Stuart Jeffries (2026). Tudo, A Toda A Hora, Em Todo o Lado: Como nos tornámos pós-modernos. Lisboa: Zigurate.
Já se perguntaram, espero, como é que chegámos a este estado das coisas. Às ideias de pós-verdade e "factos alternativos", ao relativismo absoluto da multiplicidade de pontos de vista que coloca em pé de igualdade as melhores e as piores e mais aberrantes ideias. Da perda de sentido de comunidade, do individualismo espelhado e amplificado pelas visões de sucesso fátuo criadas por milhares de wannabes das redes sociais, que tornaram o fake it till you make it num movimento global. Do triunfo do neoliberalismo económico, tornando-se aceitáveis todas as artimanhas para maximizar lucros, mesmo que os seus custos prejudiquem a sociedade global. Do regresso dos caudilhismos políticos, da polarização política, dos extremismos religiosos, que estão a fazer regredir as sociedades democráticas baseadas em princípios humanistas basilares.
Culpar o pós-modernismo como espaço de ideias que permitiu o jorrar desta torrente danosa que nos está a tramar a todos, à exceção dos bilionários e seus lacaios, não é correto, e não é o caminho seguido por este livro. Antes, é uma história e análise crítica da forma como o relativismo e dissolução de fronteiras do pós-modernismo influenciou a cultura ocidental, e foi depois apropriado para o espirito de desagregação social que sentimos hoje estar a viver. Este livro é um ensaio colossal, erudito e crítico, que cruza as ideias académicas com a cultura pop e a história política e económica dos últimos quarenta anos.