quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Objectificar o Virtual



Num destes dias um aluno perguntou se aqueles modelos que aprendeu a criar no Doga L3 poderiam ser impressos numa daquelas impressoras 3D que mostrei no início das aulas de TIC. Sim, claro, disse-lhe, se bem que o processo não seria automático, envolvendo conversões de formatos nativos ou VRML para OBJ e STL com limpeza de faces e vértices. "Eu podia fazer no (inserir programa aqui) e depois imprimir", disse. Pois. Num futuro próximo as crianças vão poder desenhar os seus brinquedos e imprimi-los em 3D.

"Today, schoolchildren learn how to use PowerPoint and Excel as part of their computer class, and they still learn to draw and sculpt in art class. But think how much better it would be if they could choose a third option: design class. Imagine a course where kids would learn to use free 3-D CAD tools such as Sketchup or Autodesk 123D. Some would design buildings and fantastic structures, much as they sketch in their notebooks already. Others would create elaborate videogame levels with landscapes and vehicles. And yet others would invent machines.

Even better, imagine if each design classroom had a few 3-D printers or a laser cutter. All those desktop design tools have a “Make” menu item. Kids could actually fabricate what they have drawn onscreen. Just consider what it would mean to them to hold something they dreamed up. This is how a generation of Makers will be created. This is how the next wave of manufacturing entrepreneurs will be born." (p. 106)

Cortesia do inconsciente colectivo, esse conceito jungiano que coloca o pulso naquela sensação que andam ideias no ar e que parecem surgir em sintonia, dou com dois parágrafos estimulantes de Chris Anderson no Makers. Leio, e penso: na minha sala de aula só falta a impressora 3D. Mesmo. Já é normal o resto, aprender os conceitos e construir em diferente programas.

"Today, with the spread of desktop fabrication tools, a generation of amateurs is also being suddenly confronted with the baffling language and techniques of professional industrial design, just as they were in the desktop publishing era. Now it’s not wraparound text and line justification, but “meshes” and “G-code,” “rasters” and “feedrates.” Don’t worry—you’ll know what you need to soon enough, and someday kids will be taught these skills in fifth-grade digital fabrication class." (p. 114)

A capacidade de ter equipamentos que permitam criar objectos tridimensionais na nossa secretária é algo de revolucionário. Arrancou com os Fablabs e começa a chegar ao mercado com o makerbot e similares, que utilizam o modelo de crowdfunding para se financiarem. Com preços entre os 2000 e 3000 dólares ainda são caros para o padrão da electrónica de consumo mas como em tudo a pressão da progressiva disponibilização de modelos com a vontade dos utilizadores vai diminuir os preços e facilitar a acessibilidade destas tecnologias. Tempos houve em que uma impressora era uma raridade cara, e agora custa uma ninharia nas lojas de informática de consumo. Começo a partilhar a opinião que a impressão 3D vai redefinir a economia num futuro próximo.

Estão a ver a imagem que ilustra este post? Foi criada como primeira experiência de uma aluna no Doga L3. Imaginem o delírio que seria se depois da criação virtual se fosse capaz de imprimir este objecto em plena sala de aula. Concretizar o virtual, dar corpo táctil aos dados binários. Em breve, talvez, em breve...

Chris Anderson (2012). Makers: The New Industrial Revolution. Nova Iorque: Crown Business

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