quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Time Travel: A History



James Gleick (2016). Time Travel: A History. Nova Iorque: Pantheon.

Depois do fortíssimo, profundo e fabuloso The Information, percebe-se que Gleick queira relaxar e dedicar-se a um tema mais leve. Isso explica as incongruências deste Time Travel, que apesar de ser interessante, não está ao nível a que Gleick nos habituou. Lê-se mais como longo ensaio literário, com Gleick a dissecar quer a literatura de FC quer o mainstream em busca dos indícios que formam as estruturas conceptuais do tema. Dá um pequeno salto à filosofia e ciência, mas é na literatura que mais se debruça. Em parte, sabemos o que esperar deste livro. Uma análise do conceito, dos seus paradoxos, ideias estruturantes. O que não esperamos é uma certa ambivalência que se sente ao longo da leitura, com Gleick a não tornar claro se leva ou não a sério aquilo sobre o que escreve. Há por ali um certo fascínio com o ideário, mas o racionalismo do jornalista científico intervém sempre a tempo de impedir que o fascínio alastre. Como habitual, é de esperar uma fortíssima bibliografia lida, resumida e interligada pelo autor. As suas conclusões mais inesperadas envolvem o quão recente é o nosso sentido do tempo, e o seu grau de dependência de progresso tecnológico acelerado.

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