terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

I Saw It; Dampyr


Keiji Nakazawa (1982). I Saw It. Educomics.

Um manga que aborda um tema poderoso, mas que oscila entre o banal e o visceral. Nakazawa sobreviveu ao bombardeamento de Hiroshima e esse momento transformativo marca-o para a vida. A bomba está sempre presente no que acaba mais por ser um historial da sua vontade de ser bem sucedido e das suas experiências de vida. É uma crónica do seu percursos de jovem estudante vindo de uma família destroçada pela bomba a bem sucedido criador de banda desenhada. Autor da série Barefoot Gen e outros mangas que lidam com os traumas do bombardeamento atómico, Nakazawa deixa aqui algo que é mais autobiografia do que visão traumática. No entanto, ao detalhar o momento da explosão e os que se lhe seguiram não poupa o leitor aos horrores da guerra nuclear. Particularmente assombrosas são as visões de queimados cuja pele se derreteu pelo calor, a arrastarem-se pela paisagem arrasada pelo fogo, ou os cadáveres de vítimas que tentaram fugir ao inferno de chamas mas acabaram carbonizados em depósitos de água. Esses são os momentos memoráveis deste livro, o aviso dos horrores da guerra absoluta, embora a própria história de vida do autor também seja um símbolo do que acontece a um país cujos líderes colocaram as ambições marciais acima de tudo. Documento e testemunho de uma época e de um momento que, felizmente, a história não repetiu.


Mauro Boselli (2000). Dampyr: Filho do Vampiro.

Se eu não soubesse que a série Dampyr se resume sempre ao mesmo até ficaria intrigado por este primeiro número. Mas se calhar não seria má ideia explicar melhor. Dampyr é um personagem de fumetti de vertente sobrenatural. Sendo fumetti, não tenho que dizer que é italiano, pois não? Filho da união entre uma mulher humana e um vampiro primordial, este Dampyr tem a capacidade de eliminar vampiros graças ao seu sangue tóxico para as criaturas da noite. Caçador destas entidades sobrenaturais, percorre o mundo acompanhado dos seus fiéis companheiros, entre os quais se encontra uma vampira que se esforça por manter a sua humanidade, a combater a ameaça das tenebrosas criaturas que subsistem sugando o sangue humano.

Este primeiro episódio, que nos leva a conhecer a personagem e a sua história, surpreende pela visceralidade inicial. Os argumentistas não fazem por menos, levando-nos para a violência extrema da guerra na ex-jugoslávia e para uma aldeia na terra de ninguém onde os sanguinários guerrilheiros se vão deparar com um perigo ainda maior do que os advindos da xenofobia potenciada a balas de AK47.

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