terça-feira, 15 de abril de 2014

BD: Les Damnés du Reich; La Main Gauche du Führer; Antinéa.


Richard Nolane, Milorad Vicanovic (2013). Wunderwaffen #03: Les  Damnés du Reich. Toulon: Soleil.

Suponho que deve haver piores desculpas para se ler livros sobre aeronaves de sonho. A história que vai tentando dar fio condutor a esta série envolve as desventuras de um ás dos ares alemão que odeia o regime nazi mas não pode ser eliminado como incómodo ao regime por ser um bom elemento de propaganda. Mas pronto. Não é uma má história mas serve para o que se pretende: ter um espaço narrativo para recriar os projectos de aeronaves futuristas da Luftwaffe em combate aéreo nos céus de uma história alternativa onde em 1946 a Alemanha nazi ainda resiste, graças à superioridade das suas armas avançadas. É nisto que reside o encanto deste livro, para os fãs de aeronáutica, o poder visualizar máquinas voadoras que não passaram de projectos recriadas pelo traço firme do ilustrador.


Richard Nolane, Maza (2013). Wunderwaffen #04: La Main Gauche du Führer. Toulon: Soleil.

A série Wunderwaffen lê-se para saber quais as aeronaves retro-futuristas e outras tecnologias secretas nazis que não saíram das pranchas dos engenheiros. Nos dois últimos volumes o destaque vai para os Focke-Wulfe Triebflügel (aeronaves bizarras com turbojactos nas pontas das asas e capazes de descolar verticalmente). A série redime-se do argumento elementar com algumas vinhetas brilhantes de aquecer o sangue destas aeronaves em combate contra B-29s e Lockheeds P-80 nos céus italianos. Quanto ao argumento em si, entramos finalmente no campo das bizarrias sobre a lendária Neue Schwabenland, a famosa (entre os círculos das teorias da conspiração) base antártica nazi que é o cerne de tantos mistérios da II guerra. Ou lendas. Pessoalmente vejo-as mais como lendas do que mistérios, mas anda por aí muito boa gente que jura a pés juntos sobre a veracidade dos haunebus, vrils, nazis sobreviventes na antártida e outras mitologias na fronteira da dúvidas sobre sanidade mental. São ideários bizarros mas divertidos, de espírito especulativo em estado puro e não contaminado por pormenores do real. Num sentido estrito são perfeitas aplicações do "e se" da ficção especulativa.


Jean-Pierre Pécau, Leo Pilipovic (2013). Le Grand Jeu #06: Antinéa. Paris: Delcourt.

Suponho que as aventuras de Nestor Serge devam agradar aos saudosistas francófonos, com esta visão alternativa de uma França ainda poderosa após o armistício que travou a II Guerra mundial na frente ocidental e que aliou o regime germânico ex-nazi às potências ocidentais contra a ameaça soviética. Algo que até foi um bem conhecido sonho do grande ditador.  Mas a série não fica nestes detalhes, que são encarados como bases de um mundo ficcional onde as bizarras teorias da terra oca são um perigoso segredo que ameaça a humanidade. As aventuras do jornalista, instigadas por uma eminence grise do Eliseu, levam-no aos recantos obscuros do planeta onde eventos misteriosos sinalizam a existência de entradas para o mundo subterrâneo. Desta vez vamos para uma Argélia ainda colónia mas com pulsões independentistas onde um massivo rochoso no deserto oculta uma civilização perdida dominada por uma milenar mulher fatal, uma de muitas variantes da Ayesha de Ridder Haggard. A série tem premissas interessantes mas o desenvolvimento narrativo arrasta-se. Edições anteriores tinham como bónus o trabalho do ilustrador a dar corpo às visões de tecnologia retro-futuristas. Nesta nem isso, embora as rainhas de reinos perdidos sejam uma boa desculpa para recuperar a iconografia do exótico selvagem das velhas histórias passadas nas profundezas das áfricas.

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