quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Época Morta e (À Suivre)



José Carlos Fernandes (1997). Época Morta e (À Suivre). Lisboa: Polvo.

É daquelas coisas inesperadas. Passo pela cinemateca para ir ao cinema mas, na livraria que lá se encontra, dou com uma inesperada secção dedicada à BD cheia de fanzines e edições já antigas. Saiu de lá este livro vindo do longínquo ano de 1997, quando José Carlos Fernandes era uma promessa da BD portuguesa e não o desencantado veterano hoje afastado.

Nas aventuras do personagem Lou Velvet, Fernandes começou a revelar o surrealismo borgesiano que veio depois a desabrochar naquela que é inquestionavelmente a sua obra maior, A Pior Banda do Mundo. Os encantadores elementos de estranheza, as vénias literárias e influências de outras artes estão já aparentes nestas histórias, embora ainda sem a força e elegância que veio a desenvolver mais tarde.

Época Morta: uma história que desvirtua o policial com toque surreal, onde o prototípico detective alcoólico se vê a braços com uma epidemia de mortes misteriosas de turistas alemães no hotel que o contratou. Os turistas, disfarçados de antigos operários, eram na verdade veteranos das SS que caíram na mira de um sobrevivente de campo de concentração durante as nostálgicas celebrações anuais que organizavam todos os anos num banal hotel de estância turística massificada à beira-mar.

(À Suivre): E se... numa exposição de banda desenhada os principais autores, demasiado similares aos personagens clássicos da BD, fossem sendo assassinados por um Ignatz aliado à Krazy Kat, guerrilheiros em nome da pureza artística do género? Humor mordaz aliado a uma simpática vénia à história da BD.

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