sábado, 3 de agosto de 2013

L'Astronave Pirata
















Em 1968 Guido Crepax criou L'Astronave Pirata, obra de ficção científica onde o seu elegante e langoroso traço de toque decadente ilustra uma visão surreal das aventuras no espaço. Estranha-se ver fatos de astronautas estilizados como pesadas armaduras medievas ou elegantes fatos da nobreza, completos com rendilhados e folhos, mas no estilismo muito próprio de Crepax acaba por fazer sentido. Não é uma visão hiper-tecnológica de um futuro de aventuras no espaço. É space opera com ênfase no barroquismo dos adereços da opera clássica. Esta é uma sensibilidade onírica que tem pouco a ver com os sonhos tecnológicos da Ficção Científica. O espaço é uma projecção dos périplos históricos dos descobridores em busca do exotismo de diferentes civilizações e as paisagens alienígenas sonhadas por Crepax têm mais a ver com as especulações renascentistas sobre as bizarras criaturas e estranhas arquitecturas que se encontrariam naqueles locais assinalados com vazios nos mapas do que com a pureza austera da ciência. O livro abunda de ilustrações deslumbrantes, reflectindo as aventuras no espaço sob uma sensibilidade onírica de inspiração visual barroca.

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