Derelict Of Space: Opera clássica.
5231) Os 100 anos da Ficção Científica: Celebrar o manifesto de Campbell. Não é o único ponto de origem do género literário, mas é um dos mais significativos. E quanto à relevância do género, diria que nada mais certeiro do que isto: "Cientistas podem prever esses usos, mas foi preciso a imaginação (e a pindaíba permanente) de Philip K. Dick para imaginar a história do cara desempregado que quer sair para arrumar emprego e a porta do apartamento está trancada porque ele não pagou o condomínio, e ele a certa altura diz: “Ora que diabo, aqui estou eu discutindo com a maçaneta da porta.” "
«The Hellbound Heart» chega finalmente a Portugal!: Leio isto, e não sei se é boa ou má notícia. Claro, haver uma tradução de Barker para português, finalmente, é bom. Por outro lado, chega com trinta anos de atraso. A relevância cultural é mínima, e os conhecedores do género já leram a sua obra nas edições em inglês.
What Is Authorship When Machines Can Write?: Pessoalmente, sou imensamente céptico sobre este futuro anunciado de máquinas criativas. Suspeito sempre que os seus proponentes mais entusiastas têm uma compreensão nula do que é a criatividade e expressão, pregando para aqueles que estão habituados à mediania das culturas comerciais.
It’s Been A Century Since The Term ‘Scientifiction’ Was Coined: Cem anos do termo, mas muito mais do género.
The Books That Take Revenge, Centuries Later: Há vinganças que se servem frias. Outras, geladas.
VAMPIRELLA #29 (Warren, 1973): Terror expressivo.
Weaponized deepfakes: Uma das mais insidiosas formas de abuso criminal via Inteligência Artificial, pela violência que excerce sobre as pessoas.
US Air Force tests Anduril semiautonomous combat jet drone without direct pilot control: Avanços na robotização da aviação de combate.
Pluralistic: It's not a crime if we do it (to nurses) with an app: Começa assim: "If I could abolish one piece of received wisdom about tech policy, it would be this: "Tech moves at the speed of innovation and regulation moves at the speed of government, so regulation will always lag behind tech." (If I could abolish two pieces of received wisdom about tech policy, the other one would be "If you're not paying for the product, you're the product." Decent treatment is not a customer reward program, and "voting with your wallet" only works if you're a billionaire whose wallet is thicker than all the other wallets put together.)" E acaba assim: "The reorganization of the economy around parasitic middlemen and financial gamblers (but I repeat myself) is the real reason that we can't regulate tech." É por estas que Cory Doctorow é o analista que mais vale a pena ler e acompanhar para perceber o turbilhão social e cultural da inovação tecnológica. É sempre brilhante e acutilante. Essencial para pensar na tecnologia com sentido crítico. Claro, se se for um daqueles vendedores de banha da cobra que nos quer convencer que é fantástico despedir pessoas para as substituir por IA mal amanhada, que essas coisas da responsabilidade financeira são um desnecessário atropelo à prosperidade para todos (mas na prática só para os que não sofrem do mal dos escrúpulos) da crypto-defi, ou como se mete um telemóvel entre o serviço e o cliente a empresa já não tem de se sujeitar à legislação económica e social, Doctorow é um perigo. Para a esmagadora maioria, ou seja, nós, que por um lado nos deslumbramos com as potencialidades das tecnologias, mas nos recusamos a aceitar que sejam usadas como instrumento para reverter o progresso social e económico, que consideram imorali os níveis estratosfericos de concentração de riqueza nas mãos de um punhado de sociopatas enquanto toda a sociedade piora, é leitura essencial.
Pluralistic: The (other) problem with automatic conversion of free software to proprietary software: Mais uma para a categoria de manhas inesperadas - analisar software para recriar os seus requisitos técnicos, e em seguida criar software para preencher esses mesmos requisitos. Não é cópia ou pirataria, dizem.
Meta will show parents the topics of their teens' AI conversations: Se por um lado se compreende o cuidado dos pais, por outro há aqui uma enorme invasão de privacidade. E notem, os adolescentes não são passivos. Quando sabem que estão a ser vigiados, o que fazem é mudar para outras redes e serviços mais privados, ou adorar múltiplas contas para escapar à vigilância dos pais.
THE PEOPLE DO NOT YEARN FOR AUTOMATION: Certeiro. O sonho húmido dos proponentes da IA em tudo esbarra com uma realidade muito óbvia - nem tudo é automatizável numa sociedade, nem é desejável que tudo seja automatizável: "Anyone who’s actually ever run a database knows this. At some point, the database stops matching reality. At that point, we usually end up tweaking the database, not the world. But the AI industry has fully lost sight of this, because AI thrives on data. It’s just software, after all. And so the ask is for more and more of us to conform our lives to the database, not the other way around.".
El auge de los "maximalistas del silencio": apagar las notificaciones 24/7 ya no es de maleducados, es el nuevo autocuidado tecnológico: Lamento, mas recusar estar sempre disponível e atento a qualquer pedido e notificação não é má educação. Precisamente o oposto, cada vez mais sinto como de extrema rudeza a interrupção imediatista trazida pela constante barragem de pedidos e notificações. Desligá-las não significa recusar interagir com o mundo, ou preguiça, é um modo de controle da nossa sanidade mental num mundo de constantes solicitações. Reservemos as interrupções para quando é realmente importante.
How Project Maven taught the military to love AI: Um mergulho a fundo na forma como a IA ajuda a despersonalizar o combate, com as óbvias consequências de perda de sensibilidade e responsabilidade.
Canonical lays out a plan for AI in Ubuntu Linux: Esta é inesperada, dado que a comunidade que sustenta o Linux tem uma certa aversão à IA generativa, pelo menos na forma como as grandes empresas a estão a querer impor. Vamos ver como é que isto se irá desenrolar.
The Art of Computers | Apple at 50: Foi uma aposta ganha, diria. Grande parte da relevância cultural e, atrevo-me a dizer, mística da Apple é o ter apostado nos artistas e criadores. Não só pelo cuidado na estética e design, mas também como ferramenta.
It runs Doom: AI chatbot edition: Vá, sejamos honestos. O que é que ainda não corre Doom?
Hacer scroll, no comentar y cerrar la app: por qué el usuario silencioso es el gran ganador de las redes sociales: Certíssimo. Porque não vale a pena interagir em redes sociais, sendo como são um palco privilegiado para trolls, descontentes, idiotas chapados, vigaristas e pessoas que estão de mal com a vida. A internet como ágora, espaço de discussão, morreu com o disparo nas redes sociais.
DC Comics House ad for Amethyst: Princess of Gemworld (1982): A personagem é menos interessante do que a promessa.
Worried About Teens Today? So Were Adults in the 1920s: Apreciei particularmente os perigos de ter jovens desocupados a fazer não se sabe bem o quê, como efeitos perniciosos da introdução da jornada de trabalho de oito horas e o combate ao trabalho infantil.
Saramago ou o Cânone como Currículo: Certeira, esta crónica. A nossa insistência na leitura obrigatória de alguns autores como parte do currículo da escolaridade obrigatória não se deve a uma genuína vontade de preservar a sua memória e dar a conhecer a sua obra às novas gerações, mas a uma mais serôdia vontade de marcar leituras. Não se incentiva a ler para cultivar o gosto, mas sim para se poder afirmar que se leu. E eu, confesso, não conheço melhor maneira de destruir o gosto pela leitura do que obrigar a ler livros específicos para em seguida testar conhecimentos em provas e testes. Já agora, confessem lá, leram mesmo os livros obrigatórios que tinham de ler no secundário, ou leram as versões resumidas para estudar, porque sabiam que o que importava era responder às perguntas dos professores? A crónica vai mais longe, e mostra como é que noutros países se lida com isto. Sim, há leitura obrigatória (o que faz sentido). Não, não tem de ser obrigatoriamente o autor X ou Y, lê-se de uma lista de clássicos essenciais.
Instead of Losing Democratic Elections, What If We Just Stopped Having Them Altogether?: O texto é absurdamente irónico. O problema, é que há por aí muito boa gente a querer mesmo propor isto, a afirmar que a democracia representativa clássica é ineficiente e que precisa de ser "modernizada" para o século XXI.
Millionaire Big Game Hunter Trampled to Death by Elephants: Menos um milionário, menos uma ameaça para a natureza. Não vejo aqui grande perda para a humanidade.
Ukrainian instructors now teaching Germany’s army how to fight: Como não poderia deixar de ser, é o que faz sentido. Os militares ucranianos distinguem-se pela sua argúcia e capacidade para enfrentar com sucesso um inimigo mais poderoso. O front ucraniano é um viveiro mortífero de novas estratégias e armas, com especial destaque para drones e soluções robotizadas. Faz todo o sentido que a defesa europeia aprenda e incorpore as lições sangrentas que esta guerra está a ensinar.
El café no solo te despierta: la ciencia apunta ahora que también mejora el ánimo (incluso descafeinado): Adoro quando a ciência confirma o que o meu corpo já sabe.
‘The damage is done’: global oil crisis has changed fossil fuel industry for ever, IEA chief says: Escrever direito por linhas tortas, será? A corrente (e estúpida) aventura trumpista no Irão, com a disrupção tremenda nos fluxos comerciais de petróleo com tremendos impactos na ecnomomia global (e lucros astronómicos para as petrolíferas, que isto das guerras é sempre uma oportunidade de megócio), poderá ser o que irá, finalmente, despertar para a necessidade de acelerar a transição energética?
Abril: Passei este 25 de abril fechado em casa, ou engripado ou com covid (nos dias de hoje, vale tudo). Mas partilho desta sensação. Os media descartaram estas manifestações públicas como rodapé, as redes sociais tradicionais idem. Onde reparei que a Avenida da Liberdade se tinha enchido, e bem cheia, foi no fediverso, através das partilhas de muitos que foram para lá, e mostraram que nos dias do resvalar do extremismo de direita e nocivos pacotes laborais, as pessoas não estão desatentas.