NAOYUKI KATOH: Do sol nascente.
The Powers Of Bibliotherapy: Apesar de perceber a lógica destas abordagens, há algo em mim que fica reticente, por sentir que estes pontos de vista reduzem a literatura a um mero valor utilitário.
The Dor Brothers: Há uma certa ironia em ver uma curta gerada por IA que celebra as manualidades clássicas. Está muito bem feita, os Dor Brothers pertencem ao grupo daqueles que exploram muito bem as possibilidades da IA em vídeo, não é de todo slop. Por outro lado, falta faísca e emoção, apesar do ar de dramalhão cozy da curta, mas isso tem mais a ver com o ser essencialmente um exercício de estilo do que algo advindo da tecnologia usada.
Treat your to-read pile like a river, not a bucket: Bem, por vezes confesso alguma inveja daqueles para quem a pilha a ler se assemelha mais a um pequeno riacho ou o fio de um córrego, no meu caso é mais torrente descontrolada.
SOURCE: richardzx: Imaginários.
Don’t be fooled by this summer of AI hype: Timnit Gebru, certeira (como não poderia deixar de ser). A aceitação acrítica dos pronunciamentos especulativos da indústria da IA tem de ser combatida.
La IA está cambiando la forma de consumir ficción: historias infinitas, fan fiction y fantasías a medida: Sabemos que sequer meter imagens gerada por IA em capas ou ilustrações é anátema no mundo literário, e ai do autor que admitir ter usado ia no seu processo de escrita. É sujeito a um verdadeiro auto da fé. No entanto, quem observa a forma como as pessoas usam a ia nota que muitos adoram desafiar os chatbots a contar-lhes histórias.
China Has No Use for AI Doomerism: Em parte, por desígnio e investimento do governo chinês. Mas também porque as pessoas vêem na IA, pese embora reconhecerem as suas problemáticas, uma oportunidade de negócio e crescimento.
The Bizarre, Murky History of Soviet-Born Tetris: Em si, a história deste jogo já é fascinante, no cruzamento do fim da guerra fria e a nascente era digital. A narrativa conhecida é mais profunda, e a teia de guerras de propriedade intelectual é muito densa.
Leituras da Semana (#129 // 21 Set 2026): Deveras, uma utopia muito fixe. Mas João, confesso alguma desilusão. Essas iniciativas existem, há alternativas comerciais e open source europeias em todos os campos tecnológicos, da elementar produtividade aos modelos fundacionais de IA. Sofrem todas do mesmo mal - existem, mas com dificuldades de escalagem, e os investimentos europeus são inversamente proporcionais às sempre hiperbólicas declarações de intenções. Que, na mais absurda patetice, os altos responsáveis europeus gostam de anunciar via Twitter, o que é ao mesmo tempo uma piada que se faz sozinha e uma ironia de usar serviços norte-americanos, e este em especial que é reconhecido pela ausência dos mais elementares princípios de decência, para anunciar as suas medidas de incentivo à soberania digital europeia. Há países que estão a investir, caso da França e da Alemanha, que entre o uso de open source na administração pública ao investimento direto em empresas de ponta (veja-se o caso da Mistral), estão a dar passos concretos num caminho que não será fácil nem longo, mas tem de ser feito. E por cá? Temos o Amalia(zinha), que até não está nada mal tendo em conta o baixíssimo investimento que foi feito (tornando ainda mais ridículas as afirmações hiperbólicas do funcionário da solverde que administra o governo português), uma administração pública que não funciona sem a Microsoft, e uma completa desatenção social para as mais elementares questões digitais, quanto mais para soberania.
Contributo da D3 ao Projeto de Lei sobre verificação de idade na Internet: Leitura recomendada, que sob pontos de vista legal e técnico mostra o erro que é implementar sistemas obrigatórios de verificação de identidade nos serviços online.
Humans Are Reading Copilot Prompts — And They're Horrified: São estas que me fazem pensar que se a humanidade estiver condenada, é porque o merecemos. Nada está certo nesta notícia, desde o comportamento dos utilizadores do copilot que o usam para dar vazão às suas piores taras (pensem coisas que vão da devassa da intimidade a pedofilia), à necessidade a Microsoft, que usa estes moderadores não para registar e travar estes abusos, mas para aferir se o chatbot de IA deles é bom a cumprir os seus pedidos. E com isto deu para perceber quem realmente usa este chatbot, o copilot é o grok do corporate world.
Why OLPC’s $100 laptop never stood a chance: Bem, se aliamos o lado de projeto social ao foco no open source, é claro, em retrospectiva, que o OLPC estava condenado. Se não promete lucro aos de sempre, tem de ser enterrado. Não é por acaso que a Microsoft se apressou a copiar o conceito com os modelos classmate, porque é de tenra idade que se treinam as crianças para ser clientes do Windows e do office.
El debate definitivo sobre las herramientas de software más odiadas por todo el mundo: Zero surpresa em ver o teams como o topo das ferramentas digitais mais odiadas. Aquilo é um cancro digital.
What Students Can Teach Us About AI: A importância de olhar para a forma como as crianças se apropriam das ferraments de IA.
The Situation at Alpha School Is Darker Than We Thought Possible: Este é o tipo de notícias que é partilhado com gosto pelos deslumbrados da IA - o surgimento de escolas onde a interação aluno-currículo é mediada por IA. É a bem velhinha promessa de ensino instrucional personalizado mediado por tecnologia (malta, ide ler sobre caixas de Skinner e Sistemas Tutoriais Inteligentes). Tudo sempre muito bonito, com a promessa da IA fornecer aos alunos conteúdos apropriados aos seus ritmos. E com funciona, na realidade? Trabalho rotineiro em exercícios, sistemas de monitorização física dos alunos, segregação das crianças por medidas de habilidade cognitiva (erradíssimo nas mais elementares ideias de inclusão, um dos objetivos da escola é precisamente misturar e não criar grupos segregados). E, apreciei a ironia do apoio pedagógico via call center na Índia. Faz lembrar a piada de quem trabalha com tecnologia, que quando há alguma coisa que lhe está a causar dificuldades, há sempre um vídeo de um indiano no YouTube que a explica muito bem.
Surveillance Finds a Way: Se há algo de constante alarmante mas discreto, é o crescimento pouco visível dos sistemas de vigilância capazes de rastrear praticamente tudo, a partir da nossa pegada digital.
Peter Max Psychedelic 60s Poster Art: Psicadelismos.
Why Education Should Be More Like Gym Class: Uma análise certeira - "But if the grade is the goal, and a machine can get you the grade, the machine is not a shortcut; it’s just efficiency." Como já observei por aqui muitas vezes, a ia está a meter a nu a inconfortável verdade sobre educação - a maioria dos que frequentam escolas e cursos fazem-no não por genuíno interesse no estudo e aprendizagem, mas apenas para ter um certificado.
The Middle East Still to Come: Desde a antiguidade que o médio oriente tem sido um ponto geoestratégico fulcral, como cruzamento de impérios, e agora da nossa dependência do petróleo.
Una profesora universitaria lo admite: "no hay ningún motivo para creer que los jóvenes Gen Z vayan a tener seguridad económica": Ou, a análise que nunca ouço quando saem resultados académicos internacionais e se anota a decaída europeia. O discurso confortável refugia-se em supostos facilitismos ou perda de rigor académico. Mas, e já se lembraram de perguntar aos jovens de hoje se acham que vale a pena seguir o caminho do esforço e do rigor para chegar longe na vida? É que eles estão a ver esse contrato social cada vez mais esfarrapado, a caminhar para o inexistente.
New Map Reveals Where This ‘Super’ El Niño Will Hit Hardest, and It’s Not Pretty: Este verão de sucessivas vagas de calor em temperaturas recordistas tem sido um indicador do que acontece quando o padrão do El Niño é amplificado pelos efeitos do aquecimento global. Teme-se que o inverno seja pior.
Tom Gauld: ‘Trust me, it’s safe’: Realmente, o conceito de segurança depende das barreiras de defesa.
When Culture Becomes “Content”: Certeiro. Criámos um problema conceptual com o conceito, emergente na internet das redes sociais e plataformas, de "conteúdo". É algo que designa o enchimento, o artefacto textual, imagético ou audiovisual, concebido primordialmente para alimentar os mecanismos de consumo rápido das plataformas digitais. Uma superficialidade que correu o conceito de cultura, e encontra a sua expressão mais recente no uso de IA generativa para produção massiva automatizada.
Leituras da Semana (#130 // 28 Set 2026): Destaco os artigos, mas acima de tudo a visão do João. São dois textos que tocam em preocupações minhas. A sedução da nostalgia, esse nicho de mercado mas também armadilha cultural e ideológica, vende-nos a falsa ideia de um passado dourado. Tal como o João, não recordo esse passado como dourado. Recordo uns anos 80 e 90 de fortes limitações culturais e poucos meios. E, tal como o João e o articulista, também percebo a ameaça (ou talvez estratégia) clara de regressão de direitos sociais e culturais, evocando a falsa ideia dos bons velhos tempos para cercear liberdades que incomodam os mais conservadores. Só vos digo uma coisa nisto: essa malta deve ter saudades dos bons velhos tempos em que os respeitáveis homens de família iam à noite ao Parque Eduardo VII procurar a companhia de jovens rapazes para lhes aliviar o stress da vida familiar (era uma zona no go nos meus tempos de boémia lisboeta de liceu, perigosa, que hoje podemos frequentar à noite sem quaisquer riscos). Quando ao volta e ao Carlos Moedas como paladino da justiça social, só acrescento isto, que o João muito bem desmonta - todos sabemos que o problema dele não são os pobres, é eles andarem a vasculhar o lixo à procura de garrafas, e isso dá mau aspeto. O problema real não é existirem pobres, é serem visíveis na Lisboa moedista, feita de bairros-disneylandia para consumo de turistas, zonas gentrificadas onde os muito endinheirados tropeçam nos sem abrigo que dormem nas ruas (ide visita Marvila, esse bairro de luxo onde a poucos metros há quem viva em tendas). Uma Lisboa desigual, que as políticas municipais incentivam. Notem, a título de exemplo, que a mesma câmara que corta no apoio a refeições nas escolas financia eventos gastronómicos de luxo. Dinheiro, é para caviar, e não leite escolar.
An Interview with Olia Lialina: Uma das grandes referências da arte digital alicerçada na internet.
Turkish Comedian Sentenced To Prison For Insulting Both “Religious Values” And President Erdoğan: Visitei recentemente a Turquia, e confesso ter regressado apaixonado pelo país. Tendo sido em erasmus, para uma cidade do interior, tive um vislumbre bastante mais profundo do que é a vida turca do que se tivesse feito uma visita turística. Fui acarinhado, por colegas hospitaleiros, mas como bom bicho do mato que sou arranjei muitas oportunidades de exploração solitária pelas ruas da cidade que visitei. Notei um acolhimento caloroso da minha óbvia estrangeirice (nota para quem viaja - a esmagadora maioria não fala inglês), nenhuma tentativa de aproveitamento (num destino turístico já não seria assim). Por entre os chamamentos à oração nas mesquitas, senti um povo tolerante, apesar de duvidar dos limites infindos da tolerância se aparecesse na praça Nasrullah como drag queen à hora das orações. Apesar da admiração que ganhei pelo país e pelas suas gentes, não esqueci que estamos perante um exemplo do que se designa pelo eufemismo de "democracia iliberal". Houve conversas que não tive com os meus colegas turcos, sabia que poderiam ser incómodas e recordo a purga que o governo de Erdogan fez aos quadros públicos, especialmente professores, suspeitos de sequer ter simpatias de esquerda. No voo de ida, tirei uns minutos para dizer isto mesmo às alunas que acompanhava, recordando-lhes que os valores abertos e democráticos a que estamos habituados, que damos como garantidos, poderiam colocar os colegas turcos em maus lençóis.










