terça-feira, 22 de novembro de 2016

Elektrograd: Rusted Blood



Warren Ellis (2015). Elektrograd: Rusted Blood. Summon Books.

Como boa parte da obra deste escritor e argumentista, Elektrograd é uma leitura interessante não pela história em si mas pelo mundo ficcional que a sustenta. Conta-se em poucas palavras, como um policial procedimental onde um detective da velha guarda e os seus colegas, um polícia algo brutamontes e uma agente ambiciosa que vê a experiência de detective criminal como degrau para patamares mais ambiciosos, investigam um assassinato aparentemente banal nas ruas mais degradadas da cidade.

Esse fio condutor mergulha-nos em Elektrograd, a cidade onde enferruja o velho futurismo cromado, de arquitecturas luzidias e formas em barbatana, aquele misto de  gernsback continuum e dieselpunk saído das visões de arquitectos futuristas e designers industriais dos anos 40 e 50 do século XX. Um futuro envelhecido, de lustre perdido, feito de edifícios desertos que se movem em ritmos cronometrados (uma das inspirações para Mekanoplatz, a zona da cidade onde decorre a acção deste livro, são as Walking Cities concebidas nos anos 60 pelos arquitectos radicais do grupo Archigram), enquanto os habitantes preferem viver nas carcaças dos velhos robots de construção. Nestas ruínas funcionais do futuro, escondem-se ainda velhos andróides electro-mecânicos que se ocultam como psicólogos para tentar compreender o que é o ser humano.

Este livro desperta o apetite para Normal, prestes a ser editado após publicação em capítulos. Ellis comenta no posfácio de Elektrograd a hipótese de haver mais histórias neste universo conceptual de visual marcante.

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