicidade gráfica. Sempre foi uma obra assumidamente derivativa, apesar do seu caráter próprio, um destilar bem apurado do mais elegante na cultura global. Sempre num registo rigoroso de duas pranchas, mergulha-se em percepções e ruminações, na normalidade da estranheza, no absurdo sublimado. As histórias curtas são em simultâneo tocantes, desafiadoras, cómicas, surreais e sonhadoras. 

Se me deslumbrei por esta obra aquando da sua publicação original nos princípios deste século, regressar, neste formato condensado, foi recuperar a memória do deleite. José Carlos Fernandes afastou-se das lides da banda desenhada, deixando-nos um conjunto de livros interessantes e experimentais. A Pior Banda do Mundo merece o destaque como uma das melhores obras da história da BD portuguesa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Bookhaul

Já se sabe como é. Inevitável, diria. Parte-se de viagem a pensar que se será comedido nos livros, e ao regressar, a mala só fecha por milagres. Estive uns dias em Florença a participar no simpósio COSPAR, e, claro, entre Feltrinelli (gosto especialmente da que está na estação de Santa Maria Novella, se bem que as da via Cerretani e da praça da República também tenham um bom acervo) e Libraccio, houve aquisições impossíveis de resistir.

Sim, admito, em Florença oriento-me mais depressa pela localização das livrarias do que pelas schiachaterias onde os magotes de turistas devoram porchetta.


Um achado, discretamente escondido na Feltrinelli da estação - uma série de volume antológicos, dedicados ao melhor do fumetti trash-horror italiano dos anos 70 e 80. Sublinho que aqui, bom é um conceito muito relativo, isto é pura exploitation originalmente publicada em lendas do género, como as revistas Oltretombe ou Sukia. 
  

Como resistir a este ensaio, que cruza as minhas duas grandes paixões? 


Não sou particularmente fã deste personagem, mas tenho uma amiga que o é, por isso quando vou a Itália tenho de meter um na mala. Esta é a mais recente aventura do criminoso Diabolik, o clássico fumetti giallo de estética muito retro.
 

E não é que até a Disney consegue ser mais fiel ao espírito da Odisseia que Nolan? Comprado para um amigo, com ilustrações absolutamente deliciosas.


Outro tema que me interessa muito, a história da tecnologia, aqui com um olhar o pensamento técnico e mecânico da antiguidade clássica.


Há em Portugal um fã inesperado do personagem clássico de Castelli (não, não sou eu), um antigo aluno que descobriu o fumetti numa lendária viagem Erasmus, há alguns anos atrás. Agora que ele se prepara para ingressar no Técnico (vai abalar aquela universidade, claro, eles nem sabem o que os espera), trago-lhe uma pequena recordação.


Claro. O que é que achavam? É o meu ritual favorito. Aterrar em Itália, sair do aeroporto e ir logo ao primeiro quiosque que encontro para comprar a mais recente aventura do detetive dos pesadelos. Por judas dançarino! 

Se bem que fiquei com a impressão de uma certa decadência da presença da Bonelli nas bancas. Das vezes anteriores que estive por terras italianas, era fácil encontrar bancas recheadas de vários números anteriores. Por Florença, nem por isso. Apenas as novidades, e poucas. Talvez seja uma questão geográfica, como cidade turística que é, faz mais sentido para as bancas venderem tralha para turistas do que imprensa.


Confesso, esta foi daquelas compras de impulso no aeroporto, à espera do voo de regresso. Zagor nunca me disse nada, mas esta capa em modo de salganhada verniana intrigou-me.


Um achado deveras técnico, um livro sobre programação em Scratch. Preciso mesmo dele para ampliar os meus conhecimentos sobre este ambiente de programação? Bem, nem por isso, mas tem alguns projetos muito interessantes no domínio das artes que quero experimentar, e vai ficar muito bem na minha coleção de livros sobre programação para crianças.


Finalmente, uma curiosa descoberta. Já estão a ver porque é que a comprei, não estão? A La Fine Del Mondo é uma nova revista mensal de banda desenhada, trazendo aos leitores italianos uma mistura de fumetti com bd experimental. Se alguma vez pensaram em ler uma revista que tanto publica a ilustração de estilo clássico do fumetti (e as desta história de Dylan Dog são soberbas), ao lado de Zerocalcare ou Shintaro Kago, esta é a publicação certa. Infelizmente é episódica, o que significa que nunca saberei como termina esta história de Dylan Dog, a menos que arranje forma de ir a Itália no final de agosto.