domingo, 17 de janeiro de 2016

Weltanschauung of the mob

Charles Stross a falar do triste espectáculo de Trump nas eleições americanas, e no processo a definir na perfeição um elemento fundamental da corrente cultura global:

"2007 is when the human species accidentally invented telepathy (via the fusion of twitter, facebook, and other disclosure-induction social media with always-connected handheld internet devices). Telepathy, unfortunately, turns out to not be all about elevated Apollonian abstract intellectualism: it's an emotion amplifier and taps into the most toxic wellsprings of the subconscious. As implemented, it brings out the worst in us. Twitter and Facebook et al are fine-tuned to turn us all into car-crash rubberneckers and public execution spectators. It can be used for good, but more often it drags us down into the dim-witted, outraged weltanschauung of the mob."

Uma das grandes promessas da internet era a de aplanar os campos mediáticos, dando a todos plataformas que permitissem o exprimir das vozes individuais. Em, tecnicamente, pé de igualdade com os canais mediáticos tradicionais. Foi esse o princípio que tornou os blogs no espaço de voz alternativa que ainda hoje são, bem como outras plataformas que permitem a qualquer um publicar. Curiosamente, a mais quente em 2016 parece ser a velhinha mailing list. Vão ler a do Warren Ellis, geralmente a minha melhor leitura da semana, se duvidam de mim.

A promessa de democratizar a publicação, de dar voz a todos, teve de facto com o surgir das redes sociais esta estranha inversão. Basta tremer perante os comentários nas redes sociais, o acumular de likes, o fenómeno (que não é tão novo quando isso, sensacionalismo sempre houve) do clickbait, para se perceber que quem realmente aproveitou bem este libertar da voz foi o Id e não o ego ou super-ego da consciência global. Se bem que, como qualquer frequentador de cafés em Portugal bem sabe, cheios de opinadores especialistas em qualquer assunto, esta corrida para o fundo possibilitada pelas redes sociais também não é nada de novo, apenas amplifica e globaliza uma velha tendência humana para a má língua e cretinice.

Bolas. Comecei este post de forma tão erudita e termino-o como troll. Infecções virais meméticas. Não há como lhes escapar.

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