quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

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Teste de iluminação.

Stolz Der Nation



Este é um falso trailer para um filme dentro de um filme - o Inglorious Basterds de Tarantino, que ainda não vi. Realizada por Eli Roth, esta curta recupera a estética dos filmes de propaganda política num registo de absurdo. Numa cidade italiana, um herói do Reich resiste solitário no topo da torre de uma igreja ao avanço de um batalhão americano. A eficiência mortífera do soldado é tão grande que os corpos de GIs abatidos pelos seus tiros certeiros se empilham num monte. A solução passaria pela destruição da torre, mas o comandante americano não quer ficar para a história como o responsável pela destruição de mil anos de história.

A curta é divertida pela elegância da simulação de um falso filme de propaganda dentro de uma história fantasiosa, recriando o estilo hiperbólico do cinema de propaganda nazi. Para os cinéfilos, traz um divertido bónus: duas referências bem aplicadas à cena da escadaria de odessa do filme O Couraçado Potemkine, um dos melhores filmes de sempre - e um filme de pura propaganda política.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vivaty Studio - Importação de Modelos 3D

Vivaty Studio: Importar Modelos 3D

A criação de um espaço virtual tridimensional no Vivaty Studio pode ser elaborada através da integração de objectos criados noutros programas. Neste tutorial vemos como importar objectos vrml criados no Doga, objectos kmz criados no Google Sketchup, terrenos exportados do Bryce no formato obj e modelos no formato 3DS.

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Tremida por causa do vento.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Offline

O site do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro está de momento offline. A razão prende-se com uma falha física num dos servidores que nos fornece o alojamento. Esperamos a resolução do problema durante as próximas horas.

Leituras

Kurzweil AI | The Science of Avatar O recente filme de James Cameron acerta nalgumas ideias de especulação científica informada.

Fail Blog | Missed it by that much São os quatro Fs dos imperativos biológicos: fighting, fleeing, feeding and mating. Perceberam?

Web Urbanist | Minitecture: 15 Ultra-Modern Dollhouse Designs São casinhas tão bonitas que só me dão vontade de começar a brincar com bonecas.

Gizmodo | The 50 Worst Gadgets of the Decade Os cinquenta absolutamente piores gadgets da década: ideias estranhas (mas à venda) como o Peek, que só serve para actualizar o twitter, ou o Xybernaut Poma, um computador vestível que nem os Borgs utilizariam. E, claro, a festa de reformatações dos Memory Sticks.

iO9 | The Epic Movie-Making Adventures Of James Cameron James Cameron está em alta merecida.

Wired | Insurgents Intercepting Predator Video? No Problem Se é possível que forças inimigas captem os fluxos de vídeo de aeronaves de combate, isso não constitui problema, diz o guru da segurança Bruce Schneier, e é até útil. Poupa na encriptação local (diminuindo riscos de quebras graves de segurança), e no nevoeiro da batalha a informação tem de fazer sentido para que seja útil.

Singularity Hub | A Review Of The Best Robots of 2009 A robótica está em ascensão. A tecnologia já evolui ao ponto da banalidade (robots industriais) e de dar conta da complexidade do movimento e interacção no mundo real.

Gizmodo | OLPC XO-3: An Impossible $75 Fantasy Tablet I Want to Believe In É puro vaporware, e os apoiantes do projecto OLPC revoltam-se pelas promessas impossíveis saídas da equipe mais próxima de Negroponte. Mas deixa-nos a salivar... e sabendo como a primeira iteração do OLPC (o X1) revolucionou a indústria, criando de raiz o mercado dos netbooks, fica sempre no ar a esperança de ver estes conceitos concretizarem-se em máquinas.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Stormy Weather



Está um final de ano com um tempo miserável. Acabei de afirmar o óbvio. Esta manhã, depois das chuvas da noite, ao passar no viaduto da A21 conseguia-se ver a zona da Srª. do Ó a transformar-se em lago. Onde reinava o verde podia-se ver com clareza o acastanhado das águas lamacentas.

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Faz a chuva fria parecer tropical.

domingo, 27 de dezembro de 2009

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Enregelar em N 40º 19' 18,47'' , W 7º 36' 49,81''.

Momento Lumière

Diz-se quem em 1895 os incautos parisienses que assistiram ao filme L'arrivée d'un train à la Ciotat dos irmãos Lumière saltavam das cadeiras e fugiam perante as imagens de uma locomotiva a chegar à estação. Uns anitos mais tarte, os primeiros estúdios de cinema a produzir filmes como indústria, os Estúdios Edison, vendiam aos incipientes cinematógrafos o filme The Great Train Robbery com uma nota a indicar que a cena final podia ser mostrada no princípio do filme, para dar um efeito mais espectacular. É a cena icónica do cowboy que dispara um revolver em frente da audiência e que também assustou os primeiros cinéfilos que iam ver o primeiro filme western.

Tudo isto porque ontem tive o primeiro contacto com a novíssima tecnologia de cinematografia 3D. Filmado com a tecnologia da Real 3D, o filme causou-me náuseas, vertigens e sensações estranhas de figuras que pareciam vir na minha direcção. A sensação de profundidade fazia-me olhar de forma exploratória para cenários e objectos, e quase apetecia levantar as mãos e tentar tocar na imagem que os meus olhos e o meu cérebro interpretavam como um volume tridimensional. Fiquei rendido. Foi o meu momento lumiêre, em que uma nova tecnologia de representação desafiou a minha percepção. Pode ser uma tecnologia gimmicky que vai gerar milhentos filmes cheios de cenas e ângulos de câmara feitos para espantar os espectadores, mas fascina.

O caminho está traçado. O futuro é o 3D e realidade aumentada. E não só do cinema. Imagine-se esta tecnologia aplicada à visualização de dados, educação, gui ou leitura/navegação.

(Agora o momento de autocongratulação: num nível muito diminuto quando comparado com estas tecnologias de ponta eu e os meus alunos também trabalhamos para este futuro do 3D quando utilizamos ferramentas de modelação tridimensional e vrml como media expressivo.)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Vivaty Studio - Conceitos Elementares

Vivaty Studio 01: Interface

Introdução ao Vivaty Studio, um potente modelador 3D construído em normas abertas desenhado para vrml. Pode ser descarregado aqui: Vivaty Studio.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

nBic

Um interessante novo conceito para o futuro lido na revista transhumanista H+: o paradigma nano-bio-info-cogno (nBic) como convergência de tecnologias com o potencial de expandir os limites do ser humano. Trata-se do potencial transformativo da nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva nos limites fisicos da humanidade. A promessa é enorme: aumentados por implantes nanotecnológicos biomédicos, vivendo em realidade aumentada e tirando partido da biotecnologia avançada para aumentar o tempo e qualidade física de vida ao mesmo tempo que se tira partido das últimas descobertas das ciências cognitivas para melhorar o desempenho cerebral, podemos ir mais longe.

E se isto parecer chocante ou desumanizante, nova encarnação do velho desejo humano de se sobrepôr à natureza, recordo que a nossa qualidade de vida só é possível graças às descobertas ciêntíficas nos campos da tecnologia e saúde, só para citar algumas, que aumentaram a esperança média de vida, eliminaram ou minoraram grande parte das doenças que nos afligem, e criaram condições para uma sociedade de acelaração e desenvolvimento constante. Surfdaddy Orca, autor do artigo, refere que "there‘s a huge potential for the convergence of key nBic technologies to alleviate human suffering and accelerate access to sustainable energy, abundant food, and universal healthcare." O futuro imediato revela-nos perspectivas interessantes.

Podem ler a revista no site da H+. Recomenda-se, não só pelas intrigantes visões transhumanistas (e ênfase na singularidade) mas pela entrevista a Ray Kurzweil.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Dez anos em 2010

The decade according to 9-year-olds from allison louie-garcia on Vimeo.



A década vista por aqueles que têm hoje quase uma década. Um curioso vídeo onde crianças de nove anos tentam perceber quem foi essa tal de britney spears (é um vídeo americano) e nos contam que o napster deve ser alguma coisa para dormir a sesta. O auto-retrato de uma geração que desconhece o som do modem a conectar-se, respira tecnologia digital e sabem precisamente o que é o aquecimento global. O 11 de setembro? Isso descobriu-se na escola, mas a guerra é uma realidade assustadora. O vídeo termina com os depoimentos dos seus piores medos, após falarem das suas percepções sobre alguns dos piores momentos da década. E... há sempre algo de intemporal nestas palavras ditas pelas incipientes gerações que nos irão suceder.

Pautas de Avaliação

As pautas de avaliação do 1º período do Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro estão disponíveis para consulta na página de Pautas de Avaliação. Este ano, com todos os alunos inscritos para acesso personalizado ao site do Agrupamento, as pautas só podem ser consultadas por quem disponha de acesso às áreas privadas.

Igualdade

Demos mais um saudável passo na construção de uma sociedade justa e moderna com a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Curiosamente, a questão passou um pouco despercebida nos media, sem as esperadas declarações sobre a catástrofe social advindas dos sectores mais conservadores da sociedade. Ou então tenho andado distraído. Saúdo esta nova lei. De vez em quando o governo de sócrates acerta uma.

Por outro lado, não consigo de me deixar de sentir confuso com a necessidade de sectores progressistas da sociedade se validarem com um ritual tradicionalista, bacoco e um pouco ridículo como o casamento. Isto na perspectiva de um heterosexual que vive há décadas numa relação estável sem necessidade de validações perante o estado ou crenças religiosas (também, sendo ateu, isso não faria nenhum sentido). Enfim, a cada um as suas escolhas, e a marca de uma sociedade realmente livre e progressista é o espaço e a possibilidade para que cada um aja de acordo com as suas escolhas, desde que não interfira com a liberdade e integridade de outros. A consagração da igualdade legal de mais um direito é um passo no sentido da construção de um país mais livre.

(Confesso que acho muito deselegante o epíteto de casamento gay dado a esta lei. Parece-me ofensivo, e sintomático do longo caminho que temos que percorrer enquanto sociedade no progresso das mentalidades.)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Universo Conhecido



Por vezes sentimo-nos pequeninos. Apesar das grandes conquistas e feitos da espécie humana, quando reflectimos sobre o nosso lugar no vasto universo percebemos que pouco mais somos do que um grão no vasto areal estelar. É um sentimento sublinhado por este interessante vídeo. Faz-nos apreciar um pouco mais a preciosidade deste milagre quântico que é a vida neste terceiro calhau a contar de uma estrela igual a tantas outras.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Leituras

Next Big Future | World Longest Sea Bridge Starts Construction Macau anda nos media pelo décimo aniversário da transferência da administração portuguesa para a chinesa, e não deixa de ser curiosa a coincidência com esta outra notícia: o início da construção de uma ponte que irá ligar as cidades de Hong Kong, Zhuhai e Macau. Um projecto de mega-engenharia que envolve túneis submarinos e ilhas artificiais no delta do rio das pérolas.

iO9 | Ten Science Stories That Changed Our Decade A primeira década do século XXI trouxe-nos fantásticas descobertas e extraordinários avanços científicos. Recordando algumas das mais intrigantes, é impossível não pensar no que as restantes décadas nos trarão.

Gizmodo | Aibo and the Days of Hot Dog-on-Robot Action Cão vs cão robótico. Veredicto: o fiel amigo do homem impedirá que as máquinas inteligentes dominem o mundo. Ou, pelo menos, a malga de comida.

iO9 | How To Sell Scares Throughout Eight Decades Uma colecção de cartazes dos mais emblemáticos filmes de terror.

iO9 | In the Post-Silicon World of Tomorrow, Any Surface Could Be a Circuit Tecnologias que permitem imprimir circuitos electrónicos em plástico PET prometem um futuro de computação ubíqua.

Gizmodo | Japanese Baby Simulator Is 1,000 Times Creepier Than a Normal Baby A tecnologia japonesa é interessante. E por vezes estranha e arrepiante.

Next Big Future | If the USSR was a Superpower, then is China a Superpower? A progressiva influência económica, militar e diplomática da China já se faz sentir.

iO9 | Keep Warm at the Mountains of Madness with Arctic Mobile Unit O facto de se estar desterrado a fazer pesquisa nos locais mais inóspitos do planeta não significa que não se faça sem estilo, como demonstra este projecto de habitat para as regiões àrticas.

Gizmodo | My Tech Buyer's Guide from 2000 Is Pretty Hilarious Um escritor revisita o seu guia de compras de gadgets digitais no ano 2000. Recordou-me os Hansprings Visor, clones dos velhinhos Palm.

Boing Boing | Not Just Drones: Militants Can Snoop on Most U.S. Warplanes Se transmite, pode ser hackado: insurgentes e grupos terroristas conseguem penetrar nas comunicações das aeronaves de combate norte-americanas.

Next Nature | Virtual Characters tortured for Science O interessante neste estudo em que os participantes torturaram personagens virtuais às ordens de uma figura de autoridade (uma repetição da infame experiência de Milgram, que nos ensina que a coragem para nos opormos a ordens injustas é coisa muito rara) é a reacção dos participantes, que desenvolvem empatia pelas personagens virtuais.

XKCD | Abstraction Mais um brilhante XKCD, a sublinhar o uso tão banal de tanta tecnologia avançada.

domingo, 20 de dezembro de 2009

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Bolas que está muito fresquinho. 3º quando tirei a foto ontem, ao cair da noite ao pé de Mafra.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Leituras

Gizmodo | For a Post-Christmas Treat, Order a Looky-Likey Android From Japan Creepy. Em janeiro, uma empresa japonesa vai começar a vender andróides pela módica quantia de $225.000. Não andam nem escondem inteligências artificiais na cabeça, mas simulam gestos e poses humanas.

iO9 | The Retail Ruins of America's Ghost Malls As ruínas da sociedade de consumo: uma galeria de fotografias que documentam centros comerciais abandonados.

2d Code | 1d, 2d, 3d Now 4d Barcodes Uma nova tecnologia para aumentar a capacidade de informação contida em códigos de barras, conjugando cores e animação. O protótipo é algo psicadélico.

Boing Boing | How Monsanto owns and manipulates the world's food supply Um case study de como a propriedade intelectual tem enormes repercussões nos mais inesperados campos de actividade humana. No caso, na agricultura, onde o patentear de manipulações genéticas está a dar a uma empresa um verdadeiro monopólio sobre a agricultura global.

Boing Boing | Open Colour Standard: free/open alternative to Pantone Uma experiência com futuro? O Open Colour Standard é um projecto aberto que pretende ser uma alternativa viável à proprietária Pantone. Se a moda pega, podemos começar a ver mais coisas em open source...

Golden Age Comic Book Stories | Wonder Stories Quarterly Não resisto a estas deliciosas naves espaciais imaginadas nos anos 30. Boa desculpa para umas horinhas de modelação 3D.

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Ponta.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mirrormask



Wikipedia | Mirrormask
IMDB | Mirrormask
Rotten Tomatoes | Mirrormask

Os conhecedores do mundo dos comics e literatura fantástica já se habituaram ao deslumbramento com as obras saídas da parceria entre o escritor Neil Gaiman e o ilustrador Dva McKean. Gaiman é sobrejamente conhecido pela sua obra literária e como argumentista de banda desenhada. McKean é conhecido pelo seu influente e arrojado trabalho de ilustração, que junto com o estilo de Bill Sienkiewicz e mais recentemente de Mike Mignola trouxe aos comics mainstream um novo fôlego gráfico, livre das convenções tradicionais - e habituou os fãs a níveis de estilo que permitiram a outros autores publicar comics com estilos pessoais dentro dos catálogos mais populares.

A já longa parceria entre estes dois criadores legou-nos obras como as bandas desenhadas Violent Cases, Mr. Punch e Signal to Noise, qualquer delas de leitura incontornável para conhecer os lados mais literários da banda desenhada. Na literatura infantil, obras como The Wolves In The Walls ou O Dia Em Que Troquei O Meu Pai Por Um Peixe marcam pelo seu grafismo arrojado, mesmo para os padrões altamente experimentais do género, onde se podem encontrar verdadeiras pérolas da ilustração. Não se pode deixar de referir o longo período de Gaiman à frente da série The Sandman, cujos números contavam sempre com uma deslumbrante capa de McKean (a deixar desilusões após a sua abertura, porque apesar da série contar com um núcleo de ilustradores de peso poucos eram aqueles que nas limitações estilísticas e temporais dos comics conseguiam aproximar-se do estilismo de McKean).

Mirrormask é a tradução da genial parceria para o mundo das imagens em movimento. McKean andou a experimentar adaptar o seu estilismo ao cinema, realizando curtas metragens (algumas das quais disponíveis no YouTube) que misturam imagem real com animação, animatrónica e 3d, reunindo com isso o know-how e uma equipa que permitem voos mais altos. Gaiman contribui com uma das suas marcas pessoais, uma história sobre uma adolescente dividida entre os sonhos e fantasias e a necessidade de crescer, com o risco de perder o seu onirismo no processo. Este género de histórias é talvez uma das grandes razões do sucesso de Gaiman, pois tocam uma corda dentro de nós - quem não se sentiu, e sente, dividido entre as necessidades da dura realidade e a vontade de penetrar em espaços fantásticos, onde a liberdade do espírito humano não é esmagada pelo cinzento realismo? Também ajuda a explicar o sucesso das ficções e religiões.

O argumento, linear, segue a natural progressão deste género de histórias. Helena, a protagonista, vive com os pais num circo ambulante. O seu mundo é virado ao contrário quando a mãe é hospitalizada e o pai fica em risco de perder o seu circo. Helena entra dentro do seu mundo interior, onde vai viver uma aventura que se interrelaciona com o mundo real, e no processo resolver os seus conflitos interiores.

Mais do que uma história cativante, Mirrormask agarra pelo seu grafismo. Não é muito comum, mesmo entre o cinema de fantasia, a criação de imagens tão arrojadas. O estilo surreal, de mistura e colagem, de grafismo riscado e cores de terra, é traduzido em movimento, aquela dimensão que por vezes faz tanta falta à ilustração. O resultado são cativantes imagens saturadas, realizadas com uma mistura de efeitos especiais, animatrónica e 3d, que dão ao filme um carácter surreal que não deixará qualquer espectador indiferente.

Apesar da promessa, Mirrormask deixa qualquer coisa a desejar. O argumento de Gaiman é previsível e linear, sem nos dar grandes surpresas. De qualquer forma, um argumento previsível de Neil Gaiman é vastamente melhor do que a esmagadora maioria dos filmes de sucesso que andam por aí. Para os conhecedores da obra de McKean, a tradução do seu estilo gráfico ao cinema, com um visual limpo, parece àquem do esperado para quem nos habituou a imagens expressivas com um grafismo pouco limpo. Espera-se mais desta dupla criativa, e isso reflecte-se na recepção assimétrica que o filme teve entre a crítica. Mas Mirrormask não é um falhanço. É um filme fascinante, em particular para os fãs do género, dos autores ou de estilismos visuais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Natal Virtual



O video fica aqui para que quem não tem plugins para vrml possa descobrir este trabalho. É o primeiro ambiente virtual 3D criado pelos meus alunos. Não está perfeitinho, as animações estão um pouco desconcertantes e as proporções gragantuescas, mas... foi criado por crianças em 3D. Para quem quiser visitar o espaço virtual, o link é este: VRMLWorld | Natal (6ºD).

1963



Wikipedia | 1963
1963 Annotations

Saída da imaginação por vezes perversa mas sempre intrigante de Alan Moore, esta série de seis comics homenageia e ironiza o aranque da Marvel no mercado dos super-heróis. Os heróis icónicos são recriados, as histórias são fieis ao estilo dos anos 60 e o grafismo, da responsabilidade de Rick Veitch e Jonh Totleben, revisita os estilos de Jack Kirby e Steve Ditko. Sendo uma obra de Moore, os detalhes são imensos, desde a reinvenção dos nomes dos autores ao estilo marvel a referências a histórias cruzada publicadas em comics inexistentes (mais uma vez, ao estilo da continuidade da Marvel).



O simplismo dos argumentos é aparente. Para lá do revisitar e reiventar de personagens clássicos, ainda há tempo para meditações sobre a história humana, a estranheza dos espaços matemáticos n-dimensionais, metafísica bebop e uma lição de mitologia egípcia. Traduzindo: num dos livros, o personagem USA (Ultimate Special Agent, revisitação do icónico Capitão América) trava o assassinato de Kennedy, apenas para descobrir que os assassinos foram travados por um viajante temporal que se justifica com acontecimentos futuros; a versão 1963 do Homem de Ferro, denominada Hypernaut, luta contra um monstro surgido do espaço quadridimensional que se revela em segmentos tridimensionais - e sim, cita o Flatland de Abbott numa lição de geometria a quatro cores. A reinvenção do Dr. Estranho dá-nos Johnny Beyond, um místico beat decalcado dos romances de Jack Kerouac (que será novamente citado quando outro personagem é mostrado a ler um romance de cordel intitulado On The Road). Thor é revisto como Hórus, senhor da luz, numa história em que Moore se diverte a resumir a mitologia egípcia (e Rick Veitch desenha uma muito sensual Nut). As referências são múltiplas. O Quarteto Fantástico, primeiro comic do género da Marvel, é reinventado como o Mystery Incorporated. Outra personagem icónica da Marvel, o Incrível Hulk, é redefinido como o gigante radioactivo N-Man. Fury é o redesenho do Homem-Aranha. Os Vingadores, a super-equipe da Marvel, é reconstruída como o Tomorrow Syndicate. Os personagens recriados são homenagens aos originais e não cópias decalcadas. Partindo de premissas similares, Moore alterou subtilmente as suas géneses e capacidades.

Nem todas as histórias pegam em temas mais elevados. Fiel ao espírito dos comics dos anos 60, Moore mergulha-nos em lutas titânicas contra dinossauros mutantes, cérebros soviéticos gigantes ou anomalias atómicas.



O grafismo da série é muito cuidado. À primeira vista é em tudo similar aos comics dos anos 60. O estilismo, uso de cores e perspectiva e em especial a composição de cada vinheta imita com muita fidelidade o estilo clássico da Marvel nos anos 60, remetendo para o estilo plástico de Jack Kirby e Steve Ditko.



O grande final da série que nunca chegou a ser concluída mergulha os personagens recriados num mostruário de possibilidades infinitas - numa das quais, a contrapartida são super-heróis criminosos, com Ahriman como líder (e mais uma pequena lição de mitologia em poucas vinhetas), e noutra uma terra radioactiva onde a crise dos mísseis de cuba não foi satisfatoriamente resolvida. Tudo isto mediado por uma agência burocrática interdimensional onde para se obter informação é necessário esperar várias horas e, com sorte, se se estiver na fila certa a resposta pode ser positiva. A inconclusividade foi não intencional. Apesar do potencial, o planeado não era criar novos personagens e manter as respectivas séries, mas o último número nunca foi concluído. E é melhor assim. Fica como mais um elemento de homenagem ao gosto nostálgico pelos comics dos anos 60.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Interagir sem tocar



Ocasionalmente ainda surgem tecnologias que nos deixam espantados. Caso desta tecnologia de interface com o computador em desenvolvimento no MIT. Com o toque e o multitoque a banalizar-se nos computadores (primeiro com o iPhone, agora no Windows 7 e em breve no Ubuntu e na já mítica Apple Tablet), qual será o próximo passo? A tecnologia demonstrada no vídeo mostra algumas ideias.

Note-se que esta demonstração não obriga ao toque no ecrã. Recorrendo a um truque elegante com câmaras de video, o computador capta os gestos do utilizador. O caminho está aberto para interfaces mais intuitivos e tridimensionais.

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sábado, 12 de dezembro de 2009

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Curva da estrada (nas estradinhas da serra na zona de Montemuro e Rogel).

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Doga L3

Doga L3 Tutorial

O Doga é um potente mas simples software que permite criar modelos e animações em 3D. O programa não permite modelar de raiz, socorrendo-se de peças pré-criadas intercambiáveis que podem ser combinadas e modificadas. Está estruturado em 3 versões, pensadas para facilitar a aprendizagem dos conceitos elementares e fluxos de trabalho da modelação e animação 3d. A versão 3 é a mais completa, e permite manipulação de texturas e materiais. O programa pode ser descarregado aqui: Doga L3.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

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Ali para os lados da Avessada.

North 40



Wildstorm | North 40

É uma mistura pouco provável de lugares comuns. Temos, para começar, uma cidadezinha isolada no meio das planícies americanas. Um velho xerife durão capaz de pôr ordem em tudo só com o olhar. Um liceu completo com uma biblioteca bem rechada de livros ocultistas. E, claro, um encantamento mal pensado que liberta um enorme mal na cidade. Daqui, o caminho normalmente segue para o monstro individual que assola os inquietos habitantes. Mas isso seria simples. Ao invés, todos os habitantes se metamorfoseiam em criaturas monstruosas. Só para animar a coisa, surgem zombies. Uma família de degenarados anda à caça do xerife. Os incautos encantadores transformam-se em semi-divindades. Há quem se vire para os exorcismos, surgem profetas visionários. Alguns recebem misteriosos poderes, e uma mulher misteriosa detém a chave de todos os segredos. Falta alguma coisa? Não aparecem assassinos slasher ou de motosserra em punho, mas um grupo de habitantes perto de um lago vai-se transformando em homens-peixe e procuram acordar uma antiga divindade cefalópode. A cidade está isolada do resto do mundo por um misterioso campo de forças que impede a saída e altera subtilmente os mapas à sua volta.

O divertido é que North 40 pega em todos estes elementos e mesmo assim mantém coerência. Sem recorrer a ironias óbvias ou a pretensiosismos, homenageia quase todos os elementos do horror na ficção literária e cinematográfica. É um dos melhores comics do género a surgir nos últimos tempos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

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Vrml no Vivaty Studio.

Leituras

Singularity Hub | Google Goggles Lets Your Phone Turn Photos Into Information (Video) Ainda em arranque, mas promissor: a Google está a lançar um serviço que vai permitir pesquisar informação a partir de imagens. Aponta-se a câmara do telemóvel e os algoritmos mágicos da Google identificam os objectos e pesquisam informação relevante.

Boing Boing | Germany pays to fix Microsoft users' computers Se viver na alemanha as preocupações com questões menores como verificar o estado do anti-vírus, manter uma firewall ou prestar atenção onde se clica e ao que se instala não são realmente preocupações. Se o pc (a correr windows) começar a tossir gravemente e a emitir vapores esverdeados, basta uma chamada para o centro de apoio aos problemas do windows financiado pelo governo alemão. É uma história quase tão estranha como a do outro país europeu que pagou à microsoft para convencer quinhentos mil futuros adultos a utilizar o windows.

Gizmodo | Target Makes Cashiering More Tolerable By Turning It Into a Game É o tipo de notícia que me faz tremer com o potencial orwelliano da tecnologia digital: uma empresa retalhista americana criou um curioso sistema para controlar a eficácia dos funcionários de caixa - um jogo em que obtém mais pontos quem for mais rápido a atender os clientes. O problema é que nos jogos de computador, quando se perde pode-se recomeçar. Neste jogo, perder pode equivaler a um despedimento...

Gizmodo | It's Time To Make Phone OSes Work On Any Phone Bem visto. Porque é que não posso instalar o iPhone OS num nokia, ou ter um htc hero a correr maemo? Ou talvez android num xperia? Talvez porque as empresas que manufactura telemóveis e smartphones não querem cometer o mesmo erro que a indústria de computadores cometeu: se os telemóveis e smartphones fossem intercambiáveis, lá se iam as largas margens de lucro.

Grinding | The Venn Diagram of Art and Science Para quem tem dúvidas da relação profunda entre arte e ciência na era do triunfo da tecnologia (e toda a reflexão que lhe está associada), consulte este diagrama.

Gizmodo | Pixel Qi Magic Screens Coming in Multitouch Tablets in 2010 O que é que a Pixel Qi tem de especial? Criada a partir do projecto OLPC, criou uma revolução nos ecrãs para computadores portáteis desenvolvendo uma tecnologia de ecrãs barata que consome pouco e permite o santo graal destes ecrãs - ser visível com qualidade em luz solar directa.

Gizmodo | A Glorious Beginning Só para recordar os primeiros momentos de um pouco ergonómico tijolo que viria a evoluir até se tornar um mini-computador - o telemóvel.

Ars Technica | Weird Science fails to locate a porn-free control group São azares que acontecem. Um grupo de investigadores procurou estabelecer um grupo de controlo composto por homens no escalão etário dos vinte anos que nunca tivesse tomado contacto com pornografia... e obviamente falhou.

Ars Technica | Aliens vs. Predator in Australia: dev refuses to censor É sempre interessante ler sobre tentativas de censurar media na era da internet. Certamente que o jogo considerado ofensivo pelas autoridades australianas não chegará a ser vendido na austrália. Mas tenho a certeza que as crianças e adolescentes que as autoridades pretendem proteger com a proibição da comercialização do jogo estarão apenas a uns cliques da versão crackada do jogo... e com o incentivo adicional de ir ver porque é que o jogo foi proibido. A menos que se aja como os chineses, com a sua internet totalmente controlada, a censura na era do online em que as fronteiras se dissolvem em cliques não passa de declaração de intenções.

Infra Net Lab | Global Food Networks: Countries Buying Countries É por estas que a conferência de copenhaga não nos levará longe. Infelizmente. Enquanto se discutem propostas cuja implementação é fortemente duvidosa, graças aos grupos de pressão e à dialéctica distorcida, alguns países já agem de forma a tirar o melhor partido do aquecimento global. E não, não falo de guerras obsoletas no brevemente esquecido médio oriente. São acções como a dos canadianos e russos, que intensificam esforços de exploração e reivindicação de direitos territoriais no cada vez mais aprazível pólo norte (pescas, exploração de recursos e a famosa passagem do noroeste, finalmente desimpedida de gelo durante todo o ano) ou as dos países que negoceiam compras de terras em áfrica para alimentar as suas populações num cenário futuro de problemas ambientais.

Flightglobal | DARPA re-thinks aircraft acquisition and operations with Vulture Não estou particularmente interessado nas políticas de aquisição de aeronaves, mas a aeronave em questão é interessante: promete tempos de voo que se podem estender aos cinco anos.

Singularity Hub | Brain-equivalent processing power by 2019, says IBM Em 2019 será possível construir um super-computador com capacidade equivalente à de um cérebro humano. E se as IAs se desenvolverem nessa direcção, a coisa poderá ser interessante.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Apropriadamente apelidada de Enterprise



CNN | Branson opens doors to spaceship
Hyperbola | All the pictures: Virgin Galactic's SpaceShipTwo "Enterprise

Não se pode dizer que servirá to boldly go where no man has ever gone before, mas promete uns bons voos suborbitais a quem for capaz de pagar os $200.000 de cada bilhete. Apesar de não passar de um brinquedo para ricos, não deixa de ser mais um passo em direcção ao espaço. Lentamente, a exploração espacial desenvolve-se. Estamos muito longe das utopias de Von Braun ou O'Neill e das visões da ficção científica. Mas todos os passinhos nos levam um pouco mais próximo do destino distante.

Hack/Slash



O que gosto no Hack/Slash é que é um comic bem escrito mas que não se leva a sério. Remistura os elementos clássicos das histórias de terror e brinca com os clichés dos comcis. Tem uma linha de continuidade mas destaca-se pelo grafismo: cada novo arco de histórias envolve um novo ilustrador. Normalmente, cada nova edição tem um estilo diferente. A coerência da série é dada pelas personagens e linha de continuidade. O estilo é deliberadamente variável. As aventuras de Cassie, a sensual caçadora gótica de slashers, acompanhada do seu fiel amigo deformado e restante elenco - a eventual namorada, o misterioso slasher bondoso, o casal de ex-vítimas de slashers com o seu cão que é na verdade uma forma de vida alienígena enviada à terra para aniquilar Cassie, contam sempre com um estilo próprio muito interessante (embora pessoalmente seja fã das edições ilustrada por Bryan Baugh). A última edição brinca com o estilo de comics pré-adolescentes e chega ao ponto de imitar a impressão em quadricromia de baixa qualidade. Quanto à história, imaginem uma colisão sangrenta entre Riverdale e Innsmouth (ou, para clarificar, Archie e Cthulhu em cartoon de quatro cores). Hack/Slash é escrito por Tim Seeley.

domingo, 6 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Leituras

Next Nature | Scientists ‘grow’ pork Lembram-se daquelas lendas urbanas que circulavam há uns anos sobre a carne artificial criada em laboratório que supostamente consumíamos no McDonalds? Começa a ser possível fazer crescer tecido muscular de forma artificial. Sem grande supresa, este estudo da Universidade de Eindhoven é apoiado por uma empresa de salsichas.

Boing Boing | Somali pirate stock-market: "we've made piracy a community activity." Primeiro, Golfo de Aden. E a seguir... NYSE ou City de Londres. Uma ideia de empreendedorismo brilhante: os piratas somalis criaram uma bolsa que ajuda a financiar ataques de pirataria. Funciona da mesma forma que uma bolsa tradicional - os investidores investem, a "empresa" equipa-se para o trabalho, há retorno do investimento, são pagos dividendos...

Boing Boing | Spanish activists issue manifesto on the rights of Internet users A Espanha parece estar a tornar-se o próximo país (depois dos Estados Unidos e França, com Inglaterra a ameaçar) a adoptar legislação de propriedade intelectual digital criada à medida da vontade da indústria dos direitos de autor.

Next Big Future | Italy, Belgium, Germany and the Netherland Also Have Nuclear Weapons Uma ideia a reter quando falamos de proliferação nuclear. Mas não imaginem um berlusconi de dedinho no botão vermelho prontinho para lançar uns mísseis. Tratam-se de bombas tácticas aerotransportadas, propriedade americana, armazenadas em solo europeu e emprestadas às forças aéreas destes países.

iO9 | Seafaring "Space Station" Could Ride the Oceans Adoro conceitos como os deste Sea Orbiter. São utópicos, raramente passam do papel (desculpem, da renderização virtual) mas têm o poder de despertar sonhos.

Gizmodo | ASCII Art, Circa 1934 Se o desenhar em ASCII já é um exemplo de suma paciência, imaginem fazê-lo numa máquina de escrever. Mas sim, alguém o fez. Nos anos 30.

Gizmodo | Solar Impulse Plane Flies For First Time in Switzerland Primeiro voo de uma aeronave alimentada por energia eléctrica criada por paineis solares nas asas.

Boing Boing | Brazil lawmaker moves to outlaw "offensive video games" Há sempre alguns políticos idiotas dispostos a ganhar protagonismo à custa da proposta de medidas cretinas. Mais específicamente, a proposta pretende proibir jogos que ofendam costumes, tradições, crenças, religiões e símbolos. Seria interessante: estou mesmo a ver um grupo de ateus (ou de satânicos) a querer proibir jogos de inspiração cristã; ou pacifistas a solicitar a proibição de jogos promotores do militarismo como o xadrês. Não por acaso, o boing boing classificou esta notícia na categoria slippery slope.

Gizmodo | I'm so Passé That I Don't Know 95% of These Social Networking Sites A reter deste gráfico: a grande explosão das redes sociais deu-se em 2003/2004, apesar de só agora chegarem ao mainstream; a fragmentação recente, com redes sociais de nicho que exploram contextos isolados ou comunidades linguísticas.

Gizmodo | USAF Confirms New Secret Stealth Plane Os rumores - e fotografias de uma nova areonave secreta já circulavam pela internet, e agora a USAF veio a público com o RQ-170 Sentinel, um UAV similar ao B2.

Kottke | 15 failed predictions about the future 15 previsões falhadas. Epic Fails.

Bibliodyssey | The Seven Liberal Arts Teorias pedagógicas medievais, ou antes, as artes a aprender no antigo currículo do trivium e quadrivium.

BOing Boing | Woman jailed, charged with felony camcordering after recording 4 mins of sister's birthday party in a movie theater Do departamento de abusos cretinos da propriedade intelectual: imagine que filma uns familiares ou amigos num cinema num momento especial - como cantar os parabéns a um aniversariante, e acaba detido por infracção aos direitos de autor, acusado de pirataria porque a sua câmara captou uns segundos do filme a ser mostrado. Only in america? Deixem os defensores da indústria dos direitos de autor à solta e vejam se tal não poderá acontecer na europa. Veja-se a infame lei Hadopi francesa, ou as propostas britânicas.

(No que toca a câmaras nos espaços públicos, sempre me irritou que em determinados espaços estes se reservem o direito de captar imagens "para nossa protecção" sem o meu consentimento, mas me proíbam de captar imagens com a minha máquina/telemóvel.)

Boing Boing | Web design project from hell immortalized in cautionary webcomic É um dos problemas do digital: com a facilidade de utilização do software gráfico, todos pensam que são designers e artistas, e que são capazes de fazer melhor do que os profissionais da àrea. Interessante webcomic.

Boing Boing | Book about extreme fashion subculture in The Congo Curiosa subcultura saída dos bairros de lata africanos: homens que vivem abaixo do nível de pobreza mas vestem-se com roupas de luxo.

iO9 | The First Space Butterfly Takes a Test Flight Uma borboleta que voa... no espaço (aliás, numa experiência na ISS).

Gizmodo | Yeah, TV Executives Are Terrified of Streaming Video A internet está a transformar sectores inteiros da economia, e os velhos dinossauros gostariam de regressar aos bons velhos tempos em que dominavam a paisagem mediática. A frase que uma executiva de um canal de televisão usou para proibir a filha de não colocar um televisor no quarto é fascinante.

Gizmodo | Apple Sued For iPhone Patent Infringement, Again Quem me dera ter tido esta ideia há uns anos atrás: patentear a descrição vaga de um dispositivo de captura e armazenamento de imagens recorrendo a um ccd, uma lente e a equipamento de armazenamento de dados. Passados alguns anos, processar por infracção de direitos de autor empresas que manufacturam hardware que inclua câmaras digitais. Como a Sony, a Samsung, a Canon ou a Nikon. É a estratégia da ST. Clair Intellectual Property Consultants, empresa cujo plano de negócios envolve patentear conceitos elementares da tecnologia e depois processar quem os utiliza. Caso típico de abuso do conceito de propriedade intelectual, permitida pelos quadros legais. Cá por mim acho que vou patentear o conceito de objecto de uso lúdico cujos pontos na superfície se encontram equidistantes de um centro e começar a processar fabricantes de bolas e berlindes.

One Laptop Per Child News | Apple Tablet To Use OLPC Screen Technology?! Já se percebeu que o OLPC como projecto está a ser um falhanço, mas as tecnologias desenvolvidas para o projecto estão a revolucionar a informática de consumo. Primeiro foram os netbooks. Agora são os ecrãs que a PixelQi desenvolveu para o OLPC (e continua a desenvolver como empresa). A notícia relata outro pormenor curioso: parece que Steve Jobs ofereceu o Mac OSX como sistema operativo dos OLPCs, percebendo, e muito bem, que cem mil ou quinhentas mil crianças a utilizar o seu sistema num computador de baixo custo poderiam crescer para se tornar fieis consumidores dos seus produtos. Liguem os pontos: pensam sinceramente que o interesse da Microsoft Portugal no Magalhães é benemérito, para melhorar a educação em portugal? Quinhentas mil crianças a utilizar o windows desde os seis anos serão quinhentos mil clientes futuros.

Embeber Flash

Flash Code

Mesmo sem trabalhar com o Flash CS3, podemos utilizar aplicações que criem ficheiros em flash - como o iSpring, plugin para o PowerPoint, ou o Pencil, para criar animações. Depois, para colocar o ficheiro na internet e ser visto automaticamente ao carregar a página, necessitamos de utilizar códigos que permitam embeber o nosso recurso flash num post num blog ou etiqueta do moodle. Cliquem para descarregar.

Embeber um recurso Flash
Código para adicionar a um blog/etiqueta moodle/bloco html

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Inside Arte e Ciência



Leonel Moura, coord. (2009). Inside Arte e Ciência. Lisboa: LxXL.

LxXL | Inside Arte e Ciência
Inside Arte e Ciência


Esta exposição decorreu na Cordoaria e foi certamente uma novidade no panorama artístico português: uma exposição que reuniu trabalhos de artistas cujas linguagens plásticas se afastam radicalmente das técnicas tradicionais, reflectindo sobre e utilizando a ciência enquanto linguagem plástica. A recolha das obras expostas, conjugada com ensaios e trajectos de visita, proposta pelo catálogo da exposição é uma obra de leitura interessante, que traça um panorama de movimento de ponta na arte contemporânea.

O livro arranca com três visões introdutórias que abrem o campo de abrangência dos trabalhos apresentados. Carlos Fernandes explora uma visão histórica das intersecções entre arte e ciência, que hoje se fundem nos novos panoramas artísticos, no ensaio Consiliência. Leonel Moura analisa as novas perspectivas da arte em simbiose com os vários campos de estudo científico, em particular no digital e nas biociências em Vida 2.0: o novo paradigma da arte. Henrique Garcia Pereira fala da progressiva integração entre campos de conhecimento, objectos, corpo e mente, analisando esse novo conceito que é a hibridização no texto A Arte como uma nova filosofia natural: o explodir das fronteiras. Um suporte téorico fortíssimo é dado pelo ensaio de Daniel Dennett, Teoria dos Sistemas Intencionais, que explora a capacidade de retirarmos sentido do comportamento aparentemente aleatório de elementos complexos.

A recolha artística traça uma visão abrangente de novos campos de expressão artística que questionam a nossa percepção e relação com as descobertas cientificas, e utilizam os materiais e linguagem da ciência como estética própria. Engloba visões sobre vida artificial gerada em laboratório e gerada em suporte digital, ética da experimentação científica, reinterpretação de imagens recorrendo a algoritmos de formigueiro, instalações que buscam sentido ecológico, escultura micromilimétrica através de fotolitografia, robótica, hibridação genética inter-espécies, representação de sistema complexos, recolha de performances de modificação corporal recorrendo quer a cirurgia plástica quer ao implante de sistemas artificiais no corpo, exploração dos limites éticos da genética. Dos trabalhos, salientaria a série de fotografias de Catherine Chalmers de ratos de laboratório genéticamente modificados, que colocam a nú o impacto ético da experimentação que produz pequenos horrores vivos, necessários para o progresso do conhecimento. As flores fractais, instalação que reúne a realidade virtual com inteligência artificial de Miguel Chevalier, exploram a simulação do real através do artificial. FLW, de Ken Goldberg, é uma forma intrigante de escultura, recriando um modelo à escala do ícone arquitectónico que é a Fallingwater House de Frank Lloyd Wright num chip de silício através da fotolitografia, gravando um modelo tridimensional na superfície microscópica de um chip. Talvez o mais inquietante dos projectos apresentados é a História Natural do Enigma de Eduardo Kac, essencialmente uma planta híbrida cuja sequência genética foi modificada com a introdução de genes humanos (do próprio artista) no código genético da planta. Curioso é o projecto Porcos Alados de Oron Catts e Ionat Zurr, a reconstrução de tecidos artificiais a partir de células com formas específicas. Para lá destes projectos, são apresentados trabalhos de Leonel Moura, Orlan, Stelarc e Marta de Menezes, entre outros artistas.

Em comum a todos os trabalhos está a utilização da ciência como linguagem, por vezes de forma literal, em que o resultado da experiência científica é um trabalho artístico; o cruzamento de ideários, e a procura de novas fronteiras misturando metodologias e questionando os limites do humano.

O catálogo encerra com depoimentos de cientistas e intelectuais que exploraram a exposição como um percurso sobre áreas específicas do saber. Física de partículas, robótica e sistemas inteligentes, novos interfaces ou biociências são os temas principais, com destaque para o trans-humanismo ciber-genético postulado por Natasha Vita-More (onde genética e cibernética seriam combinadas para modificar o ser humano, ultrapassando os seus limites naturais).

Vivemos numa era de maravilhas científicas e tecnológicas, talvez uma era de ouro da ciência em que cada dia nos trás novas descobertas, algumas fascinantes, outras úteis, e muitas controversas pelas suas implicações potenciais. Neste mundo contemporâneo, pós -ismos sociais e políticos que tornearam a intervenção crítica dos artistas, a exploração dos limites do que nos parece sem limite tornou-se um novo campo viável de abordagem estética, recorrendo a novas formas de expressão e definição de conceitos que desafiam os limites das convenções artísticas, mesmo considerando as de ponta. A exposição já terminou, mas fica o catálogo e o website para explorar estas novas interacções artísticas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aplicações Gráficas Online

Sumopaint É uma espécie de photoshop/paint.net online. Corre em flash, e grava imagens para uma galeria online ou para o computador.

Photoshop Isso mesmo. É o Photoshop - aliás, algumas das suas funcionalidades, online. Também disponível para iPhones e Androids.

Evolver Um criador de avatares 3D. Cria a partir da manipulação de partes do corpo e exporta para uma grande gama de formatos. Infelizmente alguns são pagos (3DS, Maya).

Aviary A mais ambiciosa das webapps gráficas. Pretende ser um estúdio digital com edição de imagem, desenho vectorial, som e vídeo online.

Avatar Studio Para quem quiser experimentar a criação de avatares em 3D, este programa é o melhor. Muito simples de utilizar, com uma enorme gama de personalização de elementos e possibilidade de animação. Exporta para VRML. Descarregar o Avatar Studio, e um player de VRML: BS Contact.

Ocean



IGN | Ocean

Warren Ellis é um confesso apaixonado pela exploração espacial. Isso nota-se nos seus enredos, que tratam com muito carinho a exploração espacial - mesmo que a história que conta tenha contornos catastróficos ou maquiavélicos. Basta ler o magistral Orbiter, ode à exploração da última fronteira, ou Planetary, que termina precisamente a abrir novas fronteiras.

Ocean é pura ficção científica com o habitual toque escatológico de Ellis. Num futuro próximo, com a humanidade a espalhar-se pelo sistema solar, uma equipe de cientistas a orbitar Europa descobre um insondável mistério submerso no vasto oceano da lua de Júpiter: sarcófagos de seres humanóides, milhões de anos mais antigos do que a humanidade. Junto dos sarcófagos, armas de poder incomensurável. Cabe a um inspector de desarmamento das Nações Unidas sondar o mistério, levar a melhor sobre os interesses económicos que pretendem apoderar-se do poderio militar alienígena, e salvar a humanidade com um acto de xenocídio.

A série vale particularmente pelos detalhes; a visualização de um mundo futuro, futurista mas não desfasada da evolução urbana, similar à visão de Blade Runner mas sem os contornos distópicos; os discos-voadores que trasnferem passageiros entre órbitas, visões verosímeis de futuras estações espaciais. E outros pormenores, reveladores da visão abrangente que Ellis tem da tecnologia: a noção de humanos corporativos - a obrigatoriedade de funcionários de grandes empresas reprimirem tecnologicamente a sua personalidade, agindo de acordo com directivas instaladas no cérebro durante a duração do contrato.

Sem ser um dos trabalhos mais escatológicos ou futuristas de Ellis, Ocean não desilude. Ficção Científica pura, entretem com alguns conceitos interessantes e um argumento inesperado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cthulhu fhtagn

Já me ia esquecendo. Hoje é um dos dias de Cthulhu, a simpática divindade cefalópode. Hora de envergar a sotaina preta e ir à beira mar incantar Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn, a ver se ele acorda e traz na sua majestade o regresso dos Anciãos. Espero é que a chuva não me manche os pergaminhos traduzidos pelo àrabe louco. Só resta escolher um humano para o sacrifício. Há voluntários?

Almoço



Pequenos e bonitos animaizinhos a alimentarem-se de um menos pequeno mas também bonito animal. Estrelas do mar e outras criaturas bonitinhas dos fundos submersos a viver a sua vida... em time lapse, que aceleram os movimentos. O resultado? Nunca mais serei capaz de olhar para uma estrela do mar da mesma forma...

Vícios

Comics a registar:

Supergod Warren Ellis desconstroi um dos elementos fundamentais dos comics, o mito do super-herói. Nesta promissora série os super-seres são geneticamente construídos por cientistas mas encarnam metáforas religiosas. E como deuses, agem de acordo com os seus desejos, mesmo que isso implique a destruição do planeta.

North 40 Esta série é descrita como um cruzamento entre Lovecraft e Stephen King. Junte-se uns zombies e cinema de terrror de série B e temos uma boa ideia do que é este comic. Incantações, monstros, mutações, cthulhus e psicóticos à solta numa cidadezinha perdida no mapa.


Galactica 1980 É totalmente previsível e escrita muito à pressa, mas vale pelo suspense cósmico com que cada número termina. A serie coloca a Galactica a chegar à Terra nos anos 80. As inconsistências sucedem-se e a história tem uma profundidade milimétrica. O primeiro número termina com um ataque nuclear norte-americano à nave espacial. O segundo número termina com mísseis soviéticos e chineses no ar, uma invasão dos colonos da Galactica e a aproximação de uma frota de Cylons. O terceiro número resolve em três penadas o problema da aniquilação nuclear e estabelece a paz entre galácticos e terrestres, mas acaba com uma invasão frontal dos Cylons. E a seguir... bem, o final é previsível. Os cylons serão derrotados, e os viajantes da Galactica a) ficarão na Terra, b) regressarão ao espaço para novas aventuras, c) as duas primeiras opções, d) aparece a frota imperial comandada por Darth Vader em pessoa, e) quase me apetecia pôr os Skrulls à perna mas esses personagens são propriedade da Marvel Comics.

Existence 2.0 É uma história com mais volutas do que uma coluna coríntia. Esperem o inesperado e os volte-faces mais imprevisíveis. Gira à volta de um cientista obscuro que se dedica à ciência sem limites éticos, trabalhando para quem melhor pagar - desde agências governamentais a mafiosos e grupos terroristas. O seu erro? Ter aperfeiçoado o crime perfeito: uma técnica de transferência mental.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desafios

Na terça-feira passada fizeram-me uma proposta interessante. O meu orientador sugeriu-me ir apresentar parte do trabalho que estou a desenvolver na sala de aula a um grupo dos seus alunos. Sugestões do orientador são ordens, e por isso vi-me à frente de um grupo de alunos de informática a apresenntar o trabalho feito com os alunos no Avatar Studio. Eu, mero professor de EVT e desenrascador digital. Frente a alunos capazes de me derreter com uma simples pergunta. Enfim... meia bola e força.

Ao contextualizar o trabalho que estou a fazer com os alunos, um dos assistentes revelou-se surpreendido. Também trabalha numa escola (fiquei sem perceber se era professor, mas não quis aprofundar), referiu que conhecia muitos professores de EVT e nenhum fazia nada semelhante, uma vez que 3D não fazia parte do programa, e a abordagem às TIC só estava prevista para os nonos anos. Antes de começara a minha apresentação sobre o Avatar Studio confrontei esta questão. Mostra bem algumas das problemáticas e pré-conceitos que se colocam quando se trabalha com crianças e ferramentas digitais.

A primeira questão tem a ver com a estanquicidade dos conceitos. As TIC são na verdade transversais a todos os currículos disciplinares, quando utilizadas como ferramenta. E são currículo, quando são desenvolvidas em àrea própria. Têm um carácter híbrido, ausente da maior parte dos conhecimentos previstos nos currículos (apesar das boas intenções de interdisciplinaridade). Ao trabalhar 3D com os alunos, não estou a trabalhar este conceito como um contéudo estanque, mas sim como um meio de expressão que pretence chegar a um objectivo bem definido: concretizar um trabalho, para o qual concorrem diferentes saberes que necessitam da aprendizagem de vários conteúdos. 3D não é um conteúdo, mas perspectiva é, e manipular objectos em 3D facilita e muito a compreensão dos princípios elementares da perspectiva. Este é um dos eixos do meu trabalho: utilizar o digital como ferramenta de expressão, e não como uma finalidade de aprendizagem. O mais importante não é que os alunos aprendam a dominar o computador e a aplicação (embora esse seja o caminho necessário). O importante é que os alunos aprendam novos saberes que os levem a concretizar um trabalho específico.

Outra questão prende-se com a utilização dos meios digitais por parte dos professores de EVT. Boa parte utilizam-nos, inclusive ferramentas avançadas de desenho vectorial, animação, edição e imagem e 3D, mas não transferem esse uso pessoal para a sala de aula. O porquê intriga-me. Talvez por uma visão tradicionalista da disciplina, dos seus meios de expressão, e talvez por uma visão tradicionalista dos contextos artísticos que valoriza alguns meios tradicionais de expressão. A pintura a óleo é nobre, a arte digital é... incompreendida. Não que o computador não seja utilizado na sala de aula, mas é-o como suporte a apresentações, ferramenta de pesquisa e edição de texto. Surpreende-me que um professor seja capaz de utilizar uma ferramenta de desenho vectorial mas não lhe ocorra trabalhar essa ferramenta com os alunos. Por outro lado, um número significativo de professores da disciplina não utiliza o computador de forma pessoal ou apenas o utiliza para utilizações simples - elaboração de textos e navegação. Também não é fácil integrar o computador como ferramenta de trabalho numa sala de aulas. O primeiro factor é o material em si. Normalmente não se dispõe de um computador por aluno, ou sequer de um para dois alunos. Trabalhar com o computador pode obrigar a deslocações a salas específicas, descontextualizadas da área disciplinar. Apresenta problemas logísticos de gestão de espaços, comportamentos e trabalhos.

A utilização do computador é hoje estimulada em todos os níveis de ensino. Mas a exploração de ferramentas mais avançadas é rara. Normalmente o computador é utilizado como ferramenta de pesquisa, produção de texto e apresentação. É um uso que se adapta bem aos currículos existentes, concebidos antes da revolução digital. Substitui as horas passadas na biblioteca, a máquina de escrever e o acetato. A utilização mais criativa e avançada é normalmente reservada a contextos próprios, isolando-a como algo à parte, aparentemente inacessível e incompreensível. Mas porquê? Porque não experimentar utilizações diferentes, noutros contextos? Basta olhar para o trabalho desenvolvido por Minsky e Papert para perceber que utilizações ditas avançadas - recriar, construir, programar, podem ser realizadas com crianças. Obriga é a alterar a pedagogia, a metodologia de trabalho subjacente. Aqui, a disciplina de EVT apresenta-se como um campo fecundo. Nós, professores, de EVT, orgulhamo-nos do carácter experimental e criativo da disciplina, o que a adequa a utilizações construtivas do computador. No entanto, ao pensar na utilização do computador a maioria rejeita-o ou resvala para o uso clássico, que eu não resisto a apelidar de limitado. Outra coisa que pretendo demonstrar com o meu trabalho é que é possível integrar o computador na aula de EVT, utilizando as aplicações que permitem uma utilização expressiva em contexto de trabalho na disciplina, não como elemento isolado mas como meio de expressão a que se recorre para concretizar um trabalho pictórico (fico-me pelo pictórico por enquanto... quem sabe dentro de uns aninhos não estou a experimentar a obra verdadeiramente tridimensional, com robótica ou rapid prototiping).

Não sou o único professor a integrar ferramentas digitais desta forma na sala de aula. E não é fácil. Já o faço há pelo menos sete ou oito anos e senti na pele as barreiras, as dificuldades e os caminhos de sucesso. Recordo-me quando há uns anos disse a uma amiga, designer gráfica, que utilizava o photoshop com os alunos. Ela olhou-me como se eu fosse louco e referiu que era uma ferramenta muito complexa. Pois, pois é. Mas o meu objectivo não era que os alunos de dez e onze anos aprendessem as nuances do programa. Bastava que experimentassem algumas possibilidades gráficas. Entretanto deixei-me do Photoshop. A única forma de o utilizar com os alunos não era legal e nos últimos anos tenho-me preocupado com a ética digital (ajudado pelo refinamento do software aberto). Outra dificuldade que senti foi a de espaços e materiais. Nos primeiros tempos, tinha de retirar os alunos do espaço físico da aula, dividindo a turma se necessário, para os colocar na sala de informática ou biblioteca/centro de recursos. Tempo de deslocação que era tempo perdido, e a descontextualização preocupava-me. O que me abriu novas possibilidades foi o projecto, de há quatro anos, de equipar as escolas com um número reduzido de computadores portáteis (que ainda sobrevivem, a custo). Consegui começar a utilizar o computador na sala de aula, e com isso consegui manter os contextos. Permitiu a rotação de trabalhos, permitiu a multidisciplinaridade, permitiu que o computador não fosse visto como algo isolado, mas sim como mais uma ferramenta. Por outro lado, colocou (e coloca) problemas de logística e gestão que não são fáceis de resolver.

Quanto à ideia que há momentos próprios para se aprender determinados conteúdos, sou totalmente contra. A missão da escola pública vai mais além do que dotar a generalidade da população de conhecimentos elementares; pode, e deve, incluir a disseminação do património cultural. Não falar de um assunto só porque não faz parte do âmbito da minha disciplina é algo que não me passa pela cabeça (e gostaria eu de ter mais tempo para falar de outras coisas com os alunos). Quando era director de turma havia aulas de formação cívica que as destinava ao cinema, mostrando excertos de obras como 2001, Metropolis ou... Frankenstein. Excertos porque não havia tempo de ver o filme por completo, embora por vezes os alunos mo pedissem. A ideia era a de divulgar aquilo que poucos conheceriam, e nos contextos culturais e sociais onde se inseriam possivelmente não chegariam a conhecer. Corri o risco de um certo elitismo, mas e porque não? Não pode a escola abordar uma cultura mais erudita? É o mesmo raciocínio que aplico à utilização do computador. Interessa-me que os alunos desenvolvam a expressão criativa. Utilizar o vídeo, o desenho digital e o 3D são novas ferramentas que permitem atingir esse objectivo. Tintas, pinceis e lápis são muito interessantes, e estas novas ferramentas também. Estou a tentar demonstrar que podem coexistir, e a criar metodologias que permitam a outros professores da disciplina perderem o medo, ou o pendor para o traducional, e arriscar a utilização destas ferramentas. Não quero com isto fazer uma apologia do abandono das técnicas tradicionais; mau serviço prestaria aos alunos se por aí fosse. Uma educação global envolve o conhecimento da tradição e do moderno, são no fundo indissociáveis.