terça-feira, 15 de maio de 2018

Monster


Naoki Urasawa (2006). Monster Volume 1. São Francisco: VIZ Media.

20th Century Boys já me havia mostrado que Naoki Urasawa tem uma enorme capacidade de entretecer diversas linhas narrativas nos seus mangás. Este Monster é um excecional exemplo.

A história gira à volta de um jovem neurocirugião japonês a trabalhar na Alemanha dos anos 80, sob orientação daquele que é o seu ídolo científico. Este é apenas um oportunista, que se aproveita da sua posição de chefia para apresentar o melhor trabalho dos seus subordinados como se fosse seu, dando preferência no hospital público que dirige ao tratamento aos ricos e poderosos, mesmo que isso custe a vida a pacientes pobres. Delfim deste médico sem escrúpulos, ao ponto de estar noivo da sua filha, o médico japonês perde a sua posição preferencial quando se recusa a interromper uma operação delicada a uma criança com uma bala na cabeça para operar um político influente. A vingança não durará muito. O seu chefe morrerá envenenado, e o japonês recuperará a sua posição no hospital. Já a criança, filha de um casal de políticos da Alemanha de Leste violentamente assassinados no seu exílio no ocidente, desaparece sem deixar rasto. Décadas depois, o médico japonês irá salvar a vida a um criminoso atropelado, suspeito em casos de assassinatos violentos, e irá descobrir o destino da criança cuja vida salvou numa operação que lhe ia custando a carreira: tornou-se um assassino amoral.

Até ao final deste primeiro volume, ficamos sempre em suspense sobre quem será o monstro do título do livro. A teia narrativa que Urasawa tece é envolvente, não levando a história por caminhos óbvios.

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