quinta-feira, 25 de junho de 2015

"So-Long" Jim Matou


Ross Pynn (1969). "So-Long" Jim Matou. Lisboa: Galeria Panorama.

Isto daria um excelente mau filme, pensei enquanto lia este clássico do western pulp português. Um sangrento b-movie ou western spaghetti, que hoje não passaria no crivo do politicamente correcto, por muito bom que fosse o possível realizador a passar uma mensagem de ironia. Este livro é, de facto, pulp violento, machista, misógino e xenófobo onde as tropes do género são esticadas ao absurdo.

Acompanhamos So Long, o cowboy clássico de Pynn, numa amarga aventura cheia de mortes e crimes violentos. A sua passagem num campo mineiro granjeia-lhe a morte violenta de uma mulher que o ama, uma vingança inabalável, uma curiosa paixão, o assistir a um assalto bem sucedido e a um violento confronto com uma tribo índia cujas descrições de selvajaria e brutalidade deixarão qualquer leitor de hoje espantado pela visão xenófoba. Mas percebe-se que Pynn apenas estava a responder aos gostos do público da época com um romance que titilava os leitores com as descrições de duelos, lutas, violência sexual, combates entre cowboys e índios, que termina num apocalíptico duelo onde So Long decepa metodicamente o portentoso chefe índio num duelo corpo a corpo de tomahawks.

Isto é pulp clássico, que não pretende ser mais do que é. É intrigante como esta escrita a metro, cheia de pérolas da má literatura que fazem revirar os olhos, mas mantendo sempre um ritmo alucinante, quase cinematográfico.

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