quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Sereia de Curitiba


Rhys Hughes (2007). A Sereia de Curitiba. Viana do Castelo: Livros de Areia.

Porque o fantástico na literatura não tem que envolver castelos na bruma, dinastias aguerridas ou criaturas que rangem na noite. A tradição surreal-dadaísta do brincar com as palavras é levado por Hughes a um assinalável nível de onirismo. Começamos por Curitiba, onde num carnaval um inominado viajante se apaixona por uma sereia. Seguir o impulso amoroso leva-nos a um périplo de sonho sempre a equilibrar o humor e non-sense, onde os jogos linguísticos dão o tom a fantasias literárias que nos levam a terras fantásticas e locais reais irremediavelmente transformados pelo imaginário. Seremos raptados por capitães de navios pirata, levados em dirigíveis, visitaremos uma lua habitada por solitários tritões, e no rescaldo da queda do muro de Berlim poderemos redescobrir os encantos ruritanos.

Se os voos de imaginação nos encantam, é a prosa fluída, cheia de bom-humor e alusões que deixam o cérebro aos volteios que apaixona neste livro. Hughes é um mestre do bon mot, da frase rematada com ideias inesperadas, da ironia onírica que tem a sua raiz nas explorações linguísticas do surrealismo.

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