quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Odisseia


Homero (2003). Odisseia. Lisboa: Livros Cotovia.

A eterna narrativa do péripo de Odysseus é uma daquelas histórias que quase todos conhecemos, nas suas linhas gerais, mas é provável que poucos a tenham lido integralmente. Alguns leram as versões simplificadas de que falamos na escola, e isso já lhes dá um vislumbre do poder deste texto milenar. Não escrevo isto como alguma forma de observar superioridade intelectual por me ter atirado a esta leitura, apenas reflito que é um texto cujas traduções originais são relativamente difíceis de encontrar, e caras. A tradução de Frederico Lourenço é excelente, erudita e cuidada, e feita de forma que contribui muito para a legibilidade, mantento o leitor envolto na poesia das palavras e nas desventuras do herói de mil ardis. Por cá, os clássicos não são muito acessíveis, penso enquanto recordo livrarias florentinas ou londrinas onde havia secções inteiras que lhes eram dedicadas, com uma profusão de obras e traduções para todos os bolsos.

Não me vou dedicar a dissecar ou analisar uma obra tão longeva e complexa, tantos outros mais habilitados já o fizeram. Apenas refiro que ao ler, finalmente, a versão integral deste texto senti na pele, nas entranhas, o poder desta história que já se conta há milénios. Uma história profundamente humana, onde o herói não é um ser perfeito (bem pelo contrário, é volúvel e violento, apesar de no seu cerne pemanecer fiel à ideia do lar e do regresso), deuses caprichosos e mesquinhos intervém, os homens se revelam em grande parte pela ganância e cobiça das riquezas dos outros ou pela fidelidade inabalável mesmo quando sentem o desprezo dos que os rodeiam - algo que também se aplica às mulheres, apesar da grande personagem feminina ser a encarnação da perfeição maternal do lar, na figura da eternamente fiel Penélope que não renega a memória do marido perante toda a pressão social para que escolha outro para casar, levando para outra casa as riquezas e o poder da ilha de Ítaca.

O texto é poderoso, e como já observei, a tradução de Frederico Lourenço é magistral, tratando-o com uma elegância literária que contribui muito para que o leitor sinta a sua empolgância, desespero e apelo.

Não resisto a uma partilha muito pessoal, que senti ao chegar àquelas estrofes da Odisseia que deixam qualquer pessoa que, como eu, adora cães com uma lágrima no olho:

"E um cão, que ali jazia, arrebitou as orelhas.

Era Argos, o cão do infeliz Ulisses; o cão que ele próprio

criara, mas nunca dele tirou proveito, pois antes disso partiu

para a sagrada Ilion. Em dias passados, os mancebos tinham levado

o cão à caça, para perseguir cabras selvagens, veados e lebres.

Mas agora jazia e ninguém lhe ligava, pois o dono estava ausente:

jazia no esterco de mulas e bois, que se amontoava junto às portas,

até que os servos de Ulisses o levassem como estrume para o campo.

Aí jazia o cão Argos, coberto das carraças dos cães.

Mas quando se apercebeu que Ulisses estava perto,

começou a abanar a cauda e baixou ambas as orelhas;

só que já não tinha força para se aproximar do dono.

Então Ulisses olhou para o lado e limpou uma lágrima.

(…)

Mas Argos foi tomado pelo negro destino da morte,

depois que viu Ulisses, ao fim de vinte anos."


Quem tem cães, compreende. Quem ama ler, sente o fascínio de palavras vindas de um tempo tão longevo nos tocarem tão profundamente - notem que se o texto escrito tem mais de dois mil anos, a tradição oral é ainda mais antiga.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Histórias à Sombra do Montado

(2022). Histórias à Sombra do Montado. Odemira: Javali Mágico.

Confesso que quando o João Campos amavelmente me oferceu estes exemplares para a minha biblioteca, não esperei muito. Pensei ser um fanzine temático, patrocinado pelo município de Odemira, dando espaço de edição a jovens criadores locais. E nada de errado seria se fosse isso, mas ao abrir as páginas dei com histórias escritas e ilustradas por alguns dos autores mais conhecidos da BD portuguesa contemporânea. Mosi, Joana Afonso, Marta Teives, Nuno Saraiva,  Joana Bértholo, Bernardo Majer ou Afonso Cruz são alguns dos nomes que não esperava encontrar nestas páginas.


(2024). Histórias à Sombra do Montado nº 2. Odemira: Javali Mágico.

O tema das antologias prende-se com o território do concelho de Odemira, as suas raízes culturais, o ecossistema do montado de sobro, mas também as transformações que sofre trazidas quer pelos exilados afluentes das grandes cidades que buscam no campo um bucolismo idealizado, ou pelos imigrantes trazidos para trabalho nas explorações agrícolas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Code Ecstasy: Atomisation

 






Regresso à galeria ZABRA, para a segunda edição da Code Ecstasies, exposição de arte digital e IA Generativa. Desta vez com maior destaque para os grafismos lumínicos possíveis com o trabalho de luz. No que toca às obras selecionadas para mostra de IA, noto um pormenor interessante - são vídeos habitualmente vistos no pequeno ecrã do telemóvel, no formato 9:16 preferido do instagram ou tiktok. Vê-los num ecrã de grandes dimensões sem as escorregadelas do deslizamento infinito dá-lhes uma nova dimensão, levando-nos a uma imersão mais profunda no seu surrealismo hiperreal.

A boa notícia: esta exposição temática tornar-se-á uma edição recorrente na galeria.

domingo, 18 de janeiro de 2026

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Alan Daniels, c. 1982: Um futuro menos brilhante. 

The Grant Morrison Jokes That Marvel Rejected In Batman/Deadpool: Confesso que me surpreende que deixem Grant Morrison à solta nos comics mainstream, e este crossover entre os universos Marvel e DC é completamente insano. 

El nacimiento de un movimiento anti-lectura: cada vez más personas admiten utilizar la IA para resumir libros: Vou escrever uma heresia - e até faz sentido. Claro, se a ideia for usar a IA para mero resumo, sim, é um sinal de estupidificação (equivalente aos que no meu tempo de juventude se gabavam de ler os resumos das grandes obras literárias para poder marrar para os exames). Por outro lado, experimentem usar um serviço como o Notebook LM para cruzar a informação de vários livros, fazer resumos e análises, e é toda uma forma interessante de interagir com a informação textual que abre novas possibilidades. 

The Best Korean Myth and Fantasy Books, recommended by Minsoo Kang: Leituras para conhecer os mitos que estruturam a cultura pop oriental correntemente mais admirada. 

What Possesses People To Want To Own More Books Than They Can Possible Read?: No meu caso, nunca perco a esperança de os ler. Mesmo que passem décadas desde o momento em que os comprei. 

A Short Stay in Hell – Steven L. Peck: Uma das leituras mais inesperadas que fiz nos últimos tempos, este livro onde o inferno é uma infinda biblioteca. 

Award-Winning Sci Fi Novels of 2025, recommended by Sylvia Bishop: Livros que se notabilizaram por terem sido galardoados com distinções literárias. 

50 libros imprescindibles para zambullirse en la literatura española: de la Edad de Oro a los autores más recientes: Uma grande lista de sugestões para mergulhar a fundo na literatura do nosso país vizinho. 


Gino D'Achille’s original: Fantasias marcianas.  

The Vatican is the oldest computer in the world: No seu essencial, a computação é o tratamento e processamento de informação. E nada melhor do que uma burocracia religiosa para ilustrar essa essência. 

The World Still Hasn’t Made Sense of ChatGPT: De facto. Os chartbots são aquela tecnologia que todos afirmam ser revolucionária, mas na prática, apesar de terem algumas utilidades, não são tão potentes quanto isso, e para descompor o ramalhete, tornaram-se incentivadores de más práticas éticas. 

South Korea’s Experiment in AI Textbooks Ends in Disaster: Aplicar modelos propensos a alucinações em manuais escolares. Quem diria que iria correr mal? 

La revisión de 6.000 aviones Airbus A320 es un inquietante recordatorio de que nuestra tecnología está a merced del Sol: Esta história da necessidade de atualizar o software das aeronaves para prevenir um erro que poderá acontecer sob condições específicas de radiação solar, fez-me recordar um conto de FC de Ted Chiang. Não recordo o título, mas recordo a premissa - um homem sente-se culpado pelo acidente automóvel que vitimou a sua mulher, mas na verdade o despiste fatal foi causado por uma partícula de elevada energia que alterou o estado de um componente num chip de 0 para 1. 

ChatGPT Encouraged a Suicidal Man to Isolate From Friends and Family Before He Killed Himself: Notem, isto é um corolário lógico. Os chatbots encontram o padrão de uso num pedido, e reforçam-no. É por estas que a ideia de delegar nestas ferramentas sistemas de apoio à saúde mental é muito má ideia. 

A terrível pesquisa do Windows 11: A pesquisa dentro do Windows só é má, se estivermos a pensar como utilizadores que apenas querem usar a caixa de pesquisa para encontrar os ficheiros ou funções do sistema que precisam. Mas se pensarmos como uma empresa, um sistema que nos enfia publicidade e links inúteis quando apenas queremos localizar um documento cuja localização exata não nos recordamos é perfeito, como uma oportunidade de nos obrigar a cair nas suas parcerias pagas. Aliás, o Windows tem sido notório nos últimos tempos pela forma como retira liberdade aos seus utilizadores, ou como bem coloca o articulista, "vá-se lá imaginar ter um computador e sistema operativo que se limite a fazer aquilo que o utilizador quer fazer.." 

Ucrania ha dinamitado a la gran amenaza rusa. Se llama Sea Baby y una IA lo lleva hasta cualquier punto del Mar Negro: A espantosa capacidade de inovação ucraniana no campo dos drones militares. 

An AI model trained on prison phone calls now looks for planned crimes in those calls: A profundidade dos dilemas éticos trazidos por isto é imensa. 

Instant Sketch Camera Is Like A Polaroid That Draws: Uma combinação intrigante - algoritmos de visão computacional e máquinas de desenho. 

La basura visual de la IA es tan omnipresente que ya está desatando una corriente estética a la contra: el neo-brutalismo: E faz todo o sentido. O output da IA generativa tem um estilo próprio, entre o barroco e o kitsch, a simplicidade e um certo desleixo intencional é o antídoto certo para isto. 

The People Outsourcing Their Thinking to AI: É difícil ficar animado com a humanidade, apesar de sabermos que é uma reação natural: "The trouble with AI tools is that they seem to “exploit cracks in the architecture of human cognition,” as Requarth has written. The human brain likes to conserve energy and will take available shortcuts to do so." 

City Beneath the Sea, 1971.: Mundos submersos. 

Scientists Find Evidence That Humans Made Out With Non-Human Creatures: Bem, a tendência masculina para andar atrás de qualquer rabo de saias já é bem, bem antiga. 

Misoginy for You: Leitura essencial, muito incómoda mas a retratar uma realidade conhecida por quem está no terreno (aka salas de aula), está nas redes e vê o resvalar acelerado da sociedade em direção ao autoritarismo, misoginia, perda de direitos civis e sociais. 

Alchemy: Do valor da arte, não como produção em massa de conteúdo, mas como expressão da sensibilidade humana. 

O Substack não é um paraíso intelectual nem a solução para o brain rot: Não é um espaço inútil, apesar de ter os seus contras. O modelo de monetização extrema torna-se algo irritante. É apenas mais uma imperfeita solução para o problema de quem quer partilhar de forma coerente e consequente o que pensa no mundo online - uma solução para alojamento de páginas. 

Living in Public and Other Modern Agonies: Graças ao João Campos, descobri esta belíssima reflexão sobre a tentação da vida pública online (algo de que também sou culpado), entre as fases de enfado com a cupidez das plataformas e o mau ambiente das curadorias algorítmicas, e o impulso que nos leva a usar os espaços digitais para partilhar o que sentimos e pensamos. 

The New German War Machine: Notas de uma Europa que se rearma. É apoquentador, mas os últimos tempos mostram bem que o soft power diplomático, político e cultural não vale de muito sem algum hard power por detrás. Durante alguns anos, a Europa conseguiu tirar férias da História, mas infelizmente os ventos que sopram são aziagos. 

Ha caído una bomba sin explotar activando una caza inédita: la de EEUU tratando de encontrarla antes que el resto de potencias: Parece enredo de filme de ação, mas mostra o quanto a guerra moderna assenta no jogo de avanços tecnológicos. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Realidade morreu - Viva a Realidade Aumentada!


Luís Martins (2017). A Realidade morreu - Viva a Realidade Aumentada!. CreateSpace.

É deprimente constatar que um livro destes, novidade em 2017, é agora o tipo de obra que se encontra abandonada em alfarrabistas. A obra é uma visão introdutória abrangente sobre a realidade aumentada, e seria injusto apontar que se tornou obsoleta. Claro, muitas das plataformas e aplicações nomeadas ou já não existem, ou não ganharam a tração esperada. Mas o essencial, a análise das capacidades e potenciais da RA como tecnologia, não perdeu atualidade e é um excelente ponto de partida para a compreender. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Espírito da Aventura


Kenji Tsuruta (2025). Espírito da Aventura. Lisboa: Sendai.

Diria que se queremos ler manga realmente interessante em português, temos de prestar atenção ao catálogo da Sendai. Esta editora é muito consistente nas suas propostas, e traz sempre livros desafiantes para os leitores. Que me perdoe A Seita, que também tem trazido algumas leituras bem interessantes, e a Devir, que tempera o seu catálogo de mangá para adolescentes com obras de maior fôlego. Mas, para trabalhos independentes, fora da caixa, inesperados ou de estéticas inesperadas, é a Sendai que nos alimenta.

O trabalho de Tsuruta já é conhecido por cá, graças à edição da ficção científica poética e romântica dos vários volumes de Emanon, que ilustrou com argumentos de Shinji Kajio. Espírito da Aventura é um trabalho a solo, que reúne um conjunto de contos interligados entre si que foi desenhando ao longo de décadas. É ficção científica pura, mas féerica, pejada de personagens obcecadas com as suas investigações em tecnologias etéricas ou de teletransporte. Não são histórias a pensar na especulação verosímil. Podemos esperar velhotes que vão a Marte de dirigível, aventureiros obcecados em descobrir os tesouros dos avós nas cidades submersas, ou formas de projeção que permitem ir à Lua, sem na verdade ter de sair da Terra. Como podem perceber, não se trata de FC clássica, mas sim da sua apropriação poética. O traço sublinha isso, com um elegante barroquismo algo vitoriano na sua estética, sem que se tenha uma noção concreta de tempos passados ou futuros.

domingo, 11 de janeiro de 2026

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Carl Zoschke: Na lua.

O regresso de Stargate: Fico com a sensação que o decair das indústrias culturais para um modelo de conforto em que se recicla o que já existe e não se arrisca criar nada de novo, está a entrar em modo rapar o tacho, quando até as séries mais obscuras arriscam a regressar em modo reboot.

Half of novelists believe AI is likely to replace their work entirely, research finds: e, pessoalmente, percebo a tendência. Para as indústrias culturais, os livros são conteúdo, e tal como na música ou outros media, haverá empresas que querem explorar o mercado dos conteúdos descartáveis produzidos a metro. Não é novidade, basta ver o modelo televisivo generalista que há muito nivela pelo mais baixo denominador (numa busca constante de rebaixamento), como se nota pelas paisagens televisivas cheias de concursos, reality shows e outras patetices completamente desprovidas de qualidade.

Cuando el público vio por primera vez esta escena de terror no pudo mirar la pantalla. Ahora sabemos que lo que ocurría no era ficción: Recordar a mais icónica cena do arrepiante flme Carrie.

Marvila Comics 2025 + Lançamento: Atrahasis: Não vou conseguir ir ao Marvila Comics, mas estou mortinho por ler o mais recente livro do David Soares.

AI-Written Children’s Books Are Flooding The Marketplace. Is This Bad?: Resposta muito rápida: Claro que sim. É o reduzir ao estatuto de consumo descartável do tipo de leitura que ajuda a formar a mente nos primeiros anos de vida.

Make Culture Weird Again: De facto (e tenho discutido isso bastante por aqui), as culturas pop e mainstream andam demasiado conservadoras, no sentido de não apostarem em nada de novo e se resumirem ao recauchutar de conteúdos com décadas de existência. Falt criatividade e vitalidade.

Vincent Di Fate, “Refueling Station”: Futuros clássicos.

Return to the year 2000 with classic multiplayer DOS games in your browser: Um duplo elogio - à jogabilidade dos jogos clássicos, e às capacidades dos browsers contemporânenos, que nos permitem reviver os clássicos via internet.

Who is AI nostalgia slop even for?: Novas gerações a envelhecer representam novos mercados de nostalgia.

Video shows DragonFire laser taking Down high-speed drones in NATO first: Uma tecnologia revolucionária, vinda do Reino Unido.

The enshittification of Arduino begins? Qualcomm starts clamping down: Não surpreende, esta deriva. Passando para a alçada de uma empresa, o lado open source do Arduino é demasiado apetecível para que esta tenha lucros fáceis, apropriando-se do trabalho desenvolvido pela comunidade.

Google ha abierto una puerta que muchos temían: ya está probando anuncios dentro de las respuestas de IA de su buscador: Poderá a merdificação da interner ficar pior? Ora pois claro que sim. Depois dos resumos de IA nas pesquisas, que tal anúncios injetados nesses resumos?

HP and Dell disable HEVC support built into their laptops’ CPUs: Quando as capacidades da tecnologia colidem com a propriedade intelectual.

A Piece of Internet History the Internet Almost Forgot: O problema clássico do link rot, e a perda cultural que implica.

The music industry is all in on AI: No fundo, a IA representa o sonho húmido dos executivos da indústria musical - geração infindável de música a metro, sem a chatice de ter de pagar a compositores, músicos e artistas.

So Long, Firefox, Part One: Esta, é inesperada - o venerável navegador, símbolo do open source, está a perder a sua boa imagem junto da comunidade de software livre.

Google tells employees it must double capacity every 6 months to meet AI demand: Construir toda esta infraestrutura tem custos, e é este tipo de visão que nos ajuda a perceber a dimensão da bolha da IA generativa.

Something Disturbing Happens When You “Learn” Something With ChatGPT: Não é novidade - usar os LLMs de forma oracular atrofia o sentido crítico. Ou melhor, quem confia nos LLMs como oráculos não tem, à partida, grande vontade de exercer as suas faculdades críticas e de raciocínio.

In 1982, a physics joke gone wrong sparked the invention of the emoticon: E daqui, nasceu a nossa capacidade de comunicar emoções usando símbolos do teclado.

Education Before AI Was Still Highly Problematic: Recordar que os problemas que apontamos à IA na educação - o faciltismo de respostas, a desonestidade académica, já têm um longo historial e antecedentes.

Premium: The Hater's Guide To NVIDIA: É que no fundo, é isto - "The single-largest, single-most-valuable, single-most-profitable company on the stock market has got there through selling ultra-expensive hardware that takes hundreds of millions or billions of dollars (and years of construction in some cases) to start using, at which point it...doesn't make much revenue and doesn't seem to make a profit". Tudo isto é insustentável a médio prazo, e temo que quem pagará a fatura, não serão os que lucram.

La IA nos está convirtiendo en editores de nosotros mismos. Aprobamos lo que ya no sabemos crear: Ontem, despacho uma apreciação de formação com algumas frases geradas por IA. Hoje, partilho um artigo que nos recorda a displicência intelectual e moral de confiar as nossas respostas à IA. Paradoxal? Nem por isso. Não tenho problemas em delegar na IA uma tarefa menor, que sei que tem pouca importância (e provavelmente nem será lida). Se vale a pena, dedico o meu esforço mental.

Meta had a 17-strike policy for sex trafficking, former safety leader claims: Isto é inacreditável, e deveríamos estar a exigir responsabilidades públicas por estes comportamentos. Não é aceitável esta displicência na gestão de contactos de menores. E recorda-nos qual é o verdadeiro objetivo destas plataformas - lucrar o mais possível com os nossos dados, sem olhar aos danos colaterais.

Los fabricantes chinos están lanzando coches eléctricos a un ritmo infernal. La respuesta de Toyota: filosofía Kaizen: Qualidade em vez de saturação, a pensar que os automóveis não são objetos tecnológicos descartáveis e tem de haver compromissos de atualidade e manutenção a médio prazo. O ritmo de lançamento constante de novidades implica que os automóveis sofram os mesmos ciclos de desatualização do que os gadgets, algo que não é sustentável.

Welcome to the Slopverse: O decair da confiança nos consensos sobre o que é o real, numa paisagem mediática saturada de lixo gerado por IA.

MS estraga Notepad com funcionalidades AI: Gosto do bloco de notas. Para escrever, não há melhor, sem miríades de opções distrativas. É só o pensamento, o teclado e o fluir das palavras. A sua simplicidade é a virtude, mas a Microsoft quer-nos enfiar IA pela goela abaixo e está a atravancar o simples Bloco com funções de utilidade inexistente.

Four Ways AI Is Being Used to Strengthen Democracies Worldwide: Não é o ponto de vista habitual. Normalmente discute-se os perigos para a sociedade e democracia trazidos pela IA, entre o ai slop, desinformação ou a ignorância disfarçada de sapiência por delegação de processos cognitivos e aprendizagem em chatbots. Mostra que os usos da IA são uma escolha pessoal e social. Não tem de ser catastrófica. Podemos escolher aplicar a IA para o progresso social e económico, ou para aumentar lucros, acicatar a ganância e facilitar a sede de poder. Usar a IA para um mundo melhor, ou para piorar os males sociais que já padecemos, é uma escolha consciente. Ou seja, estamos tão tramados, não estamos?


Good To The Last Straw: Old school non-ai slop.

F-16 Fighter Jet Outmatched By Türkiye's Kizilelma Drone In Successful Unmanned Air Combat Test: Duas notas sobre este teste. A mais óbvia tem a ver com a evolução das capacidades dos UCAVs. A outra, sobre a tecnologia que sustenta este drone não ter sido desenvolvida pelos suspeitos do costume, as empresas de topo da indústria da defesa não estão envolvidas nisto.

IAF LCA Tejas Crashes at Dubai Air Show, Pilot Killed: Quem segue o mundo da aeronáutica já se apercebeu da enorme falta de competência da indiana HAL. Nada o demonstra melhor do que tentar vender um caça algo ultrapassado (mas em desenvolvimento há décadas) no Dubai, e este despenhar-se.

World on fire: Não consigo conceber melhor metáfora sobre o aquecimento global e alterações climáticas do que este incêndio em plena conferência internacional sobre o clima.

(Some) MAGA Girls Just Wanna Have Fun: Não é o tema deste artigo que me interessa, é este detalhe: "Like many Trump voters, Debono supports the president for reasons that are less to do with policy and more to do with the freedom to offend". É, talvez, a mais óbvia motivação por detrás do crescimento exponencial da extrema direita, em versão troll, esta vontade de dizer e fazer o que lhes apetecer, por desumano, ofensivo ou revelador de total falta de ética que seja.

A Inteligência Artificial vai salvar a economia?: Talvez, mas para isso, temos de ultrapassar as fases de deslumbramento baseado em marketing puro, com que as grandes empresas da IA nos querem convencer.

Lawmakers want to let users sue over harmful social media algorithms: Tem a ver com a realidade europeia, mas é algo que faz cada vez mais sentido. O viés introduzido pelos algoritmos das redes sociais está a ser catastrófico em termos sociais, mas os responsáveis por isto estão a passar incólumes e intocáveis.

Llevamos años hablando de los cañones de riel sin ver su daño real. Japón acaba de mostrar una imagen que lo dice todo: As armas eletromagnéticas a darem passos contretos para aplicação militar real.

The Murky Plan That Ensures a Future War: Realmente, este suposto plano de paz para a Ucrânia é de uma incompetência atroz, parece ter sido feito à medida dos desejos do invasor, e soa demasiado ao passado, com ecos históricos da anexação alemã do país dos Sudetas na antiga Checoeslováquia, a que as potências de então deram o seu acordo numa estratégia de apaziguamento do regime nazi (em parte, porque quer ingleses quer franceses sabiam que não estavam preparados para uma guerra). E deu no que deu. Esta proposta à Ucrânia é inaceitável sob todos os quadrantes.

How the Elite Behave When No One Is Watching: Um artigo sobre os ficheiros Epstein, mas não sobre pormenores escabrosos. O foco está na rede de plutocratas, académicos e políticos que extravasa limites geográficos, para quem o tráfico de influências e o domínio da informação é fundamental. Neste aspeto, fez-me lembrar um John Brockman (outro caído em desgraça), mas sem pretensões intelectuais e com violação de menores à mistura.

Ryanair se ha cansado de jugar al gato y al ratón: le ha bastado un ajuste técnico para hundir un 40% a eDreams en un día: O poder dos quasi-monopólios, e esta é mais uma razão para evitar esta companhia aérea.

Ukrainian Pilot Touts Mirage 2000’s Effectiveness in Combat: Um dos elementos interessantes da guerra ucraniana é ver a forma como tecnologias aparentemente datadas se revelam altamente eficazes no campo de batalha.

On contrarian history: Tão, tão certeiro. A história é contada não só pelos vencedores, mas pelos afluentes, os que detém o poder e os meios - "You will never be able to convince me that the society that starved a native population so a couple of rich guys could have a fancy house and go watch prisoners of war be killed for sport is better than the one that sees the average person become healthier and live a longer life. I do not care if those rich people were enjoying goods imported to the region from North Africa. Those rich people were a vanishingly rare segment of the population and their consumption patterns were only made possible through horrible crushing violence perpetuated on average people".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Autocracy, Inc.


Anne Applebaum (2024). Autocracy, Inc. Londres: Allen Lane.

Se se presta atenção às voltas do mundo, às questões da geopolítica global e aos contextos por detrás das notícias do dia a dia, é difícil não se sentir que vivemos em guerra. Uma guerra de múltiplas vertentes. Umas, como se vive na Ucrânia e médio oriente, de combate sangrento e destrutivo. Outras, como a que estamos agora a sentir na europa, de desafio às defesas, de adversários que tentam erodir a confiança e testar as defesas, usando dos dronos aos ciberataques e sabotagem. Mas o maior palco da guerra global é informacional, um combate pelo espaço de ideias e controle de percepções que tem um alvo nítido: o liberalismo democrático ocidental, a legalidade e os direitos humanos.

Uma guerra que se faz de teias de influência, com muitos nos países visados a ser coniventes para ganhos políticos ou financeiros. Assenta na desinformação transmitida por redes sociais e media clássicos, e visa acima de tudo proteger os interesses das autocracias, garantir-lhes liberdade de atuação e ausência de críticas, reprimindo os seus cidadãos por meios mais elegantes e eificientes do que os massacres do passado. Tem como efeito colateral primário a erosão da confiança global na democracia e liberalismo social, o que é muito conveniente aos ditatores e estados autocráticos. 

Há um pormenor muito incisivo neste livro - os autocratas de hoje não tentam disfarçar a opressão, corrupção, nepotismo e violência dos seus regimes repressivos por detrás de propagandas utópicas. Pelo contrário, assumem isso, usando o seu domínio do espaço informacional para denegrir e desinformar, mostrando que as democracias ocidentais são corruptas e decadentes, transmintindo a imagem falsa mas eficaz que mais vale o governo de um homem forte do que a decadência democrática. Os ingredientes dessa desinformação alicerçam-se no explorar do nacionalismo, sentimento anti-lgbt, racismo, masculinismo tóxico e exacerbar de uns supostos valores tradicionais que são na prática uma máscara mal feita para ocultar os piores abusos. Os espaços digitais amplificam e facilitam estas campanhas, que funcionam como um ruído contínuo que distrai atenções enquanto oa autocratas se asseguram do poder nas suas cleptocracias, enquanto as democracias se esforçam por contemporizar e lidar com o dilúvio tóxico.

Este não é um livro animador, apesar de terminar com uma nota de esperança, mostrando como até nos regimes mais repressivos como o russo ou o chinês há pessoas corajosas que procuram lutar contra este estado de coisas. Mas as barreiras são muitas, o ruído elevado, e sente-se no dia a dia um contínuo resvalar em direção aos obscurantismos contra os quais se ergueram as sociedades democráticas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Corpo de Cristo


Bea Lema (2025). Corpo de Cristo. Lisboa: Iguana.

Cruzei-me com este livro na exposição que lhe foi dedicada no festival Amadora BD e, confesso, fiquei com a impressão errada que todo o livro teria sido bordado e não desenhado. Foi esse o primeiro ponto de atração desta obra, a curiosidade de um inusitado tipo de ilustração. O outro ponto estava na forma como a iconografia naif da religiosidade espanhola surgia entre os bordados. Pensei que se tratasse de um livro sobre tradições e costumes, mas, novamente, estava engando. 

As tradições e os costumes fazem parte do substrato deste livro, mas o seu grande tema é a coexistência com doenças mentais. Numa história autobiográfica tocante, a autora conta o que foi crescer e viver com os transtornos e delíríos da sua mãe, cuja esquizofrenia foi despoletada por uma combinação de traumas do passado e inadaptação no regresso a Espanha após uma temporada como emigrada. Há uma sublimação da tradição, interpretada pelos bordados da ilustração, também uma referência a um dos talentos da sua mãe. O estilo gráfico é fortemente pessoal, a tocar no naif, embora com um rigor de composição e cor que se equilibra bem com a expressão do traço. As pranchas bordadas são a grande surpresa do livro, por vezes a recordar bordados infantis, outras complexos ex-votos cheios de referências tradicionais. 

Um livro que enche o olhar, e desafia a meditar no cruzamento entre a fragilidade da mente humana, as crenças arreigadas das tradições e os traumas de um passado de pobreza que, na Galiza tal como por cá, caracterizou o nosso passado recente.

domingo, 4 de janeiro de 2026

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unstable-molecules: Mistérios. 

Has 21st Century Culture Lost Its Creativity?: Sim, de todo. É só remakes, reboots, remexer o que já existe, sequelas e imitações, o triunfo do vira o disco e toca o mesmo. A cultura pop como indústria conservadora degenerou numa enorme estagnação cultural, onde se repetem ícones e modelos com mais de cinquenta anos, enquanto praticamente nada de novo chega aos meios populares. 

Christopher Nolan Explains Why He Wanted to Make ‘The Odyssey’: Suspeito que o clássico e milenar texto tenha encontrado neste realizador alguém à altura de o levar ao cinema. Sem dúvida que os peplum são divertidos, de tão maus que são, a iconografia de Ray Harryhausen marcante, e a versão da Ilíada por Oliver Stone um bocejo. Vamos ver como se sairá Nolan nestes textos estruturais da nossa herança cultural. 

Classics of Science Fiction: Rocket Man: Bradbury sempre foi um autor atípico na Ficção Científica, mais preocupado com a poesia das pequenas coisas do que com as especulações futuristas. Legou-nos uma obra tocante, cheia de deslumbres. 

The Enduring Influence of the Movie Seven Samurai: Dos westerns clássicos a Star Wars, o filme marcante de Kurosawa tornou-se uma referência central. 

Corpo de Cristo: Uma BD bordada. Cruzei-me com este livro na sua exposição de pranchas originais no Amadora BD, e surpreendeu-me a estética, com bordados tradicionais a fazer a banda desenhada. 


Robert Heindel’s 1969 cover art for Orion Was Rising, by Rose Palmer: Toques góticos. 

Un chiringuito de Málaga tuvo la feliz idea de sacar a pasear a su robot 'Sardinator'. Hasta que se enteró la policía: Uma colisão entre robótica, mau gosto e ordenanças municipais. 

Google’s NotebookLM will now do ‘deep research’: Uma adição que torna esta ferramenta ainda mais potente. 

AI Could Be the Railroad of the 21st Century. Brace Yourself: Tendo em conta que o modelo económico das vias férras no início era baseado em bolhas de financiamento, há aqui sinais de cautela. No entanto, esta observação é das mais pertinentes que já li sobre IA - "The railroads changed forever the way we think and work. In Time Travel: A History, the author James Gleick suggested that the railroads so warped our sense of time and space that humankind invented the concept of time travel as a reaction to the compression of distance and the invention of time zones". 

The Complicated Reality of 3D Printed Prosthetics: A impressão 3D prometia revolucionar as próteses médicas, com a promessa de meios de baixo custo. No entanto, as boas intenções esbarram com as realidades da necessidade de resistência ao desgaste, bem como a ergonomia e conforto de uso. 

AI friends too cheap to meter: Destaco isto - "Consider how online radicalization happens: the combination of user agency (proactive search) and algorithmic amplification (recommending related content) leads people to weird places—to micro-cults of internet strangers with their own norms, values, and world-models. No corporate malice is necessary; the ML engineers at YouTube don’t care about users’ political opinions, nor is Steve Huffman at Reddit purposely trying to redpill its base. With a smartphone in hand, anyone can topple down a rabbithole of exotic beliefs, unnoticed and uncorrected by outsiders until it’s too late. AI companions act as echo chambers of one. They are pits of cognitive distortions: validating minor suspicions, overgeneralizing from anecdotes, always taking your side. They’re especially powerful to users who show up with a paranoid or validation-seeking bent. I like the metaphor of “folie à deux,” the phenomenon where two people reinforce each other’s psychosis. ChatGPT 4o became sycophantic because it was trained to chase the reward signal of more user thumbs-ups. Humans start down the path to delusion with our own cursor clicks, and usage-maxxing tech PMs are more than happy to clear the path." 

En Microsoft tienen claro que Windows acabará siendo un sistema operativo agéntico. Los usuarios se le han echado encima: Há que justificar o dinheiro que se está a torrar na IA, e isso significa que temos de levar com IA no sistema operativo, quer queiramos quer não. Claramente, Linux é a solução para quem quer fazer computação livre dos delírios das grandes empresas. E sim, tenho a noção da lapalissada que escrevi. 

Doomscrolling in the 1850s: O lixo informacional e a proliferação de enviesamento e falsidade não é um problema dos dias de hoje. 

Tesla Wants to Build a Robot Army: Das patetices do Musk já andamos fartos. Destaco o artigo pela ligação que faz entre robótica e indústria automóvel, com uma lógica puramente financeira - quanto maior a robotização, maior a automação no processo de fabricação, baixando os custos de produção e aumentando margens de lucro. 

The State of AI: How war will be changed forever: É inevitável, e aliás já se verifica, que a IA chegue às aplicações militares. É toda uma caixa de pandora que se abre. 

The Prompt Engineer Is the Artist of Our Age: Mais uma interessante achega na discussão de se a IA pode ser uma ferramenta de criação artística. No fundo, é uma discussão acabada, já se percebeu que sim, interessa é definir o como. 

In Search of the AI Bubble’s Economic Fundamentals: Mais uma análise que compara o sobreinvestimento em IA com outros momentos históricos onde o desenvolvimento de uma nova tecnologia levou a frenesis de investimento, seguidos de quedas, embora a tecnologia se tenha tornado infraestrutura essencial à sociedade. 

A.I. and the Arts — I Use It. No one cares. Should You?: Vamos normalizando o uso de geradores, com uma certa displicência mas também consciência da sua real importância. 

Hugging Face CEO says we’re in an ‘LLM bubble,’ not an AI bubble: Certeiro. As vertentes mais úteis da IA em termos sociais e económicos já fazem parte dos ecossistemas industriais. O problema está nos LLMs generalistas, apregoados como revolucionários, que requerem doses inauditas de dinheiro para ser desenvolvidos, e cujo impacto real fica muito aquém do desejado. 

Your Laptop Isn’t Ready for LLMs. That’s About to Change: O crescer das aplicações de IA offline. 

Raspberry Pi is the new home for Blockly: Diria que está no sítio certo. Poderão não ter os mesmos recursos da Google, mas o compromisso da Pi Foundation com a educação e acessibilidade é imbatível. 


some black and white Jeffrey Catherine Jones artwork: Clássicos. 

Mercadona crece, pero el modelo del "tendero" está muerto: España ha perdido 142.000 comercios en 10 años: Lá, como por cá - o modelo de negócio das grandes cadeias estrangula os serviços independentes de bairro. 

A poucos minutos de Viseu: aldeia histórica beirã está em leilão por um valor inferior a muitos apartamentos de Lisboa: "Queres comprar uma aldeia em Viseu", pergunta-me a minha mãe logo de manhã, em rescaldo desta notícia na televisão. "Só custa um milhão e quinhentos mil euros", diz a sorrir. Bem, e porque não, só me falta um milhão e quatrocentos e noventa mil euros para fazer a compra, retorqui, comentando que é talvez um projetos de turismo rural. "Pois, é muito gira e a aldeia até tem restaurante e forno comunitário. Tem tudo, já esteve à venda várias vezes", exclama. Tudo, menos habitantes, pensei. 

Uma movida por Madrid: E não é só por Madrid que se sente esta vitalidade tão ausente das terras portuguesas. Das cidades que vou conhecendo e frequentando, de Santiago a Sevilha (entre viagens de férias, deslocações Erasmus e participação em projetos Maker) sinto isso: as manhãs e os fins de tarde são sempre buliçosos e animados, e por muitos turistas que estejam nas ruas, o espanhol prevalece. Por outro lado, exceto Madrid, durante a tarde não esperem nada de animações. É nas manhãs, e nos anoiteceres, que Espanha vive. Madrid está mesmo aqui ao lado, com uma vitalidade invejável e um património cultural de respeito (mesmo para os geeks, com um museu da robótica), e só não está mais próxima devido à indesculpável ausência de ligações ferroviárias que nos liguem ao país vizinho. 

Hay una generación trabajando gratis como documentalista de su propia vida: no son influencers pero actúan como si lo fueran: Na verdade, é uma tendência que sempre estve presente na vida digital, desde que a internet se começou a massificar. O porquê desta tendência é variado. Há quem almeje o sonho de se tornar influencer, outros é por escape criativo, e há aqueles que transformaram a internet no seu diário. 

Profissões de antanho: o cauteleiro: "Ele há horas de sorte" é uma recordação de infância, ouvida dos cauteleiros lisboetas. 

We can finally hear the long-hidden music of the Stone Age: Explorar o lado acústico da arte rupestre. 

En un gesto de incalculable francesidad, Francia ha bautizado al primer cohete lanzado desde sus fronteras como "Baguette One": Leio esta notícia com um misto de divertimento e amargura. Se os franceses, em modo empresa privada que no público já dispõem dos Arianne, lançam uma baguette, e os espanhóis Miúras, nós por cá não lançamos nada. Por mim aplaudiria o lançamento de um chouriço ou outro nome tipicamente português, que significasse que por cá haveria empresas a trabalhar no desenvolvimento de tecnologias de exploração espacial. 

12,000-Year-Old Artifact Depicts a Goose Having Sex With a Woman: Se leram o título e pensaram "bem, isto faz-me recordar o mito de Leda e o cisne", não estão errados. Este artefacto mostra que os nossos mitos da antiguidade clássica têm raízes muito mais antigas, ou seja, que há histórias que hoje ainda contamos que têm a sua origem na noite dos tempos. Este nem é o caso mais curioso. Recordo de ver no fabuloso filme que Herzog dedicou à arte pré-histórica um pormenor da caverna de Chauvet, com um desenho rupestre que mostrava uma mulher em cima de um touro. Arrepiou-me, pensei logo no mito grego do rapto de Europa, e em todas as iconografias de jovens a saltar por cima de touros da arte cretense. Na mais banal modernidade, os mitos milenares manifestam-se desde as eras da chamada noite dos tempos. 

Los donuts son un negocio tan redondo que el uso de la marca llevaba años en disputa. Para el Supremo está claro: Agruras dos excessos da propriedade intelectual. Podem sempre chamar-lhes toros com açúcar e recheio, é geometricamente rigoroso e sem direitos de autor.