José Carlos Fenrnades (2014). A Pior Banda do Mundo Vol. 1. Lisboa: Devir.
Regressar a um dos mais discretos grandes clássicos da Banda Desenhada portuguesa. Aquando da sua publicação original, em seis excelentes volumes, esta obra surpreendeu pela sua tranquila mistura de surrealismo, erudição, qualidade literária e simplicidade gráfica. Sempre foi uma obra assumidamente derivativa, apesar do seu caráter próprio, um destilar bem apurado do mais elegante na cultura global. Sempre num registo rigoroso de duas pranchas, mergulha-se em percepções e ruminações, na normalidade da estranheza, no absurdo sublimado. As histórias curtas são em simultâneo tocantes, desafiadoras, cómicas, surreais e sonhadoras.
Se me deslumbrei por esta obra aquando da sua publicação original nos princípios deste século, regressar, neste formato condensado, foi recuperar a memória do deleite. José Carlos Fernandes afastou-se das lides da banda desenhada, deixando-nos um conjunto de livros interessantes e experimentais. A Pior Banda do Mundo merece o destaque como uma das melhores obras da história da BD portuguesa.