quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ficções: Legado Vermelho; Equador Morto.


Manuel Alves (2012). Legado Vermelho. Smashwords.

Um pequeno mas surpreendente conto. É admirável como Manuel Alves nos deixa a conjecturar sobre o espaço ficcional desta narrativa. Começamos por sentir que estamos num mundo plausível pós-apocalíptico, de reconstrução após hecatombes de destruição onde cientistas procuram pistas para compreender melhor os danos planetários... mas algo não bate certo com esta imagem. Alves mete alguns pormenores de fantasia, com ovos de dragão a interferir com a pureza científica da narrativa. Outros elementos remetem para um recontar da história de origem do super-homem, com um pai cientista a esforçar-se por salvar os filhos, enviado-os para o espaço e assim sobrevivendo a uma catástrofe planetária trazida não por forças tectónicas mas por formas pouco inteligentes de combate a uma praga de dragões capazes de mimetizar humanos. Só no final, com o foguete em órbita na direcção da Terra e o planeta de origem a consumir-se num mar de fogo que o deixará para sempre vermelho é que as peças do puzzle literário encaixam e ficamos a perceber o que nesta história mais nos deixa intrigados. E assim compreendemos o alcance do título deste conto inteligente, que mistura de forma muito elegante elementos de fantasia com ficção científica. O conto está disponível no Smashwords.


Manuel Alves (2013). Equador Morto. Smashwords.

O notável neste Equador Morto é, mais do que o conto em si, aquilo que intuímos do sólido mundo ficcional onde assenta. A história está bem contada e funciona como uma boa vinheta de FC militarista com toques ribofunk. Somos levados a um campo de batalha futurista onde soldados equipados com armaduras tecnológicas são chacinados por dragões. Não as criaturas míticas mas produtos de experiências biotecnológicas que alastraram e devastaram o planeta. Resta à humanidade defender-se como pode dos monstros mitológicos decantados em provetas e das mutações que alastram na zona planetária contaminada. É aqui, neste conceito bem definido onde assenta a premissa do conto, que este se transforma de mais uma história de aventuras com tecnologias futuristas numa narrativa intrigante cujos horizontes se encontram para lá do que está na página. Tudo isso suportado por uma linguagem narrativa bem ritmada, que nos leva em passo rápido ao longo da história. Percebe-se uma vontade de mesclar e homenagear hard sf militarista e o lado mitológico da fantasia épica. O conto está disponível no Smashwords.

2 comentários:

Manuel Alves disse...

Olá, Artur. :)
O Equador Morto será desenvolvido numa série (com 4 livros previstos). E o desenvolvimento do Legado Vermelho também não está fora de questão: :)

artur coelho disse...

pronto, vou juntar às minhas listas... parabéns pelo excelente trabalho literário.