segunda-feira, 4 de maio de 2026

Lisbon Loras Deamina Night

Dia 30 de abril dei um salto ao RNA Studio para visitar o encontro Lisbon Loras, dedicado à criação de vídeo com Inteligência Artificial. Não esperava muito do evento, mas acabou por ser um serão de aprendizagem, reflexão e algumas estéticas desafiantes.


A galeria de projetos Dearmina AI mostrava algumas das criações quer dos palestrantes da sessão, quer de criadores ligados à Lisbon Loras. Não consigo dizer que as achei interessantes - não por questões de qualidade, mas por estarem firmemente na vertente de uso da IA que replica o que já se faz, ou que imita o real. É um caminho possível, mas não o que mais me interessa.

Claro, é o caminho que faz sentido para estes criadores. Pelas partilhas (nem me perguntem quem falou, são nomes que me são totalmente desconhecidos) percebi que eram pessoas ligadas ao lado mais comercial das indústrias criativas, que usam a IA para acelerar projetos ou encontrar novas formas de produção, mas na prática nunca se afastam das premissas estéticas do lado comercial da arte audiovisual.

O que percebi, é que ao contrário do que tantos fazem apanágio de alardear, a IA generativa já está integrada dentro dos processos de produção comerciais, quer em cinema para a web (sim, isso é uma tendência), curtas metragens ou anúncios publicitários (e aqui, um designer mostrou-me privadamente alguns vídeos que anda a produzir para uma conhecida marca de cervejas portuguesa que irão chegar ao público na altura do verão). A integração já é comum, e a vertente experimental não é valorizada. Aliás, um comentário corrente nas palestras era a necessidade de manter o processamento tradicional do vídeo para eliminar ou disfarçar aqueles traços identificadores que nos permitem perceber que o que estamos a ver foi gerado por IA. Publicamente, claro, o discurso é de rejeição, porque como um dos keynote speakers observou, "that's just the nature of the game".

Percebi que há muito mais IA generativa nos media comerciais (especialmente publicidade) do que desconfiamos ou as empresas admitem - o efeito "people who talk shit about AI ask us to work for them", como colocou um dos criadores de AI video em destaque nas conversas. 


Ficar um bocado à conversa com um developer chinês da bytedance, sobre os potenciais impactos da IA nas crianças, não estava na minha lista de cenas que contava fazer esta semana. Por ironia, desenvolver modelos de vídeo generativo era o que fazia. Coisas que acontecem quando um discreto storzito infiltra um evento fora da sua área. Fiquei a conhecer um espaço cultural que vale a pena manter debaixo de olho, o RNA Atelier, e um evento de IA generativa que é interessante de acompanhar.

E vim de lá com ideias... educativas, claro.