quarta-feira, 21 de junho de 2017

TLS Series Cidades



Joana Afonso, et al (2017). TLS Series Cidades. Lisboa: ComicHeart/G. Floy Studio/The Lisbon Studio.

Esta edição do The Lisbon Studio reúne alguns dos melhores artistas de banda desenhada portuguesa contemporânea. Não é por acaso. Funcionam como um coletivo de estúdio, num grupo fluído que se varia nos nomes que o compõem, mas que ao longo dos anos tem estabelecido uma continuidade e aposta de qualidade que tem levado à internacionalização dos artistas de banda desenhada portugueses. Não à da BD em si, isso seria outra luta difícil de travar, mas à da capacidade criativa dos nossos ilustradores. Se o tema da antologia é a cidade como fonte de inspiração, com a sua iconografia própria e palco único para desenrolar histórias, fica também a sensação que este livro é um mostruário das capacidades dos artistas do Lisbon Studio. Consignam em livro uma experiência que já tinham iniciado com os TSL Webmag. Bem, técnicas de maketing que engrossam a BD de qualidade disponível aos leitores... não vejo problemas nisso.

O destaque nas histórias vai para nomes esperados. Joana Afonso dá-nos a mestria gráfica e narrativa a que já nos habituou em Quiosque, Filipe Andrade transmite a opressão dos espaços urbanos exíguos de Hong Kong com um grafismo de cortar a respiração em Muralha, e Ricardo Cabral corta com o realismo implícito na antologia com um voo fantástico que faz recordar Druillet (embora sem o seu estilismo) em Os Muros de Terrea. É também interessante o sincretismo arquitectónico, iniciando com realismo e finalizando num misto onírico de perspetivas que representa a visão que temos da cidade de Lisboa, em O Rasto do Fantasma, com desenhos de Marta Teives e argumento de Pedro Moura. Cid Hades de Gonçalo Duarte e Oumun The Revenge de João Tércio representam o lado mais experimental da BD portuguesa, fugindo aos estilos mais realistas dos restantes autores. Já 24 Horas de Dileydi Florez encanta, pelo seu traço e pela simplicidade de uma história sobre o amor à cultura, sentimentos certamente comuns a boa parte dos leitores desta antologia.

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