segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Urros


Tiziano Sclavi não dava ponto sem nó ao traçar a personagem de Dylan Dog. Dylan é uma colisão de influências. O nome homenageia ao mesmo tempo a poesia de Dylan Thomas e os policiais hardboiled. O tipo de personagem cruza o detective das histórias policiais clássicas com toques de Sherlock Holmes e os investigadores do sobrenatural da ficção de horror da viragem do século, especiamente John Silence de Blackwood. Tal como Holmes, Dylan medita nos seus casos tocando um instrumento musical. Um clarinete, a criar mais uma vertente de homenagem ao jazz, e não um violino como o personagem de Conan Doyle. Groucho, o seu assistente, é uma homenagem tão descarada a Groucho Marx que até o seu visual é imitado. 

Boa parte dos argumentos de Sclavi inspiram-se directamente na literatura e cinematografia clássicas de terror. De Poe ao slasher movie, o argumentista colocou de tudo nas páginas de fumetti, sempre de forma brilhante e assumida. Também estabeleceu a tradição de utilizar directamente ou de forma aliterada nomes de actores, cineastas, artistas ou escritores nas personagens com que Dylan se cruza. uma tradição que os argumentistas que dão continuidade a Dylan Dog após a aposentação de Sclavi mantém.



Viver numa casa de estilo gótico numa rua imaginária de Londres é também em si uma homenagem literária, quer a Sherlock Holmes quer à tradição do gótico literário. O seu interior é uma pequena wunderkammer de objectos ocultos, também outro elemento estilístico característico do género.



Resta saber de onde vem a campanella urlante da casa, a campainha que grita ao toca, a avaria que Dylan e Groucho nunca mais reparam. Algo que só me apercebi há uns dias, quando vi episódios clássicos de Addams Family no YouTube e ouvi a campainha da casa dos Addams. Mais um dos mistérios de Dylan Dog desvendado. Fica por descobrir de onde é que veio a ideia de o colocar a conduzir um Volkswagen Carocha de matrícula DYD 666.

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