domingo, 15 de fevereiro de 2026

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“Futura”, #7, February 10, 1973: Futurismo em mente. 

How not to misread science fiction: Os fãs, conhecedores, críticos e autores bem sublinham - a Ficção Científica não é um oráculo, não serve para prever o futuro ou para postular tecnologias. Nos últimos tempos, assistimos ainda a outra tendência preocupante - a dos que desenvolvem tecnologias e aplicações com impactos sociais devastadores, afirmando-se inspirados por obras de FC e fantasia cujas lógicas e princípios são o exato oposto do que estes fãs praticam. 

Five Lesser-Known Novels by Fantasy Greats, recommended by Sylvia Bishop: Os livros considerados secundários, mas nem por isso menos interessantes, de alguns dos autores mais marcantes da literatura fantástica. 

Mythological contacts: Com uma premissa destas, suspeito que vou colocar este livro no meu radar. 

Aphoristic Intelligence Beats Artificial Intelligence: De facto, nada como a elegância intelectual de um bom aforismo, que ao mesmo tempo nos faz sorrir e coloca a pensar. 

2025 em leituras: As sempre interessantes sugestões do João Campos, que é um leitor muito focado nas vozes mais recentes e diversas da Ficção Científica. 

Solaris – Stanislaw Lem: Recordar Lem, e o porquê de ser um dos escritores fundamentais do género. 

Los mejores libros de novela histórica para viajar al pasado sin moverte del sofá: Caveat lector: nem todos estes livros sugeridos são leitura fácil, estão alguns pesos pesados da literatura mundial na lista.

Mass Market Paperback Books Are Disappearing: O primeiro alerta para isto veio do Luís Filipe Silva, e embora se possa usar o argumento da leitura digital e dos ebooks como forma de mitigar este desaparecimento, a verdade é que o progressivo desinvestimento em paperbacks (o equivalente por cá são os livros de bolso) piora o acesso à leitura. Baratos e descomprometidos, ajudavam à compra quase de impulso, e perdi a conta aos paperbacks que me introduziram à obra de autores que se vieram a tornar os meus favoritos. A capa dura, os formatos mais tradicionais, são mais caros e já se destinam a leitores formados. Perde-se, também, uma das delícias dos leitores - o gosto pelo acaso e surpresa, os achados que nos surpreendem nos escaparates.


Haunted Centennial: Exemplos da lendária resistência do corpo feminino ao vácuo do espaço. 

Mesh “Lens” Lets Your Camera Make Weird Pixel Art: Há que admirar estas formas inventivas de modificar a realidade vista através de lentes, com meios puramente mecânicos. 

How AI coding agents work—and what to remember if you use them: Os cuidados a ter com os agentes de IA. 

EEUU creía haber dado un golpe mortal a China cuando le privó de NVIDIA. Tan solo aceleró un plan: 'Delete America': "delete américa", ou dar passos decisivos em direção a uma verdadeira soberania digital. Um exemplo que na Europa temos mesmo de seguir. 

Stop Thinking: Perceber onde é que os llms nos auxiliam, e onde não o fazem, é uma competência cognitiva crítica. 

The paints, coatings, and chemicals making the world a cooler place: Usar a ciência dos materiais para ajudar a mitigar e combater os efeitos das alterações climáticas. 

Children Falling Apart as They Become Addicted to AI: Os riscos tremendos de juntar mentes em formação a chatbots sem regras. 

55 Facts That Blew Our Minds in 2025: Apesar dos movimentos anti-ciência (e anti-qualquer normalidade, inteligência ou mera capacidade de raciocínio) que tanto se manifestaram por aqui, a análise científica continua surpreendente. 

AI Slop Is Spurring Record Requests for Imaginary Journals: Para surpresa de ninguém, o desleixo dos que confiam excessivamente nas capacidades dos chatbots começa a fazer mossa. 

La NASA ha tenido sus naves expuestas a hackers durante tres años. Lo ha descubierto una IA en solo cuatro días: Se lerem para lá do título, vão perceber que a verdadeira história não é a falha da NASA, mas a forma como foi detetada e corrigida com recurso a IA. 

Police charge driver who allegedly killed a pedestrian while livestreaming on TikTok: Este é daqueles momentos em que me pergunto quão idiota é esta pessoa, para estar a conduzir e a fazer lives ao mesmo tempo. Claro que as consequências foram mortais. 

A Positive Sign for Flying in the Future: Uma excelente análise do que se passou quando o sistema Autoland da Garmin se ativou numa pequena aeronave e controlou todo o processo de aterragem em segurança de forma automática. Não é o fim dos pilotos humanos, mas o revelar da importância de sistemas de segurança pensados para os piores cenários. 

Leituras da Semana (#96 // 29 Dez 2025): O João termina o ano em nota triste, e eu assino por baixo (estou a escrever estas linhas no final de 2025). As tendências não são animadoras, e a IA está a mostrar-se ser um instrumento de apropriação de riqueza que só favorece bilionários, com a conivência do poder político: "isto é só o início de uma vasta transferência de riqueza de quem trabalha para quem detém as empresas, e sobretudo para quem controla estas ferramentas".

What an unprocessed photo looks like: Uma brilhante desmontagem do processo técnico da fotografia digital, mostrando que a imagem que vemos é o resultado do processamento dos algoritmos da câmara, que na verdade não vê o mundo a cores, mas sim através da medição da quantidade de luz que cada pixel do sensor capta.

Study: How AI Spurs Creativity In Humans: Intrigante, e corrobora o que muitos que usam IA sentem (eu incluído) - não estamos a delegar, mas sim a expandir o que podemos fazer. No entanto, ressalvo que o problema central, da displicência do uso de ferramentas de IA para desenrascar trabalhos e tarefas, delegando competências cognitivas por pura preguiça mental, não deixa de se colocar. Há quem compreenda que pode fazer mais e diferente com a IA, mas a maioria quer é despachar sem dispender esforço.

The Enshittifinancial Crisis: "No, the money does not exist for you or me or a person. Money is for entities that could potentially funnel more money into the economy, even if the ways that these entities use the money are reckless and foolhardy, because the system’s intent on keeping entities alive incentivizes it. We are in an era where the average person is told to pull up their bootstraps, to work harder, to struggle more, because, as Martin Luther King Jr. once said, it’s socialism for the rich and rugged free market capitalism for the poor." Uma leitura essencial. Zittron é um dos raros analistas que se atreve a apontar que, no que toca ao aspeto financeiro da indústria da IA, o rei não só vai nu como abana alegremente as partes pudicas sem que os que se deveriam preocupar com isso o façam, num ambiente financeiro altamente especulativo que faz parecer a roleta um investimento asisado. O que é natural, visto que o sistema financeiro aprendeu bem as lições da crise de 2008 - quando se dá o inevitável rebentar da bolha e do frenesi só resta o descalabro, os estados chegam-se à frente e usam os dinheiros públicos para tapar os buracos do festim privado. Asseguram o lucro e sobrevivência, substituindo nas narrativas públicas o discurso dos génios financeiros geradores de riqueza pelo das massas populacionais que tiveram a veleidade de viver acima das suas possibilidades. O sistema não se reforma e, quando muito, atira-se à fogueira um punhado de bodes expiatórios cujas más práticas são demasiado óbvias para serem disfarçadas. Por cá temos dois exemplos, o génio da alta finança e benemérito de Serralves que acabou dependurado numa cela sul-africana, e o sensato aristocrata da banca que invoca Santo Alzheimer para não responder pelos descalabros que a sua gestão provocou. No meio disto tudo, fica convenientemente esquecido que uma pessoa não faz uma organização, que a massa de coniventes neste sistema é enorme. Algo que Zittron desmonta brilhantemente neste texto, analisado os pés de barro da sacrossanta economia da IA, repleta de números inflacionados, expetativas irrealistas, movimentos negociais estranhos (uma empresa investe dinheiro noutra para que esta segunda lhe compre os produtos que manufatura, e ambas declaram isso como provento).

What will your life look like in 2035?: Um intrigante e positivo infográfico do Guardian, que extrapola tendências e nos leva a pensar como será a nossa vida daqui a dez anos, com impactos positivos da IA. Faz sorrir, pela inocência (este candidismo nem parece do Guardian), esquecendo que a tremenda confluência entre capitalismo predatório e IA não promete um futuro radioso para todos, até bem pelo contrário.


If Enemies Ambushed The P-38: Contra biplanos não é uma luta justa. 

La muerte de un imperio es el nacimiento de otro: el gráfico que repasa la historia de las civilizaciones desde hace 4.000 años: Mapear a ascensão e queda dos impérios. 

O caso do livreiro da Rua do Ouro: um livro medieval recuperado no Liberalismo: Uma história sobre aventuras bibliográficas nos anos pós-guerra civil entre liberais e absolutistas. 

Ni "apego ansioso" ni "trauma infantil": la psicología sabe que estamos convirtiendo la mala educación en diagnóstico: E, como professor, corroboro. Tem sido crescente (embora não avassalador, tranquilizem-se) o número de crianças que me chega às mãos com óbvios problemas de falta de educação elementar, já devidamente rotuladas como "problemas psicológicos". Diria até que é um modelo de negócio para psicólogos que querem fazer uns trocos fáceis (geralmente os relatórios são sempre iguais). Quando uma criança bate o pé porque não lhe apetece, refila por pura birra, recusa-se a fazer o trabalho de aula porque não quer, trata mal os colegas e os adultos porque acha piada, na esmagadora maioria das vezes o real problema não é um eventual trauma do passado, mas sim o não reforço dos mecanismos e balizas sociais que necessitamos de aprender para coexistir em sociedade. O problema aqui é duplo. Por um lado, ter crianças que crescem sem regras e por isso incapazes de compreender como viver em sociedade; por outro, a memorização dos reais problemas psicológicos, que existem, são graves e precisam de toda a ajuda. 

España tiene un gran problema con su mercado laboral: tiene graduados que no necesita y busca a titulados que no existen: Há sempre um certo reducionismo neste tipo de artigos, como se o fim último da educação fosse preparar mão de obra para as empresas. 

Tiros ao Lado

 Confesso que sou defensor de restrições ao corrente modelo de redes sociais. Já percebemos o quão elevados são os custos sociais, culturais e individuais da rédea livre dada à algoritmização das redes, com o aliar do privilegiar dos discursos mais danosos aos sistemas que provocam adição nos utilizadores com o único objetivo de maximizar o rendimento das empresas. A proposta do PSD recentemente aprovada no parlamento é uma das piores maneiras de lidar com este assunto, fortemente reveladora do desconhecimento dos deputados de como funciona o mundo digital (mesmo para os níveis intelectuais de um psd, ou, como bem diz um bom amigo, somos governados por infonabos). 

Esta proposta de restrição tout court é errada e mal pensada. Há imenso a apontar. A proposta de integração com a CMD é, no mínimo, questionável em termos de privacidade, e queremos mesmo as Metas e Bytedance deste mundo a ter acesso a este sistema? A forma como definem rede social está tão mal feita que praticamente qualquer site cai dentro dessa definição. As propostas de coimas sobre incumprimentos são irrealistas, correndo-se o risco de prejudicar redes sociais independentes que se afastaram do danoso modelo comercial. 

Que redes independentes, perguntam-se? Sabem, caros habitantes do continuum facebook/instagram/tiktok/whatsapp (se estiverem no X não merecem qualquer respeito, isso é uma lixeira para fachos e pedófilos), existem iniciativas independentes que constroem redes sociais abertas e sem algoritmos, coletivamente conhecidas como fediverso. Por cá, temos algumas instâncias portuguesas que se têm mostrado espaços de discussão aberta e refúgio da algoritmização, que ao cair dentro das definições da futura lei não terão forma de implementar sistemas ou fazer frente a eventuais coimas, dado que são mantidas por indivíduos ou pequenas organizações sem fins lucrativos. 

Talvez o maior erro desta legislação é ignorar a importância social das redes sociais, que são espaços a que as crianças e jovens têm o direito de aceder em segurança como parte do tecido da vida digital. Nalguns casos, como no caso das comunidades LGBT, neurodivergentes ou interesses culturais específicos, são mesmo uma linha de vida para um tipo de socialização positiva entre pares que muitas não é possível nos espaços físicos. Proibir é idiota, e revelador de ignorância face ao digital. Proteger os públicos mais frágeis (nos dias que correm, praticamente todos) e regular para cercear um modelo de negócio que beneficia um punhado de bilionários sociopatas em detrimento de toda a sociedade é a resposta correta. Há passos institucionais nesse sentido, e como cidadãos, devemos exigir a sua intensificação, porque o corrente estado das coisas é insustentável.

Andamos a discutir proibições de uso, para evitar falar do real problema por detrás da adição aos telemóveis: são os mecanismos viciantes implementados por praticamente todos os produtores de sistemas e aplicações, desde os algoritmos tendenciosos e manipulativos das redes sociais aos mecanismos de notificação e recompensa dos jogos e aplicações. Mas discutir isso implica ir contra o consenso da grandeza dos bilionários que financiam e enriquecem com esta pandemia de adição.

Nisto, um dos argumentos falaciosos que impede uma eficaz regulação das redes sociais é a ideia que as regular é uma forma de censura. Note-se que se formos para a rua berrar impropérios, obscenidades e insultar as pessoas que nos rodeiam, a coisa acaba mal e ninguém diz que isso é censura. Idem, se andarmos por aí a querer vigarizar o próximo. Mas logo se levantam os gritos de "censura" se se sequer se observa que as redes sociais, que não só permitem como estimulam discursos de ódio, insultuosos, vigarices puras (aka modelo de negócio dos influencers), incitam a visões distorcidas do corpo feminino ou da masculinidade (e qualquer um que contacte com crianças e jovens no seu dia a dia vê o efeito arrasador que essas influências estão a ter nas atitudes e autoimagem dos rapazes e raparigas). Regular não é censurar, é enquadrar e responsabilizar. 

Queremos mesmo ter este estado de coisas em que um punhado de sites estimula a pior verborreia, amplifica o ódio, racismo e misoginia, distorcendo a sociedade, tudo para que um punhado de bilionários sociopatas fique ainda mais bilionário sociopata? Não, isso está a tornar-se óbvio, e as repostas legislativas de restrições de acesso são uma manifestação dessa sensação generalizada. Infelizmente, a atirar muito ao lado, deixando o cerne do problema intocado.

O Sh/fter e a D3 demonstram a patetice do que foi aprovado em parlamento, analisando tudo o que está errado com a proposta pateta de proibição de acesso às redes sociais por menores de 16 anos., em muito melhor forma do que isto que acabaram de ler: 

ShifterPedir o cartão à porta das redes sociais não vai acabar com o que nos preocupa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ex.Mag 01

 

Já percebi que o bom gosto do editor da Sendai é elevadíssimo. Não só pelo que traduz e edita por cá, trazendo-nos manga fora dos estilos e temáticas habituais, muito ecléticos mas tendo em comum uma certa poesia surrealista, quer quando nos leva a ler mangá experimental, ficção científica cosy ou delírios do guro. Também vende diretamente outras propostas, e foi da banca dele no Fórum Fantástico que trouxe esta Ex.Mag 01. Os autores são desconhecidos, organizou-se via Kickstarter, e o tema desta primeira edição é o Cyberpunk.

Como é óbvio, não consegui resistir. Novas visões sobre a velha estética distópica dos anos 90 que entusiasma tanto os techbros que constroem o mundo digital? Vamos a isso.

A antologia é interessante, visualmente diversa, com alguns talentos muito bons em evidência. A temática é obviamente distópica e é curioso ver como os novos criadores extrapolam os maus impactos sociais e pessoais da tecnologia nas suas visões de futuro, tendo em conta que já pertencem a uma geração que desde que nasceu sente na pele o pior do mundo digital. Podem descobrir esta leitura interessante aqui: https://www.sendaibooks.eu/exmag1


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Guerras do Alecrim e Manjerona


António José da Silva (1975). Guerras do Alecrim e Manjerona. Porto: Porto Editora.

Uma delícia picaresca, texto de 1737, comédia onde a sensibilidade barroca colide com a mais clássica das emoções humanas - não o amor, mas a tesão. É uma história tão velha quanto a humanidade, rapazes que se agradam pela belas raparigas, e as artimanhas de que se socorrem para as catrapiscar. Mas neste Portugal barroco, as normas sociais obrigam a profundos exercícios de estratégia amorosa. Quando dois rapazes de nobreza suspeitosamente pobretana se cruzam com duas amáveis donzelas, começa um jogo de seduções onde o terno conflito entre plantas simboliza as leis da atração. A complicar os amores há o tio das donzelas, homem rico e rico homem muito cioso das suas sobrinhas, e o primo da província que vem importado das berças para escolher uma das donzelas casadoiras, embora esteja mais interessado nos encantos da criadita da casa. 

Não há amores sem um cupido e uma alcoviteira. São as desventuras do desenrascado criado dos nobres rapazes, homem de estratagemas mil e vezeiro nas artes do engate, que fazem o fio condutor desta peça clássica. Peripécias mil, encontros e desencontros, enganos e artimanhas formam esta versão hilarante da mais antiga ária da humanidade, a boa e velha cantiga do bandido.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

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ジム・キャノン 1983年: Estilismo mecha.

No correio (77): Compreendo bem esta reticência. Apesar de ser adepto do separar a personalidade dos criadores da qualidade da sua obra, o caso de Gaiman é uma exceção. Por mal que isto soe, o que me afasta mais nem é o seu comportamento aberrante (notem que condenável e execrável). É a hipocrisia, que alguém que durante décadas construiu uma imagem pública de progressista, atencioso para com minorias, respeitoso dos direitos elementares e aliado de causas feministas, lgbt e similares, mas na verdade não só era um patife da pior espécie como usou a sua boa fama e graças para ser um predador eficaz. Um cretino assumido entende-se. A falsa bondade não se suporta. 

Building a Library of Science Fiction Film Criticism: Rever os clássicos com olhar crítico e memorialista. 

What Jeffrey Epstein Didn’t Understand About Lolita: Livros destes só são levados à letra pelos sociopatas. É um pouco como a admiração de Musk e Bezos pela série Culture de Banks, cujas premissas são o preciso oposto dos comportamentos dos bilionários. 

Brain Rot Without Borders: A cada vez mais profunda desconexão entre leitura e literacia, algo que é em parte estimulado pelo audiovisual aditivo das plataformas digitais. 

The Best Sci-Fi & Fantasy Novels, as Chosen by Fans: the 2025 Hugo Awards, recommended by Sylvia Bishop: O destaque para as obras vencedoras do Hugo em 2025. 

The Odyssey: The Epic Poem Comes To Life In The Newly Released Trailer: Estou super curioso. Li, recentemente (e finalmente!) o texto original na fantástica tradução de Frederico Lourenço, e é realmente magistral. Espero que a versão cinematográfica lhe faça justiça. 

A Bússola e o Labirinto – Sebastião Alves: Uma premissa intrigante, suspeito que este livro vai para o meu radar. 

The Year's Most Scathing Book Reviews: Críticas literárias tão ácidas, que suspeito que qualquer autor que as receba desiste das letras e passará a dedicar-se à plantação de batatas. 

Odyssey trailer brings the myth to vivid life: Confesso que a principal questão que me veio à mente neste trailer foi ora deixa-me cá ver, afinal o Batman da idade do bronze foi o Agamemnon? Toda aquela história de ser o rei de Micenas, matar a filha e invadir Tróia afinal era só a cobertura para manter a identidade secreta de combatente do crime? É  que aquela armadura não destoava em Gotham. Curiosamente, está ausente uma das personagens principais do poema, a deusa de olhos garços que tanto ajuda Odisseus. Mas mantenho a abertura: poderá ser uma versão cinematográfica interessante do fabuloso poema épico. Não será perfeita, e como o ser, dada a excelência e complexidade do texto original, que cristaliza uma tradição oral de outros milénios, tão diferente das estruturas de entretenimento de massas de hoje, embora esteja na sua origem? Encasinei na armadura, mas a cinematografia prometida é de cair o queixo, ou não fosse Nolan, e o vislumbre da descida ao Hades faz jus às imagens mentais invocadas pela leitura. A Odisseia é daquelas histórias que todos conhecem pela fama, por excertos, resumos ou simplificações, cujo real poder se sente quando mergulhamos no texto original (que não é muito acessível por cá, as melhores traduções recentes de Frederico Lourenço- excelentes, com um cuidado em manter a cadência poética que nos agarra à leitura, não tem exatamente edições com preço amigo para o povo). 


Artist is Craig Nelson!: Os infernos são perenes.

OpenAI’s new ChatGPT image generator makes faking photos easy: Notem que estes alarmismos não se baseiam na tecnologia por si só. Sempre houve desinformação, imagens falsas, enviesamento. O que estes algoritmos trazem é a aceleração e automação destes processos.

The Miracle of Color TV: A elegância e criatividade das soluções técnicas que nos permitiram ver televisão a cores. 

The RAM shortage is here to stay, raising prices on PCs and phones: Com a IA como força dominante no consumo de recursos computacionais, tudo o resto fica pior. 

En 2025, el salario de 6.800 funcionarios de Valencia depende de un formulario de Access. Solo una persona sabe cómo funciona: Por cá, temos um caso muito similar. Toda a gestão de provas e exames do ensino básico é feita através de três "programas" - na verdade, bases de dados executáveis do access. Há décadas que temos de o usar para gerir inscrições, pautas, classificações e transferências de dados, num processo que nos dias de hoje é obsoleto. Temos de instalar localmente o "programa", instalar as "atualizações" que são lançadas para disponibilizar funções ou corrigir bugs. A transferência de dados é efetuada por descargas de bases de dados (encriptadas, pelo menos) que são enviadas por email para gestores regionais, que têm de importar esses dados, e efetuar exportações para a gestão central. Parte da inserção de dados é automatizável através de formatos comuns, usando csv exportável pelas plataformas de gestão de alunos (e ainda bem, não tenho saudades do tempo em que se tinha de inserir TODOS os dados dos alunos manualmente, e esses tempos não estão tão longínquos quanto imaginam). Este programa é gerido por uma pessoa (talvez com uma pequena equipa, espero), eminence grise do jne (essoutra organização de imutável anal retentividade). E sem ele não se consegue gerir todo o processo de avaliação externa dos alunos do ensino básico e secundário. A coisa funciona, mas já há muito que deveria ter sido atualizada. Recentemente, a arrumar a arrecadação de materiais da minha escola, deparei-me com um cd-rom de instalação do ENEB do início do século... 

OpenAI and Anthropic will start predicting when users are underage: Um daqueles clássicos casos onde o descuido da empresa é transformado em medida benevolente. É bom recordar que as detentoras de chatbots decidiram implementar este tipo de medidas após casos de jovens cujas interações os levaram ao suicídio (e isto também deveria ser um balde de água fria nos promotores do apoio psicológico via IA). 

The 8 worst technology flops of 2025: Celebrar os insucessos tecnológicos do ano, geralmente advindos do cruzamento de ambições desmedidas, ganância ou ignorância pura. 

The Year in Slop: Os grandes marcos da desinformação e lixo trazidos pela IA generativa. 

The Future Of Film Never Arrived, And Never Will: Apesar do investimento, a tendência do cinema em 3D estereoscópico foi um flop que nunca passou do deslumbre inicial. 

La IA ya se está generando el código de medio Internet. Y para los programadores es un quebradero de cabeza: Programar com IA generativa, por um lado, tem-se mostrado um recurso interessante. Por outro, mostra os riscos de automatizar processos de reflexão. 

How social media encourages the worst of AI boosterism: Já tínhamos notado. É recorrente os líderes da IA saírem-se com pronunciamentos de óbvio exagero, que ninguém se atreve a contrariar ou apontar o dedo pela óbvia estupidez.

En su primer uso real el Autoland de Garmin salva un piloto que resultó incapacitado al hacer aterrizar el avión de forma automática: A tecnologia já existe há uns tempos, mas felizmente nunca tinha sido necessária a sua ativação. Não deixa de ser incrível, a capacidade dos sistemas da aeronave em selecionar a rota e gerir todo o processo de aterragem.

Disney’s Robot Olaf Is a Straight Up Nightmare: A matéria tecnológica oculta sobre os robots que encantam os petizes.

70sscifiart: Bernie Wrightson: Clássicos.

US oil industry doesn’t see profit in Trump’s “pro-petroleum” moves: Mas antes que começem a sorrir a pensar que a razão para isto tem a ver com o avançar das energias verdes, desenganem-se. Apenas, o preço do petróleo está baixo e os potenciais lucros não justificam os investimentos.

17 de diciembre, una fecha de aniversarios aeronáuticos: Algumas efemérides ligadas à aviação, e é giro perceber que no dia em que se comemora o primeiro voo do Wright 1 também foi a data em que a nossa Força Aérea apresentou e introduziu ao serviço os novos Tucanos.

A Huge Number of People Starved to Death After Elon Musk Cut USAID’s Funding: Só para recordar que a irresponsabilidade e sanha ideológica de um dos homens mais ricos do mundo condenou pessoas à morte. Ainda planeiam comprar um Tesla? Mas reparem, a culpa aqui não vive sozinha, e há uma chusma de gente inenarrável no poder que apoia e agrava estes crimes contra a humanidade.

NOVA ERA NA FORÇA AÉREA PORTUGUESA - Do Espaço à 6ª Geração: É interessante notar a ambição do investimento neste domínio, a olhar para as infraestruturas, as oportunidades de desenvolvimento de tecnologia em parceria com empresas portuguesas, e a prestar atenção ao espaço como vertente de soberania. 

Bitcoin Crashing Is Actually Awesome News for Regular People, Economist Says: Aliás, diria mais - sempre que a especulação financeira está em baixo, é a sociedade em geral que beneficia. 

A-10s Spearhead U.S. Retaliation Strikes Against ISIS Targets in Syria: É uma aeronave obsoleta nos domínios modernos, mas nalguns contextos, ainda imbatível. 

Creíamos que todo pasaba por los nuevos cazas. El F-16 lleva 50 años en el aire y se sigue vendiendo como pan caliente: Uma perenidade que se explica de forma simples - apenas as grandes potências têm necessidade de máquinas super-avançadas, para se contrabalançarem nos jogos geoestratégicos. Os países que não almejam este tipo de estatuto apenas necessitam de equipamentos capazes para manter a soberania. 

A Higher Call, una increíble historia de aviación, aviadores, y humanidad: Um lampejo de humanismo no meio da negritude da guerra. 

Ukraine’s Defense Forces reveal Lyman covered in drone “web” amid ongoing Fighting: Cada guerra lega-nos novas estéticas e iconografias. A I Guerra Mundial legou-os a imagem da trincheira lamacenta e a terra de ninguém coberta de crateras, partes de corpos e arame farpado. A II as cidades em ruínas e o cogumelo nuclear. Agora, temos as imagens das teias de fibra óptica que cobrem os campos de batalha ucranianos. 

New York to London in a Flash: A Look at an SR-71 Record Flight: Os Blackbird eram aeronaves fenomenais, e um dos nossos picos tecnológicos irrepetíveis. Não resisto à piada foleira: se se tivesse passado no aeroporto de Lisboa, hoje, a rapidez da viagem apenas garantiria que se chegaria mais depressa às intermináveis horas de espera na fronteira.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

The Gas


Charles Platt (1980). The Gas. Londres: Savoy Books.

Tenho de culpar o Damien Walters, com as suas sugestões de leitura, por ter tropeçado nesta bizarria. Não a teria descoberto de outra forma. Walters partilhou-a como inesperada leitura fora da caixa, e, de facto, é-o. Não é um grande livro, apenas algo de inesperado. Nome menor da FC britânica, Platt esteve envolvido com a lendária New Worlds. Este The Gas... bem, como o qualificar? 

Apesar de ter sido escrito por um autor de FC e ter elementos do género, The Gas é um romance pornográfico, típico material masturbatório escrito a metro para excitação dos leitures num tempo antes da internet, onde era mesmo preciso ler segurando o livro com uma das mãos e imaginar para, enfim, creio que percebem. Hoje, com a proliferação banalizada da pornografia online, cada vez mais a extremar-se para despertar interesses adormecidos pela generalização, este tipo de livros parece-nos algo inocente e peculiar. 

Como descrever este livro? Imaginem a premissa do clássico The Purple Cloud, mas em vez de um gás mortal que se espalha pelo mundo temos um acidente num laboratório que liberta uma nuvem que se espalha por toda a Inglaterra, cheia de uma substância que exacerba o desejo sexual. O resultado é um colapso social, com toda a gente a sucumbir ao desejo desenfreado e meter-se em orgias cada vez mais violentas. Talvez a melhor forma de descrever isto seja imaginar o típico cenário de histórias de zombies, mas com hordes de pessoas esfaimadas por sexo em vez de mortos-vivos. Aliás, há muitas cenas no livro que poderiam ser transportadas para filmes de zombies.

Claro que tudo isto é uma desculpa para se sucederem descrições explícitas de atos amorosos, com uma decadência progressiva nos mais proibidos tabus. Apesar disto, há um romance, uma lógica no livro, uma linha narrativa de merguho na insanidade. Algo que o livro tem aos rodos - à medida que se aproxima do final, as tropelias tornam-se cada vez mais bizarras e as descrições mais insanas. Platt certamente que se divertiu a imaginar o que aconteceria se estudantes de ciência perdessem todas as inibições e usassem as experiências em modo secxual, numa sequência que termina com uma das cenas mais insanas que já li - o colapso de uma catedral usada por bandos de lésbicas enraivecidas de desejo, que se dedicam a torturar homens até à morte. 

É ainda pior do que imaginam, naquele surrealismo da má literatura em que é tão mau que se torna interessante. Não é que o livro seja um mau livro. É algo que ultrapassa a mera qualificação de material masturbatório escrito a metro, com um aceno à ficção científica numa história de apocalipses em versão deboche.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Echi dall'Incubo


Tiziano Sclavi, et al (2025). Dylan Dog: Echi dall'Incubo. Milão: Sergio Bonelli Editore.

Porque é que Dylan Dog se tornou uma das minhas paixões culturais? Não preciso de ir mais longe do que esta pequena pérola literária que é  La Piccola Biblioteca di Babele para demonstrar o porquê. Começa como uma subtil vénia borgesiana, que ganha outros contornos numa fantasia onde as bibliotecas infinitas contêm as minúcias das vidas de todos. Avança para o surreal graças a um musaranho de dentes adiados e apetite pelos pergaminhos, e um monge copista que elimina todo um livro para ocultar os danos provocados pelo roedor. 

Resulta um conto belíssimo sobre memória  e esquecimento, com momentos de pura irrealidade. As pessoas que se desfazem enquanto o rato rói os pergaminhos do incunábulo são um pormenor genial. Termina com um dos mais brutais pontos finais. Numa vinheta Dylan e o seu amor do momento escapam-se de uma terra que se apaga, na outra está a conduzir sozinho, a achar que está a bater mal por filosofar em voz alta sobre amores. Desaparecidas ficam as memórias das vidas, graças ao estratagema do monge.

Dylan e os amores é uma constante, o ser um eterno pinga-amor é uma das tropes da série, tal como o carocha branco, o assistente exímio em piadas secas, o tocar  mal clarinete, o nunca terminar o modelo de veleiro, e a campaínha avariada no número 7 de Craven Road, que soa a gritos e não ao toque habitual. O seu quinto sentido e meio é exímio em levá-lo a aventuras onde se cruza com o sobrenatural, embora, num dos toques de profunda ironia do personagem, não acredite por aí além em assombrações e monstros, embora lide regularmente com eles.

Devemos ao génio de Tiziano Sclavi esta personagem peripatética e as suas aventuras, bizarras, surreais, oníricas e tocantes. Sclavi deu corpo ao personagem, e revelou-se sempre o seu melhor argumentista (que me perdoem os fãs de Roberto Recchioni e Paola Barbato, que também se safam muito bem com o personagem). Algo que sempre me surpreende nas histórias por ele assinadas é a mestria como consegue gerir o ritmo das vinhetas, concluindo pequenas narrativas dentro da narrativa maior, ou tocando a tecla certa do suspense, no ponto exato onde se vira a página e se pode mudar de fio narrativo ou querer continuar a história. 

Echi dall'Incubo foi a minha prenda de natal para mim próprio. Colige vinte e quatro histórias curtas, escritas por Sclavi e ilustradas pelos suspeitos do costume - Bruno Brindisi, Corrado Roi, Angelo Stano ou Franco Saudelli, entre outros ilustradores da Casa Bonelli. É um mergulho no Dylan Dog clássico, revisitando pérolas da sua história editorial.

Contos Gregos


António Sérgio, Luís Abreu (1978). Contos Gregos. Lisboa: Sá da Costa. 

Confesso, não comprei este livro pelos seus textos. Por muito que goste de mitologia grega, não estou particularmente interessado em mais um recontar simplificado destas histórias que compõem o cerne da nossa cultura. Apesar de ter terminado a leitura com um sorriso, com o recontar do episódio do reencontro de Ulisses e Argos na Odisseia (amantes de cães compreendem). Por outro lado, após resumir muito bem a Argonautica, termina com um final feliz à conto de fadas para os amores de Jasão e Medeia, algo que as lendas contrariam, entre os frenesis assassinos dela e s proficiência em aproveitar-se das mulheres para alcançar o poder dele. 

O que despertou o meu interesse foi o ser uma edição, profusamente ilustrada, naquele estilo entre o expressivo e o realista que é marca estética do modernismo português. As ilustrações são assinadas por Luís Filipe de Abreu e cruzam elegãncia gráfica, remetem para os mitos e ainda têm um forte caráter expressivo. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Simbolismos via IA

Confesso, tenho um fraquinho por estas trends da cultura digital de perguntar algo diferente aos chatbots de IA. Desta vez, o prompt foi "based on all our previous interactions, create an image of how you see me. Everything should have a symbolic significance". O resultado mostra sublinha as duas grandes vertentes da geração de imagem generalista em llms.


O ChatGPT é mais "artístico" (em bom rigor, uma visão reduzida e estereotipada do que são estilos artísticos), e na explicação subsequente deu-me boas razões para eu estar a ser tão agarrado por mãos desincorporadas, labirintos, livros (bem, mas essa é óbvia) e cenas cósmicas.

Já o Gemini é  mais profissional, embora na mediania confortável da estética stock photo (diz imenso sobre o tipo de dados usado para alimentar o treino dos modelos do nano banana), até me faz parecer uma pessoa respeitável e cenas. O café é um bom pormenor. Tendes razão, IA, tenho mesmo de ir buscar mais um.


Podia ter parado por aqui, mas atirei a questão ao Gemini com outra conta que uso. Qual é a diferença de resultados? A segunda conta é a de escola, que uso massivamente para explorar vibe coding com os alunos, bem como demonstrar-lhes técnicas de interação com temas da disciplina de TIC. Obviamente, o resultado espelha a natureza destas interações.

Isto vale o que vale, não vejo aqui nenhum carácter de pitonisa nestes chatbots, mas não deixam de ser um intrigante espelho das nossas personalidades.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

URL

Robot Dreams and Terrors, Amazing Mystery Funnies V2 #11: Um soco que é capaz de ter doído mais ao herói do que ao robot. 

Las alucinaciones de la IA están afectando a un sector muy concreto: el de los bibliotecários: Sintomas da preguicite mental induzida pela falsa sapiência da IA. 

The Funniest Books of the 21st Century: Literaturas que nos fazem rir.

A magia, o mundano e o fantástico em The Incandescent: O mundo da educação como palco para uma obra de fantasia? Intrigante, depois de perceber que não é a idílica sala de aula do colégio interno, mas o lamaçal do dia a dia docente e organizacional, que está em retrato. 

E mais um continho em ingl... não, espera... em espanhol, agora é em espanhol: A FC portuguesa acessível a outros leitores.

BruceS / Dec 11, 2025: Uma antevisão dos personagens cujos direitos de autor vão expirar em breve, passando a pertencer ao domínio público. 

20 Sci-Fi, Fantasy, and Horror Authors Pick Their Favorite Sci-Fi, Fantasy, and Horror Books of 2025: Leituras do ano, escolhidas por autores que estão agora a dar cartas no género. 

Five of the best science fiction books of 2025: É curioso ver que o There is no Anti Memetics Division está a ser constantemente incluído nas listas de melhores leituras do ano, e, francamente, é merecido. 


Exotic locales in the Solar System: Paisagens alienígenas. 

Disney invests $1 billion in OpenAI, licenses 200 characters for AI video app Sora: Que bom, a Disney agora vai meter-se no mercado do AI Slop. Tudo o que lhes permitir não pagar a criadores, animadores e artistas é justificável. Diga-se que a Disney se tornou a personificação da estagnação cultural, vive essencialmente de reempacotar o conteúdo que já tem, remastigando em versões, variantes, sequelas e prequelas, e não inova ou cria algo de novo. Para esta empresa, a cultura pop é um negócio de mero entretenimento (bem, isto é verdade para todos os envolvidos no mundo pop) e o que interessa é dominar a atenção com o menor esforço possível. 

Disney says Google AI infringes copyright “on a massive scale”: O timing disto é interessante. Na mesma altura que anuncia o seu investimento na OpenAI é que a Disney se torna paladina da defesa da propriedade intelectual no mundo do treino dos algoritmos. O facto de estar a acusar a concorrente direta da OpenAI é, certamente, mera coincidência. 

Z-Image chega ao iPhone via Draw Things: Gerar imagens offline, sem limitações, em iOS. 

China Launches 34,175-Mile AI Network That Acts Like One Massive Supercomputer: Uma rede de computação interconectada a uma escala que aqui na Europa até seria possível, mas há que ter vontade e não apenas declaração de intenções. 

How Governments Turn the Internet Into a Weapon: A forma mais elegante é a sua instrumentalização através da desinformação, mas a variante bruta, o simples desligar dos acessos, é também muito eficaz. 

Literal Teens Are Losing It All at Crypto Casinos: A linha entre vigaristas e influencers é muito ténue, como qualquer um que utilize redes sociais já o sabe, e ainda mais na chusma de predadores que se dedicam a explorar os mais jovens. Nota para qualquer um - nos casinos, quem ganha sempre é banca, por muitos vídeos que por aí vejam de influenciadores de sucesso a ganhar milhões. Eles ganham, mas não é no jogo - são pagos para passar a imagem falsa do sucesso no casino. 

Nervous System: Where Nature Meets Code: A sempre interessante interseção de programação, arte generativa e objetos físicos. 

Nano Banana Sketch to Image: Algo que experimentei com os meus alunos no início do ano, ainda na versão anterior do nano, e que me permitiu pegar em desenhos deles para posteriormente lhes entregar como objeto 3D. 

*Of course I’ve used every single one of these dead media: Bem, pessoalmente nunca tive enderelo aol (mas tive acesso Telepac, conta?), e nunca atirei com os ossos para cima de um colchão de água.

You’ll Never Guess What Volkswagen Is Pivoting Its Newly Closed German Plant to (Yes You Will): E faz sentido, os conglomerados industriais tradicionais têm de investir em desenvolvimento tecnológico para manter a sua competitividade.

La soberanía tecnológica en la era de las dependencias invisibles: Diria que hoje em dia, dada a complexidade das teias das cadeias industriais de materiais e tecnologia, é impossível haver uma total independência tecnológica. Depende-se sempre de alguma tecnologia ou matéria prima que vem de outros países.

AI Industry Insiders Living in Fear of What They’re Creating: Na verdade não estão, o que fazem é usar a especulação apocalíptica para não terem de enfrentar e discutir as problemáticas que a IA traz nos dias de hoje. É mais confortável imaginas AI overlords futuros do que enfrentar o problema da desinformação gerada por IA.

The great AI hype correction of 2025: Terá sido este o ano em que começamos a largar os deslumbres com a IA e experimentar com os caminhos que nos são mais úteis e criativos.

Ian Miller: Falecidos aguerridos. 

Aging Out of Fucks: The Neuroscience of Why You Suddenly Can’t Pretend Anymore: Bem, o artigo é sobre neurofisiologia feminina, mas confesso que me identifico cada vez mais com isto. No meu dia a dia, a minha paciência para lidar com mentiras óbvias, patetices e idiotices anda a tender para o nulo. 

Man shocks doctors with extreme blood pressure, stroke from energy drinks: Chama-se a isto ganhar asas, certo? 

A Brief History of the Spreadsheet: A história da ferramenta digital que se tornou essencial para organizar e gerir a vida moderna. 

AI image generators are getting better by getting worse: Um elogio às impefeições algorítmicas, o principal indício que nos ajuda a distinguir o falso do real na era digital. 

Embrulho sem surpresa: O fugir aos algoritmos de sugestão como forma de descobrir novas sonoridades, e uma das melhores observações sobre IA que já li - "nestes tempos de “inteligência artificial generativa”, que na maioria dos casos não é tanto generativa como derivativa". Assenta como uma luva, não assenta? 

Why You Should Remember the Roomba, Even After iRobot Is Kaput: De criadores de uma nova tecnologia e mercado a marca comprada por aqueles que lhes clonaram a invenção e invadiram o mercado com cópias cada vez melhores. Isto não é uma história sobre tecnologia, mas sim sobre as agruras do capitalismo. 

The Longest Suicide Note in American History: Coisas que acontecem quando se deixa os mais idiotas fanáticos ideológicos à rédea solta: "the authors do focus on one enemy ideology. It is not Chinese communism, Russian autocracy, or Islamic extremism but rather European liberal democracy. This is what this radical faction really fears: people who talk about transparency, accountability, civil rights, and the rule of law".