segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Makers


Chris Anderson (2012). Makers: The New Industrial Revolution. Nova Iorque: Crown Business

Chris Anderson excede-se muito no tom optimista deste Makers. O que começa por ser uma visão abrangente do potencial da impressão em 3D arrasta-se para uma elegia rosada da nova economia onde as fronteiras entre amadores e profissionais se esbatem e pequenas organizações inovadoras conquistam interessantes nichos de mercado. São factos, mas tornam o livro demasiado superficial e centrado num optimismo financeiro e tecnológico. Não ajuda o facto do autor ser criador e investidor em parte das empresas cujo perfil traça.

Anderson tem o dedo naquilo que é o princípio de uma avalanche tecnológica transformativa. A combinação entre comunidades e partilha através da internet, o gosto pela criação técnica e a cada vez maior disponibilidade de materiais e ferramentas de software e hardware com custos em diminuição têm o potencial de revolucionar o conceito clássico de indústria. O modelo tradicional das fábricas e linhas de abastecimento está a ser complementado e desafiado por aqueles que nas suas garagens e ateliers constroem protótipos, criam produtos e desenvolvem tecnologias baseadas em plataformas open source. Num certo sentido, é um retorno às raízes locais de manufactura industrial possibilitada por ferramentas de alta tecnologia.

Uma tecnologia em particular está a destacar-se pelo seu potencial e iminência de abrangência ao grande público. A impressão em 3D saiu dos laboratórios, instalou-se nos ateliers e oficinas e ameaça chegar a todos os utilizadores. Pode parecer prematuro prever uma taxa de penetração destes equipamentos similar à das impressoras hoje, mas a comparação feita por Anderson é convicente. Hoje, uma impressora de documentos é barata e fácil de encontrar, possibilitando a quem o quiser imprimir em papel. Coisa mágica, se pensarmos que não há tanto tempo assim a impressão era domínio de técnicos especializados e maquinaria pesada. A adição da terceira dimensão já está aí e são cad a vez mais os exemplos de utilizadores que pegam nas suas impressoras 3D e software de CAD para usos que vão da impressão de brinquedos para os filhos à impressão de peças mecânicas caras ou raras. O mercado já está a prestar atenção. Sucedem-se os projectos de disponibilização de impressoras 3D a custos cada vez menores (se bem que ainda substanciais) e gigantes do software apostam em versões gratuitas de aplicações e pacotes de CAD a pensar na explosão do mercado de utilizadores pessoais. Nisto a Autodesk destaca-se com aplicações como a 123D ou 123DCatch, que democratizam o processo de modelação 3D e transformação num objecto real.

É intrigante observar esta explosão tecnológica, comparável às vagas iniciais da internet ou da computação pessoal. O fascínio humano pelo objecto físico encontra no virtual uma nova dimensão, e a possibilidade de concretização física do virtual abre novos e intrigantes campos de actuação. Num futuro muito próximo, será possível a qualquer um imprimir peças mecânicas, objectos artísticos, brinquedos, enfim, tudo o que a imaginação e o domínio de ferramentas de CAD e modelação 3D lhe permtir.

(Nota: iniciei as aulas este ano mostrando vídeos sobre tópicos bleeding edge das tic, entre os quais impressão 3D. Agora, os meus alunos começam a perguntar-me se os objectos que estão a aprender a modelar em 3D utilizando aplicações como o Sketchup poderiam ser impressos. Intrigante.)

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