terça-feira, 11 de agosto de 2015

The Steampunk Trilogy



Paul Di Filippo (1997). The Steampunk Trilogy. Philadelphia: Running Press.

Como é que um autor de Ficção Científica mais ligado aos fluídos e biologias encara a estética Steampunk? Misturando as suas obsessões com as rebuscadas linguagens do passado eduardiano, algum cuidado sentido de época, e muito bom humor. Se há palavra que defina esta antologia é histriónico. Di Filippo exagera, leva ao absurdo. Este não é o Steampunk do bronze que rebrilha e das aventuras com dirigíveis. Aqui são as sinuosas ciências bio que fluem, viscosas, por entre as desventuras dos personagens. A ironia é elevada nestes contos que não se levam muito a sério.

Victoria: um reencontro com um conto alucinante onde o sensual resultado de uma experiência de cruzamento genético entre genes humanos e de salamandras é colocado no trono inglês enquanto a futura rainha Vitória decide aprender os factos da vida num bordel antes da coroação. Mete explosões nucleares com tecnologia proto-engenho a vapor, conspirações governamentais, duelos ao amanhecer e um cientista retirado do mundo que terá de passar a vida a tomar conta do inocente resultado das suas arrojadas experiências, que tanta luxúria desperta naqueles que a rodeiam.

Hottentot: Um cientista europeu que está no novo mundo para promover a sua visão científica anti-evolucionista e centrada na supremacia do homem branco leva um abalo e tanto. Vê-se envolvido numa caça a um misterioso artefacto que, nas mãos de feiticeiros do Daomé, poderá acordar os grandes anciãos que dormem no além espaço. Para travar esta ameaça, é obrigado a aliar-se a um jovial boer e à sua companheira, uma portentosa vénus hotentote que ensina à sua amante as virtudes do feminismo, enquanto o sobrinho que traz da europa ensina aos empregados as alegrias do marxismo. Quanto ao artefacto em si, digamos que é parte do corpo da avó da hotentote que horroriza o nosso antipático cientista racista.

Walt and Emily: A terminar a antologia, DiFilippo dá-nos um crossover improvável entre uma virginal Emily Dickinson e um másculo Walt Whitman. Com uma aventura de toque espiritista que, com William Crookes aos comandos da ciência e uma médium que se apelida de Hrose Selavy para assegurar a ligação com o além, os vai levar aos estranhos territórios que se encontram para além da vida. Nas vastas planícies relvadas do além, vão-se encontrar no meio de espíritos amnésicos de poetas do futuro. Ou então talvez tudo não passe de um delírio de éter numa aventura patética provocada por confiança excessiva numa burlã. Note-se que a referência ao pseudónimo de Marcel Duchamp funciona em dois sentidos, uma vez que vai resumir bem o despertar da poetisa para os prazeres da carne nos braços viris de Whitman.

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