domingo, 19 de abril de 2026

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ASSIGNMENT: OUTER SPACE (1960): Clássicos. 

5223) Wells e o mundo do futuro (26.2.2026): De facto, há um paralelo entre os Eloi e as crianças sobreprotegidas que abundam nos dias de hoje. 

La foto más aterradora de internet no tiene monstruo, no tiene historia y no se sabe quién la hizo: las Backrooms llegan al cine: O horror dos espaços vazios de industrialidade moderna, as backrooms alimentam curiosos e algo surreais vídeos e creepypasta. No cinema a coisa não deve funcionar tão bem, porque o que torna a estética dos backrooms tão interessante é a quasi-ausência de momentos de horror clássico, é mais a versão digital daquela impressão arrepiante que todos sentimos quando estamos isolados num local vazio a horas impróprias. 

Absolute Superman Vol.1: Last Dust of Krypton: Acompanhei a série, e foi de facto uma interessante variante sobre a iconografia deste personagem. 

Five Lesser-Known Books by Sci Fi Greats, recommended by Sylvia Bishop: Serem livros menos conhecidos não significa que sejam obras menores, recordam-nos que os autores que admiramos tiveram carreiras que vão além das suas obras seminais. 

«Cosmic Horror Music», de Bruno Bizarro: Música ambiental para criar arrepios. 

Sobre a perda, sobre a obra e o autor, e sobre Hyperion e The Fall of Hyperion: Separar o admirar a obra das personalidades por vezes muito repelentes dos seus criadores será sempre uma questão complexa. 

Capas WTF: ALF #48: Metam "que raio de coisa é esta" nisto. Ou mais tabaco.

Historical Novels Based on True Stories, recommended by Emily Howes: Quando os factos influenciam a boa ficção.


BYTE, September 1979, cover art by Robert Tinney.: Computação dura. 

Google leva Nano Banana para o Google Maps: Esta é daquelas coisas que se lê e pensa, para quê, mas para quê? O google maps serve para nos levar aos sítios, e não faz qualquer sentido incorporar geração de imagens aqui. Ainda por cima, imaginem as consequências de imagens geradas por IA, que nos mostram os sítios tal e qual como eles não são. 

What’s the Point of School When AI Can Do Your Homework?: Uma das coisas que a IA generativa veio colocar a nu foi a visão transacional que a maioria das pessoas tem sobre a educação - ir para a escola não serve para aprender e melhorar as suas capacidades, mas apenas para obter o canudo. E todo o trabalho que se tem de fazer para isso, é desenrascado com o mínimo esforço. Isto não é novidade, recordo muito bem os meus tempos de estudante no superior, onde grande parte dos meus colegas tinham esta exata atitude. Para os humanistas e teóricos da educação, é um desalento, porque sempre se afirma a Escola como humanizadora, potenciadora das capacidades individuais, o local onde  podemos ir mais longe, mas a grande maioria do que estão neste sistemas não querem saber disso, querem apenas passar o tempo até chegar ao fim e obter a certificação obrigatória ou desejada. E, apesar de todas as boas intenções e belos discursos, isto é uma visão socialmente aceite: "Universities…by and large adopted a transactive model of education,” Kirschenbaum said. “Students see their diploma as a credential. They pay tuition and at the end of four years, sometimes five years, they receive the credential and, in theory at least, that is then the springboard to economic stability and prosperity.”". 

Los «juegos de guerra» gestionados con IA recomiendan un ataque nuclear el 95 por ciento de las veces: Sem grande surpresa. Se o objetivo é ganhar e depressa, maximizando os danos infligidos ao inimigo, faz sentido que um algoritmo desprovido de emoção siga a lógica da premissa até ao fim. A lição a tirar daqui não é que as IAs se comportam como skynets, mas perceber que o risco de deixar decisões nas mãos de algoritmos que apenas seguem os caminhos mais lógicas pode ter consequências trágicas. 

Burger King Adding AI to Employees’ Headsets to Constantly Monitor Whether They’re Being Friendly Enough: Pergunto-me se quem tem estas ideias tem o cérebro a funcionar como deve de ser. Para lá de invasivo, isto é sintomático da despersonalização extrema dos empregados no local de trabalho. 

Anthropic Takes a Stand: E pronto, chegámos a isto - um responsável político militar a querer obrigar uma empresa de IA a retirar salvaguardas, para a usar com fins letais. Uma atitude muito preocupante a vários níveis, e que mostra bem a absoluta falta de escrúpulos dos neofachos que infestam o governo americano. 

The AI Arms Race Joins Forces With the Literal Arms Race, Fueling $348 Trillion in Debt: Não, não estamos a falar de IA de combate, mas sim do peso excessivo da IA na economia, com um fortíssimo endividamento sem haver um horizonte claro de retornos financeiros. 

I Am a 15-year-old Girl. Let Me Show You the Vile Misogyny That Confronts Me on Social Media Every Day: Se há algo que têm mesmo de ler, que seja isto. A visão é inglesa, mas por cá nãp é diferente. O impacto negativo das redes sociais sobre as raparigas é fortíssimo, com o amplificar da mais repelente misoginia. E não é muito diferente no mundo adulto, observo eu ao ver grupos de redes sociais a falar das "fêmeas" de forma acintosa (só o uso do termo é logo uma enorme red flag), ou os infames grupos de whatsapp onde os mais simpáticos homens, aqueles que sempre foram boas pessoas, partilham e comentam imagens e vídeos impróprios, muitas vezes das suas próprias companheiras, tiradas sem consentimento ou conhecimento (pudera, iriam logo para o divórcio, com passagem na queixa-crime). Esta misoginia é prevalente e nas idades mais jovens, com menos filtros sociais e menor capacidade de disfarce de emoções, em ebulição. Note-se que faz parte do ser homem um assumir da sexualização feminina, é natural que cada um de nós reaja perante elementos do sexo oposto. Confesso, quando interajo social ou profissionalmente com mulheres, nem todos os meus pensamentos são castos, e também sou culpado da chamada conversa de balneário entre colegas, onde se fantasia sobre as qualidades de atração sexual de mulheres com que nos cruzamos. Pode deixar-vos chocados, mas creio que isto é inerente e normal à condição masculina. O que não é normal, nem nunca foi, é a desumanização da mulher, e a incapacidade ou até gozo em comentar atributos. Na vida física, é uma lição muito óbvia, do errado que é ser rebarbado e o quão insultuoso é o mais elementar comentário de cariz sexual. Na virtual, os filtros caem e há um certo orgulho em deita cá para fora os piores vitupérios. É um clima generalizado e tóxico. Agora, se estão a pensar que as restrições às redes sociais serão a panaceia que resolverá este problema e devolverá os adolescentes à inocência (que nunca, jamais, os adolescentes tiveram), o melhor é tirar o cavalinho da chuva. A misoginia e masculinidade tóxica nos instagrams e tiktoks é pálida face ao que se passa via mensagens instantâneas e outros sistemas, menos visíveis para o mundo adulto, para os quais os jovens inevitavelmente migrarão. Confesso, por vezes deparo-me com alunos aos quais me dá forte vontade de deixar cair filtros e dizer-lhes, na cara, que a forma como concebem a sexualidade e tratam as raparigas vai garantir-lhes um futuro em que as suas relações eróticas mais significativas se passem com as suas mãos direitas, dado que nenhuma mulher em são juízo está para aturar estas parvoíces. As pulsões existem e são naturais, o problema é esta amplificação artificial trazida pela cultura digital da misoginia, masculinidade tóxica e proliferação da pornografia, que incentiva as atitudes e comportamentos mais degradantes. 

BMW Group to deploy humanoid robots in production in Germany for the first time: Confesso que não percebo bem a obsessão por colocar robots humanoides nas fábricas (exceto, talvez, para dar corpo aos sonhos húmidos dos gestores de não ter de lidar com essa coisa fedorenta que são os operários). A combinação de máquinas especializadas faz mais sentido, de acordo com que leio e investigo sobre robótica. 

Wait—Laser Guns Are Real Now?: Bem, como colocar a questão? Sim, e já há bastante tempo. Não são as rayguns da FC clássica ou os turboblasters de star wars, mas os lasers já há muito que têm utilização na defesa. 

OpenAI strikes a deal with the Defense Department to deploy its AI models: Nesta história do uso militar forçado pelo pentágono, há quem tenha a decência de o recusar. Note-se que a Google nem fala no assunto embora as suas ferramentas sejam usadas, e a Open AI (sem grande surpresa, dada a sociopatia do seu CEO) vai com tudo e em força. 

How Meta Executives Talked About Child Safety Behind the Scenes: Se acham que o problema das redes sociais, crianças e adolescentes está nos utilizadores, leiam este artigo. E percebem: o desprezo dos gestores das redes sociais pelo bem estar dos seus utilizadores, em especial dos mais vulneráveis, é abissal. Para lá dos algoritmos explicitamente desenvolvidos para viciar, da ênfase na desinformação e discurso acintoso para garantir interesse, temos também a recusa em colocar salvaguardas de proteção de crianças e adolescentes por temer os impactos que teriam nos resultados financeiros. O problema, caros, não são os telemóveis. São estas empresas. 

We don’t have to have unsupervised killer robots: Deveras, mas suspeito que a cupidez das grandes empresas da robótica e IA, aliada à óbvia sociopatia dos seus gestores, não siga estes caminhos. 

Letting Machines Decide What Matters: Aplicar as capacidades analíticas dos LLMs às vastas quantidades de dados gerados pelas experiências da física de ponta.

AI vs. the pentagon: Desenganem-se se acham que o problema da Anthropic vs. Pentágono é algum cenário tipo exterminador implacável. As coisas são menos feéricas, e mais graves. Por um lado, há que notar que o Pentágono tem usado extensivamente estas ferramentas, quer as desta empresa, quer as de outras. O que fundamentalmente se passa tem a ver com a vontade de domar o setor privado aos impulsos de decisores politicos, não por escrutínio democrático, mas para levar em diante o que bem querem e lhes apetece. É um óbvio resvalo autoritário, e é aí que reside o cerne do problema.

Watershed Moment for AI–Human Collaboration in Math: Em resumo, a capacidade analítica de modelos de IA dedicados aplicada à verificação de soluções complexas. 

Pluralistic: No one wants to read your AI slop: Essencialmente, isto: "That is a fatal flaw in the idea that we will increase our productivity by asking chatbots to summarize things we don't understand: by definition, if we don't understand a subject, then we won't be qualified to evaluate the summary, either." Que é a mais sintética e direta desmontagem da falácia da sabedoria induzida pelo uso de IA que já li. É algo de óbvio, para quem usa a IA de forma consciente, que se amplifica o que conseguimos fazer, não nos torna automaticamente conhecedores. 

How Electrical Engineers Fight a War: Na guerra moderna, não há profissões imunes ao combate, especialmente se lidam com infraestruturas essenciais sob ataque constante. 

Meta Workers Say They’re Seeing Disturbing Things Through Users’ Smart Glasses: Sou só eu a pensar porque raios as capturas de vídeo tiradas por óculo inteligentes têm de ser enviadas para a Meta? Para além dos óbvios problemas de privacidade diretamente advindos do uso destes dispositivos, ainda há que contar com envio dos vídeos e imagens para serem usados nem se sabe bem para quê pela Meta.


The Secret Empire: Curiosas aeronaves. 

Alguien va a tener que dar explicaciones en España: una tienda de motos no solo vendía cascos, también material para los Eurofighter: Vá, é animador ver que a corrupção intermédia de baixo nível de inteligência não acontece só por cá. 

Enough With the Bros: Mas, sejamos honestos - os bros, quer sejam tech, culturais, da moda ou apenas bros, são verdadeiramente insuportáveis. 

Humans Sketched Oddly Precise Geometric Patterns Onto Ostrich Eggs 60,000 Years Ago: Geometrias euclidianas avant la lettre. 

Where Have All the UFOs, Yeti, Demons, and Ghosts Gone?: Sem grande surpresa, numa era onde abundam lentes, as evidências da existência de criaturas míticas continuam inexistentes. É mais uma coisa que a tecnologia veio estragar. 

España y Portugal se han aliado para lanzar satélites con una misión: monitorizar catástrofes en tiempo real: Notícias que não lemos nos jornais ou vemos nos telejornais - um consórcio ibérico ligado ao espaço que junta tecnologia e conhecimento português e espanhol. 

Surviving on Trump's Dangerous Planet: Como escapar às guerras pelo controle da energia petrolífera que os fachos trompistas andam a atear em zonas críticas? Apostar em recursos energéticos renováveis. O sol e o vento resistem a embargos, e a natureza distribuída da sua produção torna-os mais resilientes a ataques militares. Este violento canto  de cisne da indústria petrolífera (um dos sustentáculos de Trump) é lamentável e desolador, mas não tem de ser inevitável. 

La turbia historia de Fanta: el bloqueo de ingredientes a la Alemania nazi llevó a Coca Cola a tirar de suero y pulpa de manzana: Confesso que não imaginava que a história da Fanta estivesse ligada à II Guerra Mundial. 

Bridgebuilders and Historians Turned Metal Into Myth: A iconografia, estética e impacto cultural de uma técnica de construção. 

El futuro de la defensa aérea europea pasa por KFS: el nuevo caza que Suecia prepara es un "avión de aviones": Nestas andanças das geopolíticas europeias, é interessante ver o papel ambicioso que a sueca Saab está a assumir no ecossistema industrial militar europeu. Enquanto os projetos transeuropeus ou se arrastam, ou falham, como o FCAS (por birra da Dassault, note-se), esta empresa sueca tem ao mesmo tempo um historial de excelência e capacidade industrial, muita experiência no desenvolvimento de aeronaves avançadas e a custos muito inferiores dos das empresas mais tradicionais. Ou seja, num quadro em que a Europa tem mesmo de desenvolver alternativas credíveis, é a Saab que parece mais bem posicionada para o fazer, apesar das grandiosas declarações de intenções de países e consórcios mais tradicionais. 

America’s Invaluable Ally: De um ponto de vista estritamente militar, há que admirar a capacidade e criatividade dos israelitas, quer em termos de guerra convencional quer de operações secretas. São capazes de operações arrsicadas mas bem sucedidas, e a sua visão tática é ímpar. Claro, toda esta capacidade está ao serviço de genocidas e a sociopatia dos responsáveis é clara. Como escrevi, é admirável de um ponto de vista estritamente militar, não, como é óbvio, dos pontos de vista legais e sociais. Mas há uma lição que nós, nas democracias ocidentais, deveríamos reter: a clara implacabilidade com que os israelitas se defendem.

Nimas, Ideal e Cinemateca: os últimos “palácios” que desafiam a morte do cinema em Lisboa: Não sei se o cinema estará a morrer, mas como experiência de massas, diria que isso já aconteceu. As massas viraram-se para o sofá e o conforto dos serviços de streaming. Haverá sempre uma imensa minoria que continua a apreciar o ritual de ver cinema, mas essa é uma minoria que não liga ao mainstream e também não tem por cá muitos espaços com programação atrativa. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Pretty Guardian Sailor Moon: Livro 1


Naoko Takeuchi (2025). Pretty Guardian Sailor Moon: Livro 1. Lisboa: Distrito Manga. 

Não é bem o tipo de leitura que se ajusta ao meu género, idade e gostos literários, mas confesso uma certa atração nostálgica em conhecer  o porquê do sucesso iconográfico desta série. Perante esta edição portuguesa do mangá, arrisquei a leitura, e dei por mim mergulhado num mundo puramente infanto-juvenil. A história é simplista, como não poderia deixar de ser, e mostra-nos o encontro da aparentemente fraca e apagada adolescente Usagi Tsukino com a gata falante Luna, que a irá dotar de poderes que a transformam na Sailor Moon e combater o mal, incorporado numa rainha perversa que busca capturar um cristal que lhe permitirá dominar a humanidade. A adolescente irá encontrar, graças ao esforço da gata, outras companheiras de luta, e deparar-se-á com um misterioso e sedutor jovem de smoking, presença ambígua (e óbvio simbolismo para o despertar da sexualidade adolescente) que não se sabe bem se será aliado ou inimigo. 

Fica a referência e o conhecimento da origem desta personagem, e diga-se que fiquei a perceber o fascínio pela iconografia da série - as cenas onde as adolescentes se transformam em sailors são um primor do barroquismo manga, e só lamento que estejam a preto e branco, numa versão a cores suspeito que seria algo muito mais esplendoroso. É uma leitura divertida e simplista, e compreende-se a aura da série por este primeiro volume.

terça-feira, 14 de abril de 2026

We are Legion (We are Bob)


Dennis Taylor (2016)- We are Legion (We are Bob). Worldbuilders Press.

Não me atreveria a dizer que este foi dos livros com escrita mais elegante que li nos últimos tempos, mas lá que foi divertido e interessante, foi. A escrita é escorrida e dinâmica, em modo contação de história. Lê-se e entretém, mantendo-nos agarrados às páginas. Mas não é isso que torna este livro interessante. É uma space opera no sentido clássico do termo, cheio de acenos à cultura geek, mas consegue manter a frescura de trazer algo novo e não um mero replicar de tropes estafadas.

A aventura do livro começa num futuro próximo, quando o inteligente e algo irreverente milionário que prefere ser tratado por Bob decide criopreservar-se. Acorda num futuro mais distante, onde as coisas não correram muito bem. Descobre-se como virtualização consciente a ser testada para garantir a capacidade e conformidade ao serviço do governo que o despertou. Conformidade é o termo certo, neste futuro a américa dissolveu-se numa teocracia fundamentalista cristã, em constante competição contra as potências europeias, chinesa e brasileira. A missão deste Bob digital é a de espalhar a boa nova da palavra divina no espaço, como cérebro controlador de um novo tipo de nave exploradora - uma matriz robótica com capacidades autoreplicadoras de máquina de von Neumann. Isto, claro, se sobreviver aos testes que atestam a fidelidade da sua fé.

Claro está que a sua sagacidade ultrapassará o zelo dos zelotas, e claro está, também, que os teocratas não são os únicos a desenvolver esta tecnologia. Todos os blocos investem, porque sabem que é a chave para abrir os recursos do espaço e, com isso, garantir a sua supremacia. Uma competição que não é isenta de sabotagens e culmina numa guerra termonuclear que quase extingue a humanidade. 

Entretanto o Bob original, lançado ao espaço, faz uso das suas capacidades para se libertar dos grilhões do software teocrata. Terá de enfrentar a ameaça de sondas brasileiras também tripuladas pelo simulacro inteligente de um dogmático militar que é incapaz de compreender que após uma troca de ogivas nucleares já não há guerra que valha a pena ser mantida. Bob expande-se pelo espaço, aproveitando os recursos dos sistemas solares que visita para construir réplicas de si próprio, que irão elas próprias espalhar-se para horizontes onde ninguém jamais foi. 

Alguns regressam à Terra, para ajudar os punhados de sobreviventes a evitar a extinção e tripular naves coloniais que os levarão a planetas habitáveis descobertos por outros Bobs. Todos entidades conscientes, similares ao seu progenitor mas com identidades muito próprias. Outros ainda deparam-se com proto-civilizações alienígenas, que irão auxiliar a desenvolver.

Este Bobiverso é em simultâneo divertido e de leitura leve, mas atreve-se a tocar a fundo em tropes clássicas da Space Opera. A sua leveza disfarça a amargura dos nossos tempos contemporâneos, com a política a arrastar-nos para abismos que julgávamos terem sido ultrapassados, numa premissa ficcional que extrapola o nosso corrente momento histórico. O constante saltar entre pontos de vista de diferentes Bobs permite um emaranhado de linhas narrativas. Tanto acompanhamos o explorar de novos sistemas como os dilemas da sobrevivência, alternada com ação pura na defesa e caça aos brasileiros, e atrevendo-se a entrar nas narrativas de contacto com alienígenas, entre civilizações primitivas e artefactos inteligentes que apontam para formas de vida mais avançada. Leve e divertido, mas nem por isso pouco substancial.

Comics: Wolverine and Kitty Pryde; Em busca da Pedra Zodiacal; Demoni e silicio


Chris Claremont, Damian Couceiro (2025). Wolverine and Kitty Pryde. Nova Iorque: Marvel.

Nem sempre é bom regressar ao passado. Claremont foi um argumentista de charneira, responsável por ter tornado os X-Men em personagens de sucesso, mas o que lá vai, lá vai. Aqui regressa a uma das suas sagas clássicas, em modo de prequela. Com aquela inspiração tão final dos anos 80 com a cultura japonesa clássica, que levou Wolverine ao Japão, reinventou a frágil adolescente Kitty Pryde numa algo sombria personagem, através de uma daquelas suas típicas narrativas convolutas que envolveu o domínio mental por parte de um sensei malévolo. Neste regresso, Claremont coloca-se entre o ponto final dessa saga e a restante continuidade da personagem, com uma bizarra e explosiva aventura que consegue cruzar samurais míticos e sentinelas superinteligentes. Um regresso explosivo, mas de sabor oco, a mostrar que o brilhantismo clássico ficou no passado (e merece ser revisitado), mas não consegue ser replicado.


Bruno Sarda (1990). Em busca da Pedra Zodiacal. Lisboa: Abril Controljornal.

Regressar à infância? Nem por isso. Cresci com estas bandas desenhadas, mas no formato americano, e as aventuras simplistas que me ocuparam tempos livres na infância são vagas memórias, sem que me tenha apercebido do significado de, por exemplo, Carl Barks. Só mais tarde descobri a outra Disney, a dos desenhadores e argumentistas italianos que ao meu olhar adulto, trouxeram uma curiosa voluptuosidade ao estilo gráfico uniformizado da Disney. De vez em quando sabe bem revisitar este estilismo, para redescobrir uma inusitada elegância num tipo de banda desenhada que foi concebida unicamente para consumo rápido, mas onde os artistas que nela trabalharam conseguiram dotar de um cariz próprio, indo um pouco além do estereótipo esperado.


David Rigamonti, Ivan Calcaterra (2016). Dylan Dog - I colori della paura n. 47: Demoni e silicio. Milão: Bonelli.

Como é que se cria um crossover entre o futurismo de Nathan Never e o momento presente de Dylan Dog? Esta curiosa aventura do investigador dos pesadelos mostra bem como. Estamos no futuro, onde o lendário agente principal da Agência Alfa está a lutar contra um temível e aparentemente insolúvel ataque informático. A resposta encontra-se nas ruínas de uma casa londrina, nas páginas de um diário onde estão as crónicas das aventuras de uma lenda do passado. A partir desse diário, os cientistas da agência Alfa recriam Dylan Dog como uma entidade virtual consciente, que se juntará a Never para combater um demónio no ciberespaço.

Confesso que Nathan Never é personagem que não me despertou as simpatias, apesar de estar no campo da ficção científica, é o tipo de herói infalível de queixo bem modelado em aventuras com final feliz. Dylan Dog, com as suas incertezas e inseguranças, está-lhe no espectro oposto.

domingo, 12 de abril de 2026

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The Duplicated Man: Sonhos clássicos. 

Eight more science fiction and fantasy books to check out this February: Novas leituras de FC para iniciar o ano. Os focos estão principalmente nas alterações climáticas, vida digital e FC social. 

5222) Cinema e realismo (19.2.2026): Parte do encanto dos efeitos especiais é o seu irrealismo. A fidelidade completa ao real nas representações raramente é interessante. 

Books Being Made into Movies in 2026, selected by Five Books: Bem, destes livros adaptados ao cinema Wuthering Heights é quase um insulto intelectual (a sério, basta o trailer) e teme-se o pior pela visão Nolanista de Homero. Não poderá ser pior do que a versão Brad "Achilles" Pitt last action hero na antiguidade de Oliver Stone, espero, pelo menos. 

Como a Era de Ouro da Ficção Científica começou: Os primórdios da era que definiu a ficção científica enquanto força cultural. 

Hora do Bolo (2): Boas sonoridades. 

The Greek Mythology Family Tree, Explained: Isto não é bem uma árvore, é mais uma floresta. 

As muitas possibilidades de Death of the Author: Análise a um dos mais recentes romances de uma das vozes mais importantes da FC contemporânea. 

Coisas Ruins – João Zamith: O livro despertou-me alguma curiosidade, mas a leitura desta recensão esfriou um pouco a sensação. 


John Enright: Apocalipses. 

A Guide to Which AI to Use in the Agentic Era: Confesso que tenho um problema conceptual com os agentes de IA. Prometem trazer as capacidades da IA para uma enorme diversidade de tarefas, mas quando olho para elas, são essencialmente de gestão e administração. Algo que, felizmente, faz pouco sentido no meu dia a dia, dedicado como estou à educação, criatividade digital e literaturas. Mas aposto que para pessoas mais cinzentas, daquelas que passam os dias mergulhadas em relatórios e contas, estes aceleradores de capacidade são um verdadeiro maná. De todas estas ferramentas, uma faz imenso sentido para mim - a capacidade de encontrar pontes conceptuais entre diferentes fontes documentais que o Notebook LM tem. 

The Price of initiative just collapsed: Algumas notas interessantes a reter, aqui. Primeiro, a comparação com a leitura - de facto, haver livros não chega, há que garantir que as pessoas sabem ler para realmente essa tecnologia dar frutos. O mesmo se passa com a IA. Outra nota tem a ver com algo que também sinto - torna-se fácil experimentar projetos que não teríamos tempo ou capacidade técnica para os realizar. Finalmente, a obrigatória equidade, não faz sentido falar de IA na educação, há que mexer com ela, e é preciso que chegue a todos, e não se fique só por uma elite de utilizadores. 

Cómo crear canciones en Google Gemini utilizando su componente Lyria: Ó deuses, mesmo aquilo que se precisava, mais uma forma de criar música azeiteira para os boomers se divertirem. 

The Requirements of AI: É bom recordar que a IA nos traz valências e capacidades, mas não nos substitui. Permite-nos ir mais longe, focar em aspetos cognitivos mais complexos. Isto, claro, se for bem usada. 

Querida Europa: te mandamos una VPN gratuita para que veas el fútbol gratis. Atentamente, el Departamento de Estado de EEUU: Genial, esta, ou nem por isso. A iniciativa do governo americano de criar um acesso web a conteúdos que na Europa estão proibidos é insidiosa, obviamente, porque a ideia é dar livre curso ao racismo, misoginia, nazismo e discurso de ódio para ajudar a desestabilizar a UE. Por outro lado, aquilo é na prática uma VPN, o que significa que quem quer ver futebol sem pagar canais pode abusar à vontade, com o beneplácito dos fachos trumpistas. 

Microsoft has a new plan to prove what’s real and what’s AI online: Não por ser uma necessidade social premente, mas para cumprir com legislação. 

La última trampa mortal de Ucrania a los soldados rusos ha confirmado algo que intuíamos: la nueva “bomba atómica” es invisible: O spoofing de sinais starlink como forma de detetar e aniquiliar soldados russos. 

The U.S. and China Are Pursuing Different AI Futures: Uns enredam-se na especulão sobre a AGI, outros procuram sistemas que tragam benefícios palpáveis às indústrias. 

Microsoft se ha empeñado en acabar con la desigualdad en Latinoamérica: su plan pasa por utilizar la IA, por supuesto: Ah, agora os pobrezinhos dos latinos já poderão ser elevados da sua condição, graças à generosa Microsoft. Há um nome para isto: tecnocolonialismo. O que a Microsoft quer é garantir mercados e usar a educação como lock-in de utilizadores. 

The robots who predict the future: A necessidade humana de predição, e a sua automatização através das capacidades de análise massiva de dados trazidas pela IA. 

Humans and Machines, a Phase Transition… The Ice Is Deciding What to Become: O texto é um pouco opaco, mas tem uma lógica imbatível - temos de fazer escolhas, ou queremos um futuro livre e acessível, ou se nos deixarmos levar, acabamos servos de um tecnofeudalismo que nos cerceia as liberdades. 

Hold on to Your Hardware: Recordo, nos primeiros anos do século XXI, o abre-olhos que foi a leitura do ensaio seminal  The Coming War on General Computing de Cory Doctorow, onde detalhou as formas que as grandes empresas desenvolviam para manter os seus clientes em redis e tornar o computador numa espécie de eletrodoméstico simplificado, quebrando a cultura de uso livre dos sistemas. Coisas como restrições de instalação de software, DRM e lock-in. Hoje, graças à IA, talvez estejamos à beira do próximo passo lógico neste cercear da liberdade individual digital - modelos de computação onde tudo é um serviço de subscrição, inclusive o próprio computador, onde os utilizadores apenas podem fazer aquilo que os detentores dos serviços os autorizam. Já vivemos parcialmente nesse futuro - já repararam bem onde está a música que ouvem (serviços de streaming), os vossos dados (geralmente em armazenamento na cloud) ou a forma como interagimos socialmente através de aplicações (gaiolas douradas que nos enviesam e envenenam o discurso público)? O apetite voraz da indústria da IA por componentes está a gerar condições para um outro passo - a escassez de memória ram e discos acontece porque os fabricantes preferem vender em volume aos datacenters e abandonam o mercado de consumo para todos. Isso traz consequências ao nível do preço e capacidades do hardware vendido. Não é impressão vossa acharem que os computadores novos no mercado ou têm preços estratosféricos, ou são fraquitos e de baixa qualidade; projetos de baixo custo (pensem raspberry pi ou Arduino) começam a deixar de ser baratos (e com isso, vai-se a democratização tecnológica que permitem): "manufacturers are pivoting towards consumer hardware subscriptions, where you never own the hardware and in the most dystopian trajectory, consumers might not buy any hardware at all, with the exception of low-end thin-clients that are merely interfaces, and will rent compute through cloud platforms, losing digital sovereignty in exchange for convenience.

Los millennials usaban el término "TL;DR". La generación Z lo está sustituyendo por algo más radical: "AI;DR": Para quê ler, se a IA lê por nós? 

America is at risk of becoming an automotive backwater: A legislação que reverte as exigências ambientalistas nas emissões automóveis é um triunfo do boomerismo trompista, e um enorme tiro no pé, não só ambiental mas económico. Enquanto os maga se orgulham por tentar fazer regressar os carros que bebem gasolina à tripa forra e livrar-se de incómodos com o sistema start/stop, numa espécie de canto de cisne à indústria petrolífera, o resto do mundo compra alegremente carros elétricos chineses. Com preços em conta, níveis de inovação técnica extraordinários e uma fiabilidade crescente, mostram bem qual é o futuro da indústria automóvel, algo que não passa despercebido aos conglomerados industriais europeus e japoneses, que se andam a esforçar por recuperar tempo perdido face à avalanche de inovação chinesa. Os americanos, festejam os retrocessos de boné vermelho na cabeça, e em breve andarão a construir carros que ninguém quer comprar. 

The left is missing out on AI: Sem sombra de dúvida. E por cá até tivemos o espetáculo triste de ver intelectuais de esquerda a fazer manifestos que rejeitam ativamente a IA. Patetice pura, que revela incapacidade cognitiva de compreender esta tecnologia por parte de pessoas de quem se esperava maior nível intelectual. E tem ainda uma possibilidade bem pior. A forma como a IA nos está a ser imposta está a revelar-se um perigo existencial para os direitos laborais, diria até para o trabalho como o conhecemos. Não porque a tecnologia seja tão boa assim, mas porque as legiões de CEOs esfregam as mãos de contentes e salivam perante a perspectiva de se livrarem da massa fedorenta que são os trabalhadores e transferir ainda mais lucros para os bolsos dos bilionários. Isto, claro, a somar a outros custos sociais, ambientais e culturais. As ferramentas de IA prometem, e são capazes, de capacitar ainda mais os indivíduos, mas não é dessa forma que o capitalismo vê as coisas. Não querem pagar melhor a funcionários especialistas mais capazes e produtivos, mas sim pagar menos e precarizar mais, investindo em automatismos que não beneficiam ninguém (já tentaram interagir com as linhas telefónicas suportadas por IA para apoio a clientes das empresas ultimamente, e se o fizeram, sentiram-se realmente apoiados?), prejudicando os bens e serviços em toda a linha, mas implementados porque quem o faz, sente a impunidade dos quasi-monopólios tecnológicos e a enorme dificuldade de haver quem faça concorrência real com melhores produtos - sim, a mão invisível do mercado anda tolhida e aquela ideia que o mercado livre melhora tudo deixou de funcionar quando o "mercado" se resume a um punhado de megaempresas que asfixiam concorrentes, fazem lock-in aos clientes e o único interesse que têm é aumentar os lucros e diminuir os custos a qualquer custo. Se a esquerda de fechar numa bolha de nostalgia pré-tecnológica, será incapaz de reagir a estas forças, perde-se a voz que contraria o discurso dos techbros. Caros esquerdalhos (termo que assumo como elogio), não chega perorar de dedo em riste a partir do conforto do gabinete cheio de livros. É preciso estar nas redes, falar e agir com a propriedade de quem conhece e usa estas tecnologias. Nas mãos certas, são fantásticas. E é por isso que não podemos deixar o capitalismo apropriar-se delas, como o está a fazer. 

QUOD is a Quake-Like in only 64kB: Isto é provavelmente das mais insanas demonstrações de capacidade de programação criativa que vi ultimamente. 

The human work behind humanoid robots is being hidden: Desde o treino humano de gestos e movimentos às opções de teleoperação de robots com vários graus de autonomia. 

Notepad prepara suporte para imagens: Confesso que estou indeciso entre perceber se isto faz jeito, ou não. 

The Age-Verification Trap: Um dos pontos comuns às múltiplas propostas de restrição de acesso a redes sociais por menores é o uso de sistemas de verificação de idade, que são pouco fiáveis e fortemente invasivos da privacidade. 

Cruce de cables: la tecnología antigua fiable pero predecible, frente a la moderna de resultados inesperados: De facto, quem nunca, perante as múltiplas opções que nos fazem perder tempo a escolher e personalizar, sentiu uma certa saudade por ter tecnologias menos inteligentes, mas que faziam exatamente o que se esperava delas? 

AI Is Destroying Grocery Supply Chains: A interferência dos ataques cibernéticos potenciados por IA nas cadeias de distribuição alimentar. 

Pete Hegseth Gives Anthropic Choice to Abandon AI Safeguards or Be Labeled ‘National Security Threat’: Portanto, no resvalar americano para a ditadura, já estamos a chegar ao ponto onde responsáveis políticos ameaçam empresas por estas não fazerem o que eles querem?

Pope Implores Priests to Stop Writing Sermons Using ChatGPT: Há um certo aqulinismo nisto, suspeito que aqueles curas que tão bem satirizava nas suas ficções, que viviam bem no remanso das suas aldeias, bem nutridos e servidos pelas senhoras que lhes eram dedicadas e muito cuidadores das legiões de sobrinhos e sobrinhas que geravam, seriam muito adeptos desta forma de pregar sermões, se tal maravilha existisse na altura.

We’re putting more stuff into space than ever. Here’s what’s up there.: A órbita terreste está a ficar muito atravancada. Este infográfico mostra o que andamos a deixar lá por cima.

Meta's AI Patent to Simulate Dead People Shows the Dangers of 'Spectral Labor': Não consigo ver positivos nisto. O clonar via IA para simular entes falecidos é, em si, um tremendo dano psicológico que contraria a lógica do luto. E há os aspetos de abuso de imagem e memória, que em entidades que acima de tudo querem o lucro, tem um largo espectro de possíveis abusos.


Sweden: Sensualidades passadas. 

Europe Has Received the Message: Sem sombra de dúvida. O soft power não chega, o investimento militar tem de ser sério e é necessário, sem descurar as outras áreas de integração europeia que tornam esta união essencial para os europeus. Medidas como o privilegiar da aquisição de meios próprios europeus têm toda a lógica - para quê enterrar o dinheiro europeu nas contas das indústrias americanas, e é também uma forma de reforçar a base industrial europeia. O ponto essencial nisto é a união. Não é por acaso que Trump e os seus sequazes gostam tanto de apoiar a extrema direita europeia, veem neles uma potencial brecha que enfraquece a UE. Mas nós, europeus, estamos bem cientes da fragilidade que temos enquanto estados-nação isolados. 

Why Nudge Policies Failed: Por uma razão muito lógica, que este artigo também toca - as pessoas não são parvas, e percebem a ironia de culpar os indivíduos quando as organizações não seguem os mesmos padrões. O corolário desta desconexão está nos bilionários que se passeiam planeta fora em poluentes jatos privados, enquanto os comuns mortais se sentem culpados por ir de férias num voo comercial, mas há muitos outros exemplos em que nos tentam convencer que o nosso comportamento individual é a causa da poluição e degradação ambiental, enquanto indústrias inteiras não movem uma palha para minorar o seu impacto. 

Did Pratt & Whitney accidentally revealed the U.S. Air Force's Boeing F-47 fighter future design?: A sério que acham que este tipo de revelações é acidental? 

Portugal approves €24 Million sale of four Tejo-class patrol vessels to Dominican Republic: Esperemos que sejam entregues em melhor estado do que o navio desta classe que estava de tal forma avariado no Funchal que os marinheiros se recusaram a embarcar, incorrendo na ira do almirante aspirante a américo tomás da wish. 

More in Sadness than in Anger: Charles Stross a capturar um certo espírito dos tempos - a sensação que a clique de bilionários e plutocratas está ativamente a desenvolver sistemas que nos tornem redundantes: " 

Pensábamos que los Lamborghini y Rolls-Royce se robaban en la calle: ahora muchos desaparecen antes de llegar a destino: Longe de mim compadecer-me com a triste agrura dos bilionários que se vêm privados dos brinquedos de luxo que adquiriram graças ao suor espremido aos seus trabalhadores, mas destaco o artigo pela inteligência e sofisticação deste tipo de roubo. Digamos que o assalto à antiga, hoje, é só para os ladrões menos inteligentes. 

sábado, 11 de abril de 2026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Faltar Parafuso

 

Que o grande mestre Vilhena me perdoe. Não resisti, por causa da capa, a trazer esta peça bibliográfica para a minha coleção de robots (vá, é aquele humor picaresco do Vilhena, mas muito, muito suave) e... porque não brincar com umas trends de geração de imagem, transformando desenhos bizarros em imagens realistas? 


O Gemini foi muito fiel ao espírito original da imagem.


O ChatGPT explodiu de glamour. Tudo muito retro, como se esperaria de remisturas via IA do estilo gráfico do humor popular dos anos 60.

Suspeito que se tentasse isto com o "Criada para todo o çerviço" (o erro ortográfico não é distração)  ou outros títulos da sua lendária, provocadora e prolífica obra, acabaria com as contas suspensas, que o mundo digital mainstream não está cá para atrevimentos.

Ando a ver demasiados grupos de cursed ai, daí estas ideias manhosas, mas se me permitirem a marotice, quer o gemini quer o gpt tratam muito bem a voluptuosidade das mulheres pelo traço de Vilhena. 

Se não sabem quem foi Vilhena e sua a importância pop-cultural, a vossa vida é menos feliz por isso.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma


Irene Lisboa (1984). Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma. Porto: Livraria Figueirinhas.

Há textos que se leem para seguir o rumo de uma narrativa. Outros, apenas pelo puro prazer de saborear as palavras. Neste clássico da literatura infanto-juvenil portuguesa, encontramos ambas as vertentes. São histórias curtas, algumas com princípio, meio e fim e até uma moral; outras parecem rascunhos, quase poemas em prosa. Algumas seguem a sua lógica interior, outras são palavras vagas que se cruza na página, conjurando imagens na mente do leitor. Entre o onírico e o fantástico, mas também o tradicional e a poesia pura.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Iconografias


 Uma das muitas imagens apaixonantes que a missão Artemis nos legou.


No mesmo dia, o bilionário senil legou-nos esta imagem de coelhinhos e conversas sobre destruição de nações, e quem viu isto ficou seriamente a pensar que teria tomado alucinogénicos. A realidade não anda a fazer muito sentido, nestes dias.


terça-feira, 7 de abril de 2026

O Abismo Negro


Alan Foster (1979). O Abismo Negro. Lisboa: Europa-América.

Um mergulho numa história clássica da FC cinematográfica dos anos 80, talvez o filme menos positivo que a Disney realizou. Foster, como bom escritor tarefeiro, dá corpo literário à história, sublinhando as dinâmicas dos personagens e a inventividade do robot que é o verdadeiro herói da história.

Ao aproximar-se o final de uma missão de exploração interplanetária, os tripulantes de uma nave científica deparam-se com dois mistérios - um poderoso buraco negro, e a nave que o orbita. Nave essa que se revelará ser humana, que se julgava perdida. No seu interior, mais segredos, e um cientista megalómano que não hesita em sacrificar tudo e todos em prol das suas ideias. Para lá do horizonte do buraco negro, poderá estar um outro universo, e os personagens desta história com final infeliz irão mergulhar nas suas profundezas.

domingo, 5 de abril de 2026

URL

The Unteleported Man: Há aqui algo de Dr. Manhattan. 

Garth Ennis Turns To Prose With "Words Only", Reviving Jamie McKenzie: Ennis a escrever sobre o seu tema favorito, a II guerra, é sempre interessante. 

Babylon 5 Is now free to watch on YouTube: Oh my, isto vai ser um bem vindo regresso a uma série icónica. 

Arthuriana Televisiva: Um dos problemas da cultura pop é envelhecer mal. O que na primeira visão parece excelente, torna-se cheio de pequenos (ou grandes) defeitos aquando das revisitas. 

Vintage Robots: Revisiting the early robots of the 20th Century via old fotos: Robots que não sendo icónicos, foram construídos para mostrar as capacidades dos seus criadores, como experiência pessoal, ou demonstração publicitária. 


Sunset over Plato Crater: Paisagens lunares. 

Pedir o cartão à porta das redes sociais não vai acabar com o que nos preocupa: Confesso que sou defensor de restrições ao corrente modelo de redes sociais. Já percebemos o quão elevados são os custos sociais, culturais e individuais da rédea livre dada à algoritmização das redes, com o aliar do privilegiar dos discursos mais danosos aos sistemas que provocam adição nos utilizadores com o único objetivo de maximizar o rendimento das empresas. A proposta do PSD aprovada no parlamento é uma das piores maneiras de lidar com este assunto, fortemente reveladora do desconhecimento dos deputados de como funciona o mundo digital (mesmo para os níveis intelectuais de um psd). Esta proposta de restrição tout court é errada e mal pensada. Há imenso a apontar. A proposta de integração com a CMD é, no mínimo, questionável em termos de privacidade, e queremos mesmo as Metas e Bytedance deste mundo a ter acesso a este sistema? A forma como definem rede social está tão mal feita que praticamente qualquer site cai dentro dessa definição. As propostas de coimas sobre incumprimentos são irrealistas, correndo-se o risco de prejudicar redes sociais independentes que se afastaram do danoso modelo comercial. Que redes independentes, perguntam-se? Sabem, caros habitantes do continuum facebook/instagram/tiktok/whatsapp (se estiverem no X não merecem qualquer respeito, isso é uma lixeira para fachos e pedófilos), existem iniciativas independentes que constroem redes sociais abertas e sem algoritmos, coletivamente conhecidas como fediverso. Por cá, temos algumas instâncias portuguesas que se têm mostrado espaços de discussão aberta e refúgio da algoritmização, que ao cair dentro das definições da futura lei não terão forma de implementar sistemas ou fazer frente a eventuais coimas, dado que são mantidas por indivíduos ou pequenas organizações sem fins lucrativos. Mas talvez o maior erro desta legislação é ignorar a importância social das redes sociais, que são espaços a que as crianças e jovens têm o direito de aceder em segurança como parte do tecido da vida digital. Nalguns casos, como no caso das comunidades LGBT, neurodivergentes ou interesses culturais específicos, são mesmo uma linha de vida para um tipo de socialização positiva entre pares que muitas não é possível nos espaços físicos. Proibir é idiota, e revelador de ignorância face ao digital. Proteger os públicos mais frágeis (nos dias que correm, praticamente todos) e regular para cercear um modelo de negócio que beneficia um punhado de bilionários sociopatas em detrimento de toda a sociedade é a resposta correta. Há passos institucionais nesse sentido, e como cidadãos, devemos exigir a sua intensificação, porque o corrente estado das coisas é insustentável. 

5 coisas que importa saber acerca da nova proposta sobre crianças e redes sociais: Uma análise de tudo o que está errado com a proposta pateta de proibição de acesso às redes sociais por menores de 16 anos. 

Leituras da Semana (#103 // 16 Fev 2026): Certeiro (como é habitual). Há muito a desmontar na corrente proposta de restrição de acesso a redes sociais por menores de 16 anos, e a sua mediocridade é o ponto principal. Mas ramifica-se no gosto português pela falta de liberdade (o tão corrosivo não deve, não teme, como se não querer que outros tenham a ver com a nossa vida privada seja algo de errado), e pelo que realmente se está a passar: uma necessidade social de travar os desmandos do modelo económico das redes sociais, que se traduz em tímidos esforços políticos descoordenados que não se atrevem a tocar no problema central. 

Will Life on Mars Require a Genetic Rewrite?: Não sei se leram o Man Plus de Frederick Pohl? Referências FC à parte, viver noutros planetas vai implicar alterações ao que é ser-se humano. 

Muy en silencio y con infraestructura propia, una empresa de IA europea ya come en la mesa de las grandes: Mistral: Tenho acompanhado o crescimento desta empresa, que desenvolve o melhor LLM europeu e se posiciona como alternativa de peso à OpenAI e Google. 

Creeps Are Using Grok to Unblur Children’s Faces in the Epstein Files: Francamente, nesta altura quem se assume utilizador do X só pode ser daquelas pessoas que se gratifica com perversões de mau gosto (e estou a ser simpático ao descrever isto desta forma). 

The myth of the high-tech heist: O que funciona nos filmes, não funciona na realidade. 

The ridiculously tiny Kodak Charmera captured our hearts (and lots of shoddy pictures): O mercado da nostalgia, ou a Kodak a reafirmar-se com um gadget de baixa qualidade mas atraente para as redes sociais. 

En 1968 a un hombre se le ocurrió crear la primera tablet de la historia. El problema es que se adelantó décadas a su tempo: É um pouco redutor adjetivar o Dynabook como um proto-tablet. A ideia original de Alan Kay está na génese da computação móvel e do acesso à informação em qualquer local. 

MyMiniFactory has Acquired Thingiverse Bringing Anti-AI Focus: Esta é algo inesperada, e vamos ver no que se tornará a identidade do Thingiverse com esta incorporação. 

How Do You Define an AI Companion?: A procura por companhias virtuais. 

Free Tool Says it Can Bypass Discord's Age Verification Check With a 3D Model: Para surpresa de ninguém. Em parte, porque as empresas não vão ser muito proativas no desenvolvimento de sistemas de verificação de idade de acesso, e essencialmente, perante uma restrição, esperavam o quê? Que os adolescentes iam acatar? 

Meta Wants to Scan Every Face You Walk Past: Duas notas - a intrusividade desta óbvia invasão de privacidade e agregação de dados; e a forma como planeavam torná-la pública, esperando por momentos de instabilidade política para aproveitar a distração dos movimentos de direitos civis. Se querem lançar um produto que escape ao radar dos ativistas pelos direitos legais mais elementares, é porque sabem bem o quão mau é para todos. 

AI Agents Are Taking America by Storm: Agentes de IA, o passo que promete tornar esta tecnologia realmente útil. 


The Red Double-Cross: Frémitos Aeronáuticos. 

Why Europe Is Talking About Nukes: Isto não é tranquilizador, mas infelizmente necessário. O investimento europeu em defesa tem de ser levado a sério. Como europeus, lidamos com os fantasmas dos militarismos do passado, mas no mundo de hoje, não podemos ter a ingenuidade de assumir que apenas o softpower nos protegerá. 

Países Bajos acaba de activar el pánico en España y los aliados de EEUU: el F-35 se puede "liberar" como un iPhone: O que é uma boa notícia, apesar dos arrepios que possa provocar. Um dos problemas do F-35 (para lá dos custos estratoesféricos da aeronave e da sua operação) é o estar totalmente dependente de sistemas de manutenção e software controlados pela Lockheed e governo americano. E este segundo parceiro tem-se revelado, como colocar a questão, muito pouco fiável nos tempos que correm. 

Italy’s GCAP fighter program investment now costs more than its F-35 fleet after €8.8B approval: Números que enganam. Porque o custo de comprar aeronaves é dinheiro perdido, entregue como lucro a empresas americanas. O dinheiro colocado num programa de desenvolvimento tecnológico é investimento, que garante inovação, independência tecnológica e um produto para venda futura. É este o caminho que os europeus têm de seguir, evitando as disputas mesquinhas que conduziram ao colapso do FCAS. 

Esa cicatriz que "raja" la península es el rastro de las borrascas sobre España. La brutal imagen de la ESA desde el Espacio: Recordar as até agora impensáveis cheias que sofremos, através de imagens de satélite. 

2025 letter: A inovação e desenvolvimento, social, económico e industrial, vista de várias perspectivas, com uma análise realista ao modelo chinês e à incapacidade europeia de ir além das declarações de intenções. 

U.S. and Dutch Pilots Allegedly Flying Ukrainian F-16s in Combat, Sources Say: Não surpreende muito, embora não haja confirmações oficiais, mas faz sentido que pilotos experientes desta aeronave sejam desafiados a contratos como mercenários, ou voluntários estrangeiros.