João Pinheiro (2015). Burroughs. S. Paulo: Veneta.
Porque é que gosto de frequentar alfarrabistas, perguntam-se? Porque de vez em quanto deparamo-nos com estes grandes achados: um livro que nos surpreende, ou que julgávamos esquecido, ou algo tão fora da caixa que merece espaço na estante. Sim, sou desses bibliófilos, frequento espaços de livros em segunda mão não para me abastecer a preços mais baixos, mas em busca dos bons acasos, da pérola livresca no meio das estantes.
Esta edição brasileira é uma enorme homenagem ao espírito e à estética de William S. Burroughs, um dos mais marcantes escritores malditos do século XX. Mergulhamos nas visões bizarras de Naked Lunch, mas não de forma linear. Esta não é uma banda desenhada adaptativa, antes, funciona por curtas histórias que nos levam ao universo delirante do escritor, ao mesmo tempo surreal, onírico, disforme e repulsivo.
A estética visual assenta-lhe como uma luva. Não há linhas limpas, o estilo é áspero, rude mas elegante. O surrealismo literário fica bem ilustrado, com aquela visceralidade incómoda que é uma das marcas da obra do autor que inspirou este livro.