domingo, 9 de maio de 2021

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Esta semana, fala-se do festival Relampeio, do culto de Zardoz e construções em Lego. Descobrimos óculos de realidade aumentada DIY, os maiores datacenters do mundo e a proposta do Google Maps de integrar fotogrametria. Recordamos o navio que encalhou o comércio global e o potencial da tecnologia mRNA. Mais leituras vos aguardam nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop


Chris Foss: pura space opera. 

https://70sscifiart.tumblr.com/post/647119938331557888

Relampeio Festival 2021: Uma nota sobre um festival literário online brasileiro, que irá contar com a presença de autores e editores portugueses, ligados ao fantástico. 

https://theportugueseportal.wpcomstaging.com/2021/03/30/relampeio-festival-2021/

The trailer for Uzumaki based on Junji Ito's horror manga is a true teaser: Temam as espirais. Uma das mais marcantes obras de Junji Ito está a ser adaptada para anime, e o trailer promete. 

https://boingboing.net/2021/03/30/the-trailer-for-uzumaki-based-on-junji-itos-horror-manga-is-a-true-teaser.html?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=the-trailer-for-uzumaki-based-on-junji-itos-horror-manga-is-a-true-teaser

The story behind John Boorman's 1974 cult classic, Zardoz: Sean Connery a passar todo um filme vestido com o que melhor pode ser descrito como fato de banho revelador feminino. Cabeças gigantes que vomitam armas. Um argumento provavelmente escrito sob influência de potentes narcóticos. Como não adorar Zardoz?

https://boingboing.net/2021/03/29/the-story-behind-john-boormans-1974-cult-classic-zardoz.html?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=the-story-behind-john-boormans-1974-cult-classic-zardoz

13 GLORIOUS COVERS: A GEORGE WILSON Salute, by JOE JUSKO: Capas de sci-fi, aventura e horror com uma estética deliciosamente psicadélica.

https://13thdimension.com/13-glorious-covers-a-george-wilson-salute-by-joe-jusko/

5 Modern Cyberpunk Stories: Este género continua influente e acutilante. As obras destacadas neste artigo são contemporâneas, e mostram uma visão mais madura do cyberpunk, agora que a tecnologia que usamos corresponde e ultrapassa alguns dos sonhos digitais do cyber original.

https://www.tor.com/2021/03/26/5-modern-cyberpunk-stories/


Vincent Di Fate: Opera espacial.

https://70sscifiart.tumblr.com/post/646678257801068544

Moças Decentes...: Como o Lord Velho observa, um dos pontos interessantes do cinema de terror é como subverte os valores morais conservadores. Especialmente no que toca ao papel das mulheres, o cinema de terror sempre deu primazia às personalidades fortes.

https://lordevelho.blogspot.com/2021/03/Glenda-Farrell.html


retroscifiart:Artwork by Claudio Mazzoli from Future magazine...: Retrodufuturismos.

https://retroscifiart.tumblr.com/post/156816337614/artwork-by-claudio-mazzoli-from-future-magazine

Funko's 'This is fine' Dog: Confesso que não sou especialmente fã dos bonecos Funko, não aprecio muito figuras com cabeças desproporcionadas. Mas para este, acho que vou abrir exceção.

https://boingboing.net/2021/03/25/funkos-this-is-fine-dog.html


Gaze Into Brian Bolland's 200 Signed Prints Of His Most Famous Panel: Nunca há más razões para partilhar este painel fantástico que Bolland desenhou para Judge Dredd.

https://bleedingcool.com/comics/gaze-into-brian-bollands-200-signed-prints-of-his-most-famous-panel/


cosmosastronaut: For all the Halo fans out there: A estética cyberpunk é sempre interessante.

https://cosmosastronaut.com/post/182461558183/for-all-the-halo-fans-out-there-futuristic

Tales from Afar #1: Mesmo sem os tradicionais eventos e encontros, que era onde se mostravam muitos projetos independentes aos fãs e leitores, a BD portuguesa continua a encontrar formas de se expressar.

https://outrasleiturasdopedro.blogspot.com/2021/03/tales-from-afar-1.html

Wonderful LEGO NASA Apollo 11 Lunar Lander: Versão 2.0 do kit comemorativo original. Que, diga-se, é surpreendentemente simples de montar, e muito fiel às naves Apollo reais.

https://boingboing.net/2021/03/24/wonderful-lego-nasa-apollo-11-lunar-lander.html

Science Fiction Was Depicting Climate Change More Than A Century Ago: O que não é grande surpresa, embora na FC clássica, ainda não esteja presente a nossa contemporânea preocupação com os impactos das alterações climáticas. O foco estava nas aventuras em cataclismas.

https://daily.jstor.org/how-early-sci-fi-authors-imagined-climate-change/

Take A Look At This Awesome Collection Of LEGO Naval Aircraft: Com paciência e engenho, faz-se tudo com Lego, e esta coleção de aeronaves está fantástica.

https://theaviationist.com/2021/03/24/take-a-look-at-this-awesome-collection-of-lego-naval-aircraft/

Tecnologia


The Future’s so Bright, You Gotta Wear Arduglasses: Um genial projeto maker, que usa componentes DIY para criar óculos de realidade aumentada. 
https://hackaday.com/2021/03/25/the-futures-so-bright-you-gotta-wear-arduglasses/

Las Máquinas de PCjs: desde PCs antiguos a calculadoras programables: Um museu virtual que recria antigos sistemas, quer de computadores quer outros dispositivos computacionais.
https://www.microsiervos.com/archivo/ordenadores/maquinas-pcjs-pcs-antiguos-calculadoras-videojuegos-retro.html

You’re Doing It Wrong: Notes on Criticism and Technology Hype: Uma análise intrigante. Geralmente a análise ao impacto da tecnologia cai entre dois campos, o do deslumbramento ou o do catastrofismo. Mas há outro, mais refinado e cujos praticantes geralmente são considerados vozes a escutar: o catastrofismo deslumbrado, assente em análises que empolam o lado negativo de tecnologias (ou, para ser mais rigoroso, da forma como são usadas), falando de efeitos que são mais residuais do que o que as suas análises apontam. O artigo até aponta o dedo a um dos livros da moda, A Era do Capitalismo de Vigilância, como exemplo de uma obra que apesar de se focar em efeitos possíveis de estratégias de aplicação de tecnologias, eles na verdade não são assim tão fortes. Um exemplo concreto está no enviesamento trazido pelos algoritmos das redes sociais, que se de facto é extremo nalgumas franjas, afeta-nos menos do que julgamos, embora esse tipo de discurso não garanta tanta atenção como pronunciamentos mais catastrofistas. É de notar que os efeitos perniciosos estão lá, mas empolar a sua gravidade tem o efeito de cercear análises verdadeiramente críticas dos seus impactos.

https://sts-news.medium.com/youre-doing-it-wrong-notes-on-criticism-and-technology-hype-18b08b4307e5

Avatarify chega ao iOS e facilita deepfakes: As deepfakes estão a tornar-se mais acessíveis, o que não surpreende. Este tipo de apps vai-se generalizar, como brinquedo digital.

https://abertoatedemadrugada.com/2021/03/avatarify-chega-ios-facilita-deepfakes.html

The internet has become a tool for authoritarian repression: A China é o líder indiscutível nisto, do uso das redes digitais como forma de vigiar e oprimir os seus cidadãos. Mas não é caso único, todos os regimes autoritários usam ativamente as redes para reprimir os cidadãos.
https://www.engadget.com/internet-connectivity-has-become-a-tool-for-authoritarian-repression-164557321.html

WSJ: Microsoft is now in 'exclusive' talks to acquire Discord: Depois de assolar o planeta com o pesadelo-clone do Slack que é o Teams, a Microsoft tenta esmagar a eventual competição via aquisições?
https://www.engadget.com/discord-10-billion-microsoft-014150831.html

Así son los cinco CPDs más grandes del mundo: Os datacenters que sustentam as nuvens. Estes são os cinco maiores, mas há muitos mais espalhados pelo planeta, preferencialmente construídos em zonas onde as temperaturas médias são baixas. É curioso notar que os maiores datacenters estão nos EUA, e na China. Toda aquela sociedade panóptica digital requer muitas quintas de servidores.
https://www.xataka.com/pro/asi-cinco-cpds-grandes-mundo

21 apps para editar vídeos verticales, añadirles efectos, filtros y más: Confesso que fujo do vídeo vertical como o diabo da cruz ou o vampiro do alho, mas por vezes, quando estou a criar um tutorial para os meus alunos sobre uso de apps para telemóvel, lá tem de ser. Este artigo vale a leitura pelas sugestões de apps de edição de vídeo no telemóvel.
https://www.xataka.com/basics/21-apps-para-editar-videos-verticales-anadirles-efectos-filtros

Estos son los recursos que codiciará la industria tecnológica en el futuro: qué los hace tan valiosos y dónde están: Um recordar que as tecnologias que nos deslumbram requerem um lado obscuro, o de matérias primas raras, obtidas com grandes custos sociais e ambientais.
https://www.xataka.com/investigacion/estos-recursos-que-codiciara-industria-tecnologica-futuro-que-hace-valiosos-donde-estan

The Sonic (Entrepreneurship) Boom: Quais são as perspetivas económicas no mundo pós-covid? Na verdade, olhando para o exemplo da história, são boas. Após grandes catástrofes, as sociedades mobilizam-se para a reconstrução. Se o impacto da pandemia na economia é tremendo, com consequências sociais a somarem-se às sanitárias, podemos ter esperança no futuro próximo.
https://www.profgalloway.com/the-sonic-entrepreneurship-boom/

Integral Launch and Reentry Vehicle: Triamese (1968-1969): Acho que nem a SpaceX se safava com esta - três veículos acoplados num só, para lançamento e criação de uma estação espacial. Claro que o projeto nunca saiu do papel.
http://spaceflighthistory.blogspot.com/2021/03/integral-launch-and-reentry-vehicle.html

Google promises better 3D maps: Do meu ponto de interesse nas vertentes do 3D, retiro a vontade da Google em enriquecer as capacidades 3D do Maps com mais recursos, recorrendo à fotogrametria. Resta perceber o como vão fazer. Irão incorporar modelos criados e disponibilizados pelas comunidades? Vão apostar na incorporação de sensores lidar e TOF em smartphones, o que aumentaria o número de utilizadores que se disponibilizariam para captar os espaços físicos em 3D? Ou vão aplicar algoritmos de fotogrametria às imagens de satélite que sustentam o Maps?
http://feedproxy.google.com/~r/Techcrunch/~3/4qW4D7LprTc/


Code Talkers: Programming with Voice: Notem que por programar por voz, é literalmente ditar os comandos e a sintaxe. Confesso que nunca fui grande fã dos interfaces de voz, embora estes sejam considerados os mais naturais para interação com sistemas digitais.
https://hackaday.com/2021/03/28/code-talkers-programming-with-voice/

What AI Can Teach Us About the Myth of Human Genius: Quando as ferramentas de inteligência artificial se aliam à criatividade humana, os resultados são muito intrigantes.
https://www.theatlantic.com/culture/archive/2021/03/pharmako-ai-possibilities-machine-creativity/618435/

With More Than 7000 Languages In The World, Google Translate Is Next To Useless: Descontem o título clickbait, a lógica do artigo é observar que as capacidades do Google Translate assentam sobre texto escrito, o que não caracteriza a maioria da diversidade das línguas humanas.
https://www.bbc.com/future/article/20210322-the-languages-that-defy-auto-translate

A modder made a way to mine bitcoin on a Game Boy (very, very slowly): Talvez das mais corrosivas críticas à loucura das criptomoedas, um espaço altamente especulativo que nos tem trazido benefícios como o encarecer das placas gráficas ou consumos de energia que ultrapassam o de países médios. E porque não usar hardware antigo e lento para extrair bitcoins? É demorado, mas nalgumas centenas de anos, irá produzir uma bitcoin.
https://www.theverge.com/tldr/2021/3/29/22356862/mining-bitcoin-game-boy-gpu-shortage-raspberry-pi-pico-mod

Modernidade



The Big, Stuck Boat Is Glorious: Confesso que também partilho do fascínio pelo barco encalhado no canal do Suez que está a empatar o tráfego marítimo internacional. Porque nos mostra, como o artigo bem observa, as infreastruturas e fluxos complexos dos quais depende o comércio global. Coisas que no dia a dia não nos apercebemos, porque estão concebidas para serem invisíveis. Exceto quando algo encalha.
https://www.theatlantic.com/technology/archive/2021/03/were-going-to-need-a-smaller-boat/618414/

El futuro cercano se parece mucho a Gibraltar: el Peñón ya ha superado el 70% de vacunados y empieza la desescalada para volver a la verdadera normal: Os gibraltinos como um exemplo a observar. A reduzida dimensão do território permitiu que toda a população já esteja completamente vacinada, sendo o primeiro território europeu que irá levantar as restrições à vida diária que têm caracterizado a nossa vida desde há um ano. Resta ver que resultados terão estas medidas, e é aí que valerá a pena rastrear o que acontecerá em Gibraltar, com a sua população vacinada.
https://www.xataka.com/medicina-y-salud/futuro-cercano-se-parece-mucho-a-gibraltar-penon-ha-superado-70-vacunados-empieza-desescalada-para-volver-a-verdadera-normal

Those Unknown Sappho Poems Discovered Back In 2014? There’s A Problem: Não com os poemas em si, que são de facto da poetisa. Mas com a origem dos vestígios do manuscrito, que mostram indícios de vir dos lados mais obscuros do tráfico de antiguidades.
https://www.theguardian.com/books/2021/mar/25/doubts-cast-over-provenance-of-unearthed-sappho-poems

How mRNA Technology Could Change the World: O potencial da técnica biomédica por detrás de algumas das vacinas para a Covid, que pode ser aplicada no combate a outras doenças. 
http://feedproxy.google.com/~r/TheAtlantic/~3/rqpxFcUN9Xs/

Two Russian Navy MiG-31BM Interceptors Have Flown Over The North Pole For The First Time Ever: Há uma certa aura retro nesta notícia de caças supersónicos russos sobre o pólo norte. Os MiG-31 são as aeronaves de combate mais rápidas do mundo. 
https://theaviationist.com/2021/03/29/two-russian-navy-mig-31bm-interceptors-have-flown-over-the-north-pole-for-the-first-time-ever

quinta-feira, 6 de maio de 2021

As Cidades Invisíveis


Italo Calvino (1990). As Cidades Invisíveis. Lisboa: Editorial Teorema. 

Regressar a uma antiga leitura, é também descobrir os tortuosos caminhos da memória. Confesso que já não recordava as cidades de Calvino pelo que são, apontamentos feéricos onde geografias e urbanismos surreais se cruzam com usos e costumes oníricos. Os mapas do imaginário que Marco Polo traça ao imperador Kublai Khan, detalhando os locais que nunca conhecerá do seu império, são assumidas efabulações, jogos de palavras e ideias, cidades que se resumem à representação mental pessoal de uma cidade. Talvez Calvino tenha conseguido, neste texto sedutor e incongruente, captar aquilo que nos faz amar as cidades, que não se traduz em fotos icónicas ou percursos turísticos.

Talvez tenha sido contaminado pelo efeito Calvino e, por isso, perdido a recordação do texto original. Chamo-lhe "efeito calvino", mas claro que é uma impressão minha, não sustentada por análises literárias profundas. É a sensação que este texto contaminou profundamente a literatura fantástica, sinto por vezes que escrever um conto ou um livro sobre uma cidade fantástica, com pormenores surreais e feéricos, se tornou um rito de passagem para os escritores e autores de BD que lidam com o fantástico. Não falo das cidades luminosas ou decadentes da Ficção Científica, nem dos medievalismos da fantasia, mas sim de cidades híbridas, palcos por vezes bizarros de histórias improváveis.

É irónico que a releitura deste livro me tenha feito pensar sobre memória. Porque as palavras de Calvino, nesta obra, refletem isso, a memória como efabulações cruzadas com imagens fugazes.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Comics: Promethee 13:13; Tomorrow; Naissance

 

Andy Diggle, Christophe Bec (2020). Promethee 13:13. comiXology Originals.

Prelúdio anglófilo a uma série francesa em busca de espaço no mercado de língua inglesa. Alienígenas, que sempre nos tiveram debaixo de olho, decidem exterminar a humanidade. Mas entre os alienígenas há quem queira poupar os humanos, e abre um portal para o futuro. Uma mulher, escolhida por estes, será quem irá passar esse portal e visitar um futuro que ainda está por ser escrito. O comic está cheio de ideias interessantes, e cumpre o que lhe é pedido, abrir interesse para a série francesa.

Pete Milligan, Jesus Hervas (2020). Tomorrow. Milwaukie: Dark Horse.

Ler em 2021 comics sobre efeitos de pandemias é algo amargo. Milligan imagina uma pandemia inédita, um vírus de computador que salta a barreira cibernética e começa a infetar os humanos. Com efeitos devastadores em todos, menos os mais jovens, que tendo já crescido com a internet, têm cérebros imunes ao vírus. Os resultados não são animadores, Milligan entra em modo Senhor das Moscas completo. O périplo é-nos dado por um aspirante a violinista com retoques de autismo, que terá de atravessar a América para tentar regressar para junto da sua irmã.

Salaün Jaouen (2020) Elecboy - Tome 1 - Naissance. Dargaud.

Início de uma série, com uma premissa interessante. Num planeta dominado por Inteligência Artificial, resistem alguns humanos num enclave dominado por relações tribais. A história vive de tensões entre os habitantes do enclave, com histórias relacionais do passado. O principal ponto de interesse, o quase extermínio da humanidade pela IA, mal é aflorado. Visualmente, tem um estilo gráfico interessante.

domingo, 2 de maio de 2021

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Esta semana, os destaques vão para o Giby, um projeto de edição de banda desenhada luso-brasileiro, e para os livros que rastreiam o futuro próximo. Fala-se da forma como o cérebro interpreta as linguagens de programação, de projetos artísticos com realidade virtual, influencers e deepfakes. Descobre-se o Underground londrino desprovido de passageiros, a ilusão dos cavaleiros e o poder da imaginação. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas desta semana.

Ficção Científica e Cultura Pop


The Loathsome Beasts: Vá, criatura peluda, as mulheres terrestres não são assim tão assustadoras.

https://pulpcovers.com/the-loathsome-beasts/

Superman And The Authority By Grant Morrison and Mikel Janin For DC: Bem, Grant Morrison a regressar a um dos títulos principais da DC? É curioso. Apesar de ser um dos melhores argumentistas do género, Morrison não é muito comercial. Levando em conta o seu pendor para surrealismo psicadélico, imagino o que fará com Superman.

https://bleedingcool.com/comics/superman-the-authority-from-grant-morrison-and-mikel-janin/

Jim Burns: Cidades verticais.

https://70sscifiart.tumblr.com/post/645930835081592832/jim-burns

Lego saca un set con el transbordador espacial Discovery y el telescopio espacial Hubble: Construir un Vaivém espacial e um Hubble? Shut up and take my money!

https://www.microsiervos.com/archivo/juegos-y-diversion/lego-discovery-hubble.html

Giby: Uma boa novidade. Este projeto editorial brasileiro quer dar voz aos criadores de banda desenhada latino-americanos e portugueses. A revista, que será impressa, está em processo de lançamento, com uma call para autores interessados. Sendo de uma editora brasileira, resta saber se haverá forma de ser editada por cá, ou se a poderemos encomendar. A capa da primeira edição é do português Luís Louro, que dispensa apresentações entre o fandom de BD portuguesa, mas para os leitores do Bit2Geek, recomenda-se visita a uma livraria de BD para descobrir o fantástico traço deste autor.

https://www.facebook.com/thiago.modenesi/posts/10208128303522238

The Books Briefing: The Techno-Future Is Now: Uma intrigante seleção de livros sobre futurismo, ente Ficção Científica clássica, futurismo e novas vozes da FC internacional.

https://www.theatlantic.com/books/archive/2021/03/nk-jemisin-isaac-asimov-books-briefing/618308/


The Scarlet Bats: Só tenho uma questão: como é que os SE5 descolaram aos pares, a segurar aquelas bombas?

https://pulpcovers.com/the-scarlet-bats/

The 5 Coolest Technologies from Hard Science Fiction: A Ficção Científica clássica tem este condão, o de se focar apenas no deslumbre técnico. Estas cinco sugestões são excelentes exemplos disso.

https://theportalist.com/hard-science-fiction-technology

Tecnologia

Did a classic Archie Comics story predict virtual schooling in 2021? Yes.: Esta imagem tem andado a fazer a ronda das redes sociais, como se por milagre a Archie Comics tivesse predito o futuro. Bem, na verdade, se se mergulhar nos futurismos do passado sobre como seria o futuro da escola, esta é uma iconografia habitual. Mostra que há algo de constante na visão que as sociedades têm da escola, como forma passiva de transmissão de conhecimento. Não é chocante, foram criadas por ilustradores que, futurismos à parte, colocaram nas ilustrações aquilo que aprenderam que era a educação. Imagens de crianças a aprender frente a ecrãs são comuns desde os anos 50, tanto quanto sei. Em todas estas imagens, há sempre um motivo que se repete, o de aluno sentado a ver coisas. Só me deparei com um único exemplo que contraria este futurismo educacional que substitui o orar do mestre pelo orar da máquina. No artigo em que propôs o Dynabook, Alan Kay dá vários potenciais exemplos de utilização. Uma aula é um deles, e Kay descreve as crianças no jardim da escola, algumas lendo livros transmitidos via rádio da biblioteca nos seus dynabooks, outras aprendendo as leis orbitais de Newton criando jogos nos seus dynabooks. Transmitidos via rádio, repararam? Kay propôs o conceito de Dynabook- um computador portável, com um teclado deslizante debaixo do ecrã, mais ou menos na mesma altura em que na ARPA (hoje DARPA) se andava a desenvolver a primeira versão do que se viria a tornar a Internet.

https://archiecomics.com/did-a-classic-archie-comics-story-predict-virtual-schooling-in-2021-yes/

Technosignatures and the Age of Civilizations: Como é que poderemos detetar sinais de civilizações alienígenas avançadas? E, a questão seguinte. Dadas as distâncias galácticas, será que os sinais que detetarmos representam civilizações ativas, ou já extintas?

https://www.centauri-dreams.org/2021/03/17/technosignatures-and-the-age-of-civilizations/

Okay, the GPT-3 hype seems pretty reasonable: Apesar do título, é de notar que o que o autor considerou interessante na escrita assistida por Inteligência Artificial não foi a capacidade de geração automática de texto per se, mas sim o potencial desta para ajudar quem escreve a ultrapassar as barreiras com que se depara no processo de escrita.

https://techcrunch.com/2021/03/17/okay-the-gpt-3-hype-seems-pretty-reasonable/

NEW PRODUCT – BBC Doctor Who HiFive Inventor Kit – Complete Coding Kit: Ai, adoro, adoro! Aprender a programar, com incursões na engenharia, e cruzar fandom de Doctor Who? Acho que isto seria uma excelente adição aos kits do clube de robótica que dinamizo.

https://blog.adafruit.com/2021/03/18/new-product-bbc-doctor-who-hifive-inventor-kit-complete-coding-kit/

Computers V. Humans – What’s Possible?: Bem, imenso. Mas este debate é enviesado se cairmos nos pólos do deslumbramento com as crescentes capacidades das tecnologias inteligentes ou do cassandrismo da decadência via tecnologia. Não ligo muito aos segundos, estão obsoletos by default, mas os primeiros cometem o erro de excluir a necessária visão crítica para que estas tecnologias cumpram a sua promessa. 

https://www.nytimes.com/2021/03/19/books/review/genius-makers-cade-metz-futureproof-kevin-roose.html

How does the brain interpret computer languages?: Uma discussão muito interessante, para quem se interessa (e dedica) à introdução à programação no ensino básico. Qual é a forma de melhor interpretar a importância de aprender a programar? Como uma nova linguagem, ou como algo mais dedicado à lógica e algoritmia? Para ajudar a decidir isto (ambas as vertentes são discutidas no campo da tecnologia e educação), nada como estudar a forma como o cérebro reage às linguagens de programação, e perceber se o cérebro as entende como uma língua, ou como lógica. A resposta é surpreendente: do ponto de vista neurológico, as zonas cerebrais que se ativam quando trabalhamos num problema de programação não correspondem às da linguagem ou da lógica, embora estas estejam envolvidas. Outra conclusão interessante do estudo é a importância do desenvolvimento de atividades de programação, ao nível neurológico, como forma de evolução capacitativa da pessoa. Ou seja, aprender a programar é mais profundo do que adquirir meras capacidades técnicas, é mais um profundo contributo para o desenvolvimento integral do indivíduo.

https://arstechnica.com/science/2021/03/how-does-the-brain-interpret-computer-languages/

10 Easy AI and Machine Learning Projects for Students and Beginners: Um conjunto de boas ideias para introduzir Inteligência Artificial com as crianças. Requer usar a Pictoblox, uma app paga, tenho de ir ver se a Cognimate, uma app gratuita, também permite este tipo de projetos.

https://thestempedia-com.cdn.ampproject.org/c/s/thestempedia.com/blog/simple-ai-and-machine-learning-projects-for-students-and-beginners/amp/

Demoscene passa a património cultural da UNESCO: É uma distinção merecida. As demoscenes estão na ponte entre as artes visuais e a programação, sendo pequenos executáveis que mostram efeitos especiais. Parte da arte está nos efeitos, e parte na programação, um dos desafios das demoscenes é caberem em ficheiros que pesam quilobytes. 

https://abertoatedemadrugada.com/2021/03/demoscene-passa-patrimonio-cultural-da.html

One Terabyte of Kilobyte Age: Um projeto de arte digital que mergulha no universo perdido que foi o Geocities, o primeiro serviço que permitia a qualquer um publicar na internet. Foi um local perfeito para experimentar e criar, livre, independente. O tipo de internet aberta que as redes sociais exterminaram.

https://blog.geocities.institute/

Further Experiments in Art & Technology: Uma colaboração entre a Rhizome e os Nokia Bell Labs, que criou residências artísticas. Os resultados estão agora em exposição, com projetos de arte digital que vão do vídeo à performance. Confesso que o meu favorito é Networked Ecosystem, um ambiente virtual imersivo que simula uma nova natureza virtual, construída através da visualização de dados de sensores e visão computacional.

https://furtherexperiments.rhizome.org/

2021/03/18 Collaborative Air Combat Autonomy Program Makes Strides: Ainda não temos um algoritmo de combate aéreo totalmente autónomo, mas já estivemos mais longe. O projeto da DARPA está cada vez mais avançado.

https://www.darpa.mil/news-events/2021-03-18a

Nothing But Images Of Precision Guided Weapons Taken Just Before They Obliterate Their Targets: A angústia do alvo antes de ser esfrangalhado pelo míssil.

https://www.thedrive.com/the-war-zone/39870/nothing-but-images-of-precision-guided-weapons-taken-just-before-they-obliterate-their-targets

An Entire Game Inside of a Font: Jogar um jogo dentro de um tipo de letra é algo que não me ocorreria. Posto isto, dá para correr Doom?

https://hackaday.com/2021/03/22/an-entire-game-inside-of-a-font/

What Data Can’t Do: Dos perigos da confiança cega em números, sem tentar perceber a realidade que os sustenta.

https://www.newyorker.com/magazine/2021/03/29/what-data-cant-do

You Probably Don’t Remember the Internet: A rede tem memória fugaz, e o seu conteúdo é volátil. Apenas os voluntários com projetos de memória digital tentam preservar os conteúdos que já não recordamos, ou desapareceram da memória coletiva.

https://www.theatlantic.com/technology/archive/2021/03/remember-the-internet/618350/

Young Female Twitter Star Turns Out to Be 50-Year-Old Man Using Deepfakes: De facto, quem é que quer ouvir um velho cinquentão a falar de motos? Mas se for uma rapariga jeitosa... foi por isso que este influencer decidiu usar tecnologias deepfake para o seu canal.

https://futurism.com/young-female-twitter-star-turns-out-50-year-old-man-using-deepfakes

Sherry Turkle’s Plugged-In Year: Há aqui alguma ironia. Turkle distinguiu-se pelos livros The Second Self e Life on Screen, que abraçavam com entusiasmo a digitalização da vida. Mas distanciou-se em Alone Together, ao perceber que as plataformas e tecnologias não nos estavam a aproximar, mas a isolar. Agora, tal como todos, tem mesmo de viver a vida através do ecrã. 

https://www.newyorker.com/culture/persons-of-interest/sherry-turkles-plugged-in-year

Modernidade


The Eeriness Of The Tube During Lockdow: Arrepiantes, estas imagens do metro de Londres, com a sua vasta infraestrutura desprovida de passageiros.

https://londonist.com/london/art-and-photography/photography-series-captures-the-eeriness-of-the-london-underground-during-lockdown

Lost Music, Lost Books, Lost Culture: Um artigo triste, que nos recorda tudo o que não descobrimos por ter caído na obscuridade, ou sequer saído da mente dos autores.

https://www.firstthings.com/article/2021/04/music-that-is-never-heard

There are no white knights: O Going Medieval a ser especialmente ácido a desmontar um dos grandes romantismos da idade média: o ideal cavaleiresco. Aqueles que hoje idealizamos era à época homens de armas ao serviço das vontades senhoriais. Se nos romances seguiam a via da pureza e da busca do graal, na vida real massacravam aqueles que desagradavam aos seus senhores.
https://going-medieval.com/2021/03/19/there-are-no-white-knights/

10 Years Ago Today, The Beginning Of The Air War In Libya: É muito discutível se esta operação para ajudar a derrubar o ditador líbio contribuiu para a estabilização do país, tendo em conta a guerra civil em que ainda está mergulhado. O The Aviationist é curiosamente crítico, mostra que esta campanha aérea parece ter tido como principal objetivo publicitar as capacidades das aeronaves. 

https://theaviationist.com/2021/03/19/10-years-ago-today-the-beginning-of-the-air-war-in-libya/

Welcome to the age of vaccine diplomacy: Ia tudo ficar bem, diziam, e criar um mundo melhor? As forças de sempre são demasiado fortes. Podemos juntar vacinas para a Covid ao arsenal do clássico grande jogo global das diplomacias.

https://www.theverge.com/2021/3/20/22341016/vaccine-diplomacy-covid-us-mexico-canada-antivirus

Traffic Jam In The Suez Canal; Container Ship Run Aground: Definitivamente, não queria estar na pele dos pilotos e comandante daquele navio. Ficar atravessado no meio do Canal do Suez é obra. Retirar aquilo dali vai ser uma proeza.

https://hackaday.com/2021/03/23/traffic-jam-in-the-suez-canal-container-ship-run-aground/

Imagination Is A Superpower: Da capacidade de imaginar como o que realmente nos permite ir mais além.

https://aeon.co/essays/imagination-is-the-sixth-sense-be-careful-how-you-use-it

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Comics: One Man Army Corps; I am Chapayev; La ville des morts

 

Jack Kirby (2008). Jack Kirby's OMAC: One Man Army Corps. Nova Iorque: DC Comics.

Talvez o mais intrigante neste regresso a um dos personagens icónicos de Kirby é descobrir que foi originalmente concebido como um capitão américa do futuro. O conceito não pegou na Marvel, e foi redefinido na DC como um super-soldado do futuro, ao serviço de uma agência global de paz. Uma agência cujos agentes são anónimos e só podem usar métodos não-violentos para combater as ameaças criminosas. Mas quando é preciso intervenção em força, intervém o exército de um homem, energizado por um satélite inteligente oculto em órbita. Isto é puro Kirby, com Royer nas cores, um marco clássico nos comics.

Jean-Claude van Rijckeghem, Du Caju (2019) The Lions of Leningrad Volume 1: I am Chapayev. Europe Comics.

Na S. Petersburgo dos anos 60, um homem recém-liberto dos gulags tenta algo de desesperado para se encontrar com a primeiro-violino da orquestra sinfónica da cidade. No rescaldo do encontro, descobrimos a história de quatro amigos adolescentes, uma jovem e três rapazes, que estão a sobreviver numa Leninegrado nos tempos em que o cerco nazi à cidade se aproxima. Sobreviventes a um ataque que dizima um comboio de refugiados, terão de ficar na cidade, sobrevivendo com as suas famílias às privações do cerco, mas também sujeitos às sanhas do regime soviético.

Jean-Claude van Rijckeghem, Du Caju (2021) Les souris de Leningrad Tome 2 - La ville des morts. Zephyr.

Continuando as aventuras do volume anterior, mergulhamos na real história da série, do laço profundo entre os quatro amigos, que será quebrado pela morte de um, e pela traição de outro. A jovem quase é forçada a sacrificar o seu amor por um dos amigos, forçada pelo pai de outro, que sendo alto funcionário do partido detém os meios para a fuga dos jovens da cidade. Já outro, para se salvar, troca de identidade com o amigo. A pessoa errada é enviada para os gulags, castigada por um crime que não cometeu. A ironia é que os dois sobreviventes, a jovem e o traidor, se tornam heróis acidenteis num combate contra alemães nas linhas da frente. Virão a casar. Décadas depois, com o inocente liberto do gulag e o casamento entre os dois sobreviventes a desmoronar-se, há um vislumbre de felicidade no cinzentismo soviético.

Uma série que promete mais do que dá, tem algum interesse na forma como nos leva à cidade sitiada nos tempos da II Guerra.

terça-feira, 27 de abril de 2021

I... Vampire!

J.M. DeMatteis, et al (2012). I... Vampire!. Nova Iorque: DC Comics.

Este curioso personagem da DC é mantido vivo enquanto elemento secundário dos títulos da editora mais virados para o sobrenatural, como Justice League Dark ou as várias iterações de Constantine. O curioso é descobrir que, na sua aparição original nos anos 80, o personagem foi planeado como de vida curta, criado por J.M DeMatteis e Tom Sutton para a House of Mystery.

É esse arco original que este livro nos traz. DeMatteis e Sutton conceberam Andrew Bennett como um anti-herói - um vampiro atípico, consciente do mal, e que se dedica a combater uma organização secreta de vampiros que procura dominar o mundo. O toque de melancolia é dado pela rainha dos vampiros, a mulher que Bennett sempre amou, e quis transformar em vampira para garantir a imortalidade do seu amor. Mas nem todos têm a fibra moral de Bennett para se manterem acima dos impulsos vampíricos, e a mulher de Bennett é ao mesmo tempo um ideal perdido e uma inimiga formidável. 

A saga de I... Vampire! conta-se em episódios que se vão alongando à medida que a série ganhou fãs. O tema é sempre o mesmo. Bennett e um par de aliados, uma jovem destemida cujo passado tem uma relação com o vampiro, e um velho russo que procura a sua mãe, transformada em vampira e ela própria uma das mais poderosas. Os conflitos com outros vampiros são constantes, e a história evolui de formas bizarras, envolvendo experiências genéticas, viagens no tempo, ou tecnologia soviética para manter imortais os membros do politburo com toques de vampirismo (notem que este comic foi originalmente publicado nos anos 80). Termina com a morte de Bennett após tomar a fórmula soviética, que lhe restaura parcialmente a humanidade com a mortalidade incluída, e também a morte da rainha dos vampiros, às mãos da jovem que ajuda Bennett, ela própria transformada  num novo tipo de vampiro.

Este I... Vampire! original é bizarro e surreal, com os argumentistas a experimentar todas as tropes do sobrenatural que se lembraram para meter nas histórias. Experiências genéticas que transformam humanos em criaturas animalescas para lhes ser retirado o sangue, tóxico para vampiros? Tem. Múmias vivas? Arranja-se. Viagens aos tempos de Jack o Estripador? Não poderia faltar. Mergulhos na era isabelina? Claro, e com os vampiros vindos do futuro a cruzar-se com os seus inocentes eus do passado. Campos de pesquisa sobrenatural secreta soviética? É isso que leva ao final. Zombies nazis? E porque não? Vampiras sedutoras? Bem, histórias sobre vampiros têm de ter vamps. E ainda mete supremacistas brancos nas suas túnicas KKK, ou hippies em Woodstock. Há poucas bizarrias em que esta série não toque, naquele tom descomplexado dos comics dos anos 80.

DeMatteis é conhecido pelas suas histórias mais esotéricas, mas a continuidade da série foi entregue a Bruce Jones e outros, e é aí que ela se torna ainda mais weird. Bennett inverte o mito de Dracula com um vampiro nostálgico pelo amor que perdeu, capaz de ceder aos seus impulsos de morder pescoços, e inimigo mortal dos vampiros tradicionalmente predadores dos humanos. Um divertido blast from the past, que enquadra um personagem sombrio que a DC vai mantendo nas periferias das suas séries regulares. 

domingo, 25 de abril de 2021

URL

Esta semana, trazemos a história do livro e da escrita vinda da antiguidade clássica, um fantástico filme exploitaiton de português, ou um dicionário de ideias de Ficção Científica. Fala-se do mecanisno de Antikythera, dos sucessos da Relativity Space, ou da mãe sobreprotetora que usou deepfakes para injuriar as concorrentes da filha. Aimda se fala da disponibilização pelo MIT das suas revistas em acesso aberto ou de memes medievais. Outras leituras vs aguardam, nas Capturas da semana. 

Ficção Científica e Cultura Popular

Renato Casaro: Saviour of the Universe!

https://70sscifiart.tumblr.com/post/645772292471832576

A Dictionary of Science Fiction Runs From Afrofuturism to Zero-G: Um projeto: Um projeto fascinante para quem se interessa a fundo por ficção científica, que rastreia a origem de conceitos e frases, incluindo o momento original da primeira aparição.

https://www.smithsonianmag.com/arts-culture/dictionary-science-fiction-runs-afrofuturism-zero-g-180977224/

O Infinito aberto pela Escrita e o Livro: Um livro que é apaixonante, pela erudição e encanto mostrado pela autora. Li-o, e muitas vezes pensei no extraordinário que era, ser incapaz de parar de ler um ensaio, de tão agarrado que ficava às palavras. Mais do que uma história, é uma carta de amor à cultura clássica, às letras, à história das ideias.

http://virtual-illusion.blogspot.com/2021/03/o-infinito-aberto-pela-escrita-e-o-livro.html

Herge’s Heirs Are No Fans Of A French Artist’s Edward Hopper/Tintin Mashups: Em parte, é uma questão de gosto. Mas a Moulinsart é notória pela forma férrea com que gere Tintin como propriedade intelectual, com especial gosto em proibir trabalhos derivativos e espremer o máximo possível de dinheiro deste ícone da bd.

https://www.theguardian.com/books/2021/mar/12/herge-heirs-sue-artist-over-his-tintin-edward-hopper-mash-ups

John Berkey: Futurismos industriais.

https://70sscifiart.tumblr.com/post/645749637822758912

Origin story: Lessing (1979), Shikasta: Uma das grandes obras da FC nos anos 70, percursora temática de vertentes que só hoje se estão a tornar prevalentes. A sua visão crítica sobre temas como o colonialismo ou capitalismo foi, à altura, inovadora.

https://www.velcro-city.co.uk/origin-story-lessing-1979-shikasta/

Mutant Blast: Perdi este filme durante a sua curta passagem pelos cinemas portugueses (creio que chegou ao Motelx do ano passado, mas perdi essa edição do festival). Andava mortinho por o ver, e graças à RTP Play, ei-lo. Esta loucura visual mistura zombies, gore, ação e comédia num perfeito delírio de terror pós-apocalíptico. É um filme que não se leva a sério, e no entanto está cheio de excelentes efeitos especiais. É um constante acumular de situações inesperadas e over the top. Nem sei do que gostei mais, entre a ratazana bebé que nasce de uma mão que sofre mutações, da lagosta gigante que irá ter uma batalha final contra um golfinho ninja, ou da ratazana gigante que extermina um grupo de mutantes à dentada e ao leite radioativo. Delicioso, over the top, assumidamente camp exploitation. Os críticos eruditos não gostam, mas este tipo de cinema não se destina a esse público, isto é para os amantes das late night movie sessions.

https://www.rtp.pt/play/p8588/mutant-blast

Abertura de Attack on Titan com Marco Paulo é o novo estranho fenómeno da Internet portuguesa: A piada disto, é que realmente até funciona, a pimbalhice clássica assenta como uma luva no genérico do anime.

https://www.eurogamer.pt/articles/2021-03-10-abertura-de-attack-on-titan-com-marco-paulo-fenomeno-da-internet-portuguesa

The Sky Beast Of Berlin: Puro gernsback continuum, apesar de não ser de ficção científica.

https://pulpcovers.com/the-sky-beast-of-berlin/

Best Comics of 2020: An International Perspective Part 2:Year in Review: Intrigante, esta perspectiva sobre a edição de banda desenhada na Europa, com destaques para cada país. Se bem que não sei se a representatividade portuguesa é a melhor, os destaques vão todos para a bd indie da Chili Com Carne, e há outros autores, outros editores que não foram representados.

http://paulgravett.com/articles/article/best_comics_of_2020_an_international_perspective_part_2#portugal

“Astral Thinker,” by Peter Max, 1970: FC psicadélica.

https://70sscifiart.tumblr.com/post/645413670148587520/astral-thinker-by-peter-max-1970

Alan Moore's New Novel Series, Long London, Is Being Auctioned Off: Pensava que Moore se tinha reformado de vez, mas aparentemente ainda há novas obras a esperar. O que é uma excelente notícia para os fás desta lenda dos comics.

https://bleedingcool.com/comics/alan-moore-long-london/

Proctor Valley Road, Grant Morrison's Biggest Original Launch In Years: Este argumentista é uma força estranha no mundo dos comics, sempre me surpreende que o deixem editar em zonas mais mainstream. Consegue ir para o surreal e psicadélico extremo, mesmo nos habitualmente estereotipados comics comerciais. Ultimamente tem estado a fazer coisas inacreditáveis com o clássico Green Lantern, e segue-se agora uma nova série. Vai ser de certeza intrigante.

https://bleedingcool.com/comics/proctor-valley-road-grant-morrisons-biggest-original-launch-in-years/

Tecnologia


The Antikythera Cosmos: Recreating an ancient mechanical Cosmos: É um artefacto fascinante, especialmente por ser um dos raros vislumbres que hoje temos das tecnologias do passado. Agora, uma equipe multidisciplinar propõe aquela que parece ser a mais completa interpretação sobre este artefacto e o seu comportamento, sublinhando que se trata de um dispositivo computacional da antiguidade clássica.
https://youtu.be/GQnE0BLEi8k

Alfa Romeo doubles down on 3D printing in bid to move up the F1 grid: Uma aposta interessante dos engenheiros da construtora, e coudelaria de fórmula 1, italiana. A manufatura aditiva permite obter peças complexas mais leves do que as fabricadas por métodos subtrativos, e num desporto onde a mais ínfima diferença pode ser decisiva, isso ajuda muito ao desempenho dos veículos.
https://3dprintingindustry.com/news/alfa-romeo-doubles-down-on-3d-printing-in-bid-to-move-up-the-f1-grid-186336/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=alfa-romeo-doubles-down-on-3d-printing-in-bid-to-move-up-the-f1-grid

A Brief History of the Chinese Internet: Talvez o mais interessante, para além da cronologia do nascimento e evolução da internet no país mais populoso do mundo, é perceber como o governo chinês conseguiu contrariar as tendências libertárias da internet, cooptando-a para ser mais um instrumento de controle dos seus cidadãos.
https://logicmag.io/china/a-brief-history-of-the-chinese-internet/

Computational thinking: Uma excelente, embora curta, introdução aos conceitos estruturantes do Pensamento Computacional. Resume muito bem as ideias de abstração, decomposição, reconhecimento de padrões e algoritmos que sustentam esta abordagem que cruza computação, pensamento e educação. 
http://milesberry.net/2021/03/computational-thinking/

En medio de una escasez global de chips, Taiwan se enfrenta a una sequía que puede interrumpir la producción de procesadores: A escassez de dispositivos computacionais nos mercados, causada pelo cruzamento de escassez de chips com a subida nas aquisições de material informático para dar resposta aos tempos pandémicos, ainda pode piorar. A seca que se vive em Taiwan obriga a restrições no consumo de água, com implicações nas indústrias de componentes eletrónicos, poderão agravar esta situação. 

https://www.xataka.com/componentes/medio-escasez-global-chips-taiwan-se-enfrenta-a-sequia-que-puede-interrumpir-produccion-procesadores

An 8-year-old con artist ran a brilliant grift to get out of going to school over Zoom: Poucas coisas são tão capazes de desenrascanço como uma criança entediada. O truque até é simples - errar a palavra-passe para ser bloqueada no sistema, aproveitando uma salvaguarda habitual de gestão - o barramento após um número elevado de acessos, para se safar do tédio das aulas.
https://boingboing.net/2021/03/11/an-8-year-old-con-artist-ran-a-brilliant-grift-to-get-out-of-going-to-school-over-zoom.html

Facebook’s next big AI project is training its machines on users’ public videos: Não há grande surpresa aqui. Em parte, é para isto que servem as redes sociais - recolher dados para alimentar modelos de aprendizagem em inteligência artificial. É na forma como esses algoritmos sáo usados que reside o segredo dos imensos lucros das empresas de tecnologia.
https://www.theverge.com/2021/3/12/22326975/facebook-training-ai-public-videos-digital-memories

3dconvert.me — 2D image to 3D avatar creation: Marcar na categoria ferramentas com potencial interessante. Dois estudantes universitários estão a adaptar o PIFuHD para criar um sistema de geração automático de avatares, baseado no algoritmo que reconstrói um modelo 3D do corpo humano a partir de uma única foto. Esta app automatiza o processo, e ainda gera um modelo animado.
https://medium.com/@aionkov/3dconvert-me-2d-image-to-3d-avatar-creation-de8be127d0ca

Switzerland gears up to place robots in classrooms: Algumas experiências suíças de introdução de robótica na escola. Por um lado, seguindo a via habitual de ter um robot de baixo custo para atividades de introdução à programação para crianças, por outro, estudando a possibilidade de robots como assistentes dos professores. Se bem que a resposta ao problema da sobrecarga dos professores, com turmas de 28 alunos, talvez não seja bem o colocar um robot na sala para ajudar.
https://www.swissinfo.ch/eng/switzerland-gears-up-to-place-robots-in-classrooms--/46402716

3D Quilt Codes & the Tinkercad Cypher: O Tinkercad ainda consegue ser uma aplicação interessante, como mostra este projeto que cruza história, design, desenho vetorial, cifras e modelação 3D.
https://www.instructables.com/3D-Quilt-Codes-the-Tinkercad-Cypher/

Deformable Neural Radiance Fields: Este projeto intrigante mostra técnicas que, suspeito, estarão em breve a chegar às apps de fotografia para telemóveis. Cruzando várias fotos com algoritmos de aprendizagem automática, permitem obter imagens deformadas reconstruídas. Os resultados são um curioso híbrido entre foto e vídeo.
https://nerfies.github.io/

Relativity Space lands first Department of Defense launch contract: Eu sei, a SpaceX é que é a que desperta o interesse. Mas pessoalmente estou mais entusiasmado com a Relativity Space, que está a desenvolver lançadores usando impressão 3D.
https://techcrunch.com/2021/03/15/relativity-space-lands-first-department-of-defense-launch-contract/

Mom Allegedly Uses Deepfakes to Frame Daughter’s Cheerleading Rivals: Ter uma daquelas mamãs hiper-protetoras, que não olha a meios para fazer com que os filhos consigam tudo, a usar deepfakes para injuriar as colegas da filha e garantir que ela se tornasse líder de uma claque de cheerleaders, é talvez o uso mais inesperado da IA que encontrei. Na verdade, sendo professor, e tendo de aturar a minha quota de pais tão esforçados pelos seus filhos que reclamam e exigem tudo para o sucesso (menos o óbvio, aplicar-se e estudar), isto até nem me surpreende muito.
https://futurism.com/mom-allegedly-uses-deepfakes-frame-daughters-cheerleading-rival

Play the Piper for Pi Day: Isto é muito interessante. Um interface de programação por blocos para o Pi Pico, cheio de tutoriais e formas de aprender a programar a versão mini do Raspberry Pi. 
https://makezine.com/2021/03/13/play-the-piper-for-pi-day/

Tracing Paper: E é por isto que todos aqueles policiais onde as notas de resgate impressas não levam à apreensão imediata dos criminosos são implausíveis. Todas as impressoras imprimem mais do que o que aparece na página impressa - cada página inclui microimpressões que identificam marcas, modelos e números de série.
https://logicmag.io/security/tracing-paper/

Microsoft começou a limpar o Windows 10 e agora vai remover o 3D: Como alguém que mexe imenso em 3D, sentimentos mistos. Há coisas que não deixam pena, o Paint3D era completamente inútil, e o visualizador de impressão 3D igualmente. Já o visualizador 3D é útil, como forma rápida de visualizar modelos 3D sem ter de instalar aplicações extra. Espero, francamente, é que não eliminem o 3DBuilder. Aquele software discreto que permite modelar em 3D, reparar modelos para impressão 3D, e até fazer coisas que noutros são difíceis, como transformar superfícies em volumetrias.
https://pplware.sapo.pt/microsoft/windows/microsoft-comecou-a-limpar-o-windows-10-e-agora-vai-remover-o-3d/

Modernidade


Solo hay una cosa mejor que los memes: los memes medievales, y así puedes hacerlos: Daqueles brinquedos digitais giros, que nos permite construir memes medievais. A ferramenta em si é impressionante pela sua simplicidade e facilidade.

https://www.xataka.com/aplicaciones/solo-hay-cosa-mejor-que-memes-memes-medievales-asi-puedes-hacerlos

MIT Press y el acceso abierto y gratuito a todas sus revistas académicas: Uma excelente notícia para quem quer aprofundar conhecimentos nas áreas de ponta. As revistas académicas publicadas pela editora do MIT estão em acesso livre. Isso, para mim, significa mergulhar a fundo nos arquivos da Leonardo.

https://www.microsiervos.com/archivo/ciencia/mit-press-acceso-publico-gratuito.html

Las violaciones que denuncia la National Gallery y que el Prado oculta en su exposición 'Pasiones mitológicas': Não é preciso ser-se especialmente ativista para saber que estes grandes quadros da história de arte representam ações que, para nós, são perturbadoras. A própria mitologia grega original é clara nisso, estas representações das predações de Zeus sobre as mulheres (e rapazes) que lhe despertavam a luxúria eram de facto violações, e geralmente ainda acabavam mal para as vítimas da luxúria divina. No entanto, não precisamos de rejeitar liminarmente estas obras por ofenderem a nossa sensibilidade contemporânea. Há que ter a maturidade para conhecer os seus enquadramentos, por perturbadores que hoje nos pareçam, e com isso ser capaz de as ver com visão crítica.

https://www.eldiario.es/cultura/arte/violaciones-denuncia-national-gallery-prado-oculta-exposicion-pasiones-mitologicas_130_7302367.html

The bizarre tale of the world's last lost tourist, who thought Maine was San Francisco: Enganos na paragem, quem nunca? No caso deste alemão que sempre quis visitar o Oeste e a cidade de São Francisco, uma confusão na escala do avião no Maine levou-o a andar uns dias pela Nova Inglaterra, a pensar que estava na cidade californiana. Eram outros tempos, e os americanos ajudaram aquele turista alemão que mal sabia falar inglês a ir descobrir a cidade com que sonhava. Algo impossível de fazer hoje. Nem falo de uma história destas, hoje em dia, ser pasto para inúmeras piadas nas redes sociais. É que provavelmente nem passaria na fronteira.

https://www.sfgate.com/local/article/lost-tourist-who-thought-Bangor-was-San-Francisco-15940512.php

Myanmar consiguió colocar su primer satélite en el espacio, ahora Japón lo tiene retenido y bajo control en la EEI: Quando os golpes militares chegam ao espaço. O primeiro satélite lançado por Myanmar está em suspenso, detido pelos parceiros japoneses da JAXA, para evitar que a junta militar que tomou o poder no país use este recurso para oprimir a população.

https://www.xataka.com/espacio/myanmar-consiguio-colocar-su-primer-satelite-espacio-ahora-japon-tiene-retenido-control-eei


C:\Users\coelh>imagine 25 abril, revolution, red carnation

 

Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.

Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade.

Se é importante valorizar o 25 de Abril? Nestes dias, aceitámos algumas restrições à nossa liberdade, como resposta à pandemia. Mesmo sabendo que as vivemos num contexto muito específico, incomoda esta perda de liberdades, mesmo sabendo-a temporária. Sente-se um pouco o que seria viver sem nenhuma liberdade, sujeito a represálias por querer fazer, querer ser ou querer pensar, a insuportabilidade de viver nesse clima sufocante. 

Torna-se ainda mais pertinente recordar a chama dos cravos, nestes dias em que velhas forças opressoras estão a sair da cave, aproveitando a crise que vivemos para libertar os espectros do fascismo. 

Para mim, a maior liberdade é o poder pensar, ler, afirmar, criar o que quiser, sem medos de ir parar a um calabouço. Mesmo que a maioria dos que me rodeiam não perceba patavina do que faço. Liberdade de pensar e criar é das que mais valorizo, e sem o 25 de Abril, dificilmente a teria. Liberdade até para alimentar um algoritmo com "25 de abril, revolução, cravos vermelhos" e saborear este resultado, entre São Petersburgo em outubro de 1917 e florista na baixa de Lisboa. Experimentar a frase do Livro do Desassossego, interpretada como algo completamente inesperado. E, claro, estrofes da imortal canção de Zeca Afonso, obra simbólica em tantos níveis, políticos, culturais (e até intensamente pessoais - era uma das músicas favoritas do meu pai, e deixei-a a tocar no seu funeral, com o silêncio do féretro que descia à cova quebrado pela sonoridade de marcha desta canção). Na linha de comandos python, o DeepDaze é invocado pelo comando imagine. Hoje, temos a liberdade de imaginar, e agir.

Dizer que isto é o 25 de Abril visto por uma inteligência artificial é incorreto, para os algoritmos combinados que geram estas imagens em processos de retroalimentação sucessiva, as palavras e imagens não têm sentido, são padrões numéricos combinados. Somos nós, com a nossa liberdade de pensar, que damos significado às palavras e imagens. 

sábado, 24 de abril de 2021

Lost+Found

 





Para memória futura, do dia em que levei a primeira dose da vacina contra a Covid.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Fleet Elements

 

Walter Jon Williams (2020). Fleet Elements. Nova Iorque: Harper Voyager.

Este livro sofre com o clássico síndrome de meio de trilogia, agudizado por ser o sétimo de uma série que vai claramente para duas trilogias. Mas não deverá dar origem a uma terceira, este Fleet Elements mostra que o universo ficcional está a esgotar-se. Ou melhor, algumas das premissas invariáveis deste universo já deram o que tinham a dar, e as histórias tornam-se repetitivas. Há um caminho que Williams de vez em quando vislumbra, mas não segue.

Um dos pilares desta série é o imobilismo, um sentimento injustificado que cruza o conservadorismo com o atavismo. É o resultado de milénios de um império galáctico estável, regido com mão de ferro pelos seus fundadores, que era mais do que meros colonialistas. Eram  uma espécie convicta de ter encontrado a verdade absoluta e o sistema perfeito, e lançou-se numa jihad espacial não para conquistas, mas para reformular as diferentes espécies alienígenas que encontrou à sua imagem e semelhança moral (porque a física seria impossível). 

Agora que esses líderes se extinguiram, a sociedade que construíram - injusta, assente em clientelismos e elites, que pune desvios à norma moral com tortura pública e morte) mantém-se, apesar de mostrar rachaduras e conflitos internos que são o que Williams explora. Mas todos se passam dentro do seio do conservadorismo, e esse é o elemento que me está a irritar na série: sem a mão pesada dos líderes, a sociedade não colapsa, mantém-se numa instável estabilidade em que as instituições tremem, há guerras, mas a sociedade continua a acreditar piamente nos pressupostos que a oprimem. Talvez, seja uma metáfora da identificação do oprimido com os opressores, em que mesmo livres da opressão direta, os oprimidos perderam a noção da liberdade?

O livro em si vai avançando a história, desta vez com a reação dos humanos, uma das muitas espécies inteligentes do império, ao risco de quase extermínio e perda de poder no âmbito das intrigas palacianas de uma elite que vê o império apenas como meio de enriquecer. Os humanos conseguem recuperar forças e recursos, e numa batalha pírrica, derrotar as poderosas forças imperiais, num jogo mortífero onde o maior poder de fogo imperial é derrotado pela visão estratégica conservadora. A história também parece resolver a eterna tensão amorosa entre os seus dois principais personagens, embora no final reverta a situação de um modo particularmente rudimentar. Ainda nos introduz uma nova potencial linha narrativa, com vestígios de uma civilização exterminada nos primeiros séculos da expansão do poder imperial, o que faz notar que os ancestrais do império não eram infalíveis e nem todos se deixaram subjugar aos seus ideais. Este é o  elemento mais interessante do livro, e esperemos que seja desenvolvido no próximo volume da série.

Fleet Elements é um livro sem o fôlego dos anteriores, segue o seu caminho, previsível. Percebe-se que existe apenas para avançar a história, sem grandes rasgos de interesse. Pior, uma vez que a série vai longa, somos mimados com inúmeros infodumps sobre o historial dos personagens, destinados a situar eventuais novos leitores. 

terça-feira, 20 de abril de 2021

Pessoa, Profundo.

 Ceifeira

Mas não, é abstracta, é uma ave

De som volteando no ar do ar,

E a alma canta sem entrave

Pois que o canto é que faz cantar.

E se... pensei. Ultimamente, tenho andado fascinado com o potencial do Deep Daze, uma implementação que simplifica o acesso a um algoritmo que cruza as valências do CLIP e SIREN. Sem querer entrar em muitos detalhes, porque ainda não os compreendo o suficiente, podemos dar ao algoritmo texto, que irá interpretar como imagem. Parte do fascínio é descobrir como, ao fim de alguns ciclos de reforço, o algoritmo começa a gerar imagens apelativas e surreais (outras vezes, nem por isso), bem como o desafio de congeminar frases-chave intrigantes, não muito longas, há um limite de carateres. 

Daí o e se. Nada como mergulhar na poesia para encontrar frases intrigantes e desafiantes, que geram resultados surpreendentes. E porque não, dar ao algoritmo poemas para interpretar? E porque não, usar um poema de Fernando Pessoa? Veio daqui esta brincadeira. Escolhi um poema muito curto, para acelerar a experiência - este tipo de processamento com inteligência artificial pode demorar horas, um poema longo demoraria dias até finalizar a experiência. Talvez o faça, num destes dias. E já traduzido para inglês - estes algoritmos não foram treinados com dados linguísticos em português (mas, já que penso nisso, terei de experimentar). Depois, foi deixar correr e apreciar os resultados. Ao fim de cerca de 200 ciclos de reforço, parei e guardei a última imagem gerada para cada verso.

Que, confesso, me surpreenderam mais do que esperava, especialmente o do terceiro verso. A ironia é que não sendo particularmente fã de poesia, talvez o experimentá-la como faísca para inteligência artificial me leve a apreciar mais o género?

Tl;dr: só porque sim, usei versos de Pessoa como indicador para uma ferramenta de inteligência artificial gerar imagens. Podem experimentar aqui, na sua forma simplificada: Google Colab: Deep Daze.

(Implicações algo arrepiantes para o futuro do emprego na era da inteligência artificial - mesmo o emprego criativo, daquelas áreas que julgamos imunes aos algoritmos e robots: se um mero professorzito de meninos do ensino básico se apercebe que este tipo de ferramentas dá para gerar ilustrações interessantes, suspeito que alguém com mais faro para o dinheiro se aperceba que esta é uma excelente maneira de cortar custos. Imaginem um jornal ou revista, a perceber que já não precisa de contratar ilustradores, porque pode usar ferramentas deste género para automatizar a geração de ilustrações para os seus artigos.)