sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Leituras

The Cruelty of Creationism: Fiquei estupefacto quando li que "Creationists reject not just evolution but most of the Enlightenment and pretty much all intellectual development since. Rather than celebrate the brilliance of the human mind, they disparage free thought as dangerous and sinful. Instead of extolling the virtues of creativity and imagination, they malign all unorthodox ideas as immoral and wicked. For all creationists’ insistence that evolution denigrates humanity, creationism is fundamentally anti-human, commanding us to spurn our own logic and cognition in favor of absurd sophism derived from a 3,000-year-old text." É certeiro e visceral, não poupando palavras e definindo com cruel exactidão o que vai na mente dos que pugnam por impôr as suas visões ultra-conservadoras sobre a sociedade em geral. No fundo não é salvação, é o gosto ditatorial por querer dizer a todos o que devem ou não fazer e impor uma visão do mundo com a única via correcta. E quem não gostar disso... enfim, fiquemo-nos pelas promessas de torturas eternas que isto dos esforços inquistoriais ficaram para a história. Infelizmente, devem pensar estes tipos com um sorriso misto de sádico com nostálgico, enquanto sonham com os bons velhos tempos das damas de ferro ou das rodas de evisceração. Já quanto ao artigo, certeiro, devo dizer que já foram proclamadas fatwas por menos.

An Information Age Glossary: E por falar em possíveis fatwas, desta vez proclamadas pelos technorati... o Venkatesh Rao, apesar de quase bizantino na sua argumentação sai-se com intrigantes análises da modernindade digital. Esta é certeira para qualificar muito do que se vê aí no jornalismo e cultura popular: Cargo Cult: A system embodying a false consensus that bullshit is information, based on social proof among the Clueless. Cargo cults are social forms that emerge among those who act dead collaboratively. Note-se a definição de Acting Dead: Pretending the world is less information-rich than it is, ou seja, distorcer intencionalmente a complexidade contemporânea com argumentos nostálgico-simplistas. Já esta define perfeitamente as ideologias políticas dominantes: Reality Distortion: Hiding reality temporarily behind bullshit.

Spontaneous Order: Looking Back at Neoliberalism: O que é esta coisa do neoliberalismo não é questão de resposta fácil. Ou até é, se pensarmos que não passa de uma manta de retalhos que pretende dar cobertura ideológica à rapacidade gananciosa das oligarquias institucionalizadas com a conivência de representantes eleitos corrompidos por promessas de poder e dinheiro. A corrente iteração austeritária, dominada pela alta finança, não assumiu o “people were in prison so that prices could be free” do laboratório experimental chileno e prefere o empobrecimento das massas para manter a sua liberdade de constante enriquecimento. Mas o suavizar dos óbvios crimes contra a humanidade sob o véu da eficiência, liberdade e progresso está lá, bem como o desvirtuar linguístico e conceptual que visa apropriar-se de conceitos nobres e colocá-los ao serviço de ideologias tenebrosas.

MakeVR: 3D Modeling and Printing for Everyone: Faz todo o sentido e deixa-me babado. O conceito de mesclar espaço real com virtual e o manipular de 3D como algo de físico são por demais sedutores. Fascínios à parte, pergunto-me se será de todo prático ter de imergir num espaço tridimensional com óculos de realidade virtual para criar objectos em 3D. Mas que deve ser uma experiência de puro cyberpunk, lá isso deve.

CHEAP WORDS: Uma longa mas recomendável leitura, que nos deixa a pensar em muita coisa. Primeiro, no carácter hegemónico da Amazon e na forma como em nome da conveniência nós, os utilizadores, não hesitam em sacrificar vidas e direitos sem sequer se aperceberem que o estão a fazer. O modelo de negócio é-nos impingido como uma nova revolução industrial de destruição criativa, mas ao contrário das anteriores épocas transformativas nada nasce das cinzas da terra queimada deixada por esta forma de capitalismo predatório. É fácil e conveniente comprar na Amazon, mas por detrás dos preços atractivos há uma longa lista de atropelos que vão da desumanização dos empregados à extorsão das margens de lucro de produtores e criadores por uma entidade que se tornou dominante. É que o argumento de que se o automóvel deu cabo dos construtores de carroças mas gerou novas formas de trabalho não está a pegar nesta era da revolução digital. Sim, há novas formas mas não estão a ser suficientes para substituir o que desaparece, tornando esta revolução pós-industrial perigosamente darwinista. Este artigo olha com mais atenção para os livros e para as transformações que o gigante do comércio online impôs ao meio, na prática um pau de dois bicos porque se facilita o acesso ao livro também complica a sua sobrevivência como substrato cultural. O artigo explica melhor do que eu os prós e contras do método amazon, de maneira que fico com uma só reflexão: se é conveniente e útil ter um distribuidor à escala global que facilita o acesso aos livros, o risco de esse distribuidor se tornar excessivamente dominante ultrapassa os limites do comércio e entra nos campos mais turvos das censuras.

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