segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Bookhaul

Já se sabe como é. Inevitável, diria. Parte-se de viagem a pensar que se será comedido nos livros, e ao regressar, a mala só fecha por milagres. Estive uns dias em Florença a participar no simpósio COSPAR, e, claro, entre Feltrinelli (gosto especialmente da que está na estação de Santa Maria Novella, se bem que as da via Cerretani e da praça da República também tenham um bom acervo) e Libraccio, houve aquisições impossíveis de resistir.

Sim, admito, em Florença oriento-me mais depressa pela localização das livrarias do que pelas schiachaterias onde os magotes de turistas devoram porchetta.


Um achado, discretamente escondido na Feltrinelli da estação - uma série de volume antológicos, dedicados ao melhor do fumetti trash-horror italiano dos anos 70 e 80. Sublinho que aqui, bom é um conceito muito relativo, isto é pura exploitation originalmente publicada em lendas do género, como as revistas Oltretombe ou Sukia. 
  

Como resistir a este ensaio, que cruza as minhas duas grandes paixões? 


Não sou particularmente fã deste personagem, mas tenho uma amiga que o é, por isso quando vou a Itália tenho de meter um na mala. Esta é a mais recente aventura do criminoso Diabolik, o clássico fumetti giallo de estética muito retro.
 

E não é que até a Disney consegue ser mais fiel ao espírito da Odisseia que Nolan? Comprado para um amigo, com ilustrações absolutamente deliciosas.


Outro tema que me interessa muito, a história da tecnologia, aqui com um olhar o pensamento técnico e mecânico da antiguidade clássica.


Há em Portugal um fã inesperado do personagem clássico de Castelli (não, não sou eu), um antigo aluno que descobriu o fumetti numa lendária viagem Erasmus, há alguns anos atrás. Agora que ele se prepara para ingressar no Técnico (vai abalar aquela universidade, claro, eles nem sabem o que os espera), trago-lhe uma pequena recordação.


Claro. O que é que achavam? É o meu ritual favorito. Aterrar em Itália, sair do aeroporto e ir logo ao primeiro quiosque que encontro para comprar a mais recente aventura do detetive dos pesadelos. Por judas dançarino! 

Se bem que fiquei com a impressão de uma certa decadência da presença da Bonelli nas bancas. Das vezes anteriores que estive por terras italianas, era fácil encontrar bancas recheadas de vários números anteriores. Por Florença, nem por isso. Apenas as novidades, e poucas. Talvez seja uma questão geográfica, como cidade turística que é, faz mais sentido para as bancas venderem tralha para turistas do que imprensa.


Confesso, esta foi daquelas compras de impulso no aeroporto, à espera do voo de regresso. Zagor nunca me disse nada, mas esta capa em modo de salganhada verniana intrigou-me.


Um achado deveras técnico, um livro sobre programação em Scratch. Preciso mesmo dele para ampliar os meus conhecimentos sobre este ambiente de programação? Bem, nem por isso, mas tem alguns projetos muito interessantes no domínio das artes que quero experimentar, e vai ficar muito bem na minha coleção de livros sobre programação para crianças.


Finalmente, uma curiosa descoberta. Já estão a ver porque é que a comprei, não estão? A La Fine Del Mondo é uma nova revista mensal de banda desenhada, trazendo aos leitores italianos uma mistura de fumetti com bd experimental. Se alguma vez pensaram em ler uma revista que tanto publica a ilustração de estilo clássico do fumetti (e as desta história de Dylan Dog são soberbas), ao lado de Zerocalcare ou Shintaro Kago, esta é a publicação certa. Infelizmente é episódica, o que significa que nunca saberei como termina esta história de Dylan Dog, a menos que arranje forma de ir a Itália no final de agosto.