quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dylan Dog, Trash Island; The Celestial Bibendum


Luigi Mignacco, Nicola Mari (2013). Dylan Dog #328: Trash Island. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

Sendo personagem icónico Dylan Dog já cativa pela sua aura. Mesmo que as suas aventuras sejam mais fracas se comparadas com os pontos altos da série, o personagem já se solidificou na consciência cultural popular. É o caso deste Trash Island, que se resume a um périplo onde Dylan e outros investigadores do oculto atravessam uma ilha assombrada por zombies, máquinas assassinas e plantas vivas que serve de zona de treinos de artilharia da marinha britânica. Pensando que vão à ilha resgatar pessoas desaparecidas, foram na verdade cooptados por agentes secretos militares que sabem que não têm outra forma de convencer místicos e ocultistas a atar as pontas soltas de uma experiência de militarização do sobrenatural que correu mal. Se bem que esta é uma revelação que só nos é dada, de chapa, no final. É um bocadinho enervante ler algo que se vai arrastando ao longo de dezenas de páginas para acabar resolvido em três ou quatro pranchas. Mas é Dylan Dog, que é sempre um prazer ler, por isso até se desculpam os momentos mais banais.


Nicolas de Crécy (2012). The Celestial Bibendum. Paris: Humanoids.

A espectacularidade do traço de de Crécy dá o lustro a esta série de um profundo weird surreal. A história não é algo que se explique, vivendo de um absurdismo com vertente de crítica política e social em caricatura grotesca das normalidades instituídas, contada através das desventuras de uma foca deslumbrada que atraca nas glórias urbanas da majestosa Nova Iorque-no-Sena. São notórias influências do urbanismo decadente retro-futurista de fin de siècle, dos estilos gráficos de George Grosz e Mattotti e do surrealismo literário de Ligotti e Queneau. O livro é visualmente deslumbrante, estando ao nível do melhor do trabalho de Nicolas de Crécy, mas o carácter bizarro da narrativa é levado a extremos por vezes excessivos.

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