terça-feira, 27 de outubro de 2015

The Land of the Green Man


Carolyne Larrington (2015).  The Land of the Green Man - A Journey through the Supernatural Landscapes of the British Isles. Londres: I. B. Tauris.

A leitura deste livro mostra-nos o quanto a literatura fantástica está contaminada pela visão vitoriana do folclore tradicional das ilhas britânicas.  O que não é em si surpreendente. Os autores que deram forma à visão contemporânea de fantasia, Machen, Lewis, Tolkien,  Gaiman, entre outros,  foram beber inspiração às suas raízes.  É destas raizes que a autora nos fala nesta obra que percorre um caminho periclitante entre estudo académico e divulgação literária.

Pela mão conhecedora da autora, claramente mais erudita do que faz transparecer,  somos levados num périplo pelas lendas e tradições das ilhas britânicas,  histórias passadas de geração em geração que antecedem a história da anglicidade. Terras submersas, criaturas de terror que exercem predação sobre humanos descuidados, a dualidade amoral das fadas, seres telúricos cujas interacções com os homens se saldam em tragédia,  bruxas, lendas arturianas, dragões e essa colisão entre nostalgia por um passado mitificado e as pressões ecológicas que é o homem verde, constructo relativamente recente. São alguns dos elementos que redescobrimos neste livro.

Escrevo redescobrimos porque são temas e personagens que nos são familiares da iconografia da literatura,  banda desenhada e cinema. A autora mostra muito bem os paralelismos entre as lendas tradicionais e algumas das obras mais conhecidas e marcantes da literatura fantástica. Mostra também como essas visões foram recolhidas no século XIX por uma legião de clérigos e personalidades locais que, ao preservar as narrativas tradicionais,  não resistiram a alterá-las com toques típicos da sensibilidade vitoriana, enfatizando o romantismo e eliminando a sexualização patente em muitas lendas. É difícil não reconhecer aqui um dos elementos característicos da fantasia literária contemporânea.

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