domingo, 30 de dezembro de 2018

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Inside the world of AI that forges beautiful art and terrifying deepfakes: Já escrevi tanto sobre isto para o Bit2Geek que já me cansei... ou não, fico sempre fascinado com as produções visuais dos algoritmos GAN. Notem que as acho interessantes e imaginativas, de uma forma algo alienígena, mas não verdadeiramente criativas. Estes algoritmos criam imagens reproduzindo e afinando padrões a partir de imagens já existentes. Parece-nos novo, mas não é verdadeiramente novo. Mas engana bem o olho, no caso das deepfake, e isso é muito preocupante.

Dezembro: Hora de Fazer Uma Hora do Código: Algumas ideias sobre o estímulo à literacia digital, introdução à programação e pensamento computacional, através da organização de Horas do Código.

Welcome to the stochastic age: Ou melhor, a era onde com a influência das redes digitais, há um fosso enorme entre a primeira e segunda linha, em que o sucesso mediatico se mede em curvas exponenciais. A aposta tem sido no aleatorizar, disparar em todas as direções na esperança que alguma encarrile e se torne bem sucedida, algo que é possível graças à facilidade e baixos custos da publicação digital. Algures a meio do artigo dou com isto, que resume muito bem a razão pela qual os media tradicionais e os dinossauros dos direitos de autor querem impor restrições apertadas e censórias à partilha digital: "But I put it to you that as gatekeepers’ power has diminished, and the number of would-be directors, CEOs, and pundits has skyrocketed, while the costs of trying have shrunk — randomness has become a more and more important factor". Ou seja, estão a proteger os seus modelos de negócio da concorrência das novas vozes que usam plataformas digitais para se expressarem. A concorrência, parece, só é boa quando o campo está inclinado para o lado certo.

The Bootleg Video Vans of the Soviet Union: Samizdat em VHS para descobrir a cultura pop dos anos 80 nas traseiras de carrinhas. Intrigantes modos de disseminação cultural underground, vindos das memórias da antiga União Soviética.


Let's Take the Rocket Car: A History of Science-Fiction Auto Futurism: Ok, por "história", é só um apanhado de imagens alinhadas de forma pouco conexa, e muitas vezes com a referência errada. Quando mostra um lightcycle do remake de Tron como se fosse o orignal dos anos 80, fica-se algo pasmado. Mas hey, pelo menos tem eye-candy retrofuturista.

Instagram Is the New Evite: Uma interessante e inesperada tendência de uso de dispositivos móveis, redes e aplicações pelos adolescentes: usar o Instagram como forma de gerir convites para festas. Em vários níveis, desde os grupos mais pessoais a grandes eventos onde ser aceite pelo perfil da festa implica participar no convite, e mostrar o instagram à entrada é condição de acesso.

How to Build a Museum in Outer Space: Uma ideia intrigante. Preservar os vestígios da exploração espacial in situ, e os problemas que daí advém.

If Doggerland Had Not Drowned: Uma terra mítica, que terá alimentado mitos celtas e arturianos sobre terras perdidas, uma parte do continente europeu que realmente se afundou sobre os oceanos. Não por cataclismo, caso do mito atlante, mas porque uma subida de 4 a 5 graus na temperatura média da Terra provocou degelos e a subida no nível das águas do mar, há cerda de dez mil anos. Se essas alterações climatéricas não tivessem acontecido, a geografia do continente europeu seria radicalmente diferente, e certamente que a sua história também. Este brilhante exercício de história, geografia e socio-economia especulativa tem por detrás uma ideia mais assustadora. Enfrentamos agora novas alterações climáticas, provocadas pela ação humana, sabemos que a subida das temperaturas médias é já inevitável, estamos apenas a tentar mitigar o pior. Sabemos também que as áreas costeiras planetárias estão em risco de inundação e ficar submersas a médio prazo. Mais do que especulação sobre um passado possível, esta história de Doggerland é uma visão do futuro próximo.

'The Pirate Bay of Science' Continues to Get Attacked Around the World: Quando estava a fazer a minha tese de mestrado, fiquei pasmado com os valores que as editoras científicas pediam para consultar artigos. Trabalho que não financiaram, nem compensaram os seus autores. Resultado de pesquisa pública, que fica trancado por detrás de paywalls incomportáveis. É um modelo de negócio criminoso, porque restringe abertamente o acesso ao conhecimento. Na altura não havia Sci-hub, trabalhei apenas com recursos open access. É intrigante, e muito significativo, que se fale da necessidade de reforma deste sistema, embora quando é preciso agir a tendência seja "“With the major science funders around the world declaring war on the likes of Springer, it's bizarre that they're focused on Sci-Hub, rather than addressing the fact that the entire world of science practitioners and funders thinks that they're useless and greedy parasites.”

AI software can dream up an entire digital world from a simple sketch: Costumo dizer aos meus alunos que ter competências criativas é a melhor defesa deles num mundo dominado por Inteligência Artifical. E, no que toca ao 3D, defendo que aprender estas ferramentas é uma excelente forma de garantir possível empregabilidade nas indústrias criativas. Depois, dou com notícias destas. Se uma IA consegue gerar ambientes virtuais, será que os estúdios ainda irão precisar de modeladores dedicados?

The Fun Is Back in Social Media…Again!: Jason Kottke topa uma tendência interessante. Sempre que aparece um novo produto de social media, imediatamente os analistas e comentadores produzem textos hiperbólicos sobre quão divertido e inovador é o novo serviço. Melhor, pega em quatro análises, a quatro redes sociais diferentes, em vários momentos passados... e a hipérbole é sempre a mesma. Plus ça change...


These Were the Jobs of the Future, According to Experts in 1988: Coisas que colocam em perspetiva as correntes predições sobre empregabilidade futura num mundo dominado por Inteligência Artificial, robótica e automação, e mostram o quanto a evolução do real tem tendência a divergir das predições de oráculos e futuristas.

In 1961, India Finally Kicked Portugal off the Subcontinent: O War is Boring recorda-se de uma nota de rodapé da história do século XX, o fim do império português no oriente com a anexação de Goa, Damão e Diu.

Those violent 'yellow jacket' protests in France? Facebook's behind that, too.: Fico sempre desconfiado quando leio estes argumentos do tipo é por causa do facebook que rebentou a manifestação/violência/protesto. Não, não é. Se não houver razões estruturais para descontentamento generalizado, as páginas organizadas em redes sociais ficam-se pela refilice. Agora, se há descontentamento generalizado e as redes sociais possibilitam formas fáceis e informais de organizar protestos, temos receita explosiva. Diria que é isso que que está a acontece em França. As mudanças ao algoritmo apontadas no artigo são um meio facilitador, não a real causa da desordem. Olhando de forma mais abrangente, é notório que estamos, e estaremos durante muito tempo, a colher os frutos da esclarecida política de austeridade que nos empobreceu a todos (menos aos bancos e um percentistas).

TUMBLR'S PORN-DETECTING AI HAS ONE JOB—AND IT'S BAD AT IT: Ok, o tumblr decidiu acabar com posts pornográficos ou eróticos. E depois? Bem, podemos discurdar, mas é uma decisão da plataforma e o que não falta por aí são meios de publicação digital. O que realmente me está a interessar é o como isto está a ser feito: algoritmos de machine learning analisam as imagens e identificam as que consideram pornográficas. O problema é que o número de falsos positivos é enorme... o que pode significar várias coisas: erros na conceção do algoritmo, bases de dados para aprendizagem máquina desadequados, ou que o algoritmo de machine learning, ao efetuar a aprendizagem para identificar conteúdos, não aprendeu o que se esperava que aprendesse (é um problema clássico nesta tecnologia). O resultado é... algo caótico, com imensos posts perfeitamente SFW classificados como pornografia. Mas ok, o que é que isto realmente interessa? Notem que este tipo de algoritmos são a tecnologia que permite implementar os famosos filtros automáticos preconizados pelo infame artigo 13º da proposta de diretiva europeia sobre direitos de autor. Ou seja, a UE pretende que o nosso discurso online seja previamente mediado por algortimos censórios, de fiabilidade duvidosa.

Four Days Trapped at Sea With Crypto’s Nouveau Riche: Provavelmente, o mais divertido artigo que li nos últimos tempos. Uma jornalista com sentido crítico é convidada a participar num cruzeiro pelo mediterrâneo, organizado por empreendedores das cripto-moedas. É uma das raras mulheres a bordo que não foi contratada como esbelta acompanhante para... acalmar os desejos dos fanboys das critpmoedas que frequentaram o evento. O resto é um olhar sobre o absurdo dos ultra-libertários gananciosos, entre os meramente fascinados e os sociopatas. A frase com dificuldades éticas é das coisas mais spot on que tenho lido.

Marcha para a Morte!: Pedro Cleto analisa a edição portuguesa do clássico de Mizuki.

More than an auto-pilot, AI charts its course in aviation: Podemos antever aviões comerciais a voar sem piloto, mas o impacto da IA na aviação, que já se faz sentir, não passa por aí. No cockpit, a IA é cada vez mais uma ferramenta para auxiliar e diminuir a carga cognitiva sobre os pilotos, mas a aeronave evolui na direção de sistema centauro, onde o controle humano está presente para avaliar as decisões da máquina. Imaginem o que acontece se há erros de software, ou sensores a funcionar mal, em processos de decisão totalmente automatizados. Mas a IA na aviação não se esgota aí. Controle de tráfego, gestão de operações e handling, bilhética e serviços aos clientes, são tudo áreas onde as companhias de aviação estão a investir no uso de Inteligência Artificial.

Are We Living in the New Golden Age of Comic Books?: É um argumento curioso, estamos sempre a elogiar o que se fez no passado e a lamentar a falta de qualidade do presente. Mas é um argumento pertinente, porque como observa o articulista, boa parte do material que está hoje a ser editado é de grande qualidade gráfica e narrativa.

The Ancient Origins of Automation: As servas douradas de Hephaestus, Talos, o gigante de metal que protegia a ilha de Creta dos piratas, carruagens que se deslocavam sem serem puxadas por cavalos. As ideias do autómato, de automação, de seres artificiais, têm o seu substrato na antiguidade clássica.

All hail the AI overlord: Smart cities and the AI Internet of Things: Uma análise ao conceito de cidades inteligentes, com exemplos de metrópoles que usam ferramentas de Inteligência Artificial para processar, identificar padrões e melhorar a qualidade de vida a partir de uma imensidão de dados recolhidos no espaço urbano. Não é uma super-inteligência sensata que determina o que é bom e saudável, são diferentes ferramentas retiram conhecimento do dilúvio de dados produzidos pela atividade nas cidades.

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