Filipe Abrances (2025). Umbra #05. Edições Umbra.
Sou suspeito nesta recensão, dado que adoro esta revista desde o primeiro número e apoiei o kickstarter desta edição. O trabalho de edição de Filipe Abranches é, como sempre, impecável e consegue a rara proeza de nos trazer a colisão de dois mundos - o da BD mais erudita e experimental com a ficção científica em estado puro. O resultado são histórias muito bem conseguidas, ilustradas com estilos arrojados que fogem ao convencional. Temos um pouco de tudo - o tecno-otimismo pós-catastrofista de Assim Voam as Cegonhas de Pedro Moura e Marta Teives, a clássica distopia futurista anti-conhecimento e livros de Branco Neve por Vasco Colombo, as visões de um Marte quasi-surrealista de Kriz 3-IO de Fernando Relvas, uma obra esquecida que a Umbra promete recuperar, o cyberpunk mestizo de Trujillo por Gustaffo Vargas, e o surrealismo fantástico de A Fronteira Selvagem por Vasco Colombo e Pedro Morais. A capa, de Rita Alfaiate, é extraordinária no seu estilo cyber (e aqui ainda sou mais suspeito, sou hiper mega fã do trabalho desta ilustradora, ai de quem se atreva a dizer que Neon não é uma das melhores obras de BD portuguesa de sempre).