terça-feira, 9 de junho de 2026

Astra Lost in Space


Kenta Shinohara (2025). Astra Lost in Space, Vol. 1. Palmela: Devir.

Peguei neste livro por curiosidade, dado ser rara a edição por cá de mangá focado na ficção científica. Não esperava muito dele, é shonen e por isso não seria de almejar histórias complexas e intrigantes. Não há nada de errado com isso, claro, seria ridículo da minha parte desprezar este género pela sua simplicidade, quando é apenas uma questão de segmentação de leitores, e este não é o meu segmento. Apesar disso, arrisquei, mais que não seja para conhecer um pouco de FC leve que escapa ao ónus dos mechas.

O livro não desiludiu. A história é obviamente simples. Estamos num futuro onde a humanidade se espalha pelo espaço, graças a naves capazes de velocidades superlumínicas (mas não perguntem o "como", vai além do âmbito do género). Um grupo de adolescentes parte para outro planeta, onde deveria ficar durante uma semana num programa escolar de sobrevivência na natureza. Mas, na superfície do planeta, são engolidos por uma misteriosa esfera que os deposita na órbita de outro planeta, convenientemente próximos de uma nave abandonada. Sobrevivendo a este primeiro ordálio, os adolescentes descobrem-se a uma distância inusitada do seu planeta, demasiado longínqua para uma viagem de regresso. Terão de se unir, cooperar e encontrar soluções para sobreviver, aproveitando os recursos planetários que encontrarão pelo caminho.

A história é clássica, misturando FC pura com o típico enredo de grupo de adolescentes que tem de aprender a conhecer-se. O foco principal está nas relações e nas histórias de cada um dos personagens, mas o lado de exploração de planetas alienígenas e quase-Hard SF está bem montado. Sem ser uma excelente leitura, acaba por se tornar interessante e divertida.