quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Diário do Meu Pai



Jiro Taniguchi (2015). O Diário do Meu Pai. Oeiras: Levoir.

O passado é um lugar atraiçoado pelas memórias falíveis. Quando um prototípico sarariman regressa à terra natal para o funeral do seu pai, décadas depois de ter partido, confronta-se o conflito entre as suas memórias e aquilo que os seus familiares lhe contam sobre a vida e o carácter de um homem do qual se havia afastado. As pequenas tragédias familiares, tornadas grandes pela forma como tocam os indivíduos, colidem com o conflito entre as pulsões de respeito tradicional pela família e as exigências da vida no Japão contemporâneo.

Uma obra que não deixa os leitores indiferentes, quer pelo forte toque autobiográfico quer por nos obrigar também a confrontar as nossas próprias memórias e escolhas. É inevitável. À medida que seguimos a história de Taniguchi as nossas memórias pessoais vão surgindo.

Um livro tocante, ilustrado com um fortíssimo rigor formal. Belíssimo exemplo do mangá enquanto banda desenhada de recorte erudito e literário, e mais uma excelente escolha a juntar-se ao já de si excepcional alinhamento da colecção Novelas Gráficas da Levoir.

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