segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Dylan Dog: Color Fest #07, Maxi #12.


Michelle Medda, et al (2009). Dylan Dog Color Fest #07: Passagio per l'Inferno, Il Banco Dei Pegni, Luci della Ribalta, Strage di Mezzanotte. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Passaggio per l'Inferno: Os amores trágicos são uma das características elementares de Dylan Dog. Nesta curta aventura essa premissa é invertida, com Dylan a apanhar boleia de uma predadora sentimental que causa acidentes na estrada para poder dar boleia aos homens cujos carros se estampam. Se vai para além disto e entra nos domínios do serial killing é caminho por onde a história não nos leva.

Il banco dei pegni: Dylan é contactado pela representante de um grupo de sem-abrigo para resolver um estranho mistério. Pedintes começam a morrer misteriosamente, com maços chorudos de notas nos seus cadáveres. A explicação encontra-se num obscuro negócio de penhores, onde dois demónios de ar simpático dispensam dinheiro a rodos em troca apenas do objecto com maior valor sentimental pertencente aos desesperados que capturam. Sendo Dylan Dog uma série muito apolítica, o ponto de interesse nesta aventura está na óbvia observação sobre as crises económicas e as suas trágicas consequências humanas.

Luci della ribalta: Uma aventura muito interessante. Uma estrela de televisão, típica cara bonita a começar a revelar o peso da idade, começa a descobrir que as suas memórias audiovisuais começam a desvanecer-se. Não a sua, mas a de todos os outros, de espectadores, actores, realizadores. Até das cassetes de vídeo com as suas aparições televisivas. Uma premissa muito similar à clássica A Pequena Biblioteca de Babel (dos melhores contos de Dylan Dog, IMHO), com o toque adicional de observação sobre a fugacidade mediatizada. Infelizmente se a premissa é muito boa a execução algo banal, com a história a ser arrumada sem nexo visível que nos mostre como Dylan se apercebeu das razões de uma maldição que irá mexer com a memória colectiva.

Strage di mezzanotte: Uma vaga de assassínios violentos recorda a Dylan uma das suas antigas aventuras, onde travou manequins animados pelos incipientes poderes de uma jovem bruxa. Os acontecimentos angrentos passam-se no mesmo local, anos depois, e Dylan acredita que hajam resquícios do bruxedo. E há, mas não da forma que imagina. Trata-se de um segurança solitário que queima de vez o fusível mental e, imaginando-se um frio manequim, assassina indiscriminadamente quem se lhe atravessa à frente em busca de sentir alguma coisa.




Bruno Enna, et al (2009). Maxi Dylan Dog #12: Le Morti Bianche, I Sei Corvi, Oggetti Smarriti. Milão: Sergio Bonelli Editore S.p.A..

Le morti bianche: Uma fábrica dos infernos devora os seus operários. Com a aparência de uma unidade industrial banal, que produz objectos que não se sabe para que servem, notabiliza-se pelos sucessivos acidentes fatais que vitimam trabalhadores. Dylan infiltra-se, investigando a pedido de uma namorada que lá trabalha, e depressa descobre que a fábrica é um lugar maligno, que altera a mente daqueles que lá trabalham.

I sei corvi: Dylan é atraído à Torre de Londres para investigar as mortes violentas de um grupo de funcionários, que começam a aparecer cadáveres com os olhos e os cérebros comidos. Tal como se os corvos da torre os tivessem debicado até à morte. Por detrás do mistério está um crime cometido décadas atrás, com a violação e morte de uma jovem com poderes sobrenaturais que, com o passar dos anos, se catalisam numa espécie de monstro corvídeo vingador, com um toque de demónio nipónico e um novo amor para Dylan.

Oggetti smarriti: Todos temos algo que preferimos esquecer, com objectos e sentimentos que deitamos fora para seguir em frente com a vida. É algo que é sublinhado nesta aventura onde as recordações do passado, as humilhantes, nostálgicas ou sangrentas, regressam para assombrar um subúrbio afluente de Londres. Objectos esquecidos, descartados no passado, que regressam aos seus donos graças a um camião do lixo fantasma.

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