domingo, 22 de fevereiro de 2026

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jamabushi: The Book of Atari Software (1983): Retrocomputação. 

HP Lovecraft writes his first letter to Clark Ashton Smith, 1922: Uma das ironias deste texto é perceber que nos dias de hoje, Lovecraft é celebrado e Ashton Smith praticamente esquecido. 

2025 em banda desenhada: Há aqui boas sugestões, a começar por aquele que é o meu manga de FC favorito. 

Nuremberga (2025): Apesar de contar com a história da II guerra no meu radar de interesses especiais, fiquei algo tentado a evitar este filme quando vi a sua duração. Estas observações ajudam-me a manter a decisão - não vale a pena ir ao cinema vê-lo, e talvez nem valha uma tarde perdida na televisão. 

O fim do Alvaláxia: Não partilho da nostalgia do João Campos face ao encerramento desta sala de espetáculos, embora o compreenda - fui frequentador do Quarteto e do King e sei o buraco que deixaram no panorama cultural lisboeta. Guardo também boas memórias do Monumental, não do velho cinema clássico mas do que mais tarde foi construído no edifício de escritórios que substituiu o cinema original.No que respeita ao King, o Nimas e o Ideal, bem como em certa medida o UCI El Corte Inglès, mantém-se como espaços dedicados ao cinema de culto e independente.  Para o Quarteto, nada substitui as suas lendárias maratonas cinematográficas pela noite dentro. Quanto ao Alvaláxia, não me surpreende o encerramento, das raras vezes que lá fui o que me surpreendeu é ainda estar aberto. Aquele centro comercial num estádio é um espaço muito deprimente, mesmo para os padrões dos centros comerciais. Por ironia, tenho um ponto em que lamento o desaparecimento destas salas - foram as únicas onde filmes de Edgar Pêra tiveram estreia comercial. Vi lá os brilhantes Não Sou Nada e Cartas Telepáticas. Bizarro, não é? Ter de ir enfrentar a decadência do centro comercial dentro de uma catedral do futebol para poder saborear o surrealismo cinematográfico de um dos mais arrojados cineastas portugueses. 

My favorite reads of 2025: Um apanhado de leituras que está repleto de boas sugestões.

Reading Is a Vice: Uma boa aposta - usar o anti-conformismo adolescente como forma de estimular a leitura: "It would be better to describe reading not as a public duty but as a private pleasure, sometimes even a vice. This would be a more effective way to attract young people, and it also happens to be true. When literature was considered transgressive, moralists couldn’t get people to stop buying and reading dangerous books. Now that books are considered virtuous and edifying, moralists can’t persuade anyone to pick one up". 

My 2025 in Review (Best Science Fiction Novels and Short Fiction, Reading Initiatives, and Bonus Categories): Uma visão de leitura que visita os clássicos, especialmente os menos recordados. 

A Educação Física, ou a vida pouco charmosa dos adultos: Joana Mosi tem de facto um corpus de trabalho extraordinário, e esta amargura pela desilusão da vida num país que nega condições aos seus cidadãos é generalizada. 

Sussurros (2007) de Orlando Figes: Sobre a opressão mental da vida nos totalitarismos.

What Dante Is Trying to Tell Us: Olhares sobre um dos grandes clássicos intemporais da literatura. 

The Future Leaks Out: William S. Burroughs’s Cut-Ups and Cucumbers: Difícil de ler e genial, é um autor que começa a ficar esquecido. 

Melhores Leituras de 2025: O balanço de leituras da Cristina no Rascunhos, a partir de um volume muito respeitável. 

HarperCollins Will Use AI to Translate Harlequin Romance Novels: Confesso que a surpresa é não estarem já a usar IA para gerar estas literaturas de entretenimento a metro. 

Robotum Delenda Est!: Fui só eu que me surpreendi por o robot apreciar gasolina? 

Los bancos que prestaron 178.500 millones para centros de datos de IA han empezado a cubrirse: ya no se fían de su propia deuda: Leio isto e só consigo pensar: Uh oh. Epá... isto deixa-nos apreensivos. 2026 não traz bons augúrios económicos, com a suspeita crescente do rebentar da bolha financeira da IA. 

The Problem With Letting AI Do the Grunt Work: Muito bem visto. A IA promete libertar-nos do trabalho rotineiro e secante, mas muitas vezes, esse tipo de trabalho é essencial para desenvolvermos a nossas capacidades técnicas e intelectuais. 

Non-Humanoid AI Assistance Robots: Ideias para meter a IA a trabalhar realmente para nós - dispositivos controlados por algoritmos que estão pensados para estar presentes nos nossos ambientes, de forma não intrusiva. 

The Imperfect Homework Machine: De facto, resume muito bem o que os LLMs fazem. 

Yo también conectaba los cables HDMI en el primer puerto que pillaba: estaba desperdiciando la mitad de mi tele: Mas um só cabo não é suficiente? Não. As conexões são normas de comunicação, e à medida que evoluem, a capacidade física dos cabos tem de se alterar para acompanhar as normas.

European banks plan to cut 200,000 jobs as AI takes hold: Recordam-se daquela promessa que a IA nos iria tornar mais produtivos, alicerçando o trabalho individual para fazer mais, melhor e interessante? Esqueceram-se de contabilizar na equação o peso do capitalismo predatório, em que o interesse não é fazer mais ou melhor, mas sim fazer o mesmo, com menos recursos. E por recursos, entenda-se pessoas, que apesar de todas as tretas motivacionais que se partilham nos linkedins desta vida, são sempre considerados pelos gestores como peso, gordura e desperdício. 

Ancient Everyday Weirdness (2026): O ensaio é longo, mas leva-nos a refletir sobre o papel social e individual de tecnologias que damos por adquiridas. 

Qué fue de Technicolor: evolución y muerte de la empresa que cambió el cine y fue arrollada por su ambición: A empresa que definiu o conceito de cor no cinema.

Grok Is Being Used to Depict Horrific Violence Against Real Women: Pois claro que está. Em nome da "liberdade de expressão", os espaços digitais tutelados por Musk são esgotos a céu aberto, que encorajam os seus utilizadores a libertar as suas pulsões mais nojentas. 

People Spent the Holidays Asking Grok to Generate Sexual Images of Children: Não, a sério. Quando se pensa que o descontrolo abusivo de Musk e os seus sequazes não poderia bater mais fundo, eis que mergulha ainda mais no abismo. 

Pluralistic: The Post-American Internet (01 Jan 2026): Não é uma ideia nova, Doctorow já anda a falar disto desde que a administração Trump decidiu trocar as instituições globais pela política das tarifas. E a pergunta que ele faz tem muita lógica: se uma das partes de um acordo comercial decide renegar esse acordo, porque é que as outras partes o continuam a cumprir? Dentro da visão de Doctorow, deixa de haver razão para o respeito legal pelas formas abusivas de proteção de propriedade intelectual que, durante anos, os americanos impuseram aos seus parceiros como condição para acordos comerciais. E, no processo, no nosso caso europeu, avançar no domínio da soberania digital, algo impossível de fazer quando o uso de produtos Microsoft e google se tornou infraestrutural na economia e administração. 

What’s next for AI in 2026: As tendências de desenvolvimento da IA, que poderão ganhar peso neste ano. 

Tech Giants Pushing AI Into Schools Is a Huge, Ethically Bankrupt Experiment on Innocent Children That Will Likely End in Disaster: Confesso que, como professor que usa a IA e a usa com os seus alunos, partilho das preocupações expressas neste artigo. Tento que o meu caminho com eles seja de uso consciente, e evito a todo o custo programas enlatados e inicativas deslumbradas vindas da parte das empresas de IA (não preciso, e recuso, currículos made in Microsoft). Por outro lado, assusta-me a displicência com que demasiados dos meus colegas se renderam de forma acrítica à IA, achando que a prompt é o futuro da aprendizagem. 

Sorry Tamagotchi Fans, It’s AI Time: Sim, mas porquê? 

Los últimos del open source: los proyectos que aún mantienen viva la web libre y gratuita tal y como la soñamos: Internet Archive e Wikipedia, os dois grandes pilares da cultura livre, aberta e abrangente online. 

Sorry, But This Sounds Creepy: How AI Might Put You In The Movie You’re Watching: Dado que Charlie Booker é um enfant terrible da extrapolação de tendências, o verdadeiramente preocupante nisto é o pessoal do marketing o levar demasiado a sério. Tal como os techbros fizeram com o cyberpunk - era suposto evitarmos esse possível futuro, não construí-lo ativamente. 

LEGO’s smart brick is a tiny, self-aware computer – and it doesn’t need a phone: A última novidade da Lego é interessante, quer em termos de cultura quer em tecnologia. 

Europe’s drone-filled vision for the future of war: É a grande lição da guerra na Ucrânia - o que conta são os drones letais baratos e massivos, não os complexos sistemas de armas clássicos. 

UFOロボ グレンダイザ Grendizer: Estilo japonês.

Personal reflections on a Trumpian 2025: No final de um ano de impensáveis, isto - "We are in the horrible position of realising that our protector is actually running a protection racket and it will take years, if not decades, to build European independence and it cannot be done alone". 

Quem foi João do Rio, jornalista carioca apaixonado por Lisboa, que dá nome a uma praça no Areeiro?: Uma curiosa história da cidade, que mostra bem o nosso apreço pelos que olham de fora para nós, e nos admiram. Valorizar, por vezes em excesso, a opinião externa é um dos pormenores do caráter português. 

Is Reading an Analog Clock an Outdated Skill?: Em parte, nas não totalmente, dada a quantidade de indicadores de informação que utilizam a metáfora dos ponteiros. 

La demoscene ya es patrimonio cultural inmaterial de la humanidad en siete países europeos: Uma excelente notícia, reconhecido a importância cultural desta forma vernacular de arte computacional. 

The Ephemeral Sculptures of Domenico Mastroianni: Isto é bizarro - um designer que construía as suas imagens em argila para as fotografar e destruir os modelos, e também com uma certa estética de foleirismo que só os geradores de imagem de hoje permitem replicar. 

Maybe Russia and China Should Sit This One Out: O ano de 2026 começou com mais um impensável executado em modo fait accompli - o rapto do presidente venezuelano através de uma operação militar tecnicamente brilhante, mas questionável em todos os níveis políticos e morais. Passou a tornar-se legítimo usar a força para raptar chefes de estado de quem alguns líderes mundiais não gostam. Não morro de amores por Maduro, um autocrata sob capa socialista, mas o que aconteceu tem um nome clássico: rapto. Ilegal em toda a linha, e mais um pontapé numa estabilidade mundial cuja ilusão de existência está praticamente desfeita (nota: linhas escritas no dia seguinte à operação militar criminosa). 

Leituras da Semana (#97 // 05 Jan 2026): Spot on: "É por isso que se considera que a imprensa livre é um dos pilares de uma democracia saudável; sem essa coragem e essa dedicação, então o Jornalismo pouco mais será do que entretenimento. E aí perdemos todos. Todos, excepto os bilionários". A cobertura dada à facilidade com que o Grok gera pornografia infantil é atroz, em modo de perfeito lambebotismo a musk. O que deveria ser escandaloso, é tratado como uma anomalia menor. 

Pluralistic: A world without people (05 Jan 2026): Doctorow anda em grande, ultimamente. Mais uma crónica imperdível, mostrando como a tecnologia é usada para disfarçar o desprezo que os gestores sentem pela mão de obra que lhes é imprescindível. 

The State of Anti-Surveillance Design: Num mundo de hipervigilância generalizada, onde câmaras em locais públicos são dadas como adquiridas e nunca sabemos a que sistemas estão ligadas, a humilde máscara respiratória e um par de óculos escuros são uma das defesas mais eficazes.  

Elevador de Santa Justa e a formidável audácia do seu construtor: Por cá, Eiffel tem costas largas, todos achamos que construções em ferro forjado vieram da sua lavra, mas nem a ponte D. Luís nem o elevador de Santa Justa são dele. No caso lisboeta, é interessante ver o arrojo que este projeto teve, com aquele incrível vão que liga o elevador ao Carmo.