sábado, 4 de janeiro de 2014

Fumetti: Dragonero, Il Sangue Del Drago; BD: Lady Spitfire, Une Pour Tous e Tous Pour Elle.


Luca Enoch, Stefano Vietti (2013). Dragonero #01: Il Sangue Del Drago. Milão: Sergio Bonelli Editore S.P.A..

Uma boa surpresa, e inesperada tendo em conta a facilidade com que os fumettis da Bonelli depressa decaem no banal. Este primeiro volume de Dragonero quer claramente mostrar vislumbres de um vasto mundo de fantasia épica. Tão vasto que não cabe nas páginas desta história feita de flashbacks e aventuras. O nível de acção é frenético, o que agradará aos fãs do género. As intrigas palacianas, entre guildas ou entre tiranetes locais dão o mote às aventuras do homem que ganhou poderes depois de tomar sangue de dragão e aos seus companheiros, agentes secretos do império.

A estrutura é típica deste género narrativo, com um herói acompanhado por personagens secundários importantes. Neste, o Dragonero homónimo tem como fieis seguidores um orc inteligente, uma elfa juvenil e uma tecnóloga. Este é um dos pormenores mais intrigantes da série. Se o mundo é de magias e fantasia há uma guilda que se dedica à tecnologia, e não estamos a fala de engenhos de madeira e mecanismos de relógio. A coisa envolve retortas e bicos de bunsen, o que leva a suspeitar que o mundo de Dragonero não seja um passado mítico.

Esta primeira aventura começa em grande ritmo, com os agentes do império a investigar um caso na maior cidade de Ernondàr. São interrompidos por uma espia quase ninja que, na sua fuga, despoleta uma granada que lhe é fatal. Ao ver a espia a ser consumida por um fogo que nem as águas apagam Dragonero recorda-se do seu primeiro recontro com esta tecnologia, numa missão passada num reino distante, governado por um déspota untuoso de orgulho desmedido.

Se a história está bem contada, utilizando bem as premissas do género, visualmente este Dragonero também deslumbra. A high fantasy é uma excelente desculpa para mestria visual realista e este título não é excepção. Preparem-se para paisagens de tirar o fôlego, fantásticas urbes de sonho e batalhas épicas.


Sebastian Latour, Maza (2013). Lady Spitfire T03: Une Pour Tous e Tous Pour Elle. Paris: Delcourt.

Assim terminam as aventuras da heroína francesa que se disfarça de homem para lutar como piloto de spitfires na batalha de Inglaterra, com a conivência dos companheiros de esquadrão. O estratagema nunca poderia durar muito e a chegada de um novo piloto, um convencido de sangue aristocrata, vem desestabilizar de vez a vida dos pilotos. Para se despedir em grande estilo Lady Spitfire decide partir numa missão de alto risco. Aos comandos de um Me109 capturado infiltra-se numa vaga de ataque da Luftwaffe para ajudar os companheiros a atacar e destruir os caças e bombardeiros que ameaçam Londres. É nesta cidade que tudo termina, com duelos aéreos sobre o rio e um final que promete continuidades.

Num álbum destes a história tem a sua importância, mas é a ilustração aeronáutica que cativa os leitores que à partida são mais fãs de aviões do que de banda desenhada. Maza não desilude, com empolgantes cenas aéreas recriadas com precisão e atenção aos detalhes.

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