quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

BD: The Man Who Invented The World; River of Ink


Rodolphe, Bertrand Marchal (2021). The Man Who Invented The World. Europe Comics. 

Num cenário de guerra futura, a humanidade parece estar prestes a ser aniquilada por um inimigo alienígena. As forças espaciais terrestres são incapazes de travar as ofensivas no sistema solar. Apenas resta uma esperança aos militares: os estranhos poderes revelados por um navegador de naves interestelares, que devido a um acidente esteve demasiado próximo de um buraco negro. Apesar de não o querer admitir, este homem tem o poder de reescrever a realidade, eliminando o que o assusta. Uma agente infiltrada tenta compreendê-lo, controlá-lo e eventualmente eliminá-lo, mas acaba por se apaixonar por este homem torturado. A premissa não é muito interessante, e o livro segue a mesma linha. 


Étienne Appert (2021). River of Ink. Life Drawn.

O que leva ao impulso de desenhar? Uma questão simples, daquelas que uma criança coloca, mas que na verdade não tem resposta única. Este livro é uma tentativa de dar essa resposta, entretecendo duas histórias - recordações do impulso gráfico do avô do autor, combatente nos horrores da I guerra, e uma lenda sobre a criação do desenho, onde um casal apaixonado encontra no contornar de sombras sobre a rocha a forma para agarrar as recordações durante separações. De permeio, uma discussão sobre o ato de desenhar, cruzando a visão de vários autores de banda desenhada. Uma viagem pelos rios do desenho, entre lendas, reminiscências, fantasias e reflexões sobre uma das essências do nosso humanismo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O Número 200


Paola Barbato, Bruno Brindisi (2021). Dylan Dog: O Número 200. A Seita.

 A mais recente proposta Dylaniati da Seita é muito especial. Para comemorar ter chegado às duzentas edições mensais (a série mensal vai no número 423, para terem uma ideia, e ainda há que contar com as reedições, as Color Fest, os Old Boy, e a série paralela Pianeta dei Morti, histórias é coisa que não falta a Dylan), a Bonelli encomendou algo de diferente. Paola Barbato, argumentista cujas histórias estanques e montadas com a precisão de um policial procedimental sempre me seduzem, ficou encarregue de trazer um novo olhar à personagem.

Nas suas geniais histórias, Sclavi nunca estabeleceu uma origem coerente à personagem que criou. Foi colocando indícios e insinuações - o inesperado parentesco com Xabaras, a relação incompreensível com Groucho, o ser um ex-polícia alcoólico, a sua proximidade com o inspetor Bloch, ou os eternos pormenores da casa de Craven Road, o carocha de matrícula 666 e o modelo de galeão que nunca termina. Barbato normaliza esses indícios, pegando neste material disperso que transforma numa história de origem coerente. Neste número 200, ficamos a conhecer o passado alcoólico de Dylan, o porquê dele se tornar detetive privado, o início da dupla com Groucho, as razões da enorme proximidade com o Inspetor Bloch. Entretecendo pormenores mais esotéricos, Barbato não esquece a misteriosa loja Safará, que lhe dá um excelente mote para introduzir a paternalidade de Dylan (ao longo das aventuras, é-nos revelado que o arqui-inimigo da primeira aventura, Xabaras, é na verdade o seu pai).

Retira um pouco do mistério, da aleatoriedade que Sclavi trazia à personagem, é certo. Abre novos caminhos, normalizando a personagem, aprofundando os mistérios do seu passado. Bruno Brindisi, um dos ilustradores habituais da série, ilustra com o seu traço competente.

domingo, 23 de janeiro de 2022

URL

Esta semana, destacamos o final literário de The Expanse, o conselho municipal de Scarfolk e as contas offshore na Culatra. Olha-se para a suposta incompetência digital dos docentes portugueses, dilemas éticos da digitalização 3D, e um projeto avant garde de computador pessoal soviético. Reflete-se sobre arquiteturas de bunkers, o poder da sátira e a necessidade do ócio. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas da semana. 

Ficção Científica e Cultura Popular


Chris Marker: Recordar um dos mais estetas entre os cineastas franceses, um mestre da manipulação de pontos de vista e busca de imagens inquietantes.

The Best Books We Read in 2021: Os livros que apaixonaram a redação da New Yorker. Propostas interessantes, mesmo para aqueles que como eu são insensíveis à literatura mainstream.

What Actually Makes People Smarter Isn’t Doing A Bunch Of Brain Booster Puzzles: Bem, nada de realmente novo aqui. O interessante é o artigo observar que a inteligência reforça-se em construção social. Traz à mente o trabalho pioneiro de Lev Vygotsky, especialmente no que toca à dimensão social e colaborativa da aprendizagem.

Mission Unknown: Há que admirar os capacetes, que se ajustam às tiaras. 

"Plan C" (1979): Distopia hilariante. O Scarfolk Council é um projecto new media de horror, que se dedica a cruzar os modos de discurso político-social dos anos 70 com as tropes do terror.

Para Sempre... Interminável: Este é um daqueles clássicos do cinema fantástico, que está a ficar esquecido por não ser um franchising disneyficado. É interessante descobrir a ligação entre este filme, a clássica série televisiva Space: 1999 e Star Wars, através do excecional trabalho de efeitos especiais práticos.


1976 Colin Hay art from “Visions Of The Future,”: Ruínas do retrofuturo.

Leviathan Falls, un digno y agridulce fin a The Expanse: O fim de uma das mais brilhantes séries literárias de ficção científica dos últimos tempos. Sublinho o artigo, quando acabei a minha leitura deste último tomo de The Expanse, confesso ter ficado triste.

Here's What to Expect From the Firefly Reboot From Disney+: Como browncoat assumido (fã de Firefly, para os não entendidos na matéria), não fico nada contente com este reboot anunciado. Parte do encanto desta série está no ter sido cancelada. Os episódios que pudemos ver são divertidos, com um trabalho fantástico dos atores, um mundo ficcional sólido, e uma assumida space opera western. O cancelamento significa que a série não se prolongou até à exaustão, como tantas outras. Ainda por cima, ter a Disney atrás disto significa que alguns dos elementos mais adultos da série vão ser de certeza modificados, algo que diz que a verdadeira natureza de uma personagem como Inara não se coaduna com a pureza da Disney. Um regresso à série tem sido o sonho da comunidade de browncoats (ver acima); temo que pelas mãos da Disney, esse sonho se transforme num pesadelo meloso, longe dos elementos que tornaram o original tão interessante.

The Twelve Sisters of the Never-Ending Castle (2021) Manga Review – Guts in Knots: Tenho uma relação estranha com Shintaro Kago, a sua estética é repulsiva, mas o seu traço sedutor. O seu mais recente trabalho parece ser uma epítome do seu estilo, chocante. Um autor que não é para todos, é preciso ter estômago forte para o ler.

Vilão que é Vilão, tem Contas Offshore na Ilha da Culatra: Não prestei muita atenção ao fenómeno Pôr do Sol, em grande parte por ser um snob que não vê televisão. Vi alguns dos episódios no RTP Play, fiquei fascinado pelo puro nonsense e a capacidade dos atores em pronunciar os maiores absurdismos com o ar mais sério do mundo. 

Tecnologia

Professores portugueses precisam melhorar competências digitais: Confesso que li os resultados do estudo em pausa para almoço, muito na diagonal, e fiquei incomodado com o pendor exclusivamente numérico da análise aos Check In. Fiquei logo a pensar que o estudo ia alimentar títulos sensacionalistas a sublinhar a incompetência digital da classe docente. Não me enganei, este não é o único artigo a falar disto neste género. Algumas notas: este estudo advém da análise de dados dos questionários Check In, elaborados com base no quadro de competências digitais europeu, que os professores foram obrigados a preencher no ano passado. Obrigados não é a palavra certa, quem não o quisesse preencher não preenchia, apenas ter feito um check in é condição obrigatória para se frequentar formação em competências digitais que, no âmbito do programa escola digital (que está a distribuir computadores de qualidade duvidosa aos alunos), serão a esmagadora maioria da oferta formativa para professores, que são obrigados a frequentar formações para efeitos de avaliação (ou seja, é obrigatória de facto embora não de jure). O Check in não avalia as competências digitais dos professores, o uso da tecnologia não é o seu âmbito; avalia a forma como os professores tiram partido das tecnologias na sua prática. E é aqui que a coisa começa a ficar incerta. É errado tirar conclusões sobre incompetência digital de toda uma classe, quando esta é muito diversa. Para muitos professores, usar meios digitais pode nem sequer fazer sentido no âmbito das suas disciplinas (eu, que lecciono TIC, tenho aulas em que os meninos não tocam em qualquer tecnologia). Mas para além disso, há a assinalar a inexistência quase total de condições para o desenvolvimento de atividades com tecnologia nas salas de aula portuguesas, de norte a sul (e ilhas). Perguntar aos professores se desenvolvem atividades integradoras de tecnologias na sua prática letiva, quando na esmagadora maioria só dispõem de um computador com 15 anos ligado a um projector (isto, quando funciona), e uma rede wifi com tantas restrições que até impede o assistir a uma vídeo transmissão do próprio ministério da educação via YouTube (parece um sketch de humor pateta, mas não, isto acontece regularmente),e esperar que respondam nos níveis superiores de desempenho, é desonestidade intelectual. Ou melhor, o aproveitamento destes resultados para apontar a incompetência tecnológica dos professores é desonestidade intelectual, replicada por vários blogs e jornais. O check in é uma ferramenta, com um contexto: analisar o nível de integração digital dos professores antes do início do Escola Digital, sendo seguido de outras análises, à medida que as escolas forem sendo dotadas das condições técnicas, especialmente computadores para os alunos, que permitam realmente desenvolver atividades lectivas com o digital. Quanto às histórias episódicas sobre a incapacidade de alguns em coisas elementares, deixem-me dizer-vos que, como coordenador técnico de uma escola há mais de 15 anos, já assisti a calinadas suficientes para encher uma enciclopédia (algumas dadas por mim). Mas não são as calinadas e supostas incompetências que caracterizam a atitude da esmagadora maioria dos professores face à tecnologia. Pelo contrário, é curiosidade e vontade de descobrir. A atitude será sempre cautelosa, por muitas razões. Introduzir tecnologia pode não fazer sentido no seu contexto letivo. Mas, essencialmente, são os anticorpos adquiridos com décadas de quase total falta de condições técnicas, de investimento praticamente inexistente em meios digitais para as escolas. Curiosamente,  este estudo tão citado até conclui que as competências digitais dos docentes portugueses estão em linha com a média europeia.

Google is building a new augmented reality device and operating system: Anos depois do Google Glass, dispositivo pioneiro de realidade aumentada, e do Project Tango, um ambicioso projeto de tirar partido de sensores 3D em telemóveis Android, a Google vai... criar o que já criou? Algo irritante nesta empresa é forma como se desinteressa de projetos muito promissores, de um momento para o outro.

More on Roblox's exploitation of children: Um dos grandes pontos de interesse no Roblox é permitir que os seus utilizadores criem os seus jogos e ambientes, dispondo de um mercado virtual interno para que os seus utilizadores compram e vendam recursos. Confesso que nunca tinha visto isto sob a perspetiva do aproveitamento do trabalho infantil, mas de facto, a esmagadora maioria dos criadores na plataforma Roblox, são crianças e adolescentes, que recebem dinheiro virtual em paga do seu meticuloso trabalho de criação.

AI-Powered Robot Could Help Rebuild Pompeii’s Ancient Frescos: Como acelerar o meticuloso trabalho de deteção, catalogação e reconstrução de vestígios arqueológicos? A robótica e a inteligência artificial poderão dar uma ajuda nisso.

The Hidden Heroines of Chaos: A teoria do caos nasceu com o trabalho de Konrad Lorenz, mas este não seria possível sem as capacidades de programação de duas mulheres: Ellen Fetter, e Margaret Hamilton, que mais tarde viria a ser responsável pelo código da Apollo 11. Esquecidas pela história da ciência, embora Lorenz as tenha creditado nos seus artigos.

‘He touched a nerve’: how the first piece of AI music was born in 1956: Desconhecia de todo, isto. Uma composição criada por algoritmos, no final dos anos 50, nos primródios da era digital e na incipiência da inteligência artificial. O trabalho de Hiller foi o primeiro a explorar a geração de música por algoritmos, usando o computador para gerar partituras interpretadas por músicos humanos. Vale a pena descobrir, pelo lado tecnológico e histórico, mas também porque a música é interessante.

Japanese billionaire visits the International Space Station: Mais um passo na normalização do turismo espacial, embora, claro, seja um tipo de viagem inacessível à maioria de nós. 

Welcome To Selfie Wrld – Unique Pix That Aren’t: Pensava que isto já não era "uma cena" - espaços decorativos criados expressamente para gerar imagens instragamáveis. Aparentemente, é, e porque o inconsciente coletivo rula, poucos minutos depois de ler este artigo levei com um anúncio a um restaurante lisboeta numa rede social. O principal apelo do local? Ser instagramável, por ter aquele tipo de decoração retro-hipster. Pessoalmente, ainda sou daqueles que prefere ir a um restaurante pela qualidade da comida e não da fotografia, mas devo estar a ficar velho resmungão.

Jet-Powered Robot Prepares for Liftoff: Um robot com motores a jato capaz de voar? Porquê? Mas, pensemos bem, isto é tão fascinante, são mesmo precisas razões?

Print books beat tablets when reading to toddlers: Antes de começarem a agitar a bandeira da superioridade do livro físico sobre o digital, recordo-vos que já bandos de miúdos normalmente impossivelmente irrequietos a ficarem em trance, ouvindo um contador de história, agarrados pelo poder da voz humana. Um livro digital é um meio de leitura útil, que torna os livros mais acessíveis. E um livro tradicional, objeto físico, é algo que nunca cessa de fascinar. Tudo bem, há espaço para tudo.

Could 3D Scanning Further Complicate Art Repatriation?: A digitalização 3D é uma enorme vantagem para o mundo artístico. Permite novas formas de estudar artefactos, dá a oportunidade a de mais pessoas os conhecerem, em formato digital. E ainda permite remisturas nas estéticas dos new media. Algo que não agrada muito a alguns, como se denota nesta leitura. O argumento aqui é o choque com a apropriação cultural, como se a única leitura possível de uma obra fosse no seu substrato cultural de origem, num ideal de pureza onde a inacessibilidade do objeto artístico ao olhar do comum mortal parece ser o desejável, sob o argumento do colonialismo cultural. Sob esse ângulo, é de observar que a digitalização 3D está a ser fundamental para preservar património cultural localizado em zonas de conflito. No caso da Síria, os scans 3D são o único vestígio de locais arqueológicos arrasados pelo gentil toque da ignorância talibã. É também divertido ler o medo expresso pelas transformações trazidas pela remistura digital, novamente tendo subjacente uma ideia de destruição da pureza original. Não que o problema da apropriação indevida de artefactos culturais transladados das suas origens seja de menorizar; boa parte do espólio dos grandes museus é constituído por peças adquiridas de formas muito obscuras (os mármores do Pártenon são o exemplo mais conhecido disto). Pessoalmente, sinto o oposto, creio que a remistura via digital é uma excelente forma de interpretar a arte mais clássica. Recordo um exemplo, em que participei, e certamente chocaria os autores deste artigo: uma reprodução gigante do busto de Nefertiti, impresso em 3D, feito a partir de centenas de pedaços multicolores impressos por uma vasta rede de makers, cada qual contribuindo com a impressão de um ou mais segmentos. A escultura foi montada na conferência Fab15, que decorreu no Cairo (eu não fui, meti as impressoras 3D da escola a contribuir para a ajuda dada pelo Lab Aberto, que esteve presente no evento). Aproveitei e imprimi um busto só para o deixar na minha biblioteca, que levo comigo em workshops de impressão 3D para mostrar os potenciais educativos da tecnologia. Claramente, um ato de colonialismo cultural.

Why Are DeepFakes So Morally Unsettling?: É uma tecnologia que se banalizou, e no entanto, tem um lado repulsivo, talvez pela forma como manipula a nossa expetativa da imagem humana.

Portugal implantó los peajes en autovías en 2010: cómo funciona allí y qué podemos aprender desde España: Agora que Espanha se prepara para implementar portagens nas suas tradicionalmente gratuitas vias rápidas, olham para o nosso exemplo de integração tecnológica. Que só tem um defeito, o obrigar a usar meios electrónicos para se poder circular sem problemas nessas vias. Pessoalmente, nunca aderi à via verde, o que me obriga a alguma ginástica navegacional em zonas onde mal há alternativas às antigas Scut.

China’s AI giant SenseTime postpones IPO after US blacklisting: Isto até soa injusto, até nos recordarmos que a SenseTime tem sido das empresas tecnológicas chinesas mais envolvidas na repressão em Xinjiang, desenvolvendo ferramentas de vigilância utilizando Inteligência Artificial. As mesmas tecnologias e know-how que traz agora aos mercados globais.

Who Owns the 3D Scans of a Famous Venetian Church?: A digitalização 3D é um campo minado no que toca à propriedade intelectual. Quem pode reclamar direitos sobre uma digitalização? É curioso notar que a reposta aparentemente mais óbvia - quem a executou, não é a correta, porque fazer uma digitalização é uma operação meramente técnica. Nos domínios artístico e comercial, esta tecnologia levanta questões. 

This x Does Not Exist: Um site dedicado a recolher sites que se dedicam a mostrar imagens aparentemente reais, mas geradas por GANs.

Project SPHINX – When the USSR tried to change the personal computer forever: Fabuloso, este projeto soviético de informática de consumo, antecipou muitas das tendências da informática que hoje usamos. Concebido num instituto de design russo, nunca saiu do papel, entre as questões tecnológicas e o colapso do regime soviético.

Lojas de peças usadas vítimas de abuso de copyright: Não há aqui grande surpresa. Há sempre alguém disposto a fazer lucro fácil com abuso da legislação sobre direitos de autor.

Adobe launches Creative Cloud Express, an update to Adobe Spark: Cada vez mais, trabalha-se em ambientes pós-pc, em dispositivos móveis ou web apps. O software da Adobe torna-se mais acessível nestes meios, talvez em reação às inúmeras ofertas de apps e web (pensemos Snapseed, esse poderoso editor de imagens para Android, ou a popular ferramenta de design na web que é o Canva).

Modernidade


The Atlantic Wall: The Architecture of Death in Photos: Rever as defesas nazis da hoje vestigial muralha do Atlântico, construçóes militares com uma curiosa estética pré-brutalista, que inspirou Paul Virilio a escrever o seu Bunker Architecture.

Science: Why Doing Nothing Is Essential To Creativity: Há uma certa ironia nesta ideia de que devemos valorizar o ócio, o parar atividades direcionadas para deixar a mente vaguear, porque isso nos torna mais... produtivos.

On the Persistence of the Non-modern: Se o modernismo define o lado mais vanguardista, a sua ausência, conservadora e tradicionalista, também é uma tremenda força cultural.

O peso da sátira no desperdício da obra feita: Um intrigante confronto, que só poderia vir de alguém como Edgar Pêra. Descrever os feitos da grande arquitetura erudita pelo olhar da cultura pimba. Sátira, que nos mostra o quanto estes dois extremos se tocam. Por um lado, a pompa rarefeita da alta cultura erudita, que se compraz em ser inacessível, algo que não tem na maioria das pessoas o esperado efeito de veneração, mas sim o de rejeição. Por outro, a cultura popularucha que faz ostentação da sua ignorância e do gosto pelos seus modos culturais específicos, uma ignorância que parte de um sentimento de exclusão face às culturas mais tradicionais.

Tribal communities are facing a new threat: Instagram: Não pelo lado de normalização cultural, com a perda de culturas tradicionais face à influência dos estilos culturais patentes no Insta. É algo mais simples. A partilha de fotos de recantos pitorescos, à partida algo bom, porque divulga culturas e geografias, pode traduzir-se num excesso de turistas, e até vandalismo. Percebo perfeitamente isto, em muitas das minhas deambulações, opto por não partilhar recantos que encontro por saber que o passa a palavra pode significar que, quando lá voltar, o recanto pode já não estar tão tranquilo e isolado. 

sábado, 22 de janeiro de 2022

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Kurika


Henrique Galvão (1976). Kurika, Romance dos Bichos do Mato. Lisboa: Livraria Popular de Francisco Franco.

A marca que este livro, originalmente publicado em 1944, deixou na literatura portuguesa tem mais a ver com as suas conotações políticas do que com a real qualidade literárias. Kurika ganhou fama por ser uma daquelas obras que, nos tempos opressivos da ditatura estado-novista, nos falava de liberdade. Sob o disfarce de uma história para crianças, um recordar do valor de ser livre. Li este livro sob essa perspetiva em final do secundário, décadas atrás, e agora regresso, curioso sobre como esta obra, que sinto estar a ficar esquecida, envelheceu. 

Há sempre algo de intemporal nas histórias de animais antropomorfizados, embora em Kurika a antropomorfização se reflita mais no conferir aos animais sentimentos, pensamentos e emoções. O leão e restantes companheiros são de resto tão realistas como a raposa de Aquilino, aliás, é esse um dos pontos em que o romance de Galvão toca, uma descrição realista, se bem que romanticizada, da savana africana. Neste aspeto, a história do leãozinho que cresceu entre os humanos, conquista a sua liberdade mas tem uma enorme dificuldade em viver livre, por não ter crescido no seu meio e aprendido o que necessitava para sobreviver na savana, continua a ler-se bem. A linguagem sente-se arcaica, naturalmente, e eventuais leitores com profundas sensibilidades étnicas poderão ficar algo incomodados com os epítetos e descrição de africanos. É marca de época, e um curioso pormenor: Kurika simboliza a busca de liberdade pelo homem, a necessidade de escapar aos grilhões, mas no que toca à humanidade, há homens de primeira e homens de segunda. E é melhor nem aflorar a questão colonial.

Leãozinho apanhado por caçadores que lhe mataram a mãe, Kurika cresce numa fazenda, primeiro em relativa liberdade, depois acorrentado. Deleita os habitantes, e trava uma amizade com dois animais de estimação do fazendeiro, a macaca Paulina e o cão Janota. Num limbo entre a pulsão da vida selvagem e a domesticidade, Kurika foge, acompanhado por Paulina, partindo os dois à descoberta de uma vida que, por terem sido capturados muito bebés, nunca conheceram. A vida é dura, mas como leão que é, Kurika acabará por prevalecer e sobreviver. Primeiro com ajuda da macaca, e depois com uma companheira leoa, que lhe ensinará a caçar e viver como leão. Mas a memória dos humanos persiste, e num curioso reencontro com o seu antigo dono, Kurika acabará por se alienar dos seus. Acaba a viver só, na selva, visitando regularmente a fazenda colonial para se reencontrar com o cão, o seu único amigo. A liberdade nunca é fácil de adquirir e manter.

Confesso que nesta releitura do livro, dando de barato que a memória dos detalhes da primeira leitura se tinha esbatido com as décadas, um pormenor me surpreendeu. Kurika é sempre apontado como um romance que enganou os censores, ocultando uma mensagem defensora da liberdade sob a história infantil. O que me pergunto é como diabos os censores deixaram passar o livro, dado que não é nada subtil nos seus apelos e defesa da liberdade individual como o estado natural das coisas. A metáfora dos animais é mesmo muito óbvia. Não deixa de ser uma leitura interessante, pelo seu conteúdo, pendor histórico, mas também pelo retrato inconsciente que faz do ideário colonialista, ideia que em todos os seus discursos sobre liberdade o romance nem toca.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

All of the Marvels


Douglas Wolk (2021). All of the Marvels: A Journey to the Ends of the Biggest Story Ever Told. Nova Iorque: Penguin.

O ponto de partida deste livro soa a uma espécie de piada a gozar com a cultura Geek: o autor propôs-se ler todos os comics da Marvel, desde o início até aos dias de hoje. Declaração fértil para terminar em piadas sobre danos cerebrais, ou masoquismos pop. Mas o propósito é sério, um mergulho a fundo na mitologia da editora de comics, que permite perceber que as aventuras dos seus personagens não são conjuntos isolados de histórias, mas sim uma enorme narrativa, abrangente e de renovação contínua.

Wolk assume esta continuidade pela observação, do alto da sua experiência. Que, observe-se, não recomenda; boa parte das leituras estão datadas, e num processo de mergulho profundo deste género podemos perder a lógica essencial - acima de tudo, ler comics tem de ser uma experiência divertida, é essa a sua lógica. Lê-los por obrigação não nos permite perceber o seu encanto.

Analisar o longo historial de edições Marvel como uma narrativa contínua pode, à primeira vista, levar a pensar numa intencionalidade, num arco narrativo planeado desde o início. Wolk sublinha bem que não é o caso. A estrutura evolui de forma orgânica, fruto do trabalho de um exército de argumentistas e ilustradores. Cada um traz a sua visão específica, levando os personagens pelos caminhos que decidem traçar. Mas cada criador que trabalha para a Marvel também traz a sua erudição sobre o historial das personagens, vai colocando referências e, mais vezes do que se esperaria, regressando a arcos narrativos anteriores. Os crossovers, que envolvem todos os títulos numa história única, são uma variante planificada disto, mas o que torna interessante é perceber que esta polinização cruzada ultrapassa em muito o lado editorial.

Mais do que uma análise temática e histórica, este livro é uma longa carta de amor aos comics. Ao prazer de os ler, de mergulhar em mundos ficcionais assumidamente simplistas. Mas mais complexos do que aparentam. Refletem as condicionantes, as ideias, e ideologias de cada época. Representando mundos irreais e personagens impossíveis, não se alheiam da realidade que rodeia os seus jovens leitores. Por entre as aventuras de finais previsíveis, têm-se atrevido a tocar em assuntos delicados e temas fracturantes. A corrente atenção que a Marvel dedica a temas de igualdade de género e multiculturalidade é apenas a mais recente versão dessa tendência, que já passou por temas sociais  e políticos. 

A proximidade com a vida dos seus leitores sempre foi o grande trunfo da Marvel. Os seus heróis, apesar dos extraordinários poderes, são muito humanos. Não são tão icónicos quanto os da DC, atraem os leitores precisamente pelo seu lado mais humano, frágil e sujeito ao tipo de problemas que todos sentimos. Gostamos do Homem Aranha porque é Peter Parker, sempre em busca do seu lugar na vida. Ou dos X-Men pela forma como representam o ser diferente numa sociedade. Do Capitão América não por ser um símbolo do patriotismo elementar, mas porque Steve Rogers se dedica a lutar por ideais de liberdade e igualdade. Poderia continuar, todos os personagens Marvel, até mesmo os vilões, têm esse lado de proximidade com os universos pessoais dos leitores.

Este livro celebra os comics, o longo historial da Marvel e o seu papel como força cultural. Não foge aos pontos mais delicados desta história - as relações complexas entre Stan Lee e Jack Kirby, sempre tratado com injustiça por uma editora que não existiria sem o seu trabalho,  ou ideias sociais de que, felizmente, evoluímos como sociedade (grande parte dos temas e fórmulas clássicas da Marvel chocariam o lado mais woke da cultura contemporânea, mesmo dando de barato que são facilmente chocáveis). Lê-lo ajuda a perceber o porquê de se ser fã, o saber que mesmo já com alguns anos a pesar sobre os tempos de juventude que são o público-alvo deste género, sabe bem não só regressar às histórias clássicas, como acompanhar as actuais. É entretenimento, é certo, mas por detrás do aparente simplismo há complexidade temática e narrativa, um longo historial e contínua evolução, sempre em sintonia com a evolução dos seus leitores. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

H-alt: Apocryphus Monstro


Projeto de solidez e maturidade, a Apocryphus nunca desilude. A edição é cuidada, num projeto que se tem mostrado sustentável e de continuidade. Com Monstros como tema, as histórias desta edição desafiam e intrigam-nos, jogando com mitos e iconografias, mas também com o horror dos momentos contemporâneos. Resenha completa em H-alt: Apocryphus - Monstro.

domingo, 16 de janeiro de 2022

URL

Esta semana, destacamos algumas das recentes edições de banda desenhada em Portugal, os oitenta anos de um eterno adolescente, e o céu de David Lynch. Olha-se para a importância educativa de programar tartarugas (leram bem), para os dilemas da inovação educacional com tecnologia, e uma app que democratiza a expressão artística com Inteligência Artificial. Ainda se fala do cruzamento entre a herança artística euripeia e a tecnologia numa exposição, das novas formas de entender o equilíbrio entre vida e trabalho, ou os mistérios dos Etruscos. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas desta semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

Annibale Casabianca, 1973: Cidades do futuro.

Comic Book Creators Talk About The Life Of George Pérez: Uma elegia em vida, com uma multidão de criadores a recordar memórias com esta lenda viva dos comics. O seu recente anúncio de sofrer de cancro terminal inoperável chocou a comunidade, e os fãs. Como leitor, recordo o classicismo marcado de Pérez no seu trabalho com Wonder Woman, foi o criador que mais sublinhou a ligação desta personagem com o substrato estético e cultural dos mitos gregos.

O Relatório de Brodeck – Manu Larcenet (Philippe Claudel): Ainda não me atrevei a meter este lançamento de BD na calha de leituras, porque, enfim, como dizer? Ainda tenho as pilhas da Feira do Livro, Amadora BD e Fórum Fantástico para dar conta. Mas, entre as críticas públicas e algumas observações em privado, já percebi que esta é uma daquelas obras a não perder.

Revista Suprassuma nº 1: Do Brasil, uma nova revista de literatura fantástica, que nos traz as novas vozes brasileiras do género.

Chris Moore: Cidades espaciais.

A SF “bande dessinée” Review: Enki Bilal’s La Foire aux immortels (trans. The Carnival of Immortals) (1980): Apesar de ainda ativo, Bilal começa a estar fora dos radares da crítica, apesar dos projetos recentes serem excelente ficção científica, com ilustração a roçar o surrealismo e abstracionismo. A Feira dos Imortais foi, a par com o thriller político O Caçador (escrito por Pierre Christin), o livro que marcou Bilal como um dos grandes nomes da banda desenhada francesa. Toda a trilogia é uma brilhante ficção científica, com o seu decadente (e decaído) ambiente de futurismo neo-fascista intersectado com uma perversão dos mitos egípcios.

Eros y Teratos: El arte de amar lo extraño y grotesco | Rakel S.H.: Sobre a atração pelo horror monstruoso, e os frémitos que provoca.

P Craig Russell, 1980: O mestre da elegância na ilustração de fantasia.

Dylan Dog - O Número Duzentos (Paola Barbato e Bruno Brindisi): Mais uma excelente edição d'A Seita, que nesta proposta nos traz uma história que sintetiza, pelas mãos da sempre excelente Paola Barbato, uma narrativa de origem de Dylan Dog.

The Roots of Riverdale: Archie Comics Turns 80: Oito décadas de eterna adolescência... é obra. Archie é o único sobrevivente de um género de comics que praticamente desapareceu, com o crescimento do género super-heróis. A comédia adolescente, uma idealização da eterna juventude entre aventuras, namoros e milkshakes no café da vila, um elevar do estilo americana a aspiração de vida, que se tem mantido essencialmente imutável desde os anos 40.

At the Mountains of Madness: Guillermo del Toro Teases Weird Ending: Ainda mais estranho do que o conto original? Esta obra de Lovecraft já é de si estranha, e fascinante pelas visões geográficas e arquitetónicas que invoca. Sempre me pareceu ser esse o principal ponto de interesse da adaptação de Del Toro, o potencial visual do trabalho de um realizador que é um amante das estéticas barrocas.

"In Heaven" from David Lynch's Eraserhead is one of my favorite scenes of all time: Uma cena particularmente assombrosa, de um filme que já de si é um assombro.

Tecnologia

Building Human-Robot Relationships Through Music and Dance: Um projeto intrigante, pela forma como se socorre da arte para investigar as dinâmicas de interação humano-máquina.

Learn from machine learning: Uma intuição interessante. Ao analisar a forma por vezes insondável como os algoritmos de aprendizagem máquina atuam, esquecemos que a verdadeira black box, cheia de complexidade e inesperado, é o mundo real.

How Pee-in-Place Systems for Military Pilots, Both Male and Female, Work: Se alguma vez tiveram curiosidade de saber como é que os pilotos de aeronaves de combate resolvem o problema das necessidades fisiológicas, bem, a vossa curiosidade ficará aqui satisfeita.

What Could Be Cooler Than Typing on a Keyboard Salvaged From a Nuclear Missile Silo?: Quero? Confesso que me parece algo com muito estilo, bater texto num teclado reciclado de controladores de mísseis nucleares.

Salmon Plastic Sperm Mug? Salmon Plastic Sperm Mug: Não resisto à piada. "Então, de que plástico é feito o objeto?" Um bioplástico. "Muito bem, mas de que tipo?" Bem, fiquemos por um bioplástico.

El Salvador: a legalização da Bitcoin e a fragilização da Democracia: Sabemos que o crescendo do autoritarismo está a ficar desavergonhado quando um ditador se assume nas redes sociais como "ditador cool" (estas coisas não se inventam). Junte-se a isto a pura especulação financeira, com a bitcoin a transformar todo um país para jogos financeiros, sem que isso se traduza numa real melhoria das condições de um povo largamente pobre.

Zuckerberg’s Metaverse Is Screwed If It Doesn’t Allow Sex: Regra 34. Se há atividade, alguém olha com olhos de luxúria. E a sexualização dos mundos virtuais é um clássico, um dos aspetos que sempre lhes deu força é poderem ser um recreio seguro para experimentação sexual. Claro, isto é anátema para o puritanismo de uma rede social que é famosa pelo seu horror a genitais, e liberalidade com apelos à violência.

Best 3D modeling software in 2021: Lista das melhores soluções de modelação 3D, entre software aberto e proprietário. É engraçado ver que o venerável Wings 3D continua a ser considerado uma excelente alternativa no campo do software gratuito de modelação 3D.

Deep Dreams is an AI-generated podcast to help you sleep: muito sedutor, o profundo surrealismo de usar o GPT para gerar palavras aleatórias que ajudam a adormecer.

What really is ISO in photography?: Um mergulho profundo na norma ISO, e sua aplicabilidade na fotografia digital, onde não há os limites físicos da película.

Make a Turtle!: A contribuição de Miles Berry, professor inglês que está na vanguarda da integração de programação e pensamento computacional na educação, para uma recente edição que revê 20 Things to Do with a Computer, de Paper e Cynthia Solomon. Estimular aprendizagem de programação, vista não pelo seu lado utilitário, mas como forma de capacitação profunda das crianças, aprofundando formas de pensar e não se ficando pelo mais superficial lado de aprender comandos e programar ações.

Os 7 projetos mais surpreendentes da bazuca portuguesa: O PRR tem um forte pendor para a inovação na ciência e tecnologia, e alguns dos projetos surpreendem, pelo investimento em áreas como a inteligência artificial, o espaço, ou o uso de insetos na alimentação (uma forma fácil de ultrapassar o sentimento de repulsa que sentimos face a comer insetos, seria incorporá-los como parte dos processos de processamento alimentar).

Robots Evolve Bodies and Brains Like Animals in MIT’s New AI Training Simulator: Um ambiente de simulação virtual que permite a algoritmos evoluir formas de corpos virtuais.

Why Innovation In Education Is So Difficult: Inovar em educaçáo não é especialmente difícil, especialmente com tecnologia (modéstia à parte, ao longo da minha carreira tenho conseguido alguns sucessos, e tenho tido o privilégio de acompanhar o trabalho espantoso de muitos outros professores que mudam as práticas educativas com tecnologia). O problema é torná-la sustentável, e replicável, escalar para lá da nossa sala de aula, da prática individual, chegando aos limites da escola e tornando-se sistémica. Algo que os ministérios da educação preferem fazer por decreto, decretando medidas inovatórias, despejando formação que é frequentada por docentes que, na esmagora maioria, depois da formação não incorporam o que aprenderam nas suas práticas (por uma óbvia razão, não sentiram a necessidade no terreno). Algo que, para ser bem feito, demora, obriga a um trabalho constante de divulgação que mostre o que se pode fazer na prática, com as crianças, e não se limite a uma mão-cheia de chavões. No fundo, ajudando a criar a necessidade para a inovação com tecnologias. Que tem ainda um problema adicional, os custos. Implica custos com hardware, que avaria e se torna obsoleto, e demasiadas vezes os projetos de integração não têm em conta a sua sustentabilidade a longo prazo. Até os mais amantes da tecnologia na sala de aula desistem perante hardware obsoleto, com o qual nada se pode fazer. Implica também custos com software, que por cá se resolve de uma forma muito estranha. Projetos que despejam rios de dinheiro em equipamentos dependem depois da boa-vontade de multinacionais (o M365 e o Google Workspace são gratuitos para educação, com o resultado das escolas oferecerem de mão-beijada os dados das crianças e utilizadores a estas empresas); ou então há sempre alguém que observa "mas não se arranja aí uma versão sacada da net" quando de fala de algum software mais específico.

El futuro de la guerra es tecnológico: Drones, ciberguerra e inteligencia artificial pueden acercamos a una nueva Guerra Fría: Um vislumbre do que poderão ser os conflitos futuros foi-nos dado pela forma como drones de baixo custo massacraram forças convencionais no recente conflito entre a Arménia e o Azerbeijão. Estas armas estão a proliferar, e a ser ativamente desenvolvidas pelas indústrias dos países que são potências militares regionais, com poucos escrúpulos sobre a quem as vender.

This AI art app is a glimpse at the future of synthetic media: Uma forma rápida e acessível de experimentar a criação de arte automatizada com inteligência artificial. Usar esta app sempre é mais amigável do que os inúmeros Google Colab Notebooks que nos permitem importar algoritmos, modelos de treino, e gerar outputs visuais a partir de inputs textuais. Para quem está dentro do assunto, está claro que a Wombo AI está a usar a combinação VQGAN + CLIP, que tem sido experimentada e afinada por muitos investigadores e artistas. 

The West’s Nuclear Mistake: O paradoxo do nuclear, que pode ser um elemento importante na descarbonização da energia, mas é travado pelos medos, e pelos perigos, do trabalho com elementos radioactivos.

Modernidade


QUAYOLA re–coding: Para quem estiver por Roma, suspeito que esta exposição de arte refeita por algoritmos é uma descoberta a fazer. Tenho de ir descobrir mais sobre este intrigante artista italiano.

The Boundaries Between Nations Are Blurrier Than We Think: Recordar que o caldo genético global é... um caldo de misturas, de inter relações entre povos migratórios, algo que nos chega da mais primeva antiguidade. As descobertas da arqueologia do ADN tornam especialmente patéticas as ideias de superioridade e pureza racial.

How to Care Less About Work: Talvez seja uma das grandes questões que é comum a todos nestes dias de pandemia/pós-pandemia. A disrupção das rotinas trazida pela covid levou a muita coisa, e para muitos, ao questionar da validade do que faziam, das suas escolhas profissionais. Especialmente nas profissões mais ligadas ao conhecimento. Os valores clássicos, o definir uma vida por aquilo que se faz, ficaram em cheque num momento em que percebemos que o trabalho não é tudo. Que a vida tem muito mais vertentes importantes. Repensar, reavaliar, perceber o que realmente queremos, se vale a pena tanto investimento da visão tradicional do trabalho, é uma das consequências da vida pandémica.

What Industrial Societies Get Wrong About Childhood - Issue 108: Change: Confesso que li o texto com assombro, percebo o deslumbre de uma antropóloga com as formas de educação social das sociedades indígenas que observa. Mas ao lançar-se na previsível diatribe contra a escola que temos nos países desenvolvidos (esquecendo que assume muitos outros mantos para além do mito do bom passado naturalista), deixa totalmente de parte uma das influências fundamentais para o lado progressista da educação: Vygotsky e o seu conceito de zona de desenvolvimento proximal, onde a interação social é o meio fundamental para desenvolvimento de aprendizagens.

Who Were the Etruscans? DNA Study Solves Origin Mystery: Um olhar científico para os mistérios da civilização Etrusca, que coexistiu com o nascimento de Roma, até ser absorvida pelos romanos.

Memórias de homossexuais e lésbicas no Estado Novo: da repressão à resistência quotidiana: Como era ser LGBT nos tempos (felizmente idos) do Estado Novo, recordando as leis, a repressão e os subterfúgios. O artigo pareceu-me ter sido escrito com erros ortográficos, até que percebi que foi tentada a utilização de linguagem inclusiva. Não funciona. No entanto, é uma leitura muito pertinente.

Los océanos suman una nueva (e impactante) comunidad: las islas de plásticos se están convirtiendo en hogar de especies costeras: As ilhas flutuantes de lixo e detritos que vagueiam pelos oceanos, tornaram-se ecossistemas que transferem fauna. Efeitos do antropoceno.

Colonial Fault Lines Fracture the Madrid Art Landscape: Visões sobre arte e colonialismo, entre exposições de artistas contemporâneos que questionam a visão dourada da história da colonização das américas, ou o recuperar de artistas nativos, cujo trabalho é equivalente ao dos clássicos da arte, mas pela sua condição étnica foram relegados para museus de antropologia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Comics: Frontline Combat; Providence Compendium; Typhoid Mary


Harvey Kurtzman, et al (2021). The EC Archives: Frontline Combat Volume 3. Milwaukie: Dark Horse Comics.

Rever estas histórias é recordar um período de ouro dos comics. Não pelas histórias em si, são bastante banais, como se esperaria de revistas de consumo popular. Olham para a guerra pela vertente de enaltecimento do heroicismo, do patriotismo. Nada contra, claro, há que olhar para elas com a lente da perspetiva histórica, estamos a falar de arte pop para consumo de massas dos anos 50. Mas não merecem ser esquecidas, pelo seu elevado nível gráfico. A EC Comics legou para o futuro o trabalho de ilustradores geniais, as suas publicações sempre foram sinónimo de qualidade visual. Nesta colectânea dedicada a Frontline Combat, podemos recordar o traço de Alex Toth, John Severin, Joe Kubert, e o sempre incrível detalhe de Wally Wood. 

Alan Moore, Jacen Burrows (2021). Providence Compendium. Avatar Press.

Se não me falha a memória, este foi uma dos últimos trabalhos de Alan Moore antes de se reformar como escritor de argumentos para comics. E é um portento, com ambição extrema, e talvez impossível de concretizar por outro que não este argumentista. Providence faz o aparentemente impossível, liga os pontos entre toda a obra de H. P Lovecraft, tocando nalguns dos seus seguidores, influências e autores similares (até ao próprio Neonomicon de Moore). Apesar dos contos lovecraftianos partilharem um universo comum, o Mythos de Cthulhu, com ideias e geografias comuns, não foram criados como uma obra coerente e interligada. Moore trata disso, através de um personagem, jovem jornalista e aspirante a escritor que, após o suicídio do seu amante, visita a Nova Inglaterra em busca dos rumores de uma América oculta e profunda. E depara-se, em sucessão, com a multiplicidade de personagens criadas por Lovecraft, enterrando-se progressivamente numa teia profunda que o leva, num crescendo de horror, ao suicídio. Mas não é esse o fim da história, Moore ainda torna em ficção a influência do discreto e decadente escritor de Providence, que tinha tudo para ficar esquecido mas acabou por se tornar incontornável. Algo que Moore leva a uma conclusão lógica no absurdo do terror, com a realidade a ser absorvida pelas ficções de horror cósmico e incompreensível de Lovecraft. Uma obra cheia de referências, quer a Lovecraft, quer aos seus seguidores (o personagem que nos guia neste mergulho no horror é uma óbvia vénia a Robert Bloch), até Jorge Luis Borges faz uma aparição. Um trabalho de génio, com a métrica e precisão que só Alan Moore é capaz, mergulhando a fundo nos mitos da ficção de um autor inesperadamente marcante na literatura de terror.


Ann Nocenti, John Romita Jr. (2003). Daredevil Legends, Vol. 4: Typhoid Mary. Nova Iorque: Marvel Comics.

Diretamente do final dos anos 80 do século XX, algo muito aparente no estilo visual, uma das mais duras inimigas de Daredevil. Typhoid Mary é uma vilã de personalidade dupla, tanto pode ser a inocente e manipulável Mary, como a violenta, sem limites e com alguns poderes telequinésicos Typhoid. Na sequência da reconstrução do personagem por Frank Miller, com Matt Murdock a sobreviver à conspiração de Kingpin para o destruir, Typhoid Mary entra em jogo. A sua missão? Uma segunda tentativa de destruir Daredevil, um novo ataque em duas frentes. O herói terá de enfrentar a vilã, e o homem questiona as suas escolhas graças à influência da outra personalidade. Tudo num estilo muito anos 80, que se revê com algum sorriso de nostalgia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Arquivo de Dead Media







Aproveitar uma arrumação à biblioteca para rever a coleção de dispositivos tecnológicos que fui acumulando. Uma espécie de museu de dead media, feito de antigos telemóveis, PDAs e e-readers.

 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

The Ministry for the Future


Kim Stanley Robinson (2020). The Ministry for the Future. Nova Iorque: Orbit.

Surpreendeu-me um inesperado apelo à violência neste livro, algo que me parece ser pouco consentâneo com a ficção científica metódica e cerebral de Kim Stanley Robinson. Mas é compreensível. Ministry of the Future é um romance sobre as alterações climáticas, algo que já deixou de ser um perigo iminente, é hoje uma realidade catastrófica. Por ironia, terminei esta leitura no dia em que mais uma conferência global sobre o clima termina com discursos bonitos, promessas inconclusivas e ações nulas, isto nos dias em que os efeitos agudos já se fazem sentir. No seu romance, Robinson coloca eco-terroristas a torpedear navios de carga ou abater aleatoriamente aviões de passageiros, o que obriga as empresas a desenvolver meios alternativos, reduzindo drasticamente o impacto da aviação e comércio marítimo no ambiente. Discursos e declarações de intenções são bonitos, mas um míssil inesperado é muito mais convincente. 

Apesar deste pormenor de curiosa violência, Ministry for the Future é um romance otimista. Percebe os enormes desafios económicos, sociais, e especialmente de mentalidades, que têm de ser ultrapassados para que se possa salvar o planeta - e, por extensão, a humanidade. Ao longo do romance, Robinson entretece uma teia de ideias interligadas, entre geoengenharia, alterações profundas ao sistema capitalista em direcção a um socialismo global (mitigar desigualdades desarma um dos argumentos para a manutenção de sistemas poluentes, o sustento de populações), reflorestação à escala planetária, alterações aos modos de vida globais em direção à sustentabilidade. Talvez as propostas mais radicais de Robinson se prendam com os sistemas financeiros, onde especula sobre uma criptomoeda global indexada à descarbonização, que permitiria manter o sistema capitalista com incentivos reais à diminuição das emissões. Como observa, com imenso humor negro, no romance, talvez a chave da salvação do planeta esteja nos banqueiros. Aqueles cuja primeira prioridade é proteger o sistema financeiro, e não hesitam fazê-lo mesmo que à custa das populações. Mas se perceberem que a forma de manter a estabilidade financeira é salvar o planeta, talvez as coisas mudem.

Romance de fragmentos, Ministry for the Future imagina uma obscura organização das Nações Unidas que, por força das circunstâncias, ganha protagonismo global. Em parte, pela liderança e propostas arrojadas da sua diretora, finalmente escutadas ao mais alto nível. As catástrofes ambientais sucessivas que assolam o planeta tornaram imperativa a implementação de mudanças reais. Mas, noutra parte, pela capacidade de alguns dos seus elementos agirem de forma secreta, agitando e provocando actos violentos que obrigam a mudanças. 

Apesar do início negro, o final é feliz. Robinson dá azo ao seu lado de especulação sistémica, de criação de sistemas funcionais, para nos mostrar um possível percurso que, em alguns anos, poderá manter a nossa civilização, fazendo-a evoluir,  e salvar o planeta, mitigando os efeitos do aquecimento global. É este o apelo didático da cli-fi, tentando que, nestes dias em que a única certeza é que os efeitos do antropoceno no planeta já são irreversíveis, a imaginação se desperte para a incessante busca de soluções. 

Ah, se a realidade fosse como este romance, poderíamos ser otimistas, infelizmente, a experiência mostra -nos que mesmo perante os piores indicadores, os interesses económicos e políticos assumem sempre primazia face ao desafio existencial que é o enfrentar das alterações climáticas.  

domingo, 9 de janeiro de 2022

URL

Esta semana, destacamos sugestões cinéfilas de John Waters, tradições fantasmagóricas de natal (tenho um M.R. James por ler e a noite da consoada parece-me excelente para o fazer...), e uma nova revista espanhola dedicada à literatura fantástica. Fala-se do paradoxo da falta de interoperabilidade entre plataformas na comunicação digital, das redes digitais low tech afegãs e da GauGAN2. Olha-se para a arte milenar do vidro, o impacto do comércio marítimo na poluição, e recorda-se as Guerilla Girls. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas da semana. 

Ficção Científica e Cultura Pop

A recent work from 70s artist Jim Burns: Um nome clássico, que ainda cria fantásticas ilustrações.

Reddit user wants to know what X-Men comics to read to "avoid the woke stuff": Pois, certo. Quem é que lhe diz que o melhor é evitar tudo o que tenha a ver com os X-Men? Desde a sua criação, estes heróis sempre funcionaram como metáfora para o ser diferente, para simbolizar quem não se sente bem na sua pele. Quaisquer que sejam as razões, das dores de crescimento da adolescência a questões de identidade e género. Não é por acaso que estes personagens são, como Douglas Wolk aponta no seu Marvels, significativos para as comunidades LGBTQ. Epítetos de wokismo (ou inserir aqui ideologia da moda) à parte, os X-Men sempre foram um símbolo do progressismo, e de como usar a literatura popular para abordar temas sensíveis.

Making of ‘Dune’: How Denis Villeneuve’s Sci-Fi Epic Is the Culmination of a Childhood Dream: Ainda é fixe falar de Dune? Claro, o filme está a ter um impacto tremendo. Neste mergulho a fundo, descobrimos muitas das motivações de Villeneuve no desenvolvimento desta obra marcante da Ficção Científica. Um cuidado que é notório, para quem viu o filme.

JOHN WATERS’S BEST FILMS OF 2021: Uma lista de filmes criada por Waters... preparem-se, não serão obras insossas e melosas de entretenimento. São filmes incómodos, chocantes e desviantes. Não são filmes para sweet summer childs.

Nicolas Cage Is Dracula! Stop the Presses! Nicolas Cage Is Dracula!: Sim, mas porquê? E teremos direito a um Cage genial ou canastrão? Este ator é famoso precisamente por isso, tanto ser brilhante em filmes discretos como canastrão em super-produçóes ou obras silly que pagam as contas.

Photo: Sem autor identificado, a fazer recordar cenas dos filmes Star Wars.

ON THE LOST CHRISTMASTIME TRADITION OF TELLING GHOST STORIES: Diga-se que o natal é uma excelente altura para enfrentar o sobrenatural. É o pico do inverno, quando as noites são mais escuras, longas, geladas e tenebrosas. 

Klaus Bürgle, “Man on the Moon,” 1958: Estamos quase a um século destas visões não se realizarem.

A Shang-Chi outtakes, bloopers, and gag reel: Fui ver este filme num dia em que precisava de desligar o cérebro e divertir-me com uma boa dose de cinematografia Marvel. Não saí desiludido, com a ação e a estética. Só achei estranho a inflexão estética, na sua versão original Shang-Chi tem um visual mais agressivo, diretamente inspirado em Bruce Lee e no cinema de Hong Kong. Há que agradar à sensibilidade millenial (não levo a mal, adaptar-se aos gostos é um dos elementos que mantém os comics relevantes e não estagnados), e o ar pesado das artes marciais dos anos 70 deu lugar a um visual mais normal, o protagonista nem parece um atlético mestre do kung-fu. Entretanto, circula por aí uma comparação do rosto do herói do filme com a cara de Xi Jinping, o ditador chinês. Talvez não seja uma imagem apócrifa, no cinema nada é deixado ao acaso e uma certa similaridade entre o ator e o ditador pode ter sido uma jogada intencional para garantir o acesso ao mercado chinês. 

BIENVENIDOS A PRISMA: Uma nova revista online espanhola, dedicada à literatura juvenil e fantástica. 

Tecnologia

Years Later, Alphabet’s Everyday Robots Have Made Some Progress: A divisão de robótica da empresa que detém a Google tem demonstrado interessantes conceitos e protótipos de robots colaborativos, capazes de interagir em ambientes humanos. 

UE pode obrigar apps de mensagens a falar umas com as outras: Por acaso, ultimamente tenho dado por mim a pensar nisto. Como me envolvo em vários projetos educativos, dou por mim disperso em múltiplas plataformas de comunicação. Alguns projetos requerem o Teams (esse cancro!), outros o Workspace, alguns cruzam email com messenger e Whatsapp. Ainda há que contar com as streams via YouTube (as restantes plataformas, tipo Slack, Discord ou Twitch não ganharam tracção no mundo da educação) e temo os dias em que tenho de usar o bloatware da Cisco, ou o fóssil que é o adobe Connect. Estão a ver o problema, certo? Múltiplos logins, informação dispersa, múltiplas apps e plataformas. Suspeito que faz falta ao mundo da comunicação digital interoperabilidade, com ligação fácil entre diferentes plataformas. O que fazemos hoje parece fazer sentido, até nos recordarmos que não usamos um telemóvel específico para ligar para cada rede. Claro que as tecnológicas se irão opor a eventuais tentativas de interoperabilidade, afinal, o modelo de negócio  delas não é pôr-nos a comunicar, mas sim espremer o máximo possível de dados a partir das nossas comunicações. 

Surviving the Robocalypse: Uma análise ao medo da robótica no mundo laboral, sob o ponto de vista das vantagens trazidas pela colaboração entre robots e humanos.

The Future and the Past of the Metaverse: Os metaversos, agora novamente na berlinda graças à manobra de marketing distrativo do Facebook, sempre oscilaram entre promessas de utopia e distopia. A corrente variante comercial tem zero preocupações éticas, o que a torna muito próxima de uma distopia. O inferno, será a banalidade de um mundo virtual na estética rede social.

Can Afghanistan’s underground “sneakernet” survive the Taliban?: Redes low tech de disseminação de conteúdos digitais para zonas remotas, agora a enfrentar a ameaça do obscurantismo. Há que apreciar o elan de um destes facilitadores de conteúdos, que observa que não teme os Taliban por ser uma pessoa do século XXI, face a adversários que vivem no passado.

Northrop Grumman proposes lunar rover for Artemis program: Para já, em modo de desenvolvimento tecnológico, esperando que o projecto Artemis nos traga, realmente, um regresso à Lua.

El Air 4 de Renault es la suma de querer un eVTOL y recordar la época de los coches clásicos de la compañía: Os drones de transporte pessoal geralmente têm o problema da carenagem. Ficar sentado rodeado de hélices em rotação não só parece desconfortável, mas indutor de corte de passageiro às fatias em caso de eventual acidente. Uma ideia pode passar por reaproveitar habitáculos de automóveis.

Interesting research, but no, we don’t have living, reproducing robots: Tem feito alarido, a notícia que cientistas teriam sido capazes de criar organismos que se auto-reproduziam. É verdadeira, mas tem sido mal interpretada, com algum excesso de entusiasmo. O Ars Technica mergulha a fundo nesta investigação.

Esta inteligencia artificial de NVIDIA "pinta" fotos mientras hablas: A Nvidia atualizou a GauGAN para incluir inputs textuais; de certa forma (mas não quero apontar o dedo, correndo o risco de ser injusto), incorporando na GauGAN o trabalho independente que tem sido feito na integração de algoritmos VQGAN e CLIP.

What Can the Metaverse Learn From Second Life?: Bem, primeira lição: tudo o que agora parece novo e fascinante, apenas repete ideias que estão agora no terceiro pico de popularidade. Mesmo o argumento "talvez agora seja diferente, porque a tecnologia de suporte evoluiu", é repetido.

It’s Nice Having Someone To Talk To: Naqueles momentos em que nos sentimos mais solitários, é bom saber que se pode soldar e programar uma companhia que reage às nossas ações.

Modernidade


Our Ancient Attraction To Glass: Do fascínio com a policromia do vidro. A peça de vidro vinda do antigo Egipto que ilustra o antigo é de uma beleza soberba.

Giving Cameras to Kids as Tools of Self-Exploration: Um projeto artístico interessante, que explora a imagem e a construção de estéticas. E leva a refletir na forma banal como nos esquecemos que, nos dias que correm, andamos todos com poderosas câmaras fotográficas no bolso, mas raramente pensamos em como tirar partido do seu potencial estético. Algo que, diga-se, para muitos nem sequer é preocupação.  

End Of Times – Identifying The Anthropocene: Pensar os sinónimos de antropocénico, como forma de refletir sobre as suas causas humanas.

Beijing Keeps Trying to Rewrite History: Hong Kong está a sentir na pele o significado de estar sob domínio chinês, as suas liberdades tradicionais estão continua e progressivamente a ser eliminadas pelo governo chinês. Os ativistas lutam, mas é claramente uma guerra perdida. Autoritarismo assente em repressão  e tecnologias de vigilância para controlo social é a fórmula que sustenta o governo chinês. 

This Mystery And Credit Of "Norwegian Wood" Unraveled: Confesso que saber que uma das canções dos Beatles que suporta o teste do tempo, afinal celebra as aventuras sexuais extramaritais de Lennon, tira-lhe um pouco o lustre. A canção é código para a descrição das aventuras sexuais do músico, que as queria manter escondidas da esposa. Olhando com atenção, escrever uma canção sobre isso talvez não seja a melhor forma de manter discrição. 

Amazon and Target play ‘outsized’ role in port congestion and pollution, report finds: Não há aqui grande surpresa, perceber que os maiores retalhistas do planeta são dos principais responsáveis pela poluição vinda dos transportes marítimos.

How The Guerilla Girls Got Their Groove: Este lendário grupo de artistas dos anos 80 dedicaram-se a combater o desequilíbrio de representatividade no mundo artístico. E fizeram-no com estratégias de guerrilha cultural, com muito humor.