terça-feira, 4 de junho de 2013

Milady Nel 3000



Magnus (1986). Milady Nel 3000. Bruxelas: Ansaldi.

Um deslumbre de álbum. O traço do ilustrador Magnus (Roberto Raviola) transforma histórias levemente surreais de ficção científica em pranchas visualmente espantosas. Originalmente publicadas em cinco histórias curtas para a revista Il Mago, as aventuras de Milady em conjunto não fazem sentido como narrativa continuada. Cada pequena narrativa mergulha-nos numa das muitas aventuras de Milady, agente secreta, aristocrata e oficial de um vasto império galáctico. Acompanhada do seu fiel andróide electro-químico, assassina inimigos do império, explora as vastidões galácticas, derrota piratas espaciais e envolve-se em intrigas palacianas. São historias curtas mas de largas vistas, a remeter para a melhor space opera.



Tudo é ilustrado num esquema de cores sombrio, forte e surreal, onde abundam contrastes e tonalidades escuras. O traço é espantoso, com uma inspiração visual que mistura o estilismo do vestuário chinês, composição pictórica japonesa, sensibilidade arte nova e um sentido muito pessoal de futurismo exótico. Cruzamento entre o exotismo do traço de Alex Raymond em Flash Gordon, tradição pictórica decorativa da arte nova e combinações surrealistas de cores de Magritte, Milady 3000 alia ficção científica sonhadora a uma fortíssima sensibilidades estética.

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