terça-feira, 20 de junho de 2017

Quest for Tula



Patrik Caetano (2016). Quest for Tula e outras histórias de Fantasia. Lisboa: Escorpião Azul.

Patrik Caetano tem sido um dos desenhadores mais consistentes e interessantes a ser publicado nas páginas da H-alt, revista de banda desenhada e história alternativa que dá espaço de publicação às vozes mais novas da BD em portugal. Caetano tem um traço muito distinto, expressivo e alicerçado na iconografia clássica da fantasia épica pós-tolkieniana, e um uso esplendoroso da cor, com paletas cuidadas em tons dominantes. São características plenamente evidentes neste Quest for Tula, livro que colige as suas histórias curtas para a H-alt e outras experiências, editado pela Escorpião Azul.

Pergunto-me que ordem define a escolha das histórias. Como qualquer jovem desenhador, Caetano tem um estilo gráfico em desenvolvimento. Apesar de já ter um traço seu, olha-se para os seus desenhos e percebe-se que só poderiam ser seus, percebe-se que ainda falta muito caminho a percorrer. Isso nota-se na heterogeneidade gráfica das histórias, algumas com traço mais incipiente, outros claramente apurado. A nível narrativo há também ainda muito que desenvolver. As histórias também escritas pelo autor são simples, nalguns casos quase pueris na forma como a narrativa se desenvolve. Sendo histórias curtas, percebe-se a dificuldade, mas na aventura mais longa e que dá o título ao livro continuam a notar-se as inconsistências narrativas, saltos temporais, personagens pouco estruturadas que agem de forma pouco clara.

Não é por acaso que a melhor história deste livro, O Bom Filho, conte com argumento de Vítor Frazão. Aí, a parceria brilha numa história bem medida e esplendorosamente ilustrada. Destacaria também Eyaer pela qualidade gráfica, só com manchas de cor a definir as imagens, e L. Gaiteiro quer pelo grafismo quer pela divertida ironia da história. As restantes parecem mais incipientes, passos de aprendizagem em que o autor vai afinando o seu estilo e técnica narrativa. Os estudos e concept art que encerram o livro mostram que Patrik Caetano pode e vai mais longe no seu grafismo. Suspeito que seja um nome a ter em conta quando se falar no futuro da BD portuguesa.

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